A dança dos cabos

10 de setembro de 2013

Aqueles que reclamam toda vez que precisam trocar seus aparelhos eletrônicos logo terão mais uma chance de desopilar seus fígados. Em Berlim, foi oficializada a revisão 2.0 do padrão HDMI, que deve estar no mercado até o início de 2014. O consumidor provavelmente nem vai sentir a mudança, a não ser aqueles que já estão navegando no mundo 4K.

Reclamar é um direito de todos, mas na verdade o HDMI 2.0 já estava previsto desde que o padrão existe; só não havia uma data marcada. O lançamento talvez tenha sido antecipado pela necessidade da indústria de fazer decolar a tecnologia 4K – e também por esta ter caído no agrado de usuários e profissionais, apesar da carência de conteúdo. Com uma certa licença poética, pode-se até afirmar que começa a se repetir o fenômeno da alta definição: quem experimenta não quer mais largar.

Estamos vendo aqui na IFA a avalanche de displays 4K, nos mais variados tamanhos, a ponto de alguns estandes nem exibirem mais imagens Full-HD. Não é uma nuvem passageira, é o futuro chegando, digo, o futuro dos próximos dez anos (os japoneses já anunciaram para 2023 o início das transmissões em 8K).

Voltando ao HDMI 2.0, como disse, o consumidor não terá de se preocupar muito, por enquanto, porque a mudança será no processamento dos sinais. Pelos mesmos cabos atuais poderá trafegar vídeo 4K a uma velocidade 80% mais alta: dos atuais 10 Gigabits por segundo para 18 Gbps. Isso significa trafegar um filme em 4K a 60 quadros por segundo; hoje, é possível apenas quando o filme foi rodado a 30qps. Os produtores poderão inserir até 32 canais de áudio que, com um dos novos conectores, o usuário conseguirá reproduzi-los em casa – não com os receivers e processadores atuais, evidentemente.

Pode-se esperar que surjam, talvez ainda este ano, os primeiros aparelhos compatíveis com HDMI 2.0, todos capazes de trafegar vídeo 4K. Aqui na IFA, a Panasonic foi o primeiro fabricante a confirmar adesão, anunciando que seus novos TVs LED-LCD já chegarão às lojas com esse conector. Os demais devem fazer o mesmo. Vai ficar faltando apenas a colaboração dos estúdios de cinema, que – como sempre – hesitam em investir numa inovação tecnológica. Mesmo com muitos filmes já sendo rodados em 4K, sua transposição para mídias acessíveis ao consumidor continua empacada.

Falaremos disso mais à frente. Por enquanto, a sensação é de que estamos dando mais um passo na direção de tornar o padrão 4K universal. Um passo de tartaruga, sim, e de alto custo ainda, mas de qualquer forma um passo.

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