Archive | maio, 2013

4K: imagina na Copa!

F55Se tudo der certo, pelo menos alguns brasileiros poderão assistir aos jogos da Copa 2014 com imagens em resolução 4K. É para isso que estão trabalhando técnicos da Sony e da TV Globo, esta encarregada de produzir as imagens oficiais do evento, que serão retransmitidas em cerca de 200 países (não sei se todos sabem, mas a Fifa tem hoje um total de 209 nações filiadas, número mais alto do que reúne, por exemplo, a ONU).

Esta semana, no evento de lançamento de sua nova linha de TVs, a Sony forneceu dados a respeito. Nos doze estádios da Copa, haverá ao todo 340 câmeras 4K, modelo PMW-F55 (foto), e mais 72 câmeras do tipo Supermotion, que captam até 5.000 quadros por segundo (as câmeras convencionais captam 25fps). Essas câmeras 4K utilizam CMOS (microprocessador) para leitura de sinal com qualidade de cinema (35mm). Cada estádio terá ainda uma unidade de produção e um link de satélite. Na instalação e operação de todos esses equipamentos, técnicos da Globo terão a companhia de colegas da própria Sony, vindos do Japão, e também da NHK, emissora estatal japonesa.

A ideia é repetir o esquema usado na Copa da África do Sul, quando a captação dos jogos foi feita em 3D e as imagens puderam ser vistas por assinantes da Net, além de exibidas em alguns cinemas do país. A transmissão de imagens 4K é mais complexa, porque trata-se de um sinal com quatro vezes mais pixels do que o sinal de TV convencional (1080i). Comprimir tudo isso sem provocar perdas ou travamentos é algo que ainda está sendo tentado, especialmente para um evento dessa natureza, em que milhares de pessoas vão querer acessar o sinal ao mesmo tempo (claro, considerando que até lá tenham sido vendidos milhares de TVs 4K, como comentamos aqui outro dia).

Na Copa das Confederações, que começa no próximo dia 15, parte desse arsenal tecnológico já estará sendo usado. Segundo Luiz Padilha, vice-presidente da divisão de vídeo profissional da Sony, uma unidade móvel do tamanho de um ônibus, que a Sony mantém em Londres, está sendo embarcada para o Brasil e será instalada no estádio Mineirão, em Belo Horizonte, para captar e transmitir imagens do primeiro jogo.

A impressão é de que, no plano tecnológico, tudo está sendo feito como manda o figurino (a Sony é uma das patrocinadoras da Fifa). Infelizmente, não podemos dizer o mesmo da organização dos eventos.

Apple quer fugir da Foxconn

Nesta sexta-feira, confirmou-se o que já se especulava nos bastidores do Vale do Silício: a Foxconn não é mais a montadora exclusiva dos produtos Apple. A empresa dirigida por Tim Cook quer diversificar seus fornecedores e, embora a taiwanesa tenha sido desde sempre sua parceira preferencial para iPhones e iPads, contratou uma concorrente, a Pegatron, que atualmente já cuida da montagem do iPad Mini. Segundo The Wall Street Journal, a Pegatron terá a incumbência de montar os smartphones “populares” que a Apple pretende lançar para rebater a crescente ameaça da Samsung e da Google.

O jornal cita fontes não identificadas para afirmar que também contribuiu para a decisão a série de deslizes cometidos pela Foxconn. Primeiro, em 2010, os suicídios de funcionários, que se atiravam do alto de prédios, na fábrica de Shenzen, por não suportar os maus tratos e as precárias condições de trabalho; depois, as denúncias de trabalho escravo e agressões ao meio ambiente; houve ainda um caso – até agora mal explicado – de quebra de confiança, no ano passado, quando clientes reclamaram ter recebido seus aparelhos riscados, algo que a Apple não admite.

O curioso é que esses problemas começaram ainda nos tempos de Steve Jobs, que morreu jurando ter resolvido todas as questões denunciadas. E seu homem de confiança, encarregado justamente das relações com os fornecedores, era um tal de Tim Cook.

TV 4K de 55″, R$ 13.999

4K sonyO primeiro TV 4K da Sony, de 84 polegadas, que já comentamos aqui algumas vezes, foi lançado no final do ano passado com preço final de R$ 100.000. Nesta terça-feira, a empresa mostrou em São Paulo seus dois novos modelos, que começam a ser vendidos em julho: um de 65″, com preço sugerido de R$ 23.999, e outro de 55″ (foto), por R$ 13.999. São valores mais dentro da realidade atual do mercado brasileiro. E confirmam que a Sony realmente decidiu encarar pra valer a disputa para retomar a liderança no segmento de TVs.

“O mercado como um todo deve crescer 20% este ano”, disse durante o evento o gerente-geral da empresa, Carlos Paschoal. “Mas o segmento de telas grandes irá crescer 60%.” O presidente da Sony Brasil, Osamu Miura, exibiu orgulhoso os números de sua gestão: 100% de crescimento nos últimos três anos, tornando-se a terceira maior subsidiária do grupo em todo o mundo, tanto que terá investimentos de R$ 500 milhões neste ano fiscal (que vai até março), muito em função do futebol. “Estamos ampliando nossa fábrica em Manaus”, disse Miura. “Praticamente 95% dos nossos produtos hoje são feitos no Brasil”. Deve ser um dos motivos para a redução nos preços dos TVs.

