Archive | outubro, 2013

Pirataria não era crime; agora é

sampa_piracyO Brasil é motivo de piada, muitas vezes, devido ao fenômeno que alguém chamou de “princípio da jaboticaba”. Como se sabe, essa fruta até hoje só foi encontrada em território brasileiro. Trata-se, portanto, de um produto típico nosso, mais até do que a caipirinha e as mulatas baianas, que possuem similares em outras plagas.

Pois bem. Várias jaboticabas podem ser encontradas na legislação brasileira. Algumas espantam estrangeiros que vêm trabalhar aqui, inclusive executivos de empresas que querem investir no país mas acabam recuando diante das jaboticabeiras… Nesta quarta-feira, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça, mandou reescrever o artigo 184 do Código Penal, que trata da violação de direito autoral. Nele, alguém havia enxertado uma preciosidade chamada “princípio da adequação social”. Tradução: determinadas condutas, ainda que ilegais, devem ser relevadas quando socialmente aceitas.

Tive que ler duas vezes para acreditar na nota emitida pelo STJ esclarecendo a mudança. Na prática, e isso aconteceu centenas de vezes, se alguém é flagrado vendendo ou fabricando produto pirata ou falsificado, certos juízes entendem que o ato é “aceito pela sociedade” e que, portanto, não deve ser punido!!!

Agora, a juíza Maria Thereza definiu com límpida clareza: “O fato de, muitas vezes, haver tolerância das autoridades públicas em relação a tal prática, não pode e não deve significar que a conduta não seja mais tida como típica, ou que haja exclusão de culpabilidade.”

Fico em dúvida se o mais grave, no caso, é o crime em si ou a desfaçatez de um juiz que, sem nenhuma pesquisa a sustentá-lo, decide que a sociedade aceita a conduta ilegal. Ou talvez mais constrangedor ainda seja a existência de uma lei cujo texto admite a própria negação – uma espécie de “antilei” dentro da própria lei.

Como se vê, jabuticaba pura.

Agora é oficial: Panasonic fora do plasma

103-inch-plasma-panasonicDeve ter sido com dor no coração que executivos da Panasonic anunciaram nesta quinta-feira, em Osaka (sede do grupo), o fim da tecnologia de plasma. A notícia havia sido antecipada pela agência Reuters na semana passada, conforme comentamos aqui, mas fora desmentida pela empresa. Inútil. A triste decisão era irreversível, nem tanto pela qualidade e o potencial do plasma no mercado, e mais pela atual situação da empresa, que não tem mesmo como bancar seu desenvolvimento.

Em comunicado oficial, a Panasonic Corporation justifica que a medida faz parte de sua “estratégia de crescimento” e culpa a crise econômica iniciada em 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, pela queda na semanda por displays de plasma. As vendas, inclusive para o segmento corporativo, serão encerradas em março, final do atual ano fiscal. O grupo promete criar “novos produtos de grande apelo” para suprir seus clientes, mas não especifica quais – um deles provavelmente é o OLED.

Curiosamente, a Samsung acaba de lançar no mercado brasileiro seis – isso mesmo: seis – novos TVs de plasma, com tamanhos entre 43 e 64 polegadas, e a preços bem atraentes. A própria Panasonic trouxe recentemente seu badalado TV VT60, de 65″, que agora provavelmente poderá ser adquirido em promoções pelo Brasil afora (embora não sejam muitas as unidades disponíveis). Nos testes comparativos que já fizemos, os plasmas continuam sendo superiores aos LED-LCDs, ainda que estes tenham melhorado significativamente.

Vamos ver se Samsung e LG sustentam a promessa de continuar investindo em plasma.

Um canal só de humor na TV paga

michael-j-fox-we-all-have-our-own-parkinsons-nbc-show-will-portray-disease-as-frustrating-and-funnyEstava demorando. O país que gerou alguns dos maiores humoristas do planeta ainda não tinha um canal de TV dedicado ao gênero. Agora, tem. A operadora Net coloca no ar a partir desta quinta-feira o Comedy Central, com 24 horas por dia de risos nas suas mais variadas formas: filmes, séries, desenhos animados, stand-up etc. O canal já é sucesso na internet há algum tempo e, embora não acerte sempre, tem uma boa média para o gênero.

Um dado positivo é que para os fãs do stand-up, tão em voga atualmente, o canal dá mais espaço a novos talentos, como Rodrigo Capella e Patrick Maia, entre outros. Mas, fatalmente, e não há como ser diferente, a maior parte da programação é enlatada. O Show de Michael J. Fox, que estreou na NBC americana em setembro, irá ao ar em português sempre as segundas-feiras, às 20hs. Vamos ver se será dublado ou legendado. A série se baseia na atribulada vida pessoal desse que, desde o sucesso de De Volta para o Futuro (1985), passou a ser um dos astros mais adorados da TV e do cinema americanos (aqui, um trailer). Já Last Man Standing, que está na ABC desde 2011, é sobre um executivo de sucesso cuja vida é dominada pelas mulheres (incluindo esposa e três filhas). Vejam aqui alguns trechos.

