Archive | junho, 2013

OLED? 4K? Ou ambos?

samsung 4K 65 55Confirmando o que até agora eram apenas boatos, a Samsung anunciou nesta quinta-feira o lançamento em julho – por enquanto apenas na Coreia – do seu primeiro televisor com tela curva. Não é mera coincidência que o modelo da LG tenha chegado às lojas do país este mês. Os dois utilizam displays OLED do mesmo tamanho (55 polegadas) e têm especificações semelhantes, embora a Samsung informe que o seu oferece o recurso multiview – duas pessoas podem assistir ao mesmo tempo, só que cada uma vê uma imagem diferente (precisam de fone, porque não há como separar o som).

Tudo isso quer dizer que a “briga” entre os dois fabricantes coreanos segue a todo vapor. Ambas também já lançaram por lá modelos OLED convencionais, também de 55″, até agora com vendas modestas. O preço final é equivalente a US$ 9.000. Mas sites de tecnologia coreanos especulam que a Samsung não está investindo como se esperava na promoção da tecnologia OLED, preferindo centrar foco nos TVs 4K. No mesmo evento em que foi apresentado o “Timeless Arena” – apelido do OLED curvo -, a empresa mostrou seus dois novos UHD, de 65″ e 55″ (foto). Os preços estão na faixa de US$ 7.900 e US$ 5.670, respectivamente. Ambos vêm fazer companhia ao gigante de 85″, lançado no mês passado e que no Brasil pode ser encomendado por singelos R$ 100.000 (nos EUA, US$ 40.000).

Vamos ver agora a reação da LG.

Fraude na TV por assinatura?

Como cumpre a todas as empresas de capital aberto nos EUA (e lá as punições são severas, ao contrário daqui), a DirecTV anunciou nesta quinta-feira que seus números de assinantes na América Latina foram fraudados em cerca de 200.000 nomes. Na verdade, o problema ocorreu com a Sky, subsidiária do grupo no Brasil. Funcionários da operadora brasileira teriam creditado contas de assinantes a mais, nos relatórios encaminhados à Anatel, para inflar ilegalmente o número de contas ativas e, com isso, reduzir o que tecnicamente é chamado churn – taxa de cancelamento de assinaturas.

O caso ainda está sendo investigado, mas de qualquer modo a denúncia é grave. Pelos dados apresentados oficialmente, em 31 de dezembro último a Sky informou à Anatel ter cerca de 5 milhões de assinantes, 100 mil a mais do que realmente tinha; em 31 de março, foram mais 100 mil a mais, totalizando 5,3 milhões, quando na verdade eram 5,1 milhões. No Brasil, isso pode até ser considerado “normal”, mas nos EUA é crime: uma fraude contra os acionistas do grupo. Um problema agravado pelo fato de que as ações da DirecTV subiram acima da média nos últimos meses, justamente com base nas informações de seu crescimento na América Latina.

A DirecTV é proprietária de 93% das ações da Sky e, se a fraude for confirmada, poderá sofrer pesadas sanções da SEC, órgão que regula o mercado de ações nos EUA. Num relatório enviado à SEC, a empresa informa que já está providenciando as devidas compensações pelo erro, destinando US$ 25 milhões em pretax para o segundo trimestre do ano. No jargão do mercado acionário, pretax seria algo como uma “confissão de culpa”, quando a empresa admite a sonegação e já se dispõe a pagar uma multa pelo ato.

Mesmo assim, a SEC iniciou uma investigação, que pode ter consequências ainda mais graves. Estamos buscando mais informações com a Anatel e a própria Sky.

Literatura técnica, em português

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Começou esta semana a venda da Coleção High-Tech, uma série de publicações voltadas a profissionais de tecnologia, todas escritas em português. Este detalhe é importante porque dez entre dez profissionais brasileiros com quem converso se queixam da falta de material para estudo em nosso idioma. Acho que mais de 99% do que existe no mercado está em inglês e, infelizmente, a maioria das pessoas aqui tem dificuldade nesse ponto. Além disso, são conteúdos produzidos tendo em vista uma realidade completamente diferente da nossa, com exemplos e citações que pouco ou nada têm a ver com o Brasil.


Bem, a proposta da Coleção é suprir essa lacuna. Estão sendo lançados inicialmente quatro volumes: Rede Elétrica, Smart TVs e o Fenômeno da Segunda Tela, Cortinas e Persianas Motorizadas e Check List de Sistemas de Áudio e Vídeo. Nos próximos meses, a lista será ampliada com outros tópicos que interessam a quem trabalha na área. Assunto não falta. Fomos buscar o material em fontes como a CEA (Consumer Electronics Association), que representa cerca de 2 mil empresas internacionais do setor; a CABA (Continental Automated Buildings Association), com sede no Canadá, que reúne especialistas em automação predial e residencial; a OLED Association, formada por fabricantes de painéis orgânicos; o Instituto de Tecnologia de Tóquio, o principal do Japão; e consultorias especializadas em tecnologia, como Futurescape e Parks.

Conteúdos produzidos por esses e outros experts nos foram liberados para tradução e distribuição no Brasil, e é a partir deles que estamos construindo esse banco de dados no idioma de Drummond. Importante: todos os volumes são distribuídos somente em versão online, e serão atualizados conforme a evolução da tecnologia, que não para nunca.

High-end para todos os gostos

kaleidescape_mini_systemNa última sexta-feira, a distribuidora Audiogene realizou jantar para seus revendedores, em que apresentou suas novas linhas de produtos: as caixas acústicas e fones de ouvido da francesa Focal, os amplificadores e processadores da canadense Bryston e os servidores multimídia da americana Kaleidescape. As três são marcas high-end em seus segmentos e, principalmente no caso da última, vêm trazer um tremendo upgrade ao mercado brasileiro.

