Archive | dezembro, 2012

Bom motivo para comemorar

Estamos encerrando as atividades de 2012 em clima de festa, como é habitual, mas desta vez com uma pontinha extra de orgulho. A edição de janeiro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que circula na próxima semana, será a de número 200!

Sim, completamos 200 meses de vida, ou quase 17 anos, sem que a revista tenha deixado de circular um único mês sequer. Pode parecer pouco, mas para nossa equipe esse “pequeno detalhe” tem um significado especial. Foram 200 meses – o que dá mais de 6 mil dias, certo? – de trabalho contínuo, algo que no Brasil, para uma revista segmentada, é uma façanha; aliás, não só no Brasil – poucas publicações no mundo conseguem, ainda mais nestes tempos digitais, em que muitos estão descartando o papel como “peça de museu”.

Essa edição #200 é especial também porque traz mais um trabalho que nos enche de satisfação. Estamos publicando o primeiro teste de um TV 4K no Brasil, o modelo LG de 84 polegadas, que já comentamos aqui. Mais um produto revolucionário que nosso leitor fica conhecendo antes de todo mundo. Esperamos que todos aproveitem a leitura.

Este, portanto, é nosso último post de 2012. Há muitos assuntos a comentar, e certamente o faremos nas próximas semanas. Estaremos de volta no dia 4 de janeiro. Um ótimo Natal a todos e que 2013 traga muitas boas notícias.

Balanços, previsões e chutes…

Fim de ano é sempre época de fazer um balanço do ano que passou e tentar prever (a palavra certa talvez seja “chutar”) o que vai acontecer no próximo. A curiosidade me leva a ler algumas das previsões publicadas nos últimos dias, quase todas nascidas da mera intuição do autor. Ninguém previu a crise de 2008. E já cansei de ver palpites sobre a internet destruindo as outras mídias, inclusive a televisão. Nada mais do que “chutes”…

Nessa linha, um dos textos que mais me chamaram a atenção foi o estudo divulgado pela IBM sobre as inovações previstas para os próximos cinco anos (sim, com prazo tão longo, a margem de erro diminui consideravelmente). Paul Bloom, diretor da área de pesquisas da empresa, diz que os computadores atuais nada mais são do que “grandes calculadoras”; no futuro, poderão fazer muito mais do que fazem. “Hoje, só conseguimos respostas imperfeitas, porque não temos todas as informações necessárias”, diz ele. “Nosso objetivo é fazer com que o computador, de posse de todos os dados sobre determinado assunto, consiga ‘pensar’ e encontrar as respostas completas.”

Na verdade, a gigante dos computadores já vem lançando essas análises há sete anos, sob o título genérico de “IBM 5 in 5”. São pequenas listas de fatos ou tendências com poder de mudar a vida das pessoas no período à frente. Este ano, os cinco tópicos são exatamente aqueles ligados aos cinco sentidos: visão, olfato, paladar, toque e audição. Vejam que interessante o vídeo que eles produziram. Pela ordem:

Visão – Um pixel vai valer mais do que mil palavras, dizem os estudiosos da IBM, ou seja, com imagens mais detalhadas, e em 3D, será possível ao computador detectar aspectos hoje imperceptíveis. Isso será particularmente útil na medicina. Ao examinar a imagem de uma pessoa com câncer, por exemplo, a máquina poderá visualizar, com muito maior antecedência, uma microcélula doente.

Olfato – As máquinas nas quais trabalhamos, nos informamos e nos divertimos também ganharão sensores de cheiro. Significa que um médico, com seu smartphone ou tablet, conseguirá identificar a doença de uma pessoa simplesmente aproximando o aparelho do seu nariz. A tela possuirá sensores capazes de detectar quais substâncias estão provocando os odores captados. Mais ainda: com seu celular, qualquer pessoa conseguirá perceber antecipadamente se está prestes a pegar um resfriado.

Paladar – Aplicativos e sensores permitirão analisar os componentes químicos de cada alimento, de tal modo que o usuário escolha aquilo que mais lhe agrada (em termos de sabor) e também aquilo que seu organismo mais necessita. Uma pessoa diabética, por exemplo, poderá dosar com mais precisão a quantidade de açúcar em cada fruta ou legume.

Toque – Sim, já existem milhares de telas touchscreen, mas ainda são pouco intuitivas, diz o pessoal da IBM. A ideia é avançar para sensores que identifiquem cada toque de modo diferente. A temperatura, a força e as vibrações dos dedos serão transformadas em dados que o computador irá traduzir em coisas concretas. Tudo isso a partir do celular, que será o aparelho mais importante para o ser humano daqui por diante.

Audição – Os computadores que virão nos próximos anos terão a capacidade de ouvir e entender as palavras do usuário. Claro, também já existe sistemas de reconhecimento de voz. Mas a IBM prevê um grande avanço nesse campo até 2017. No vídeo, um dos especialistas da empresa cita até o Brasil como exemplo: num país cheio de montanhas e com problemas de inundações e deslizamentos, sensores auditivos poderão ajudar a prever os movimentos de terra e assim, quem sabe, prevenir as catástrofes.

Bem, aqui sou obrigado a lembrar que na IBM eles não fazem ideia da quantidade de lixo despejada diariamente em rios, riachos, lagos e encostas de morros brasileiros, que são os principais responsáveis por essas tragédias. De qualquer modo, valeu IBM.

