Archive | fevereiro, 2013

Segundo teste de um TV 4K

Sony4KTVblog-555x370Gostaria de estar aqui comentando o teste que já deveríamos ter feito com o TV Sony 4K de 84 polegadas (mod. XBR-84X900), lançado oficialmente no Brasil em dezembro último, dias após o lançamento do modelo LG 84LM9600. Sobre este, que tivemos oportunidade de avaliar na época em nossa sala de testes, já comentamos bastante – o teste completo está aqui. Já o aparelho da Sony, infelizmente, não nos chegou até hoje.

Curiosamente, o site americano CNet – para mim, o mais competente da atualidade, no segmento de tecnologia – publica nesta quinta-feira seu teste do TV Sony, com uma série de ressalvas. Rompendo uma longa tradição, a Sony não quis ceder o aparelho para a equipe do site, que teve de se deslocar até a sede da empresa, em Nova York. Lá chegando, já estava tudo pronto, com dois exemplares do XBR, além do modelo LG e de um Sharp de 80″ (mod. LC-80LE632U), sendo que este não é 4K, mas Full-HD; ambos são usados pelos próprios técnicos da Sony para testes comparativos.

Também estranhamente, os dois jornalistas do CNet não tiveram liberdade para avaliar o TV Sony como normalmente fazem: engenheiros da empresa permaneceram o tempo todo na sala. Nem puderam verificar que tipo de ajustes haviam sido feitos nos demais aparelhos, de modo que, sem nenhuma surpresa, constataram que na maioria dos casos a imagem no TV Sony foi superior. “Pelo menos, o almoço que serviram estava bom”, escreveu David Katzmaier, responsável pelos testes publicados no site, ironizando o fato de que a Sony simplesmente os proibiu de mencionar medições diferentes das que seus próprios engenheiros haviam feito.

Trata-se de um inédito caso de “censura prévia” na imprensa especializada em tecnologia. Nunca ouvi falar de uma empresa “proibir” a publicação de informações técnicas, embora saibamos (e já tenhamos até experimentado, no passado) das pressões que muitas vezes ocorrem nessas situações – e, nesse ponto, é importante mencionar que não há muita diferença entre Estados Unidos e Brasil. Seja como for, essas foram as condições impostas pela Sony para deixar que os dois especialistas examinassem seu produto (a íntegra do que eles viram pode ser conferida neste link).

Nos EUA, o TV Sony foi lançado a US$ 25.000, enquanto o da LG sai um pouco mais barato (ou menos caro): US$ 20.000. No Brasil, a diferença de preço é bem maior: R$ 100.000 do Sony contra R$ 45.000 do LG. Enquanto não temos nós a oportunidade de uma avaliação, como fizemos com o modelo da LG, segue aqui um resumo do que o pessoal do CNet relatou neste “teste censurado”, como eles mesmos definem:

*4K vs Full-HD – Pouca diferença visível. Os benefícios do 4K variaram entre “extremamente sutis” e “não existentes”. Importante: a Sony não permitiu que os TVs fossem examinados a uma distância maior do que 2m40 (8 pés), que, convenhamos, não é o ideal para se ver uma tela de 84″. Além disso, todos os conteúdos 4K utilizados foram fornecidos pela empresa.

*Upconversion – Comparando uma imagem 1080p no TV 4K com a mesma imagem no modelo Full-HD da Sharp, o primeiro apresentou ligeira superioridade. Já usando um sinal 4K e o mesmo sinal convertido para 2K, usando dois TVs iguais (Sony), não foi possível notar grandes diferenças, a não ser chegando muito perto. Os jornalistas não foram autorizados a fazer a mesma comparação usando o modelo da LG.

*Nível de preto – Usando uma sequência de Harry Potter e as Relíquias da Morte (cap. 12, 54min.), o TV Sony apresentou performance bem superior à dos outros dois.

*Backlight – Tanto o modelo da Sony quanto o LG utilizam painel edge-lit, e os técnicos da Sony informaram que a empresa faz questão de ajustar cada um de seus aparelhos que saem de fábrica nesse quesito. No entanto, ainda assim foram observados vazamentos de luz no canto esquerdo da tela.

*Imagem em 3D – Os dois aparelhos concorrentes são idênticos. Ambos utilizam a tecnologia passiva para geração dos efeitos tridimensionais, com óculos extremamente leves e confortáveis. Mas o TV Sony apresentou a melhor qualidade de imagem.

*Áudio – Uma das justificativas da Sony para seu preço ser mais alto é que o TV 4K vem com dois conjuntos de alto-falantes laterais acoplados ao gabinete, incluindo subwoofers dos dois lados. A potência especificada é de 50W; evidentemente, nesse aspecto seu desempenho foi bem superior ao dos concorrentes.

High-end francês no Brasil

grande-utopia-speakersNão são muitas as marcas francesas de equipamentos eletrônicos que chegam ao Brasil. Mas é longa a tradição desse país na área, especialmente em áudio. Nomes como Cabasse, JLA, Elipson, Triangle e Bruno Henry são conhecidas entre os audiófilos e os apreciadores do design. Agora, o mercado brasileiro passa a ter acesso a outra marca de prestígio vinda da França: a distribuidora Audiogene acaba de anunciar que começa a comercializar aqui em abril os produtos da Focal.

Utopia, Electra, Chorus etc. são linhas de caixas acústicas que estão entre as mais badaladas (e mais caras) do mundo. Certos modelos batem fácil na casa dos 200 mil dólares o par! Mas a Focal, ao contrário de outros fabricantes europeus, vem se renovando nos últimos anos e, claro, voltando os olhos para o emergente mercado brasileiro. Segundo a Audiogene, estarão disponíveis aqui quase todos os produtos da empresa francesa, incluindo caixas compactas, multimídia, caixas sem fio e fones de ouvido. Só não irá atuar nos segmentos de car audio e áudio profissional.

Para quem possa estranhar o fato de uma marca tão sofisticada estar sendo distribuída no Brasil, onde já há diversas disputando a preferência do usuário de caixas acústicas, a explicação da Audiogene está nos números: antes mesmo de iniciar as importações, a empresa já vendeu alguns pares da Utopia (foto), por exemplo, top de linha da marca. O segredo, ao que parece, é estruturar-se para oferecer atendimento customizado e jamais deixar o usuário esperando. A distribuidora está selecionando as revendas que irão trabalhar com a Focal. E avisa: não serão muitas.