A morte (anunciada) do som estéreo

stereo_01_headerAnunciada, mas até agora não cumprida. O título acima se refere a uma reportagem publicada recentemente no site da CNN (leiam aqui). Deve ser a enésima vez que algum “especialista” faz a profecia. Pesquisando para uma série de textos que iremos publicar na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL sobre esse assunto, concluí que a previsão está longe de se concretizar – se é que isso irá acontecer um dia. Mais parece aquela velha ladainha: o cinema vai acabar com o teatro, a televisão vai acabar com o cinema, a internet vai acabar com a televisão… apenas previsões.

De fato, o mercado de áudio de alto padrão sofreu uma queda considerável nos últimos dez anos, conforme o iPod e seus sucedâneos foram se tornando mais populares. Hoje, com os players portáteis incorporados aos celulares, diminuiu mais ainda o número de pessoas que procuram equipamentos de áudio modulares, especialmente amplificadores e processadores. Contribuiu também o crescimento dos sistemas de home theater, com receivers mais potentes e versáteis, que roubam mercado dos powers e prés. E quando se fala em receiver, pensa-se logo em áudio surround; o estéreo está incorporado, mas o hábito de ver filmes em 5.1 ou mais canais fatalmente leva o estéreo a um segundo plano.

Acontece que nada substitui a música de qualidade, bem gravada e reproduzida. E, por mais que a tecnologia evolua, a maioria dos especialistas concorda que música boa deve ser ouvida em dois canais. Trilhas de filmes não contam: quando se está vendo um filme, a atenção maior é para a imagem e os diálogos. Apreciar música é outra coisa. Ou seja, a tal “morte” do estéreo é apenas mais uma previsão, nada mais.

Player 4K só chega em 2015

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Um player capaz de tocar todos os tipos de disco existentes, de áudio e de vídeo, e com memória de pelo menos 1 Terabyte, suficiente para armazenar o equivalente a 40 filmes de duas horas em alta definição; ou, se o usuário quiser, 10 filmes em Ultra-alta Definição. Sonho? Pode ser algo como este ao lado, colocado à venda em poucas lojas dos EUA em maio, ou talvez não seja tão feio… O assunto está sendo discutido a sério esta semana em Los Angeles, num evento que reúne o alto escalão dos estúdios de cinema, das emissoras de TV, operadoras de cabo e fabricantes de equipamentos.

Curioso é que, cerca de um mês atrás, comentamos aqui sobre a disposição da indústria de usar o evento para pressionar os produtores de conteúdo a fornecer mais filmes e séries em UHD. “Estou aqui para anunciar que já iniciamos as conversas”, discursou Mike Dunn, presidente  da Fox, escolhido para representar Hollywood. Segundo ele, a ideia é lançar em 2015 um aparelho que dê conta de toda a variedade de conteúdos hoje disponíveis, mais as novas produções para cinema e televisão que estão sendo rodadas em 4K.

O evento é a convenção anual da SMTPE (Society of Motion Picture and Television Engineers), principal órgão regulador internacional das normas para produção de eletrônicos, o que inclui filmes e vídeos. Está, digamos, um degrau acima da BDA (Blu-ray Disc Association), que só cuida deste formato, e da CEA (Consumer Electronics Association), que representa os fabricantes. O jornal Hollywood Reporter, cobrindo o encontro, relata que, embora todos concordem na padronização do UHD, está faltando um direcionamento até no modo de identificar o padrão. No final do ano passado, a CEA anunciou que estava “oficializando” essa sigla, mas há ainda quem prefira “4K”. Pior: na Europa, conteúdos e equipamentos 8K também são chamados UHD!

“Não basta dizer ao público que o UHD está chegando”, criticou Paul Gagnon, diretor da consultoria NPD DisplaySearch. “Precisamos de uma padronização de verdade. Não se pode esquecer que, ao contrário do HD, o UHD não é obrigatório, mas opcional. Temos de convencer as pessoas a adotá-lo.”

Quando o representante da Sony defendeu o uso de conteúdos convertidos, como os que a empresa já está comercializando em alguns países, não foi bem acolhido. “Os atuais softwares de upconversion não são eficientes”, diz Chris Chinnock, pesquisador da Insight Media. “Vamos precisar de outro tipo de maquiagem.”

Maquiagem? Como se vê, não está sendo nada diplomático o nível das discussões. Apenas para quem não está acompanhando a história, a Sony foi a primeira a lançar no mercado internacional um combo formado por TV e player UHD (mais detalhes aqui e aqui). Este contém dez filmes pré-gravados em sua memória, para que o usuário vá se acostumando às imagens em altíssima definição. Só que são conteúdos gravados originalmente em Full-HD e transferidos para a memória do player pelo processo de upconversion (também chamado upscaling). O resultado – como já constatamos em nossos testes – é bem inferior em nitidez, profundidade e clareza das cores, ainda mais quando observado num TV gigante.

