Archive | abril, 2013

4G: caro e para poucos, bem poucos!

Os americanos inventaram a expressão early adopters para definir as pessoas que gostam de ser as primeiras a comprar (e naturalmente exibir) as novidades eletrônicas. O hábito virou uma espécie de mantra na sociedade de consumo. Esses privilegiados acabam servindo como cobaias para a indústria, e não só a eletrônica, testando e divulgando as qualidades dos produtos. O único problema é que divulgam também, e com muito mais ênfase, os defeitos, ainda mais em tempos de mídias sociais.

No Brasil, onde quase tudo em tecnologia é copiado dos EUA, os early adopters são facilmente encontráveis em aeroportos, casas noturnas e shopping centers. Já vi alguns, por exemplo, portando orgulhosos seus smartphones 4G, que algumas operadoras começaram a vender recentemente. A outra face desse exibicionismo precoce está na constatação de que, por melhores e mais bonitos que sejam os aparelhos, as redes simplesmente não funcionam. “É como você pagar por uma carruagem que no meio do caminho vira abóbora”, explicou a implacável coordenadora da Proteste, Maria Inês Dolci. A entidade fez um levantamento mostrando que essas redes estão funcionando como as tradicionais (e ruins) 3G e acusou as operadoras de “propaganda enganosa”. Rapidamente, a Anatel – que havia dado prazo até esta terça-feira para que as prestadoras começassem a oferecer o serviço 4G – rechaçou as críticas; só não quis garantir que as redes de fato funcionam…

Toda essa correria se deve ao fato de que o governo brasileiro prometeu à Fifa que o 4G estaria disponível nas cidades onde haverá jogos da Copa das Confederações, a partir de junho. Como São Paulo está fora da competição, e não teria cabimento, em termos mercadológicos, lançar o serviço excluindo a capital paulista, inventaram essa data (30 de abril). As operadoras então se apressaram no lançamento, certamente sem ter a infraestrutura adequada ainda.

O mais curioso, e que o governo até agora vem escondendo, é que nosso 4G não é compatível com o de países importantes. Na semana passada, a competente jornalista Dani Braun, do site G1, mostrou em detalhes essa aberração. O Brasil está implantando redes 4G somente na frequência de 2,5GHz, utilizada na Europa, enquanto EUA, Argentina e Uruguai – três dos países que mais mandam turistas para cá – trabalham na faixa de 700MHz. Ou seja, quem vier desses países não vai conseguir usar a rede; e os brasileiros que forem para lá com seus vistosos smartphones 4G, também não. Se derem sorte, os europeus que vierem assistir aos jogos (Itália e Espanha participam) talvez consigam. Mas nem a Anatel garante.

TV de tela curva: US$ 13.500!

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A notícia que demos aqui na semana passada sobre o possível lançamento de um TV de tela curva no mercado internacional acaba de ser confirmada. A LG anunciou nesta segunda-feira, em Seul, que o aparelho (mod. 55EA9800, de 55 polegadas) começa a ser entregue a lojas na Coreia em junho, ao preço sugerido de 15 milhões de wons, que ao câmbio de hoje equivalem a cerca de US$ 13.500. Certamente, a decisão é resultado das “sondagens” que a empresa fez durante a CES, em janeiro (vejam aqui o vídeo que nossa equipe produziu lá) e também na ISE (Integrated Systems Europe), exposição de displays profissionais realizada na Holanda em fevereiro.

Percebi que alguns leitores questionaram o conceito de tela curva, mas recomendo calma antes de ver o produto funcionando. Evidentemente, cabe a cada um decidir se vale a pena pagar mais caro por uma inovação como essa (e tantas outras). A mesma LG está anunciando o lançamento mundial, em maio, do seu primeiro TV OLED, de tela plana e de igual tamanho, por algo em torno de US$ 10 mil. Ou seja, o acréscimo aí seria de 30% (os preços para o mercado brasileiro ainda não foram confirmados). Esse produto, aliás, já está à venda na Coreia desde fevereiro, e por enquanto só alguns privilegiados encomendaram, o que é natural.

Com espessura de apenas 4,3mm e pesando 17kg, o modelo EA9800 – assim como seu “primo” de tela plana – utiliza uma solução exclusiva da LG, o painel interno WRGB (que alguns especialistas estão chamando de “OLED branco”). Cada pixel é dividido em quatro subpixels, e não três como nos TVs apresentados por outros fabricantes: acrescentaram um processamento em separado da cor branca, simultâneo aos de verde, vermelho e azul, e um circuito independente que, segundo a LG, deixa as cores mais naturais e vibrantes (!).

imaxA questão da tela arredondada, além do apelo visual, tem uma explicação técnica. Quando se está de frente para uma tela grande, os olhos obrigatoriamente ficam mais próximos de um determinado ponto do display. Exemplo: se você se coloca numa posição centralizada da sala, fatalmente irá enxergar com maior precisão a área central da tela; se fica mais à direita, terá maior nitidez nas imagens do lado direito, e assim por diante. Quanto maior o tamanho da tela, mais perceptível será esse fenômeno. Com a superfície curva, elimina-se (ou tenta-se eliminar) esse problema, aumentando a equidistância, ou seja, independente de onde você esteja seus olhos irão perceber a mesma nitidez em toda a superfície da tela. É o que a LG está chamando de “efeito IMAX”, referência às telas de cinema 3D (foto acima)

Curved_vs_FlatClaro, isso é teoria físico-geométrica; vejam no desenho como enxergamos a imagem projetada numa tela plana (em cima) e numa tela rucva (em baixo). Precisamos agora ver na prática. Confesso que estou ansioso para isso.

