Archive | março, 2013

A volta da velha Olivetti

olivettiPara quem sempre ganhou a vida digitando (antes se dizia “datilografando”), não deixa de ser nostálgico noticiar a volta da Olivetti. Podia jurar que essa marca estava morta e enterrada, desde que seu produto mais famoso, a máquina de escrever, foi atropelado pelo computador. Alguém se lembra? Foi na virada dos anos 80 para os 90, quando vários outros símbolos do “mundo moderno”, como se dizia até então, foram para o mesmo ralo – assim, de relance, me vêm à cabeça o telefone (aquele preto, fixo, com disco, de onde veio a expressão “discar”), o LP e o telex.

Bem, a volta da Olivetti pode até ser saudada por seus admiradores (aposto que todos anciãos), mas nada tem a ver com aquelas relíquias. A empresa se uniu à mineira Microboard para produzir tablets de baixo custo, em dois tamanhos (7,8 e 9 polegadas) e tentar competir com a poderosíssima Positivo. E não havia desaparecido, longe disso, tem estado ativíssima na produção de modems 3G, vendidos a operadoras como a Oi, e parte agora para o segmento de 4G. Li tudo isso no site Convergência Digital, que entrevistou o diretor executivo da Olivetti, Gino Santoro. Ele se diz animado com esse negócio, considerando que são justamente os tablets baratos (na faixa de R$ 800) os mais vendidos atualmente no Brasil.

Ou seja, é mais uma empresa que “descobre” as maravilhas de vender para a classe C. E que, ao contrário de tantas outras mundo afora, soube se reinventar (hoje pertence ao grupo Telecom Italia, mais conhecido como Tim).

Como ex-usuário, só posso dizer: Viva a Olivetti! E tenho certeza que falo em nome de milhões de outros da minha geração que já tiveram uma igualzinha a essa da foto. Aliás, uma historinha que me contaram recentemente dá ideia do fascínio que essas máquinas exerciam sobre nós. Um garoto da geração millenium, que praticamente já nasceu com um computador no berço, ao ver pela primeira vez seu avô escrevendo numa Olivetti, comentou: “Que da hora… um computador que já vem com impressora dentro!”

Em busca de edifícios eficientes

Embora esteja na moda, o conceito de sustentabilidade ainda funciona, para muitas empresas, mais como marketing do que qualquer outra coisa. Mas, se há um setor em que essa questão é levada a sério, trata-se da construção civil. O motivo é que edificações sustentáveis – leia-se: que procuram aproveitar ao máximo os recursos naturais – acabam saindo mais barato para quem constroi. Trabalhar com madeira de demolição, por exemplo, custa bem menos do que encomendar madeira nova. Pelo menos, é o que me dizem construtores e arquitetos que conheço.

Para quem quiser se aprofundar no assunto, uma boa oportunidade acontece nesta terça-feira em Belo Horizonte. A Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) organiza na capital mineira o seminário “Automação para Edificações Eficientes”, cujo foco é justamente o uso da tecnologia para atingir graus mais elevados de eficiência energética. O seminário é gratuito e dura o dia inteiro; faz parte da série que a entidade programou para este ano em várias cidades do país (já há outros agendados para cinco capitais).

Mais informações estão no site www.aureside.org.br.

O problema é “aquela senhora”

“Aquela senhora está tornando impossível investir no Brasil”.

A frase é de Jim Rogers, americano conhecido no mundo das finanças como um dos maiores investidores do mundo (já foi sócio do famoso George Soros). Rogers investiu bastante aqui, mas decidiu sair diante da política (ou falta de) do governo Dilma em relação aos capitais externos. Sua entrevista está no site do Estadão.

Como não sou investidor, não tenho condições de avaliar se esse senhor tem razão ou não. Mas, a julgar pelas decisões que o governo vem tomando em áreas estratégicas (tecnologia, energia, transportes, indústria), há bons motivos para crer que sim. A situação é tão confusa que as críticas agora saem de dentro do próprio governo. Primeiro, foi o empresário Jorge Gerdau, que chamou de “burrice” e  “irresponsabilidade” a criação de tantos ministérios (para agradar seus aliados políticos, Dilma não consegue imaginar outra saída: acaba de aprovar o Ministério da Pequena e Microempresa, chegando assim ao recorde histórico de 39 ministérios).

Gerdau, para quem não sabe, é um dos empresários mais respeitados do país e aceitou, sem remuneração, o convite para o cargo de presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência. Aparentemente, é só fachada, pois o próprio Gerdau revela que já deu suas opiniões a Dilma mas ela não as aceita. Faz lembrar uma velha frase da política brasileira, se não me engano criada por Tancredo Neves: “Quando não se quer resolver um problema, forma-se uma comissão para estudá-lo.”

Esta semana, mais um integrante do governo saiu a criticá-lo. Henrique Miguel, coordenador da área de microeletrônica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, ao falar sobre o PPB (Processo Produtivo Básico), essa polêmica invenção da burocracia brasileira, admitiu que o governo não consegue  atuar com a agilidade de que o país precisa. “Todos os órgãos de governo têm que estar alinhados com a política, senão deixa de ser uma política de governo e de Estado”, comentou Miguel. “O problema é que, de forma pragmática, nos últimos anos, não tivemos esse alinhamento. Tem órgãos de governo que querem arrecadar, e tem os que querem promover o desenvolvimento científico e tecnológico. E cada um fica no seu papel.”

Henrique Miguel confessou que muitas vezes o governo não consegue administrar os conflitos entre setores da economia e acaba retardando as decisões, como estamos vendo – acrescento – nos casos do Programa Nacional de Banda Larga e da implantação das redes de celular 4G. Tudo isso acontece basicamente por dois motivos: a) o governo não tem competência para formular políticas de médio e longo prazo, e isso é visível em praticamente todos os departamentos, das telecomunicações ao petróleo, das PPPs ao câmbio; e b) dona Dilma, tida como “gerentona”, cada vez mais se mostra intratável e autoritária nas questões de administração pública.

Se Lula, por nada entender do assunto, delegava alegremente as decisões enquanto curtia suas infindáveis viagens internacionais, Dilma parece pensar que entende de tudo e, por isso, não deixa que ninguém decida. Como o PT armou um circo de alianças no qual as nomeações políticas são moeda valiosíssima, a maioria dos ministérios e órgãos da administração direta não tem capacidade, nem autonomia, para decidir coisa alguma que interesse ao país.

