Archive | outubro, 2012

Na base da força

 

 

O jornalista Fabio Pannunzio (foto), conhecido da televisão (já foi da Globo e hoje trabalha na Band), foi obrigado a suspender seu Blog do Pannunzio, por um motivo preocupante. Segundo escreveu em seu último post, neste fim de semana, ele recebeu ameaças veladas do escritório de advocacia que representa o secretário de Segurança de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto. Em carta, os advogados – que processaram Pannunzio por um artigo intitulado “A indolência de Alckmin e o caos na segurança pública” – informam que a Justiça concedeu liminar determinando que o texto fosse retirado do ar.

Segundo o jornalista, foi mais um episódio de intolerância contra suas opiniões independentes. Antes, já fora processado, por exemplo, por um deputado de Mato Grosso tido como “o maior ficha-suja do país” e por uma “quadrilha de traficantes de trabalhadores” denunciada no blog. Foi, diz ele, “uma enxurrada de processos”. Como decidiu manter o blog sem patrocínio, apenas com seus próprios recursos pessoais de jornalista assalariado, Pannunzio não viu outra saída se não suspendê-lo, ainda que temporariamente (o texto completo do post foi republicado no Blog do Noblat, do jornal O Globo).

Como se sabe, o Brasil está se tornando um país perigoso para jornalistas. Nos últimos meses, vários foram assassinados; e na última estatística da ONG internacional Repórteres sem Fronteiras, o país aparece entre os que mais ameaçam – inclusive fisicamente – o exercício dessa profissão. Não sei se Pannunzio se enquadra nesse grupo, mas é bem provável. Desde 2009, quando iniciou seu blog, ele vinha se destacando por publicar notícias contrárias aos interesses de vários grupos, inclusive governos e partidos políticos. Corajosamente, alinhou-se aos que criticam os protagonistas do mensalão e, por isso, foi atacado duramente por blogueiros a serviço do PT. Mostrando seu caráter, publicou todos os ataques, inclusive aqueles, infelizmente comuns, eivados de ódio, leviandade e baixarias.

É curioso que tenha sido justamente um governo do PSDB – no caso o de Alckmin – o autor da ação que o levou a interromper seu trabalho. Curioso e revelador. O episódio mostra que ainda estamos longe de uma verdadeira democracia, pois, nesta, críticas não são confundidas com agressões nem ofensas, mas respondidas com argumentos. Quando estes faltam, os falsos democratas apelam para suas armas prediletas: xingamentos, censura, ameaças. E isso vale para todos os grupos políticos, assim como para criminosos em geral.

Aliás, uma brilhante análise a respeito foi publicada pelo grande jornalista Carlos Brickman, no site Observatório da Imprensa. Vale a pena ler, mesmo para quem não é jornalista.

Ao me informar sobre o caso, fiquei pensando onde estarão os dirigentes do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, tão ativos quando se trata de defender seus apaniguados, e da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que diz lutar pela liberdade de imprensa. E os da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que gostam de se esconder atrás da gloriosa história da entidade, que já teve como presidente figuras inatacáveis como Barbosa Lima Sobrinho e Prudente de Moraes Neto. Onde se afugentaram desta vez?

Bose faz recall mundial

A memória pode estar me traindo, mas me parece ser a primeira vez que um fabricante de equipamentos para áudio/vídeo faz um recall. Com anúncios em vários jornais, inclusive no Brasil, a americana Bose anunciou ontem a chamada para os proprietários dos sistemas Acoustimass Série II e CineMate GS Série II. Segundo me informa a Disac, distribuidora da marca no Brasil, o motivo foi um defeito apresentado por um aparelho vendido no Exterior. Antes mesmo que a notícia se espalhasse, a própria Bose tomou a iniciativa do recall, para preservar a imagem de sua marca.

Estão incluídos os exemplares fabricados entre julho de 2009 e setembro de 2012, ou seja, quem adquiriu um dos modelos até o mês passado deve levar o aparelho para reparo. A Bose recomenda que pare de usá-lo imediatamente, pois há até risco de incêndio! O alerta vale para todos os países onde a empresa atua. No Brasil, a assistência técnica autorizada é da empresa paulista Engevideo, que atende pelo telefone (11) 5041-8621. A Bose garante que o conserto será feito gratuitamente e que, caso necessário, o módulo Acoustimass, que comanda o aparelho, pode até ser trocado.