Os novos modelos têm design diferente do primeiro. Os alto-falantes agora fazem parte do gabinete. Vimos no evento uma curta demonstração e estamos aguardando um deles para teste. Seja como for, o Brasil inteiro vai ouvir falar muito da Sony nos próximos meses, já que a empresa é patrocinadora da Fifa. Há a expectativa de que a Copa de 2014 já seja transmitida em 4K, pelo menos para a TV fechada. E, se isso for confirmado, vai ser interessante assistir não apenas aos jogos, mas também à briga entre os fabricantes de TVs.

Centésimo-septuagésimo lugar

É consenso entre os especialistas que, no mundo multimídia de hoje, três empresas estão acima de todas as outras: Apple, Google e Amazon. Nem a outrora todo-poderosa Microsoft está no mesmo nível. Esse poder não se mede apenas em números de vendas ou em lucros, mas na influência que cada marca exerce sobre os usuários e, por extensão, também sobre as próprias concorrentes. Tudo o que cada uma delas faz tem grande repercussão no mercado em geral. E quase todo mundo olha para elas como referência, fonte de inspiração.

Já comentamos aqui sobre as restrições da Apple a operar diretamente no Brasil, desde quando Steve Jobs ainda era vivo. Para quem vive de inovação, e precisa de agilidade na tomada de decisões, nada pior do que um território “minado” como é o brasileiro, tanto em termos de regras e leis esdrúxulas quanto na infraestrutura cronicamente deficiente. Não sei sobre a Google Inc., que desde o ano passado vem reforçando sua operação brasileira, até porque essas corporações fazem do segredo uma arma estratégica. Mas o caso da Amazon é sintomático.

Na última quinta-feira, a empresa começou a aceitar encomendas para a venda de seu tablet Kindle Fire HD em 170 países e – adivinhe – o Brasil não está entre eles. A informação oficial é que o aparelho será lançado aqui este ano, mas ainda não há uma data definida. Na América do Norte, Europa, Ásia e vários países latinoamericanos, e até africanos, o aparelho está sendo vendido em dois tamanhos (7″ e 8,9″); foi lançado em 2012 nos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Japão, tornando-se rapidamente o maior sucesso de toda a história da Amazon. Com ele, é possível adquirir na loja virtual uma infinidade de produtos e serviços a preço mais baixo, mesma receita criada pela Apple para a loja iTunes.

O Brasil é o único dos integrantes do G20 que ficou fora dessa lista. Aliás, a Amazon anunciou também que está expandindo sua loja de aplicativos para cerca de 200 países, e também nessa os brasileiros foram deixados de lado. Alguém pode argumentar que esse tipo de negócio não nos faz falta, o que é verdade. Mas, para quem possui o quinto ou sexto maior mercado consumidor do mundo, ser esnobado pelas empresas mais importantes é, no mínimo, sinal de advertência.

Ou não?

A semana dos displays

igzoAconteceu na semana passada em Vancouver (Canadá), a DisplayWeek 2013, uma grande mostra de inovações em TVs, monitores e sistemas de projeção, tanto para uso residencial quanto comercial e profissional. Foi parte do tradicional congresso da SID (Society for Information Display), que todo ano reúne a fina flor dos cientistas ligados ao assunto (cerca de 60% dos visitantes têm nível PhD). Recebi algumas informações interessantes sobre o evento, através da professora Alaide Mammana, da Abinfo (Associação Brasileira de Informática), que dirige a seção latinoamericana da SID. Mas uma rápida passada pelo site do evento já revela que foram exibidos muitos produtos, alguns ainda na forma de protótipos, os quais vale a pena anotar.

Para o consumidor, o que deve chamar mais atenção é a busca incessante da indústria por novas tecnologias de display, melhores que as atuais LCD e plasma. Ultra-HD, como se sabe, é uma evolução dos LCDs com painel de leds, e já não é mais novidade que os fabricantes apostam nisso (como já comentamos aqui). Novidade talvez seja a rapidez com que os chineses estão se aperfeiçoando nesse campo. O maior display em exibição na DisplayWeek foi um 4K 3D de 110 polegadas, da China Star Optoelectronics Technology, mais conhecida como CSOT, do grupo TCL, que fornece painéis para várias empresas americanas e japonesas. Impressionou tanto que acabou levando “medalha de prata” na premiação oficial do evento.

Para quem ficou curioso, a “medalha de ouro” foi concedida à Sharp, que apresentou o primeiro produto empregando sua patente IGZO, um celular que pode ser utilizado continuamente por 48 horas sem ter que recarregar a bateria. Essa tecnologia IGZO, já apresentada na SID em 2012 (vejam aqui), utiliza uma espécie de liga metálica criada a partir da oxidação de três materiais nobres: índio, gálio e zinco. A expectativa é que na IFA, em setembro, a empresa apresente TVs e monitores da mesma família; no ano passado, tivemos só um “aperitivo” (vejam este vídeo).

TVs: para o alto e além!