Sobre a Focal-JMLab, já comentamos aqui em fevereiro, quando saiu a notícia (agora, os produtos estão efetivamente nas lojas, e falaremos deles em breve). A Bryston faz parte de uma longa tradição do Canadá no setor eletrônico. Mas o caso da Kaleidescape merece ser analisado à parte. Fundada em 2001 por um grupo de investidores do Vale do Silício, a empresa foi praticamente quem lançou no mercado americano o conceito de media center, que alguns chamam “servidor de mídia”. A princípio, eram computadores dotados de memória e processamento robustos para suportar milhões de bytes (hoje são trilhões) vindos de diversas fontes e distribuí-los em rede. Com o tempo, evoluíram para supercomputadores, daí a denominação “servidor”.

Nos seus primeiros anos, a empresa teve sérios atritos com os estúdios de Hollywood e respondeu a vários processos judiciais. A acusação era de facilitar a pirataria: pode-se armazenar centenas de filmes no servidor, com qualidade de Blu-ray, algo que o pessoal de cinema nunca engoliu. Após milhões de dólares gastos nos processos, chegou-se a um acordo. Hoje, os aparelhos da Kaleidescape fazem exatamente a mesma coisa, só que foram criadas algumas limitações para impedir as cópias ilegais.

Você pode estar se perguntando: media centers e supercomputadores não existem aos milhares por aí? Sim, por isso mesmo, os fundadores da empresa – tendo à frente Michael Malcolm, que teve a ideia logo após montar seu home theater – buscaram uma diferenciação. Investiram pesado em design, a tal ponto que ter um desses aparelhos na sala passou a ser um luxo, e adotaram uma rígida política comercial. Todos os produtos da marca são registrados, assim como os dados completos de seus compradores. Seu data center, na Califórnia, tem o controle absoluto de todas as unidades que foram vendidas e conseguem detectar quando são ligadas e que tipo de conteúdo há dentro de cada uma delas. Se alguém na Índia ou no Paquistão fizer uso indevido, o aparelho é travado remotamente.

Distribuidores e revendedores pelo mundo afora têm a responsabilidade de zelar pela marca e saber exatamente para quem estão vendendo – até porque o preço não é baixo: um dos servidores tem custo na faixa de 90 mil dólares! Estamos diante, portanto, de um servidor multimídia de padrão high-end. E que, segundo a Audiogene, já tem vários compradores no Brasil. Por sinal, a distribuidora está credenciando revendedores para as três marcas; e garante que não serão muitos.

Correndo atrás do VoD

multitelas (modelo)As estatísticas disponíveis são unânimes: no mundo inteiro, as pessoas assistem cada vez mais a vídeo. Sejam os vídeos pessoais, que circulam pelas redes e muitos colocam no YouTube, sejam os sites de compartilhamento onde se encontram vídeos até de graça, sejam as lojas virtuais (iTunes, Amazon, Netflix), o vídeo – como diz meu amigo Antonio Salles, especialista na matéria – é a grande “novidade” do mercado.

Se essa é a realidade mundial, imaginem no Brasil, onde 90% da população é fissurada por televisão (uma das formas de distribuição de vídeo). Não é coincidência que quase todas as operadoras de TV por assinatura, e mesmo as principais emissoras abertas, estejam expandindo a oferta de conteúdos sob demanda. VoD (Video-on-Demand) é a palavra da hora, e quem conseguir oferecer a melhor e maior variedade de serviços nesse formato tem tudo para liderar o mercado.

Apenas nas últimas semanas, vejam o que foi anunciado no Brasil em VoD:

Globosat – A maior programadora nacional, que foi a primeira a investir em VoD, com o serviço Muu, não está economizando nessa área. Utiliza a força de suas marcas Telecine e GNT para atrair mais parceiros. Um dos acordos (com Sony Music e Universal Music) prevê a criação do canal +BIS, dedicado a distribuir shows e documentários sobre música. Será um serviço do tipo S-VoD, ou seja, sob demanda mas com pagamento de assinatura mensal. Receitas culinárias, esportes e conteúdos culturais também estão sendo direcionados a canais específicos de VoD, onde o assinante das operadoras que exibem os canais Globosat poderá, na prática, escolher o quê e quando assistir.

(Cabe aqui uma observação. De todas as empresas brasileiras de TV paga, a Globosat é certamente aquela que tem melhores condições de explorar o formato VoD, devido à enorme quantidade de conteúdos produzidos pelos seus canais – e é justo incluir aí o que sai da própria TV Globo. Vai ser difícil alguém competir).

Claro TV – A um passo de unificar suas operações com a Net (ambas agora pertencem ao mesmo dono, o grupo mexicano America Móvil), a Claro ainda pode distribuir os mesmos conteúdos do Now, da própria Net, que foi o primeiro serviço VoD do país. Seu serviço Claro Vídeo libera esses conteúdos para serem vistos em smartphones, tablets e notebooks, o que interessa à estratégia do grupo de roubar clientes, por exemplo, da Telefônica (hoje Vivo) e da Oi.

Vivo TV – Assim como a Claro, a operadora que herdou os assinantes da Telefônica e da TVA está agora distribuindo conteúdo pelos TVs smart da Samsung. E seu serviço Vivo Play já atinge usuários do videogame Xbox, além dos que possuem aparelhos portáteis de acesso à web. Maior operadora de celular do pais, a Vivo luta para manter sua enorme base de assinantes, mais do que nunca assediados pelas concorrentes.