Nesse quadro, soa até ridícula a sugestão do empresário Nelson Wortsman, de se instituir no país um cargo de CTO (Chief Technology Officer), como existe, por exemplo, no governo Obama: um “superministro” focado nas questões de política industrial, científica e tecnológica, que faria os projetos andarem independentes dos ministérios políticos. Se existisse, o CTO brasileiro correria o risco de ser uma espécie de “nerd oficial”, um aspone que teria de pedir permissão a Dilma até para ligar o próprio computador.

Velhas mentiras reguladoras

Nunca pensei que um dia fosse preciso usar este espaço para rebater argumentos de políticos. Primeiro, porque acho que a maioria deles (digo, quase todos) não merecem respeito. Segundo, porque, afinal, quem sou eu diante de suas excelências? Um reles trabalhador, cidadão e contribuinte, a quem essa gente dedica o maior desprezo, a não ser na hora de pedir votos. Duvido muito que leiam o que escrevo.

Mesmo assim, vou fazê-lo. E já esclareço desde logo: a desfaçatez e a hipocrisia dessas pessoas me causam nojo! Foi o sentimento que me ocorreu ao ler, semana passada, artigo do ex-ministro e deputado José Dirceu sobre as agências reguladoras, publicado em O Globo (a íntegra está aqui). Nem sei se o texto é realmente dele, que deve ter bons assessores para isso. Mas o fato é que trata-se de uma coleção deslavada de mentiras e falácias, que me irritaram profundamente.

A começar da primeira linha, que anuncia uma novidade: o governo federal estaria pensando em “transformar a defesa do consumidor em uma política de Estado”. Se essa política for do nível das que temos hoje, por exemplo, nas áreas de saúde, educação, segurança, impostos, infraestrutura, esportes e tantas coisas mais, é bom os consumidores ficarem preocupados. Uma das medidas seria a reestruturação das agências reguladoras, vejam só.

Não sei até que ponto Dirceu fala em nome do governo, já que não ocupa cargo oficial; ao contrário, está condenado pelo Supremo Tribunal Federal e pode ser preso a qualquer momento. De qualquer modo, segundo ele, estudam-se novos regulamentos e instrumentos legais para “premiar boas práticas e penalizar de forma mais rígida aqueles que descumprirem contratos e prejudicarem os usuários”. Pode-se deduzir que enfim descobriram de quem é a culpa por todos os males em telefonia, aviação, petróleo, transportes e demais setores que possuem uma agência dessas: das próprias.

Numa linha de argumentação até enfadonha, de tanto que já foi repetida pelo PT, especialmente em época de eleição, Dirceu diz que as agências reguladoras foram criadas durante o governo FHC “e, portanto, intimamente ligadas ao contexto das privatizações”; e que por muito tempo ficaram “relegadas a um papel meramente decorativo”; e que “somente a partir do governo Lula passaram a exercer suas atribuições”. Ou seja, num só parágrafo uma falácia e duas falsidades que só podem iludir alguém muito desinformado – não consigo duvidar de que seja essa mesma a intenção. Combina com o já famoso “nunca antes neste país”, hoje tão ridicularizado pelos fatos.

A falácia consiste em insinuar, pela enésima vez, que as privatizações foram um grande mal quando, na verdade, foram o que salvou o país, numa época em que praticamente todas as empresas estatais estavam quebradas. Quem as quebrou? Políticos como José Sarney, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Leonel Brizola, ACM, Fernando Collor, Renan Calheiros, Edison Lobão e outros do mesmo calibre, que mandavam em seus estados e/ou dominavam feudos em áreas como telecom, transportes, energia, saúde, previdência etc., sem falar nos bancos públicos.

Na conta das falsidades – matéria em que Dirceu e sua turma são mestres, como se sabe – podem-se incluir suas afirmações sobre as origens das agências reguladoras. Já tratamos do tema neste comentário. A ideia central de uma agência reguladora é ser independente dos governos e da política partidária (no Brasil, é melhor dizer “politicagem”), criando e monitorando normas de conduta que promovam o desenvolvimento do setor onde atua. A meu ver, as agências brasileiras foram um dos maiores avanços do país nas últimas décadas, talvez tão importantes quanto o controle da inflação e a Lei da Responsabilidade Fiscal. Alguns dados que ajudam a entender essa importância estão neste artigo.

No entanto, e aí a segunda falsidade, ao assumir o poder o PT decidiu simplesmente tirá-las de cena; ou, como isso não podia ser feito na base da canetada, retirar-lhes os poderes e usá-las para acomodar grupos políticos. Foi assim com Anatel, ANP, Aneel, Anac. Todas perderam força, a ponto de termos assistido nesses setores, nos últimos anos, a escândalos e apagões que envergonharam o país. Dez anos depois de ter assumido, enfim o PT descobre que as agências reguladoras são importantes? E que não estão garantindo os direitos dos consumidores? E que precisam, como diz Dirceu, ser “fortalecidas em sua capacidade de fiscalização”? Dez anos depois?

Não parece tempo demais para sustentar tantas mentiras?

O fim de uma máfia brasileira

Se alguém acredita que o Brasil pode ser um país melhor, teve mais um motivo para festejar na semana passada. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que existe para garantir os princípios da concorrência comercial e da defesa do consumidor/contribuinte, condenou o Ecad (curiosamente duas siglas tão parecidas, e tão diferentes…) a multa de R$ 6,4 milhões. Para quem não sabe, o Ecad (Escritório Central de Arracadação e Distribuiçã0) é a entidade responsável pela cobrança de direitos autorais no país. Nada menos do que uma máfia que há décadas toma conta desse setor, beneficiando meia dúzia de apaniguados e prejudicando a esmagadora maioria dos autores, artistas e detentores de direitos.

Não estou exagerando. Dirigido literalmente por meia dúzia de pessoas, mais alguns representantes de “associações” que dizem representar produtores culturais, o Ecad rouba mensalmente milhões. E sempre contou, para isso, com a conivência de governos, tribunais e políticos. Seu lobby no Congresso Nacional ajudou a mudar leis em seu favor e a eleger todo tipo de delinquente. Agora, parece, a farra acabou. Às decisões do Cade não cabem recursos. Além da multa ao Ecad, também foram penalizadas (em R$ 5,3 milhões cada uma) as entidades que lhe dão suporte. E todos ficam imediatamente proibidos de continuar com suas práticas mafiosas, que os conselheiros do Cade definiram como “cartel”.

