Archive | novembro, 2012

Com as mãos no TV 4K

A espera foi longa, mas finalmente hoje chegou a nossa sala de testes o TV UltraHD (4K), da LG. Já pedimos também o modelo da Sony, mas como de hábito as empresas coreanas são mais rápidas no gatilho. Ainda não começamos os testes, mas para quem está curioso talvez seja útil informar que trata-se realmente de um gigante, com suas 84 polegadas. Tanto que estamos tendo de adaptar nossas modestas instalações para recebê-lo.

Pesando 64kg e medindo 2m13 de largura, nosso novo brinquedo exige cuidados mais do que especiais. Para começar, como veio direto da Coreia, está com cabo elétrico no padrão coreano, incompatível com as tomadas brasileiras. Vamos ligá-lo com nosso adaptador universal (claro que quem comprar o aparelho não precisará se preocupar com esse detalhe). Outra preocupação é ter conteúdo 4K para reproduzir no TV durante os testes, o que foi prometido pela LG. De início, só vamos poder analisar sua capacidade de upconversion, transformando imagens convencionais em “quase-4K”. Na verdade, imagino que essa será a principal avaliação em termos de desempenho, porque tão cedo ninguém no Brasil encontrará conteúdo 4K para assistir.

A menos que aconteça uma surpresa como a que comentamos ontem, iniciativa da Sony USA: oferecer junto com o TV um player 4K que já vem com um pacote de filmes. Nos próximos dias, aqui e em nossas demais mídias online, vamos manter o leitor informado sobre os testes. Fiquem ligados.

Seleção do Brasil

Chegou às bancas esta semana o anuário “Home Theater Best 2013”, com 25 projetos de home theater e automação selecionados entre as dezenas que a equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL visitou ao longo do ano. Como vem acontecendo desde 2001, essa edição especial irá circular nos próximos meses nas melhores bancas e livrarias do país, além de ser encontrada em lojas de decoração, escritórios de arquitetura e algumas lojas especializadas em equipamentos eletrônicos. Está saindo também, pela primeira vez, a versão da “Home Theater Best” para tablet, com mais imagens e recursos visuais sobre cada projeto.

Não sei se é redundante explicar, mas tradicionalmente esse anuário serve como referência e material de consulta, não apenas para consumidores em vias de executar seus projetos residenciais, mas também para os profissionais do mercado. Além de boas ideias que podem ser utilizadas, a revista mostra as tendências do setor. Uma delas, que até já comentamos aqui: os projetores, que antes reinavam absolutos nas salas de home theater, estão dividindo espaço com os TVs de tela grande (60 polegadas ou mais). Outra tendência: estão voltando as caixas acústicas torre, mais refinadas. Sem falar nos sistemas de automação, que caíram de preço e estão resolvendo muitos problemas nas casas e apartamentos brasileiros.

Quem quiser saber mais, é só pedir o seu exemplar da “Home Theater Best 2013”, usando este link, ou este.

Sony e seu pacote 4K

Um player contendo 10 filmes de longa duração gravados em resolução 4K é o “brinde” oferecido pela Sony aos compradores do novo TV XBR-84X900, de 84″, que acaba de ser lançado em vários países. Nesta quinta-feira, a empresa comunicou oficialmente a novidade em seu blog internacional e através de mensagens a jornalistas do mundo inteiro. Detalhe: a oferta é válida, por enquanto, somente para quem adquirir o aparelho no mercado americano, onde o TV está sendo vendido por US$ 24.999; até o momento em que escrevo, a Sony do Brasil não confirmou se a promoção irá se repetir por aqui.

O video player 4K Ultra HD é, na verdade, um disco rígido externo, do tipo HDD, que pode ser conectado ao TV via HDMI. Foi a saída encontrada pela Sony para se antecipar às críticas, que até já começaram, quanto à falta de conteúdo 4K no mercado. Embora o TV Sony de 84″, assim como seu concorrente da LG (ambos já comentados aqui), faça upconversion de imagens convencionais para 4K, todo mundo sabe que isso não é o mesmo que a resolução nativa 3.840 x 2.160 pixels. Agora, com dez filmes, o consumidor pode pelo menos sentir o gostinho. Estes são os títulos (clique nos nomes para ver os trailers):

The Amazing Spiderman (2012), lançado no Brasil como “O Espetacular Homem Aranha;

Total Recall (2012), refilmagem de “Vingador do Futuro” (1990);

The Karate Kid (2010), mais um da famosa série;

Salt (2009), policial estrelado por Angelina Jolie;

Battle Los Angeles (2011), que saiu aqui como “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles”;

The Other Guys (2010), comédia de ação com Mark Wahlberg e Will Ferrell, cujo título em português ficou sendo “Os Outros Caras”;

Bad Teacher (2011), comédia com Cameron Diaz e Justin Timberlake, lançada aqui com o título de “Professora sem Classe”;

That’s My Boy (“Esse é Meu Garoto”, 2012), comédia com Adam Sandler;

Taxi Driver (1976), clássico de Scorcese com Robert De Niro

The Bridge on the River Kwai (1957), o premiadíssimo “A Ponte do Rio Kwai”.

Além deles, o consumidor americano que decidir gastar os tais 25 mil dólares irá receber, armazenados no player, uma série de vídeos de curta metragem em 4K, incluindo alguns videoclipes da Sony Music.

 

Anatel quer mais transparência

Enfim, temos uma boa notícia vinda da Anatel. Depois de tantos anos de desleixo e despreparo, eis que a Agência coloca em seu portal (vejam aqui) a íntegra dos planos de ação apresentados pelas operadoras de TV por assinatura visando à melhoria dos serviços. Junto com as exigências listadas pela própria Anatel, lá está o que cada empresa se compromete a fazer (algumas já estão fazendo) para reduzir o número de clientes insatisfeitos.