Mais detalhes podem ser acessados neste endereço.

Meu nome é LED… TV LED!

Pode parecer cena de filme, e em certo sentido até é, mas trata-se de algo real, concreto, e que talvez muita gente por aí se candidate a ter em casa: um TV LED-LCD de 201 polegadas – e você não leu errado: 201″!!! Com um detalhe: feito especialmente para uso ao ar livre. A criação é da empresa austríaca C SEED, especializada em projetos de grande porte, que contou com a preciosa colaboração do estúdio de design Porsche, da Alemanha. Isso mesmo, aquele fundado por Ferdinand Porsche, dos carros que costumamos ver mais no cinema do que nas ruas.

A sacada foi unir o belo ao lucrativo. Os produtores do novo filme do agente 007, Operação Skyfall, que estreia aqui no final do ano, decidiram aproveitar o lançamento e montaram o vídeo abaixo, que serve ao mesmo tempo como clipe promocional do filme e do TV. Notem que a estrutura, embutida no chão, se abre ao toque do controle remoto. Em cerca de 40 segundos, a peça sobe a uma altura de 5 metros e desvenda as telas que formam um imponente videowall, com 15 alto-falantes acoplados. Perfeito para se assistir no quintal, se você tiver um como o do Palácio Schoenburg, em Viena, que já abrigou reis e rainhas, e onde o vídeo foi gravado.

Assista aqui!

Ficou interessado? Pois saiba que o equipamento não tem preço, ou seja, o custo final depende do tipo de estrutura desejado e das condições do local onde será instalado. Mas algumas especificações foram fornecidas:

*Taxa de renovação de imagem de 100.000Hz, para permitir o uso inclusive sob a luz do sol

*Display Full-HD do tipo Retina, semelhante ao do novo iPhone

*Controle remoto biométrico, que reconhece os dedos do usuário

*Sensores para controle de vento e temperatura

*Estrutura ajustável para rotação de até 135 graus para cada lado

*15 alto-falantes full-range e três subwoofers embutidos

*Sensor de laser que impede o funcionamento quando alguém (ou algum objeto) chega muito perto da tela

Italianos compram um tesouro

 

 

O mundo audiófilo certamente está com as orelhas em pé, diante da notícia de que a McIntosh foi vendida. A confirmação saiu nesta terça-feira: por um valor estimado entre 50 e 100 milhões de dólares (por ser empresa de capital fechado, os dados não são divulgados), o grupo financeiro Fine Sounds, da Itália, adquiriu a empresa, que pertencia ao consórcio japonês/americano D&M Holdings. Com sede em Milão, o Fine Sounds já possui outras marcas admiradas pelos fãs de áudio high-end: Audio Research (amplificadores e prés valvulados), Sonus Faber (caixas acústicas), Wadia (players e unidades de transporte para discos digitais) e Sumiko (cápsulas para toca-discos analógicos).

Mauro Grange, CEO do grupo italiano, garantiu que nada irá mudar na marca McIntosh. Esta, segundo ele, não compete com as demais, ao contrário, possui até algumas “sinergias”, como se costuma dizer no jargão corporativo. “Vai agregar muito ao nosso portfólio”, comentou, “e faremos de tudo para manter e proteger o legado e a reputação da McIntosh.” As primeiras reações nos sites e blogs especializados em áudio high-end foram de desconfiança (mais detalhes aqui). Afinal, por que alguém que já possui joias como AR e Sonus Faber iria querer uma marca concorrente? Para dividir mercado? Não faz sentido.