Portanto, têm razão os dois consultores. É preciso que saia logo o tal player de 1 Terabyte e, junto com ele, uma boa quantidade de filmes em UHD (as transmissões de TV nesse formato ainda vão demorar). Se não, corre o risco de ser uma decepção.

Quem vai comprar o PlayStation 4

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Diz o site Meio&Mensagem, voltado ao mercado publicitário, que a Sony arrisca sua imagem ao anunciar que o PlayStation 4 (foto), previsto para novembro no Brasil, terá preço final em torno de R$ 4 mil. Pode ser. A julgar pelas centenas, talvez milhares, de comentários surgidos nos últimos dias na internet, a maioria dos possíveis compradores do produto está simplesmente enfurecida. Também se multiplicaram as piadas a respeito, como a de que esse valor, se bem aplicado, daria para comprar um carro (detalhes aqui).

Fato é que a Sony conseguiu ser mais comentada – para o bem e para o mal – do que todas as suas concorrentes somadas; no caso, concorrente mesmo só a Microsoft, com o Xbox One. Mas o segmento de games é completamente diferente: cada produto é único, assim como cada jogo tem suas peculiaridades. Os efeitos da polêmica só poderão ser medidos a médio prazo. A meu ver, somente uma estratégia de marketing pode explicar a decisão de colocar preço tão evidentemente fora da realidade brasileira. Talvez a intenção fosse essa mesmo: gerar discussão e, com isso, impulsionar as vendas, já que os fãs (melhor seria dizer “fanáticos”) farão de tudo para adquirir a novidade.

ps4infografico01Bem, essa é só uma impressão a distância. No PlayStation Blog, um diretor da Sony, Mark Stanley, afirma que a empresa irá “perder dinheiro” com o produto no Brasil e exibe o gráfico acima, com os tributos que elevam o preço às alturas. Os dados não são inventados; combinam com o que sabemos sobre a maioria dos equipamentos eletrônicos importados oficialmente. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Stanley diz ainda que a empresa estuda produzir o PS4 no Brasil (como fá faz com o PS3), o que certamente ajudará a reduzir o preço final; mas esse tipo de projeto costuma demorar meses ou até anos.

O consumidor, especialmente os tradicionais espertinhos, não quer saber; prefere denunciar a “ganância” da indústria e do varejo em geral. E, mesmo assim, correr atrás do produto. Já vi gente dizendo que irá buscar no Paraguai, Chile, Peru e outros países sul-americanos que não praticam as absurdas taxações brasileiras. Fora os que têm condição de ir a Miami, ou encomendar com um amigo. Há ainda a opção da Amazon, onde o preço é de US$ 400 (com impostos e frete, sai por pouco mais de R$ 2 mil). Sem falar no contrabando, que já oferece o aparelho há algumas semanas pela internet. Entra em cena, mais uma vez, o famoso “la garantia soy yo” (“Jô”, para os íntimos).

A pergunta que fica é: vale a pena tudo isso por um simples aparelho de videogame, que com certeza estará mais barato daqui a alguns meses? Bem, num país onde há gente que vende o carro para viajar com seu time de futebol, como aconteceu com um daqueles corintianos presos na Bolivia, nada mais é de se estranhar.

Rir faz bem à saúde!

Pois é, se algum dos leitores está deprimido, ou estressado acima do tolerável, sugiro uma olhada na seção Humor, que contém frases e pensamentos de gente interessante. Pra dizer a verdade, alguns dos autores são… isso mesmo: gênios. Inclusive na arte de criar frases que podem servir para muita coisa. A nós, que não temos esse talento, cabe lê-las, repeti-las, memorizá-las e, claro, compartilhá-las com as pessoas queridas. Boas risadas a todos.

Netflix, a caminho da TV por assinatura

Tempos atrás, comentamos aqui sobre a preocupação de algumas operadoras de TV por assinatura com o crescimento da Netflix. Em apenas sete anos, a empresa – que começara em 1997, com o serviço de entrega de DVDs porta a porta – saltou de 5 milhões de assinantes (apenas nos EUA e Canadá) para inacreditáveis 60 milhões, número estimado com a soma de 33,5 milhões nos EUA com mais 27 a 30 milhões em outros países, inclusive no Brasil; a Netflix divulga números mais altos, mas fora do mercado americano não há como auditar esses dados.

ATUALIZANDO: nesta quarta-feira (23), dois dias depois de serem divulgados os dados acima, a própria Netflix comunicou ao mercado, nos EUA, que sua base mundial de assinantes é de 40, e não 60, milhões de assinantes.

Seja como for, é uma expansão invejável. O relatório oficial referente ao terceiro trimestre do ano, divulgado nesta segunda-feira pela empresa, confirma o que alguns especialistas já previam: a Netflix ultrapassou a HBO como a maior empresa do setor, em número de assinantes (faturamento é outra história). A maior rede de TV a cabo americana estabilizou nos 29 milhões desde o ano passado. Estão por ser divulgados os dados oficiais do mercado como um todo, mas segundo o site The Verge a Netflix já conseguiu o mais importante: ser temida pelas concorrentes.