Para se ter uma ideia, entre agosto de 2011 e julho de 2012, o mercado cresceu cerca de 30% em número de assinantes; no mesmo período, o número de reclamações registradas pela central de atendimento da Anatel aumentou nada menos do que 96%! Fica claro, portanto, que as operadoras não estavam preparadas para dar conta de seu próprio crescimento, embora viessem investindo pesado em publicidade, inclusive na TV aberta, exatamente com esse objetivo. Talvez tenham subestimado a capacidade de consumo da classe média, que é quem está puxando o setor desde 2009.

Seis operadoras responderam ao chamado da Anatel e apresentaram planos de melhoria, prometendo corrigir falhas de infraestrutura, atendimento e de comunicação. Pela ordem, os principais motivos de queixa são: cobrança indevida (35%), não cancelamento de assinatura (16%) e falhas no reparo do sinal (14%). O que mostra que o problema não é técnico, mas organizacional. Os casos mais críticos são os da OiTV e da GVT, que ficaram muito acima da meta estabelecida: 0,65 para cada 1.000 assinantes. Para o leitor entender melhor, significa que uma operadora com 1 milhão de assinantes teria “direito” a somente 6.500 reclamações no período de um mês. Ou, para ser mais preciso, 6.500 clientes insatisfeitos. Das outras quatro (Sky, ClaroTV, VivoTV e Net), apenas esta última ficou dentro dos 0,65.

Bem, mas será que com esse, digamos, puxão de orelhas os serviços irão melhorar? Não há como prever, mas tudo indica que sim. Agora, com os dados colocados de forma transparente no site da Anatel, qualquer assinante pode conferir o que sua operadora diz estar fazendo. E cobrar. Dela e da própria Anatel. O próximo passo é a agência reguladora cumprir a tarefa para a qual foi criada: fiscalizar.

Quem vende mais?

O filme tal faturou 80 milhões de dólares em seu fim de semana de estreia. Outro já acumulou mais de 400 milhões em todo o mundo em pouco mais de três meses. O cantor X renovou seu contrato com a gravadora por 50 milhões, depois de seu último disco ter chegado à marca de 10 milhões de cópias vendidas. O livro Y bateu o recorde de vendas, com 1,2 milhão de cópias. O jogador de futebol Z foi contratado por 20 milhões. E a empresa Z anunciou ter investido 100 milhões no Brasil este ano.

Números, números, números… Já virou piada entre jornalistas, durante entrevistas coletivas, especialmente com executivos de grandes empresas: sempre tem alguém perguntando coisas como: quanto a empresa investiu? Quanto irá investir no ano que vem? Qual foi o seu crescimento? E por aí vai. Pior: no dia seguinte (ou às vezes no mesmo dia, em tempos online), aqueles números são publicados como verdade absoluta. Testemunhei um caso em que o entrevistado simplesmente não tinha nenhum número para divulgar. Insistiram tanto que ele decidiu chutar… e deu certo: sua entrevista foi considerada um sucesso!

Pensem bem: que diferença faz para o leitor/consumidor/cidadão saber se tal empresa faturou X ou Y? Ou se cresceu tantos por cento? Ou se irá investir tantos milhões? O que esses números significam? Absolutamente nada. Você vai assistir a um filme só porque alguém disse que faturou 80 milhões nos EUA? Ou comprar o disco de tal cantor(a) baseado em quanto ele(a) recebeu da gravadora? Quem sai ganhando quando esses dados são publicados?

Essa divagação numerológica me bateu hoje ao ler a notícia de que o console Nintendo Wii U está esgotado nos EUA, após ter vendido 400 mil unidades em uma semana. A informação, claro, foi divulgada pelo fabricante e “comprada” pela maioria dos sites de tecnologia e/ou de negócios. Consequência natural: o preço vai subir. E, com as notícias viajando pelo mundo em tempo real, vai subir não apenas no mercado americano, mas em todos os outros países onde é vendido.

A sensação é a mesma que tive, anteriormente, ao saber que o iPhone (ou o iPad, tanto faz) vendeu tantos milhões de unidades! E daí? Isso torna o aparelho melhor? Ou apenas mais caro, principalmente em países que estão na periferia do mundo, como é o caso do Brasil? Me faz lembrar um anúncio de alguns anos atrás, de um TV Panasonic, que dizia algo assim: “Uma tela que reproduz 8 bilhões de cores diferentes. Pode contar.”

É isso aí: quem vai contar?

Encontro de parceiros

Tivemos ontem o encerramento do Programa de Certificação Home Expert, com a prova final de avaliação. Nas próximas semanas, serão divulgados os nomes dos profissionais certificados, que atingiram o nível mínimo estabelecido pelos instrutores. No final do dia, promovemos um coquetel de confraternização, em conjunto com a Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) e com a Cardoso Almeida, empresa organizadora da ExpoPredialTec, feira de áudio, vídeo e sistemas eletrônicos residenciais.

Foi um encontro agradável, já no clima de fim de ano, onde pudemos rever vários profissionais do mercado. Costumo dizer que todos no nosso segmento são parceiros, pois é muito difícil crescer – e até mesmo sobreviver nele – sem que uns apoiem os outros. Mesmo empresas concorrentes às vezes precisam se unir em torno de um ideal comum, que é o crescimento e a profissionalização do setor. Aliás, nesse aspecto a última edição da ExpoPredialTec, realizada em agosto último, foi um exemplo vivo disso.