Sim, na teoria não faz, mas talvez seja apenas teoria. O negócio foi articulado por Charles Randall, presidente da McIntosh, insatisfeito com os rumos da D&M nos últimos anos. Os investidores decidiram simplesmente dar as contas ao valor da marca que, ao lado de outras (Jeff Rowland, Krell, Mark Levinson), está nos corações e mentes de todo mundo que aprecia música bem reproduzida. Concentraram-se em suas marcas ditas “populares”, como Denon, Marantz e Boston Acoustics, que passaram a ser vendidas até em magazines, desprezando o segmento de lojas especializadas. Queriam, apenas, o retorno do capital que investiram cerca de dez anos atrás. Para isso, demitiram quase todos os executivos e nomearam uma multidão de representantes pelo mundo afora, alguns dos quais mal sabem o que é uma bobina magnética… “Eles têm outro foco”, resumiu Randall, sem querer – como é normal nesses casos – entrar em polêmica. Deve ser verdade, pois hoje mesmo a marca McIntosh já tinha sido retirada do site do D&M.

Com 63 anos de história e uma sólida imagem entre profissionais de áudio, a McIntosh parece ser uma das poucas marcas do setor que tem condições de sobreviver com base em sua própria dinastia. Grange parece reconhecer isso, ao afirmar que todas as marcas pertencentes ao Fine Sounds buscam o consumidor de alta renda, que precisa de um atendimento adequado. São hoje apenas 195 revendedores nos EUA, número irrisório se comparado, por exemplo, aos de uma Denon ou B&W. “Mas temos uma equipe de talento sem igual no mercado”, diz Randall. “Esse é o nosso maior patrimônio. Agora, trabalhando com mais foco e apoio financeiro, não tenho dúvidas de que podemos continuar criando produtos do mesmo padrão.”

Pessoalmente, a única dúvida que me fica é: como um grupo financeiro italiano – Quadrivio SGR, proprietário da Fine Sounds – tem condições para um investimento desses, em meio à maior crise econômica que o país enfrenta desde a Segunda Guerra? Explicações, quem sabe, nos próximos capítulos.

Sony aposta tudo no 4K

OK, câmeras digitais, games e smartphones são hoje as meninas dos olhos da Sony, sob o comando de Kazuo Hirai, que assumiu o cargo de CEO em abril. Mas não é por isso que a divisão de TVs vai ser deixada de lado. E a melhor prova é a chegada às lojas dos EUA, esta semana, do aguardado TV 4K de 84 polegadas (modelo XBR-84X900), aquele mesmo que vimos ser apresentado em premiere mundial na IFA, no final de agosto (vejam o vídeo do lançamento).

Sim, o aparelho já está à venda no mercado americano, por US$ 25.000, e pode ser encomendado neste link (as revendas são selecionadas). Semana passada, durante a CEATEC, que aconteceu no Japão, Hirai fez questão de saudar a novidade (foto) como “prova” de que a Sony continua levando a sério sua linha de TVs. “Sabemos que por esse preço não vamos vender muito”, disse ele. “Mas é uma mensagem para o mercado, de que já dominamos essa tecnologia e pretendemos liderar o segmento de TVs 4K.” (aqui, um vídeo com parte da entrevista).

No evento, a Sony exibiu apenas o modelo de 84″, mas Hirai garante que outros estão a caminho. E, quando perguntado sobre as notícias de que a empresa estaria pensando em não mais fabricar seus TVs, o executivo foi enfático, segundo a agência Bloomberg: “De forma alguma.  Acho que a Sony tem em seu DNA a criação de aparelhos com a melhor imagem, e nosso compromisso é manter essa tradição.”

Considerado uma espécie de “menino de ouro” do grupo (foi ele quem construiu a divisão de games e comandou o lançamento do PlayStation), Hirai está, sim, sendo pressionado a reduzir os investimentos em TVs – setor que vem dando prejuízos há quatro anos. Seu mais recente relatório aos acionistas indicava perdas de aproximadamente US$ 1 milhão no ano fiscal que termina em março de 2013. Mesmo sendo ainda o terceiro fabricante mundial de TVs, atrás apenas das coreanas Samsung e LG, a Sony luta para retomar a lucratividade. Que só pode vir dos modelos top, que têm custo mais alto.

Esta é a mensagem: o TV 4K visa os chamados mercados maduros, como EUA, Japão e Europa Ocidental. Já os TVs de preço mais acessível estão sendo destinados aos países emergentes, como o Brasil, onde a disputa é mais de preço. Neste caso, valem até parcerias com fabricantes chineses. Mas 4K é outra coisa: nada supera a admirada tecnologia japonesa. Ou, pelo menos, é isso o que os japoneses pensam.

