Apple dá as cartas na automação

25 de outubro de 2012

Só pra variar, a Apple ocupou quase todo o noticiário esta semana com seu evento de lançamento do iPad Mini e da nova linha de computadores Mac. Não vou aqui ocupar o leitor falando sobre esses produtos, até porque eles nem estão à venda ainda. Na infindável lista de artigos escritos a respeito, um em particular me chamou a atenção. John Sciacca, colaborador da revista americana Residential Systems, voltada a instaladores e projetistas, levantou o que me parece será o próximo passo da hoje maior empresa do mundo.

Não, adverte Sciacca, não se trata do iTV, famoso projeto de televisor integrado a media center que Steve Jobs teria deixado encaminhado e que a empresa, segundo rumores insistentes, irá lançar em 2013. O autor do texto, que é dono de uma consultoria em projetos eletrônicos, nem acredita que esse produto realmente seja lançado. Para ele, os radares da maçã agora estão apontando para o segmento de automação, especialmente automação residencial. Quem pensou em iPads e iPhones controlando a casa, uma cena hoje comum até no Brasil, está enxergando apenas parte da questão. Sciacca acha que a Apple tem muito mais a oferecer nesse campo.

Confesso que não resisto a concordar com ele quando diz, por exemplo, que os controles de energia a serem usados nas residências dentro de alguns anos serão integrados. E que poderão ser acionados pelo usuário a partir de interfaces tão simples e intuitivas quanto as de um iPhone. Ele se refere aos controles de iluminação automatizada, termostatos e sistemas HVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado, em inglês). E cita um exemplo concreto: o Nest (foto acima), termostato lançado nos EUA em 2011, que foi criado por um ex-funcionário da Apple. Dentro do seu segmento, faz quase tanto sucesso quanto o iPad. Basicamente, é um pequeno painel de parede que informa a temperatura ambiente e pode ser ajustado com toques dos dedos (mais detalhes sobre o produto neste link).

Outro exemplo para confirmar a tese do autor: AirPlay. Esse recurso, patenteado pela Apple, permite transferir arquivos de áudio e vídeo entre aparelhos diferentes, sem necessidade de fios, com extrema velocidade e confiabilidade. Fabricantes de prestígio – Denon, Marantz, B&W, JBL – pagam royalties à Apple para adotar o software AirPlay em seus players, receivers, amplificadores e caixas acústicas, de modo que fica muito mais simples reproduzir os conteúdos de um iPhone ou iPod.

A tese de Sciacca é que a Apple nem precisa se preocupar em fabricar produto algum para conquistar o mercado de automação residencial. Basta dominar, como já domina, o software e o design dos aparelhos, que serão fabricados por outras empresas. O articulista até já tem um nome para essa revolução: AirLife. Seria um aplicativo (ou conjunto de apps) para gerenciamento de uma casa a partir de controles de uso comum, caso dos players que a Apple já produz e de painéis de parede que venham a ser produzidos por terceiros.

Estaria o homem delirando? Não tenha tanta certeza. Pensando bem, AirLife até que um nome simpático.

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