Archive | janeiro, 2013

Laser, a nova luz dos projetores

sony_vpl-fh31_wNo evento ISE (Integrated Systems Europe), que está sendo realizado esta semana em Amsterdam, na Holanda, a Sony está demonstrando seu primeiro projetor que utiliza laser como fonte de luz, em lugar das tradicionais lâmpadas e dos leds. Trata-se ainda de um protótipo, que no visual assemelha-se ao VPL-FH31 (foto), um dos aparelhos mais vendidos pela empresa no ano passado, no segmento de instalações comerciais e corporativas.

As especificações do LLSP (Laser Light Source Projector) são impressionantes: com chip 3LCD (processamento independente das três cores básicas), e resolução WUXGA (1.920 x 1.200 pixels), o aparelho atinge 4.000 lumens de luminosidade e é particularmente indicado para ambientes com muita luz (salas de aula, conferência ou reunião, por exemplo). Além do brilho, a principal vantagem de um projetor a laser seria a vida útil: segundo a Sony, não há necessidade de trocar o conjunto óptico antes de 20 mil horas de uso, algo entre 6 e 7 anos (considerando oito horas por dia, o que é muita coisa).

Bem, os relatos que chegam de Amsterdam são entusiasmados, mas há um pequeno porém a ser esclarecido quando o produto estiver no mercado. Não há informações sobre a questão do superaquecimento, aspecto intrínseco a todo aparelho baseado em laser. No caso de um projetor, esse problema só pode ser amenizado com um excelente sistema de ventilação e/ou dissipação, que normalmente produz ruído; quanto maior o ruído, menor a eficiência no uso diário. Não sei como a Sony está lidando com esse fator, que – claro – não é uma falha, mas uma característica dessa tecnologia. Vamos ter que esperar para conferir.

A propósito, durante a CES, em janeiro, a LG apresentou seu primeiro projetor a laser, inadequadamente chamado “Laser TV” (trata-se de um projetor de curta distância, com tela especial – mais detalhes aqui). Será essa uma tendência daqui para frente?

Globo News, agora em HD

gnewsFalando em TV paga, a Net anunciou hoje que a partir deste domingo o canal Globo News passa a ser transmitido também em HD (canal 540). Com isso, a operadora soma 47 canais em alta definição, o que, imagino, deve ser a maior oferta do mercado.

Bem, esse tipo de notícia é comum: canais HD são acrescentados às grades das principais operadoras quase toda semana; esse, aliás, é um dos principais diferenciais na hora de vender a assinatura, especialmente junto ao consumidor das classes A e B. O que me faz registrar o fato desta vez é que sou particularmente fã da Globo News, primeira tentativa séria de se fazer no Brasil algo como a CNN americana e a BBC News inglesa. Lembro que quando o canal foi ao ar pela primeira vez, no final dos anos 1990, muita gente duvidou de que daria certo. “Um canal só de notícias?”, se perguntava. Acredito que a Globo deva ter bancado essa conta com prejuízo durante um bom tempo.

Não mais. Pela quantidade de anúncios veiculados, deve ser um sucesso. E, segundo o mais recente levantamento do Ibope, é o segundo canal mais visto da Globosat (atrás apenas do SporTV). Mais importante do que isso: faz uma cobertura jornalística que supera até mesmo a da própria Globo, e está longe, a anos-luz de distância, das demais redes abertas. Evidentemente, é bem mais fácil manter um canal assim no ar quando se tem na retaguarda uma estrutura como a da Globo e quando se pode usar boa parte do material gerado pela “irmã maior”. Mas não se pode esquecer que o GNT e o próprio SporTV, por exemplo, usufruem da mesma retaguarda e ainda assim produzem coisas de péssimo nível.

Na Globo News, é difícil encontrar programas que não sejam, no mínimo, razoáveis, tanto no aspecto técnico quanto no conteúdo. Além da cobertura intensiva do chamado hard news – quando surge um fato importante, como a tragédia de Santa Maria, tudo é direcionado para isso -, há excelentes programas de entrevistas e análises. E o melhor, na minha opinião, sem aquele formalismo (que beira o pedantismo) de outros canais.

Fiquei sinceramente feliz ao saber que agora poderemos assistir ao canal também em HD. Só é bom avisar (até porque nem o pessoal da Globo nem da Net o fez até agora): não é toda a programação do canal que irá ao ar em alta definição. Isso é virtualmente impossível num emissora 100% jornalística, em que reportagens podem entrar, até mesmo ao vivo, dos mais remotos locais do país, onde não há câmeras HD. Mesmo assim, excelentes programas como Sem Fronteiras, Milênio, Mundo S/A, Cidades & Soluções, GN Documento, Almanaque, Dossiê e Espaço Aberto Ciência & Tecnologia poderão vir com imagens de melhor qualidade.

São conteúdos que justificam o preço que se paga por uma assinatura.

Caçada aos gatonets

Nesta segunda-feira, foi fundada a Aliança contra a Pirataria na TV Paga, uma entidade internacional composta de operadoras, programadoras e fabricantes de equipamentos para esse setor. O Brasil está representado pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), além de algumas das principais empresas do segmento (Globosat, Sky, Fox, HBO e Telefônica, entre outras). Todos os membros da Alianza atuam na América Latina, região que vem experimentando o maior crescimento nas instalações ilegais de receptores.

No Brasil, segundo o grupo, a situação é menos grave, mas ainda assim terrível: estima-se em mais de 1 milhão o número de terminais piratas instalados no país, que servem para roubar o sinal de alguém e até colocar em risco os equipamentos, já que boa parte das instalações são do tipo “gatonet”. A ideia da Aliança é reforçar a atuação contra os responsáveis, inclusive em parceria com a polícia, além de promover um trabalho de educação do consumidor (é bom lembrar que, pela nova legislação, o usuário também pode ser processado criminalmente).