Falso nacionalismo

Não fosse pelas fantásticas manifestações populares das últimas duas semanas, parlamentares e diplomatas brasileiros já teriam oficializado o confronto contra a Amazon.com. A maior loja virtual do planeta é acusada de atentar “contra os interesses do país” ao pedir o registro do domínio “amazon” na internet. Segundo divulgado pela Agência Brasil, suas excelências têm não só o apoio do governo brasileiro como também de pelo menos um país sul-americano, o Peru. O conceito é de que, como a Amazônia (Amazon, em inglês) ocupa seus territórios, nenhuma empresa particular pode fazer uso do nome sem autorização dos dois países.

Parece uma grande bobagem, mas não é. Tecnicamente, quem concede o registro é a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), entidade internacional criada para gerenciar os aspectos legais e comerciais da internet. A Amazon, que existe desde 1996 e sempre se promoveu com seu endereço online (amazon.com), quer agora os direitos sobre esse domínio para poder impedir eventuais espertinhos – que existem no mundo inteiro – de explorar sua marca. A solicitação faz parte de uma lista, aberta na ICANN em janeiro do ano passado, em que empresas de vários países tentam se proteger contra falcatruas online (foram 1.930 pedidos, ao todo).

Cheios de preocupação quanto à ameaçada soberania do país, os membros da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado, fizeram até uma audiência pública para discutir o assunto. O caso está sendo estudado pela OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), que segundo o Itamaraty já tentou, em vão, acordo com a Amazon; esse órgão reúne oito países ligados de alguma forma à Amazônia. No último dia 19, os senadores começaram a recolher assinaturas de apoio (quem quiser aderir pode entrar em nossaamazonia.org.br). Um de seus argumentos é o de que, como a ICANN é sediada na Califórnia, tende a defender os interesses de empresas americanas; essa é uma discussão antiga: como se sabe, a internet nasceu nos EUA e a maioria das empresas que a exploram comercialmente, assim como as entidades de regulação das atividades online, têm origem no país.

O que não impede os parlamentares daqui de construir e divulgar mitos para sustentar seus interesses. Uma das mais ativas contra a empresa americana é a senadora Ana Amelia (PP-RS). Ela chegou a lembrar nomes de produtos brasileiros que acabaram sendo registrados em outros países, como o cupuaçu. Transcrevo aqui literalmente sua frase: “A palavra (Amazon) engloba todo um bioma, contendo flora, fauna, produção extrativa, conhecimentos tradicionais, cultura, enfim, uma complexidade de componentes, muitos dos quais utilizam a palavra ‘Amazônia’ em sua denominação e cuja utilização poderia vir a ser ameaçada caso se propicie a pretendida proteção”.

É com esse tipo de argumento que se legisla no Brasil. Não se vê os senadores tomarem alguma providência, por exemplo, contra o desmatamento criminoso ou as doenças (algumas surgidas no século 18) que atacam as populações pobres da Amazônia. Talvez eles estejam querendo ter uma conversinha em particular com os executivos da Amazon. Daí a gritaria em torno de um nacionalismo de fachada, bem típico da classe política brasileira.

Bem, para quem quiser entrar nessa discussão, por mais bizantina que pareça, passo aqui os links para dois interessantes artigos, ambos publicados na Folha de São Paulo:

A geografia da internet

O dono do nome

Os números da segunda tela

Junto com as redes sociais, o tema preferido atualmente entre os estudiosos de mídia e tecnologia é a Segunda Tela, fenômeno que já abordamos aqui algumas vezes (acessem os links no final do texto). Há inúmeras opiniões e palpites, mas faltam números confiáveis para embasar as teses que se lê e se ouve por aí. Agora, a Nielsen – maior empresa de pesquisas do mundo, que no Brasil é associada ao Ibope – acaba de divulgar um estudo que pode funcionar como indicador (ou quase isso) do que de fato acontece entre os consumidores.

Antes, algumas observações. Para variar, a pesquisa se restringe ao mercado americano e não necessariamente pode ser replicada a outros países. O espetáculo a que estamos assistindo no Brasil, por exemplo, com milhares de pessoas indo às ruas para protestar, está completamente fora da curva de adesão aos dispositivos portáteis. Tem sido tudo tão rápido e dinâmico que pesquisa alguma seria capaz de detectar ou interpretar o fenômeno. Mesmo assim, é fato que as redes sociais e o uso da segunda tela (a primeira é sempre a do TV) desempenham papel fundamental na mobilização dos brasileiros.

Dito isso, vamos aos números da Nielsen:

— 34% das pessoas com mais de 18 anos já possuem um tablet, o que significa quase o dobro de um ano atrás (18%);

— 46% dos usuários de smartphones e 43% dos que utilizam tablets já adquiram o hábito de acessá-los enquanto estão assistindo televisão; mais de 30% o fazem várias vezes por semana;

— Quase metade dos que têm tablet usam o aparelho para fazer buscas na internet sobre o conteúdo que estão vendo na televisão; 68% simplesmente ficam navegando;

— Mais da metade de todos eles (usuários dos dois aparelhos) visitam suas redes sociais enquanto estão vendo TV, e pelo menos 20% participam de conversas ou discussões sobre o conteúdo exibido;

— Ainda é baixo (15%) o percentual de pessoas que assistem a um programa de TV a partir de uma recomendação vista nas redes sociais;

— E um dado importantíssimo: 20% de quem possui tablet já comprou algum produto usando esse aparelho, logo depois de ver o anúncio na televisão.