A trajetória dessa empresa, fundada por Reed Hastings, empreendedor do Vale do Silício (vale a pena ler sua entrevista aqui), é daquelas que dariam um filme. Hastings teve a ideia quando foi devolver o filme que havia retirado na locadora próxima a sua casa (Apollo 13, com Tom Hanks) e constatou que, devido ao atraso na devolução, teria que pagar uma multa de 40 dólares! Furioso, convidou um amigo investidor para juntar-se a ele e montou o primeiro serviço de “video delivery” do mundo. Três anos depois, ofereceu a empresa à Blockbuster por US$ 50 milhões, mas esta recusou – hoje, a Netflix é avaliada em cerca de US$ 30 bilhões; Hastings rejeitou uma oferta de US$ 20 bi, feita no ano passado pela Google.

arrested-developementHá quem diga no mercado que o negócio da Netflix não se sustenta a longo prazo, porque depende intrinsecamente do fornecimento de conteúdo por parte dos estúdios e das redes de televisão. Estes teriam receio de convidar o “tigre” para a festa (uma velha piada em Hollywood é a de que a última refeição é sempre do tigre…). Mostrando sua ousadia, Hastings começou em 2011 a competir diretamente com estúdios e emissoras, ao lançar conteúdos próprios, dos quais as séries House of Cards e Arrested Development (foto) foram os mais bem-sucedidos até agora.

Agora, as notícias são de que ele busca acordos com as operadoras de cabo para que estas também ofereçam o serviço de streaming criado e aperfeiçoado pela Netflix. Seria, então, a união do tigre com os leões. Resta saber quem terá mais fome (e dentes mais afiados).

TVs de plasma devem continuar no mercado

P1030458Uma das notícias mais comentadas da semana foi a de que a Panasonic determinou uma data para encerrar de vez a produção de TVs de plasma: março de 2014. Quem divulgou foi a agência Reuters, citando fontes ligadas à empresa no Japão. Como se sabe, o assunto não é novo. Executivos da empresa já tiveram que responder a perguntas sobre “o fim do plasma” inúmeras vezes, sempre desmentindo. Desta vez, a Panasonic emitiu comunicado em que afirma: “A companhia avalia uma série de oportunidades em relação à estratégia para o mercado de telas de plasma, mas nenhuma decisão foi tomada até o momento” (mais detalhes aqui).

Há diversas especulações, e algumas até fazem sentido. A quantidade de plasmas vendidos nos últimos dois anos realmente não é nada animadora. Segundo a consultoria DisplaySearch, dos cerca de 250 milhões de TVs vendidos este ano em todo o mundo, mais de 200 milhões são LED-LCDs; o restante se divide entre LCDs convencionais (cerca de 30 milhões), plasmas (12 milhões) e TVs de tubo CRT (8 milhões).

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Além da Panasonic, as coreanas Samsung e LG também continuam comercializando plasmas, mas cada vez em menor quantidade. Em dois anos, a divisão de TVs do grupo japonês acumulou nada menos do que US$ 3 bilhões de prejuízos. O problema é que, após tantos anos de investimento, inclusive com a maior fábrica de plasmas do mundo, localizada na cidade de Amagasaki (foto ao lado), próximo a Osaka, interromper tudo não é uma decisão fácil. Fala-se, por exemplo, que o grupo negocia vender parte dessa fábrica, informação também desmentida (talvez seja uma das “oportunidades” mencionadas no comunicado).

Curioso é que o primeiro TV 4K da Panasonic não é um plasma, mas um LED-LCD, apresentado na IFA (detalhes aqui) e agora oficialmente lançado no mercado americano. Se fosse para manter o plasma, o mais racional seria lançar pelo menos um modelo com a tecnologia de imagem mais avançada da atualidade. Por sinal, no Brasil acaba de sair o mais recente plasma da empresa (foto ao alto), modelo VT60, de 65″, Full-HD 3D, respaldado por uma série de prêmios e elogios da imprensa internacional. Só para citar um exemplo: a rigorosa revista Consumer Reports, dos EUA, elaborou um ranking dos 12 melhores TVs de tela grande lançados por lá este ano, e esse aparelho ficou em primeiro lugar; aliás, nove dos escolhidos são plasmas, sendo cinco deles Panasonic.

Como explicar que um produto tão bem avaliado seja retirado do mercado?

TV paga: onde estão os números da Anatel?

O colega Daniel Castro, do excelente blog Noticias da TV, estranhou que a Anatel tenha parado de divulgar seus costumeiros dados mensais sobre o crescimento do mercado de TV por Assinatura. Até agosto, a divulgação era feita mês a mês, permitindo a todos os interessados acompanhar a evolução de um setor que crescia entre 2% e 3% (quase 30% ao ano). Em setembro, nada apareceu. Estamos aguardando que algo saia em outubro, mas a explicação oficial é de “problema operacional da área técnica na consolidação dos números.”

