Archive | agosto, 2013

Quem vai ficar sem TV?

4G UK

 

 

O mais lamentável desse episódio envolvendo emissoras e operadoras de celular, em torno das frequências de 700MHz, é o fato de que o consumidor – a quem todos, principalmente governo, devem respeito – não está nem sendo avisado. É mais um caso que, se fosse num país sério, provocaria no mínimo demissões e pedidos de desculpa oficiais. Ao contrário: o problema foi detectado, mas a situação ainda pode ficar pior.

Para quem não vem acompanhando, a polêmica se refere a possíveis interferências da rede de celular 4G sobre os sinais de televisão digital aberta. Foi levantada pelas principais emissoras, ao descobrirem que a tal transição do sistema analógico para o digital pode não ser tão suave quanto se pensava. Os canais de UHF 52 a 69 (analógicos), que hoje ocupam a faixa entre 470 e 806MHz, serão digitalizados quando acontecer o chamado switch-off, desligamento dos transmissores analógicos das emissoras, que passarão a gerar apenas sinal digital. Isso está previsto para começar a acontecer em 2015. Como quer acelerar a implantação das novas redes 4G, a partir de 2014, o governo decidiu que as frequências ociosas serão destinadas às operadoras de celular.

Esqueceram apenas de verificar se isso era tecnicamente possível. Não é, dizem os japoneses da NHK, emissora que criou a TV de alta definição e o ISDB, sistema de TV digital do qual resultou o nosso SBTVD. As interferências do sinal 4G sobre o de televisão chegam ao ponto de tirar do ar alguns canais, em certos momentos. Técnicos brasileiros foram enviados ao Japão para examinar a questão de perto. Descobriram que o problema também ocorre na Europa, que utiliza um sistema diferente (DVB) e implantou a rede 4G sobre a frequência de 800MHz.

A solução, concluíram os técnicos, é a mesma adotada pelos ingleses: instalar um filtro em cada receptor de TV. Os receptores atuais, inclusive os dos TVs de última geração, não são compatíveis e certamente darão problema quando os celulares 4G estiverem funcionando. A SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) fez as contas: no ritmo atual de crescimento nas vendas de TVs, chegaremos a 2018 com um total de 153 milhões de aparelhos instalados em todo o país. 153 milhões de receptores que podem falhar! Se na Inglaterra já foi complicado, imaginem aqui…

Sim, o assunto é polêmico e ainda vai gerar muita discussão, como já aconteceu, aliás, no Congresso da SET, realizado em São Paulo na semana passada. Os três lados – governo, emissoras e operadoras – debatem qual será a melhor maneira (ou a menos ruim) de explicar isso à população e resolver o problema de vez. E mais: quem irá pagar por esse prejuízo? Na teoria, as operadoras que ficarem com as redes 4G têm que arcar com o custo de eliminar as interferências.

Será?

Os melhores países para investir

Já comentei aqui que não acredito muito em pesquisas e classificações genéricas, especialmente quando comparam itens tão distintos como países ou cidades. No entanto, dados desse tipo continuam alimentando estudos pelo mundo afora – e certamente mantendo o emprego de milhares de pesquisadores. O mais recente, divulgado nesta quinta-feira, vem da RobecoSAM, consultoria baseada na Suíça, e é interessante porque cria um novo tipo de ranking, do tipo “as melhores empresas para se trabalhar”. No caso, seriam os “melhores países para se investir”, e é claro que entre eles está o Brasil.

A diferença para outras listas do gênero é que foram analisados não apenas os aspectos econômicos e políticos, nem o que se convencionou rotular de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A empresa estudou 17 fatores que têm a ver com os rumos de um país e o bem-estar de seu povo; e chegou a uma lista de 59 nações, o que dá a entender que as demais sequer merecem ser consideradas pelos investidores. Convém prestar atenção nesses fatores:

ranking futuro2Meio ambiente – Aqui, relacionam-se números referentes ao desempenho de cada país em oferta de energias renováveis, emissão de poluentes, políticas públicas de preservação e nível de conscientização da população sobre o tema.

Desenvolvimento social – Neste capítulo, cabem expectativa de vida, dados de mortalidade infantil, incidência de doenças que outros países já erradicaram, número de cidades com saneamento básico, quantidade de crianças na escola, performance dos estudantes em concursos públicos e nível dos professores.

Governança – Esse é o termo que, na pesquisa, engloba dados relacionados à corrupção (e à forma como é combatida), distribuição de renda, funcionamento da Justiça e as liberdades de imprensa, sindical e religiosa.

Cada um desses tópicos é subdividido em diversos outros, procurando desenhar um quadro que defina a capacidade de um país atender as necessidades de sua população atual e das gerações futuras. O ranking está reproduzido acima, mas arrisco alguns comentários depois de ler esses critérios. Notem que a cor laranja aparece mais, porque representa o terceiro item (governança), indicando que os critérios da pesquisa dão mais peso (60%) às questões relacionadas a corrupção, liberdade e gerenciamento. Problemas ambientais têm peso bem menor (15%) e os de caráter social, 25%. Daí porque o último lugar fica com a Nigéria, país riquíssimo em petróleo, mas com instituições frágeis e indicadores sociais deprimentes.

