A dança dos cabos

Aqueles que reclamam toda vez que precisam trocar seus aparelhos eletrônicos logo terão mais uma chance de desopilar seus fígados. Em Berlim, foi oficializada a revisão 2.0 do padrão HDMI, que deve estar no mercado até o início de 2014. O consumidor provavelmente nem vai sentir a mudança, a não ser aqueles que já estão navegando no mundo 4K.

Reclamar é um direito de todos, mas na verdade o HDMI 2.0 já estava previsto desde que o padrão existe; só não havia uma data marcada. O lançamento talvez tenha sido antecipado pela necessidade da indústria de fazer decolar a tecnologia 4K – e também por esta ter caído no agrado de usuários e profissionais, apesar da carência de conteúdo. Com uma certa licença poética, pode-se até afirmar que começa a se repetir o fenômeno da alta definição: quem experimenta não quer mais largar.

Estamos vendo aqui na IFA a avalanche de displays 4K, nos mais variados tamanhos, a ponto de alguns estandes nem exibirem mais imagens Full-HD. Não é uma nuvem passageira, é o futuro chegando, digo, o futuro dos próximos dez anos (os japoneses já anunciaram para 2023 o início das transmissões em 8K).

Voltando ao HDMI 2.0, como disse, o consumidor não terá de se preocupar muito, por enquanto, porque a mudança será no processamento dos sinais. Pelos mesmos cabos atuais poderá trafegar vídeo 4K a uma velocidade 80% mais alta: dos atuais 10 Gigabits por segundo para 18 Gbps. Isso significa trafegar um filme em 4K a 60 quadros por segundo; hoje, é possível apenas quando o filme foi rodado a 30qps. Os produtores poderão inserir até 32 canais de áudio que, com um dos novos conectores, o usuário conseguirá reproduzi-los em casa – não com os receivers e processadores atuais, evidentemente.

Pode-se esperar que surjam, talvez ainda este ano, os primeiros aparelhos compatíveis com HDMI 2.0, todos capazes de trafegar vídeo 4K. Aqui na IFA, a Panasonic foi o primeiro fabricante a confirmar adesão, anunciando que seus novos TVs LED-LCD já chegarão às lojas com esse conector. Os demais devem fazer o mesmo. Vai ficar faltando apenas a colaboração dos estúdios de cinema, que – como sempre – hesitam em investir numa inovação tecnológica. Mesmo com muitos filmes já sendo rodados em 4K, sua transposição para mídias acessíveis ao consumidor continua empacada.

Falaremos disso mais à frente. Por enquanto, a sensação é de que estamos dando mais um passo na direção de tornar o padrão 4K universal. Um passo de tartaruga, sim, e de alto custo ainda, mas de qualquer forma um passo.

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