Panasonic-103-inch-3D-TV-1Pode parecer que não, mas o mercado brasileiro de TVs – como, de resto, todo o setor de eletrônicos – vem mudando rapidamente nos últimos anos. Juntando dados de várias pesquisas a que tive acesso, a conclusão é de que o perfil dos consumidores está mudando para cima, assim como os tamanhos dos aparelhos. Já temos um índice de penetração (porcentagem de TVs por domicílio) na faixa dos 99%, e a rápida evolução tecnológica leva o usuário brasileiro a adotar as novidades antes mesmo que o de outros países mais desenvolvidos.

Desde o ano passado, por exemplo, a maior parte dos fabricantes parou de produzir TVs LCD com painel de backlight convencional, de lâmpadas fluorescentes, substituído pelo painel de leds, mais eficiente (e hoje até de fabricação mais barata). Calcula-se que até o final deste ano não haverá mais LCDs nas lojas, apenas os chamados LED-LCDs (que muitos abreviam para “LEDs”, desconsiderando que continuam sendo TVs LCDs).

Outro dado interessante sobre o mercado brasileiro: ainda há público para o plasma. Embora muitos digam que essa tecnologia está em vias de extinção, não é o que dizem os fabricantes. LG, Samsung e Panasonic mantêm em linha sete modelos, com tamanhos de 50″, 51″, 55″, 60″, 64″ e até um gigante de 103 polegadas (foto acima), que a Panasonic vende apenas sob encomenda, com prazo de entrega em torno de três meses.

Quando se olham os números de vendas, percebe-se que o plasma não caiu – ao contrário: de aproximadamente 350 mil TVs em 2008, as vendas fecharam 2012 na casa de 432 mil unidades. Claro, isso representa apenas 4% de todos os modelos comercializados no ano passado; os outros 96% dividem-se entre LCDs e LEDs, sendo que estes já respondem por 66% dessa fatia (devem chegar a 90% até o final do ano).

Estão em declínio também os TVs HD (resolução de 720p), perdendo mercado para os Full-HD (1080p), até porque a diferença de preços tornou-se irrisória.

Anatel: a conta certa do Wi-Fi

Sobre a nota de sexta-feira, a respeito dos hotspots Wi-Fi espalhados pelo Brasil, a Anatel corrige a informação que demos, de que a operadora Oi possui 80 mil deles. Segundo a Agência, existem hoje 24.154 pontos de conexão, sendo 2.481 localizados na capital paulista e 3.361 na cidade do Rio de Janeiro (o mapa detalhado pode ser visto aqui).

Aliás, a prefeitura de São Paulo anunciou na semana passada um ambicioso plano para dotar a maior cidade do país, a partir de agosto, de 120 hotspots gratuitos. Não sei se vai funcionar; ainda depende de licitações e burocracias, como sempre nos projetos públicos. Mas é uma boa iniciativa, que tem de ser incentivada em outras cidades.

Para os interessados, enquanto pesquisava sobre pontos de acesso Wi-Fi, encontrei o site colaborativo mapawifi, que me pareceu bem mais prático e eficiente que o da Anatel. Confiram e comentem.

Tem TV paga? Ganha Wi-Fi

Na corrida para fidelizar seus usuários, as operadoras de TV por assinatura não podem perder tempo. E a Net, que é a maior e mais antiga delas, parece disposta a não dar o menor espaço à concorrência. Nesta quinta-feira, a empresa – que desde o ano passado pertence integralmente à mexicana América Móvil – juntou-se a suas coligadas Embratel (telefonia fixa) e Claro (celular), ambas do mesmo grupo, para ampliar a oferta de internet sem fio. Em breve, clientes das três empresas em nove grandes cidades do país poderão usar seus aparelhos (telefone, tablet ou notebook) para acessar mais de 6 mil hotspots.

Ao contrário dos EUA e dos principais países europeus, onde raramente se encontra uma conexão Wi-Fi gratuita, o Brasil caminha na direção oposta. Parece que a ideia das operadoras (pelo menos aquelas que podem fazê-lo) é utilizar a estrutura de rede já montada para fidelizar o assinante oferecendo esse serviço sem custo. Os hotspots geralmente estão em pontos de grande circulação de usuários, como shoppings, aeroportos, parques, bares etc. Com senha e login, o acesso – dizem as empresas – é automático. Em São Paulo, são mais de 1.700 hotspots, e no Rio, quase 1.000.

Além de ser um serviço a mais ao assinante, a conexão Wi-Fi significa um grande passo dos mexicanos no sentido de dominar o mercado brasileiro. Na verdade, a concorrente Oi também está ampliando a oferta de hotspots, que já passam de 80.000 em todo o país, segundo a empresa, incluindo redes de fast-food e cafeterias. Por ter herdado a maior rede cabeada do país, da antiga Brasil Telecom, a Oi consegue aquilo que o pessoal de marketing gosta de chamar de “capilaridade” (para mim, uma palavra horrorosa). Já fala em chegar a 500 mil hotspots até o fim do ano. Só é preciso ver se as conexões realmente funcionam e não caem a toda hora.