E o Brasil, como se coloca nesse ranking? Está ali, em 45º lugar, à frente de Índia e China, mas atrás, muito atrás, por exemplo, de vizinhos como Chile e Peru, sem falar de europeus, asiáticos e americanos do Norte. Vendo nosso país atrás até da Argentina, achei estranho e fui conferir: vejam o tamanho da barrinha azul, bem maior da linha dos hermanos. Explicado: apesar de todas as suas crises políticas, o país vizinho fez a lição de casa há muito tempo, cuidando da educação básica de suas crianças. Aqui, ainda estamos longe disso. O ranking só vem confirmar.

Netflix e iTunes, na mira do fisco

Cumprindo o que prometera durante o Congresso da ABTA, no início de agosto, o presidente da Ancine, Manoel Rangel, determinou que as empresas de internet que oferecem filmes sob demanda paguem a Condecine. Esta é a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, aprovada em 2008, mas que, na prática, só começou a ser recolhida de fato a partir de 2012, ao ser regulamentada. Significa que os serviços mais acessados hoje para locação de filmes online – Netflix e iTunes, além do Now, da Net – passam a ser tributados, como já acontece com as operadoras de TV por Assinatura.

Segundo o site Tela Viva, as empresas já foram notificadas. A Ancine quer ver o registro de todos os títulos oferecidos por elas; para obter esse registro, a burocracia brasileira exige o recolhimento da Condecine. O site fez as contas: cada título registrado custa R$ 3 mil, e cada episódio de série, R$ 750. Empresas com grandes acervos de filmes e séries, como é o caso, podem ter de pagar até R$ 50 milhões! Duvido que as três paguem caladas. No mínimo, teremos aí uns bons meses de ações judiciais e liminares.

Na ABTA, lembro que Rangel ameaçou mesmo iniciar a cobrança. “Não abrimos mão de nenhum serviço de distribuição de conteúdos audiovisuais”, disse ele. “Para nós, quanto mais serviços desse tipo, melhor. Todos conviverão e se fortalecerão mutuamente. Esses serviços também deveriam ser operados de território brasileiro, valorizando o conteúdo nacional”.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, foi ainda mais patético: “Somos como um paraíso fiscal: essas empresas prestam serviço no Brasil e não pagam impostos. O dinheiro vai direto para os EUA.” Só lembrando: no evento da ABTA, o ministro deu prazo de quatro meses para Ancine e Anatel apresentassem um plano de tributação para esses casos. Pelo visto, a Ancine nem quis esperar tanto tempo…

Traduzindo: como sempre, estamos de olho no dinheiro dos outros! Em off, o próprio Rangel admitiu que o governo não sabe como cobrar, ou melhor, não sabe o que fazer caso as empresas estrangeiras não paguem. Tirá-las do ar? Como, se qualquer pessoa pode entrar no site americano? Proibi-las de terem sedes no país? Só vai gerar desemprego e menos investimento. Pior de tudo, a meu ver: antes de criar esse tipo de tributo indecente, ninguém foi perguntar a opinião dos usuários. Aguardemos as reações deles nas redes sociais.

IFA: na onda do videoclipe

Samsung-Teaser-NoteNão são bem videoclipes, mas quase. Os publicitários chamam de teasers: pequenos vídeos promocionais que servem como “aperitivo” para campanhas de lançamento de produtos. É o que estão fazendo alguns fabricantes de eletrônicos para gerar expectativa em torno de novidades que estão para chegar ao mercado. Desde o ano passado, virou moda usar o mesmo recurso para anunciar (ou insinuar) produtos a serem exibidos em feiras. Ajuda a circular a marca na internet, o que vale muito nesta época de redes sociais.

Agora que se aproxima da IFA 2013 (de 6 a 11 de setembro próximos, em Berlim), alguns expositores de peso estão explorando os teasers. A Sony colocou em seu blog esta semana o teaser de um novo notebook da linha Vaio (vejam aqui). Não mostra nada do produto, apenas dá uma vaga ideia de que se trata de um híbrido – meio laptop, meio tablet. Como será? Teremos que esperar a semana que vem para contar aqui.

Já a LG, que tardiamente decidiu entrar no segmento de tablets, aumentou o tamanho de seus novos smartphones e promete mostrar na IFA um tablet de 8,3″, que já foi exibido em eventos na Coreia. Seu teaser é um pouco mais longo, embora mostre quase nada do produto. Curioso? Veja aqui.

O teaser da chinesa HTC sobre seu novo lançamento não mostrava nada, apenas o ator Robert Downey Jr (de Homem de Ferro e Sherlock Holmes), contratado como garoto-propaganda da marca. Mas esta semana surgiu na internet um segundo vídeo, mais longo, revelando… não, não o produto em si (que também será mostrado na IFA, ou assim se espera), mas de novo o ator numa trama de filme de ação. Não deixa de chamar a atenção, mas fica-se perguntando: quanto terão gasto para produzir isso?