Aqui, links para comentários interessantes a respeito:

Ventos de mudança: quem viver verá

Ver TV ou experimentar TV, eis a questão

O mercado de TVs e o futuro

2a. tela, e também 3a, 4a,…

Nove questões sobre o impacto das tecnologias online

 

 

O dilema da tecnologia 3D

TVs 3DDois ou três anos atrás, estávamos todos aqui comentando sobre os benefícios e o potencial da tecnologia 3D, espantados com o sucesso de Avatar e outras superproduções do cinema. A maioria dos fabricantes realmente acreditou que ali estava uma nova revolução tecnológica, a qual a maior parte dos consumidores iria abraçar. Hoje, o consenso no mercado é exatamente oposto: 3D continuará sendo uma tecnologia premium, mas restrita a no máximo 20% dos usuários (esse foi o percentual de vendas de TVs 3D LCD em 2012, segundo a consultoria internacional IHS).

Nos bastidores da indústria, o comentário mais comum é o de que Hollywood não fez a sua parte no acordo que, em 2010, reuniu todos os setores interessados: fabricantes, emissoras, produtoras e estúdios. Nos cinemas, é possível cobrar ingresso mais caro de quem quiser mesmo ver um filme de ação em tela IMAX (ou equivalente). O apelo entre jovens e crianças é inegável, e grande parte deles não se incomoda em usar os óculos durante duas horas. A imagem é envolvente, o som circula em torno das cabeças e todo mundo sai da sala certo de que viveu ali uma experiência única.

Em casa, é completamente diferente. Não é comum ficarmos duas horas contínuas na frente do TV. Nesse período, levantamos algumas vezes, toca o telefone, vamos ao banheiro e o controle remoto é acionado a toda hora; diferente do que acontece, por exemplo, assistindo a um programa ao vivo. Se o filme é 3D, essa rotina implica em colocar e tirar os óculos várias vezes; erroneamente, os fabricantes não dotaram os TVs de um recurso que permita ver ao mesmo tempo imagens 3D (com óculos) e 2D (sem). Ajudaria muito, nas situações em que várias pessoas estão na sala vendo o mesmo conteúdo.

Bem, mas isso é apenas um detalhe. Mesmo com os TVs 3D custando quase o mesmo preço dos convencionais, o consumidor não faz questão desse benefício. E aí entra a queixa contra os estúdios: a quantidade de filmes lançados em 3D até hoje é pífia, insuficiente para atrair pelo menos metade dos possíveis compradores. Não há saída a curto prazo: o custo de produzir um filme nesse formato é muito mais alto, e Hollywood hoje é dirigida por financistas, não por artistas.

Para as emissoras, o problema é ainda mais complexo. Mesmo conseguindo fazer captação em 3D, como já acontece em grandes eventos, jogar esse sinal no ar exige uma ginástica tecnológica cujo custo-benefício ainda é alto. Os softwares de compressão disponíveis não dão conta da qualidade a que os telespectadores estão se acostumando (resolução HD, 1080i). Resta a TV paga, mas o que acaba de acontecer com o canal ESPN 3D nos EUA é um péssimo sinal. Dois anos depois de lançado, não veio a audiência, e consequentemente também não vieram os anunciantes que bancariam a ideia, talvez avançada demais para o nosso tempo.

Na prática, fica claro que, enquanto for preciso usar óculos, os TVs 3D não irão decolar. E cai-se no velho dilema do ovo e da galinha: não se fazem filmes porque há poucos receptores instalados, e não se vendem mais TVs por falta de conteúdo.

Em tempo: para quem quiser saber mais detalhes sobre a tecnologia 3D, este hotsite é uma boa indicação.

Infocomm: 4K, touchscreen e muito mais.

InfoComm Mannequins

 

 

Relatório divulgado hoje pela organização da Infocomm, que aconteceu semana passada em Orlando (EUA), informa que foi batido o recorde de participantes do evento: 35.126 profissionais, representando mais de 110 países (o recorde anterior era de 2008: 34.600 pessoas). Sinal claro de que mais empresas estão buscando aperfeiçoamento técnico e cooperação, algo que a Infocomm oferece de sobra.

Não pude estar presente desta vez, mas as diversas fontes que consultei indicam que, como esperado, os displays e telas de projeção 4K foram a principal atração. Além da Sony, participante habitual, outras gigantes do setor lá estiveram com suas telas gigantes: Epson, Samsung, LG, Panasonic, JVC. As duas últimas mostraram suas primeiras câmeras profissionais 4K, que pretendem competir com a Sony no segmento de produtoras de vídeo e emissoras de TV. É provável que parte dessas novidades sejam mostradas aos brasileiros em agosto, durante a Broadcast & Cable, organizada pela SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão).

tiling

 

 

Também chamaram atenção na Infocomm os displays touchscreen de grande porte, como os da americana Planar, que aperfeiçoou o recurso tiling para telas 3D (foto ao lado). Trata-se de compartilhar a tela com imagens vindas de várias fontes diferentes, de tal forma que o usuário possa, com o toque dos dedos, movimentá-las de forma dinâmica. É uma das tendências no segmento de vídeo profissional. Também fizeram sucesso entre os visitantes os displays 3D para sinalização digital (foto ao alto) e os painéis de toque dinâmico, como o mostrado neste pequeno vídeo.

Telas flexíveis, a próxima onda?

oled flexA OLED Association, consórcio internacional de fabricantes que apoiam e desenvolvem a tecnologia de displays orgânicos, publicou na semana passada em seu blog interno que a Samsung irá exibir na IFA, em setembro, seu primeiro produto comercial que usa tela flexível. Seria a versão 3 do tablet Galaxy Note, a ser lançada até o final do ano (a versão 2 é hoje a que mais se aproxima, em vendas, do iPad, tendo batido a casa de 10 milhões de unidades vendidas desde o lançamento, no final de 2012).