A lista de irregularidades é extensa. A decisão da semana passada deveu-se a uma entre muitas ações apresentadas contra o Ecad, por causa de seus critérios de arrecadação. No caso, foi uma iniciativa da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) contra uma aberração chamada blanket license (“licença de cobertor”): em vez de cobrar sobre a veiculação de uma música, os mafiosos estipularam uma taxa de 2,55% sobre o faturamento bruto de cada empresa. Na TV paga, a cobrança incide sobre todas as operadoras e programadoras que exibem ou licenciam videoclipes, filmes (onde são executadas músicas), shows etc. Quando se trata de uma emissora de rádio, idem: não há cobrança sobre cada música executada, mas uma taxa fixa sobre o faturamento da empresa, não importando se esta toca, digamos, somente canções gospel, rock dos anos 60, música erudita ou sucessos do momento.

O princípio da roubalheira é até fácil de entender. Na impossibilidade física de fiscalizar tudo que é veiculado e executado, o Ecad criou uma espécie de “cobrança por atacado”, que além de ser injusta – do ponto de vista financeiro – penaliza quem não merece. Vejam o caso de uma festa de casamento ou de formatura: o organizador pode tocar quantas e quais músicas quiser, ao vivo ou gravadas; não importa, a cobrança é fixa, com base no metro quadrado do local. Na outra ponta, o Ecad cobra de seus ingênuos associados (cantores, músicos, compositores, roteiristas, produtores) uma taxa mensal para fiscalizar o uso de suas obras. E lhes repassa valores que, supostamente, representariam a quantidade de execuções. Supostamente porque, segundo 99% desses profissionais, o que recebem é irrisório.

A ordem do Cade é que, a partir de agora, sejam definidos critérios de cobrança e pagamento com base na efetiva reprodução das obras de arte. A fiscalização terá de ser direta, comprovada e individualizada para cada música, filme etc. Isso vai mudar praticamente toda a cadeia de serviços, não apenas na TV por assinatura, mas na TV aberta (a Globo entrou no STF com ação semelhante), rádios, internet e todo o mercado de eventos. Como lembra o colega Samuel Possebon, do site Tela Viva, terá de ser criado “um novo ambiente de negociação para empresas de internet, sites de streaming de música, empresas de telefonia celular e ringtones, emissoras de televisão aberta, organizadores de espetáculos e eventos e até festas de casamento.”

Bem, nem tudo é otimismo. Os mafiosos certamente irão à Justiça, a única que pode reverter as decisões do Cade. Mas os tribunais estão repletos de ações contra essa maracutaia bem brasileira. E não há dúvida de que, por sua respeitabilidade, uma decisão do Cade inspira outras na mesma linha. A partir de agora, todas as pessoas e empresas que produzem ou utilizam obras artísticas ou culturais terá de respeitar e ser respeitado. É bom, e todo mundo gosta.

 

O encontro das pequenas e médias

Recebo com prazer o convite da NEOTV para seu encontro de 2013, que vai acontecer em São Paulo nos dias 23 a 25 de abril. Para quem ainda não está familiarizado, a NEOTV é a entidade que representa as pequenas e médias operadoras de TV por Assinatura de todo o país. A Expo e Congresso NEOTV vai reunir empresários e executivos do setor, numa feira com cerca de 50 expositores e palestras para aproximadamente 1.000 profissionais. Representa para essas empresas o mesmo que o encontro da ABTA, em agosto, tem de importância para as grandes operadoras e programadoras.

Na verdade, os dois segmentos caminham em paralelo e são igualmente responsáveis pela expansão da TV paga no Brasil nos últimos anos. Como comentamos na semana passada, são quase 17 milhões de famílias que hoje recebem esse serviço, contra 7,4 milhões em 2009; ou seja, em três anos, um crescimento de 130%, num país que avançou menos de 5% no mesmo período. Deve ser a maior expansão setorial da economia brasileira, puxada – é claro – pelo aumento do poder de compra da classe C. Notem que, nesses três anos, as vendas de televisores subiram “apenas” cerca de 50%, confirmando que a TV por assinatura era objeto de desejo de muita gente.

E, observando as estatísticas da Anatel, fica claro que esse crescimento se dá principalmente nas pequenas e médias cidades do interior, com ênfase em estados como Goiás, Mato Grosso, Bahia e Pernambuco. É justamente onde atuam muitas das filiadas à NEOTV. São empresas sem a estrutura de uma Net ou Sky, mas com capital para investir e levar a TV paga a locais hoje esquecidos pelo mercado. Mais do que isso: nos últimos anos, a entidade vem sendo procurada também por ISPs, as operadoras de banda larga que atuam em escala ainda mais micro. Querem unificar seus serviços para oferecer pacotes melhores a famílias que penam com conexões precárias.

No evento da NEOTV, esses pequenos e médios empreendedores com certeza terão muito para ver. E aprender com as novas tecnologias.

Quem é vivo sempre aprende

logoexpert
Nesta segunda-feira 25, começamos mais uma série de encontros técnicos dentro do Programa de Certificação Home Expert, que se estenderá por todo o ano. Com patrocínio de quatro empresas (Cabos Golden, Controllar, Epson e Yamaha) e apoio de duas respeitadas entidades do setor de tecnologia – Aureside, de automação residencial, e SET, que representa os profissionais de televisão -, entramos no terceiro ano do Programa, que em 2011 e 2012 formou 64 integradores.

Já comentamos aqui, mas nunca é demais repetir, que esse tipo de iniciativa, infelizmente rara no Brasil, é fundamental para a evolução do mercado. Se em todas as áreas da atividade humana o aprendizado contínuo é importante, para quem trabalha com tecnologia é algo obrigatório. A velocidade das mudanças às vezes deixa o profissional em situação constrangedora, inclusive diante de clientes, o que pode ser fatal. Começamos a promover eventos técnicos no já distante ano de 1998, e desde então vimos diversas empresas nascerem e morrerem por não conseguir se atualizar tecnologicamente. Mais do que isso, as mudanças de comportamento do usuário, hoje mais exigente do que nunca, impõem que o profissional se atualize também do ponto de vista do relacionamento, adotando novas técnicas de venda e pós-venda.

Foi por isso que decidimos abranger no Programa de Certificação Home Expert não apenas as especialidades técnicas, mas também as de caráter mercadológico. A ideia é que o profissional, ao fim do curso, tenha uma visão global do mercado, seja para conduzir um negócio próprio ou para obter colocação numa empresa já estabelecida, seja para atuar no varejo, num laboratório ou “em campo”. Em paralelo, trabalhamos para que o consumidor passe a enxergar de outra forma o trabalho de projetar e instalar sistemas eletrônicos, especialmente quando estes envolvem alta tecnologia. O profissional certificado como “Home Expert” terá de ser capaz de dar respostas concretas e bem embasadas a seus clientes, e estes precisarão reconhecer sua especialização pagando não apenas pelos produtos, mas pelos serviços.