Já não é novidade que a pirataria de TV por assinatura segue mais ou menos as regras dos demais tipos de crimes que envolvem entretenimento e equipamentos eletrônicos. Assim como nos casos de discos, vídeos e sites, o comércio não autorizado dos sinais é supranacional, controlado por uma espécie de máfia que possui ramificações em todos os continentes. A venda de receptores comumente conhecidos como “AZ Box”, que conseguem invadir redes e emular códigos de proteção dos conteúdos, é muito difícil de ser controlada – até camelôs ganham a vida vendendo essas caixinhas!

Por princípio, sou contra essas atividades que, para mim, entram no mesmo balaio do contrabando de produtos eletrônicos e da manutenção de sites para downloads ilegais. Sem falso moralismo, acho que quem pratica ou apoia esse tipo de crime perde totalmente a moral para criticar, por exemplo, os políticos corruptos.

Bem, mas essa é outra discussão. Todo apoio à campanha contra a pirataria!

Home theater by THX: easy!!!

THX displayQuase dezessete anos depois do lançamento da revista HOME THEATER (que desde 2008 é HOME THEATER & CASA DIGITAL), continuamos aprendendo. Ainda bem! “Tudo que sei é que nada sei”, já dizia o poeta. Agora mesmo, acabo de ver no YouTube uma série de vídeos produzidos pela THX sob o tema “como montar um home theater”. A THX, não sei se todo mundo sabe, foi a empresa que criou um respeitado procedimento para ajustes de áudio, primeiro visando as salas de cinema (ainda nos anos 1970), depois os ambientes residenciais. Foi fundada pelo cineasta George Lucas, cuja história conto em meu livro “Os Visionários“. No ano passado, Lucas vendeu à Disney sua empresa Lucasfilm – dizem, por US$ 4 bilhões – mas manteve o controle sobre a THX.

Os vídeos são didáticos, com apresentação de John Dahl, diretor de treinamento da THX, que tive o prazer de conhecer pessoalmente anos atrás. Dão até a impressão de que tudo é muito fácil. A ideia foi usar uma sala de verdade, numa casa onde residem um casal e seus dois filhos pequenos, como “modelo” para um projeto de home theater. Em capítulos, Dahl vai explicando os desafios do local, por que foram escolhidos cada um dos aparelhos e como foram instalados. Gostei da sua conclusão: “O mais importante de tudo são os assentos.” Para ele, que dirige uma equipe com centenas de pessoas, a maioria dos consumidores parte logo para comprar os equipamentos, sem analisar as condições do espaço disponível. “Deveria ser exatamente o contrário: os aparelhos é que têm de ser adaptados à sala.”

Nos últimos anos, a THX desenvolveu também metodologias para ajustes de vídeo em ambientes residenciais e comerciais, para som automotivo, auditórios, estúdios etc. E, assim como já tinha feito com áudio, criou selos de certificação que são vendidos aos fabricantes de equipamentos e aos donos de espaços comerciais. Há quem não confie muito nesses selos, mas o fato é que todo aparelho certificado THX é mais valorizado. Segundo o site da revista americana Electronic House, a empresa oferece treinamento continuado a centenas de profissionais, entre instaladores, projetistas e designers acústicos, que podem então ostentar esse aprendizado em seus currículos.

É um trabalho que deixa Dahl e sua equipe orgulhosos. “Estamos salvando o planeta de usar áudio e vídeo de má qualidade”, diz ele. Bem, depois de ver os vídeos a única recomendação que posso dar aos leitores/consumidores é: não tentem fazer aquilo em casa, chamem um profissional.

Philips, fora também de áudio e vídeo

philipsDepois de se desfazer de sua divisão de displays, negociada em 2011 com a chinesa TPV (do acordo resultou a TP Vision), o grupo holandês Philips anunciou nesta terça-feira a venda de suas operações de áudio e vídeo, que incluem aparelhos de som, players Blu-ray, gravadores portáteis, docks para iPhone e uma unidade chamada Lifestyle Entertainment. O comprador é a japonesa Funai, que irá pagar, segundo o comunicado oficial, 150 milhões de euros (o equivalente a US$ 202 milhões). O acordo vale por cinco anos, com direito a renovação por mais cinco. A Philips vai manter apenas o setor que produz aparelhos de cozinha e de uso pessoal, como barbeadores, depiladores e escovas dentais elétricas.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, o presidente da Philips, Frans van Houten, deixou claro que pretende investir mais nas outras duas divisões do grupo: equipamentos médicos e iluminação, cujas margens de lucro continuam altas. Com os resultados dos últimos anos, van Houten tem a missão de enxugar os custos em 1,1 bilhão de euros, o que irá exigir a demissão de aproximadamente 6.700 funcionários em todo o mundo. Horas depois do anúncio, a Bolsa de Amsterdam registrava aumento no valor das ações da empresa, provando que era exatamente isso que o investidores queriam.

Pior para os consumidores, especialmente os fãs da marca Philips, que já haviam sofrido um choque com o fim da divisão de TVs. Os mais jovens talvez não saibam, mas a empresa holandesa foi a responsável, no passado, por inovações como a fita cassete, o compact-disc (CD) e o Digital Video Disc (DVD). É provável que todo brasileiro com mais de 30 anos já tenha usado um aparelho Philips algum dia (fundada em 1891, a empresa iniciou suas atividades no Brasil em 1924). Para entender sua evolução, este vídeo dá uma boa ideia.