VoD made in Brazil

Também nesta quarta-feira, durante o Congresso NEOTV 2013, foi oficialmente apresentada a plataforma de Video-on-Demand da entidade que representa pequenas e médias operadoras de TV por assinatura. Desenvolvido pela empresa paulista EnterPlay, a partir de uma solução da europeia OnDemand, o serviço começa agora a ser oferecido às prestadoras. A NEOTV representa cerca de 160 delas, entre empresas de TV paga e de banda larga, que somadas devem atender a cerca de 800 mil domicílios em todo o país (sua cobertura hoje é de 335 municípios, em 19 estados). É pouco, se comparado à penetração de uma Net ou Sky, mas é onde o mercado mais está crescendo: o interior, e não os grandes centros urbanos.

Conversei ontem com diretores da EnterPlay, que garantem ser uma plataforma robusta o suficiente para abrigar todos os tipos de conteúdo hoje desejados pelos assinantes: filmes, eventos, TV aberta, games, internet etc. O sistema funciona a partir de uma minúscula caixa conversora que recebe sinais via USB, HDMI, áudio óptico ou A/V analógico, e pode distribuí-los a várias telas ao mesmo tempo, usando uma rede sem fio doméstica (a velocidade está na casa dos 700 kilobits por segundo). Segundo Fabio Vilardo, um dos criadores do projeto, é uma solução ideal para famílias de classe média, incluindo aquelas que porventura ainda possuam um TV de tubo (sim, a caixinha permite essa conexão). Como é leve e compacta, pode ser facilmente destacável para levar, por exemplo, a uma segunda casa – havendo conexão de banda larga, até mesmo em 3G, o sinal é captado (vejam aqui o vídeo que fizemos no evento).

O desafio agora está em montar o modelo de negócio adequado a cada operadora. Esta terá que comprar a caixa e instalar na casa do assinante, oferecendo a ele o máximo possível de conteúdos (segundo Vilardo, a solução comporta até 10 mil filmes). Mariana Filizola, diretora da NEOTV, acha que todos os filiados deverão querer essa solução, porque a procura por serviços sob demanda é grande pelo Brasil afora. “Não tem mais volta, essa é a tendência do mercado”, diz ela. “Quem ficar restrito à programação linear não vai conseguir sobreviver.”

Gradiente x Apple x Banco do Brasil

Nesta quarta-feira, o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) negou pedido da Gradiente e da Apple, que estão negociando a marca “iPhone”. Como se sabe, a empresa brasileira havia impedido a americana de lançar oficialmente o produto no Brasil alegando ter registrado a marca em 2001. Começou então uma longa negociação entre ambas, semelhante à que a própria Gradiente tivera com a Sony, anos atrás, em torno da marca “PlayStation” – a Sony acabou pagando uma indenização para poder lançar o produto.

Só que a situação hoje é diferente. O INPI descobriu que a Gradiente tem uma dívida de R$ 947 mil com o Banco do Brasil e solicitou o chamado arresto da marca, ou seja, esta não poderia ser negociada e, caso fosse, o valor apurado iria diretamente para o pagamento da dívida. O Banco do Brasil já havia pedido o bloqueio da marca, em outro processo, movido contra a IGB Eletrônica, dona da Gradiente.

Segundo o site G1, no final da tarde desta mesma quarta o empresário Eugenio Staub, proprietário da IGB, informou ter obtido a”suspensão do arresto”. De qualquer modo, a decisão do INPI complicou toda a negociação, que caminhava bem: a Apple decidiu resolver a questão financeiramente o mais rápido possível, e a Gradiente precisa urgentemente de capital para voltar a operar. A palavra agora está com a Justiça.

Em tempo de novas mídias

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Começou hoje a Expo e Congresso NEOTV 2013, que até quinta-feira irá reunir em São Paulo as médias e pequenas operadoras de TV por assinatura e banda larga. Embora tenha poucos expositores (40), foi interessante caminhar pelos corredores do evento e constatar o entusiasmo desses empreendedores. Nota-se que alguns, embora já estejam no mercado, ainda têm dificuldades para entendê-lo como “negócio”, principalmente quando precisam lidar com terminologia técnica. São pessoas simples e discretas (a maioria), mas querendo aprender mais sobre as novas mídias e, ao mesmo tempo, sobre administração, legislação, marketing etc.

Os expositores são principalmente fabricantes de equipamentos para televisão e redes, além de fornecedores de software para gerenciamento e distribuição de conteúdo. Conversando informalmente com alguns deles, foi possível notar que são muitas as dúvidas sobre como esse mercado irá evoluir nos próximos anos. Há entre os especialistas uma sigla que ao mesmo tempo encanta e assusta: CDN (Content Delivery Network), identificação genérica das redes que existem em toda operadora. Essas estruturas vão se tornando mais complexas à medida que se agregam novos serviços, como no caso das empresas de TV paga que estão adicionando a oferta de banda larga e/ou telefonia (ou vice-versa). Dominar a arte de gerenciar a enorme quantidade e variedade de conteúdos disponíveis – dos programas de TV aberta, alguns ao vivo, aos milhares de filmes, games, aplicativos etc. – e saber como, quando e a quem entregá-los é o grande desafio do segmento.