A quem ainda não está informado, sugiro uma visita ao site Home Expert para ver quanto já caminhamos desde a primeira aula, dois anos atrás. E, aos profissionais do setor, a dica só pode ser esta: venham aprender!

TV 4K, mais caro ainda

samsung_110-inch_610x466A Samsung USA surpreendeu seus revendedores esta semana ao anunciar que o TV 4K de 85 polegadas que irá lançar nos próximos meses terá preço sugerido de US$ 39.999. Será, de longe, o modelo mais caro do mercado internacional, superando os dois 4K já lançados, ambos de 84″: o da LG (modelo 84LM9600) está sendo vendido por US$ 19.999 e o da Sony (KD-84X9000), por US$ 25.000; no Brasil, ambos custam, respectivamente, R$ 45.000 e R$ 100.000.

A Samsung do Brasil prometeu o TV 4K (mod. 85S9) para o segundo semestre e, é claro, ainda não divulgou qual será o preço (imagino que seus executivos nem saibam…). A explicação para custar tão mais caro que os concorrentes, além da polegada a mais, está na configuração interna do aparelho. Além do design completamente fora do convencional (vejam na foto), a própria concepção parece diferente. Para essa nova geração de TVs, a Samsung desenvolveu processadores novos, categoria quad-core (quatro núcleos), com frequência de 1,35GHz, capazes de trabalhar com sinais 3D em alta definição (1.920 x 1.080 pixels) e 2D em 3.840 x 2.160 e dar conta de várias fontes de sinal ligadas simultaneamente ao TV.

Outra diferença importante está no painel de backlight: será do tipo Local-Dimming, com leds espalhados por toda a superfície interna do painel, e não Edge-Lit, em que os leds são montados apenas nas bordas (como nos modelos LG e Sony). Para reprodução de áudio, o TV Samsung terá 6 alto-falantes embutidos em configuração 2.2 canais.

Segundo o site americano CNet, a Samsung também já tem preparados modelos 4K de 95 e 110 polegadas, que por sinal foram mostrados na última CES. Quanto custarão?

TV paga ganha, mas também perde

canais pagosA edição de abril da revista Tela Viva vai mostrar um levantamento detalhado sobre a audiência na TV por assinatura brasileira em 2012. E a conclusão mais importante é que, embora continuem crescendo em número de telespectadores, os canais pagos estão perdendo audiência. Aliás, a TV aberta sofre do mesmo problema já há alguns anos. Só que agora, além de concorrer com a TV fechada, enfrenta também a competição das chamadas “novas mídias”, um amplo guarda-chuva onde cabem todos os tipos de entretenimento digital disponíveis ao distinto público.

Diz o relatório que a audiência média dos canais fechados, das 6hs às 24hs, foi de 14,09 pontos no ano passado, contra 14,58 em 2011 (cada ponto equivale a 1% dos total de domicílios que pagam uma assinatura, 16,7 milhões em fevereiro, segundo a Anatel). Não é uma queda significativa, mas é uma queda. Executivos das operadoras e programadoras apontam como “vilões” a febre dos videogames, as redes sociais e o acesso à internet via aparelhos móveis. “Estamos nos preparando para ter uma oferta completa de conteúdo em outras plataformas, como video-on-demand”, disse à revista o diretor-geral da Discovery no Brasil, Fernando Medin, admitindo que cada canal precisa tomar suas providências para não perder público.

Mas o estudo da Tela Viva vai além. Mostra, por exemplo, que caiu muito a audiência das emissoras abertas entre os usuários de TV paga. Em 2008, 72,54% deles usavam suas assinaturas simplesmente para ter melhor recepção, e continuavam presos ao velho hábito de ver Globo, SBT etc. Quatro anos depois, o número caiu para 66,29%, mostrando que a programação da TV fechada está sendo mais atraente. Outra evidência disso é que, pela primeira vez, um canal de TV paga (Fox) obteve audiência média maior, ao longo do ano, do que uma rede aberta (RedeTV!). Neste caso específico, a amostra refere-se apenas ao público entre 18 e 45 anos e ao horário nobre (das 18hs às 24hs).

Confesso que esses 66% para mim ainda são um índice alto. Isso tem a ver, certamente, com a chamada “nova audiência”, a grande quantidade de famílias que entraram para a TV paga nos últimos dois ou três anos. São pessoas com hábitos de TV aberta e que ainda não descobriram o que a TV fechada oferece.

Interessante notar também que, pelos critérios de medição de audiência, a soma dos pontos obtidos por todos os canais pagos (4,75, ou cerca de 760 mil telespectadores/dia) só não é maior que a da Globo (5,57). Ou seja, tem mais gente assistindo Fox, TNT, SporTV etc. do que Record, SBT, Band… Não deixa de ser um bom sinal, dada a “qualidade” da programação dessas redes.

Em breve, vamos analisar melhor essa pesquisa. Aguardem.

Rumo à Disney… oops! à Infocomm

Patricia Marega, do Consulado do EUA em São Paulo, me informa que já está sendo organizada a delegação brasileira para ir à Infocomm, em junho. O evento será em Orlando, que é para onde vão nove entre cada dez turistas brasileiros. Daí porque pode ser uma boa opção de viagem para profissionais brasileiros, ou mesmo quem não é profissional mas gosta (muito) de tecnologia: visitar um dos eventos mais legais do planeta e aproveitar para (re)encontrar Mickey e sua turma.

Este ano, a Infocomm acontece entre os dias 12 e 14 de junho, e a agência de viagens Packtour, credenciada pelo Consulado, é quem está organizando os grupos. Além de custos mais camaradas, há a vantagem de se poder programar encontros de negócios com empresas americanas, com apoio do governo, via Consulado.

Para quem nunca foi, o que posso dizer sobre a Infocomm é que lá costumam se reunir os maiores fabricantes de equipamentos de áudio e vídeo do planeta. Só que, ao contrário da CES e da IFA, os produtos exibidos são de uso profissional: sistemas de projeção para teatros, cinemas, eventos etc.; redes para videoconferência; telas e projetores dos mais variados tipos e tamanhos; áudio para eventos, shows, auditórios; tecnologia para escolas e treinamento. Além disso, a Infocomm organiza cursos gratuitos para profissionais, alguns deles inclusive em português.

Quem quiser saber mais detalhes pode entrar no site da Packtour, ou ligar para (11) 5533-6673.