O medo do medo do medo

Claustrofóbico assumido e convicto, tenho por hábito evitar lugares fechados. Mais ainda quando há muita gente, música em alto volume e pouca iluminação. Baladas, portanto, não são o meu forte (meninas, não insistam, por favor). Aquilo que chamam de “casas noturnas”, e que na minha juventude se dizia “boates” (alguns jornais até escreviam boites, assim mesmo, em francês), a estas só vou muito raramente, mais para estar junto com amigos. Aliás, vivendo em São Paulo, as dificuldades de locomoção, estacionamento, atendimento e um longuíssimo etc. tornam essas oportunidades cada vez menos comuns.

Sou, portanto, altamente suspeito para analisar a tragédia de Santa Maria. Não me entra na cabeça que alguém caia numa armadilha como essa tal de Kiss, que pelas descrições divulgadas nada tem de romântica – parece estar mais para… bem, isso mesmo: uma armadilha. Ainda mais pagando! Os tais 900 ou 1.000 jovens que lá estavam naquela noite fatídica deviam saber que algo está errado num lugar onde todo mundo fica espremido e há apenas uma porta para entrar e sair.

Mas nada disso autoriza a se chamar o que aconteceu de “acidente”. Que tal “imprudência”, “descaso”, “irresponsabilidade”, “ganância”, talvez tudo isso combinado, numa trágica síntese do velho e tão cultuado jeitinho brasileiro? Em se tratando de seres humanos cujas vidas corriam risco, a única definição que me ocorre é: CRIME. Do prefeito? Do governador? Dos proprietários? Do Papa? Sei lá, o fato é que as culpas podem perfeitamente ser distribuídas, em maior ou menor escala, a vários destinatários, ainda que todos (todos mesmo) estejam se esquivando. É mais um velho hábito brasileiro: jogar a culpa nos outros.

Já escrevi aqui sobre a questão das punições e como estas são encaradas no Brasil. Não é um problema deste ou daquele governo, é algo que transcende a política e as ideologias. Os países civilizados já aprenderam há séculos que leis existem para serem cumpridas por todos, do presidente ao mais humilde morador de rua (ah! sim, ex-presidentes também). Quando alguém descumpre, deve receber uma pena. Não porque mereça castigo, embora em muitos casos, talvez a maioria, essa seja uma boa justificativa. Mas, a meu ver mais importante, para que a punição sirva de exemplo. Dessa forma, outros que se sentirem tentados a cometer o mesmo erro irão pensar antes duas, três, dez vezes.

Simples assim. Quantos de nós já não estivemos em locais similares à Kiss? Apenas, demos a sorte de não estar em Santa Maria na noite do último sábado… Os donos da boate, diz o noticiário, estão presos, assim como dois integrantes da banda que cometeu o desatino de soltar fogo num local fechado. Com a repercussão do caso, talvez fiquem atrás das grades por algum tempo (duvido). Mas, e daí? Fiscais, prefeitos, secretários, governadores e presidentes irão aproveitar o ensejo para, pelo menos, dar uma cara de civilidade a este país? Duvido mais ainda.

Um amigo, dono de casa noturna em São Paulo, me conta que há seis anos – leiam de novo: seis anos – pediu alvará à Prefeitura e esta simplesmente não mandou ninguém para fazer a necessária vistoria. O pedido está lá, protocolado, mas a administração da maior cidade brasileira não cumpre a sua obrigação (nesse período, a cidade já teve três prefeitos, contando o que acabou de assumir). O mesmo acontece em prédios residenciais, parques de diversão, bares, restaurantes e “baladas” por todo o país.

Não sei por que, mas quando vou a lugares fechados em outros países não me vem aquele medo. Acidentes acontecem em todo o mundo. Acidentes. Crimes como o de Santa Maria são como a jabuticaba, um produto bem brasileiro.

Uma aula de manipulação

Ao mesmo tempo em que é um precioso instrumento de informação, estudo e pesquisa, a internet também serve aos interesses menos louváveis. De vez em quando, tropeçamos em textos ou vídeos que expõem o lado mais torpe do ser humano. No Brasil, tem sido cada vez mais comum a ação de aproveitadores que, explorando a (aparentemente infindável) ignorância do distinto público, atiçam uma luta pelo poder que, por si só, já seria absurda.

Infelizmente, sou obrigado a citar a fonte, neste caso, para que todos entendam (assim espero) o que quero dizer. Alguém que se assina Marcelo Caleiros perpetrou, no site Observatório da Imprensa, um amontoado de palavras a que foi dado o título de “Dilma e os desafios da comunicação”. Convém lembrar, para quem talvez não saiba, que esse site, editado pelo grande jornalista Alberto Dines, cumpre o importante papel de criticar, e às vezes também elogiar, a mídia em geral. O destaque maior, é claro, vai para a chamada grande imprensa, cujas publicações têm mais repercussão. O site é aberto a contribuições externas, o que o torna até certo ponto democrático, embora seja visível a tendência a uma espécie de petismo enrustido. Mas essa é outra discussão.

O que me espanta na referida “obra” é a desfaçatez com que o autor se propõe a ensinar o atual governo federal a se comunicar. Isso mesmo. Citando outro integrante da tropa enrustida, Luis Nassif, o “professor” lamenta o “desaparelhamento do setor público” na área de comunicação. Critica a presidente Dilma por sua “passividade” diante das críticas da imprensa e por não atender aos “desejos de setores do PT por uma política comunicacional (sic) mais ativa”. Sem uma única referência aos escândalos que enlamearam o governo e o partido, segue a denunciar a “ação minuciosamente calculada… das forças da mídia corporativa”.