Para 2013, os planos são muitos. O Congresso HABITAR, da Aureside, deve ser ampliado com a vinda de mais especialistas; a Feira também irá trazer novos expositores e expandir seu campo de ação; e nós, da revista Event Editora queremos dinamizar ainda mais o Programa Home Expert. Foi gratificante cumprimentar o pessoal que participou este ano e constatar que ficaram satisfeitos com o que aprenderam, inclusive aqueles que vieram de bem longe – do Acre, Mato Grosso, Rio de Grande do Norte e até do Paraguai (antes que alguém faça a piada, já garanto que não se trata de contrabandista…)

Tomara que possamos, daqui a um ano, comemorar mais uma vez.

O país dos coitados

Aprendi desde cedo que sou responsável pelos meus erros. Aprendi fazendo (e errando), inclusive na escola. E sempre procurei repassar esse conceito aos meus filhos. A educação, já disse o filósofo e educador americano John Dewey, é um processo contínuo da própria vida, não aquilo que se aprende nas salas de aula. Também não é uma preparação para o futuro, mas algo que se vive no dia a dia.

Essas reflexões me surgiram em meio às centenas de entrevistas, artigos e tuítes sobre a questão do Mensalão e as penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal. Também já as tinha lido e ouvido em outros casos, não necessariamente políticos. Talvez seja culpa de nossa herança católica, dizem sociólogos e antropólogos, que a maioria dos brasileiros sinta pena ao ver alguém ser condenado – ainda que seja um assassino cruel. Acontece, por exemplo, quando a TV mostra imagens de motoristas insanos que provocam acidentes nos quais acabam morrendo. Vêem à mente imagens como as da morte de Khadafi, trucidado por aqueles a quem tratava como animais. “Coitado!” é uma reação mais do que comum entre nós.

Sem ser cientista nem pesquisador acadêmico, apenas cidadão, confesso que me incomoda a abusiva invocação dos “direitos humanos”, seja como palavra de ordem ou mero artifício discursivo. O ministro Tóffoli, cujo próprio passado o condena, chegou ao ápice dessa prática ao defender que, para os condenados do mensalão, não cabe a pena de prisão, já que não representam ameaça à sociedade! De certa forma, equivale a dizer que o traficante arrependido pode ficar solto porque promete não mais vender drogas; ou que o motorista assassino também não precisa ir para atrás das grades porque, coitado, reconheceu seu erro e jura que agora irá dirigir com segurança e respeito.

Hipocrisia maior ainda é a dos que propõem a não detenção – substituída, quem sabe, por penas pecuniárias ou serviços à comunidade – sob a justificativa de que a pena deve servir para recuperar o criminoso. Dentro de um presídio brasileiro, argumentou o próprio ministro da Justiça, o condenado tende a tornar-se um ser humano ainda pior. Coitado, mais uma vez.

Deixando de lado o visível oportunismo dessas declarações, endossadas pelos advogados dos réus, é de se perguntar: por que não encarar as punições, nesses e em outros casos, como se faz, por exemplo, nos EUA e nos países anglo-saxões? Lá, o principal caráter da pena é educativo. O condenado deve ser punido para servir de exemplo e referência, de modo que todos saibam que não devem proceder daquela maneira. Deve, enfim, assumir as consequências do(s) erro(s) que cometeu, cumprindo a pena, e – se realmente estiver arrependido – ser autorizado a recomeçar sua vida.

Isso vale – digo, deveria valer – para todos, homens e mulheres, não importando detalhes como cor, raça, credo, partido político ou time de futebol de sua preferência. E, evidentemente, não se permitindo que seu extrato social e/ou financeiro tenha influência sobre a decisão judicial. Todos os que desejam, sinceramente, um país justo deveriam lutar por isso, ainda que, em determinados casos, os condenados sejam pessoas conhecidas ou até admiradas.

Ou será que preferimos ficar com os coitados?

Semelhanças e coincidências

Cada vez mais me convenço de que tudo foi muito bem planejado, até ensaiado. As ordens vêm “lá de cima”, e aos botocudos aqui em baixo cabe simplesmente cumpri-las. Questionar, no caso, não é uma opção. Até porque grande parte dos botocudos está sendo remunerada (alguns muito bem) para cumprir o que lhes é determinado. Basta ler com atenção certos textos que circulam na mídia, especialmente nos blogs e nas redes sociais, para encontrar semelhanças que são bem mais do que meras coincidências. Às ordens:

1) Jamais tocar no assunto Mensalão, a menos quando provocado; e, nesse caso, jamais usar o termo “Mensalão”, mas sim, quando não houver outro jeito, “Ação Penal 470”.

2) Sempre desqualificar o interlocutor que critica os mensaleiros ou aprova as penas aplicadas pelo STF. Sugestões: chamá-lo de “tucano enrustido”, “direitista”, “membro da imprensa golpista”, “neoliberal” e sinônimos.

3) Lembrar sempre do “Mensalão de Minas”, questionando por que o STF não tem a mesma atitude nesse caso.

4) Sempre que for citada a figura do ex-presidente Lula, lembrar que FHC promoveu a compra de votos para garantir sua reeleição em 1998.

5) Desqualificar a Justiça brasileira por sua lentidão e ineficiência, reafirmando que no Brasil os ricos nunca vão para a cadeia.

6) Insistir que no Brasil todos os partidos políticos roubam, têm caixa 2 e permanecem imunes à Justiça.

7) Lembrar que o povo já “absolveu” o PT ao reeleger Lula em 2006, e eleger Dilma em 2010 e Haddad em 2012.

8) Relembrar os altos índices de popularidade de Lula e Dilma.

9) Não deixar de mencionar que o processo contra Dirceu, Genoíno e Delubio foi totalmente político e influenciado pela “mídia golpista”, tanto assim que as punições foram exageradas, contra todas as tradições do STF.

10) Ressaltar que, com exceção de Lewandowski e Tóffoli, todos os ministros do STF se deixaram levar pelo clima de “linchamento político”.