Números (quase sempre) não mentem

buy tvNão me lembro de ter visto estudo tão abrangente sobre o mercado brasileiro de equipamentos eletrônicos quanto o divulgado na semana passada pela CVA Solutions. A empresa, subsidiária da americana CVM Inc., informa ter ouvido 7.090 pessoas em todo o país, para saber suas preferências e hábitos em relação aos TVs (nos próximos meses, devem sair pesquisas semelhantes para computadores e TV por assinatura). Uma das conclusões: entre 37 produtos ou serviços analisados, o televisor ocupa um honroso 7° lugar no grau de satisfação dos consumidores. Para efeito de comparação, o forno de microondas é o produto que mais agrada a maioria, independente de marcas, e os serviços de banda larga são os de pior avaliação.

O levantamento da CVA se baseia numa metodologia criada pelo americano Ray Kordupleski, que em 1996 desenvolveu o conceito de “valor percebido” pelo usuário no uso de produtos e serviços. Os questionários procuram avaliar até que ponto o entrevistado está satisfeito com a compra que fez; se recomendaria o mesmo a outras pessoas; e se, numa futura aquisição, optaria pela mesma marca. Essas decisões, é claro, são influenciadas não apenas pela qualidade do produto em si, mas também por fatores agregados. No caso dos TVs, as perguntas envolvem facilidade de uso, design, durabilidade, assistência técnica, as tecnologias embutidas no aparelho, a utilidade do manual de instruções e um item menos palpável: o grau de orgulho que a pessoa sente em possuir aquele modelo, e que pode levar a recomendações para outros consumidores.

Tudo isso somado, chega-se à “percepção de valor”, que tem a ver ainda com o preço que foi pago, de onde nasce o outro conceito apurado pela pesquisa: o custo-benefício. “Produtos da linha branca, por exemplo, são sempre muito bem avaliados”, explica Sandro Cimatti, diretor da CVA, que realiza pesquisas desse tipo para diversos setores da indústria, comércio e serviços. “A maioria das pessoas avalia que são produtos de longa durabilidade e que raramente dão defeito. Já nos TVs, a percepção é diferente porque a tecnologia avança muito rapidamente.”

A pesquisa confirma o crescimento da preferência por TVs de tela fina, só que apresentando números a respeito. Em 2010, quando foi feito o primeiro levantamento do gênero, esses aparelhos estavam nas casas de 28,9% dos entrevistados; agora, a participação subiu para 79,2%. Mais: cada família brasileira, a julgar pela amostragem de 7 mil entrevistados, possui atualmente, em média, 2,6 televisores; 69% deles trocaram de TV nos últimos três anos (27% nos últimos doze meses); e 35,6% compraram pela internet. São, portanto, cerca de 5.600 lares com TV de plasma ou LCD e, destes, 30% já adotaram um modelo smart, embora utilizem muito pouco esse recurso. E 95% afirmam que seu próximo TV será Full-HD.

Em relação às marcas, o estudo confirma que a Samsung lidera o mercado com 25,8% das respostas, seguida de perto pela LG (24,3%), depois Philips (15,1%) e Sony (14,4%). Em 2010, a LG liderava com 28,6% e a Samsung tinha 22,4%, mas chama atenção o crescimento da Sony, que tinha apenas 9,2%. A marca japonesa é a mais citada quando é feita a pergunta: “Qual é, na sua opinião, o melhor TV?” 33,5% disseram Sony, contra 25,8% da Samsung.

No entanto, a marca que mais se destaca no geral é outra japonesa. Com base numa série de critérios avaliados, os pesquisadores concluíram que a Panasonic tem  maior índice de “valor percebido”, uma combinação entre qualidade e preço acessível. Explicando melhor: a maioria dos consultados na amostragem possui um TV Samsung, mas acha que a Sony é melhor; no entanto, esta é mais cara, e o custo-benefício da Panasonic supera as demais.

Nos próximos dias, avaliaremos outros aspectos da pesquisa.

Brasileiros ganham mais autonomia

Dizem que o executivo brasileiro é, na média, o mais bem pago do mundo. Nenhuma surpresa, se considerarmos que os políticos tupiniquins também são os que recebem mais – pesquisa recente divulgada pela revista Veja mostra esta barbaridade: nossos digníssimos parlamentares nos custam, por dia, a pechincha de R$ 23 milhões! Mas isso é tema para outro artigo.

Em relação aos executivos, quem administra uma empresa no Brasil sabe bem que seus problemas são bem maiores do que, digamos, na Alemanha ou mesmo aqui ao lado, no Chile. E o fato de já termos vivido uma infinidade de crises econômicas dá a esses profissionais um respeitável know-how, admirado no mundo inteiro. Muito justo que ganhem bem! Esse raciocínio me ocorreu ao tomar conhecimento, por fontes diversas, que as subsidiárias brasileiras das multinacionais do setor eletrônico estão ganhando mais autonomia em suas decisões. O fato de que os produtos são lançados aqui quase que simultaneamente aos mercados europeus e americano é apenas um detalhe; mais importante, me parece, é a confiança que as matrizes estão depositando em suas filiais brasileiras.

No geral, todo mundo diz que o Brasil passou a ser visto de outra forma depois que conseguiu domar a inflação e, na sequência, aumentar o poder de compra de seus consumidores. É bom não esquecer que temos a quinta maior população do planeta, atrás apenas de China, Índia, Rússia e EUA. Somando a isso a queda de consumo nos outros grandes mercados (Japão, Europa Ocidental e, claro, América do Norte), estamos na primeira fila quando uma empresa multinacional pensa em vender alguma coisa. Após a recessão iniciada em 2008, o faturamento de vários grandes grupos no Brasil passou a ser mais valorizado. Para Sony e LG, por exemplo, as receitas no país só não são maiores que em seus países de origem (respectivamente, Japão e Coreia). Presumo que o mesmo vale para Samsung, Panasonic etc.

Na prática, essa maior importância se reverte, por exemplo, em mais liberdade para os executivos brasileiros negociarem com as redes de varejo, o que é essencial nesse mercado. Ou para desenvolverem recursos, como se diz, tropicalizados. É o caso da novidade adotada na linha 2013 de TVs Samsung: o Modo Futebol, pelo qual o usuário poderá ajustar som e imagem para tornar mais agradável a experiência de ver um jogo. Como já aconteceu, anos atrás, quando a LG lançou os TVs com gravador interno (Time Machine) primeiro no Brasil e só depois em outros países.

Ou seja, o Brasil está bem na foto. Ou, pelo menos, essas empresas e seus executivos estão.