Os 10 anos do HT Fórum

Para comemorar seus dez anos de existência, o HT Fórum, mais importante ponto de encontro dos entusiastas das tecnologias ligadas a áudio e vídeo no Brasil, está divulgando uma promoção interessante. Desde o último dia 8, os participantes são convidados a escrever sobre o tema: “Meu mundo em 10 anos de áudio, vídeo e tecnologia”. Os autores dos melhores textos irão ganhar prêmios como tablet, smartphone e sistema integrado de home theater. Mais informações, pelo email [email protected]

Ótima iniciativa: além de marcar uma data tão importante, faz o pessoal colocar a cabeça para funcionar, o que é sempre saudável. Tomara que os usuários do Fórum caprichem nos posts. Parabéns ao Dennis e demais coordenadores do HT Fórum pela iniciativa e também, é claro, pelo aniversário.

Samsung pesquisa falhas em seus TVs

Tempos atrás, ouvi uma conversa de que vírus de computador estavam se espalhando também através dos TVs smart, quando estes se conectam à internet. Pensando bem, nada mais natural: se os vírus podem invadir um PC ou um Mac, o que os impediria de entrar nos TVs que, para serem “inteligentes”, precisam ter dentro um… isso mesmo: um computador. Na semana passada, a suspeita se confirmou com a notícia de que a ReVuln, empresa de segurança digital baseada em Malta, identificou problemas em TVs da Samsung.

Pesquisadores da ReVuln disseram que os ataques podem afetar a sintonia de canais e até as webcams, usadas geralmente para chamadas via Skype ou videoconferências. Significa que, enquanto está assistindo tranquilamente a seu programa preferido, o usuário pode ser espionado! Eles produziram até um vídeo para mostrar como isso é possível (assistam aqui).

Estranhamente, a denúncia refere-se apenas a TVs Samsung, sem citar um modelo específico nem mencionar outras marcas. Como esse fabricante utiliza o programa Linux em seus aparelhos, o acesso dos invasores seria mais fácil. Até mesmo conteúdos remotos (armazenados num pen-drive, por exemplo) poderiam ser rastreados e copiados, através dos conectores USB dos TVs, dizem os pesquisadores.

Consultamos a Samsung do Brasil, que admitiu falha na segurança do firmware, espécie de sistema operacional que controla o processamento de seus TVs. A empresa coreana informou que seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento está trabalhando na correção do problema. “A nova versão do firmware estará disponível aos consumidores para atualização automática na rede (ONT) nas próximas semanas”, diz o comunicado.

Portanto, se você tem um TV Samsung smart e notar alguma falha de funcionamento, fique atento: alguém podem estar de olho na sua casa.

Panasonic pode estar saindo do plasma

Acabei de ler e, portanto, não tenho condições de confirmar ainda: a Panasonic, em meio à maior crise financeira de seus quase 100 anos (foi fundada em 1918), decidiu suspender o desenvolvimento de displays de plasma. A notícia acaba de ser divulgada pelo site do jornal Japan Times, citando “fontes” (quais? não especifica). Já haveria até uma data marcada: março de 2013.

O site informa que a ideia é concentrar investimentos em painéis orgânicos ou outras tecnologias de maior potencial futuro. Mas a Panasonic pretende continuar produzindo plasma enquanto houver demanda no mercado, disseram as mesmas “fontes”. Uma das razões para a mudança seria o sucesso dos TVs LCD de porte médio, que a Panasonic começou a produzir no ano passado e que são mais rentáveis. A tecnologia de cristal líquido é considerada ainda com potencial de aprimoramento, ao contrário do plasma.

A ser confirmada, a notícia significaria na prática uma sentença de morte para o plasma. A Panasonic é a única, entre os grandes fabricantes, que continua apostando alto nessa tecnologia, mantendo as duas maiores fábricas do mundo, nas cidades de Amagasaki e Ibaraki, próximas a sua sede em Osaka. Fora dali, somente a Samsung possui uma fábrica de plasmas, na Coreia, mas com produção pequena. Há ainda fabricantes chineses, mas sem grande expressão. O mais recente levantamento da NPD DisplaySearch, divulgado em novembro, informa que os plasmas representam hoje menos de 5% das vendas mundiais de TVs.

De qualquer modo, vamos aguardar uma confirmação. Aqui e aqui, mais detalhes sobre a situação da Panasonic.

Maratona em busca de um TV

A edição de dezembro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL traz uma reportagem que merece ser lida e comentada. O repórter Ricardo Marques percorreu algumas lojas da capital paulista sem se identificar, como se fosse um consumidor comum querendo comprar um televisor. A ideia era conferir o atendimento oferecido e o tipo de orientação dos vendedores. Foi interessante constatar que algumas regras básicas do varejo chamado “especializado” não são seguidas. E que a maioria dos atendentes parece não se incomodar em perder um cliente quando este solicita algo que fuja à rotina.

Refiro-me, por exemplo, a algo banal como verificar o funcionamento do controle remoto que acompanha o TV. Numa das lojas, o vendedor simplesmente impediu o “cliente” de experimentar o acessório! Outro caso que beira o absurdo: embora tratando-se de TVs Full-HD, uma das lojas reproduzia apenas conteúdos HD (720p). A explicação foi que todos os TVs estavam ligados a uma única fonte de sinal, e esta não era Full-HD.