11) Recordar a importância histórica de Dirceu e Genoíno na luta contra a ditadura; e que, portanto, eles não merecem ser tratados dessa forma.

12) Criticar a imprensa em geral, e em particular Veja, Folha e Globo, incluindo repórteres e colunistas, como “vendidos”.

13) Indicar e compartilhar links sobre o livro “A Privataria Tucana” e artigos de jornalistas “independentes”, como Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.

O velho Roberto Marinho dizia que gostava de trabalhar com comunistas porque “eles são muito obedientes”. Pois é, os “comunistas” de hoje se escondem em blogs que surgiram do nada, alguns até com patrocínio de empresas estatais. E você pode muito bem encontrá-los entre seus “amigos” ou “seguidores”. É só prestar atenção.

Ou será que estou ficando neurótico?

Marte ataca

 

 

 

Uma das atrações do LatinDisplay 2012, que começa nesta segunda-feira em São Paulo, será a única cientista brasileira que faz parte da equipe da Nasa eencarregada das pesquisas sobre a possível existência de vida em Marte. Jacqueline Lyra, 50 anos, é engenheira aeroespacial carioca e participa do projeto JPL (Jet Propulsion Laboratory), que entre outras atividades constrói os robôs enviados a outros planetas – como o Curiosity, que em agosto enviou imagens do planeta mais próximo da Terra, lembram-se?

O título de sua palestra, na abertura do evento, é bem sugestivo: “Para Cada Conquista, Há uma Viagem.”

Mais detalhes, neste link.

Sexta-feira negra!!!

Sempre defendi, aqui e em outros espaços, que o Brasil deve copiar modelos de sucesso adotados em outros países. Especialmente na área de tecnologia, onde estamos hiperatrasados, essa “macaquice” faz todo sentido. Como se sabe, não é a toda hora que se consegue reinventar a roda ou a internet. Quem já fez, e deu certo, sempre tem muito o que ensinar. Bem diferente disso, no entanto, parece ser o fenômeno do varejo eletrônico nesta sexta-feira.

Como já virou tradição, os americanos reservam esse dia “enforcado” com o feriado de Ação de Graças (sempre a penúltima quinta-feira de novembro) para grandes liquidações nas lojas. A iniciativa deu certo para eles, que aproveitam as sobras de estoque da temporada de verão. No Brasil, não há essa tradição. O que costuma acontecer são as promoções próximas ao Natal e, claro, as liquidações pós-Ano Novo.

Agora, decidiram copiar não apenas a ideia mas o próprio nome. Nos últimos dias, recebi inúmeros emails promocionais com a chamada: “Black Friday”. Cheguei a me sentir morando em Nova York ou Miami! Uma copiagem barata e culturalmente colonialista, que deve dar calafrios nos políticos que criticam o uso do idioma inglês no Brasil. Tempos atrás, um deputado cujo nome nem merece ser citado chegou a propor a proibição de termos como “hot-dog” e “show-business” (não sei o que ele pensa sobre “home theater”). Pura demagogia, ou falta do que fazer, ou as duas coisas.

Agora, importar a tal “sexta-feira negra” é de uma falta de criatividade atroz. Uma boa resposta seria ninguém comprar esse tipo de oferta. Mesmo porque a maioria é pura enganação.

Atualização: só agora, meia hora depois de escrever o texto acima, é que vi matéria no UOL Tecnologia descrevendo os transtornos causados por mais essa picaretagem brasileira. E, segundo a empresa de segurança Norton Symantec, estes são alguns dos domínios “maliciosos” que se aproveitam da festa:

Um Brasil que anda…

Comentei aqui outro dia sobre o projeto do novo estádio Mané Garrincha, em Brasilia, tido como modelo para a Copa de 2014, por suas inovações em tecnologia e sustentabilidade. Uma obra tão avançada que alguns leitores não acreditaram na informação. Como eu, preferem ver para crer. Agora, surge outro caso do gênero: a cidade de Armação de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, está servindo para um projeto-piloto que, se for mesmo levado adiante, irá se tornar exemplo para todo o país.

Segundo leio no site do jornal O Globo, a ideia é implantar ali o primeiro sistema inteligente de controle de energia no Brasil. A iniciativa é da empresa espanhola Endesa e tem, claro, apoio da prefeitura local e da Aneel, agência reguladora do setor. Lançado oficialmente nesta quarta-feira, o projeto prevê a instalação de lâmpadas de led em vários pontos da cidade, podendo significar até 80% a menos no consumo, e de uma rede de gerenciamento de energia (smart grid). De início, cerca de 200 domicílios irão receber medidores inteligentes, com previsão de chegar a 10 mil em 2014. Mais: instalação de paineis solares, turbinas eólicas e implantação de cobrança por horário de consumo.

Segundo os coordenadores, será montado na cidade um Centro de Monitoramento e Pesquisa, aberto ao público, inclusive com carregador de energia para carros elétricos, de tal modo que a própria população possa acompanhar a evolução do projeto.

No papel, tudo uma beleza. Tomara que realmente funcione. Aos amigos que moram ou passam por Búzios, só peço que fiscalizem e nos mantenham informados. Afinal, são cerca de R$ 40 milhões em investimentos, que não podem ser desperdiçados.

TVs, a próxima atração

O título acima é o mesmo de uma reportagem publicada ontem no site americano CE Pro, destinado a projetistas e instaladores de sistemas residenciais. Tem a ver, claro, com a chegada dos TVs gigantes, com telas acima de 70 polegadas, que temos comentado tanto nas últimas semanas. Numa enquete com integradores, o site apurou que muitos consideram esses aparelhos o item “mais empolgante” de seus projetos para os próximos anos. Alguns mencionaram também as conexões sem fio, e outros citaram os recursos para streaming de vídeo como os que mais têm chance de seduzir o consumidor.