Para saber mais sobre a tecnologia 4K, este artigo é bem interessante.

De uma tela para outra

Já vai fazer um ano que vi pela primeira vez a demonstração da tecnologia conhecida como swipe. Os leitores também já devem ter visto: é o recurso que permite “jogar” uma imagem, por exemplo, da tela do celular para a do TV. Na última IFA, várias empresas mostraram; já existem até aplicativos que você pode baixar em seu smartphone (dependendo do modelo) para fazer exatamente isso. E qual é a utilidade? Tem a ver com o post anterior: a tão comentada, e pouco compreendida, segunda tela.

Swipe (em inglês, a palavra define, por exemplo, o ato de passar um cartão de crédito na máquina da administradora, ao fazer uma compra) é uma das ferramentas em que os especialistas mais apostam para viabilizar o uso de duas ou mais telas simultaneamente. Gigantes da indústria eletrônica, como a alemã Siemens e a americana Intel, há alguns anos vêm aperfeiçoando essa tecnologia (vejam este vídeo). Basicamente, o usuário ganha mais mobilidade para assistir e compartilhar qualquer tipo de conteúdo, até o extremo de poder transferir um programa que está assistindo ao vivo, do TV para o celular, e continuar assistindo enquanto se desloca. Evidentemente, isso só é possível num ambiente de rede estável e em alta velocidade de transmissão, o que ainda é utopia para a maioria de nós, mortais.

Na IFA, em agosto, a Panasonic demonstrou o recurso em seus novos TVs, cujo controle pode ser feito a partir do smartphone, baixando um aplicativo chamado Viera Remote. Para as empresas que distribuem conteúdo, o desafio é tirar proveito dessa nova experiência do usuário. Sim, swipe significa um novo relacionamento entre cada um de nós e nossos aparelhos. É uma ferramenta típica de OTT (over-the-top), como se chamam as formas de distribuição de conteúdo fora das grades convencionais de TV aberta e fechada. Vídeos, fotos, músicas, arquivos de dados e o que mais o usuário quiser podem ser transferidos entre TVs, smartphones, tablets, computadores e até alguns tipos de set-top box (STB), inclusive fornecidos pelas operadoras. Basta um aplicativo e tudo passa a circular, invisível, pelas nossas redes.

Com a esperada popularização das telas de toque, essa forma de compartilhamento se torna ainda mais prática e intuitiva.

Como chiclete no ouvido

Numa reportagem recente sobre a produção de jingles para campanhas políticas, ouvi a expressão “chiclete no ouvido”. Refere-se àquela que, segundo os papas no assunto, é a qualidade mais importante de uma música do gênero: colar nos ouvintes como chiclete, de tal forma que eles memorizem a mensagem do candidato. Vale também, é claro, para todo tipo de música publicitária, como sabemos desde os tempos do “Varig, Varig, Varig…” Tive o prazer de conhecer verdadeiros gênios nessa arte, e cito de memória alguns: Caetano Zamma, Arquimedes Messina, Zé Rodrix, Serginho Leite, Miguel Gustavo (talvez o maior de todos)… quer saber mais? Entre aqui.

Agora, leio na internet que uma das sensações do momento nos EUA é um serviço chamado GetGlue. Pelo visto, seu efeito é o mesmo de um chiclete. É destinado aos fãs de televisão, uma espécie de Facebook especializado nos programas e nos ídolos da TV americana. Quando se trata de filmes e séries, dizem que o GetGlue supera a audiência do Twitter. Mais do que isso: quando o site deixa de falar sobre determinada série, cai até o número de tweets a respeito, ou seja, uma rede está influenciando a outra…

Este é mais um dos fenômenos do mundo online, em que a interação entre mídias diferentes (no jargão marqueteiro, cross-media) é cada vez mais intensa. Ninguém tem como prever se o GetGlue irá se espalhar pelo mundo, como ocorreu com o Facebook e o próprio Twitter (este site dá dicas em português sobre a rede). Mas parece não haver mais dúvida de que redes montadas em torno de interesses comuns – no caso, televisão – são uma tendência.