Estranho mesmo. Justamente agora que esses números não são tão animadores. A estimativa do mercado é que o crescimento despencou para cerca de 10% nos últimos doze meses, e deve fechar o ano abaixo desse índice. Em junho, último mês registrado pela Anatel, foram vendidas apenas 26,6 mil novas assinaturas; em junho de 2012, haviam sido 267,2 mil, ou seja, dez vezes mais! A culpa seria da classe C (sempre ela…), que vinha sustentando aqueles aumentos surpreendentes, mas pelo visto perdeu o fôlego. Há ainda quem atribua o problema ao fenômeno Netflix, serviço que vem atraindo muita gente com seu custo mensal baixíssimo.

Preço com certeza não é, porque nunca houve tantas promoções, principalmente das “novas” operadoras Claro, GVT e Vivo. O que será, então? Quando a Anatel divulgar seus dados, será mais fácil descobrir.

TV OLED de tela curva, agora no Brasil

lg_curved_oled_tvNesta quinta-feira, a LG apresentou à imprensa seu lançamento mais inovador deste ano: o TV OLED de 55 polegadas, com tela curva (mod. EA9800). Chega às lojas em novembro, com preço sugerido em torno de R$ 40.000, e junto com ele a empresa pretende lançar dois outros, de 55″ e 65″, só que com tela plana, certamente mais baratos (aqui, um vídeo mostrando o produto).

A questão da tela curva, que já comentamos aqui, finalmente vai poder ser discutida com base na realidade. À primeira vista, é um grande apelo de vendas, até porque quem adquirir o TV terá em casa algo exclusivo (não está previsto outro lançamento do gênero este ano). Sim, a LG sabe que poucas pessoas terão condições de pagar R$ 40.000 por um TV, mas o mesmo raciocínio foi levado em conta um ano atrás, quando saiu o primeiro TV 4K, de 84″: são produtos de nicho. “O 4K, quando saiu, estava disponível em apenas cinco lojas; hoje está em mais de 90”, lembra Fernanda Summa, gerente de marketing da LG. “Isso sempre acontece com produtos inovadores, que necessariamente têm um custo inicial mais alto.”

O TV de tela curva LG não é 4K (Ultra-HD), mas Full-HD. E a sensação de profundidade do display OLED realmente causa grande impacto (mais detalhes neste vídeo), assim como a espessura de apenas 4,3mm. No evento, a LG utilizou apenas imagens 3D de altíssima definição; resta saber como o aparelho se comporta no item upconversion, reproduzindo imagens da TV ou de um DVD, por exemplo. E quando estiverem nas lojas, lado a lado, os TVs de tela curva e tela plana, o próprio consumidor poderá tirar suas conclusões.

Respostas num de nossos próximos testes. Para quem ainda não viu, sugiro conferir o teste e o vídeo do TV 4K de 84″. E, neste link, um resumo sobre as vantagens dos TVs OLED.

Os gigantes do mundo multimídia

media giantsRelatório divulgado em maio do ano passado, com dados atualizados até 2010, revelava que seis conglomerados de mídia controlam nada menos do que 90% de tudo que se lê, se ouve e se assiste no mercado americano (o maior do mundo). No cálculo anterior, de 1983, eram 50 grupos. Ou seja, o mercado cresceu e se concentrou absurdamente (os detalhes estão neste link).

Claro, não é um fenômeno apenas dos EUA; a concentração é talvez o efeito mais importante das mudanças econômicas registradas nas últimas décadas, em função das desigualdades entre os países. Tem a ver também com os avanços tecnológicos, que exigem capital intensivo, restrito aos grandes grupos, e com o processo de globalização. Para quem olha de fora, é um panorama cruel e, aparentemente, sem alternativa.

Bem, aqueles seis grupos citados no primeiro parágrafo são, pela ordem:

General Electric – Além de potência industrial, controla marcas valiosas como Comcast (maior operadora de cabo dos EUA), NBC e Universal Pictures;

News Corp – Aquele mesmo, do polêmico magnata australiano Rupert Murdoch, dono da Fox (cinema e TV) e do Wall Street Journal;

Disney – Além de parques de diversão, canais de TV e produtora de filmes, o grupo inclui a rede de TV ABC, as produtoras Miramax e Pixar e os canais ESPN;

Viacom – Já foi maior, mas continua ali no G6, com MTV e Paramount, entre outros empreendimentos;

Time Warner – Duas das marcas mais simbólicas da cultura americana, que se fundiram no final do século passado, hoje detêm propriedades como CNN, HBO e, claro, os estúdios de cinema e TV Warner Bros.

CBS – Embora perca em faturamento para os demais, é outro símbolo dos EUA: além da famosa rede de TV, controla a Showtime (TV paga) e a nfl.com (que comanda os bilionários negócios em torno do futebol americano).

Mas, atenção: esse levantamento é de três anos atrás. Nesse período, cresceu a importância das empresas de internet, e algumas delas já superam esses conglomerados em faturamento, segundo esta outra estimativa. Exemplos: enquanto Time Warner teve em 2012 receitas na casa de US$ 48 bilhões e News Corp, de US$ 33,4 bilhões, Google chegou a US$ 37,9; Amazon, US$ 67; e Microsoft, US$ 69,9. Todos podem ser definidos hoje como “grupos multimídia”. E anotem: o rápido crescimento de novatas como Facebook (hoje com US$ 1,6 bi) e Netflix (US$ 945 milhões) está espantando os analistas.