No Brasil, temos ainda dois outros desafios, tão complicados quanto: empreender em meio às armadilhas que o governo nos cria a todo momento; e entender as mudanças de hábitos e preferências do consumidor com a ascensão social de milhões de famílias que até pouco tempo sequer sonhavam em ter TV por assinatura ou internet em casa. Por sinal, hoje, na abertura do Congresso NEOTV 2013, foi apresentada uma pesquisa sobre o crescimento da classe média, da qual falaremos nos próximos dias.

É de se admirar o esforço de quem tenta enfrentar esses obstáculos. Para quem quiser saber mais detalhes sobre o evento, sugiro uma visita ao site oficial.

Todo mundo virou jornalista?

boston-tragedyUm dos mitos da época atual é o de que os seres humanos deixaram de ser apenas consumidores de conteúdo, passando a ser também produtores. A infinidade de fotos e vídeos espalhados pela rede, produzidos até com um celular em pontos remotos do planeta ou – pior – em ambientes íntimos, com ou sem autorização, confirma que, na prática, “qualquer um” pode gerar conteúdo próprio e distribuí-lo como bem entender.

Mas, o que me dá direito de chamar esse fenômeno de “mito”? Segundo os bons dicionários, mito é algo que não existe de verdade, mas em que muita gente acredita baseada em suposições ou mesmo em informações falsas. Assim nasceu, por exemplo, a mitologia grega: nenhum daqueles deuses existiu de verdade, mas milhões de pessoas acreditaram neles (muitos, parece, continuam acreditando). A meu ver, essa história de vídeos amadores serem classificados como “jornalismo online” passa do ponto quando se quer fazer crer que não há diferença entre som e imagem captados por alguém que estudou e treinou para essa atividade e alguém que simplesmente pegou sua câmera e saiu gravando isto ou aquilo.

Bem, é a minha opinião, e sobre ela, claro, há controvérsias. Na semana passada, esse debate voltou à tona, raivoso, a propósito do atentado em Boston, onde morreram três pessoas e houve dezenas de feridos. Sabe-se lá por que, a maioria dos sites, emissoras de TV e jornais brasileiros dedicaram ao episódio uma atenção exagerada, maior, por exemplo, do que quando um maluco metralhou crianças numa escola do Rio de Janeiro, dois anos atrás. Quase todos caíram, pela enésima vez, na armadilha de copiar (ou simplesmente retransmitir, sem dar crédito) o conteúdo produzido pela mídia americana. Resultado: no momento em que a CNN mostrou imagens de jovens com mochila nas costas apontando-os como “suspeitos”, as emissoras daqui fizeram o mesmo; idem quando o site do jornal New York Post, de Nova York, estampou a chamada de que os mortos eram 12, e não três.

No Brasil, a discussão – como sempre paupérrima – ficou mais em torno dessa mania de copiar a imprensa estrangeira. Mas a questão é muito mais profunda. No momento em que a tecnologia obriga os veículos de mídia a se reinventarem, vários sites, revistas e TVs de outros países se questionam se os tais “video-reporters” não estariam, de fato, ocupando o lugar dos jornalistas tradicionais. Seria isso justo? Correto? Inevitável? Como lembrou bem o experiente jornalista Mark Little, no site Story.com (leiam aqui o texto em português), as imagens terríveis que alguém capta (e leva ao ar, via YouTube) ao testemunhar uma tragédia como a de Boston não têm comparação, em termos de impacto, com aquelas que os telejornais exibem, editadas por alguém que não estava presente ao acontecimento.

No entanto, isso é bem diferente de afirmar que o público, assistindo a esse tipo de vídeo, está bem informado sobre o que houve. Para tanto, é indispensável que o jornalista – ou “qualquer um” que tenha essa capacidade – analise todo o material, selecione o que é relevante, organize as ideias e transforme tudo naquilo que os americanos chamam, apropriadamente, de história (e aqui traduzimos como reportagem). Isso mesmo, é assim que se escreve a história, com “testemunhas” que não queiram apenas aparecer no YouTube.

Seja como for, o artigo é brilhante e merece ser lido e relido com atenção.

Plasma, só para quem pode

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Infelizmente, não pude estar presente à Conferência Global de Imprensa da IFA 2013, que aconteceu na semana passada na Itália. Minha hérnia de disco resolveu se manifestar dias antes da viagem. Esse evento é interessante porque reúne jornalistas especializados em tecnologia, vindos de países tão diversos quanto Malásia e Noruega, por exemplo. Funciona como uma prévia do que será a maior feira da Europa, em setembro, e às vezes conseguem-se antecipar boas novidades. Mas desta vez as empresas participantes decidiram manter segredo; bem pouco foi revelado, e os produtos exibidos foram os mesmos que todos já tinham visto na CES, em janeiro.

Pelo que pude apurar, o principal assunto do evento foi a situação do plasma, depois que a Panasonic admitiu que irá reduzir seus investimentos nessa tecnologia. Embora um diretor da empresa, o alemão Michael Langbehn, tenha jurado que não é verdade, parece que o pessoal não acreditou. Langbehn não só desmentiu os rumores, como ainda adiantou que serão lançados novos modelos ao longo deste ano. “Não podemos abandonar nossos clientes que acreditaram no plasma”, disse ele, ao mostrar o modelo ZT60 (foto), de 55 polegadas, um dos mais elogiados na CES, que está chegando agora ao mercado internacional. “Aqueles que valorizam a melhor qualidade de imagem continuarão sendo atendidos. Já para quem se preocupa mais com o consumo de energia, teremos um ótimo portfólio de TVs LED-LCD.”