E chega ao suprassumo de acusar Dilma de “não mover uma palha – assim mesmo, com esse linguajar tosco – para regulamentar a mídia ou ao menos parar de alimentá-la com as polpudas verbas da publicidade federal…”

Para completar esse verdadeiro circo dos horrores verborrágico, sugere que a presidente utilize o velho recurso dos governos militares de “plantar balões de ensaio na imprensa para testar reações”, antes de tomar suas decisões.

Essa é a “política de comunicação” que esse cidadão defende, algo que já tivemos no Brasil anos atrás, mais precisamente entre 1964 e 1985, ou antes ainda, na época do Estado Novo. A diferença é que o texto apregoa o que chama de aggiornamento, adaptando práticas e técnicas à era digital, recursos de que nossos ditadores não dispunham.

Os leitores já devem ter visto por aí artigos de teor semelhante, pois sabe-se que uma das principais diferenças entre Dilma e Lula, pelo menos até agora, é o apreço da presidente pela liberdade de imprensa. Ou não foi ela própria quem afirmou que, no caso da mídia, “o melhor controle é o controle remoto” (grande frase, por sinal)? Muita gente não tolera esse tipo de argumento, e até aí nada de novo. O que enoja é alguém defender dessa forma a manipulação da informação como política de governo, financiada pelo contribuinte.

Para coroar o despautério escrito, só faltou o autor emendar: “Dilma, me dá um emprego aí.”

A “viúva” agora tem carteira digital

Quem foi que disse que o Brasil não tem uma política tecnológica?

O jornalista e escritor Elio Gaspari criou um personagem genial para simbolizar o contribuinte brasileiro, aquele que sempre acaba pagando pelas barbaridades cometidas pelos governantes: é a “viúva”, diz ele. Pois, nestes tempos moderninhos, parece que a viúva ganhou uma espécie de carteira digital, para poder arcar com os projetos que alguém em Brasilia inventa na área de tecnologia.

A notícia está no site do Ministério das Comunicações, que vai investir R$ 7 milhões na construção de um centro para produção e pós-produção de obras audiovisuais, jogos eletrônicos e aplicativos, localizado em Recife. Lá, como se sabe, já funciona há anos o Porto Digital, iniciativa do governo estadual para revitalizar uma área da cidade, onde foi construído um centro empresarial tecnológico. Ideia louvável, sem dúvida, à espera de ser copiada por outras metrópoles brasileiras que possuem áreas degradadas. Não conheço o local, portanto não vou me alongar aqui.

Só me estranha o governo federal estar investindo em algo que, teoricamente, seria responsabilidade do estadual e das empresas envolvidas (diz o site que lá estão, entre outras, Microsoft, HP, Samsung, LG e IBM). E num momento em que Ministério da Fazenda anuncia cortes em vários setores, após maquiar dados macroeconômicos para encobrir desajustes da economia como um todo. OK apoiar pontualmente o desenvolvimento tecnológico, ainda que não haja uma política para isso. Mas, com o dinheiro da viúva?

Para completar a farsa, o site menciona um assessor do Ministério, de nome James Görgen, que chama o local de “arranjo produtivo” entre várias empresas. “Estamos apostando nesse modelo colaborativo”, diz o assessor, explicando que o arranjo produtivo mais conhecido do mundo é o Vale do Silício, na Califórnia. Só esqueceu de um minúsculo detalhe: lá, todo o investimento partiu das empresas (Microsoft, HP, IBM e tantas outras). A viúva não entrou com um tostão.

A hora certa de comprar TV

Saiu na “biblia” do consumidor americano, a revista Consumer Report: este é o momento ideal para comprar um TV novo. A notícia nada teria de mais não fosse esta a publicação considerada inimiga pública dos fabricantes de bens de consumo. Famosa por seus testes extremamente rígidos, e autoproclamada defensora dos pobres consumidores (não dos consumidores pobres…), a CR já chegou a obrigar empresas a retirar do mercado produtos lançados, ao publicar que não entregavam o que prometiam.

Agora, o enfoque é oposto: podem comprar que há ótimas ofertas e promoções nas lojas. É natural: todo início de ano é propício às compras, porque a maioria dos varejistas tem sobras de estoque. No caso dos eletrônicos, as inovações anunciadas por alguns fabricantes (muitas delas exibidas na CES – confiram aqui) ajudam a “desvalorizar” os modelos que estão no mercado, pois boa parte dos consumidores tende a esperar pelos novos lançamentos. O estranho é que uma publicação que sempre pede para se ter o máximo cuidado antes de comprar qualquer produto esteja agora estimulando o consumo.

O fenômeno não é exclusivo dos EUA. No Brasil também, esta é uma ótima hora para quem estiver pensando em trocar, por exemplo, seu televisor. Pesquisando em sites de lojas, encontram-se ótimas pechinchas (“bargains”, como dizem os americanos). Vi outro dia a oferta de um TV de 46″ por R$ 3 mil, sendo que o comprador ainda ganhava, de brinde, um outro TV, de 32″!

No meio do ano, quando chegarem os novos modelos e estivermos mais próximos da Copa das Confederações (que deverá ser um “aquecimento” para a Copa de 2014), vai ser difícil encontrar promoções como essa.

TV paga ultrapassa os 16 milhões

Acaba de sair o relatório final da Anatel sobre o crescimento da TV por assinatura em 2012. Nada de especial, apenas a confirmação da tendência verificada ao longo do ano, com os serviços de DTH (TV por satélite) crescendo muito mais rapidamente que os de TV a cabo. O total de assinantes em dezembro chegou a 16.188.957, o que significa crescimento de 27% sobre dezembro de 2011 (12.744.025). É um crescimento inferior ao dos últimos anos, que se manteve acima de 30%, mas ainda assim um número expressivo – um dos mais altos do mundo. Tomando por base os critérios do IBGE, que estima 3,3 habitantes por domicílio, a TV paga chega hoje a mais de 53 milhões de brasileiros.