Não estranhem se nos próximos estudos esses nomes aparecerem lá no topo.

Mitsubishi, mais uma que dá adeus

mitsuNo Brasil, há muito tempo a marca Mitsubishi tornou-se mais conhecida dos usuários de automóveis do que no segmento eletrônico. Mas, na Europa, EUA e principalmente Japão, continua sendo respeitada e até cultuada. Bem, continuava, até a semana passada. Na última sexta-feira, Tadashi Hiraoka, presidente da MEVSA (Mitsubishi Electric Visual Solutions America), divisão responsável pela distribuição de displays e projetores no mercado americano, enviou carta a seus revendedores comunicando sua saída do mercado.

“Todas as nossas equipes de vendas e suporte serão reduzidas, e não aceitaremos mais pedidos”, escreveu Hiraoka, garantindo que a decisão vale apenas para displays de uso residencial e projetores. A Mitsubishi pretende focar nos itens que hoje lhe dão mais retorno: videowalls, cubos para retroprojeção (de uso comercial) e impressoras industriais. Segundo a carta, a decisão é global, ou seja, não serão mais comercializados projetores e TVs da marca no mundo inteiro.

Não se pode dizer que é uma surpresa. No final do ano passado, comentávamos aqui sobre o fim dos retroprojetores, antigos TVs que foram derrotados pelos LCDs e dos quais a Mitsubishi era uma orgulhosa (e única) fabricante. Foram tantos prejuízos seguidos que agora a empresa jogou definitivamente a toalha. Como já fizeram anos atrás outras ex-gigantes japonesas (Pioneer e Sanyo, por exemplo), melhor se concentrar em poucos, bons e rentáveis produtos.

Ópera sem fio no aeroporto

aeroportoDeve ter sido deslumbrante! Em Salzburg, cidade onde nasceu um tal de Mozart, o dia 26 de agosto de 2013 certamente vai ficar marcado na memória de 650 privilegiados. Eles foram convidados para assistir à nova montagem de O Rapto do Serralho, obra não muito conhecida do compositor austríaco. Até aí, nenhuma novidade: o que mais se vê por aquelas bandas são óperas e concertos eruditos, e não apenas de Mozart.

O que fez desse espetáculo algo inédito – e por isso inesquecível – foi o fato de ter sido montado num aeroporto. E com áudio sem fio! Enquanto atores, dançarinos e cantoras se apresentavam, os convidados podiam se movimentar à vontade em torno do cenário, como se fossem parte da cena, numa área calculada em 13.700 metros quadrados (mais ou menos equivalente a um campo de futebol). Lá fora, aviões pousando e decolando normalmente: seu ruído estava previsto na montagem e ninguém reclamou. O áudio da peça foi transmitido via rede sem fio (UHF) para players MP3 espalhados por toda a área.

Detalhe importante: o evento ocupou dois hangares do aeroporto (na foto), sendo que o “palco” ficou a 150 metros da orquestra! Atores e músicos não se viam, tudo era guiado pelo áudio extraído de microfones da marca Sennheiser. Mais ainda: um canal local de TV transmitiu tudo ao vivo para 19 países, com 16 câmeras posicionadas estrategicamente. Também houve transmissão pela internet. Agora, é torcer para que tudo tenha sido gravado e nos chegue em alta definição, o quanto antes.

Me engana que eu gosto!

DilmaRousseff2Neste fim de semana, a presidente Dilma Roussef – agora em fase “tecnológica”, por sugestão de seus marqueteiros – tuitou mais uma daquelas ordens típicas de quem nem faz ideia do que está falando. “Determinei ao Serpro a implantação de sistema seguro de e-mails em todo o governo federal.” Incrivelmente, a mídia especializada replicou a informação como se nada houvesse de estranho (vejam aqui, por exemplo).

Coube a um jornalista da área política, e dos melhores (Ricardo Noblat), colocar as coisas nos seus devidos termos, usando sua página no Facebook – com ajuda, aliás, de leitores que sabem muito mais sobre o assunto, pelo visto, do que Dilma e seus assessores. Não poderia ser mais claro, ao que acrescento:

1.Não existe sistema seguro de emails, nem aqui, nem nos EUA, nem na China;

2.99% das redes existentes no Brasil, inclusive no governo, são gerenciadas via softwares de procedência estrangeira, notadamente americana, e não existem similares nacionais;

3.O governo dos EUA, como já dissemos aqui, vigia permanentemente governos e empresas de outros países, usando para isso os dispositivos mais avançados e não poupando recursos financeiros. Vai continuar a fazê-lo;

4.Todos os governos de países importantes, inclusive do Brasil, vigiam outros com quem têm ou pretendem ter relações políticas, comerciais, militares etc. Alguns fazem isso melhor do que outros, e não por acaso são aqueles que mais investem em educação básica;

5.Se quisesse, de fato, melhorar ou deixar mais protegidas as redes brasileiras, o governo deveria começar contratando profissionais e empresas qualificadas – e, mais uma vez, sorry, as melhores são estrangeiras;

6.E, se quisesse qualificar profissionais brasileiros, teria que gerenciar melhor os investimentos em educação e acabar com a corrupção e a politicagem nas nomeações para cargos ligados à área.