Acho que, na verdade, todo mundo torce para que a Panasonic continue mesmo investindo no plasma. Mas não deve ser fácil. Os números não são nada animadores. Também presente ao evento, Paul Gray, diretor da empresa de pesquisas DisplaySearch, previu que essa categoria de TV, hoje representando menos de 5% do mercado mundial, irá cair para 1% nos próximos três anos. “Os fabricantes conseguiram melhorar muito os LCDs, a ponto de produzirem modelos de até 110 polegadas”, explicou Gray. “A Panasonic terá que reposicionar seu produto, reservando-o aos consumidores mais exigentes e que aceitem pagar mais caro.”

Bem, os executivos da empresa japonesa devem saber melhor do que ninguém se isso é viável. Seria uma aposta corajosa.

TV de tela curva pode estar chegando…

LG OLED curvo
Thomas Lee, vice-presidente da LG para a Europa, revelou ao blog Engadget que a empresa irá lançar no segundo semestre seu TV OLED de tela curva. Trata-se do modelo 3D de 55 polegadas que foi mostrado na CES, em janeiro, e deixou quase todo mundo impressionado (detalhes aqui). O gabinete ligeiramente encurvado seria a solução para a eterna questão da distorção das imagens nas laterais da tela. Especula-se agora em torno do preço. O TV OLED padrão (com tela reta) deve chegar aos mercados americano e europeu em junho, com custo final estimado em US$ 12.000. Dá para prever que o de tela curva seja, pelo menos, um pouco mais caro. A conferir.

Automação para quem quer

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Todo mundo, se pudesse, teria em casa um sistema de automação. Os benefícios dessa tecnologia – que na verdade é uma soma de várias tecnologias diferentes, mas bem integradas – já são conhecidos por boa parte dos consumidores. Ou será que não? Vejam que interessante este dado, que pincei do estudo Barômetro de Engajamento de Mídia, realizado pela Motorola com 9.500 pessoas em 17 países: os brasileiros só ficam atrás de mexicanos e chineses nesse assunto. Não sei quantos foram entrevistados aqui, mas o fato é que 33% deles revelaram interesse em serviços de gerenciamento remoto da residência, monitoramento de invasão, iluminação e aquecimento automatizados, com acesso via smartphone, tablet ou laptop. Na China, foram 37%.

Essa pode ser uma boa pista para os profissionais da área. É de se supor que esses 33% ainda não tenham recursos de automação porque a) acham que é muito complicado de usar; b) acham que é muito caro; ou c) não conhecem uma empresa ou profissional capaz de fazer o projeto e a instalação. Detalhe: estou descartando aqueles que não têm poder aquisitivo, já que o estudo da Motorola concentrou-se nos hábitos dos usuários em relação às novas tecnologias (69% deles possuem tablet, por exemplo).

Juntei esses dados com uma notícia que li ontem, no site americano CE Pro, voltado para profissionais do setor: uma empresa com sede na cidade de Bethesda, próximo a Nova York, está fazendo sucesso com a venda e instalação de… lâmpadas! Três profissionais com alguma experiência em projetos residenciais decidiram se unir, no ano passado, para fundar a Energy Squad, que passou a oferecer um serviço até então inédito na região. Não, eles não vendem propriamente lâmpadas, mas diodos de led, as fontes de luz recomendadas hoje por dez entre dez especialistas em iluminação. Além de emitir luz mais forte, os leds duram muito mais do que as lâmpadas convencionais e, ao serem descartados, não agridem o meio ambiente.

Pois bem. A Energy Squad está conseguindo convencer seus clientes a trocarem toda a iluminação de suas casas por leds, usando o argumento de que o consumo de energia se reduz, em média, 40%. Com isso, não fica difícil para seus representantes oferecer serviços agregados, como revisão da rede elétrica, instalação de dimmers e sensores que controlam o consumo de eletricidade. Para alguns, é claro, conseguem vender também sistemas de iluminação automatizada e, se for o caso, instalam também recursos de calefação, segurança etc. “Percebemos como a maioria dos instaladores está desinformada sobre essas tecnologias”, conta no site um dos fundadores da empresa, Jonathan Stovall. “A maioria dos usuários nunca viu nada disso funcionando.”

E assim, usando a bandeira do “projeto verde”, Stovall e seus sócios estão crescendo. Tanto que já se tornaram distribuidores de leds, vendendo e dando treinamento a pequenos instaladores da região. Mesmo admitindo que no Brasil pouca gente (a começar do próprio governo) leva a sério essa história de economia de energia, será que esse argumento não pode ser atraente para algumas famílias? Alguém do nosso mercado já experimentou?

Um país rejeitado

Falando em pesquisa, a CVA Solutions – que recentemente divulgou estudo sobre os hábitos dos consumidores brasileiros em relação à troca de TVs – acaba de divulgar trabalho semelhante, voltado à área de informática. A Folha de São Paulo publicou os detalhes, mas dois aspectos me chamaram a atenção. O primeiro, nada surpreendente, é que o parque instalado de notebooks no país já é maior que o de desktops. Os computadores portáteis respondem 55,6% do mercado, contra 42,4% dos modelos de mesa, sobrando ínfimos 2% para os tablets. A tendência é clara e irreversível: em 2010, a proporção era: 67,4% de residências com desktops para 32,6% com notebooks. Os dados foram obtidos a partir de 7.134 entrevistas em todo o país, e não levam em conta os aparelhos instalados em empresas (neste segmento, com certeza a maioria esmagadora ainda é de desktops).