3D: indústria faz sua autocrítica

Depois de esperar dois anos pelos estúdios de Hollywood, os fabricantes de TVs parece que jogaram a toalha: não há como fazer decolar a tecnologia 3D sem uma boa quantidade de filmes para as pessoas assistirem. Pelo menos, a desistência é o que dá a entender uma entrevista de Fergal Gara, diretor da Sony baseado em Londres (leiam aqui). “É justo dizer que os consumidores hoje não consideram o 3D importante”, disse ele, provavelmente replicando o que pensa (mas não diz) a maior parte de seus colegas.

Atiçado pelos jornalistas ingleses, Gara continuou: “Tanto para filmes quanto para jogos, assistir TV de óculos não é algo muito popular. Isso é um fato. Em casa, as pessoas ligam e desligam o TV várias vezes, dão pausa no filme. É completamente diferente do cinema, onde toda a atenção está concentrada na tela. Pode ser que isso mude no futuro, mas não temos ainda uma tecnologia 3D sem óculos que nos dê boa qualidade. Por isso, vamos ter que pensar em outros recursos mais interessantes.”

Já ouvi isso de algumas pessoas da indústria, embora sem a mesma ênfase. E quase todo mundo concorda que o grande problema, além dos óculos, está na falta de conteúdo. Hollywood, dois anos atrás, acenou com mundos e fundos, para depois recuar. Concluíram que não é economicamente viável produzir e distribuir discos 3D em alta escala, até porque as próprias vendas de Blu-ray não são lá essas coisas. No mundo das mídias online e sob demanda, que vivemos hoje, há pouco espaço para uma tecnologia que consome o dobro da memória nos transmissores e, claro, também nos receptores. Mais: produzir em 3D continua sendo caríssimo. Apesar do entusiasmo inicial de alguns cineastas (como James Cameron e Francis Coppola), o fato é que falta dinheiro para essa aventura.

Falando em Cameron, a produtora de efeitos especiais que ele havia fundado em 2005, chamada Digital Domain Media Group (DDMG), pediu concordata há cerca de um mês. Segundo a Justiça da Flórida, onde é baseada, seus ativos somam cerca de US$ 205 milhões, mas as dívidas já ultrapassaram a casa de US$ 215 milhões. Nem Cameron nem os outros sócios querem mais por dinheiro nela. Curioso que foi a DDMG que permitiu ao cineasta produzir seus filmes de maior sucesso (Titatic e Avatar), cujas bilheterias somadas pelo mundo afora chegam, pelos números oficiais, a mais de US$ 5 bilhões. Sem falar que a mesma empresa criou os efeitos visuais para outros sucessos, como Transformers, Star Trek, X-Men e Piratas do Caribe.

Ou seja, deve ter sido muito mal administrada. E acabou o dinheiro para investir em 3D, como Cameron sonhava.

O teste do TV gigante

Durante cerca de 20 dias, nossa equipe avaliou o maior TV à venda no Brasil, o modelo LED-LCD Sharp de 80 polegadas (é o maior por enquanto; está para sair o LG 4K de 84″). Com preço sugerido de R$ 29.000, certamente está fora do alcance da maioria dos consumidores – até porque exige uma sala grande, pelo menos uns 25m2. Com menos de 3m de distância, começa-se a enxergar os pixels, o que em algumas pessoas pode causar desconforto visual. O problema é ainda mais notado nas imagens de ação e/ou escuras (vejam aqui um vídeo que fizemos sobre o aparelho).

Essas, portanto, são as pré-condições para quem pensa comprar o aparelho: ter dinheiro e espaço adequado. Quanto à qualidade de imagem, sinceramente nos surpreendeu. Os TVs Sharp lançados anteriormente, entre 2008 e 2009, não agradaram, embora se saiba que a empresa é um dos principais fabricantes do Japão e que seus produtos fazem sucesso tanto lá quanto na Europa e nos EUA. Ao que parece – e a Sharp Brasil confirma – os modelos trazidos para o mercado brasileiro, fabricados no Japão, são os mesmos que vimos na IFA, mês passado.