Já no caso da América Móvil, a integração entre Net, Claro e Embratel parece cada vez mais próxima. As empresas não divulgam quantos assinantes possuem, mas é possível estimá-los em 50 ou 60 milhões, incluindo os muitos clientes corporativos, empresas que certamente vão gostar de poder oferecer Wi-Fi a seus funcionários cuja produtividade depende de boa estrutura de comunicação. Se grupos concorrentes, como Vivo/Telefônica, Tim e GVT/Vivendi, decidirem entrar firme na disputa, aí sim teremos no país uma competição em torno de serviço, conceito que envolve bom atendimento e qualidade das conexões.

E todos terão que caprichar, caso contrário o assinante irá mudar. Como hoje muda de canal.

Sharp: sinal de alerta!

Logo of Sharp Corp is pictured at CEATEC JAPAN 2012 electronics show in ChibaUma verdadeira força-tarefa, que inclui gigantes asiáticos da tecnologia e das finanças, foi montada para tentar salvar a Sharp Corporation. O balanço do último ano fiscal, encerrado em março, superou as mais pessimistas expectativas: US$ 5,4 bilhões de prejuízo líquido. Na prática, significa que, se nada for feito a curto prazo, o grupo simplesmente irá à falência.

Como esse desfecho não interessa a ninguém, foi elaborado um business plan para três anos, divulgado nesta terça-feira em Tóquio. Depois de emprestarem ao grupo um total de US$ 3,6 bilhões em setembro passado, um consórcio de bancos japoneses concordou em fornecer mais US$ 1,5 bilhão. Ao mesmo tempo, a Samsung – candidata potencial a assumir o controle da divisão de displays da Sharp, a maior do mundo – entrou com os prometidos US$ 100 milhões em troca de 3% das ações. Também foi consultada a Apple, maior cliente (compra displays para iPads e iPhones), que se comprometeu a não interromper as encomendas.

Mais importante que tudo, o acordo incluiu também a troca no comando do grupo: sai Takashi Okuda, que durou poucos meses no cargo, e entra Kozo Takahashi, apresentado oficialmente ontem. “O caminho para a Sharp é buscar alianças para gerar novas oportunidades”, disse ele, confirmando, entre outras coisas, a venda de fábricas e prédios em vários países e a renovação dos acordos com Apple e Samsung, para venda de displays (sim, embora também seja fabricante, a empresa coreana não dá conta de toda a sua demanda e, por isso, precisa comprar parte dos componentes que utiliza).

As reações foram otimistas, embora cuidadosas. A marca Sharp ainda é respeitadíssima em mercados importantes, como América do Norte e Europa (além do próprio Japão), e sua queda traria desemprego e enormes prejuízos pelo mundo afora. No Brasil, o grupo está se reestruturando, com as já conhecidas dificuldades que o governo impõe a toda empresa estrangeira (e também a muitas brasileiras). Além de tudo, a Sharp detém tecnologia de altíssima qualidade. Segundo a agência Reuters, mr. Takahashi fez questão de mencionar esse fato em seu discurso de posse: “A parceria com a Samsung tem sido fundamental para nós”, disse ele. “A Samsung tem OLED e nós temos IGZO, portanto é natural que nossa cooperação continue.”

Assim seja!

Só para lembrar: IGZO é uma patente da Sharp para displays ultrafinos, já mostrados em feiras internacionais (veja aqui), mas ainda em desenvolvimento. Se ficar provado que sua produção é menos problemática que a dos displays OLED, pode perfeitamente vir a ser dominante daqui a alguns anos.

Inflação ou inadimplência? Ou ambas?

Aqueles que sempre defenderam a tese de que “um pouquinho de inflação não faz mal” devem estar vibrando. Os dados recém-divulgados sobre a economia nos primeiros quatro meses do ano são de aumento dos preços acima das metas traçadas pelo governo. Mais: estão subindo os índices de inadimplência, especialmente nas classes C e D, que até agora vinham sustentando a expansão do consumo. Quem diz isso sabe o que está falando: IBGE, Federação dos Bancos e os Institutos Kantar e Data Popular, que monitoram mês a mês o consumo em vários segmentos. Clique em cada um desses nomes para acessar os respectivos links.

Não vou entrar em detalhes porque este não é um site de economia; apenas, recomendo uma olhada nesses dados a quem quiser entender o que está se passando no país para além da propaganda governamental. Alguém já disse que “os números não mentem jamais”, mas neste caso há detalhes a ser observados nas entrelinhas. O Instituto Kantar, por exemplo, ao analisar o segmento de eletrônicos, constatou que o Brasil já ultrapassou a média de dois televisores por domicílio. Numa pesquisa encomendada pela Philips/TP Vision, com amostragem equivalente a 48 milhões de domicílios, constatou-se que em 76% dos casos a compra de um TV novo não significa abandonar o TV antigo; muitas famílias querem um aparelho moderno para a sala e, com isso, transferem o outro para um quarto.

Foi uma das explicações que tive de Alessandra Aguiar, gerente de marketing da Philips. “O ciclo de vida dos aparelhos está aumentando”, diz ela. “Antigamente, se trocava o TV a cada oito ou dez anos. Agora, a pesquisa mostra que as pessoas querem se modernizar, mas sem abrir mão do aparelho antigo, que acaba indo para o quarto do filho ou do próprio casal.”