A empresa coreana – que, aliás, não confirmou a notícia – teria resolvido boa parte dos problemas na fabricação dos displays OLED, com o uso de um substrato plástico chamado Polyimida e de uma técnica de encapsulamento (sobreposição dos painéis) patenteada pela empresa sinoamericana Vitex. Não há maiores detalhes, a não ser o de que a inovação ganharia o estranho nome comercial de YOUM!!! Mas é evidente que a simples possibilidade de um tablet com tela flexível (e, segundo os especialistas, inquebrável) já atiça a curiosidade de muitos usuários.

Este vídeo mostra o momento em que um executivo da Samsung apresentou um protótipo do produto na última CES, em Las Vegas: a plateia de jornalistas vibrou. Somente com a tecnologia OLED é possível pensar nesse tipo de inovação, cuja gama de aplicações vai muito além dos aparelhos de consumo. Talvez ainda seja cedo para vibrar, mas de qualquer modo temos aí mais um bom motivo para ir à IFA. Para quem quiser relembrar, neste hotsite mostramos o que houve de mais interessante na feira do ano passado.

ExpoPredialTec será em setembro

Foi confirmada para os dias 11 a 13 de setembro, em São Paulo, a 4a. edição da ExpoPredialTec, principal evento do setor de automação residencial no país. Mais uma vez, a feira acontece simultaneamente ao Congresso HABITAR, organizado pela Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial). Ambos são eventos obrigatórios para quem trabalha na área, e também para profissionais de setores relacionados, como arquitetos, designers de interiores, integradores, projetistas e instaladores de sistemas de áudio/vídeo, redes, telecom, acústica, ar condicionado, elétrica etc. O evento também é aberto a usuários, mas é necessário obter convite.

Algumas das empresas que já garantiram participação: Epson, Yamaha, BTicino, Schneider, ABB, Neocontrol, Z-Wave. Além disso, os organizadores estão convidando também empresários e profissionais da área de construção e administração predial, que hoje estão buscando a tecnologia para tornar seus empreendimentos mais atraentes, seguros e com menor consumo de energia. Será apresentado ainda o projeto Búzios Cidade Inteligente, que está criando na famosa cidade carioca um modelo de gestão e convivência todo baseado em tecnologia, com carros elétricos, painéis de energia solar, redução de gases etc.

Já o Congresso HABITAR irá repetir uma iniciativa que deu certo no ano passado: além de palestrantes brasileiros, confirmaram presença a CABA (Continental Automated Buildings Association), entidade canadense que está na linha de frente em automação residencial e predial; e a KNX, entidade europeia com mais de 300 empresas filiadas que promove esse padrão de comunicação e controle de edificações.

Por trás da primavera brasileira

No momento em que escrevo (19h30), estou sem poder sair de casa – digo, da casa onde trabalho, próximo à Avenida Paulista. O trânsito está parado, estações do metrô isoladas, e pela televisão já se vê que não há a menor condição de tráfego por ali. Imagens de helicóptero mostram o confronto entre manifestantes e policiais. Claro, exibem apenas uma parte da cena; é impossível cobrir todo o campo de ação. Mas vê-se que os dois lados usam armas. Os policiais procuram bloquear a passagem, usando balas de borracha e bombas de gás, e contra eles alguns manifestantes atiram rojões; alguns abrem os braços, como prisioneiros que (ainda) não são.

É a quarta vez em uma semana, e após as três anteriores a maioria dos comerciantes decidiu fechar as portas, com medo de ver contra si as temidas depredações. Assim vamos nos acostumando ao que alguns, ironicamente, chamam de “primavera brasileira”, aludindo aos movimentos dos últimos anos nos países árabes e, recuando mais ainda no tempo, à célebre Primavera de Praga, de 1968. As ruas da maior cidade brasileira foram transformadas em praça de guerra, ou algo bem próximo disso. A sensação de insegurança, que já vinha aumentando, chega agora ao seu nível máximo. Imagino o que estão sentindo as pessoas que estão dentro de carros e ônibus, parados em meio ao caos.

Duas perguntas básicas me ocorrem: por que se chegou a esse ponto? E a quem interessa esse conflito? Arrisco-me a responder. Para a primeira, não há uma causa específica. Certamente, o custo das passagens de ônibus não é uma delas. O aumento é bem inferior à inflação, foi anunciado ainda no final do ano passado e durante esse tempo não houve qualquer manifestação de protesto. O Movimento Passe Livre, que agora assume a autoria, era desconhecido até duas semanas atrás.

Se quisessem motivos para protestar, seus líderes teriam vários. Em dias de trânsito normal, uma pessoa que mora, por exemplo, em Santo Amaro e trabalha na região da Av. Paulista leva, em média, 70 minutos no trajeto de ônibus (um pouco menos de carro) – a distância é de aproximadamente 10km. O estado geral da frota é precário, as ruas cheias de buracos convidam a acidentes, os pontos de parada são ridiculamente desconfortáveis. Quem usa o metrô sabe ainda que estações recém-inauguradas já nasceram saturadas, incapazes de dar vazão à quantidade de usuários.

Os governantes com certeza estão devendo, e aí pode-se incluir as administrações municipal, estadual e federal, assim como os legislativos dos vários níveis, mais preocupados com a politicagem do dia-a-dia. Portanto, são parte do problema, e não da solução – aliás, muito longe disso. A economia do país, em baixa, com certeza também contribui para um clima de insatisfação, embora nenhum manifestante até agora o tenha mencionado.