O mais inacreditável, no entanto, foi quando o repórter levou um disco Blu-ray e pediu para assistir a um trecho no TV que estava em demonstração. Impossível, disse o vendedor e (supostamente) demonstrador. “Se você trouxer seu filme gravado num pen-drive, a gente pode experimentar.” Pen-drive? Para demonstrar um TV Full-HD? Qual é a lógica?

Fica então a dica para quem pretende comprar um TV neste final de ano. Pelo visto, nem todo vendedor quer (mesmo) vender!!!

Quem fabrica e quem vende TVs

A todo momento são divulgadas estatísticas sobre o mercado mundial de TVs. Nos EUA, onde pesquisa é quase tão comum quanto hambúrguer, não passa uma semana sem que se saiba de uma novidade no setor. Em meio a tantos números, muitas vezes o usuário fica confuso – e também nós, profissionais da área. Quem são os maiores fabricantes? Quais marcas vendem mais no Brasil? E na Europa? E no Japão? Quais os tamanhos preferidos? E assim por diante…

Pode parecer secundário, mas esses dados servem de referência para os fabricantes ao planejar seus próximos passos. A mais recente pesquisa da NPD DisplaySearch, hoje principal empresa do ramo, ilustra bem o que estou dizendo. Foram levantadas as vendas deste ano, e projetadas as do ano que vem, para cada tamanho de TV: 26″, 29″, 32″, 38″, 40″, 42″, 46″, 47″, 50″, 52″, 58″, 60″ e maiores de 60″ (logo deverá haver segmentações para 65″, 70″, 72″ etc). Claro, os modelos acima de 58″ representam apenas 2% do mercado atual; e os menores de 32″ são hoje 42% de todas as vendas mundiais. Mas as duas curvas são opostas: a primeira tende a subir, enquanto a dos TVs “pequenos” está em queda.

Mais interessante, porém, é examinar a lista de fabricantes levantada no estudo, cujo nome, para quem quiser conferir, é Quarterly Large-Area TFT Panel Shipment Report. Quantas marcas você acha que existem hoje no mundo? Veja a lista abaixo:

Taiwan – AOC, AUO, BenQ, Chimei, Era, Great Sun, Proton, Sinai, Tatung, Ultmost, Viewsonic e Vizio.

China – Changhong, Funai, Haier, Hisense, Konka, Lenovo, Panda, Skyworth, TCL, TPV e Xoceco.

Japão – JVC, Mitsubishi, NEC, Panasonic, Sanyo, Sharp, Sony e Toshiba.

Alemanha – Blaupunkt, Grundig, Loewe e Telefunken.

Coreia – LG e Samsung.

EUA – Insignia e Westinghouse.

Holanda – Philips.

França – Thomson.

Itália – SIM2.

Turquia – Vestel.

Quer saber quais são as que vendem mais? Veja o gráfico abaixo.

Não sei se a lista acima é completa (pequenas fábricas surgem a toda hora, principalmente no sudeste da Ásia). E, claro, faltam as brasileiras, a maioria das quais – praticamente todas – são apenas montadoras de peças importadas. Também é impossível saber com exatidão quais empresas de fato produzem e quais simplesmente colocam suas marcas sobre aparelhos fabricados por outras. O mesmo acontece hoje na Europa, onde os asiáticos vêm se estabelecendo de modo agressivo nos últimos anos, especialmente nos países da antiga Cortina de Ferro, para fornecer às marcas já conhecidas no continente. A Philips, por exemplo, há muito deixou de ser fabricante (no ano passado associou-se à chinesa TPV, formando a TP Vision) – mas continua sendo a marca de maior prestígio entre os europeus. Já no Japão, que vive a maior crise de sua história pós-guerra, a Mitsubishi continua sendo forte, mas grande parte dos consumidores locais nem deve saber que a empresa só produz hoje do outro lado do Pacífico, na Califórnia.

Enfim, eis aí um resumo do mercado mundial. Que muda constantemente e pode estar bem diferente daqui a alguns meses. A conferir.

Assista com um barulho desses

A partir desta quinta-feira, os felizardos telespectadores americanos estão livres do que lá é chamado jolting, a terrível prática das emissoras de TV de aumentar o volume nos intervalos comerciais. Demorou um ano para ser aprovada a CALM, sigla em inglês para a lei de redução do nível de áudio em anúncios e promoções de televisão. Curiosamente, o movimento a favor dessa lei cresceu depois da morte, em 2009, de Billy Mays, espécie de garoto-propaganda símbolo do país. Seus anúncios eram mais do que irritantes (confiram neste vídeo), embora fizessem sucesso – mais uma prova de que nem tudo que o povo prefere é bom. Mesmo com a queda nas reclamações contra a diferença de volume entre programas e anúncios, a FCC, órgão regular das telecomunicações, foi em frente com o projeto, agora aprovado pelo Congresso.

Esse tipo de queixa, é claro, existe no mundo inteiro. Enquanto as pessoas não reclamam, as emissoras fazem o que querem. No Brasil, lembro que em 2009 a SET (Sociedade de Engenharia de Televisã0), que reúne profissionais da área, formou um grupo para estudar o problema; não sei que fim levou esse grupo. Em maio passado, o Ministério das Comunicações acenou com a possibilidade de obrigar uma padronização no áudio das transmissões de TV, mas também não se falou mais a respeito. Na verdade, a questão está engavetada em órgãos do governo desde 2001 – até porque o problema existe desde que a televisão comercial foi inventada.