Faz sentido. Numa época em que assistir televisão tornou-se um hábito individual (ainda mais quando o aparelho pode ser usado para jogar videogame ou navegar pela internet), é natural que haja três, quatro ou até mais TVs pela casa. “Muitos nem querem se desfazer do TV de tubo, que continua funcionando”, lembra Alessandra.

Com tudo isso, a quantidade de TVs em funcionamento nas residências vai aumentando, mesmo quando as vendas de modelos novos não estão muito altas. O que não é o caso agora: com a proximidade da Copa das Confederações, as redes de varejo aumentam as promoções, e é provável que batam o recorde de 12 milhões de aparelhos vendidos este ano. E, mesmo que isso não aconteça, já será um bom ensaio para 2014, quando a Copa do Mundo deverá completar o serviço. Com ou sem inflação.

A propósito, e voltando ao tema do primeiro parágrafo: as pesquisas indicam que o consumidor está cortando gastos em alimentos, não em bens duráveis como são os eletrônicos. Mais um pouco, e poderemos afirmar que o brasileiro prefere ficar sem comer a ficar sem ver televisão.

Coisas de bilionários

Daniel S. Loeb: já ouviu falar? Eu também não. Até hoje, terça-feira, quando esse cidadão virou personagem do New York Times e daí para o mundo. Poderia ser apresentado como “o homem que queria comprar a Sony”, e só esse título daria argumento para um filme. Queria, não, quer. Loeb é dono de um fundo de investimentos da Califórnia, chamado Third Point, que entre outras propriedades possui a Yahoo.com, e a revista Forbes calcula sua fortuna pessoal em US$ 1,5 bilhão. É menos que o “nosso” Eike Batista, mas já dá para pensar em arrematar uma parte do império japonês da tecnologia que já foi dono do mundo.

Neste fim de semana, Loeb foi pessoalmente a Tóquio levar uma carta-proposta ao presidente da Sony, Kazuo Hirai, que – mesmo dizendo que a empresa não está à venda – não podia deixar de recebê-lo. Afinal, Loeb é hoje o maior acionista do grupo, com 6,5% de participação, e não está nisso para brincar. Acha que a Sony precisa voltar a dar lucro e, mais do que isso, garante ter uma receita para tal façanha. “É necessário retomar o foco”, escreveu ele na carta. “Temos certeza de que, com as recentes medidas do governo, o Japão voltará a ser forte como sempre foi. Mas é preciso disciplina para recuperarmos as margens de lucro.”

Atitudes como essa, partindo de um acionista importante, não são raras no mundo corporativo, e todos os relatos são de que Hirai e seus executivos receberam bem o ilustre visitante. O único problema: a carta vazou para um repórter do New York Times! Acabou-se assim o segredo. Todos ficaram sabendo que Loeb propôs, na prática, comprar a divisão de entretenimento do grupo, que inclui Sony Pictures e Sony Music, hoje avaliada em cerca de US$ 7 bilhões. Ao lado da divisão PlayStation, é a única parte do grupo que vem dando lucros seguidos. Loeb, com pleno trânsito em Hollywood e em Wall Street, acha que isso não basta: é preciso cortar custos para aumentar os lucros, até que o setor eletrônico volte aos trilhos.

Há cerca de 30 anos, o mundo se surpreendeu ao ver a Sony, assim como outras gigantes japonesas, comprar empresas americanas a rodo, incluindo símbolos como Columbia, RCA e até o Rockefeller Center. Agora, para acertar seu orçamento, o grupo Sony já teve que vender boa parte do que havia comprado, inclusive o majestoso Sony Building, no centro de Nova York. Pode ser que Loeb não consiga (o conselho de acionistas é que irá decidir), mas a simples revelação da carta já fez as ações do grupo subirem na Bolsa de Tóquio – coisa que não acontecia desde 2008.

Para quem quiser ler, a reportagem original do NY Times está neste link.

OLED adiado, por enquanto…

Embora continue apostando alto na tecnologia de diodos orgânicos (OLED), a LG teve que rever sua estratégia em relação ao lançamento comercial. Como já comentamos aqui, essa é uma tecnologia por demais complexa, e o momento atual é de consolidar os produtos existentes. O site internacional da empresa não informa, mas o fato é que, na melhor das hipóteses, o primeiro TV OLED chegará ao mercado internacional no final deste ano, com grandes chances de ficar para 2014.

Os consumidores coreanos são, por enquanto, os únicos que já têm a oportunidade de encomendar esse produto, e mesmo assim somente em alguns pontos de venda. O modelo de 55″ foi lançado por lá em abril, com preço oficial equivalente a cerca de US$ 10.000; e há a promessa de lançamento do badalado TV OLED de tela curva, em junho (aproximadamente US$ 13.000). Mas só na Coreia.