A maior expansão dos serviços via satélite se explica pelo alcance dessa tecnologia nas regiões Norte, Nordeste e principalmente Centro-Oeste, que continuam puxando o crescimento da TV por assinatura. O ano fechou com um total de 9,844 milhões de domicílios atendidos pelas operadoras de DTH, lideradas pela Sky, com aproximadamente 30% do segmento. Na comparação com os demais serviços, o DTH detém hoje 60% do total de assinantes. O serviço de cabo soma, segundo a Anatel, 6,199 milhões de domicílios (38% do total). Apenas para comparação: em dezembro de 2011, o satélite tinha 6,9 milhões e o cabo, 5,2 milhões.

Na comparação por região, ficamos assim:

Norte – 696.332 assinantes (crescimento de 28% sobre dez/2011)

Nordeste – 1,939 milhão (26% sobre dez/2011)

Sudeste – 10,070 milhões (19% de crescimento)

Sul – 2,403 milhões (23%)

Centro-Oeste – 1,078 milhão (29%)

Energia inteligente, usuários… nem tanto!

waste_to_energyToda vez que converso com um especialista em projetos eletrônicos, surge a questão da economia de energia. Seria (na verdade, é) um dos principais benefícios que o usuário pode usufruir ao investir em novas tecnologias para sua casa. E, no entanto, poucas pessoas parecem estar levando isso a sério.

Vejam este dado: os países em desenvolvimento (sim, apesar do que dizem o governo federal e seus bajuladores, o Brasil ainda é um deles) são o destino de 80% de todo o lixo eletrônico produzido pelos países desenvolvidos. O número está num relatório divulgado há poucos dias pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), diz o site Inovação Tecnológica. Países como China, Índia e vários da África são receptores, por vias ilegais, de toneladas de aparelhos descartados no Primeiro Mundo. Simplificando: contrabando de lixo eletrônico. Como nenhum país pobre possui política de reciclagem adequada (alguns ricos também não), partes desses aparelhos acabam contaminando rios, lagos e mares, além de provocar doenças as mais diversas.

Sim, e o que isso tem a ver com projetos eletrônicos residenciais? Simples: um país que adota uma política ambiental inteligente recicla devidamente seu lixo eletrônico e orienta seus cidadãos a utilizar melhor a tecnologia e, portanto, a consumir menos energia. É impressionante a quantidade de recursos já disponíveis, inclusive no Brasil, para propiciar o monitoramento e controle do consumo. Só que pouca gente sabe disso. E, quando o governo como um todo pouco se lixa para o tema (vide a aprovação do último Código Florestal, as construções ilegais e as montanhas de lixo espalhadas pelas ruas das grandes cidades), perdem-se inúmeras oportunidades de avançar nesse campo.

Estou falando do Brasil, mas o problema não é exclusivo de nosso país. Um estudo divulgado esta semana nos EUA alerta para um levantamento preocupante: entre 1.000 consumidores entrevistados, somente 30% sabem o que é um medidor inteligente de energia, e apenas 25% sabem que esse aparelho já está à venda! Sim, 63% dizem se preocupar com seus gastos de energia, mas a maioria pouco faz a respeito.

Nossos netos e bisnetos é que vão pagar por isso.

Briga de lobbies políticos

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vai ter muito trabalho para cumprir a promessa que fez aos empresários do setor eletroeletrônico que possuem fábricas no estado. Nesta terça-feira, Alckmin recebeu o presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica), que foi cobrar sua intervenção junto ao Supremo Tribunal Federal para derrubar a liminar que impede aquilo que nos bastidores já é comentado como “guerra dos tablets”.

Rememorando: no ano passado, o governo paulista decidiu zerar o ICMS das empresas que produzem tablets em São Paulo. Fez isso sem consultar o governo federal nem o Confaz, órgão que reúne os secretários da Fazenda de todos os estados e que, pela lei, é quem decide sobre essas questões. Inconformado, o governo do Amazonas foi ao Supremo alegando que a medida era inconstitucional. E conseguiu, quase que imediatamente, uma liminar nesse sentido. Sem dúvida, foi estranha a rapidez com que o ministro Celso de Mello concedeu a tal liminar. Mas o governo Alckmin nada fez para reverter a decisão, até que, num almoço de final de ano, em dezembro passado, seu secretário da Fazenda, Andrea Calabi, prometeu agir. Exatamente a mesma promessa feita agora pelo governador.

Na prática, porém, Alckmin tem pouco a fazer. Depois que a presidente Dilma, demagogicamente, decidiu estender os benefícios que a lei concede às empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, não há mais o que discutir. Para não entrar em atrito com o governo amazonense e seu imenso lobby político em Brasilia, Dilma preferiu deixar tudo como estava, ou seja, Manaus continua sendo – há mais de 30 anos – uma região do país com privilégios que nenhuma outra pode sequer sonhar. Se esses benefícios são injustos (como dizem os empresários paulistas) e se contribuem para o atraso tecnológico do país, são questões menores, diz a política vigente.

Enquanto os lobbies brigam, o consumidor brasileiro continua esperando o dia em que, como prometeram Dilma e seu então ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, um tablet feito no Brasil irá custar mais barato que o importado. Deve ser o que minha avó chamava de “dia de São Nunca”.

PS.: antes que algum leitor diga que os tablets made in Brazil já estão mais baratos, lembro que existem tablets e tablets. A promessa se referia ao iPad, da Apple, e produtos equivalentes. Só isso.