Para quem quiser conhecer um pouco dessa marca, este vídeo pode ser um bom começo.

Da intolerância ao “cubismo”

yoani-Agora que a perigosíssima ativista cubana Yoani Sanchez foi embora, imagina-se que o clima esteja mais sereno para discutir esse triste episódio da história recente do país. Amigos que moram no Exterior me perguntam o que, de fato, aconteceu. Que insondáveis razões teriam levado alguns jovens a se manifestarem de forma tão agressiva e intolerante contra a moça? Quem teria sido o gênio do marketing que elaborou tão minucioso plano de ação, envolvendo perseguições a ela em quase todas as cidades que visitou (a única exceção foi justamente a última, o Rio de Janeiro) e, simultaneamente, uma saraivada de comentários ofensivos nas redes sociais? Qual o propósito de transformá-la, de obscura blogueira, em celebridade nacional, quiçá internacional, em dois ou três dias?

Já li e ouvi as mais variadas justificativas e ilações, que vão de um plano arquitetado pela CIA (de quem Yoani seria agente) ao início da campanha eleitoral de 2014. Confesso que não consigo enxergar conexões entre esses fatos. Em São Paulo, a moça foi simplesmente impedida de responder a perguntas que lhe faziam, a ponto de ser necessário cancelar o evento a que fora convidada. Na Bahia, invadiram aos gritos um cinema onde seria exibido um documentário, com Yoani na plateia, como se da tela fossem sair contra-revolucionários para tentar um golpe de estado. No Congresso Nacional, os manifestantes não agrediram nem ofenderam Sarney, Renan e seus pares (no que certamente seriam apoiados por toda a população), mas apenas a visitante, que estava ali simplesmente a convite da Casa.

Curiosamente, a acusação mais comum que vi contra Yoani foi a de que a CIA estaria bancando sua viagem. Seria estranho, sem dúvida, a agência gastar seus dólares com uma “agente” que nada tem de secreta e que, na prática, não precisaria desse financiamento: a moça veio ao Brasil a convite do jornal O Estado de S.Paulo, após longas negociações para que o governo cubano a deixasse sair do país, e, mesmo que assim não fosse, já arrecada um bom dinheiro com sua militância internacional contra a ditadura cubana.

Também achei curiosa, nesse episódio, a postura do governo brasileiro, que em 2007, durante os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, negou asilo político a dois pugilistas cubanos e mandou devolvê-los sem dó à ditadura de onde tentavam fugir; e que, em 2009, concedeu o mesmo asilo ao criminoso italiano Cesar Battisti, condenado em seu país por assassinato, desrespeitando assim um longo histórico de cooperação diplomática com a Itália. No caso de Yoani, a opcão do governo brasileiro foi distribuir um “dossiê Yoani” a jornalistas, num concubinato entre o embaixador cubano em Brasilia e um funcionário da Casa Civil. Dossiê, por sinal, já conhecido há anos.

Mas, pior mesmo foi constatar que os brasileiros, após lutarem anos contra uma ditadura, não estão preparados para uma verdadeira democracia. Tristemente, os anti-Yoani me fizeram lembrar agentes do governo militar brasileiro que, nos anos 1970, ao entrar na casa de um amigo jornalista, então foragido, foram procurar em sua biblioteca as “provas” de sua militância comunista. Depois de revirarem as estantes, levaram apenas um exemplar de “O Cubismo”, colorido livro sobre pintura.

Alguns dos vândalos que protestaram contra a blogueira, se pudessem, implantariam aqui algo como a “liberdade” que existe em Cuba. Ou na Venezuela. Provavelmente, são incapazes de localizar a ilha num mapa-mundi. E, se um dia abriram algum livro a esse respeito, deve ter sido “O Cubismo” – para ver as fotos.

Quem fica parado é antena

Deve ser parte do já conhecido e infindável jogo de lobbies em torno da infraestrutura para a Copa do Mundo, mas de qualquer modo trata-se de um alerta importante: as doze cidades-sede precisarão de nada menos do que 9.566 licenças para instalar as antenas de celular 4G, a serem usadas durante o evento. O levantamento é do SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras e seus fornecedores, e foi divulgado semana passada no site Convergência Digital. Por esse cálculo, até o primeiro jogo da Copa será necessário instalar, em média, 30 ERBs por dia (ERB = Estação de Rádio Base, nome técnico dado aos equipamentos que conectam as operadoras de celular a suas antenas).

Só no estado de São Paulo, serão (ou seriam?) 2.784 antenas; no Rio, 1.723; em Brasilia, 954; e por aí vai. Diz o Sindicato das Operadoras que a rede 4G exige duas a três vezes mais antenas do que a 3G, devido à faixa de frequências de utiliza, de 2,5GHz. Embora o cronograma informe que as redes 4G já deverão estar funcionando agora em abril, para a Copa das Confederações (que terá seis cidades-sede), o fato é que as frequências de 2,5GHz só serão leiloadas no ano que vem. Coisas do planejamento brasileiro.

Sim, há disponibilidade para redes de 700MHz, tecnicamente inferiores, mas já licitadas. Mas, e as tais licenças? Cada prefeitura terá que liberá-las a toque de caixa, sem falar em possíveis contestações ambientais e/ou judiciais, como a que foi apresentada estes dias pelo Tribunal de Contas da União contra a Anatel: apenas uma licitação foi concluída até agora pela Agência para a instalação do sistema de comunicações a ser usado na Copa de 2014. A Anatel contesta, mas enquanto a questão não se resolve as empresas que disputariam os contratos só podem cruzar os dedos.

As novas caixinhas pretas

A Samsung está aproveitando o Mobile World Congress, evento internacional de tecnologias móveis, que se realiza esta semana em Barcelona, para apresentar seu primeiro aparelho do tipo media hub. Chama-se HomeSync e, a exemplo de dezenas de outros já existentes, propõe-se a ser uma espécie “central multiuso” em nossas casas.