Durante os primeiros meses de fabricação, os técnicos da LG descobriram uma série de dificuldades que não estavam no script. Uma delas é a própria montagem dos painéis, extremamente finos e delicados, em que um milímetro pode fazer enorme diferença. Há relatos de que, para cada dez painéis produzidos, nove são jogados fora – no jargão da indústria, isso se chama yield, algo que pode ser traduzido como “índice de perda”. Outro problema seria a iluminação adequada dos pixels, que por serem feitos de material orgânico são muito mais sensíveis do que os convencionais (essa, aliás, é uma das vantagens da tecnologia OLED, pois permite trabalhar com intensidades de luz bem mais altas, e com menor consumo de energia).

Enfim, o desafio ainda é grande. Uma coisa é produzir alguns exemplares para exibição em feiras, como já vimos várias vezes; outra, bem mais complicada, é fabricar em escala industrial e, pior ainda, despachar aparelhos tão sensíveis para países a milhares de quilômetros de distância (mais detalhes neste texto).

Os executivos da LG – assim como os dos demais fabricantes – devem ter chegado à conclusão de que, por enquanto, é melhor concentrar esforços, e investimentos, nos TVs de led, cada vez em tamanho maior.

Samsung entra no segmento 4K

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Confirmado para junho o lançamento no Brasil do primeiro TV 4K da Samsung, que tem 85 polegadas, uma a mais que os equivalentes LG e Sony. Preço: R$ 100 mil, o mesmo do Sony 84″, que já comentamos aqui. Estamos aguardando que a Samsung nos envie um exemplar para teste, como já fizemos com o modelo da LG (vejam este vídeo e o texto na íntegra). Na verdade, a estratégia da empresa (aliás, de todas) é de médio prazo, pensando mais na Copa do Mundo, daqui a um ano, quando o conceito 4K talvez esteja mais disseminado – e, quem sabe, os preços mais baixos.

Todos os fabricantes garantem que seus respectivos aparelhos são os que oferecem a melhor conversão (upscaling) de conteúdos Full-HD – como dos discos Blu-ray e das transmissões de futebol na TV digital, aberta e fechada (esta para quem tem pacotes premium). Esse recurso é essencial, e será o principal trunfo dos fabricantes para convencer os consumidores, já que a transmissão da Copa em 4K, se houver, será apenas para cinemas e/ou ambientes fechados. O modelo de 85″ é o mesmo foi mostrado na CES 2013.

A guerra das frequências

Falta de pessoal técnico capacitado, e em quantidade insuficiente, indefinições regulatórias, interferências políticas e pressões de todos os lados – esse é o quadro por trás da atual disputa em torno da faixa de frequências de 700MHz. Já comentamos aqui – e a imprensa vem divulgando seguidamente – que emissoras de TV e operadoras de telefonia travam uma batalha nesse campo. Para ampliar a rede de celular 4G, o governo obrigou as emissoras a liberarem as frequências que ficarão vagas com a transição para o sinal digital. Insatisfeitas, as redes de TV reagiram denunciando que as conexões telefônicas irão gerar interferências, inviabilizando as transmissões de TV. Uma suspeita à qual o Ministério das Comunicações não tinha como responder (pelo visto, seus técnicos jamais haviam ouvido falar nesse risco).

O mais recente episódio dessa guerra de frequências veio na semana passada, na forma de um estudo que teria sido realizado pelo governo japonês, em parceria com a operadora local KDD, comprovando que redes LTE (o sistema de celular 4G escolhido pelo Brasil) e de TV digital não convivem bem, na faixa de 700MHz. Se for verdade o que dizem as emissoras e foi publicado no site Tela Viva, trata-se de uma das maiores aberrações técnicas já vistas no país. A escolha do padrão se baseou apenas nos parâmetros do 3GPP, organismo internacional que coordena os estudos em banda larga, e que garante não haver interferência do sinal de TV sobre o LTE, mas não assegura o contrário. Os japoneses teriam confirmado agora que o maior prejuízo se dá nas transmissões de televisão; fizeram testes de laboratório durante dois anos, usando até filtros para amenizar o problema, e gastaram cerca de US$ 3 bilhões nesse processo.

Evidentemente, o governo brasileiro não terá como investir sequer metade disso – até porque, pelo visto, os japoneses já fizeram o trabalho mais complicado. Resta saber qual a ginástica política que poderá levar a um acordo entre dois setores (emissoras e operadoras) com tamanho poder de pressão. E tendo no meio um governo que faz estudos desse nível.

Indo atrás dos milionários!!!

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A notícia tem se repetido com tal frequência que nem chama mais atenção: o Brasil é um dos recordistas mundiais em número de milionários. Vem logo atrás da China e bem à frente de países mais “pobres”, como França, Inglaterra e Suécia. Esta semana, para alegria dos ufanistas, a informação – divulgada com ênfase em revistas e sites de negócios – foi de que a cidade de São Paulo foi incluída no ranking mundial de bilionários. Não há erro de digitação: BILIONÁRIOS, não meros milionários (se duvidam, leiam aqui).

Essa bizarrice me fez lembrar da palestra a que assisti na semana passada em Joinville, durante a convenção internacional da distribuidora Som Maior. O alemão Robert Suchy, proprietário da Clearaudio, fabricante de toca-discos de alto padrão (como o da foto acima), falou a cerca de 40 empresários brasileiros sobre “a arte de vender produtos de luxo”. Poucas pessoas no mundo estão mais qualificadas a falar desse assunto: a Clearaudio produz aparelhos que chegam a custar 40 ou 50 mil dólares. E o mais incrível: consegue vendê-los em razoável quantidade.