Cortar os fios: essa onda preocupa

Existem nos EUA quase 102 milhões de residências que recebem TV por assinatura, seja via satélite ou cabo. Se você acha muito (no Brasil, estamos em torno de 17 milhões, e a população brasileira é apenas 30% menor que a americana), lembre-se que no final de 2011 eram 103 milhões. Ou seja, em um ano o número de residências que deixaram de usar TV paga foi de aproximadamente 1 milhão.

É o fenômeno “cortar os fios” (cord-cutting, como se diz por lá), algo contra o qual estão em alerta máximo todas as emissoras, operadoras e programadoras. Os dados fazem parte do mais recente relatório da Nielsen, o “ibope” deles. O levantamento se refere ao terceiro trimestre do ano e, ao contrário de seu correspondente brasileiro, a Nielsen matriz não sofre contestações sobre a idoneidade e confiabilidade de suas pesquisas; por sinal, desde o ano passado a empresa intensificou suas operações no Brasil (vejam aqui).

A tendência dos assinantes abandonarem os serviços tradicionais de TV paga já vinha sendo detectada há uns dois anos, mais ou menos em paralelo com crescimento da Netflix, principal fornecedora de conteúdos online. Agora, os números (queda de 4%) começam a preocupar. Daqueles 102 milhões de residências, diz a Nielsen, 58,5 milhões são servidas por operadoras de cabo, enquanto 34,8 milhões recebem sinal via satélite. Ambos tiveram queda; o único segmento que cresceu foi o chamado telco, serviço de TV fornecido pelas operadoras de telefonia, mas estes são apenas 9,5 milhões de domicílios.

No total, o número de “cortadores de fio” pode ser considerado irrisório. O que preocupa é a curva: aos poucos, os serviços que o mercado convencionou chamar de OTT (over-the-top) estão atraindo mais usuários, enquanto a venda de assinaturas parece estagnada. Quanta diferença em relação ao mercado brasileiro!

Eletrônicos: quem compra onde?

Pelas informações disponíveis, as vendas de eletrônicos no final do ano decepcionaram tanto lojistas quanto fabricantes. Ainda não saíram os dados oficiais, mas a expectativa de chegar a 13 milhões de TVs vendidos não se concretizou. Outra má notícia é que caíram as vendas de celulares, assim como as de computadores (destas, já se sabia). O único item que realmente está crescendo entre os eletrônicos é o tablet, o que também não chega a ser novidade.

Com certeza, está pesando o fator inadimplência: muita gente acumulou dívidas nos últimos três anos, e agora a corda está apertando. Se o governo quiser mesmo incentivar o consumo, vai ter que continuar “distribuindo dinheiro” (via Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal etc.) por mais um bom tempo. Até quando?

Mas um fator que, a meu ver, também deve influenciar muito as decisões de compra de eletrônicos é o acesso ao mercado externo. Nem vou falar de contrabando. A quantidade de brasileiros viajando tem aumentado de forma inacreditável, como demonstram os congestionamentos e tumultos registrados nos aeroportos. O turista brasileiro é atualmente o que mais consome quando viaja, dizem as estatísticas, e isso, é claro, tem a ver com status, mas também com a desorganização dos preços. Hoje, pode-se facilmente fazer comparações pela internet. E em praticamente todos os itens (não apenas eletrônicos) vale mais a pena comprar lá fora.

De novo, cabe a pergunta: até quando?

Para quem quiser entender um pouco melhor essa situação, recomendo estes artigos:

Inconsistências da política econômica

Negócio x mercado

Retrocesso nas finanças federais

 

Chineses invadindo o Brasil

Chinese CurrencyComentamos aqui semana passada sobre o maior espaço ocupado pelos fabricantes chineses na CES, em Las Vegas. Coincidência ou não, The Wall Street Journal saiu neste fim de semana com longa reportagem detalhando a “invasão” dos chineses no mercado brasileiro. Isso mesmo: um dos jornais mais importantes do mundo, e bíblia do mercado financeiro internacional, destaca o aumento dos investimentos do país de Mao Tse Tung por aqui.

Uma das empresas citadas é a Lenovo, segunda maior fabricante de computadores do planeta, que no ano passado adquiriu o controle da CCE e agora acena com muitos planos para o mercado brasileiro. Diz o jornal que a operação é a maior da empresa, atrás apenas da China, lembrando que a Lenovo já atua na Índia e na Rússia. Outra grande corporação chinesa que está entrando aqui é a Baidu, dona da maior rede social na China (maior até que o Facebook) e de vários outros negócios ligados à internet. “Acho que a maioria das grandes empresas globais não vem dando a devida atenção ao Brasil, que é hoje o mercado mais importante depois da China”, diz Jonathan Dillon, diretor internacional da Baidu, apelidada de “Google chinês”.

Citando ainda a Samsung e o próprio Facebook como marcas fortes que vêm investindo pesado no mercado brasileiro, o jornal lembra que as conhecidas deficiências do país – como excesso de burocracia e tributação – não são suficientes para desencorajar os investidores. “Estamos investindo mais aqui do que em qualquer outro país fora da China”, garante Dan Stone, responsável pela Lenovo Brasil.

A CES não tem futuro???

ces-show-floorDavid Pogue, talvez o mais popular jornalista especializado em tecnologia da atualidade (escreve para The New York Times e BBC), foi cruel ao descrever a CES 2013: o evento começou “um longo e lento declínio”. Duvido que 0,5% dos mais de 6 mil jornalistas que foram ao evento, e mesmo outros que não puderam ir, concordem com ele. Mas o fato é que Pogue, irônico e debochado em seus artigos (parece alguém que detesta tecnologia…), tem um público fiel – ou não continuaria escrevendo para dois veículos tão prestigiados.