Panasonic procura saída para o plasma

OLYMPUS DIGITAL CAMERANotícia divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Nikkei Shinbum, de Tóquio, reativou os boatos de que a Panasonic estaria pensando em abandonar a produção de displays de plasma. Esses rumores já vêm desde o final do ano passado (leiam aqui), e até agora não passavam disso mesmo: boatos. Como costuma acontecer quando uma empresa não se manifesta para esclarecer as coisas, é um tipo de notícia que se alastra e cada vez fica mais difícil de controlar.

No próximo dia 28, a Panasonic deve apresentar o balanço do ano fiscal que termina em março; espera-se que diga aos seus acionistas como pretende enfrentar a crise que já dura quatro anos. Uma das medidas em pauta é justamente sair do negócio de TVs, que vem dando prejuízos seguidos desde o final de 2011. Um detalhe curioso, lembrado pelo site americano The Verge, é que em 2009 a Panasonic faturou US$ 11, 5 bilhões só com televisores. As coisas iam tão bem que o grupo decidiu comprar a divisão de plasmas da Pioneer, responsável pela linha Kuro, considerada pela maioria dos especialistas como a melhor TV de todos os tempos. De lá para cá, as vendas foram caindo, e hoje a empresa luta para conseguir chegar a metade daquele valor em vendas.

Amagasaki-

 

 

“Estamos considerando uma série de opções, mas nada foi decidido ainda”, disse ao Nikkei um portavoz da Panasonic. Além de colocar à venda alguns prédios, como já fez a Sony, essas opções incluem parar de investir em plasma e ir desativando aos poucos a grande fábrica de Amagasaki (ao lado), a maior do mundo no gênero, inaugurada em 2009. Aparentemente, está descartada a hipótese de interromper a fabricação de imediato, até porque isso traria prejuízos incalculáveis à imagem da empresa. Uma corrente dentro do grupo defende maiores investimentos em setores lucrativos, como sistemas para aviões, componentes para automóveis e equipamentos para emissoras de rádio e televisão.

Na área de consumo, restariam os eletrodomésticos (hoje vendidos apenas no Japão e alguns países da Europa e do Oriente Médio), câmeras digitais, baterias e projetores; TVs, só mesmo quando a tecnologia OLED estiver mais acessível (a Panasonic trabalha nisso em conjunto com a Sony e a chinesa AUO).

TVs 4K: fabricantes aquecem os motores

TV4KCSaiu o primeiro relatório da consultoria NPD DisplaySearch específico sobre o segmento de TVs 4K. E os dados são relativamente otimistas. Lançados comercialmente em novembro passado, esses TVs devem aumentar bastante sua participação este ano, a julgar pelo ânimo dos fabricantes de painéis LCD. Com base em informações deles, a empresa de pesquisas estima que até o final de 2013 serão colocados no mercado mundial cerca de 2,6 milhões de TVs 4K, também chamados UHD (Ultra-HD). E os tamanhos irão variar entre 39 e 85 polegadas.

Alguém pode se perguntar para quê um TV de 39″ com os tais 8 milhões de pixels, se a justificativa para o desenvolvimento dessa tecnologia é justamente o fato das telas estarem crescendo de tamanho. Pois é, há mercado para tudo, devem supor os fabricantes. Mas, até por uma questão de custo, o grosso desses TVs que chegam ao mercado nos próximos meses está na faixa entre 50″ e 65″, representando 95% das estimativas.

A pesquisa mostra também que, pelo menos por enquanto, serão poucos os fabricantes capazes de fornecer painéis para TVs 4K em larga escala: dois coreanos, dois chineses e um japonês. Vejam na tabela abaixo:

samsung_marcas

A coluna à direta lista as empresas que compram os painéis para produzirem seus TVs. O grande desafio dos cinco fabricantes é reduzir o custo industrial dos painéis. Ao que se sabe, isso pode ser alcançado aumentando a eficiência de quatro componentes: as células que compõem os paineis IPS (In-Plane Switch), já usados em TVs convencionais; os circuitos integrados que regulam a saída do sinal de vídeo para o painel de cristal líquido; os painéis de luz traseira (backlight), responsáveis pela iluminação homogênea do LCD; e os circuitos de upscaling, que permitem converter uma imagem Full-HD (2K) para UHD (4K).

Para este último item, alguns fabricantes até já encontraram uma solução, embora precise ainda ser melhor testada: a conversão pode ser feita dentro do próprio painel, com um microchip embutido! Já o primeiro item – melhorar os painéis IPS, que entre outras coisas controlam o tempo de resposta e o ângulo de visão lateral – é bem mais complicado, e quem quiser saber por que pode dar uma olhada neste arquivo PDF, em inglês.

Para ver o relatório completo da NPD, basta clicar aqui. E, para ler na íntegra o teste que nossa equipe fez com o primeiro TV 4K lançado no Brasil (o LG de 84″), o link é este.

O bom, o ruim e o barato

Um banner publicitário que circula pela internet explica a diferença entre produtos bons, bonitos e baratos:

“Se é bom e barato, não é bonito…

“Se é barato e bonito, não é bom…

“Se é bom e bonito, não é barato.”

hdmi por dentroApesar dessa regrinha elementar, ainda tem gente acreditando na utopia. Uns o fazem ingenuamente, outros por uma suposta esperteza, e ambos, quando se dão conta, ficaram no prejuízo. O comentário vem a propósito de um spam que recebi hoje, oferecendo cabos HDMI 1.4 Ethernet por míseros R$ 9,99! Não vou aqui citar a fonte para não fazer propaganda, e espero que nenhum dos leitores caia nessa trapaça. A equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL acaba de concluir um estudo sobre a qualidade dos cabos HDMI à venda no Brasil. O objetivo é mostrar que, sim, há diferenças entre eles e que estas se refletem, evidentemente, nos preços.

E o que há de tão diferente entre os cabos, que à primeira olhada parecem absolutamente idênticos? Várias coisas. Começando pela mais visível: o acabamento. Um cabo com partes soltas ou moles já é para se desconfiar. Alguns fabricantes estão tentando reforçar esse conceito vendendo cabos com uma capa de proteção que pode ser aberta, permitindo ver a construção interna do cabo. Outros fazem isso virtualmente, em seus sites, mostrando em detalhes os componentes usados na fabricação. Na própria revista, há anúncios com foto do cabo aberto, o que ajuda a entender melhor o que está por trás de um projeto como esse. Por que será que alguns fabricantes investem milhões em pesquisas, testes, design e componentes mais confiáveis, enquanto outras não se preocupam com nada disso?