O mais importante, ensinou Suchy, é mostrar ao cliente que você realmente acredita que aqueles aparelhos valem quanto custam. “Ele precisa se convencer de que está mesmo diante dos melhores produtos do mundo. Para isso, não apenas o dono da loja e seus auxiliares, mas as próprias instalações e até o cheiro do ambiente devem passar essa impressão.”

Suchy, que hoje dirige a empresa fundada por seu pai em 1978, na pequena cidade de Erlangen, interior da Alemanha, falou durante cerca de uma hora sobre essa sua especialidade. Citou marcas como Ferrari, Montblanc, Prada e Cartier e sugeriu que todos se habituem a, de vez em quando, visitar esse tipo de loja. Deu uma “aula” sobre a montagem de um show-room refinado e garantiu que isso de fato funciona. “Trabalhamos com produtos que mexem com a emoção das pessoas. Portanto, isso tem que ser passado ao cliente em todos os detalhes.” (assistam aqui a um vídeo que fizemos com Suchy).

TV e streaming, agora com DTS

dts-HDA próxima linha de TVs e players Blu-ray da Samsung, que chega às lojas dos EUA em junho, virá de fábrica com processador de áudio DTS-HD. Esse padrão, já conhecido há anos dos usuários de home theater, é concorrente direto dos Dolby Digital e pode ser encontrado tanto em cinemas quanto em vídeos Blu-ray. Para alguns especialistas, é superior em termos de envolvimento surround (confesso que, para mim, as diferenças são mínimas). De qualquer modo, a DTS (Digital Theater Systems), empresa californiana fundada em 1991, está sendo pioneira em explorar o universo dos smart TVs e do áudio digital.

Ao anunciar a novidade na última segunda-feira, em Los Angeles, Brian Towne, vice-presidente da empresa, confirmou que a intenção é transformar o padrão DTS em referência tanto para usuários de TV quanto para internautas em geral, oferecendo áudio via streaming com melhor qualidade. “Quem nunca ouviu vai ficar encantado”, comentou ele. “Todo mundo sabe que o streaming é o futuro do áudio, mas queremos que o consumidor de música e filmes digitais perceba os benefícios de uma experiência de imersão sonora, assim como já se tem hoje num bom home theater.”

O acordo com a Samsung é o primeiro entre um grande fabricante de aparelhos de massa e uma empresa de software para processamento (sim, a LG já lançou TVs com certificação THX, mas aqui o caso é diferente: a DTS vai fornecer chips para a Samsung embutir em seus TVs e players). Segundo Towne, quando o usuário fizer seu streaming, ou mesmo download, usando esses aparelhos, o sinal virá codificado de tal forma que o chip identifique e processe como DTS-HD. “A qualidade será a mesma de um Blu-ray”, prometeu ele. No caso dos filmes, o sistema começa a ser usado em 4 mil títulos que, no mercado americano, serão oferecidos pelo serviço CinemaNow, mantido pela rede de lojas Best Buy.

Vamos ver se a novidade também chega ao Brasil.

O futuro dos smart TVs

DISH-Systems-Essay-Future-of-TVNove de cada dez mensagens que circulam nos blogs e nas redes sociais que tratam do tema “televisão” referem-se ao novo papel que o televisor começa a desempenhar na vida das pessoas. Há muito achismo, é claro, mas é consenso que esse aparelho nunca mais será o mesmo. Ou, dito de outra forma, nós nunca mais o usaremos da maneira como temos feito desde que foi lançado comercialmente, na década de 1950.

A popularização dos chamados smart TVs é apenas um dos aspectos, e talvez o mais visível, desse fenômeno. No início, era apenas uma forma dos fabricantes acrescentarem um recurso visual e, com isso, atraírem mais compradores. Com o tempo, foi se verificando que a diversidade de conteúdos e de serviços que podem ser agregados a um TV é praticamente ilimitada – depende apenas da criatividade dos desenvolvedores e da atualização do software embutido no aparelho. Este, cada vez mais, é um “computador de tela grande”, numa definição simplista.

Numa palestra na semana passada, o presidente da Google Inc., Eric Schmidt, comentou que o YouTube já tem mais audiência do que qualquer canal de TV de qualquer país. Em março, o site de vídeos atingiu a marca absurda de 1 bilhão de visitantes únicos, e Schmidt acredita que chegará a 6 ou 7 bilhões em pouco tempo. “Não se trata de substituir uma coisa pela outra”, disse ele. “É algo totalmente novo, que precisamos ainda entender e estudar a melhor maneira de usar.”

Em meu livro “Os Visionários“, lançado em 2011, ao contar a história do YouTube, lembrei que esse modelo – em que as pessoas escolhem livremente o que e quando assistir – era uma prévia do que muitos imaginam como “a TV do futuro”. Em grupos de discussão online de que participo (como este), o assunto é abordado quase todos os dias. Como disse lá um colega, não se deve acreditar em tudo que se lê na internet – acrescento: não só na internet, em qualquer mídia. O problema, aliás, não é a mídia, ou seja, o meio que nos serve para buscar informação e, sim, o conteúdo que ali é colocado e a intenção de quem o coloca.