É curioso lembrar que, para muitos profissionais do setor (ouso dizer a maioria), projetar um sistema com TVs era impensável até outro dia. Na ânsia de gerar receita sobre a venda pura e simples de equipamentos, e não sobre o serviço especializado que prestam, esses integradores tentavam forçar a venda de projetores, mais caros que os TVs. O argumento é que esse é “o único” aparelho capaz de reproduzir num ambiente doméstico a sensação do cinema. Hoje, os papeis estão invertidos. Projetores caíram incrivelmente de preço (embora os modelos de alto desempenho continuem caríssimos), e os TVs ganharam novo status, principalmente com a chegada da tecnologia UltraHD (4K).

Há um outro fator que levava (e ainda leva) alguns projetistas a não especificarem TVs para salas de home theater: é mais fácil trazer do Exterior um projetor, leve e pequeno, do que um TV de, digamos, 50″. Em muitos casos, só quem ganha com isso é o importador, nem sempre legal. Certos projetos que nossa equipe visita, para publicação na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, deixam claro que a opção escolhida não foi a melhor para o usuário.

Com os TVs gigantes, essa relação pode se alterar. Quem quer comprar apenas preço  com certeza irá continuar instalando projetores de baixo ou médio desempenho, na ilusão de ter seu “cinema em casa”. Este, no entanto, só merece o nome se o sistema de projeção for a) projetor high-end (DLP ou SXRD) + tela de ganho neutro + estrito controle das luzes na sala, de preferência com cortinas blackout; ou b) TV 4K, Full-Led ou Local Dimming, ou plasma de última geração. E, claro, tudo bem instalado e num ambiente apropriado.

O que vale é o conteúdo

Um dos temores da indústria eletrônica ao lançar tecnologias como os TVs UltraHD (4K) é o fato de não ser acompanhada pela indústria de software. Já aconteceu no passado com o Blu-ray e mais recentemente com o 3D: as pessoas compravam o equipamento e não tinham o que assistir nele; no caso do 3D, o problema persiste; são pouco mais de 100 títulos disponíveis, a preços ainda fora da realidade, embora os primeiros TVs tenham chegado ao mercado internacional há mais de dois anos (na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, o primeiro teste de TV 3D que publicamos foi em maio de 2010).

Tenho idade suficiente para guardar na memória as maravilhas que foram os lançamentos do CD e do videocassete, na década de 1980. Em poucos meses, as lojas estavam abarrotadas de discos e fitas dos gêneros mais variados. Sim, consumimos muitas fitas VHS piratas, até que os estúdios de cinema percebessem que era inútil nadar contra a maré: quase todo mundo queria ter sua videoteca particular, mesmo às vezes pagando caro por isso. O CD derrotou o LP em menos de dois anos, e o fenômeno se repetiu dez anos depois, quando o DVD “matou” a fita VHS.

Hoje, a discussão não é quando as novas tecnologias irão aposentar as atuais, mas “se” isso irá de fato acontecer. Vejam a notícia divulgada hoje no blog internacional da Sony: a empresa irá oferecer a quem comprar seu TV 4K um pacote de filmes já convertidos para essa resolução. Na verdade, a Sony é a única fabricante que pode se dar a esse luxo, usando suas divisões de cinema (Sony Pictures) e TV (Sony Television). São produtos que “saem de graça” e, portanto, podem ser dados como brinde a quem fizer o investimento – como já informamos aqui, o TV XBR-84X900, de 84 polegadas, está custando nos EUA US$ 25 mil; no Brasil, seu preço sugerido é de R$ 100 mil!

Como já fez nas inovações anteriores, citadas no segundo parágrafo deste texto, a Sony quer fixar a imagem de pioneira também na tecnologia 4K. E isso inclui, por exemplo, colocar à venda o primeiro player Blu-ray que faz a conversão das imagens para 4K. Sim, o modelo BDP-S790, que acaba de sair no mercado americano por US$ 200, possui um processador para isso. Na prática, seria o fim do dilema em relação à falta de conteúdo, até porque se forem esperar a iniciativa dos estúdios de cinema os consumidores jamais comprarão um aparelho 4K.

Vamos ver que tipo de filme será entregue junto com os TVs (não sei se a mesma estratégia será adotada no Brasil). E teremos que analisar também a qualidade dessa “conversão para cima”. E isso, só mesmo quando pudermos testar os aparelhos.

Automação residencial: o que é?

O mais recente estudo da CEA (Consumer Electronics Association), divulgado na semana passada, revela dados interessante sobre as expectativas do consumidor americano. Infelizmente, não temos no Brasil quem faça pesquisas semelhantes; alguns fabricantes as têm, mas não divulgam. Resta analisar o que acontece por lá, fazer as devidas “tropicalizações” e cruzar os dedos para que os indicadores estejam certos.

A informação que me parece mais útil, no caso, é a de que a maior parte das pessoas querem ter um sistema automatizado em casa. E querem que este seja instalado por um profissional especializado (67%, para ser exato). Na verdade, existe certa confusão em relação ao que de fato significa automação residencial. A pesquisa mostra, por exemplo, que 52% dos usuários referem-se a esse conceito como ‘monitoramento da casa’ (home monitoring). Outros 32% se identificam mais com o termo ‘casa inteligente’ (smart home), enquanto 25% preferem ‘automação residencial’ (home automation) e 20% ficam com ‘casa conectada’ (connected home).