O segundo ponto que merece análise na pesquisa é a constatação de que continua forte a rejeição aos produtos nacionais. Não chega a ser novidade (brasileiro nunca gostou de aparelhos feitos aqui), mas diante do crescimento da indústria nacional nos últimos anos, inclusive em vendas, era de se esperar que esse sentimento estivesse pelo menos em declínio. Nada disso. Na análise que a CVA chama de “valor percebido” (quando o usuário acredita que o custo-benefício do produto justifica a compra), as marcas estrangeiras dão de goleada: Samsung, Dell, Apple e Sony, sendo que a coreana vem crescendo de modo consistente. E, quando perguntados se querem trocar seu notebook, 80,2% dos entrevistados responderam que optariam por um Apple (Dell vem bem atrás, com 59,1%); a marca da maçã também lidera em desktops, embora nem de longe seja a mais vendida.

Na mesma pesquisa, quando se avalia a “força da marca” (diferença entre atração e rejeição), somente uma brasileira aparece entre as dez primeiras: a Itautec. Evidentemente, ninguém poderia esperar que as marcas nacionais aparecessem em igualdade com gigantes mundiais, ainda mais em tempos de globalização. Mas esse tipo de constatação deveria ser útil para abrir a cabeça dos que defendem políticas protecionistas e reservas de mercado (ainda que disfarçadas de outros nomes). Não precisamos chegar ao famoso “complexo de viralatas”, expressão criada pelo escritor Nelson Rodrigues na década de 1950, referindo-se à mania que os brasileiros tinham (ou têm?) de se considerar inferiores aos estrangeiros. Nem seria o caso de imitar os franceses, que, como ouvi certa vez de um crítico de cinema americano, “adoram elogiar filmes feitos na França, desde que não tenham que assisti-los”.

Não é por aí, penso eu. Basta um pouco de realismo e bom senso, artigos em falta atualmente no país. Se não se investe em educação básica, e até o futebol brasileiro já deixou de figurar entre os melhores do mundo, como exigir isso de nossa indústria eletrônica?

As novas caras da audiência

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Qual programa de televisão você está assistindo agora? Tempos atrás, essa era a pergunta clássica feita pelos institutos de pesquisa aos telespectadores. Nestes tempos multimídia, não mais. As perguntas podem ser, por exemplo, “qual programa você gravou” ou “qual programa seus amigos estão comentando no Facebook”. É dura a vida de pesquisador, se é que você acredita nas pesquisas de audiência. Muitas empresas – principalmente agências de publicidade e as próprias emissoras – não acreditam, mas mesmo assim pagam fortunas para receber os relatórios do Ibope e similares. Para o bem ou para o mal, são esses dados que orientam a programação, tanto nos canais abertos quanto nos fechados.

Estes últimos, por sinal, estão crescendo na preferência do público, como já comentamos aqui. Mas estão também enfrentando novos concorrentes (bem, não tão novos assim…): a infinidade de atrações que as pessoas podem acessar a partir de seu televisor e, mais do que isso, a oferta de conteúdos de vídeo online, transmitidos via computador, tablet, celular etc. Na semana passada, o Ibope anunciou que vai começar a avaliar a influência das redes sociais sobre a televisão. Numa parceria com a empresa Qual Canal, tuítes e curtires (sim, isso agora é um substantivo) serão quantificados e analisados para determinar as reações do público aos programas exibidos.

Não se assuste: sem saber, você também poderá ser mensurado. Pelo menos, suas opiniões emitidas em redes como Facebook, Tweeter, Linked In, YouTube e Google+ serão! Numa entrevista por email, Antonio Wanderley, diretor de marketing do Ibope Media, me confirmou que essa é a tendência daqui por diante. “As pessoas não estão deixando de consumir os meios, e sim optando em acessá-los através de diferentes plataformas e da maneira mais conveniente ao seu modo de vida”, escreveu ele, confirmando que isso tende a fazer parte da rotina conforme as tecnologias vão se tornando acessíveis.

Wanderley cita algumas ferramentas criadas pelo Ibope com a finalidade de monitorar o fenômeno. Um aparelho chamado DIB 6, conectado a um TV na casa de alguém, identifica o conteúdo que está sendo assistido e cruza essa informação com a grade de cada emissora; com isso, revela se a pessoa está assistindo ao vivo ou se gravou o programa para ver em horário diferente. Trata-se, como se vê, do nosso conhecido DVR (Digital Video Recorder), gravador embutido hoje na maioria dos TVs top de linha e nos receptores de TV por assinatura HD. O mesmo software instalado no DIB 6, diz Wanderley, já permite saber se o usuário está assistindo a uma emissora (aberta ou fechada) ou a um vídeo em DVD ou Blu-ray, por exemplo. E, mais à frente, será possível ampliar seu alcance, medindo o acesso através de outros aparelhos, como computadores.

O Ibope possui um laboratório (Media Lab) que desenvolve essas inovações em conjunto com seus clientes, que naturalmente irão pagar para receber os resultados. Foi ali que nasceu o software NetView, capaz de medir não apenas quantas pessoas estão ligadas à internet via TV, mas até descobrir quais são seus hábitos enquanto navegam. Com o fenômeno dos TVs smart, essas medições passam a ser tão importantes quanto as tradicionais pesquisas de audiência dos canais.

Preço de tomate… ops! De banana!

Antigamente dizia-se que quando a esmola é demais o santo desconfia. Pois é, lembrei desse antiquíssimo ditado ao ler a notícia de que foi lançado nos EUA um TV 4K, de 50 polegadas, pela pechincha de US$ 1.499. Para se ter uma ideia do que isso significa, basta dizer que o modelo Sony de 55″ está sendo oferecido por lá a US$ 4.999. Os tais 1.499 equivalem ao preço médio de um TV convencional de 55″, com resolução Full-HD!!! Qual seria o milagre?