Aqui, temos vários clones de Billy Mays. Mas, aparentemente, falta vontade de calar essas vozes (ou, pelo menos, baixar o volume).

Primeiros testes do TV 4K

Como prometido, vamos comentar hoje alguns aspectos dos testes que fizemos com o TV Ultra-HD da LG. É o primeiro produto dessa categoria que chega a nossas mãos, e também o primeiro lançado no Brasil. Como já informamos, o modelo da Sony está à venda nas lojas da marca e estamos aguardando um exemplar para avaliação. Mesmo antes disso, no entanto, já se sabe que os dois aparelhos não são da mesma categoria, até pelo preço sugerido: enquanto o da LG está saindo por R$ 45 mil, o da Sony tem custo de R$ 100 mil (mais detalhes aqui).

A primeira coisa que chama a atenção num TV UHD é mesmo a diferença de textura das imagens. Recebemos da LG um gerador de sinal contendo 4 minutos de imagens gravadas em 4K. Para quem está acostumado ao Blu-ray e à TV digital, trata-se de uma nova experiência visual. Arrisco dizer que chega bem perto da experiência do cinema! Claro, isso tem a ver também com o tamanho da tela. Um TV de 84 polegadas impressiona mais do que um de, por exemplo, 50″. Tecnicamente, sabe-se que a área aproveitável de um TV desse porte equivale a mais que o dobro de um modelo de 55″.

Mas, para fazer a análise, é preciso abstrair esse aspecto, digamos, aritmético. O importante é constatar que as imagens captadas pelas câmeras 4K ganham mais profundidade e detalhamento, o que fica mais perceptível nas tomadas abertas, de longa distância. Consegue-se enxergar com nitidez até minúsculos pontos, como as folhas de árvores numa montanha, ou as inscrições pintadas no asfalto numa imagem captada de helicóptero. Não se notam borrões nem distorções com a câmera em movimento rápido, e as cores têm intensidade e estabilidade.

O problema é que esses poucos minutos gravados em 4K não vêm com o televisor. Quem comprá-lo e quiser desfrutar da melhor imagem terá de usar, por enquanto, discos Blu-ray; ou, talvez, recorrer a vídeos que circulam pela internet com a identificação “4K”, mas que nem sempre convencem. No caso do Blu-ray, o TV LG possui upscaler para converter a resolução. Sobre isso falaremos nos próximos dias.

Quem quiser sentir um pouco desse gostinho pode assistir ao vídeo que fizemos durante os testes.

Furo, ousadia ou espionagem?

O blog Engadget, um dos mais ágeis da atualidade quando se trata de tecnologia, deu um furo mundial na última sexta-feira, ao mostrar o primeiro TV OLED que deve ser lançado no mercado americano. Trata-se do modelo LG 55EM9700, de 55 polegadas, o mesmo que foi exibido na CES e na IFA este ano. A novidade não está propriamente no aparelho em si; este foi fotografado apenas por trás, desligado, coberto por um plástico e deixando à vista os conectores. Interessante foi a forma que usaram para chegar ao produto.

O fotógrafo do blog, não se sabe como, entrou na sede da FCC (Federal Communications Commission), equivalente à nossa Anatel, onde o aparelho estava sendo testado para homologação – sem a qual, não pode ser comercializado. Além de fazer a foto (muito ruim, por sinal, o que indica ter sido produzida às pressas, ou às escondidas), captou também um detalhe fundamental: os selos de homologação colados na traseira do TV, confirmando que foi fabricado na Coreia em dezembro de 2012 e que possui módulos embutidos para comunicação por Wi-Fi e Bleutooth.

Para completar o trabalho, o pessoal do Engadget acessou no site da FCC a página do  OET (Office of Engineering and Technology), órgão responsável pelos testes para conferir se o aparelho cumpre as exigências da legislação americana. Vejam aqui. Nessa página, descobrem-se detalhes sobre o produto e também documentos sigilosos da LG. Num deles, lê-se: “Através desta, solicitamos tratamento confidencial das informações que acompanham este pedido.” Segue-se o diagrama de bloco e as especificações do TV, em formato pdf, com a seguinte advertência: “Os materiais acima contêm segredos de mercado e informações de propriedade que normalmente não são distribuídas ao público. A divulgação desses materiais pode ser prejudicial ao solicitante e oferecer injustificados benefícios a seus concorrentes.”

Ou seja, era um segredo industrial (a esta altura, já era…).

Em tempo: o blog deduziu que o TV LG OLED, prometido para final do ano que vem, pode ser lançado nas próximas semanas. Até agora, a LG não comentou.

GVT, a caminho de São Paulo

Em entrevista ao site da consultoria internacional Frost & Sullivan, o diretor de marketing da operadora GVT, Ricardo Sanfelice, confirma que a empresa já tem tudo pronto para instalar sua rede de banda larga residencial e TV por assinatura em São Paulo. Na semana passada, a operadora divulgou ter chegado a um acordo com a Prefeitura paulistana, que estava vetando aspectos do projeto contrários a leis municipais. Mas, segundo o executivo, esses problemas já foram resolvidos. Faltaria agora “apenas” a aprovação final.