Por sua vez, a Samsung, que já tinha usado teasers online em eventos anteriores, decidiu ser diferente: montou um enorme display luminoso em Times Square (foto acima), a praça mais movimentada de Nova York, anunciando “The New Galaxy”. Não explica, mas trata-se da versão 3 do tablet Galaxy Note, concorrente do iPad (as versões 1 e 2 foram lançadas também na IFA, em 2011 e 2012).

Um padrão acima de todos os padrões

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Na semana passada, esteve em São Paulo Kevin Reno, diretor para a América Latina da empresa israelense Valens, fabricante do chip em que se baseia o padrão de conexões HDBaseT. Veio a convite da Creator, empresa chinesa que fabrica e distribui acessórios de áudio e vídeo e está ampliando seus investimentos no país. Reno apresentou a integradores os benefícios de usar esse padrão como complemento do HDMI.

Entre outras vantagens, anotei estas:

*Possibilidade de estender o sinal de alta definição, via cabo de rede, até muito mais longe (a especificação é de 100 metros);

*Capacidade de trafegar também sinal elétrico pelo mesmo cabo, sem interferências;

*Transmissão de sinal Full-HD sem compressão;

*Controle remoto de toda a conexão a partir de um ponto (o sinal a 100m de distância pode ser comandado na origem);

*Compatibilidade com todos os conectores existentes hoje, com ou sem fio;

Segundo Reno, o HDBaseT está sendo adotado pela maioria dos integradores americanos, fenômeno que já tínhamos percebido em sites especializados. A principal razão é que foi pensado justamente para facilitar a vida do instalador, reduzindo custos e tempo de obra e (mais importante) preservando a integridade dos sinais. No Brasil, ainda são poucos os produtos que utilizam esse conector: alguns adaptadores da Absolute Acoustics e, agora, uma linha de projetores da Epson. Mas, no Exterior, já são mais de 100 produtos certificados pela HDBaseT Alliance, que reúne 65 empresas.

Também na semana passada, foi anunciada a versão 2.0 do padrão, que assim como os demais passa por revisões e atualizações periódicas. “Na versão 1.0, tratávamos apenas de conexões físicas e redes de dados”, diz Eyran Lyda, diretor do comitê técnico da Alliance. “Agora, estamos cobrindo toda a parte de redes multimídia e multiponto, chaveamento e controle, incluindo a compatibilidade com conectores USB 2.0.”

Só falta agora vermos os produtos funcionando na prática, e sem os problemas de compatibilidade que tanto atormentam os usuários de redes HDMI.

Obra de arte eletrônica

DesignLine AmbientadaHoje, fomos ver o novo TV da Philips, de 55″, que sai em outubro. Não tem nada a ver, visualmente, com os TVs que estão no mercado, e talvez aí resida seu grande trunfo: é uma peça de design, inclusive com assinatura. Os responsáveis são Rod White e Stefano Marzano, que comandam o departamento de design do grupo, na Holanda. White veio pessoalmente a São Paulo apresentar a novidade a jornalistas, além de falar sobre sua especialidade a estudantes brasileiros. O encontro aconteceu no agradável IED (Istituto Europeo di Design).

Conversei com White sobre esse trabalho. Ele parece apaixonado pelo que faz: pesquisar e desenhar aparelhos eletrônicos. Esteve envolvido com a maioria dos produtos lançados pela Philips nos últimos onze anos, inclusive os badalados TVs Ambilight e o system de áudio Fidelio (neste link, outros produtos criados em seu departamento). Já estive duas vezes em centros de pesquisa da Philips e sei como esse tema é levado a sério pelo grupo. “Produtos com design permanecem por muitos anos”, diz White. “São itens que as pessoas compram e sentem orgulho de mostrar. Nosso desafio é adaptá-los às mudanças de comportamento.”

No caso desse novo TV, a moldura de vidro desce até o chão, transparente, parecendo se unir à parede. White diz que foi utilizado um conceito chamado emorational design: uma mistura de emoção e racionalidade, que expande a ideia já conhecida de design emocional lançada pelos engenheiros americanos Don Norman e Jakob Nielsen há cerca de dez anos, num livro que tinha exatamente esse título. “Emoção e razão se confundem quando se vai escolher um produto”, explica White, “ainda mais hoje, quando as pessoas têm tanta informação e trocam ideias e imagens via Instagram ou Facebook.”

Bem, ainda não podemos falar sobre o desempenho do TV – aguardamos a chegada de um exemplar para teste. Mas é inegável seu impacto visual (vejam este vídeo). Será lançado em outubro e custará mais caro que um modelo convencional: na faixa de R$ 10 mil. Mas, afinal, quando se pensa em design, quem é que pergunta pelo preço?

