Números (quase sempre) não mentem

buy tvNão me lembro de ter visto estudo tão abrangente sobre o mercado brasileiro de equipamentos eletrônicos quanto o divulgado na semana passada pela CVA Solutions. A empresa, subsidiária da americana CVM Inc., informa ter ouvido 7.090 pessoas em todo o país, para saber suas preferências e hábitos em relação aos TVs (nos próximos meses, devem sair pesquisas semelhantes para computadores e TV por assinatura). Uma das conclusões: entre 37 produtos ou serviços analisados, o televisor ocupa um honroso 7° lugar no grau de satisfação dos consumidores. Para efeito de comparação, o forno de microondas é o produto que mais agrada a maioria, independente de marcas, e os serviços de banda larga são os de pior avaliação.

O levantamento da CVA se baseia numa metodologia criada pelo americano Ray Kordupleski, que em 1996 desenvolveu o conceito de “valor percebido” pelo usuário no uso de produtos e serviços. Os questionários procuram avaliar até que ponto o entrevistado está satisfeito com a compra que fez; se recomendaria o mesmo a outras pessoas; e se, numa futura aquisição, optaria pela mesma marca. Essas decisões, é claro, são influenciadas não apenas pela qualidade do produto em si, mas também por fatores agregados. No caso dos TVs, as perguntas envolvem facilidade de uso, design, durabilidade, assistência técnica, as tecnologias embutidas no aparelho, a utilidade do manual de instruções e um item menos palpável: o grau de orgulho que a pessoa sente em possuir aquele modelo, e que pode levar a recomendações para outros consumidores.

Tudo isso somado, chega-se à “percepção de valor”, que tem a ver ainda com o preço que foi pago, de onde nasce o outro conceito apurado pela pesquisa: o custo-benefício. “Produtos da linha branca, por exemplo, são sempre muito bem avaliados”, explica Sandro Cimatti, diretor da CVA, que realiza pesquisas desse tipo para diversos setores da indústria, comércio e serviços. “A maioria das pessoas avalia que são produtos de longa durabilidade e que raramente dão defeito. Já nos TVs, a percepção é diferente porque a tecnologia avança muito rapidamente.”

A pesquisa confirma o crescimento da preferência por TVs de tela fina, só que apresentando números a respeito. Em 2010, quando foi feito o primeiro levantamento do gênero, esses aparelhos estavam nas casas de 28,9% dos entrevistados; agora, a participação subiu para 79,2%. Mais: cada família brasileira, a julgar pela amostragem de 7 mil entrevistados, possui atualmente, em média, 2,6 televisores; 69% deles trocaram de TV nos últimos três anos (27% nos últimos doze meses); e 35,6% compraram pela internet. São, portanto, cerca de 5.600 lares com TV de plasma ou LCD e, destes, 30% já adotaram um modelo smart, embora utilizem muito pouco esse recurso. E 95% afirmam que seu próximo TV será Full-HD.

Em relação às marcas, o estudo confirma que a Samsung lidera o mercado com 25,8% das respostas, seguida de perto pela LG (24,3%), depois Philips (15,1%) e Sony (14,4%). Em 2010, a LG liderava com 28,6% e a Samsung tinha 22,4%, mas chama atenção o crescimento da Sony, que tinha apenas 9,2%. A marca japonesa é a mais citada quando é feita a pergunta: “Qual é, na sua opinião, o melhor TV?” 33,5% disseram Sony, contra 25,8% da Samsung.

No entanto, a marca que mais se destaca no geral é outra japonesa. Com base numa série de critérios avaliados, os pesquisadores concluíram que a Panasonic tem  maior índice de “valor percebido”, uma combinação entre qualidade e preço acessível. Explicando melhor: a maioria dos consultados na amostragem possui um TV Samsung, mas acha que a Sony é melhor; no entanto, esta é mais cara, e o custo-benefício da Panasonic supera as demais.

Nos próximos dias, avaliaremos outros aspectos da pesquisa.

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