Coloco as aspas porque a maior cidade do país é um desafio para qualquer empreendimento. A quantidade de licenças exigidas é absurdamente grande, sem falar que o próprio traçado da cidade torna tudo mais complexo. Segundo Sanfelice, cada ponto onde seja feita uma construção para instalação da rede requer uma licença específica, tendo que passar por secretarias, subprefeituras, a Convias (departamento responsável pelo uso do solo), a CET (que controla o trânsito), os órgãos do setor de energia elétrica (pela lei, os postes são de responsabilidade da Eletropaulo) e por aí vai. Fico aqui imaginando a quantidade de documentos envolvida, e o número de pessoas necessárias para dar conta de tudo.

Sim, a GVT está chegando tarde ao maior mercado de telecom do país. E seus proprietários – os franceses do grupo Vivendi – sabiam disso quando pagaram US$ 2,9 bilhões pelo controle da empresa, em 2009, atropelando a concorrente Telefônica. Em meio à infinidade de postes e cabos que “embelezam” a cidade, não vai sair fácil instalar mais uma rede cabeada. Talvez por isso é que a GVT não esteja querendo se comprometer com prazos. Já opera hoje em São Paulo com banda larga corporativa e está presente em outras 137 com serviços residenciais. E planeja investir R$ 2,5 bilhões por ano até 2016, quando espera estar em 200 cidades. “Nossa prioridade é aumentar a cobertura dentro das cidades onde já estamos, com foco nos serviços triple-play”, diz Sanfelice na entrevista. “Mas, a longo prazo, o objetivo é ser a melhor operadora do Brasil.”

De acordo com a consultoria Teleco, a GVT vem tendo bom desempenho no segmento de banda larga. Acaba de entrar em Natal e já está presente em outras três capitais (Rio de Janeiro, Fortaleza e João Pessoa), além dos importantes mercados de Campinas, Sorocaba e Jundiaí, no interior de São Paulo. Com faturamento superior a R$ 2 bilhões por ano, e em expansão, seu valor de mercado é estimado hoje em US$ 10 bilhões. Como o Vivendi está em crise, com dívidas superiores a US$ 14 bilhões, há uma grande chance de que a GVT seja vendida nos próximos meses. Oficialmente, há quatro candidatos à compra: três fundos de investimento e a DirecTV, que já controla a Sky. Fala-se também em Tim, America Móvil (Embratel e Net) e a própria Telefônica. Mas, pessoalmente, não acredito que o Cade autorize a venda a um grupo do mesmo setor.

Reserva de mercado para a estupidez

De vez em quando é bom saber que não estamos falando sozinhos. Acabo de ler mais um precioso artigo do prof. Silvio Meira, talvez a maior autoridade brasileira em tecnologia. Seu tema desta vez é a chamada política de substituição de importações, irmã gêmea da nefasta reserva de mercado para produtos de informática. Evidentemente, não posso (nem quero) me comparar ao digníssimo professor, mas me conforta saber que boa parte do que ele afirma já foi escrito aqui neste blog algumas vezes.

Como sabemos, a crise econômica volta a assustar o Brasil, depois de alguns anos de “marolinhas”. E um dos motivos alegados é a suposta desindustrialização, provocada pela falta de incentivo governamental às empresas nacionais. Queixam-se disso quase todos os setores que não conseguiram se adaptar à globalização e à evolução tecnológica desencadeada a partir dos anos 1990. São os “suspeitos de sempre”, empresários e políticos, às vezes assessorados por acadêmicos e lobistas, que insistem em viver às custas de benesses pagas com dinheiro público. Um filme a que já assistimos inúmeras vezes.

É inacreditável, como lembra o prof. Meira, que essas figuras estejam requentando argumentos de 40 anos atrás, quando espertamente se aliaram aos militares no poder para forjar excrescências como a reserva de mercado, aprovada em 1979, e a Zona Franca de Manaus (que é anterior). Foi nessa época que surgiram iniciativas visando à construção de fábricas de chips e à criação de um sistema operacional brasileiro, como respostas à “invasão” das multinacionais. O resultado foi um atraso de quase vinte anos, período em que o país permaneceu fechado às importações de eletrônicos. Diziam que isso fortaleceria as empresas nacionais e que estas produziriam aparelhos tão bons quanto os estrangeiros, e mais baratos do que estes…

O balanço de 2012 indica que não só as importações estão caindo, mas também as exportações, sinal claro de que o país está virando as costas ao mundo, do ponto de vista comercial e tecnológico. Mais: nossos investimentos em software e serviços são inferiores aos da Bolívia!!! Quanto à falta de mão de obra qualificada, acho que não preciso dizer mais nada. E a posição brasileira nos rankings internacionais de educação completa o quadro desastroso.

O prof. Meira lembra que ouve os mesmos argumentos nacionalistas, e em defesa de uma suposta “soberania”, desde 1977; e está preparado para ouvi-los até 2022, nas comemorações do bicentenário da independência, data propícia à exacerbação desse estúpido (porque falso) patriotismo. O artigo que publicou hoje está pronto e pode ser guardado para ser relido daqui a dez anos, sem mudar sequer as vírgulas. Lamento ter que concordar com ele. Mas estamos em boa companhia: “O nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade”, já dizia um tal de Albert Einstein.