Detalhes de uma guerra perdida

Saiu o primeiro resultado da cobrança feita pelo setor de TV por Assinatura, na última edição da ABTA, pedindo isonomia em relação aos sites de entretenimento, conforme comentamos aqui. Nesta quarta-feira, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, solicitou à Anatel e à Ancine um projeto para tributar empresas como Netflix, Facebook e Google, que – segundo ele – prestam o mesmo serviço das operadoras e programadoras de TV paga.

“Suponha dois supermercados na esquina, um paga imposto e o outro não”, disse ele à Folha de São Paulo. “Esse que paga vai quebrar. O desequilíbrio é brutal. As atividades são semelhantes e têm de ser tratadas igualmente.” A ideia, segundo o jornal, é que o projeto esteja pronto em quatro meses e as taxações entrem em vigor no início de 2014. O “pacote” incluiria ainda Facebook, Apple, Amazon, Yahoo e todas as empresas estrangeiras de internet que oferecem conteúdos de entretenimento.

O jornal disse ter procurado as empresas, mas somente duas se manifestaram. A Facebook informou que paga todos os impostos exigidos por lei, sem entrar em detalhes. E a Google deu até números: recolheu R$ 540 milhões em 2012 e, além de seu escritório em São Paulo, mantém em Minas Gerais um centro de engenharia, empregando ao todo mais de 600 pessoas.

Essa disputa é idêntica àquela que tentaram, anos atrás, as empresas jornalísticas (Globo e Abril à frente), pressionando o governo para barrar os sites de notícias que têm base fora do país. O argumento é sempre o mesmo: concorrência desleal. Um agravante, no caso da TV paga, é que operadoras e programadoras são obrigadas a seguir a Lei do SeAC, fornecendo dados confidenciais à Ancine, pagando um tributo chamado Condecine e cumprindo as polêmicas cotas para programas nacionais.

Para não ficar mal na foto, o governo promete agir – mas na prática não tem como. Empresas registradas oficialmente no país, claro, devem pagar todos os impostos que as concorrentes nacionais pagam. Mas não custa nada para Google, Facebook e as demais continuarem funcionando a partir de suas centrais, nos EUA. Dificilmente algum usuário deixará de usá-las por causa disso.

Em resumo, estamos falando da “guerra” entre a web e todas as outras mídias. Estas já entraram derrotadas.

A propósito, vale a pena ler o que diz o fundador da Netflix neste artigo.

No mundo pós on-line

onlineNão, não se assustem. Não vou aqui dar uma de futurólogo e tentar adivinhar o que acontecerá no mundo quando a internet acabar. O título acima me ocorreu hoje após conversar com uma especialista em novas mídias. Na teoria, seu trabalho é analisar projetos de mídia on-line, ou seja, meios de comunicação que utilizam a internet. “Off-line”, no jargão do marketing atual, seria todo o resto: rádio, TV, impressos, cinema, outdoors etc. Acontece que a linha de separação começa a se tornar invisível. On-line e off-line estão se misturando a ponto de confundir até alguns ditos experts. Ambas as formas de comunicação têm suas virtudes e seus defeitos. Os melhores comunicadores são (ou serão) aqueles que conseguem (conseguirão?) amplificar as virtudes e minimizar os defeitos.

A propósito dessa discussão, vejam a pesquisa divulgada hoje pela Google Brasil: 30 milhões de brasileiros já são usuários multitelas (TV, tablet e smartphone), às vezes até ao mesmo tempo. Me parece um número exagerado (explico abaixo), mas considerando que seja verdadeiro teríamos uma multidão que pode ser definida como “prototelespectadores”, ou algo assim. São pessoas que não querem – ou não conseguem – se prender só ao TV, nem desgrudar do celular. Diz a pesquisa: 68% assistem à TV e usam smartphone simultaneamente; e 52% acessam a internet (via computador) enquanto estão vendo algum programa.

Vale dizer: não fazem bem uma coisa nem outra! Ou fazem? Se, digamos, estão assistindo a um filme, por exemplo, como conseguirão acompanhar – quanto mais entender – a trama enquanto trocam mensagens ao telefone? Se estão ao telefone conversando com um amigo que lhes relata um problema pessoal, como ajudá-lo ou confortá-lo se, na mesma hora, a televisão mostra a novela, o telejornal ou um jogo de futebol?

Olhando por esse ângulo, até dá para entender o dilema de professores que não conseguem se fazer entender por seus alunos. Ou de empresas que lutam contra a baixa produtividade de seus funcionários, pois estes só conseguem captar a parte superficial das informações. Estão todos no mundo da lua. Ou no mundo pós on-line.

Esclarecendo a questão dos números. O Brasil tem 200 milhões de habitantes (quase isso) e, segundo o Ibope, 92% deles continuam preferindo assistir à TV convencional e apenas 6% já estão on-line. É necessária uma bela ginástica para transformar 12 milhões em 30, como divulga a Google Brasil.

O que a IFA nos reserva

IFA 2012Faltam exatamente duas semanas para a abertura oficial da IFA 2013, evento que aparentemente vem ganhando cada vez mais importância para a indústria eletrônica. Basta dizer que a Apple desta vez marcou para dia 10 de setembro – bem no meio do evento – o lançamento da nova versão do iPhone (que, aparentemente, não terá apenas uma, mas duas versões). Ou seja, metade dos experts estará com olhos e ouvidos voltados para Berlim, e a outra metade para a Califórnia (detalhes, neste link).