Bem, antes é preciso informar de onde vem a oferta. Apareceu neste fim de semana no site da loja virtual TigerDirect, uma das indicadas pelo fabricante. E quem é esse fabricante? Seiki não deve ser confundida com a marca Seiki de roupas vendidas em lojas populares no Brasil. Nippon Seiki é uma empresa de origem japonesa, fundada em 1946, fabricante de componentes eletrônicos que nunca conseguiu a projeção de uma Sony ou Toshiba. Passou por várias mãos, quase fechou há cerca de dez anos, e acabou sendo incorporada pela Tatung, que por sua vez, em 2009, foi comprada pela Taiwan Nissei Display, mais tarde transformada en Zhejiang Nissei Display. Ufa!

Hoje, como Seiki Digital, atua em vários países produzindo displays a partir da China (no Brasil, está estabelecida em Manaus, com uma fábrica de componentes para motos). Como em tantos outros casos que já vimos, a oferta de US$ 1.499 por um TV 4K é tentadora, mas deve ser considerada com muito cuidado. Nestes tempos de mercados livres e trambiques idem, não duvido que muita gente comece agora a encomendar seus TVs pensando estar fazendo um grande negócio. Os insaciáveis turistas brasileiros que vão a Miami, Orlando e Nova York para encher malas de bugigangas podem muito bem cair nessa. Deve ser para eles que a Seiki direciona suas mensagens publicitárias, do tipo “o melhor TV é aquele que você pode pagar”.

Do jeito que anda o preço do tomate, dá até para acreditar em Papai Noel.

 

Tabelamento na TV por assinatura

Reconhecendo sua incapacidade de fiscalizar os serviços de TV por Assinatura e banda larga, a Anatel decidiu unificar o critério para reajuste de tarifas. Agora, será aplicado o IST (Índice de Serviços de Telecom), já usado em telefonia, o que naturalmente está deixando inconformadas as operadoras. O site Tela Viva relata que essa foi a principal queixa das empresas na audiência pública realizada esta semana em Brasilia para tratar das novas regras de atendimento.

O assunto é polêmico por natureza. Embora, à primeira vista, o governo (no caso, a Anatel) esteja mostrando preocupação com o interesse do usuário, é bom tomar cuidado com essa suposta benevolência. Habitualmente, as operadoras reajustam seus preços com base no IGP-M, que mede a inflação. Nos últimos tempos, aliás, vem valendo mais a concorrência ferrenha entre elas, com inúmeras promoções, do que qualquer índice. O IST mede apenas os custos usuais que incorrem sobre uma prestadora de serviços de telecom: mão de obra, componentes, aluguel de postes. No caso da TV por Assinatura, há um custo-extra difícil de mensurar e que, não por acaso, vem a ser o que mais pesa sobre as tarifas: o custo do conteúdo. Dependendo de complicadas negociações com os estúdios de cinema e com as produtoras, a operação pode se tornar mais cara.

Não cabe (ou não deveria caber) ao governo interferir nessa questão – até porque, ao contrário da telefonia, TV paga não é um bem de primeira necessidade. Oscar Simões, presidente da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), tem razão quando diz que essa é uma intervenção indevida. “Quando escolho o índice de reajuste, estou gerenciando o meu risco”. Curioso é que a própria Anatel admite não ter certeza de que a decisão é justa, ao afirmar que o índice “pode ser revisto” para incorporar outros custos.

No fundo, trata-se da mesma filosofia adotada pela Ancine, que já comentamos aqui: intervir, controlar, policiar… atitudes típicas de regimes autoritários. Certos setores do governo não aceitam que estamos num país democrático. Volta e meia retomam a velha ladainha da “soberania nacional” diante do “capitalismo selvagem”. Na maioria das vezes, essa conversa esconde apenas a intenção de dominar e, com isso, chantagear. Mas não adianta. O sonho dessa gente é fazer o Brasil voltar à época dos militares, sem os militares. Ou, talvez, à época do presidente Sarney, quando tudo era tabelado.

Caixa in-wall amplificada

Há cerca de doze anos, ouvi pela primeira vez uma caixa acústica amplificada. Na época, havia polêmica – só pra variar – entre puristas e modernistas quanto à validade de se usar processamento digital interno nas caixas. A crítica mais comum era que a digitalização depreciava o sinal de áudio, num aparelho que, por definição, operava no domínio analógico. Como se sabe hoje, era um questionamento pueril – na era do CD, todo sinal de áudio é necessariamente digitalizado (e comprimido) antes de ser enviado aos alto-falantes, não importando se esse processo se dava dentro ou fora da caixa acústica.