O primeiro canal de TV em 4K

Quase dois anos atrás, surgiu nos EUA o primeiro canal de TV totalmente dedicado a conteúdos 3D. O 3net era uma joint-venture entre Sony, Discovery e IMAX, com o objetivo de “popularizar” essa tecnologia, até onde isso é possível. Claro, não é trabalho para um ano, talvez seja para uma década… Fato é que o canal, distribuído por várias operadoras de cabo e satélite, vem aos poucos ampliando a oferta de programas, que negocia com diversos fornecedores, além de usar o que é produzido pelas três associadas. E acaba de criar uma produtora própria, a 3net Studios, com a missão de aumentar as atrações para seu público.

A novidade é que essa produtora, por enquanto pequena, foi preparada para gerar conteúdos em resolução 4K. Já está em andamento a primeira série toda feita em 4K nativo. Chama-se Space e pretende mostrar, com o máximo detalhamento, os fenômenos que, segundo os cientistas, foram responsáveis pelo surgimento e a evolução do universo. Os produtores prometem coisas como a temperatura do planeta Mercurio, um rabo de cometa por dentro e a experiência de viajar na velocidade da luz! A direção do canal 3net classifica a produção como “TotalD”, prometendo levar ao ar versões em 3D 4K, 2D 4K, 3D 2K e até em 3D HD (720p). Quem já viu em Blu-ray o documentário Planet Earth, da BBC (foto acima), sabe bem o que esperar.

Numa entrevista à revista Forbes, há cerca de dois meses, Tom Cosgrove, presidente da 3net, disse não ter dúvidas de que o lançamento de TVs 4K – como os da LG e da Sony, já vendidos no Brasil – irá impulsionar seu negócio. “Agora, a experiência 3D passa a ser sempre em alta definição”, comentou ele, referindo-se ao fato de que o sinal 4K pode ser dividido em dois (um para cada olho) sem degradar a imagem, deficiência que muitos apontam nos TVs 3D atuais.

Só para dar um gostinho: o canal 3net já oferece cerca de 60 atrações em 3D, entre documentários, esportes de ação e shows musicais. Por enquanto, está dando para sustentar as 24 horas do dia. Mesmo porque ninguém assiste televisão 24 horas. E duvido que alguém consiga assistir mais do que duas horas com óculos 3D…

Um concerto de jazz no céu

Além de Oscar Niemeyer, outra morte lamentada esta semana foi a de Dave Brubeck, o último grande mestre do jazz, que continuava em plena atividade aos 91 anos (morreu no dia 5 e completaria 92 no dia 6). Foi juntar-se a Ellington, Miles, Armstrong, Coltrane, Basie, Evans e tantos outros gênios do jazz. Talvez até esteja agora batendo papo com seu grande amigo e parceiro, Paul Desmond (falecido em 1977), com quem formou, nos anos 50, o fantástico Dave Brubeck Quartet – dos quatro, só resta vivo o contrabaixista Eugene Wright; o baterista Joe Morello morreu no ano passado.

De certa forma, a morte de Brubeck me deixou mais triste que a de Niemeyer, por dois motivos. Primeiro, sou muito mais ligado em música, especialmente jazz, do que em arquitetura. Além disso, estive bem perto de entrevistar Brubeck em 2002, ao cobrir um evento de tecnologia em San Francisco, onde ele então morava. Na época, editávamos uma revista de música chamada Áudio+, e Brubeck, além de ter inúmeras histórias para contar, era uma simpatia – bem diferente, nesse aspecto, do estereótipo do jazzista tradicional, recluso, maníaco, egocêntrico. Uma gripe mal curada (dele) impediu a entrevista.

Brubeck não era nada disso, ao contrário, divertia-se com as elucubrações que certos críticos faziam em torno de seu trabalho, argumentando que tudo era “muito simples”. Também não sofria de outros males que, como se sabe, atingiram muitos músicos de sua geração: álcool, fumo, drogas, depressão criativa, arroubos de loucura… nada disso fez parte de sua vida, caretíssima. Foi casado com a mesma mulher (Iola, poeta, ensaísta e compositora bissexta) desde 1942, e com ela teve seis filhos, dos quais cinco são músicos profissionais. Era pobre na juventude, como a maioria, e construiu sua carreira sem jamais se envolver em polêmicas ou escândalos, embora tenha apoiado vários movimentos políticos ligados aos negros e à ala mais à esquerda do Partido Democrata (este site conta muito a seu respeito).

Como artista, Brubeck foi talvez o mais popular do jazz depois de Louis Armstrong. Pianista, compositor, arranjador e formador de novos talentos, foi um dos primeiros a prestar atenção no que hoje se chama, genericamente, de world music, trazendo de suas viagens experiências sonoras que depois adaptava ao seu repertório. Parte de sua popularidade – foi o primeiro jazzista a ganhar a capa da revista Time, em 1954 – vem do fato de sempre ter estimulado a música entre os jovens, como no início dos anos 1950, quando promoveu o jazz nas universidades (este é seu site pessoal). Seu songbook é um dos mais versáteis e admirados do gênero, e vai muito além das badaladas e revolucionárias “Take Five” (na verdade, composta por Desmond) e “Blue Rondó a la Turk”. Pessoalmente, recomendo estes que, na minha modestíssima opinião, são seus dez melhores discos:

Jazz at Oberlin, OJC, 1953

Dave Digs Disney, Columbia, 1957

Brubeck Plays Ellington, Columbia, 1958

Time Out, Columbia, 1959

The Real Ambassadors, Columbia, 1962

The Dave Brubeck Quartet at Carnegie Hall, Columbia, 1963

The Duets, Verve, 1975

Late Night Brubeck: Live from Blue Note, Telarc, 1994

Young Lions & Old Tigers, Telarc, 1995

Private Brubeck Remembers, Telarc, 2004

Quando um país fica mais pobre

Nunca fui particularmente fã de Oscar Niemeyer como arquiteto. Claro, pouco entendo do assunto. Mas, apesar da inquestionável criatividade, me incomoda em suas obras a falta da natureza. Pelo menos nas que conheço, não se veem árvores, grama, pequenas plantas que sejam. Sua marca é o concreto em variadas formas, as famosas curvas, traços irregulares, ângulos marcantes – mas ainda assim concreto. Há até a fama de que suas casas são inabitáveis, embora deslumbrantes por fora. O próprio Palácio da Alvorada, símbolo de sua maior obra, já foi rejeitado como moradia por presidentes e primeiras-damas. O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, em sua coluna homenageando o arquiteto escreveu: “Era um gênio. Construiu Brasilia, mas nunca quis morar lá.”

Numa de suas entrevistas, Niemeyer deu uma explicação para seu estilo: não fazia arquitetura para os ricos, mas para os pobres. “Arquitetura é coisa de rico”, disse certa vez. “Só quem tem dinheiro pode pagar por ela. Então, já que é assim, procuro fazer coisas bonitas por fora, para que as pessoas pobres pelo menos possam admirá-las de longe.”

Belíssima e poética justificativa. E deve ser sincera, como quase tudo que Niemeyer fez na vida. Mais do que um arquiteto, era um humanista, um homem profundamente preocupado com o ser humano e a injustiça que recai sobre grande parte das pessoas. Comunista convicto, mas não daqueles de fazer discursos ou conspirar na calada da noite, ajudou o quanto pôde seus colegas de partido, mas ajudou também muita gente “do outro lado”. Menosprezava os farsantes, e por isso nunca quis se envolver na política convencional.

E, como que a comprovar que ninguém é perfeito, admirava Stálin, talvez o maior criminoso de todos os tempos – “acusação injusta”, dizia. É provável que o nojo aos políticos o tenha mantido longe de Brasilia, sua maior criação. E é certo que um país, ao perder pessoas assim, torna-se mais pobre.

Quem quiser conhecer um pouco melhor essa figura extraordinária não pode deixar de assistir ao vídeo Arquitetura Moderna, feito em 1983 pelo já então brilhante Marcelo Machado. Cliquem aqui para ver.

Como funciona a maior loja do mundo

A propósito da chegada da Amazon ao Brasil, que comentamos ontem, vale a pena dar uma olhada neste vídeo, produzido pela rede americana ABC, que mostra em detalhes o funcionamento da empresa por dentro. É uma das “mágicas” que faz o sucesso da loja virtual.

A palavra “mágica” não está sendo usada aleatoriamente. O que esses caras fazem em termos de logística só se compara, talvez, ao controle de vôos em grandes aeroportos, ou a estratégias de guerra. Não é à tôa que um dos gerentes da Amazon, entrevistado pela ABC, é justamente um ex-militar especializado em logística (Josh Teeter, que aparece no vídeo). Em épocas de maior demanda, como o final de ano, a empresa contrata cerca de 50 mil trabalhadores temporários, para dar conta dos pedidos.

Segundo a Amazon, num único dia do ano passado – a chamada Cyber Monday, no final de novembro – foram vendidos (e entregues nas casas dos compradores) nada menos do que 17 milhões de itens, de CDs a brinquedos, de roupas e artigos de cozinha, de eletrônicos pesando dezenas de quilos a pen-drives. Este ano, o balanço ainda não foi divulgado, mas estima-se ter superado esse número.

Já houve denúncias de excessiva pressão sobre os funcionários da Amazon (que a empresa desmente), mas o fato é que nenhuma outra no mundo atinge seus níveis de pontualidade e eficiência na entrega daquilo que promete. Eu mesmo, mais de uma vez, já tive dinheiro devolvido por eles, em casos de entrega atrasada. E já ouvi o mesmo de amigos que se tornaram clientes (e fãs) da loja online fundada por Jeff Bezos. Na reportagem da ABC, fica claro que o segredo de tudo está na tecnologia – não há robos manipulando as mercadorias, e estas nem estão organizadas, ou separadas por tipo de produto. Mas todas são registradas em código de barras, com tal perfeição que é possível localizá-las em segundos até mesmo dentro de um armazém como o de Phoenix (foto acima), com mais de 400 mil metros quadrados (a Amazon possui 80 desses).

O próprio repórter da ABC, Neal Karlinsky, autor da matéria, quis tirar a prova ao vivo. Do portão, acionou seu tablet e fez o pedido de um DVD, para testar se o sistema funciona mesmo. Bingo! Dois dias depois, a caixa chegou a sua casa, localizada em Seattle, a quase 800km dali. “Parece mágica”, resumiu ele.