Enfim, o tuíte de dona Dilma pode ter rendido vários retuítes, comentários nas redes (há milhares de pessoas sendo pagas justamente para replicar esse tipo de asneira), mas nem chega perto de uma solução para a precariedade de nosso sistema de telecom. Só vai servir, mesmo, para ser usado na campanha eleitoral e enganar, pela enésima vez, quem gosta de ser enganado.

Áudio digital, padrão high-end

Semanas atrás, comentamos aqui a iniciativa de alguns fabricantes de criar o HRA (“áudio de alta resolução”). Se vai ou não dar certo, ninguém sabe. Mas boa parte das empresas especializadas em áudio high-end já percebeu que não é mais possível ignorar o fenômeno da música digital. Na CEDIA Expo, realizada em setembro, isso ficou claro.

Marcas cultuadas – McIntosh, Classé, Sunfire, Bryston, Cambridge, Parasound, Mark Levinson, todas hoje com distribuição oficial no Brasil – exibiram no evento mais do que seus tradicionais super powers, preamps e processadores estéreo e surround. Todas estão investindo no aperfeiçoamento de seus DACs (conversor digital/analógico), e/ou fazendo parcerias com bons fornecedores de players, como a californiana Oppo e a japonesa Pioneer, hoje pertencente ao grupo Mitsubishi. Com o aprimoramento dos players Blu-ray e o surgimento do formato Blu-ray Audio (BDA), o consumidor mais exigente passa a ter ótimas opções para ouvir música como se deve.

A canadense Classé, propriedade da B&W inglesa, é um bom exemplo. Lembro de ter conversado com um de seus executivos em visita ao Brasil, anos atrás, quando ele me dizia não acreditar no Blu-ray. Mas a empresa soube entender a mudança de comportamento do consumidor. Resultado: está lançando o pré-amplificador CP-800, cujas entradas USB são associadas a novos DACs e a uma tecnologia que a empresa chama de re-clock (refere-se aos chips que fazem a leitura do sinal e regulam o tempo exato da conversão de cada bit).

NADO amplificador integrado MA8000, da americana McIntosh, que entrega 300W em cada canal, também possui entrada USB para fontes de áudio digital e é capaz, segundo o fabricante, de reproduzir conteúdos de 32-bit com frequência de amostragem de 192kHz. E a NAD, outra canadense de peso, decidiu entrar no segmento de servidores de música com um trio interessante: um player digital (M50), um DAC (M51) e um dispositivo de memória (Music Vault, mod. M52). É uma configuração (foto) semelhante à da celebrada Kaleidescape, que já comentamos aqui. Você pode armazenar o conteúdo de centenas de discos na memória do aparelho, além, é claro, de arquivos de computador contendo músicas baixadas da internet, por exemplo. Cabem 200 mil arquivos MP3 em 256k, ou 18 mil arquivos FLAC (24-bit/96kHz). Como o DAC funciona também como pré, basta acrescentar um bom amplificador e um par de caixas para usufruir de tudo isso em alta resolução.

Enfim, vemos o segmento de áudio high-end, que muitos davam como condenado, responder ao chamado nas novas gerações. Que não necessariamente gostam do que ouvem em seus iPods.

Bola de cristal eletrônica

jobsEnquanto a Sony prepara uma nova versão (menor) do recém-lançado tablet Xperia Z1, fontes da Samsung revelam que está saindo do forno um novo modelo, melhor e mais rápido que os atuais Galaxy. Entrementes (era assim que eu ouvia no rádio, quando criança), a Apple já tem pronto o iPhone 6, embora tenha acabado de lançar a versão 5. Ah! Sim, e a Microsoft promete para breve o Windows 8.2, que – incrível!!! – irá substituir o também recém-lançado 8.1, coitado.

Todas essas notícias foram colhidas hoje, em sites de tecnologia brasileiros e americanos; aliás, cada vez há menos diferença – excetuando-se o idioma – entre eles. Perceberam a pegadinha? Nenhuma das revelações é oficial. Esse tipo de “informação”, e aqui preciso de muitas aspas, é divulgado todos os dias a partir de vazamentos sabe-se lá de quem, ou mesmo de “suspeitas” ou da intuição jornalística de seus autores. Em minutos, estão espalhadas por sites e blogs, realimentando uma cadeia que funciona meio como uma rosca sem fim.