As deficiências que encontramos são as mesmas dos demais TVs LED-LCD que estão no mercado. O contraste não é o mesmo do plasma, as cores às vezes parecem artificiais; a Sharp incluiu uma série de ajustes avançados para corrigi-las ao gosto do usuário, mas é um procedimento complicado e demorado. O backlight do tipo Edge-lit, usado pela maior parte dos fabricantes, é inferior ao Local Dimming, algo que, no entanto, é sutil, só se percebe olhando com muita atenção determinados tipos de imagem.

No geral, para quem busca um TV dessas proporções parece ser uma boa alternativa. Talvez seja aconselhável, no entanto, aguardar a chegada dos modelos LG e Samsung de 75″, que nos próximos dias estarão nas lojas (estamos esperando também para testar). A partir de agora, deveremos ter no mercado mundial, e também no Brasil, uma avalanche de telas grandes, pois os fabricantes descobriram que é esse o desejo dos consumidores (mais detalhes neste texto). Esta semana, por sinal, o modelo da Samsung apareceu numa promoção do site Shoptime. Mas já se esgotou…

Sem falar nos 4K, que também estão chegando. Mas essa é outra história.

Jobs morreu! Se é que Jobs morre…

Nesta sexta-feira, completa-se um ano desde a morte de Steve Jobs. “Morte”, no caso, talvez seja uma força de expressão: para muita gente, o homem ainda está aí, invisível mas fiscalizando o modo como usamos os produtos que criou!

Em meio a tanto que já foi publicado sobre Jobs, duas notícias me chamaram a atenção esta semana. A casa onde Jobs morava em Palo Alto (Califórnia) segue os passos da mansão Graceland, em Memphis, onde está enterrado Elvis Presley. Virou atração turística (vejam a foto), e amanhã terá vigílias, flores, orações e tudo mais que normalmente é provocado por um mito.

Mas o mais interessante encontrei hoje no site Slashgear: um documento histórico, gravação de uma palestra sua em 1983, num evento sobre design, da qual pouco se sabia até agora. A voz de Jobs ficou registrada numa fita cassete, daquelas que eram usadas na época, e a fita permaneceu desaparecida durante quase 30 anos. Um sujeito chamado John Celuch foi quem fez a gravação e, agora, reencontrou a fita.

Além de ser material raro, desses que poderiam ser vendidos em leilões de colecionadores, a fita contém frases de Jobs que, hoje, soam como verdadeiras profecias. Uma delas: “A Apple pensa colocar um computador dentro de um livro, que você possa carregar por aí e aprender a usar em 20 minutos.” Se alguém pensou em tablet, acertou. Mais: “Esse computador vai se conectar com outros via sinais de rádio, sem fio, e acessar grandes bancos de dados em qualquer lugar.” Internet e Wi-Fi eram então coisas de ficção científica.

Pois é, o homem tinha essa visão em 1983!!!

Quando escrevi o livro Os Visionários, encontrei muita coisa a respeito de Steve Jobs. Mas jamais tive acesso a previsões como essas (a gravação contém várias outras). Quem quiser ir mais fundo no assunto pode entrar na loja iTunes e baixar, de graça, um soberbo lote de depoimentos de Jobs, em vídeo ou MP3. Clique aqui.

Segurança (na) privada!

Mais um ranking em que o Brasil está muito bem colocado: o da segurança privada. A notícia, que li no UOL, diz que nosso país tem quase cinco seguranças privados para cada policial, segundo um estudo da OEA. Ficamos atrás apenas da seguríssima Guatemala, e bem à frente de países que vivem (ou viveram, até pouco tempo atrás) em conflito, como Colombia e El Salvador.

O pessoal da OEA ficou escandalizado com o que viu. Neste país, há nada menos do que 1,67 milhão de profissionais de segurança a serviço de empresas particulares e, portanto, sem controle pelo Estado. São 2.904 empresas no setor, muitas delas empregando policiais que deveriam trabalhar apenas para a polícia oficial. Aqui, são cometidos por ano 21 homicídios para cada grupo de 100 mil brasileiros, o que vem a ser metade do registrado na campeoníssima Guatemala. Quer dizer, lá eles precisam muito mais de segurança privada.