Media hub, ou media player, é o nome que se convencionou usar para identificar receptores capazes de se conectar simultaneamente a diversas fontes de sinal (áudio, vídeos e dados) e distribuir os conteúdos a aparelhos espalhados pela casa, seja por rede cabeada ou sem fio. Já ouvi de especialistas que em breve essas caixinhas pretas serão, como dizem os americanos, ubiquitous – palavra horrível que alguns aqui insistem em traduzir pela igualmente horrível “ubíquo”. Querem dizer, simplesmente, que toda casa deverá ter um media player, para facilitar a vida de todos na família que queiram acessar algum conteúdo digital. É o que já fazem, embora com certas limitações, produtos como Apple TV, Roku, Boxee e – em menor escala – Xbox 360 e Nintendo Wii U.

homesyncÉ também o que promete a Intel, como comentamos aqui dias atrás. E é, igualmente, um dos fortes apelos da plataforma Google TV, que nos EUA já pode ser encontrada em TVs da Sony e da LG. No caso da Samsung, a promessa é de que o HomeSync (foto), com sistema operacional Android e 1 Terabyte de memória, será capaz de fazer streaming rápido de filmes em HD, músicas, programas de TV, games etc., e jogar tudo isso na tela grande de um TV, sem necessidade de ligação física. Até oito pessoas poderão ser cadastradas num único aparelho, de modo que uma família inteira possa conectar seus tablets e smartphones à vontade.

Importante não esquecer que o bom funcionamento desse tipo de aparelho depende, em grande medida, da velocidade disponível na banda larga. Brasileiros, portanto, além de fazer as configurações corretas, precisarão rezar muito.

Contra os downloads, imposto!

Não ria. Circula desenvolto nos gavetões da Câmara Federal um projeto de lei que quer tributar os sites de venda de downloads. Provavelmente na falta do que fazer, ou na ânsia de morder mais alguém, um nobre deputado (recuso-me aqui a citar seu nome) apresentou a proposta: obrigar as lojas virtuais de conteúdo digital que pertencem a empresas estrangeiras a recolher impostos ao fisco brasileiro.

Se você está pensando em “justiça fiscal” ou algum eufemismo do gênero, pense de novo. O que levou o parlamentar a buscar mais essa mordida foi a constatação de que as vendas de smartphones no país cresceram 36% apenas no terceiro trimestre do ano passado, quando atingiram a marca de 28 milhões de aparelhos, segundo a consultoria GfK. Evidentemente, a maior parte desses usuários baixa seus arquivos em algum site, não necessariamente de forma legal. À punição, portanto. “Não é necessário que a empresa abra uma representação física aqui”, diz o autor do projeto. “Basta que ela se constitua juridicamente. Quando se estabelecerem, elas terão a mesma carga tributária que as nacionais.”

Bonito, não? Não há prazo para tramitação, muito menos votação, do projeto. Mas, a ser aprovado, teríamos mais uma peça na famosa coleção das leis que não pegam, típica da política brasileira. Criar impostos, ainda que sem saber como aplicá-los, é um dos esportes preferidos do governo e dos parlamentares. Sua excelência fica devendo então a explicação de como a Receita Federal, ou quem de direito, irá catalogar, localizar, citar judicialmente e fazer a devida cobrança de todos os sites onde hoje é possível baixar músicas, vídeos etc. Isso, é claro, após calcular quantos downloads cada uma delas vendeu e por qual valor.

Será que esse cidadão está fazendo chacota de nós, contribuintes, ou não sabe, mesmo, que todos esses sites funcionam em locais incertos e ignorados?

Banda larga, agora via satélite

Demorou, mas parece que finalmente teremos no Brasil uma operadora de banda larga que, em vez de cabo, utiliza a transmissão por satélite. Chama-se Via Sat e tem sede em Goiânia, mas pretende atuar em todo o país. Segundo o site Tela Viva, a empresa pretende iniciar as vendas de seu equipamento em abril, com uma rede de 340 representantes e usando a estrutura da Media Networks, que é do grupo Telefônica mas atende também a outras operadoras de satélite.

Para o consumidor, não há muita diferença entre esse serviço e as demais modalidades de banda larga. Basicamente, instala-se uma antena de 75cm num ponto alto da residência, com um receptor que consegue captar o sinal da operadora e também funciona como transmissor. A Via Sat promete velocidades de até 18 Megabits por segundo na recepção e metade disso na transmissão, com preços a partir de R$ 99 mensais. De início, serão cobertos os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Distrito Federal. A empresa diz que tem capacidade para atender até cerca de 450 mil clientes com 2Mbps cada.

Seu principal mercado, com certeza, serão cidades longe dos grandes centros e regiões que hoje enfrentam problemas de recepção. O presidente da Via Sat, Antonio Castro, declarou ao site que também pretende oferecer TV por assinatura, assim que sair sua licença. E tem até um plano de “banda larga popular”, em negociação com o governo.

Em busca do canal preferido

No mundo da internet, os serviços de busca – Google à frente – são os mais acessados. Com os TVs se parecendo cada vez mais com computadores (na verdade, todo smart TV traz um computador dentro), é natural que os chamados search engines sejam transportados para as telas onde as pessoas normalmente assistem a filmes e programas de televisão. Com o tempo, é provável até que o usuário, ao escolher seu TV novo, leve muito em conta essa capacidade: quanto tempo o aparelho demora para localizar o conteúdo que eu quero assistir.

Esta semana, a Samsung anunciou nos EUA um aplicativo chamado TV Discovery, que passa a fazer parte de suas novas linhas de TVs smart. Já dissemos aqui que o fabricante coreano é o que mais investe nos apps; em sua sede em São Paulo, a empresa mantém um centro de pesquisas sobre o assunto, que desenvolve a maior parte dos aplicativos brasileiros embutidos em seus TVs. A novidade agora, como seria mesmo de se esperar, é a possibilidade do telespectador fazer a busca dos conteúdos disponíveis tanto nas emissoras (abertas e fechadas) quanto em sua rede doméstica e até nos serviços over-the-top, como Netflix.

Pelo que descreve a Samsung, o TV Discovery – a ser demonstrado no próximo Mobile World Congress, semana que vem em Barcelona – funciona de modo até simples. O usuário digita o título de um filme ou programa que esteja querendo assistir e o aparelho apresenta na tela uma listagem dos canais que o exibem naquele momento; indica ainda se o conteúdo pode ser acessado no Netflix e outros serviços de video-on-demand. Algo semelhante já existe no aplicativo Google TV, mas a Samsung promete que seu serviço será mais completo. Outra promessa é que, no segundo semestre, o TV Discovery estará disponível também em tablets, smartphones, players Blu-ray e outros produtos da marca.

A conferir.

 

STF e as pequenas operadoras

A semana foi agitada no segmento de TV por Assinatura. Hotéis de Brasilia ficaram lotados com a presença de empresários e executivos que foram participar de dois eventos: audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal para discutir a polêmica lei 12.485 e Seminário Políticas de (Tele)Comunicações, promovido pela Converge. Os temas são áridos, e talvez seja difícil para o usuário entender o que está por trás dos debates. Vou tentar aqui fazer um resumo, usando boa parte dos comentários do competente Samuel Possebom, do site Tela Viva.