Bem, mas a quem interessa o tumulto? Certamente, não ao atual prefeito nem ao governador. Menos ainda aos empresários, cujos negócios dependem de um mínimo de estabilidade, ou à polícia, que já tem trabalho suficiente para preencher seu tempo. Muito menos à população trabalhadora, que precisa de transporte público. Difícil imaginar que um usuário do metrô se disponha a depredar uma estação, da qual se serve todo dia; ou atear fogo a um ônibus, do qual depende para se locomover.

Por exclusão, caímos na política, aquela com “p” minúsculo que desde há alguns anos passou-se a praticar no Brasil. Se o caos não interessa a quem está no poder, só pode ser útil a quem está fora dele e sonha tomá-lo, ou voltar a ele. Uma leitura mais atenta às entrelinhas de artigos em jornais e revistas, além de notas em sites e blogs que tratam de política, autoriza avançar na hipótese. Todo mundo sabe que o governo Dilma, composto por facções que só têm em comum a luta pelo poder a qualquer preço, vem perdendo credibilidade a partir das idas e vindas da economia. Até integrantes da malfadada “base aliada” se queixam na imprensa do tratamento que recebem da presidente, criticada como “autoritária” e sem capacidade de diálogo. Nada disso ocorria durante o governo Lula.

A política de estímulo ao consumo, uma das marcas do ex-presidente, parece esgotada, enquanto caem os investimentos, sobe a inflação e a infraestrutura do país mostra seu estado mais do que precário. Nesse ritmo, há um grave risco de que Dilma chegue até as eleições de 2014 em posição de fragilidade. Sua candidatura à reeleição terá de ser definida até o início do ano; em caso de perigo, o PT e seus aliados só teriam uma alternativa: chamar Lula para o “sacrifício”. Com ou sem crise econômica, nove entre dez especialistas sabem que Lula é imbatível. Seria, então, a solução perfeita para fazer tudo voltar ao que era antes da “era Dilma”.

Por mais diabólico que pareça, a conclusão lógica é a de que os conflitos dos últimos dias só interessam a esse grupo: aqueles a quem Dilma não dá ouvidos. E que sonham, acima de tudo, com o poder a qualquer custo. Uma boa leitura, a esse respeito, é o site Brasil 247, dirigido pelo ex-ministro José Dirceu. Ali, nas entrelinhas, está desenhada toda a estratégia.

ESPN aposenta canal 3D

espn-3d-10501O que significa a decisão da ESPN de interromper seu projeto de canal 3D 24 horas? Até o final do ano, americanos assinantes das principais operadoras continuarão podendo acessar o conteúdo de documentários e reprises de eventos esportivos que a emissora captou com equipamento 3D ou adquiriu de terceiros. Em 2014, o canal sai do ar. A justificativa da empresa, que pertence ao conglomerado Disney, é a mais simples possível: falta de audiência.

Pode ser um péssimo sinal. Embora se saiba que as vendas de TVs 3D não decolaram como esperava a indústria, a decisão da ESPN representa um duro golpe nos adeptos dessa tecnologia. Enquanto o YouTube amplia seus serviços em 3D, por enquanto com poucos acessos, e as produções de cinema nesse formato continuam no mesmo ritmo, os demais setores da indústria parecem mesmo ter esfriado os ânimos. Existem vários canais 3D pelo mundo afora, mas a maioria com limitada oferta de conteúdo, o que força contínuas e irritantes reprises.

E o pior: na prática, tem havido poucos avanços em relação à própria experiência do usuário, que hoje é basicamente a mesma de 2010, quando os primeiros TVs foram lançados. A Sony, por exemplo, tirou do ar em abril seu site 3D World, lançado em 2011 com a promessa de promover o formato; seria também uma plataforma para o lançamento de novos conteúdos, que os usuários de TVs Bravia poderiam acessar. O mesmo fez a Panasonic, que financiou o lançamento do Blu-ray Avatar 3D com toda pompa.

E há, é claro, o problema dos óculos. Já se sabe que as projeções de vídeo 3D sem óculos irão demorar, e enquanto as pessoas tiverem que usar o acessório vai ser difícil convencê-las a ver, por exemplo, filmes de longa-metragem 3D em casa. Sim, acho que a maioria gostaria de assistir, por exemplo, aos jogos da Copa do Mundo ou a um grande show de música em 3D. Mas quanto isso custaria?

Empresas como Microsoft, National Geographic, Discovery, Intel e a própria Disney participam do consórcio [email protected], que investe no aprimoramento da tecnologia, usando inclusive cineastas consagrados – como Martin Scorsese e James Cameron – como garotos-propaganda. Existem ainda sites dedicados ao assunto, alguns até exibindo vídeos, geralmente curtos, em 3D (veja um deles aqui).

Mas é pouco, muito pouco.

NEOTV tem novo diretor

A NEOTV, entidade que representa cerca de 160 pequenas e médias operadoras de TV paga e banda larga em todo o país, confirmou nesta quinta-feira o nome de seu novo diretor geral. É Alex Jucius, profissional com longa experiência no setor de telecom. Jucius substitui Mariana Filizola, que em maio surpreendeu todo o mercado ao se transferir para a Net Serviços. Mariana, uma das profissionais mais respeitadas do setor, será responsável pela nova área chamada Go-to-Market, cuja missão é expandir e solidificar a atuação da Net no interior do país.

À primeira vista, parece uma estratégia acertada, a da Net. O crescimento da TV paga nos últimos anos vem se dando principalmente nas cidades pequenas e médias, onde até há pouco tempo não se tinha acesso ao serviço – ou não havia competição. A nova legislação, com a abertura do mercado às teles, praticamente obriga à concorrência. E talvez ninguém conheça melhor os problemas e as necessidades dessas regiões (que são bem diferentes dos grandes centros) do que Mariana.