Embora não se saiba exatamente o que os expositores da IFA irão mostrar, nas últimas semanas têm surgido algumas pistas. Na área de TVs, claro, veremos mais modelos 4K, provavelmente de tamanhos maiores que os atuais (Panasonic, Sharp e Samsung têm protótipos acima de 100 polegadas). Mas também haverá opções menores e mais baratas (como este da Philips/TP Vision, recém-premiado na Europa), para competir com os já lançados modelos Sony de 55″ e 65″. Os segredos giram em torno dos displays OLED. Como se sabe, LG e Samsung lançaram há pouco na Coreia – e em poucas lojas dos EUA – os primeiros modelos com tela curva, que deverão estar em seus estandes.

Mas a Samsung acena ainda com a primeira geração do Flex-OLED, telas ultrafinas e flexíveis para tablets e smartphones. Dias atrás, a empresa coreana lançou até uma campanha pela internet incentivando usuários a responder esta pergunta: “Qual seria a melhor aplicação para a tecnologia de displays flexíveis?”

Falando em tablets, Sony e Samsung tomaram a dianteira da corrida em torno do sistema operacional Android, tentando derrubar a liderança da Apple. A primeira acabou de lançar a versão Z da linha Xperia – teremos na IFA talvez uma versão Z2? A Samsung ganhou manchetes nos dois últimos anos, durante a IFA, ao exibir os tablets Galaxy 1 e 2, e agora prepara a versão 3, com tela de 8 polegadas, e outra ainda maior, de 12″. LG e Lenovo também prometem ser mais agressivas em tablets.

Galaxy-S6-vs-Xperia-HonamiNa área de smartphones, há muito mais concorrência. Pelo menos cinco grandes fabricantes estão na briga: HTC, LG e Nokia, além de Samsung e Sony. Talvez o mais interessante seja desta última: o Honami, versão 4K da linha Xperia.

E, como de hábito, a IFA 2013 terá muito mais para mostrar, já que foi expandida para atender melhor os segmentos de áudio high-end, áudio/vídeo automotivo (vejam aqui), soluções sem fio, servidores e media centers, telecom, cabeamento, informática etc. Para quem não lembra, ou ainda não viu, este foi o hot site que produzimos ano passado com nossa cobertura exclusiva do evento. Este ano, pela sétima vez consecutiva, repetiremos a dose.

Os melhores aparelhos da Europa

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Existem muitas premiações no mercado de tecnologia, mas poucas têm a credibilidade da promovida pela EISA (European Image and Sound Association), entidade que reúne cerca de 50 publicações especializadas de vários países. Todo ano, seus membros se reúnem e votam nos melhores produtos de áudio e vídeo. A lista de 2013 foi divulgada no último fim de semana, e um detalhe me chamou a atenção: a maioria dos modelos premiados já está à venda no Brasil, coisa que normalmente não acontece. Abaixo, os TVs escolhidos e, entre os demais produtos, um resumo das principais categorias e o nome da empresa que distribui no mercado brasileiro:

Cinema TV (TV mais indicado para ver filmes) – Plasma Panasonic Viera TX-P60ZT60 de 60 polegadas

TV Smart – empate entre Samsung UE55F8000 e Sony KDL-55W905A (ambos LED-LCD de 55″)

TV 4K – Philips 65PFL9708 de 65″

Design em TV – OLED LG de tela curva 55EA980V

Caixa acústica – Sonus Faber Venere 2.5 (Audio Emotion)

Soundbar – B&W Panorama 2 (Som Maior)

Player universal – Oppo BDP-103EU (Logical Design)

Fone de ouvido sem fio – AKG K935 (Harman do Brasil)

Player digital – Marantz NA-11S1 (Impel)

Tablet – Sony Xperia Z

Prêmio de Inovação – Sistema Philips Fidelio HTL9100

Guerra de preços, de novo?

priceCUTPara não perder espaço na corrida dos TVs 4K, a Sony estaria prestes a cortar fortemente os preços internacionais, abrindo uma nova guerra contra os fabricantes coreanos. A notícia, divulgada hoje em alguns sites de tecnologia, espalhou-se rapidamente – até agora, nenhuma confirmação. A informação é que os recém-lançados modelos Bravia X9, de 55 e 65 polegadas, cairiam para US$ 4.000 e US$ 5.500, respectivamente (os preços atuais são US$ 5.000 e US$ 7.000); além disso, dois outros modelos seriam lançados, nos mesmos tamanhos, mas a US$ 3.500 e US$ 5.000.

Tudo isso seria uma resposta à agressividade com que LG e principalmente Samsung reduziram seus preços no mercado americano nas últimas semanas, atendendo a pressões das grandes redes de varejo. O que chamou mais atenção foi a decisão da Samsung em relação ao TV OLED de 55″, um dos mais aguardados do ano (detalhes aqui). Os varejistas americanos também estariam reagindo à enxurrada de TVs 4K vindos da China, a preços até abaixo de 1.000 dólares, o que é absolutamente insano.