Os argumentos de Pogue são similares a dezenas de outros que já li e ouvi. Podem até ter sua lógica. Segundo diz, com 2.700 empresas lançando produtos ao mesmo tempo (a organização da CES fala em 3.250), nenhum expositor consegue a divulgação desejada, pois o espaço na mídia tem obrigatoriamente que ser dividido com os concorrentes. A CES também acontece num péssimo momento, logo após as compras de Natal – e eu acrescentaria que, para nós brasileiros, nunca é agradável trocar nosso calor de 35 graus pelo inverno no deserto americano – em média, 5 graus.

Pogue também critica a CES e seus expositores por tentarem “empurrar tecnologias que ninguém quer”. E, por fim, recorre ao estranho argumento de que as “principais” empresas estão saindo do evento (Microsoft, Dell, Lenovo, Apple). Bem, se essas são as empresas mais importantes do mundo, devo estar em outro planeta. A Apple já não participa da CES desde os anos 90, quando Steve Jobs voltou a comandá-la; a Lenovo participou ativamente este ano; a Dell não lança uma novidade há anos; e apenas a Microsoft decidiu, sim, não ir mais a Las Vegas, imitando tardiamente a Apple.

Penso, ao contrário, que um grande problema da CES ultimamente tem sido o inchaço, agregando mais e mais empresas, o que torna o evento mais gigantesco do que precisaria ser. Nos últimos três anos, os organizadores conseguiram atrair fabricantes de equipamentos fotográficos (a feira PMA agora acontece dentro da CES), computadores, telecom, aparelhos para fitness e até linha branca! Ainda assim, os maiores estandes continuam sendo: Sony, Samsung, Panasonic, Intel, LG, Motorola…, nomes que, pelo visto, Pogue não considera importantes. Ou então nunca ouviu falar em convergência digital.

O mau-humorado chega ao ponto de prever para a CES o mesmo destino da finada Comdex, que até início dos anos 90 foi a maior feira de eletrônicos do planeta e cresceu tanto que foi abandonada pelas principais marcas (e, no entanto, só exibia itens de informática). Bem, nunca se sabe. Mas, pelo menos um de seus argumentos é fácil de ser derrubado: que outro evento de tecnologia consegue tamanha visibilidade, como vimos na semana passada?

Talvez o homem se sinta melhor numa feira de antiguidades.

Redes, redes e mais redes.

Acaba de ser divulgado o novo relatório da consultoria Parks Associates, que periodicamente estuda as tendências da indústria eletrônica e os mercados multimídia pelo mundo afora. Anotem: ao longo de 2013, a quantidade de residências com banda larga em todo o mundo irá ultrapassar a casa de 650 milhões. E cerca de 430 milhões (66% delas) estará equipada com uma rede doméstica.

O conteúdo completo do estudo pode ser baixado neste site, mas não chega a ser propriamente novidade. Todo mundo sabe que as pessoas cada vez mais querem conexões rápidas, seja para trabalho, estudo, entretenimento ou simplesmente para se manter informadas (ou tudo isso junto). E também já saíram centenas de pesquisas sobre o aumento das redes residenciais, especialmente sem fio, para facilitar o compartilhamento. Passando os olhos pelo relatório, o que achei mais interessante foi a tendência que os usuários revelam, de procurar um único provedor que lhe ofereça todos os recursos disponíveis, incluindo acesso a redes móveis. A maioria acha, com razão, que isso simplifica bastante as coisas, além de tornar os serviços mais baratos.

É o que já acontece nos chamados mercados maduros, como EUA, Canadá, Alemanha, França e Suécia: poucas operadoras grandes estão oferecendo pacotes que englobam a maior quantidade possível de serviços, com o assinante pagando um valor fixo mensal. Além do já tradicional triple-play (internet, TV e telefone fixo), esses pacotes já agregam celular e começam a incorporar recursos de segurança, monitoramento remoto da casa e o conceito de múltiplas telas (multiscreen).

Para o usuário, a vantagem é que só precisa administrar uma conta e, na hora de reclamar ou solicitar um serviço extra, basta chamar uma empresa, não várias. Isso, é claro, não garante a qualidade do fornecimento, apenas é mais cômodo. E, claro, só dá certo quando há uma fiscalização permanente, tanto por parte do usuário (que deve exigir uma prestação de serviço decente) quanto pelas autoridades do setor. Estes dois itens é que me fazem descrer da pesquisa quando se pensa no Brasil. Aqui, as pessoas não sabem cuidar do que é seu: ou não reclamam, ou então reclamam demais, e muitas vezes sem razão. E as otoridades, como se sabe, ou são incompetentes para fiscalizar, ou estão mais preocupadas com politicagem.

A Parks não especifica quais países foram pesquisados. O estudo foi baseado em dados divulgados pelas grandes empresas e pelas entidades internacionais do setor. Por isso, não sei se tudo se aplica ao mercado brasileiro. De qualquer maneira, servem como referência. Alguns pontos que a empresa destaca:

*Usuários de tablets gastam, em média, seis horas por semana para ver conteúdos de vídeo nesses aparelhos (o dobro do tempo registrado um ano atrás);

*Na Europa, dois terços dos assinantes de TV têm acesso a serviços do tipo TV Everywhere (Netflix, Amazon Video etc);

*Cerca de 20% dos usuários de smartphones assistiram a vídeos nessas telinhas nos últimos 30 dias;

*O número de tablets existentes no mundo já é igual ao de desktops, cujas vendas vêm diminuindo;

*Com o tempo, as pessoas vão refinando a forma de usar aparelhos portáteis. Em 2011, a média para smartphones era de 19 aplicativos comprados e seis usados com frequência; no final de 2012, os números caíram para 14 comprados e apenas quatro de uso contínuo;

*Nos EUA, um terço dos motoristas já têm recursos de conectividade em seus carros, mas na prática estão interessados mesmo em aplicativos de navegação (GPS) ou que forneçam dados sobre a performance do automóvel.