A discussão sobre a Lei do SeAC parece não ter fim. O texto aprovado pelo Congresso foi um verdadeiro frankenstein, tão mal escrito que só poderia mesmo dar margem a ações judiciais. Três delas estão no STF, que até o momento não se sente capaz de julgá-las. Cada uma aponta problemas distintos. A ação proposta pela NEO TV, entidade que representa pequenos e médios operadores de TV por assinatura, contesta o fim das licitações para concessão de novas autorizações por parte da Anatel. Sem licitações, o mercado fica aberto “de forma indiscriminada”, alega a NEO TV, e isso, é claro, prejudica as empresas menores.

A lei também proíbe as operadoras de produzir programas: numa pequena região, o conteúdo local é importantíssimo, e se a operadora não o fizer ninguém irá gerar esse tipo de programa. A proibição se estende às empresas coligadas da operadora, caso da Rede Bandeirantes, proprietária, ao mesmo tempo, de uma rede de TV aberta e de uma operadora de cabo (a SIMTV) que atua em várias cidades. “Essa regra nos impede, no futuro, de oferecer ao espectador a conveniência de uma segunda tela, a possibilidade de acompanhar nossos conteúdos onde ele quiser”, argumenta o vice-presidente da Band, Walter Ceneviva, também autor de uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a lei no Supremo.

Há ainda no STF ações contra a lei, movidas pela Sky e pelo partido Democratas. Isso quer dizer que a discussão não tem prazo para terminar, muito menos o julgamento pelo plenário do Supremo. Interessante é como setores organizados se manifestam a respeito. O Sindicato dos Trabalhadores de TV a Cabo (Sincab) diz temer que, com a nova lei, muitas operadoras acabem fechando as portas e, com isso, demitindo funcionários. A própria Band se queixa de algo que beneficia sua maior rival, a Globo. Esta, como se sabe, vendeu suas participações na Net e na Sky justamente para se beneficiar da lei (a Globosat, hoje, é apenas uma fornecedora de conteúdo, via seus canais pagos).

Em certos momentos da audiência pública, defensores da lei chegaram a argumentar que as mudanças foram responsáveis pelo crescimento do mercado de TV por assinatura, que em dezembro superou a marca de 16 milhões de domicílios. Omitiram, portanto, que o setor já vem crescendo bastante desde 2009 (no ano passado, aliás, a expansão foi até menor que nos anos anteriores). Se o ministro Luiz Fux, relator do processo no STF, der ouvidos a esse tipo de argumento, corremos o risco de ver a lei piorada, e não melhorada.

Em tempo: quem quiser acompanhar as audiências no Supremo, pode acessar este link. Vejam também nosso hot site que trata do assunto.

Mortos também tuítam e curtem

afterlifeSe você é adepto das redes sociais, deve saber que sua vida está sendo o tempo todo espionada. Sua privacidade já era, a partir do momento em que você aceitou dar as primeiras tuitadas ou os primeiros curtir. E, se você não está nem aí para o que muitos consideram um crime contra a liberdade individual, saiba que aqueles mesmos seres, empresas ou entidades que fiscalizam suas ações na rede já pensaram em tudo. Tudo mesmo. Incluindo sua, como eles dizem, afterlife.

Sim, seu destino já está traçado até mesmo para quando você não estiver mais por aqui. Não se engane: sua senha continuará sendo valiosa na posteridade. Pelo menos, é o que garantem os responsáveis pela agência de propaganda Lean Mean Fighting Machine, de Londres. Eles inventaram um serviço chamado LivesOn para, vejam só, nos garantir a vida eterna. Não é nada complicado. Como tantos outros apps e plug-ins que rodam por aí, o software dessa turma analisa as mensagens que você coloca no Twitter (inclusive os retuítes) e no Facebook e gera um banco de dados com seus likes, assuntos preferidos, seu jeito de escrever etc. Se quiser, você – aproveite enquanto está vivo – pode colaborar indicando ao LivesOn o que gostaria de ver, se pudesse, postado na sua conta após o dia do seu juízo final. “Daqui a alguns anos, com os avanços da tecnologia, poderemos até imitar seu jeito de falar”, promete Dave Bedwood, executivo da agência e criador da engenhoca.

Bem, Bedwood garante que nada será feito sem o consentimento do maior interessado – você. Mas sabe-se lá…

Não inventei nada do que está escrito acima. É uma notícia (séria) publicada no blog da Yahoo americana, citando inclusive estudos realizados na Universidade Queen Mary, em Londres, no campo da inteligência artificial. Melhor não duvidar.

E, para ninguém pensar que trata-se de mais uma pilantragem digital (existem tantas, afinal), eis aqui outra nota que pesquei esta semana no site da rede de TV ABC: Peter Sullivan, deputado no estado de New Hampshire (EUA), apresentou projeto de lei para que o responsável pelo testamento de uma pessoa ganhe poderes para gerenciar também a sua (da pessoa) vida online. Aquele cidadão encarregado de zelar pelos bens físicos (terrenos, casas, ações etc.) teria acesso às contas de email e das redes sociais de quem não esteja mais aqui para tuitar, curtir e trá-lá-lá.

Mr. Sullivan diz que seu objetivo é proteger as famílias do falecido, em casos – cada vez mais comuns – de bullying e ameaças pela internet. E conta a história de uma garota do Canadá que cometeu suicídio após sofrer ataques no Facebook e sua família não tinha nem como encerrar a tal conta, recheada de barbaridades sobre a menina.

Como se pode ver, tem muita gente pensando no futuro digital de cada um de nós. Já podemos morrer tranquilos.

No país dos espertinhos

Decididamente, a velha frase atribuída a Steve Jobs, de que o Brasil não merecia seus investimentos, nunca fez tanto sentido quanto agora. Depois de perder sua marca mais valiosa (iPhone) para a Gradiente, caso ainda passível de reversão na Justiça, a Apple se vê diante de novo inbroglio jurídico. Um tal de IBDI (Instituto Brasileiro de Direito da Informática), do qual confesso nunca ter ouvido falar, entrou nesta quinta-feira com ação coletiva na 12a. Vara Cível do Distrito Federal acusando a empresa americana de “prática comercial abusiva”. A acusação se refere ao lançamento do iPad 4, em outubro do ano passado, sete meses depois de seu antecessor, o iPad 3.