Claro, vamos ter de aguardar notícias mais detalhadas para saber até que ponto essa “guerra de preços” está mesmo começando. A princípio, me parece fora de propósito: se os fabricantes estão lançando TVs mais avançados justamente para aumentar suas margens, não faria sentido cortar preços agora, em produtos que mal chegaram às lojas. A Sony, aliás, teria outros trunfos para competir nesse segmento: está com cerca de 100 filmes de sucesso recente (da Sony Pictures) prontos para lançar em 4K, e que só poderão ser assistidos através de seu serviço de streaming. Valeria a pena bancar esses lançamentos para promover a venda dos TVs. Ou não?

A propósito, vejam aqui a situação dos TVs 4K no Brasil.

Publicidade na TV por Assinatura

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Uma das queixas que ouço com mais frequência em relação à TV paga no Brasil refere-se à quantidade de anúncios nos canais. Os de maior audiência (SporTV, Fox, Telecine, Cartoon) têm intervalos comerciais que, em alguns horários, rivalizam com certos canais abertos. Os assinantes que reclamam disso – às vezes de modo exagerado – não deverão gostar de saber que algumas operadoras planejam incluir publicidade até em seus serviços sob demanda.

“Será importante para remunerar a melhoria do serviço”, disse Rodrigo Marques, diretor da Net, durante debate na ABTA 2013, semana passada em São Paulo. O sucesso do serviço Now, em que boa parte do conteúdo é gratuita para os assinantes, está animando a operadora a pensar num modelo de negócios que atraia anunciantes. “Acho que o mercado não está explorando o potencial dessa mídia, que permite direcionar os anúncios e medir facilmente o retorno”, explicou Marques. Ao site Tela Viva, ele adiantou que em breve começarão os testes, embora seja um projeto de médio ou longo prazo.

O Now, segundo a Net, é um sucesso absoluto. Desde que foi lançado, há dois anos, já foram cerca de 170 milhões de títulos assistidos, entre filmes, séries, desenhos, documentários e programas dos canais lineares que ali podem ser revistos. Os cerca de 6 milhões de assinantes da operadora fazem, em média, 15 milhões de visualizações por mês – não significa que todos assistem aos conteúdos na íntegra, mas que pelo menos entram para ver do que se trata. Cerca de 70% dos títulos acessados são gratuitos; entre os pagos, o grande trunfo do Now é oferecer filmes de cinema simultâneos com o lançamento nas locadoras.

Não sei se a ideia de introduzir publicidade nessa plataforma irá vingar; certamente, se fosse feita uma pesquisa junto aos assinantes, a maioria seria contra. A questão é que, mesmo usando cada vez mais TV paga, muitos ainda não entenderam o conceito desse serviço e tendem a compará-lo com a TV aberta, o que é um erro. As emissoras abertas são sustentadas pelos anunciantes, não têm outra receita; para isso, precisam investir em altas audiências. Já a TV paga vive do que arrecada com a venda de assinaturas, que para a maioria das operadoras representam 90% do faturamento. Independentemente da audiência de cada canal, estas precisam oferecer variedade de conteúdo – a compra de filmes e eventos especiais está entre seus principais itens de custo, e já existe até uma discussão com as emissoras abertas, que querem cobrar pela exibição de seus programas na TV por assinatura.

Esse assunto tem inúmeras implicações e com certeza ainda será muito debatido. E você, o que acha? Admite ver mais anúncios nos canais pagos, para não ter que pagar mais por sua assinatura? Pense bem antes de responder.

O encontro dos experts em TV

Nesta segunda-feira, começa em São Paulo mais uma edição da Broadcast & Cable, feira de equipamentos para produção de vídeo e televisão, simultaneamente ao Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão). É mais uma chance de aprendizado para quem atua no mercado de tecnologia. Entre os expositores, estarão gigantes do setor, como Sony, Panasonic, Epson, Yamaha, JVC, Kramer, Sennheiser, Canon, NVidia, Embratel, Thomson e Totvs.

Já a programação do Congresso reserva temas mais do que oportunos. Alguns deles: TV Analógica e TV Digital; Convivência entre TV Digital e Redes 4G; OTT e TVs Conectadas; Compressão de Sinal de Vídeo; Fluxo Digital, Big Data e Computação em Nuvem; Produção e Tecnologia para Telejornalismo; Produção de áudio e vídeo em IP; Produção em Multiplataformas; Beyond HD (aqui, o diretor de Engenharia da Rede Globo, Raymundo Barros, vai falar sobre 4K e as novas tecnologias de altíssima resolução); Neuromarketing na Televisão; Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento em TV; Tendências em Rádio Web; Mídias Digitais; Sistemas de Recepção (Antenas); Ginga e o Potencial Inexplorado da Interatividade; e a competição entre TV Aberta, TV Fechada e TV Web.