Este último aspecto vem sendo motivo de muita especulação. Na semana passada, por exemplo, durante a CES vários fabricantes de automóveis demonstraram o está sendo chamado de self-driving car (numa tradução livre, seria o “carro que dirige sozinho”). Mas é algo para um futuro ainda distante. Já o multiscreen é para ontem: está acontecendo e será cada vez mais parte de nossas vidas – como, aliás, mostra bem este artigo.

Estupidez não tem limite!

Em meio ao turbilhão de informações técnicas circulando na CES 2013, vejam esta notícia divulgada pelo site AllThingsDigital. A rede CBS, dona do site CNet, que faz cobertura maciça da CES com cerca de 100 profissionais em Las Vegas, proibiu a equipe do site de premiar a operadora Dish. A empresa exibiu a nova versão do Hopper, seu gravador DVR (Digital Video Recorder) que permite saltar os intervalos comerciais, e o site o incluiu na premiação “Best of CES”, a mais tradicional do evento.

Por ordens superiores, o produto foi excluído do prêmio. O motivo é uma disputa judicial entre a Dish e algumas emissoras e operadoras, que continua até hoje, justamente por causa desse lançamento. A equipe do site não teve como escapar e divulgou comunicado explicando que, a partir de agora, não irá mais publicar testes de produtos “cujos fabricantes estejam em litígio conosco”.

Essa atitude, rara na imprensa americana, faz lembrar os inúmeros casos de censura no Brasil, comprovando – se é que isso era necessário – a estupidez de todo tipo de censura. Mesmo sem receber o prêmio, a Dish obteve para seu produto uma publicidade gratuita que jamais poderia esperar. Suas vendas devem estourar! Pior para as emissoras. E para todos os censores.

Atualizando: neste fim de semana, ficamos sabendo que Greg Sandoval, repórter da CNet, pediu demissão devido ao caso – que, aliás, está contado em detalhes neste link.

Olha os chineses aí…


hisense110Lembro bem que, nos primeiros anos em que cobri a CES, década de 1980, costumávamos brincar – digo, nós, jornalistas especializados – que na indústria eletrônica havia duas certezas: tudo que vinha do Japão era bom; e tudo que vinha de qualquer outro país asiático era ruim. Testar um produto made in Japan era quase um ritual: tomávamos cuidado até para encostar a mão. Já o que tinha outras procedências merecia desprezo.

Na época, ninguém podia imaginar que os fabricantes coreanos dariam o salto que vimos, impulsionados pela própria evolução do país que – nunca é demais lembrar – planejou tudo a partir de um espetacular investimento em educação de base, coisa que o Brasil não conseguiu fazer até hoje. Os produtos coreanos, naquela época, eram vistos mais ou menos como são hoje os chineses. Espere… são mesmo? Ou eram? Bem, a partir de agora, suponho que devemos dobrar a lingua ao comentar sobre eletrônicos made in China.

Há cerca de dez anos, os expositores chineses começaram a chegar à CES. Mais de uma vez, o preconceito nos impediu de percorrer o setor destinado a eles. Com o tempo, eles foram ganhando mais espaço, até ocuparem um pavilhão inteiro no Las Vegas Convention Center. No ano passado, esse pavilhão abrigou mais de 500 empresas! Este ano, pelo que relatam meus colegas Julio Cohen e Ricardo Marques, China e Taiwan ganharam novo status. Pelo menos quatro empresas desses dois países (Asus, Haier, Hisense e TCL) montaram estandes enormes. E vejam que curioso: a Hisense passou a ocupar o mesmo espaço que tantos anos (até 2012) pertenceu à todo-poderosa Microsoft, hoje fora da CES!

E o que as empresas chinesas estão mostrando no evento é para deixar coreanos e japoneses preocupados. Como se sabe, quase tudo em eletrônica hoje é produzido na China, seja diretamente ou através de acordos do tipo OEM (Original Equipment Manufacturer), SKD (Semi Knocked-Down) ou CKD (Completely Knocked-Down). Se marcas de prestígio (Apple, Motorola, HP e tantas outras, inclusive coreanas e japonesas) mandam fazer seus produtos lá, não é apenas por causa do custo; é sinal de que os chineses também sabem fazer.

A Haier, por exemplo, está demonstrando em Las Vegas um sistema em que o TV pode ser comandado apenas por movimentos dos olhos, como se pode conferir neste vídeo que nossa equipe produziu. TCL, para quem não sabe, é hoje um dos maiores fabricantes mundiais de eletrônicos, dona de marcas como Thomson, RCA e Alcatel (seu estande foi montado ao lado da Panasonic, um dos pontos mais concorridos da CES). “Agora que temos um bom esquema de distribuição nos EUA, vamos aumentar nossa presença nas lojas”, garantiu ao site CNet o chairman do grupo, Dong Sheng Li, citando os acordos que acabou de fechar com os dois maiores varejistas do mundo: Amazon e Best Buy. Mais ainda: a TCL acertou uma inédita parceria com os estúdios Marvel para coproduzir o terceiro filme da série Homem de Ferro, que está para ser lançado.

A Asus, acho que todo mundo conhece pelos notebooks de baixo custo e design diferente. E a Hisense é a que está chamando mais atenção na CES, entre outras coisas por exibir um dos maiores TVs da feira, um 4K com 110 polegadas (foto acima).

Quem sabe um dia você não vai ter um desses em casa.