O mais interessante é que, da mesma maneira como surgem, muitas dessas notícias acabam esquecidas quando demoram a se confirmar. A culpa, penso eu, deve ser do falecido Steve Jobs, que há uns dez anos criou na Apple um esquema de divulgação infalível. Para quem quiser saber os detalhes, a história toda está contada no meu livro “Os Visionários“. Em resumo, Jobs acionou seus melhores contatos na imprensa americana e montou uma equipe encarregada de alimentá-los com “notícias” sobre o que a empresa estava preparando. Conseguiu assim gerar um nível de expectativa sobre os lançamentos que nenhuma outra empresa jamais igualou.

Bem, muitas estão tentando, como provam aquelas lá do primeiro parágrafo. E a mídia dita especializada faz a sua parte, divulgando até coisas que não passam de insinuações, ou mesmo fofocas. Por sinal, já existe um vídeo mostrando como será o iPhone 6 (não acreditam? Cliquem aqui). Alguém deve estar lendo os pensamentos de Tim Cook e seus colegas da Apple. Ou, quem sabe, fazendo contatos extrasensoriais com o próprio Jobs, em alguma nuvem por aí.

Liberdade despenca na internet

internet-censorshipEnquanto vemos pela televisão centenas de criminosos mascarados destruindo casas, lojas e fachadas de prédios em São Paulo e no Rio de Janeiro (os tais black blocs), ficamos sabendo que o Brasil é um dos países onde a liberdade de atuar na internet está caindo. Isso mesmo: temos aqui milhões de usuários de Facebook e Twitter, a maior quantidade de celulares per capita fora dos EUA, mas ainda é grande o risco que correm aqueles que tornam públicas suas opiniões online.

A informação está no novo relatório Freedom of the Net, produzido pela Freedom House, entidade sediada em Washington que monitora a liberdade de expressão pelo mundo afora. Nesse ranking, o Brasil foi rebaixado de “livre”, no ano passado, para “parcialmente livre” este ano. Perde apenas para a Índia, um dos países mais atrasados do planeta, que pelo visto quer continuar atrasado. A Freedom House analisa cada país a partir de critérios que indicam o grau de liberdade de quem utiliza a internet. Por exemplo: quantas vezes um site ou uma rede social foi bloqueada por ordem do governo ou da Justiça; quantas leis foram criadas para cercear o direito das pessoas se expressarem online; quantos blogueiros ou comentaristas de sites sofreram ataques físicos, ou mesmo dificuldades técnicas para exercer sua atividade. E por aí vai.

O Brasil não está sozinho nas tentativas de governantes, magistrados e políticos em geral de controlar (e até impedir) o que se divulga pela internet. Dos 60 países analisados no relatório, em 34 houve registro de medidas contra a liberdade online, inclusive nos EUA, tidos como a maior democracia do mundo. Mas é interessante citar aqui os dez tipos mais comuns de ações desse tipo, para vermos que várias delas vêm sendo praticadas continuamente em nosso país. Anotem:

1.Bloqueio e/ou filtragem de informações divulgadas em sites e blogs;

2.Ataques cibernéticos contra grupos ou entidades de oposição;

3.Novas leis contra manifestações de caráter político, social ou religioso, que acabaram levando à prisão de internautas;

4.Pagamento de pessoas para manterem sites ou blogs de apoio ao governo;

5.Ataques físicos e assassinatos;

6.Vigilância da comunicação de pessoas, com abuso por parte dos agentes, para fins políticos;

7.Ordens sumárias para tirar do ar conteúdos considerados ofensivos, sem que haja julgamento em tribunal apropriado;

8.Bloqueio de aplicativos, como Skype, YouTube e Facebook;

9.Processos judiciais contra provedores, tidos como “coniventes” com as ofensas alegadas;

10.Intervenções técnicas para travar ou tornar mais lentas as conexões de determinadas pessoas ou empresas.

Tudo isso, acreditem, acontece no Brasil em pleno 2013, num regime que se diz democrático. Mais detalhes podem ser vistos, em inglês, neste link. E um acompanhamento regular das medidas que impedem o pleno exercício dessas liberdades pode ser acessado, em português, neste outro link. Enfim, pode parecer que todo mundo é livre para dizer o que pensa, mas a realidade não é bem essa.

Apple se garante com nova marca

galaxy gearDesta vez, o pessoal da Apple não vacilou. Já escolados em relação ao jeitinho brasileiro de fazer negócios, pediram registro no país da marca “I Watch”, que talvez venha a ser usada para um novo produto que a empresa planeja. Sim, deve ser um relógio de pulso digital, na linha desse ao lado, que a Samsung apresentou na IFA. Digo “talvez” porque a Apple, como sempre, faz segredo absoluto. Sabe-se apenas que solicitou nos EUA a patente para algo do gênero. Pelas normas do INPI, se em até 60 dias ninguém se manifestar contra, a marca lhe será oficialmente concedida.

Todos devem se lembrar da disputa com a Gradiente em torno da marca “iPhone”, que comentamos aqui meses atrás. A Apple foi totalmente apanhada de surpresa ao se ver impedida de comercializar o aparelho no Brasil, porque a marca havia sido registrada anos atrás pela Gradiente. Só recentemente a Justiça decidiu que a Apple também pode usá-la.