Bem, essa é uma discussão quase filosófica, interminável, ainda que já estejamos na era “pós-CD”, com o MP3 em vias de se transformar no padrão universal para reprodução de música; está aí o revival do vinil que não me deixa mentir. Só para não perder a oportunidade: em 2008, entrevistei na Inglaterra o engenheiro John Dibb, responsável pela área de desenvolvimento da B&W (leiam aqui). Quando pensava encontrar pela frente um audiófilo empedernido, daqueles que tremem só de ouvir a palavra “MP3”, Dibb revelou-se sintonizado com as inovações tecnológicas. E disse uma frase simbólica: “Os que defendem o vinil esquecem que, na transferência do sinal da fita master para o disco, também existe uma compressão. A fita original pode ser excelente, mas o disco produzido a partir dela não.”

meridian inwall

 

 

Tudo isso serve para ilustrar a notícia de que outra fábrica inglesa tradicional, a Meridian, está lançando um novo modelo de caixa amplificada in-wall. A empresa – uma das que mais investem no conceito de caixas ativas, com sua famosa série DSP – havia lançado em 2009 o modelo DSP420, de difícil comercialização devido a suas dimensões: 35x38cm de lado e 10cm de profundidade. Já era um desafio e tanto montar num gabinete desse porte a estrutura interna de uma caixa de alto padrão, com dois drivers de 5″ e um estágio de amplificação para 85W. Agora, sai o modelo DSP520 (foto), com incríveis 2cm de profundidade e dois amplificadores – um classe AB, de 100W, para médios e agudos, e outro classe D, para graves (150W). Com 20cm de largura, não chega a ser uma caixa de grande porte para embutir no teto ou na parede, como sugere o fabricante. E, conhecendo a Meridian, pode-se concluir que esse “milagre” da física não seria colocado no mercado se não mantivesse seu altíssimo padrão de qualidade.

Não deixa de ser curioso lembrar que, até anos atrás, era sacrilégio entre audiófilos falar em caixas acústicas de embutir. Mas, como me disse Dibb, o desafio dos fabricantes hoje é oferecer conveniência e facilidade, tanto para o usuário quanto para o instalador, sem sacrificar a qualidade. O problema, a meu ver, é que isso leva anos de pesquisa e custa muito dinheiro.

Sim, o custo para o consumidor não é baixo: nos EUA, cada caixa da série 520 é vendida por aproximadamente US$ 5 mil; no Brasil, a Meridian é representada pela Som Maior e pode ser encontrada em cerca de 20 revendas em vários estados. Como sempre, especialmente no caso de caixas acústicas, e apesar de toda a conveniência, é importantíssimo ouvir (e ouvir muito) antes de comprar.

Chamada aos especialistas

A Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) iniciou a chamada para especialistas que desejem participar, como palestrantes, do próximo Congresso HABITAR, que este ano acontece de 11 a 13 de setembro em São Paulo. Até 10 de junho, os interessados podem enviar suas sugestões e respectivos currículos, dentro de uma gama de temas que é extremamente oportuna no atual estágio do mercado. Confiram:

• Sistemas de automação para edificações eficientes e sustentáveis
• Smart Grid : medidores inteligentes e sua relação com a automação das edificações
• Automação na nuvem e Internet das coisas
• Mobilidade e controle: novas interfaces para usuários
• Sistemas voltados ao monitoramento de saúde (home care) e qualidade ambiental nas habitações
• Mercado de automação residencial e predial no Brasil: situação atual e tendências

O e-mail para envio é [email protected], mencionando o tópico “Chamada de trabalhos – XII Congresso Habitar”. Como vem acontecendo desde 2010, este ano o Congresso HABITAR será realizado simultaneamente à feira Expo PredialTec, hoje o mais importante evento do setor de automação residencial e predial. É a hora de cada um mostrar o que sabe. E, é claro, aprender mais ainda.

Ventos de mudança: quem viver verá


“Os que sobrevivem não são os mais fortes, nem os mais inteligentes, e sim aqueles que melhor se adaptam às mudanças.”

A frase do sábio Charles Darwin cabe perfeitamente nas análises feitas hoje a propósito da tecnologia. Não é novidade que as pessoas estão mudando seus hábitos em função dos novos dispositivos disponíveis. Outro dia, quando se comemoraram 40 anos da invenção do telefone celular, uma amiga postou no Facebook que essa foi “a maior invenção do século 20”. Não sei se é exagero, mas o fato é que muitos hoje dependem do celular, quase tanto quanto da água que bebem.

Por sinal, Martin Cooper, engenheiro da Motorola que ficou com a fama, deu uma alegre entrevista ao site da revista Information Week lembrando o dia em que fez sua primeira ligação via celular – ligou exatamente para um concorrente, que não acreditava que aquilo seria possível (a história dessa invenção é contada em detalhes em meu livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo Através da Tecnologia“).

TV e internet
Os celulares mais avançados – chamados smartphones – são hoje, ao lado dos tablets, os principais responsáveis pela mudança de hábitos que os especialistas estão definindo como “segunda tela“. As estatísticas não deixam dúvidas: sete em cada dez telespectadores têm nas mãos um segundo aparelho enquanto assistem televisão. Quase metade deles não acha esse hábito saudável e sente saudades de quando podia fazer uma coisa de cada vez, mas alegam que se sentem “pressionados” a isso. Os dados estão numa pesquisa encomendada pela Microsoft no final do ano passado, em que foram entrevistadas 3.500 pessoas em cinco países: EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Brasil.

Não por acaso, o Ibope anunciou recentemente que começará a medir a interação entre audiência de TV e redes sociais. Também não é coincidência que a Globo, maior emissora do país, esteja buscando meios de distribuir seus programas não apenas nas transmissões convencionais. “A questão é como acompanhar o telespectador”, diz Carlos Schroder, diretor da Globo. “Com as várias mídias na mão do consumidor, não podemos mais estar só em casa. Precisamos mostrar nossa programação onde ele estiver, até mesmo em frotas de ônibus e no metrô.”