Já a NEOTV, que cresceu expressivamente nos últimos dois anos, precisa dar continuidade ao processo de integração entre pequenas e médias operadoras de TV paga e provedores de banda larga. Muitas dessas empresas não têm estrutura nem conhecimento técnico para enfrentar os novos desafios tecnológicos e as novas necessidades dos assinantes. Tomara que Alex Jucius consiga mantê-las com o dinamismo que vimos durante o último Congresso da entidade, em abril.

O futuro, segundo Lucas e Spielberg

Hollywood_The_End“Os estúdios de cinema vão explodir e a indústria de cinema será algo como é hoje a Broadway: poucos grandes filmes, que ficarão em cartaz durante vários meses. A maioria das produções não será exibida nos cinemas, mas transmitida pela internet.”

As previsões não são minhas, nem de algum lunático que caiu de paraquedas em Hollywood. São de Steven Spielberg e George Lucas, simplesmente os dois mais bem sucedidos cineastas/produtores de todos os tempos. Eles devem saber o que falam. Se considerarmos suas duas carreiras, que já duram 40 anos, ambos levaram mais gente aos cinemas e às videolocadoras do que todos os outros cineastas somados. Conhecem como ninguém a arte de fazer filmes e, mais do que isso, a mistura de arte, investimento e sociologia (ou talvez psicologia social) que compõe o negócio de promover e distribuir filmes.

Spielberg e Lucas, amigos desde que se conheceram na faculdade de cinema da UCLA, no final dos anos 60, participaram nesta quarta-feira de um debate sobre o futuro da indústria de entretenimento, justamente com estudantes de cinema. E, segundo o site Variety, não mostraram muito otimismo em relação ao que será de Hollywood após a avalanche da internet. A seguir, algumas de suas previsões:

“O que vai haver é uma implosão. Com tantas formas de entretenimento competindo pela atenção do público, será mais fácil gastar US$ 250 milhões num único filme do que produzir vários de orçamento pequeno. Talvez haja apenas meia dúzia de grandes lançamentos por ano; o restante nem irá para os cinemas, mas direto para a televisão via internet, e o público irá comprá-los via serviços on-demand.” (Spielberg)

“Haverá menos salas de cinema, e serão salas grandes. Um ingresso irá custar 100 ou 150 dólares, como acontece hoje no teatro. Os grandes filmes ficarão em cartaz o ano inteiro, como os shows da Broadway. Na prática, já está sendo quase assim. O último filme de Spielberg, Lincoln, quase não chegou aos cinemas; meu Red Tails também não. Nem nós estamos conseguindo.” (Lucas)

Bem, e quando tudo isso vai acontecer? “Daqui a uns cinco anos”, respondem os dois. Ou seja, estamos às portas de um cenário tipo Blade Runner ou Exterminador do Futuro, onde talvez não sobre ninguém para contar a história. Ou talvez sobre. Lucas e Spielberg fazem questão de ressalvar que nem tudo está perdido: “As pessoas sempre vão querer boas histórias, isso nunca vai mudar.”

Que alívio!

MTV, em busca de um caminho

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Lembro até hoje da estreia da MTV no Brasil. Foi por volta de 1987, e eu, trabalhando numa revista chamada Video News, vibrei ao lado dos colegas ao constatar que, pelo menos em relação à música, o Brasil havia chegado ao Primeiro Mundo. Pode parecer ridículo dizer isso hoje, mas vivíamos então a escuridão da reserva de mercado, quando quase tudo, em matéria de eletrônicos e entretenimento, era proibido e/ou dificultado. Um ano antes, visitando os EUA, eu tinha percebido o impacto que a nova emissora causava entre os jovens e como estava revolucionando os mercados da música e da televisão. A história completa é contada em livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo Através da Tecnologia“, no capítulo dedicado a Robert Pittman, idealizador do primeiro canal de TV dedicado à música 24 horas por dia.

A chegada da MTV ao Brasil foi saudada por quase todo mundo – a campanha de lançamento envolveu dezenas de artistas, alguns sem cobrar cachê, conscientes de que ali estava o futuro para suas carreiras. E assim foi por um bom tempo. A internet, o MP3 e as mídias digitais viraram o mundo de cabeça para baixo, e o canal, que chegou a ser disputado a tapas por operadoras de TV por assinatura, entrou em crise. Hoje, a Abril está oferecendo a emissora a quem quiser, cansada de perder dinheiro (dizem que até uma igreja evangélica entrou na parada, o que certamente seria o fim…)

Na verdade, a MTV é uma propriedade do grupo Viacom, também dono da Paramount Pictures e de canais como VH1 e Nickelodeon. Até janeiro de 2014, a Abril tem direito de usar a marca, mas a essa altura, especialmente após a morte de Roberto Civita, os americanos já negociam para tê-la de volta antes. A não ser que algum grande grupo de mídia decida substituir a Abril, o mais provável é que a Viacom reassuma o comando.

Menos de 30 anos após sua chegada, a MTV, que fez parte da vida de pelo menos três gerações de jovens brasileiros, passou por tantas mudanças (de executivos, de grade, de conceito) que acabou perdendo totalmente sua identidade. Com certeza, é um case de marketing – um case negativo, claro: como destruir uma marca de sucesso que conseguiu a proeza de liderar seu segmento e engajar totalmente seu público. Daria outro livro.