Não são meras diferenças semânticas. Monitoramento, claro, tem muito a ver com a questão da segurança. E, embora a maior parte dos sistemas de automação inclua recursos para facilitar o controle de acesso e acionar alarmes, nem todas as pessoas relacionam uma coisa à outra. No Brasil, ainda é comum, principalmente entre novos ricos, encontrar aqueles para quem automação nada mais é do que instalar dimmers, portões eletrônicos e banheiras com hidromassagem!

Não é coincidência que, nos EUA, haja milhares de empresas especializadas em segurança residencial ou predial e que vêm incorporando os controles de áudio, vídeo, iluminação e ar condicionado a seu portfólio de serviços. A tendência é que agreguem também a instalação, configuração e monitoramento de redes domésticas, com acesso remoto. Aliás, as duas maiores operadoras de telefonia americanas (Verizon e AT&T) já lançaram pacotes desse tipo, em que se adiciona um valor fixo mensal à conta telefônica para ter direito a serviços adicionais.

Evidentemente, a realidade por lá é muito diferente da brasileira, e os modelos não podem ser transplantados. Mas deixo aqui a sugestão para os profissionais brasileiros, especialmente aqueles que ainda se queixam da concorrência dos magazines, discurso que já tem uns vinte anos. Que tal rever seus conceitos e ampliar o leque de serviços, incluindo segurança, redes, banda larga etc? Quem sabe até cobrar um valor mensal para a manutenção de tudo isso?

Alguém já tentou? Se já, quais foram os resultados?

Quem paga a conta?

A doze dias do sorteio dos grupos da Copa das Confederações, que será em 2013, ninguém sabe ainda como funcionará a rede para cobertura do evento. Sim, a tradicional cerimônia está marcada para dia 1 de dezembro no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. Será (ou seria?) o primeiro teste para a organização da Copa de 2014. Mas, até o momento em que escrevo, o governo brasileiro ainda não se entendeu com a Fifa sobre quem é o responsável pela geração do sinal para a rede internacional.

Segundo o site Convergência Digital, o clima está “azedo” entre autoridades das duas instâncias. A Fifa tem por hábito mandar e desmandar nos países onde organiza seus eventos, principalmente os que se localizam abaixo da linha do Equador. No caso da estrutura técnica de transmissão, a entidade sempre inclui entre seus patrocinadores uma operadora de telecom, deixando a cargo desta a montagem da rede. Para a Copa de 2014, o patrocínio é da Oi, só que a empresa diz que essa responsabilidade não é sua. “Uma coisa é a infraestrutura, e isso o governo tem de fazer”, diz o presidente da Oi, Francisco Valim. “Eu tenho que entregar a capacidade de fazer essa infraestrutura falar.”

De fato, deixar que o governo assuma o custo e a trabalheira toda é a saída mais cômoda para a empresa. Mas o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, se nega a fazê-lo “de graça”. E a Fifa também não quer arcar com essa conta. O problema é que o tempo corre mais rápido do que a capacidade de decisão dessas pessoas.

E pensar que tudo isso se deve apenas à transmissão de uma cerimônia com menos de uma hora de duração, em local fechado e onde normalmente acontecem grandes eventos. Imaginem se fosse um jogo num estádio lotado e com centenas de jornalistas estrangeiros… Bela prévia da Copa no Brasil.

Especialistas em displays

Recebi com alegria convite para o LatinDisplay 2012/International Display Research Conference 2012, que acontecerá semana que vem na Universidade Mackenzie, em São Paulo. Lembro que, dois anos atrás, comentei aqui sobre o evento, que naquela ocasião aconteceu na PUC-SP e no qual encontrei vários especialistas internacionais (vejam aqui). Desta vez, a promessa da Abinfo (Associação Brasileira de Informática), que representa o capítulo latinoamericano da SID (Society for Information Display), é de repetir a iniciativa.

O evento abrange praticamente tudo que se refere a displays atualmente: pesquisas e análises sobre tipos de paineis (LCD, plasma, OLED, transparentes, flexíveis), aplicações de displays em campos variados (televisão, telecom, indústria automobilística, medicina, educação, publicidade), processamento de imagem, telas de toque, realidade virtual e aumentada, displays com reconhecimento por voz e gestos, colorimetria e padrões de medição, ergonomia, conectividade e muito mais. Haverá debates, estudos de caso, exposição de pesquisas e trabalhos acadêmicos e também cursos, dentro de um programa chamado “DisplayEscola”.

Alguns nomes de empresas e instituições que estão enviando palestrantes já dão uma ideia de como a coisa é séria: Honeywell, Nasa, Qualcomm, HP, Planar Systems, Insight Media e Motorola, dos EUA; Sharp e University of Electro-Communications, do Japão; Samsung, da Coreia; Philips e Universidade Técnica de Delft, da Holanda; Chimei e Universidade Chiao Tung, de Taiwan; e Universidade Regional de Moscou (Rússia). Do Brasil, teremos representantes da Embraer, CNPq, Universidade de Brasilia e BNDES, entre outros.

Vale a pena mencionar também alguns dos tópicos listados no programa: TV 3D e suas perspectivas de mercado; uso de displays em aplicações militares e aeronáuticas; dispositivos portáteis; web TV; ebooks; e novas tecnologias, como IGZO e displays térmicos.

Enfim, assunto não vai faltar nos cinco dias do evento (de 26 a 30 de novembro), que tem apoio do CNPq e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Quem quiser saber mais pode entrar neste link: http://www.abinfo.com.br/ld2012/.