A notícia, de tão esdrúxula, está agora em alguns dos principais sites de tecnologia americanos. Mais ainda porque o IBDI pede que a Apple indenize “todos os consumidores” que adquiriram o iPad 3. A alegação é que a Apple “quebrou o paradigma” de seus lançamentos anuais e não avisou os consumidores brasileiros. “O consumidor achava que estava comprando um equipamento de ponta, sem saber que já era uma versão obsoleta”, disse o advogado do IBDI, Sergio Palomares.

Por que essa ação foi ajuizada somente agora, e não na época do lançamento, não foi explicado. Mais estranho ainda: procurado pelo site Techlinhas, o IBDI informou que não sabe da ação, que só foi publicada pelo Jornal do Comércio, de Porto Alegre; o Instituto inclusive a desmentiu, através do Twitter. Mas o advogado Palomares confirmou tudo.

De duas uma: ou esse advogado é mais um espertalhão, que quer ganhar dinheiro fácil, ou o IBDI tem dinheiro de sobra para gastar com ações judiciais.

Quem manda é o marketing

Ninguém na indústria eletrônica dominou a ciência do marketing (talvez ainda domine) como a Apple. Steve Jobs, mais que um empreendedor ou cientista nerd, era uma cabeça de marketing. Entendia muito de design (para isso havia estudado arduamente) e conseguiu juntar esses dois conhecimentos de forma primorosa. Foi dele a ideia de transformar cada lançamento de produto num grande evento, com cobertura da mídia internacional, que assim concedia à empresa largos espaços (se tivesse de pagar por estes, a Apple quebraria…)

Bem, lembrei hoje de Steve Jobs – a história acima está contada com mais detalhes em meu livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo Através da Tecnologia” – ao ler as repercussões do evento promovido ontem à noite pela Sony, em Nova York, para o lançamento do PlayStation 4. Foi um verdadeiro anticlimax, diz a maioria dos especialistas. Durante mais de um mês, a empresa estimulou na mídia a divulgação de que haveria um grande lançamento, e o PS4 é, talvez, o produto mais aguardado deste ano. Tudo preparado, grandes equipes a postos para a cobertura, e eis que não havia produto nenhum a ser mostrado. Nada, além de um novo controle de jogos que “deve” acompanhar o console, quando este chegar às lojas. E quando isso acontecerá? Ninguém sabe. Nem a Sony (“até o final do ano”).

O que se depreende dessa insana (no mau sentido) iniciativa é que a Sony quis se antecipar a um possível evento em que a Microsoft apresentaria seu Xbox 720, nome por enquanto fictício. A ideia seria anunciar algo bombástico antes, para não deixar o concorrente brilhar sozinho na mídia. Em entrevista ao site AllThingsD, o presidente da divisão de games da Sony nos EUA, Jack Tretton, foi questionado a respeito. Saiu-se com esta resposta: “Quando coloca o disco no console, você não fica olhando para ele, mas sim para a tela. Queríamos mostrar a tela às pessoas. Haverá muitas oportunidades para ver o aparelho. Este ainda está em desenvolvimento, em termos de especificações e design.”

Se é isso, alguém precisa urgentemente avisar ao departamento de marketing da Sony que, quando as coisas estão ruins, sempre podem piorar. Anunciar um grande lançamento e não mostrá-lo é, mal comparando, como convidar alguém para jantar na sua casa e não preparar a comida. Mesmo que seja um ótimo produto, o estrago causado à imagem da empresa, especialmente junto aos jornalistas especializados, blogueiros e formadores de opinião, será difícil de reparar. Ainda mais num segmento de mercado em que quase todo mundo escolhe o que comprar com base nas opiniões que lê e ouve.

Vejamos agora como reage a Microsoft.

OLED faz milagre? Parece que sim…

Uma reunião extremamente discreta foi convocada, há cerca de duas semanas, pelo chefe da Divisão de Crescimento do Ministério da Economia do Conhecimento do governo da Coreia do Sul. Jaehong Kim chamou para conversar dois dos homens mais poderosos do país, os presidentes (CEOs) da Samsung e da LG. Só o fato de colocá-los frente a frente para conversar, numa mesma mesa, já pode ser considerado uma façanha. O objetivo do encontro era buscar uma reconciliação entre os dois grupos, que até hoje vêm discordando em quase tudo.

Bem, ainda não se sabem detalhes da conversa, apenas que os dois executivos concordaram em linhas gerais e combinaram de repassar a seus diretores para que cuidem dos detalhes. Mas o site coreano ET News revelou que o principal assunto foram as ações judiciais que LG e Samsung mantêm uma contra a outra e que, ao que tudo indica, levarão exatamente a lugar nenhum. O governo coreano está preocupado que, enquanto perdem tempo (e milhões de dólares) por causa da rivalidade, os dois grupos abram espaço para o “inimigo maior”: a indústria chinesa.

É bom recapitular como se chegou a esse ponto. Primeiro, foi a Samsung que entrou na Justiça local pedindo que a rival fosse proibida de usar a identificação OLED em seus TVs que estão para ser lançados. A alegação é que os painéis da LG são diferentes, e são mesmo: utilizam um subpixel branco para completar a paleta de cores, enquanto todos os demais fabricantes trabalham com os painéis convencionais RGB (vermelho, verde e azul). Não por acaso, os painéis da LG são chamados nos bastidores da indústria de “OLED branco”. A Samsung alega que o uso “indevido” da marca OLED pode confundir os consumidores e prejudicá-la. A Justiça ainda não deu sua sentença, mas agora a Samsung retirou a ação, talvez uma primeira consequência da tal conversa com mr. Jaehong (na Coreia, o sobrenome das pessoas vem em primeiro lugar).

Já a LG continua na Justiça com uma ação em que pede a proibição do tablet Galaxy Tab 10.1, alegando que a concorrente roubou patentes suas. Há ainda outras questões judiciais menores envolvendo as duas empresas, mas até o momento a LG não se manifestou.

Já estive na Coreia uma vez, em 1997, e vi de perto como é essa rivalidade entre os dois maiores conglomerados de tecnologia do país. Mas, na época, nem uma nem outra ocupavam a posição de liderança mundial que têm hoje. Imagino que o crescimento deva ter exacerbado ainda mais as hostilidades. Não tenho como avaliar se a tática do governo irá dar certo. Mas, se isso acontecer, com certeza mr. Jaehong terá alcançado um milagre. Quem sabe vire até presidente da República.