No artigo Smart TVs e a lei de Moore, o pesquisador Paul Gray, diretor da empresa DisplaySearch, talvez a mais respeitada do setor, lembra que as novas exigências do mercado – leia-se: dos usuários – estão obrigando a indústria a rever até a forma de fabricar esses aparelhos. Aqui neste blog, na seção “Artigos”, há vários outros textos explorando o tema. Ninguém ainda tem uma resposta para a pergunta: como será o futuro dos televisores? Quem encontrá-la vai ganhar na loteria.

Reviravolta na Semp Toshiba

Nesta terça-feira, os funcionários da Semp Toshiba receberam o comunicado oficial de algo que já se comentava nos corredores: o fundador do grupo, Affonso Brandão Hennel, de 83 anos, que havia se afastado do dia-a-dia dos negócios em 1999, demitiu o próprio filho, Affonso Antonio, e reassumiu o comando. Um dos pioneiros da indústria eletrônica brasileira, Affonso Brandão chamou agora os dois outros filhos, mais dois ex-funcionários que Antonio havia tirado da empresa, e vai formar um “conselho de gestão”, segundo diz o site da revista Exame, que havia publicado algo a respeito em outubro do ano passado.

Embora a decisão em si seja surpreendente (não é a toda hora que um pai age dessa maneira), é fato que a situação da Semp Toshiba já não andava boa desde a crise de 2008. Primeiro, foi o rompimento com a Toshiba Corporation, uma relação de 30 anos, com a qual havia um acordo para fornecimento de tecnologia; isso levou a Semp a ter que buscar fornecedores na China e Taiwan para continuar produzindo; do antigo acordo, só restou mesmo a autorização para uso da marca “Toshiba”. Sem tecnologia própria para concorrer com Sony, Panasonic, Samsung e LG, a empresa perdeu mercado no Brasil, onde até 2009 era líder na venda de TVs, muito em função de suas telas pequenas. O avanço da tecnologia em direção às telas grandes foi desastroso para o grupo.

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Os desentendimentos entre pai e filho já vinham de algum tempo, mas o fundador (na foto em 2007, ao lado do presidente da Toshiba Corporation, Norio Sasaki, na festa dos 30 anos da parceria entre os dois grupos) relutava em tomar uma atitude tão drástica – até em função da idade. A queda no faturamento, a perda de participação no mercado e uma série de erros de gestão teriam precipitado a mudança de rumos. Até cerca de três ou quatro anos atrás, a Semp Toshiba era uma das poucas empresas nacionais do setor capitalizadas para continuar enfrentando as multinacionais. Assistiu a similares como Gradiente e CCE saírem de cena ou serem vendidas, e manteve-se aparentemente firme. Não sei se ainda está.

TV paga rumo ao interior

A TV paga no Brasil está crescendo em direção às cidades de médio porte. Pelos dados da Anatel, divulgados nesta segunda-feira, Mato Grosso foi o estado com percentual de crescimento mais alto na venda de assinaturas: 8,2%, contra 2,9% de São Paulo e Rio, por exemplo. Claro, não estamos falando em quantidades: enquanto há mais de 6,4 milhões de domicílios paulistas recebendo o serviço, e mais de 2,3 milhões de cariocas, os matogrossenses têm apenas 183 mil. Mas, proporcionalmente, é em estados como Mato Grosso, Goiás e Tocantins que está o maior potencial.

Como já comentamos aqui, esses são territórios típicos das pequenas e médias operadoras e provedores de banda larga. No total, as operadoras fecharam março de 2013 com 16.809.274 assinantes, o que representa 3,8% de expansão sobre dezembro de 2012. Comparando os dados por estado, constatamos que os percentuais mais altos foram os de Mato Grosso (8,2%), Tocantins (8%), Acre (7%), Mato Grosso do Sul (6,7%), Goiás (6,5%), Pará e Paraná (ambos com 6% cada). Na comparação por região, temos:

                                          Centro-Oeste………… 6,3%

                                          Sul………………………. 5,3%

                                          Norte…………………… 4,1%

                                           Nordeste………………… 4%

                                          Sudeste…………………. 2,9%

É curioso também conferir os dados de março último com os de um ano atrás (março de 2012). De novo, Mato Grosso foi o campeão de crescimento, com 52%, seguido por Tocantins (49%) e Pará e Pernambuco (43%). No total, a expansão do serviço nesses doze meses foi de 22,9%. Com um detalhe: este primeiro trimestre de 2013 foi o mais fraco desde 2010, com 621 domicílios sendo conectados. Vejam:

                                         2010……………………… 5,9%

                                        2011………………………. 6,6%

                                        2012……………………… 7,3%

                                        2013……………………… 3,8%

Será esse um sinal de que a classe C está perdendo o fôlego? Saberemos nos próximos levantamentos. Nos próximos dias, vamos analisar outros aspectos das estatísticas, inclusive a acirrada competição entre as operadoras. Enquanto isso, para quem se interessa pelo assunto recomendo uma visita ao nosso hot site TV por Assinatura.