Tentando entender a “TV Social”

Basta dar um Google: todo mundo tem alguma opinião sobre as redes sociais e os benefícios (ou malefícios) que estão causando aos indefesos cidadãos. Com mais de 1 bilhão de pessoas cadastradas só no Facebook (o número é a própria empresa), não surpreende que o tema vire assunto quase tão comum quanto futebol. A maioria das opiniões se divide entre o catastrófico (“não quero virar escravo do Facebook”) e o redundante (“não há como escapar”). Já existem até cursos de nível superior (!!!) que se propõem a ensinar a dominar esse mundo virtual; sem falar da enxurrada de livros escritos a respeito.

Até por dever da profissão, procuro me informar ao máximo sobre as novas mídias. E chego à conclusão de que ninguém (vá lá, com raríssimas exceções) sabe o que está falando, ou escrevendo. Nessa terra de ninguém, o que mais se vê é chute… e, em alguns casos, há até quem esteja ganhando dinheiro para fingir que entende do assunto. Digo tudo isso a propósito da notícia de que o Ibope Media está criando um sistema de “estudos analíticos” para entender como as redes sociais estão influenciando o hábito de ver televisão. É o fenômeno que algum sábio definiu como “TV Social” e acabou pegando.

Certamente preocupado com a chegada de um forte concorrente (a alemã GfK, que começa a oferecer pesquisas de mercado e planeja entrar no segmento de medição de audiência), o Ibope anunciou que está se unindo à TTV, empresa especializada em mídias sociais. Esta já analisa mais de 100 canais de TV aberta e fechada, vendendo esses estudos para anunciantes, agências de publicidade e as próprias emissoras. Tomara que sejam estudos sérios e realmente ajudem a entender tantas mudanças (mais detalhes, neste comentário).

Para quem quiser tentar desde já, recomendo estes três artigos:

Ver TV ou experimentar TV, eis a questão

Nove questões sobre o impacto da tecnologia online

Estamos preparados para a próxima geração de TV?

Quantum Dots: muito além dos pixels

quantum dotsJá comentamos aqui sobre os novos TVs 4K que a Sony prometeu lançar em julho no mercado internacional (no Brasil, ainda não sabemos quando). São modelos de 55 e 65 polegadas, portanto menores – e bem mais baratos – do que o de 84″ lançado no final do ano passado e vendido hoje por cerca de R$ 100.000. Mas o que foi pouco divulgado é que esses aparelhos inauguram uma nova série de displays com a tecnologia Quantum Dots, que, pelas descrições iniciais, tem tudo para revolucionar o mercado nos próximos anos.

A Sony é a primeira a lançar TVs com esse recurso, demonstrado na Display Week, em maio, mas isso não significa que outros fabricantes não o adotem. A patente é da empresa americana QD Vision, que criou uma solução chamada IQ Vision. Trata-se de um semicondutor do tipo nanocristal (2nm de diâmetro) capaz de produzir luz de alta intensidade – nesse ponto, assemelha-se ao OLED. Os cristais são acondicionados num tubo especial instalado dentro do display, na parte inferior do painel de LCD. E, em vez da tradicional luz branca, emitem fortes tons de azul, o que, sempre segundo a QD Vision, aumenta a gama cromática do sinal de vídeo. Nesse processo há um belíssimo ganho: os TVs LCD ou mesmo LED-LCDs convencionais conseguem reproduzir apenas 60% a 70% da paleta de cores existente no sinal; com a inclusão do IQ Vision, chegam a 100%.

Bem, claro que tudo isso ainda precisa ser conferido na prática. Este vídeo, produzido pela QD, dá mais detalhes. Mas o grande teste mesmo será feito quando os TVs chegarem ao mercado e puderem ser avaliados. Deveremos fazer isso na IFA, em setembro, e quem sabe talvez antes já tenhamos algum exemplar no Brasil, conforme prometido pela Sony.

Seja como for, parece que estamos diante de mais uma inovação interessante. É bom deixar claro que esse tipo de solução só acontece porque os fabricantes querem continuar produzindo TVs LCD, com performance cada vez melhor e custo mais baixo. Isso, até que enfim cheguem os OLEDs, que não precisarão desses recursos. Mas quando? Só Deus sabe.

Automação, até pela tela do TV

Notícia do site CE Pro, dirigido a profissionais de projetos e instalação nos EUA, revela uma parceria que pode dar o que falar: Samsung e Crestron fecharam acordo para embutir controles de automação residencial em TVs smart. Não chega a ser propriamente algo novo; no ano passado, a empresa mineira Neocontrol mostrou na ExpoPredialTec um recurso semelhante, o MPlay, exclusivo para TVs Samsung.

Na verdade, trata-se de um app (sempre eles…) que integra uma série de controles: luzes, ar condicionado, cortinas motorizadas etc., tudo podendo ser acionado pelo controle remoto do TV. A Crestron ainda não divulgou detalhes sobre o seu produto, que na verdade marca uma virada na política da empresa, conhecida por produzir soluções fechadas. “Chegamos à conclusão de que precisávamos estar nesse mundo dos smart TVs”, diz o diretor de design da empresa, John Pavlik. “E a Samsung nos pareceu ter a melhor plataforma.”

Tradução: cada vez mais iremos ver, daqui para frente, recursos de automação integrados a aparelhos “de massa”. Não deve demorar até que outros grandes fabricantes lancem produtos semelhantes. Isso quer dizer que uma quantidade muito maior de usuários poderá ver (e até experimentar) essas inovações, inclusive (e por que não?) em lojas de varejo. Se serão bem demonstrados ou não, é outra conversa. Mas já é um começo e, quem sabe, uma oportunidade para os profissionais especializados que dominem essa tecnologia.