4K vs. 4K

Fiquei devendo aos leitores observações mais detalhadas sobre os novos TVs UHD que a Sony e a LG estão lançando no Brasil. Desde já, digo que todo mundo deve fazer um esforço para ver de perto esses aparelhos. Sim, eles estão em pouquíssimas lojas, e pelo menos nos primeiros meses após o lançamento vai continuar sendo assim. As duas empresas estão fazendo um enorme esforço para trazê-los (do Japão e da Coreia, respectivamente), não apenas do ponto de vista financeiro – afinal, esperam ter lucro no mercado brasileiro -, mas também na logística. Dá para imaginar o que é transportar um gigante desses, pesando em torno de 80kg…

Como já comentamos aqui, estamos aguardando a chegada de exemplares para teste. Aí, sim, será possível examinar em detalhe cada um dos modelos. Os que vimos na IFA e na CES eram protótipos devidamente preparados para exibição, o que é bem diferente de usar o produto no dia-a-dia. Por enquanto, vamos nos restringir às características técnicas, divulgadas pelos fabricantes. Ambos têm 84 polegadas, reproduzem imagens 3D, funcionam em rede Wi-Fi, acessam a internet e são capazes de fazer upscaling de qualquer imagem para a resolução 4K (3.840 x 2.160 pixels).

O Sony XBR-84X905 parece ser mais avançado – e seu preço sugerido (R$ 100 mil) não deixa dúvidas quanto a isso. Vem com um processador de três chips, específico para o upscaling 4K, e essa teoricamente é uma vantagem: qualquer sinal de vídeo colocado no TV é automaticamente processado para a resolução mais alta. Digo teoricamente porque li que essa conversão no modelo da Sony não é tão precisa assim. Aqui, cabe uma explicação. Todo display, para reproduzir imagens nítidas, precisa ser preenchido com pixels. Quanto maior o tamanho, maior o número de pixels necessários. No processo de upscaling, um software recria pixels a partir dos pré-existentes e faz a chamada interpolação, para poder encher toda a superfície da tela. É natural, portanto, que uma imagem originalmente ruim, ao ser ampliada, continue sendo ruim. Nenhum display faz milagres.

Diferentemente do modelo LG, o Sony 4K vem com um poderoso (para os padrões de um TV) sistema de áudio embutido, que libera 50 watts de potência. São dez alto-falantes, sendo cinco de cada lado da tela (dois woofers, um tweeter e dois subwoofers). A versão lançada nos EUA, com backlight do tipo Local Dimming, inclui ainda simulador surround e a função SimulView, ideal para games, na qual os dois jogadores visualizam a tela toda, com óculos 3D, ampliando a sensação de envolvimento. Aqui, a Sony ainda não informou se essas características serão mantidas.

Já o LG 84LM9600 tem preço sugerido bem mais baixo que o concorrente (R$ 44.999), mas utiliza backlight Edge-lit, que na teoria é inferior. Enquanto no painel Local Dimming os leds atuam sobre toda a superfície interna, gerando luz mais intensa e homogênea, nos Edge-lit os leds estão apenas nas laterais do display – a luz se espalha através de difusores, que não têm a mesma intensidade. No entanto, será preciso checar na prática se essa diferença é visível na tela, porque o desempenho final também depende da qualidade dos leds e da alimentação elétrica do aparelho.

Um diferencial importante desse aparelho é o que a LG está anunciando como Personal Tech. A empresa promete enviar à casa de cada consumidor que adquirir o TV um técnico encarregado de fazer a instalação e os ajustes de som e imagem, além de personalizar os aplicativos e orientar o usuário. De início, esse serviço estará disponível somente para quem mora em São Paulo ou Rio de Janeiro. De qualquer maneira, é a primeira vez que um fabricante tem essa preocupação.

O TV UHD da LG também possui sistema de áudio embutido (2.2 canais), com 50W, e processador dual-core, além de outros recursos já encontrados nos modelos top de linha dessa marca, como controle remoto com reconhecimento de voz. Mais detalhes no site americano da empresa, embora a versão a ser lançada aqui possa ser ligeiramente diferente.

Em tempo: ontem, surgiu a notícia de que a Samsung decidiu antecipar o lançamento de seu TV 4K. A empresa, que até hoje não demonstrou esse tipo de produto, pretende fazê-lo na CES, em janeiro. Só para se diferenciar da concorrência, será um TV de 85, e não 84, polegadas.

Cheiro de bolha no ar

O mundo da tecnologia – e particularmente o da internet – é engraçado, às vezes. Vale mais o oba-oba do que a realidade. E parece que as pessoas gostam disso. Nada é profundo, tudo é deixado, propositalmente, na supefície. Me faz lembrar um antigo professor de física que, diante da nossa dificuldade colegial em decifrar certas questões da ciência, acusava seus alunos de “preguiça mental”.

Pensem bem: quantas e quantas empresas já vimos surgir e desaparecer desde que o mundo entrou em conexão permanente? Quantas marcas já foram criadas, algumas até com belos logotipos, ganharam status nas redes sociais, foram replicadas e tuitadas, até sumirem dos mapas digitais? Quantos produtos ou serviços – hoje é comum dizer “plataformas” ou “apps”- tiveram lançamento badalado e duraram somente alguns meses no mercado? Quantos “empreendedores” foram chamados de gênios, ou garotos-prodígio, para logo serem esquecidos? Para cada Zuckerberg que a mídia enaltece, devem existir milhares, talvez milhões, de fracassados. Ou não?

Bem, mas por que estou lembrando tudo isso? É que a triste memória da bolha da internet, ocorrida na virada do século 21, voltou às discussões nas últimas semanas. Marcas que surgiram na esteira da popularização das redes sociais estão sendo detonadas, em muitos casos pelas mesmas pessoas (os “especialistas”) que as adulavam anos atrás. Ontem, por exemplo, ganhou destaque em sites internacionais a notícia de que a Zynga, empresa dedicada à criação de jogos online, está à beira da falência. Mark Pincus, seu criador, que chegou a ser apontado como “novo Zuckerberg”, teria chegado às lágrimas ao procurar a Apple em busca de ajuda. No ano passado, ao fazer o lançamento público de suas ações na Nasdaq, a Zynga foi avaliada em US$ 9 bilhões. De lá para cá, seu valor de mercado caiu para US$ 2 bilhões, e a cotação de suas ações despencou nada menos do que 75%. Ou seja, quem investiu naquele IPO ficou 75% mais pobre. O caso é contado em detalhes aqui.