Um problema do padrão HDMI é que, apesar de dirigido por um consórcio internacional, do qual participam os principais fabricantes, não há controle sobre o que é produzido. Suas normas técnicas não passam de “recomendações” que, até pela natureza do produto, é impossível conferir de perto. Imaginem quantos cabos e conectores são distribuídos diariamente no mundo inteiro… só na China devem ser centenas de milhões. Como fiscalizar se todos os fabricantes estão obedecendo as normas? O resultado é que usa-se a marca “HDMI” nos mais diversos produtos, e o consumidor é que paga (mais detalhes sobre o assunto neste hot site).

Consumidor, no entanto, é um bicho preguiçoso. E não está sozinho. Tempos atrás, o jornalista Geoffrey Morrison, do site americano CNet, fez um artigo decretando que “todos os cabos HDMI são iguais” (aqui está a íntegra, em inglês). E recebeu elogios de vários leitores do site. Não se deu sequer ao trabalho de abrir dois ou três cabos para tirar a prova. Baseou-se em informações dos fabricantes, descartou aquelas que não lhe interessavam e declarou sua sentença. Exemplo clássico de uma velha regra do jornalismo, que ensina: quando os fatos não concordam com a notícia, danem-se os fatos!

Já existem até cabos HDMI que trazem dentro um chip, vejam só, para fazer o processamento e a filtragem do sinal. Claro, custam mais caro. Não entro no mérito se o preço é justo ou não, mas é fora de dúvida que há diferenças, algumas substanciais, entre os cabos top de linha das marcas mais conhecidas e aquele outro de “10 real”. E caímos, pela enésima vez, na questão das espertezas, preferidas por nove entre dez brasileiros, como analisamos neste artigo.

Cabos, cabeças e piratas

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Pelo Facebook, alguém compartilha a foto acima, de uma placa de vendedor ambulante, que anuncia filmes piratas. Comentários irônicos mostram que a maioria das pessoas aceita esse tipo de atividade como “normal”, num país com tantas contravenções, inclusive as bancadas pelos governantes. Por email, recebo mais um entre centenas de spams, só que agora anunciando – com telefone e URL – “cabo HDMI 1.4 High Speed 3D with Ethernet” por R$ 9,99. Esse é sem marca, mas há também outros – Sony, Philips etc. – por 30, 50, 60 reais. Aqui mesmo, neste blog, um leitor tenta publicar como “comentário” o anúncio de um desses serviços com centenas de canais de TV paga (o nome genérico é “PC-TV”), ironizando os “idiotas” que pagam suas assinaturas mensais às operadoras.

Pela foto, já se pode ter uma ideia de quem vende: alguém que mal sabe escrever o próprio nome e que fez da pirataria seu ganha-pão. Certamente, trabalha a serviço de esquemas maiores, às vezes internacionais, e nem tem mais a preocupação de ocultar seu produto ilegal. Se for pego pela polícia, o que é raro, perde tudo. Mas será ressarcido pelo fornecedor, só para continuar na atividade que a maioria considera “normal”. Notem que são “filmes de arte”, com atores e diretores de prestígio, não dirigidos ao “povão”. E, se estão ali, é porque deve haver compradores, alguém da elite brasileira que conhece e aprecia filmes “cabeça”.

Isso me faz pensar como a criminalidade está, digamos, enrustida na sociedade brasileira, inclusive aquela parte que cobra providências contra a corrupção. O fornecedor que abastece o camelô com CDs e DVDs piratas está bem próximo (ou é o mesmo) daquele que traz cabos de “10 real” ou daquele que faz “gato” com sinal de TV paga. Todos devem trabalhar junto com os contrabandistas de eletrônicos, que por sua vez, quando a oportunidade aparece, também podem entregar roupas, calçados, relógios, perfumes e o que mais a clientela tiver interesse em comprar. Daí para o tráfico de drogas, animais, armas e até pessoas (crianças inclusive), é um passo.

Nesse quadro, quem é, afinal, bandido? E quem é mocinho? Os que consomem qualquer um dos itens acima sabem muito bem que estão contribuindo – no mínimo, sendo coniventes – com a criminalidade. A diferença é que alguns se constrangem e se calam; outros, porém, até fazem propaganda de sua esperteza.

Governo regulador, agências falidas

Já dizia o grande Millôr: “Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim.” Pois é, esse deve ser o conceito de democracia que vigora em Brasilia. A última novidade na matéria é a intenção do governo de reformular as agências reguladoras, como mostra reportagem de hoje na Folha de São Paulo. Entre elas, claro, está a nossa Anatel, uma das campeãs em reclamações por maus serviços prestados.

Antes de entrar nos méritos e deméritos da Anatel, é bom lembrar – para quem talvez tenha esquecido – como nasceu essa história de agência reguladora. É um modelo copiado de países do Primeiro Mundo, como EUA, França, Japão e Inglaterra, e implantado no Brasil no governo FHC. A ideia é que cada agência seja independente das questões políticas e mantenha quadros técnicos de comprovada competência, bem remunerados, para executar os planos elaborados pelo poder executivo e teoricamente aprovados pelo legislativo. Seus diretores devem ter mandato definido e maior que o do presidente da República, para não serem trocados a toda hora e conseguir praticar políticas de longo prazo. É um instrumento importantíssimo de auxílio aos governantes, especialmente em áreas estratégicas como as ligadas à infraestrutura. No Brasil, foram criadas – além da Anatel – Aneel (energia), Anac (aeroportos), ANS (medicamentos), ANP (combustíveis) e assim por diante.

Por ter sido uma ideia adotada no governo tucano, o presidente Lula, quando assumiu, optou por retirar os poderes das agências. Foi um caso típico de “arrasa-quarteirão”, comum na política brasileira. “Se foi o outro que fez, vamos acabar.” Algumas agências foram simplesmente escanteadas, sem verbas nem apoio; outras foram usadas para acomodar interesses dos partidos da famosa “base aliada”. Os cargos foram loteados e, com isso, abandonados os critérios originais de independência e comprovada competência. Para presidente da ANP, por exemplo, foi escolhido o líder do PCdoB, que talvez nunca tenha sequer abastecido seu carro num posto. Na Anvisa, foram alocados sindicalistas sem qualquer relação com a área médica. Na Anac, nem é preciso lembrar: a quantidade de escândalos, as filas nos decadentes aeroportos e o velho “relaxa e goza” da ex-ministra Martha Suplicy falam por si.

No caso específico da Anatel, o que temos visto nestes dez anos (e várias vezes comentamos aqui) são verdadeiros disparates. Quando era dirigida pelo falecido Renato Guerreiro, havia na agência a preocupação de recrutar e/ou formar quadros técnicos capazes de dar conta do enorme desafio que era melhorar os serviços de telefonia. Com a privatização, estatais desmoralizadas como Telesp, Telerj e Embratel (na sua versão original) passaram às mãos de grandes grupos com dinheiro e interesse para investir, mas que precisavam ser fiscalizados. Quem hoje ainda critica as privatizações é porque não viveu (ou levianamente esqueceu) a época em que demorava-se três, quatro anos para obter uma linha telefônica fixa (a tecnologia celular ainda era novidade).