O assunto será um dos destaques no Congresso da NEOTV, que acontece em São Paulo entre 22 e 25 deste mês, reunindo cerca de 5 mil profissionais do mercado de TV por assinatura. Foi também tema do evento TV 2.0, promovido pela Converge (a mesma que publica o site Tela Viva) na semana passada. Um dos palestrantes, Renato Pasquini, da consultoria Frost & Sullivan, citou pesquisas da empresa indicando que os chamados serviços não-lineares (aqueles que fogem da grade convencional dos canais), que hoje representam 17% do faturamento das operadoras brasileiras, vão saltar para 35% até 2017. E os serviços de IPTV (acesso a conteúdos de televisão pela internet), subirão de 1% hoje para 4% (neste caso, uma estimativa para toda a América Latina).

“A sala de estar agora está em todo lugar”, definiu, no mesmo evento, o vice-presidente da Sony Television, Jose Rivera-Font, para quem o usuário já não quer saber como os conteúdos lhe chegam. “Se quer ver ‘Homens de Preto’, ele vai ver no serviço que estiver disponível naquele momento, seja na TV, no tablet, onde quiser. No futuro, as pessoas não saberão diferenciar online de offline.”

Com tanta mudança, quem irá sobreviver?

Incentivo onde não é necessário

Há quem defenda a chamada “guerra fiscal”, em que cada estado pode conceder benefícios diferentes para atrair empresas e, com isso, gerar empregos e maior arrecadação. Nos EUA, por exemplo, vigora um sistema parecido. O problema é que não se ouve falar de um presidente, parlamentar ou governador brasileiro que proponha aqui a mesma estrutura tributária americana. Por que será?

Falo do assunto a propósito da notícia, oficializada nesta terça-feira, de que o governo dará isenção de PIS e Cofins para fabricantes e operadoras de celular. Seria parte do plano de estímulo à expansão da rede de banda larga, que todo mundo defende. Todo mundo? Há controvérsias. Como se sabe, nos últimos meses o governo decidiu usar a política de isenções fiscais como arma no combate à inflação e ao desemprego. Quando as montadoras de automóveis ameaçaram fechar fábricas e demitir, foram agraciadas com isenção do IPI. Quantos outros casos semelhantes já tivemos?

Particularmente, considero uma tragédia conceder isenções em aparelhos eletrônicos e não, por exemplo, em remédios ou material escolar. Mas essa é outra discussão. O que chama atenção na medida é que as operadoras já recolhem 0,5% de sua receita bruta ao governo, sob o carimbo de Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), que só em 2012 representou um total de R$ 542 milhões, segundo se calcula. Assim como os demais tributos que incidem sobre os serviços de telecom, esse dinheiro vai direto para o Tesouro e nunca faz jus ao pomposo nome. Por que, então, não reduzir o tal Funttel e deixar quietos o PIS e a Cofins? Alguém sabe explicar?

Atualizando: depois de publicado o texto acima, encontro na Folha desta quarta-feira uma brilhante charge de Jean Galvão que sintetiza boa parte de meu raciocínio. Vejam:

charge folha

Modelo de casa inteligente

jacksonville

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pode não ser a casa dos seus sonhos, mas deve chegar perto. A foto mostra um dos ambientes da “Casa Inteligente”, projetada pela HGTV, rede de lojas dos EUA que oferece praticamente tudo para quem constroi ou reforma sua casa – inclusive projetos e aparelhos de automação. A casa foi escolhida pela CEA (Consumer Electronics Association) como “modelo” de uma campanha para incentivar as construções que mereçam o adjetivo smart. Localiza-se na praia de Jacksonville, Flórida, e foi equipada como uma infraestrutura que a CEA define como “high-tech”.

Há cerca de dois anos, a CEA instituiu um comitê técnico para homologar um sistema chamado TechHome Rating, algo como um ranking de avaliação das moradias a partir de critérios tecnológicos. A ideia era criar referências a serem seguidas pelas construtoras e pelos profissionais envolvidos no negócio: arquitetos, designers, corretores, avaliadores etc. A casa de Jacksonville foi desenhada e construída seguindo o padrão top da CEA, que inclui recursos de áudio, vídeo, informática, telefonia, automação, ventilação, segurança, cabeamento, controle de energia etc. Coloca em prática, portanto, aquilo que até agora era apenas teoria.

Os visitantes poderão ver como tudo isso foi instalado e integrado. “Queremos mostrar inclusive aos profissionais do setor imobiliário a importância que a tecnologia pode ter numa construção”, diz Laura Hubbard, atual responsável pelo TechHome Rating System. O pessoal da CEA tenta com isso reverter o conceito de que uma casa automatizada é necessariamente mais cara. “Pelo contrário”, explica Laura, “com as tecnologias atuais pode-se economizar muito, tanto na construção quanto na manutenção. E o proprietário ainda tem a vantagem de saber que sua casa será mais valorizada na hora de uma venda.”

TVs 4K menores (e mais baratos)

4K sony

 

Também na abertura da NAB, esta manhã, a Sony anunciou os preços dos novos TVs 4K que irá lançar no mercado americano este mês. O modelo de 65 polegadas terá preço sugerido de US$ 7.000, e o de 55″ (foto ao lado), US$ 5.000. Como se sabe, a empresa já lançou um 4K de 84″, no final do ano passado (mais detalhes aqui), só que a um preço quase inacessível: US$ 25.000 (R$ 100 mil no Brasil). Agora, em tamanhos menores e preços, digamos, mais atraentes, quem sabe esse segmento comece enfim a deslanchar.

Em tempo: a LG, que também lançou seu TV 4K de 84″, já havia anunciado para o meio do ano (inclusive no Brasil) seus modelos de 55″ e 65″, mas ainda sem preços definidos. Já a Samsung divulgou que o seu, de 85″, será o mais caro de todos: US$ 39.999.