E aí, você se sente mais seguro depois de ler essa notícia?

 

Devolva seu celular!

Meu filho, que usa celular há uns dois anos, recebe ligação da operadora oferecendo-lhe a troca gratuita do aparelho. Estranho. Está funcionando normalmente, embora não seja “o mais moderno”. Em todo caso, vamos à loja para ver do que se trata. Sim, há um modelo novo que pode ser retirado sem custo, mas com menos recursos do que o atual. Marcas? Somente algumas, nenhuma delas interessante. Para trocar por um que realmente valha a pena, o custo varia de R$ 380 a R$ 1.100, dependendo do modelo. Resultado: viagem perdida.

Lembrei da história, ocorrida outro dia, ao ler a notícia de que nada menos do que 18 milhões de consumidores americanos devolveram pelo menos um aparelho eletrônico, em 2011, alegando defeito. O estudo, da NPD, incluiu 2 mil pessoas, sendo que o maior índice de devoluções (10%) ocorreu com os celulares. Pior: boa parte dos entrevistados se queixou que poderia ter ficado com o produto se tivesse recebido maior atenção do fabricante e/ou da operadora no suporte pós-venda; ou se recebesse melhores explicações do vendedor na hora da compra.

Não sei a quantas anda isso no Brasil (duvido que alguém tenha estatísticas a respeito). Mas é bom ficar alerta. Não tem mais cabimento, em pleno século 21, deixar o cliente na mão.

Publicitários contra a Microsoft

Esquentou o tempo entre a Microsoft e o setor publicitário americano. E, pelo menos desta vez, parece que a empresa fundada por Bill Gates está do lado certo. Em seu site, a ANA (Association of National Advertisers), que reúne os maiores anunciantes do planeta, publicou nesta quarta-feira uma carta condenando a decisão da MS de equipar seu novo sistema operacional Windows 8 com o recurso DNT (Do Not Track). Essa função vem embutida no navegador Internet Explorer 10 e impede que o administrador de um site colete os dados do internauta, que é o que acontece hoje. Toda vez que entramos num site, nossos dados são automaticamente transcritos pelo servidor da empresa que o mantém; esta pode então usar esses dados comercialmente, inclusive vendendo-os a outras (este link dá mais detalhes).

Com essa ferramenta, a Microsoft busca – que se saiba, pela primeira vez em sua longa história – um diferencial competitivo em que se coloca ao lado do usuário. Os demais navegadores não oferecem a possibilidade de bloquear a coleta de dados (tecnicamente conhecida como hacking). Essa, por sinal, foi uma das maiores sacadas da Google, empresa que praticamente inventou a publicidade online ao coletar dados de terceiros sem autorização. Hoje, todo mundo segue a prática, muito difícil de ser fiscalizada. Quem comprar um computador com IE 10 encontrará o bloqueio já ativado, como default, e para desativá-lo terá que entrar nas configurações.

É exatamente contra isso que se voltam os publicitários dos EUA, já que grande parte de seu negócio hoje se baseia na coleta de dados online. Seus argumentos chegam a ser patéticos. Comparam, por exemplo, a publicidade online com a da televisão, alegando que os sites irão morrer se perderem a possibilidade de identificar e analisar os perfis de seus visitantes, da mesma forma que as emissoras de TV morreriam se a publicidade lhes fosse negada. E pedem que a escolha seja deixada para o usuário, deixando a ferramenta desativada. Por enquanto, a resposta da MS tem sido simplesmente “não”. Vamos ver até quando…

É, sem dúvida, um tema polêmico, que deve repercutir também no Brasil. Será que as mentes criativas da publicidade não conseguem imaginar numa forma alternativa de atrair o consumidor do que simplesmente invadir sua privacidade?

ICMS: novidades após as eleições

Na barafunda tributária em que transformaram o Brasil, uma sigla, em particular, provoca calafrios: ICMS. Quando converso com empresários ou executivos estrangeiros e eles ouvem explicações sobre o funcionamento desse tributo, a reação é sempre de incredulidade. Nem as ditaduras mais radicais conseguiram até hoje inventar um imposto que penaliza, de forma tão covarde, aqueles que produzem. Covarde, porque cobrada na surdina, em meio a outros custos que, para o consumidor (aquele que, no final, sempre paga a conta), encobrem o mal maior.