PS.: viram como são as coisas num país realmente preocupado com o desenvolvimento tecnológico? Na Coreia, eles têm uma “Divisão de Crescimento”, dentro do “Ministério da Economia do Conhecimento”. Parece coisa de ficção científica, mas para eles é a mais pura (e eficiente) realidade.

TV Digital x 4G: quem desata o nó?

Se tivéssemos um governo sério, e se esse governo tivesse uma política tecnológica, não haveria motivo para preocupação com a chegada da quarta geração de telefonia celular (a chamada 4G). Como em outros países, as redes seriam planejadas com boa antecedência, as operadoras comprariam suas frequências a preços de mercado, numa disputa aberta, e o usuário seria bem atendido, num prazo não muito longo.

Nada disso tem a ver com o que está acontecendo hoje. Corremos o risco de ter uma rede 4G que funcione até pior que a atual 3G. A julgar pelo que diz a maioria dos especialistas, está difícil desatar o nó que amarra a expansão da telefonia celular ao uso das frequências de televisão, como diz pretender o Ministério das Comunicações. Na última quinta-feira, a SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), que representa as emissoras, saiu da sua habitual discrição e soltou um comunicado que é, no mínimo, preocupante.

O texto questiona os estudos que teriam sido feitos pelo Ministério e pela Anatel, segundo os quais é perfeitamente viável a convivência entre os sinais de celular 4G e os de TV digital aberta. “A SET teme que os estudos do governo tenham sido realizados com reuso demasiado de frequências, o que poderá comprometer tanto a qualidade das imagens oferecidas ao público, como a cobertura das estações digitais, que ficará reduzida relativamente às atuais coberturas analógicas.”

Não é a primeira vez que as emissoras levantam essa dúvida. Além de ter realizado testes no Brasil, a SET diz que recebeu relatos do Japão e da Europa indicando que os dois serviços causam interferência mútuas. “A interferência em TV digital significa TELA PRETA”, diz o comunicado da entidade, reforçando que os estudos já realizados revelam não haver solução para esse problema. E chega a levantar uma hipótese simplesmente alarmante: para amenizar as interferências, seria necessário instalar filtros em cada residência!!!

Estranho é que órgãos do governo, que deveriam ter capacitação técnica para isso, informem ter realizado “estudos internos” sobre tema tão complexo sem a participação das empresas (emissoras e operadoras), a quem caberá colocar tudo em funcionamento. Que estudos tão sigilosos teriam sido esses?

Bem, não vamos ficar aqui pensando no pior. Só imaginar algo mais ineficiente do que o 3G já provoca calafrios.

Tem japonês no samba…

8K TV

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O título acima foi inspirado pelo programa Ciência & Tecnologia, exibido ontem (segunda-feira) na Globo News. A reportagem mostra como está o desenvolvimento da tecnologia de vídeo 8K e o trabalho realizado por técnicos da emissora japonesa NHK, pioneira no setor, durante o último carnaval, no Rio. Uma equipe veio do Japão com câmeras, monitores e demais equipamentos, para registrar as coloridas imagens do desfile. O material, que pôde ser visto por profissionais da TV Globo ali mesmo, no sambódromo (onde foi instalado um TV gigantesco), servirá de base para os testes que a NHK está fazendo com o padrão 8K, que lá no Japão é chamado Super HiVision.

Já comentamos o assunto aqui algumas vezes, mas que eu saiba esta é a primeira vez que algo do gênero é levado ao ar no Brasil (quem não viu pode assistir no site da Globo News). É interessante observar como os japoneses, pra variar, estão avançados nesse campo. Foi a NHK que inventou a TV de alta definição, nos anos 80, fruto dos estudos que a emissora começou ainda nos anos 60. Em 1964, fizeram a primeira transmissão ao vivo de um grande evento: a Olimpíada de Tóquio. E não pararam mais. Detalhes a respeito podem ser vistos neste site.

Pode ser até que tenhamos uma surpresa no ano que vem, durante a Copa do Mundo, como aconteceu com os ingleses durante a Olimpíada de Londres, ano passado: imagens dos jogos em 8K sendo transmitidas para salas de cinema espalhadas pelo país. Se isso ocorrer, e levando em conta a situação dos estádios e da infraestrutura de acesso a eles, meu palpite é que será muito melhor assistir numa dessas salas.

Amigos, pra quê vos quero?

É uma cena cada vez mais comum. Dois amigos, sem se ver há tempos, se reencontram:

– E aí, você não está no Facebook?

– Não.

– Como? Quer se isolar do mundo?

– Não, é que lá só tem exibicionista.

– E daí, deixa pra lá. Deleta. Você não é obrigado a ver tudo que as pessoas falam…

– E tem os recalcados, e os depressivos, os desocupados, estes então, como tem! Tô afim não, tenho mais o que fazer.

– O quê, por exemplo?

– Sei lá, ler, ver TV, ir ao cinema. Até ficar sem fazer nada.

– Que é isso, rapaz? Tem que estar lá, se não, como é que as pessoas vão te achar? E digo mais: tem que ter conta também no Twitter, Linked In, Google+. Vai dizer que você nunca entrou no YouTube?

– Já, achei um saco aquelas imagens fora de foco. Prefiro um filminho no DVD.

– DVD? Você ainda usa isso? Sabia que existe o download?

– Down o quê?

– Download, você escolhe o filme e assiste na hora, de graça. Acabou esse papo de ir na locadora…

– De graça?

– Pois é, e na hora. O filme nem saiu ainda no cinema e já está lá, com legenda e tudo.

– Sério?

– Pôxa, acho que finalmente você está se convencendo.

– Eu? Sei não…

– Olha só, tá aqui no meu tablet. É só clicar e assistir.

– Assistir filme nessa telinha aí? Tô fora!

– Vamos lá, amigão. Conhece o Instagram?

Pois é, diálogo imaginário, mas perfeitamente adequado aos dias que vivemos. Diálogo entre dois radicais: aquele que só enxerga o mundo pelos filtros da tecnologia, e o outro, que descrê de tudo e acha que nas redes só estão os exibicionistas etc. etc. etc. Claro, nunca vão chegar a um acordo. Como um árabe diante de um judeu, ou um tucano com um petista, e vice-versa, cada um só consegue ver o próprio lado, desconhecendo meios-termos, nuances e implicações que estão na gênese de todo relacionamento humano.