Na mesma toada parece caminhar a Groupon, primeiro site de compras coletivas, que surgiu nos EUA em 2008, ganhou as manchetes e depois se espalhou pelo mundo, inclusive no Brasil, além de inspirar uma série de concorrentes. Seu sucesso inicial se baseava numa promessa fácil: comprando em grupo, obtém-se melhores preços e todo mundo sai ganhando. O site funciona como agregador de ofertas e de possíveis compradores, recebe um percentual do que cada um paga, mas não se responsabiliza por eventuais problemas na finalização de cada negócio. E problemas não faltam nesse tipo de relação: atrasos na entrega dos produtos adquiridos, falhas na cobrança, itens defeituosos e um longo etc. Basta dar uma olhada na situação da Groupon Brasil junto ao Procon, que já comentamos aqui.

Como os problemas são os mesmos no mundo inteiro, a credibilidade da empresa – e do próprio conceito de compras coletivas online – está na sarjeta. Suas ações na Nasdaq também não param de cair, depois de ser cogitada até sua incorporação pela Google Inc., pela pechincha de US$ 5,3 bilhões, no final de 2010. Larry Page e Sergey Brin, donos da Google, devem estar aliviados por Andrew Mason, fundador da Groupon, ter recusado a oferta.

O próprio Facebook teve um 2012 difícil do ponto de vista financeiro (detalhes, neste link). Parece mais uma das empresas que são muito badaladas e pouco compradas, ou seja, não conseguem gerar retorno para seus investidores. Quando estava pesquisando para meu livro Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo através da Tecnologia, cansei de encontrar depoimentos de ‘experts’ anunciando que a consolidação da empresa fundada por Mark Zuckerberg era apenas questão de tempo; na época, o Facebook dizia possuir mais de 700 milhões de usuários (se fosse um país, seria o terceiro mais populoso do planeta), caminhando para superar a marca de 1 bilhão, que teria sido atingida em outubro último. Em maio, após abrir seu capital na Nasdaq, a empresa chegou a ser avaliada em US$ 75 bilhões; no IPO, captou US$ 16 bilhões.

Hoje, analistas de Wall Street se perguntam quantos investidores estão no prejuízo por sua causa.

“Era o vil metal…”

Simplesmente impecável o artigo do jornalista Merval Pereira Filho, em O Globo, analisando a patética situação em que se meteram os críticos do Supremo Tribunal Federal após a condenação dos réus do mensalão. Começou com o ministro da Justiça dizendo que preferiria morrer a ficar num presídio brasileiro, assim, candidamente, como se não fosse ele próprio o chefe do ministério a quem cabe cuidar dos presídios. Na sequência, o já celebre ministro Lewandowski anunciando que “não há vagas” nos presídios para abrigar os condenados do mensalão e que, por isso, o STF deveria reduzir suas penas à mera prisão domiciliar. E culminou com o distinto ministro Dias Tóffoli dizendo que as punições aplicadas lembram os tempos da Inquisição e que os réus cometeram “apenas” desvios com intuito financeiro, não atentaram contra a democracia. “Era o vil metal”, tentou argumentar, defendendo a troca das penas de prisão pela devolução dos valores desviados.

Ou estamos ficando loucos, ou essa gente insiste em debochar da nossa cara. Sempre aprendi que aos cidadãos cabe cumprir as leis e respeitar as decisões da Justiça; sendo uma decisão da maior corte do país, então, o respeito é mais do que obrigatório; e sendo uma decisão colegiada, após anos examinando os autos, com sessões abertas diante das câmeras de TV e os acusados tendo amplo direito de defesa, ninguém deveria sequer demonstrar a desfaçatez de questionar. Mais ainda os próprios ministros do STF. Suas atitudes equivalem às de times de futebol que, derrotados em campo por um adversário tecnicamente superior, se põem a reclamar da arbitragem.

A metáfora com futebol não é casual. Desde que a política brasileira foi transformada em cenário igual ao da briga entre torcidas organizadas, onde não há inocentes, admite-se de tudo. Até mesmo juízes do Supremo comportando-se como advogados de defesa. Lewandowski e Tóffoli, por seu passado ligado a líderes e entidades petistas, teriam honrado as próprias biografias se se declarassem impedidos de votar no processo do mensalão. Provavelmente bem remunerados, optaram pelo oposto. E nem admitem acatar a decisão do próprio tribunal do qual fazem parte – aonde chegaram, por sinal, justamente pelos braços do PT.

Uma democracia de verdade, sem adjetivos, só pode ser construída com respeito às decisões da Justiça, ainda quando contrárias aos interesses deste ou daquele grupo. Essa é uma verdade tão clara que nem deveria ser discutida. Nos Estados Unidos, por exemplo, dois chefes militares estão tendo suas vidas particulares investigadas pelo FBI, após confessarem ter cometido o “crime” de adultério (nessa prática, podem ter deixado escapar segredos de Estado). Após a revelação, foram sumariamente demitidos pelo presidente da República, que não fez mais do que sua obrigação. No Japão e na Alemanha, membros do governo e empresários importantes, quando flagrados em atos ilícitos, vão à TV para pedir desculpas; alguns chegam a chorar, e há até os casos trágicos daqueles que se suicidaram diante das câmeras.

No Brasil, assistimos a ministros, juízes e governantes se lixarem para as leis, também diante das câmeras. A explicação só pode ser uma: o vil metal.