Criada em novembro de 1997, a Anatel foi sendo desmontada a partir de janeiro de 2003, trocando cargos técnicos por indicações políticas. A consequência foi que, a partir daí, não houve mais fiscalização digna desse nome. As grandes operadoras puderam agir à vontade, às vezes até com financiamento do BNDES (como comentamos ontem), e a demanda só aumentou. O país tem hoje cerca de 250 milhões de linhas de celular, cujo serviço é precário, para dizer o mínimo.

A solução que o governo apresenta, dez anos depois, é cobrar “mais produtividade” e “mais transparência” das agências, segundo um assessor da presidente Dilma, que considera ter sido um erro a transferência para elas do chamado poder concedente; este agora será devolvido aos ministérios. Em outras palavras: mais barganhas políticas nas concessões de portos, aeroportos, estradas, planos de saúde e, é claro, operadoras de TV e telefone. Afinal, estamos às vésperas de mais uma eleição, certo?

Como não existe oposição no país, a tendência é que esse plano diabólico seja levado adiante sem maiores traumas. Se você, contribuinte, está preocupado porque seu telefone não funciona, a conexão de banda larga cai a toda hora, as estradas estão cheias de buracos e vive faltando luz em seu bairro, isso é problema seu, não do governo. Pelo menos, não deste governo.

Samsung aposta no futebol

modo FUTEBOLNão deve ser a única, mas a Samsung é a primeira empresa do setor eletrônico que apresenta sua estratégia para aproveitar o interesse em torno do futebol neste e no próximo ano. Embora não possa explorar diretamente os eventos (a Sony é patrocinadora oficial da Fifa), a empresa coreana vai colocar no mercado brasileiro, a partir de abril, uma nova linha de TVs em que o esporte será um dos principais atrativos.

Os aparelhos virão com um recurso chamado “Modo Futebol”, que pode ser acionado pelo controle remoto. No áudio, durante a transmissão de um jogo o usuário poderá ampliar o som ambiente do estádio, diminuindo o “peso” da voz do locutor; no vídeo, a cor verde do gramado vai ganhar realce (mais detalhes aqui). Além disso, poderá ser ativada a função instant replay, para repetir lances a qualquer momento da partida. “Foram ideias que desenvolvemos aqui no Brasil e levamos à Coreia”, diz o gerente da área de TVs da Samsung, William Lima. “Eles gostaram tanto que pediram para colocar o recurso em todos os TVs lançados na América Latina a partir deste ano.”

Ao contrário de sua maior concorrente (LG, como mostra este vídeo), a Samsung não está anunciando novas tecnologias, por enquanto. Seu TV 4K, de 85 polegadas, só vai ser lançado no segundo semestre. Por ora, a prioridade é consolidar mesmo a liderança junto ao ponto de venda, aprimorando os recursos já existentes. Como já anunciado no ano passado, a partir de 2013 os TVs Samsung poderão ser atualizados periodicamente pelo próprio usuário – não apenas as já conhecidas atualizações de aplicativos, mas também de placas e processadores. Por cerca de R$ 1.000, a empresa começará a vender em breve uma caixinha chamada Evolution Kit, para ser conectada ao painel traseiro do TV (vejam neste vídeo). Durante pelo menos quatro anos, promete a empresa, o proprietário poderá ligar o aparelho à internet e baixar as atualizações através desse acessório. “Assim, nossos modelos não ficarão obsoletos quando novos padrões surgirem”, garante o vice-presidente, Silvio Stagni.

BNDES continua sendo “mãe”

Muito já foi dito sobre a política econômica do governo atual. Os mais críticos apontam, por exemplo, as incoerências no setor fiscal, com isenções seletivas para alguns grupos de interesse (como se viu nos casos dos automóveis e dos eletrodomésticos). Já os mais condescendentes elogiam os impulsos ao consumo, que ajudam a colocar milhões de famílias em condições de comprar itens antes inviáveis. Mas um ponto em que a maioria parece concordar é o erro de usar os bancos públicos, especialmente o BNDES, como financiadores de grandes empresas. Anos atrás, tivemos o escandaloso caso da Oi/Telemar, que ganhou bilhões para assumir o controle da Brasil Telecom. Em tempos pré-Copa do Mundo, quase todo dia os jornais noticiam liberações volumosas para as grandes construtoras, responsáveis por estádios que nunca ficam prontos.

Agora, vejam esta notícia publicada ontem no site Convergência Digital: as operadoras de telecom estão no topo da lista de financiamentos do BNDES entre 2009 e 2012. Os dados são do próprio banco, confirmando que as teles receberam um total de R$ 10,41 bilhões, o que representa 3,2% de tudo que o BNDES bancou no período. Alguém pode achar que é pouco; afinal, setores como as montadoras de automóveis, construtoras, siderúrgicas, empresas de energia e petróleo recebem muito mais. Nem tenho como analisar aqui esses negócios. O problema é que, no caso de telecom, são apenas quatro (e sempre elas) as empresas agraciadas: Oi, Tim, Vivo e GVT. As duas primeiras, aliás, ganham de longe.

Funciona mais ou menos assim: a empresa apresenta um plano de investimento e, junto, solicita que o BNDES lhe forneça o valor orçado. A orientação do banco é para que seja dada prioridade a projetos de infraestrutura, como são classificados, é claro, os de telecomunicações. Segundo o relatório, em 2010 foram liberados dessa forma R$ 2,1 bilhões para as quatro teles; em 2011, o número aumentou significativamente: R$ 3,1 bilhões; e no ano passado, mais R$ 4,8 bilhões (o banco não especifica quanto foi dado a cada empresa).

Supõe-se que, sendo um banco, o BNDES exija todo tipo de garantias e coberturas. E, a bem da verdade, se cabe ao governo estimular o crescimento do país, e a infraestrutura é essencial para isso, nada mais natural do que esse tipo de financiamento. A pergunta é: por que apenas quatro empresas, sendo todas elas multinacionais com acesso a recursos externos? O que podem esperar as pequenas e médias empresas brasileiras do setor, justamente as que mais necessitam?

São dúvidas como essas que levam muita gente a desconfiar da política econômica. Se é para ser “mãe”, que pelo menos ajude todos os filhos, e não apenas alguns.