Quase todo dia, encontro um dos dois, pessoal ou virtualmente, e confesso que cada vez tenho menos paciência para ouvir seus discursos. Fazem lembrar o que se dizia décadas atrás, que a televisão incentiva a violência, a imoralidade e tantos outros males do mundo atual. Depois, essa “culpa” foi transferida aos videogames, e agora à internet. Quem será o próximo suspeito? O papa? Aliás,  Sua Santidade (não é assim que o chamam, com maiúsculas?) esteve perto de levar a um novo conflito mundial, entre os contra e os a favor de sua renúncia.

Apesar de tanta bobagem dita e escrita em nome de dona web, não vou (pelo menos por enquanto) fazer como minha colega Julia Angwin, que acaba de tomar uma drástica decisão: deletou todos os seus 666 amigos do Facebook! Premiada repórter (e a tual editora de tecnologia) do jornal The Wall Street Journal, Julia tem em seu currículo uma fantástica série de reportagens sobre privacidade online, publicada no ano passado, em que revela detalhes espantosos sobre como o governo e uma série de empresas monitoram, roubam, manipulam e até vendem dados confidenciais de usuários da internet. Julia confessa que sentiu um alívio ao decidir se afastar de tantos amigos virtuais. Vale a pena pensar no texto que escreveu explicando por que o fez:

“Na última segunda-feira, eu tinha 666 amigos no Facebook. Hoje, não tenho nenhum.

Quando entrei no Facebook, gostei de encontrar o professor de matemática que tanto me inspirou, ou a garota que roubou meu namorado na faculdade. Gostava de manter contato com o jornalista paquistanês que certa vez veio me visitar para falar sobre um trabalho escolar.

Mas, com o tempo, o Facebook perdeu minha confiança, ao me impedir de manter em sigilo os nomes de meus amigos. Como jornalista, preciso proteger minhas fontes. E, como ser humano, prefiro não ter alguém escondido que me observa toda vez que tenho contato com algum amigo. 

A princípio, tentei praticar a privacidade discretamente. Aceitei todos os pedidos de amizade (até mesmo de alguns chatos), na esperança de que meus verdadeiros relacionamentos poderiam ser mantidos em privado, entre tantos deles que são falsos. 

Mas me descobri pré-censurando todos os meus comentários, quando tentava escrever para um grupo incrivelmente diversificado de pessoas, que incluía meu chefe, minhas fontes, os pais dos amigos dos meus filhos e até estranhos que conheci do Brasil. Percebi que esse modo de agir havia anulado minha capacidade de ter um relacionamento verdadeiro com qualquer pessoa através do Facebook.

No entanto, ainda não estava totalmente preparada para sair. Ainda queria poder encontrar pessoas e ser encontrada por outras. Então, esta semana decidi deletar todo mundo e manter apenas um perfil básico no Facebook. Foi difícil. Me senti péssima ao tentar deletar um antigo colega de escola e a página do meu próximo encontro de ex-alunos do colégio.

Acabei tendo que pagar a um amigo de verdade para que ele viesse aqui e clicasse no botão “desfazer amizade” por mim. Várias e várias vezes. Demorou sete horas, mas sinto que tirei um enorme peso das costas.

Para aqueles que foram deletados, peço desculpas. Pode parecer estranho, mas na verdade estou tentando proteger nossa capacidade de ter um relacionamento verdadeiro, sem um monte de gente escondida olhando.”

O texto original pode ser lido aqui. Seja como for, dá o que pensar. Ou não?

As melhores fotos do ano

Saiu esta semana a lista dos ganhadores do World Press Photo Awards, mais importante prêmio mundial de fotos jornalísticas. Separei aqui as vinte melhores, escolhidas por um júri internacional de especialistas na matéria. Claro, como sempre nessas votações, há coisas esquisitas, talvez até alguma politicagem e certamente muita foto boa que ficou de fora. Normal. Mas isso não desmerece os prêmios. Nem anula o fato de que uma boa imagem – além de valer mais do que mil palavras – carrega fortes doses de emoção, além da preciosidade técnica. Nem todas são “bonitas”, no sentido que a maioria das pessoas adota, mas todas são, cada uma em seu estilo, imperdíveis. Retratam muito do mundo que o bicho homem está construindo para si mesmo e para seus filhos. Apreciem sem moderacão, com o nome do fotógrafo (em negrito), seu país e a data da publicação (quem quiser ver as fotos em alta resolução pode acessar o site da revista Time):

1 paul

Paul Hansen, EUA (20/11) – Na Faixa de Gaza, palestinos carregam corpos de crianças mortas, após ataque de um míssil israelense. Eleita a “Foto do Ano”.

 

 

 

 

2 DominicDominic Nahr, Suíça (17/04) – Corpo de um soldado boiando num lago cheio de óleo, após ataque dos rebeldes no Sudão.

 

 

 

 

. ALESSIO ROMENZIAlessio Romenzi, Itália (14/02) – Criança chorando sobre o corpo do pai, morto pelas milícias que apoiam o governo da Síria. Ganhadora do prêmio principal na categoria “Assuntos Gerais”.

 

 

 

4 EminEmin Özmen, Turquia (31/07) – Informante do governo sírio é torturado por rebeldes, na cidade de Aleppo.

 

 

 

 

 

Battle to DeathFabio Bucciarelli, Itália (10/10) – Rebelde num beco de Aleppo, em combate contra as forças do ditador Assad.

 

 

 

 

 

6 RodrigoRodrigo Abd, Argentina (10/03) – Mulher ferida chora a morte do marido e dos dois filhos, após sua casa ser destruída pelo exército sírio.

 

 

 

 

Japan Prepares To Mark One Year Anniversary Of Earthquake And TsunamiDaniel Berehulak, Austrália (07/03) – Um ano após o tsunami, raiz de uma árvore arrancada pelas águas é levada pelas ondas.

 

 

 

 

8 WeiWei Seng Chen, Malásia (12/02) – Jovem com os pés atados a dois bois atravessa a lama, numa popular competição na Indonésia. Primeiro prêmio na categoria “Esportes”.

 

 

 

 

Olympic Games 2012 Fencing Men's Foil Individual

 

Sergei Ilnitsky, Russia (31/07) – Na Olimpíada de Londres, detalhe de uma luta de esgrima.

 

 

 

 

 

 

 

Woman basketball MogadishuJan Grarup, Dinamarca (21/02) – Soldado protege mulheres que jogam basquete na Somália, onde radicais muçulmanos proíbe o esporte feminino.