Os palestrantes e debatedores são as maiores feras do país nesse campo. Os trabalhos prosseguem até quinta-feira, dia 22. Claro, é impossível acompanhar tudo isso, mas tenho certeza de que quem for sairá de lá com muito mais conhecimento. Neste link, o programa completo do Congresso.

Sharp no Brasil, em três tamanhos

sharp 90Sei que ainda há leitores irritados com a Sharp por causa do mau atendimento no passado e de problemas com os antigos aparelhos fabricados no Brasil. Mas há também muitos fãs da marca, que deverão gostar desta notícia: estão sendo lançados três novos TVs de tela grande, da linha Aquos Quattron, agora através da distribuidora Disac, a mesma que já representa marcas como Bose, Onkyo e PolkAudio. O acordo prevê, entre outras coisas, que os produtos Sharp serão vendidos somente em lojas especializadas, aquelas que possuem show-rooms e têm pessoal treinado para demonstrações detalhadas. Não estarão em magazines nem grandes redes de varejo.

Primeiro, informações sobre os aparelhos. São modelos de 70, 80 e 90 polegadas – este se torna, assim, o maior TV à venda no mercado brasileiro. Todos têm painel LED-LCD, recursos smart e reproduzem imagens em 3D. Não são 4K, mas utilizam a tecnologia que a Sharp batizou Quattron: além dos subpixels RGB (vermelho, verde e azul), trabalham com um quarto elemento formador de imagem (amarelo – representado pela letra Y). Isso faz aumentar a gama de cores, melhorando a reprodução dos meio-tons. A Sharp diz até que esse elemento a mais propicia menor consumo de energia, já que o TV reproduz imagens mais brilhantes com menor quantidade de luz. Veremos isso quando pudermos testar um dos três modelos, o que deve acontecer em breve.

Sobre os preços: Sharp Brasil e Disac decidiram focar no segmento de TVs de tela grande (não serão comercializados modelos menores) e dar todo apoio às revendas especializadas, que raramente conseguem comprar dos grandes fabricantes. Os preços estão um pouco acima dos modelos de tamanho equivalente das outras marcas, encontrados no varejo: R$ 17.990 para o de 70″, R$ 28.900 o de 80″ e R$ 59.900 o de 90″, que não tem concorrente. Numa pesquisa recente, encontramos um LG de 72″ por R$ 30.000 e um Samsung de 75″ por R$ 20.000. Claro, os modelos 4K estão em outra faixa.

A estratégia agora é mostrar ao usuário que vale mais a pena um TV desse tamanho do que um sistema de projetor + tela; este pode até sair mais barato, mas não terá a mesma performance; e os projetores de alto padrão têm custo muito acima desses que citamos. É um bom argumento de venda, para pessoas que não têm condições de montar salas dedicadas de home theater, sem janelas ou cortinas blackout vedando toda entrada de luz externa.

Como os demais fabricantes, Sharp e Disac apostam também na proximidade da Copa do Mundo. Muita gente vai começar a pensar na troca de TV a partir dos próximos meses. O mais interessante, a meu ver, é a política de suporte aos revendedores especializados, que no Brasil são praticamente ignorados pela indústria. Com sua rede de assistências técnicas espalhadas pelo país, a Sharp Brasil – que importa os TVs diretamente do Japão – promete tratamento diferenciado para a rede da Disac. Assim seja!

Senadores, de olho nas concessões de TV

fox-at-the-chicken-hut_i-G-29-2928-M7HRD00ZSó para confirmar como são importantes as manifestações de rua, e seu acompanhamento “ao vivo” pelas redes sociais, vejam a notícia divulgada ontem pelo Senado. Integrantes da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) aprovaram “ato administrativo” revogando uma norma estabelecida em 2011. Essa regra proibia senadores de um estado de participar de votações envolvendo concessões de rádio e televisão desse mesmo estado. Parece estranho? Nem tanto: a ideia é que um parlamentar nessas condições não têm a necessária isenção para votar. Considerando a forma como são distribuídas as concessões no Brasil, parece um raciocínio mais do que lógico.

Com a norma em vigor, os ilustres membros da CCT tiveram mais dificuldade para colocar em prática seu velho tráfico de influência. Um senador de São Paulo, por exemplo, não podia votar quando se tratasse de concessão a uma emissora paulista. Era uma providência tão justa e saudável que não poderia mesmo durar muito: sob a alegação de que a regra impede o voto dos senadores que mais entendem do assunto, a Comissão decidiu simplesmente revogá-la. E tudo volta a ser como antes: todo mundo pode votar à vontade, mesmo quando tiver interesse direto no caso.

Suas excelências mostram, assim, que os gritos da rua precisam voltar, urgentemente, para pelo menos constrangê-los a não insistir nas maracutaias. Caso contrário, estarão sempre prontos a entregar à raposa a chave do galinheiro!

Chegou o gigante Samsung 4K!