4G pode atropelar TV por assinatura

Notícia da colunista Keila Jimenez, na Folha de São Paulo de anteontem, informa que assinantes de TV paga nas regiões de Osasco e Alphaville, na Grande São Paulo, estão reclamando da queda constante do sinal. São usuários do arcaico MMDS, que foi o primeiro sistema de TV por assinatura e subsiste no Brasil em algumas poucas localidades. Pelo último balanço da Anatel, representa menos de 1% de todo o mercado, com cerca de 156 mil domicílios.

O jornal diz ter apurado que as falhas se devem aos testes que a operadora Vivo TV está promovendo com o padrão 4G de telefonia celular, prometido para o ano que vem; a empresa não confirma nem desmente. Como se sabe, as operações de 4G liberadas pela Anatel utilizarão justamente uma parte das frequências desativadas de MMDS. Até aí, tudo bem. O problema é autorizar esse tipo de teste sem avisar os assinantes. Me parece ser obrigação das prestadoras de serviço, não?

Agora, não dá para deixar de registrar também: a esta altura do campeonato, com tanta oferta de TV por assinatura via cabo e satélite, o que faz alguém permanecer fiel ao MMDS? Quem consegue explicar?

Amazon e Google brigam no Brasil

Exatamente no mesmo dia, como se tivessem combinado, duas gigantes da internet iniciaram suas operações de venda online hoje no Brasil: Amazon e Google Play. Bem, esta última já estava presente há alguns meses; a novidade de hoje foi o início das vendas de livros digitais, justamente o grande negócio da concorrente Amazon, maior loja virtual do planeta. Mas a Amazon preparou com carinho essa sua entrada no mercado brasileiro, apostando em dois fatores que a esta altura não são totalmente confiáveis: a melhoria das redes de banda larga e a manutenção do nível de consumo da classe média, pressionada pela inadimplência.

O site da Amazon segue minuciosamente o original americano, em termos de visual. Se conseguir oferecer a mesma agilidade e eficiência na navegação, teremos um novo benchmark no e-commerce brasileiro. Hoje, a maioria das lojas virtuais sofre de pelo menos um destes problemas: lentidão, travamentos constantes, erros de informação ou falta de segurança. Talvez os executivos da empresa tenham pensado em tudo isso quando decidiram investir no Brasil diretamente, digo, sem um parceiro local como se pensava no início. De fato, esses são problemas totalmente desconhecidos de quem usa a Amazon.com.

Numa rápida passada pelos dois sites (Amazon Brasil e Google Play), deu para perceber que a oferta de livros ainda é incipiente – embora a primeira anuncie que já tem 13 mil títulos à venda. Nesse aspecto, a Google leva vantagem porque oferece não só livros, mas também filmes e aplicativos Android. Com certeza, terá mais visitantes. Pelo menos por ora, a Amazon diz que não pensa em ampliar suas ofertas; seu catálogo de discos nos EUA é hoje insuperável, e o de filmes só perde, talvez, para o da Netflix. Mas, para lançá-los aqui, a Amazon precisa antes se acertar com os estúdios de cinema, uma negociação nada fácil.

E há ainda, como sempre, a questão dos preços. Será que a Amazon, e mesmo a Google Play, conseguirá praticar valores muito mais baixos que as lojas virtuais brasileiras? Um ebook de sucesso a 20 ou 25 reais parece razoável, mas essa é a faixa de preços, por exemplo, na Livraria Cultura. Outro ponto: será possível manter uma loja virtual no Brasil somente vendendo livros, sem dar prejuízo? Duvido muito.

Enfim, são perguntas que o tempo deverá responder. Enquanto isso, boa leitura.

A melhor fonte em telecom

Os números do setor de TV por assinatura continuam altos. Pelo visto, a tal “nova classe média”, que estaria impulsionando o consumo, não acaba mais… Os dados divulgados pela Anatel na semana passada revelam que somente no mês de outubro mais de 300 mil famílias adquiriram pacotes, elevando o total de assinantes para 15,7 milhões. Se o ritmo se mantiver em novembro e dezembro, o que é bem provável, terminaremos o ano com algo em torno de 16,5 milhões de residências atendidas, ou 30% sobre 2011.

A maior parte desse contingente busca uma operadora de TV via satélite (DTH). Foram 256 mil em outubro, contra apenas 51 mil que optaram pela TV a cabo. Na comparação com outubro de 2011, o segmento DTH ganhou mais de 3 milhões de novos assinantes. Embora as taxas de crescimento mais altas nesse período estejam em Tocantins (64,94%) e Mato Grosso (61,72%), é na região Sudeste que está a chave do sucesso. Somados, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais agregaram um total de 2 milhões de novos usuários de TV paga. Conclui-se que não é o pessoal do “interiorzão” que está puxando o satélite; pequenas e médias cidades paulistas, mineiras e cariocas devem estar por trás desse fenômeno que chama a atenção de especialistas do mundo inteiro (as operadoras não abrem esses números).

Os dados completos estão no portal da Anatel. Mas quem quiser entender o que acontece deve consultar o site da Teleco, principal consultoria do país na área de telecom. A equipe coordenada por Eduardo Tude, expert no assunto, não apenas reproduz as estatísticas; analisa e contextualiza, inclusive com referências internacionais. Fornece também dados comparativos sobre cada operadora, que podem ser úteis para quem quer saber mais sobre a empresa que lhe presta serviços de TV por assinatura. Vale a pena consultar.