Criado na época da ditadura como ICM (incidia apenas sobre mercadorias), esse imposto já traz na sua definição jurídica atual uma prévia do que pretendiam seus criadores: Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação. Com o tempo, foi sendo piorado pelos sucessivos governos e pelos constituintes de 1988, culminando com uma regulamentação, em 1996 (a chamada Lei Kandir), que praticamente abriu as portas à ‘guerra fiscal’ entre os estados. Hoje, sua aplicação cabe ao Confaz (Conselho Monetário de Política Fazendária), outra jaboticaba – só existe no Brasil.

A mais recente barbaridade inventada pelos senhores secretários de Fazenda estaduais, membros do Conselho, é aumentar de 10% para até 35% a alíquota do ICMS a ser recolhida pelas operadoras de TV por assinatura. O percentual não é fixo, varia de um estado para outro. Até o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, achou um absurdo; se bem que, no caso, é o roto falando do rasgado, porque os impostos federais não merecem do ministro a mesma análise crítica. A ideia dos espertinhos secretários é aproveitar o bom momento da TV paga, que cresce 30% ao ano, para “morder” mais um pouco. Numa reunião na semana passada, talvez com medo dos efeitos na eleição de domingo, eles decidiram adiar a decisão, que certamente vai provocar aumento no preço das assinaturas.

“É uma medida extremamente antieconômica, uma forma errada de buscar arrecadação”, disse ao Estadão o presidente da Anatel, João Rezende.

Automação e seus vários padrões

Tempos atrás, comentamos aqui sobre a disputa existente hoje entre os padrões Zigbee, Z-Wave e KNX para sistemas de automação. No mundo inteiro, são os mais usados, muito em função da força dos consórcios de fabricantes que os sustentam – no caso do KNX, principalmente na Europa. O amigo José Roberto Muratori, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), me escreve chamando a atenção para o fato de que, na verdade, existe hoje uma infinidade de padrões competindo no mercado mundial. O próprio site da entidade traz links para cada um deles, destacando que, embora aqueles três sejam de fato os mais populares, esse é um segmento dinâmico, e pode haver mudanças nos próximos anos.

Entre os links estão siglas conhecidas, como DLNA, e nomes que já estamos acostumados a usar no dia a dia, como Wi-Fi e Bluetooth. Todos são padrões sem fio, como Z-Wave e Zigbee, que buscam ampliar sua abrangência atraindo mais fabricantes. Há ainda vários padrões com fio, como o já citado KNX e os que trabalham sobre plataformas IP ou Ethernet. Grandes empresas – Sony, Samsung, LG, Panasonic etc. – participam de vários consórcios simultaneamente, às vezes apoiando até iniciativas concorrentes, mesmo porque é impossível saber qual dos padrões será dominante no futuro. Evidentemente, seria muito melhor para o consumidor se houvesse um único padrão, compatível com todos os aparelhos, não importando marcas nem modelos. Mas, infelizmente, não é essa a realidade do mercado.

Vejam que a Wi-Fi Alliance, consórcio que rege as normas do padrão Wi-Fi, acaba de divulgar mais uma atualização, com o nome de Miracast. O objetivo seria atender à crescente demanda por redes móveis, com a integração mais rápida e fácil entre os aparelhos. Essa nova versão permitiria, por exemplo, transferir conteúdos entre um TV e um smartphone via rede sem fio, incluindo vídeos 3D e até 4K. Seus defensores o descrevem como superior ao AirPlay, da Apple, pioneiro do gênero, já encontrado, por exemplo, em equipamentos de home theater.

Essas atualizações são constantes, gerando uma confusão tremenda não apenas na cabeça do usuário, mas na do próprio profissional que lida com redes todos os dias. Sei que é praticamente impossível conhecer todos os padrões, mas a Aureside presta um ótimo serviço ao divulgá-los. Ainda que alguns deles, daqui a algum tempo, possam nem existir mais.