SamsungUHDTV-85Recebemos ontem da Samsung o primeiro exemplar do TV 4K de 85 polegadas, que começa agora a ser entregue a algumas lojas no Brasil. As especificações indicam que será o modelo mais sofisticado à venda no país – e também o mais caro: na faixa de R$ 120 mil. Um engenheiro da empresa veio até nossa redação para ajudar na instalação, pois, além de pesado (o transporte foi feito por três pessoas), o aparelho possui uma estrutura metálica de sustentação, totalmente diferente dos TVs que conhecemos. Ao ligar, a conexão com nossa rede sem fio foi automática, já permitindo navegar pela internet. Infelizmente, só temos um vídeo de aproximadamente 3 minutos com material nativo gravado em 4K, fornecido pela própria Samsung num pen-drive. Mas já é suficiente para dar uma ideia da grandiosidade das imagens. A partir de hoje, começamos os testes, envolvendo também a conversão de sinal Full-HD para 4K. E vamos relatar aqui. Por enquanto, fiquem com este vídeo que fizemos ontem, logo após a instalação.

 

De volta às origens do TV

TV lg retroEm vez de um moderníssimo 4K de 80 polegadas ou mais, que tal uma volta ao passado? É o que propõe a LG, ao lançar – por enquanto apenas na Coreia – este TV retrô, de 32″, que lembra modelos que muitos de nós já tivemos na vida. Não, não é um TV de tubo CRT; trata-se de um legítimo LED-LCD Full-HD, com taxa de atualização de respeitáveis 120Hz, quatro entradas HDMI, uma USB e até uma MHL (para receber sinal Full-HD de fontes multimídia). Além dos pezinhos inclinados com acabamento em plástico rígido, o charme está nos dois botões giratórios, para seleção de canais e volume. Os coreanos podem comprar pelo equivalente a 750 dólares. Não há previsão para lançamento em outros países.

Quando toda superfície é uma tela

worldkitUltimamente, as bolas de cristal têm andado um tanto embaçadas. A quantidade de futurólogos aumenta na mesma proporção em que surgem inovações tecnológicas – e estas, como se sabe, nascem quase todos os dias. Sim, a maioria das previsões não se concretiza, mas como as pessoas têm memória curta os mesmos profetas continuam em ação.

Um dos segmentos em que mais se tem evoluído é o dos displays. Além da alta e da altíssima definição, a descoberta das superfícies sensíveis ao toque abriu um vasto horizonte para experimentações. Não estou falando de tablets e smartphones, mas de um novo campo científico que pode nos levar a um mundo muito mais interativo. Não vou aqui dar uma de futurólogo, mas acho empolgante imaginar o que pode surgir, por exemplo, do projeto WorldKit. Trata-se de um laboratório de pesquisas especializado em interação homem-computador, vinculado à Universidade Carnegie Mellon (CMU), de Pittsburgh (EUA). Professores e pesquisadores partiram de um princípio simples – o uso de câmeras acopladas a projetores – para criar telas touchscreen sobre superfícies como paredes, mesas, portas e até sofás (vejam o vídeo de demonstração).

“A câmera identifica a superfície e um sensor gera informações que permitem projetar imagens interativas, de tal maneira que o usuário, com as próprias mãos, pode mover objetos ali”, explica, de forma bem simplificada, o prof. Robert Xiao, um dos idealizadores do projeto. Um segredo está no tipo de câmera, a mesma utilizada em aparelhos como o Kinect, sensor de movimentos do videogame Xbox. Um software faz a combinação das informações captadas pela lente da câmera, que acionam as respostas do projetor.

Este site explica tudo com mais detalhes, em inglês. Mas é preciso ver as imagens para acreditar.

Mais um consórcio, mais um cabo

MoCAA Samsung pode ser a primeira fabricante a lançar no mercado internacional um TV com conector MoCA (Multimedia over Coax Alliance). Trata-se de mais uma alternativa desenvolvida pela indústria eletrônica para compatibilizar aparelhos e aplicações distintas. Rob Gelphman, vice-presidente de marketing do consórcio que domina esse padrão, esteve em São Paulo na semana passada para visitar a ABTA 2013, onde fez demonstrações a técnicos de operadoras de telecom e provedores de internet. Foi ele quem me falou da Samsung (a empresa não confirma).

“O usuário não vai mais precisar se preocupar com ligações: será tudo plug-and-play”, diz Gelphman, empolgado. Segundo ele, já existem cerca de 120 produtos à venda que utilizam o padrão MoCA. A maior vantagem está em poder utilizar a rede já existente na casa, feita de cabos coaxiais, para passar até mesmo sinal de vídeo HD. Conteúdos baixados da internet, por exemplo, podem trafegar tranquilamente através desses conectores, acoplados a tomadas de parede. “O sinal circula em frequência altíssima, evitando interferências e otimizando a rede de banda larga”, explica Gelphman.

Será? Da lista de produtos exibida no site do consórcio MoCA, constam marcas como Samsung, D-Link, Motorola, Intel, Cisco, Linksys, Alcatel e outras. Gelphman me prometeu enviar um conector para teste.