 

 

 

 

11 MicahMicah Albert, EUA (03/04) – Catadora de lixo descansa enquanto lê uma revista que encontrou numa favela de Nairobi (Quênia).

 

 

 

 

The Pink ChoiceMaika Elan, Vietnam (22/06) – Casal de mulheres gays descansa num bairro pobre de Da Nang, Vietnam, onde esse tipo de relacionamento é proibido.

 

 

 

 

13 Soren

 

Soren Bidstrup, Dinamarca (08/07) – Mulher no banheiro e filhos num acampamento em Jeselo, Itália.

 

 

 

 

 

14 FaustoFausto Podavini, Itália (01/06) – Espelho reflete mulher que há seis anos cuida do marido, vítima de Alzheimer, em Roma. Primeiro prêmio na categoria “Histórias da Vida Diária”.

 

 

 

 

15 Ilona

 

Ilona Szwarc, Polônia (19/02) – Garota posa com sua boneca em frente a retrato dos pais, em Boston, EUA.

 

 

 

 

 

 

 

MartinAmanda van der Pluijm, Holanda (15/02) – Jovem de 18 anos, sem trabalho nem estudo, esconde o rosto em Tilburg, Holanda.

 

 

 

 

Portrait of Ai Wei WeiStefen Chow, Malásia (06/02) – O artista plástico chinês Ai Weiwei posa com seu celular, em Pequim.

 

 

 

 

 

 

 

 

18 StephanStephan Vanfleteren, Bélgica (17/10) – Mulher com pescoço inchado (suspeita de tumor), à espera de tratamento médico numa comunidade de Conakry, Guiné, um dos países mais pobres do mundo. Prêmio principal na categoria “Retratos Posados”.

 

 

 

 

 

 

 

19 ChristianChristian Ziegler, Alemanha (16/11) – Ave da raça Casuar (semelhante ao peru) apanha frutas com seu enorme bico, no interior da Austrália.

 

 

 

 

Emperor penguinsPaul Nicklen, Canadá (18/11) – Pingüins da raça Imperador se alimentam no Mar de Ross, Antártica. Esta foto ganhou o prêmio principal na categoria “Natureza”.

 

 

 

Previsões, só sobre o passado!

predictionsNa hora de “limpar” o computador, é mais ou menos como fuçar em gavetas antigas: acaba saindo cada coisa… Durante o Carnaval, me surpreendi ao encontrar, esquecidos, artigos e notícias que guardei pensando que um dia poderiam me servir. Claro, a maioria foi para a lixeira. Alguns textos, no entanto, dão o que pensar. Vejam esta peróla, que saiu no excelente site Tela Viva no dia 26 de abril de 2011: “‘IPTV não tem futuro’, sentencia Accenture”.

Era a opinião de um executivo dessa empresa, especialista em consultoria e estudos de mercado, falando num evento sobre Tecnologia de Redes. Disse ele, textualmente: “O IPTV não tem espaço no futuro. Na Accenture não aconselhamos nenhuma operadora a seguir este caminho, pois ele simplesmente não vingará.”

Não sei se agora, quase dois anos depois, o tal consultor mudou de ideia. Digo agora, quando nove entre dez empresas da área de tecnologia já lançaram, ou estão desenvolvendo, serviços híbridos de TV+internet, identificados genericamente pela sigla IPTV. Estarão todas elas jogando dinheiro fora, como o executivo então aconselhava a seus clientes?

Claro que não é justo generalizar? Mas, ao (re)ler essa notícia me lembrei de um velho amigo, grande empresário brasileiro, que dizia: “Comecei do nada e construí tudo com muito esforço. Além disso, pago ótimos salários a excelentes executivos, que ajudam a manter minha empresa crescendo, investindo e gerando empregos. Não posso aceitar que um consultor, ainda mais alguém que nunca dirigiu um negócio próprio, venha aqui me dizer como tenho que administrar o meu.”

Lembrei também da frase do grande físico dinamarquês Niels Bohr, Prêmio Nobel em 1922: “Fazer previsões é muito difícil, especialmente se for sobre o futuro.”

Novo marco em qualidade de áudio?

AUDIOQUEST DRAGONFLY USB DACUm dos maiores dilemas, hoje, para quem gosta de ouvir música com boa resolução é: continuar adquirindo CDs (ou LPs, que voltaram à moda), ou contentar-se com as limitações do MP3, ainda que estas tenham sido minimizadas ultimamente. O uso das mídias físicas, como já foi tantas vezes comentado, envolve bons players, cada vez mais raros, sem falar no custo dos discos. Já os downloads, muito mais práticos e baratos, acabam esbarrando na questão da resolução de áudio, que é agravada quando se usa um player que não foi feito para reproduzir música (um computador, por exemplo).

Não sei se é exagero, mas li recentemente vários sites internacionais elogiarem um produto chamado Dragonfly, lançado no ano passado pela AudioQuest, um dos principais fabricantes de cabos e conectores dos EUA. O prestigiado Robert Harley, por exemplo, papa do áudio high-end, adorou a solução: um conversor DAC (digital para analógico) na forma de pen-drive, com conector USB. Segundo ele, o acessório utiliza chips avançados (foto abaixo) e componentes high-end. Harley fez inclusive o teste comparativo, usando um conversor externo de alto padrão (leia aqui seu comentário publicado na revista The Absolute Sound).

dragonfly por dentro

 

 

O conversor USB (é assim que o fabricante denomina: Dragonfly USB DAC) pode ser usado com fone de ouvido ou com sistema de áudio estéreo. Nos dois casos, a vantagem é que basta plugá-lo na saída USB do computador para ouvir suas músicas com qualidade bem superior àquela a que você está acostumado. Só há uma restrição: não é compatível com arquivos acima de 96kHz; nesse caso, o conversor “informa” ao computador esse, digamos, pequeno detalhe e o PC faz o que se chama downsample, reduzindo a frequência para 96. É provável que a AudioQuest esteja preparando uma nova versão, corrigindo essa deficiência.

Eu disse “deficiência”? Bem, pelo que li, quando se compara o som obtido dessa forma com o que normalmente sai dos computadores, o ganho é expressivo. Ainda mais considerando que o preço final do Dragonfly no mercado americano está em US$ 249. Para quem quiser saber mais, este vídeo dá detalhes sobre o funcionamento do bichinho.

Em tempo: o distribuidor da AudioQuest no Brasil é a Som Maior.