Archive | novembro, 2013

Mais um TV de tela curva

SamsungCurvedOLEDTVComentamos anteontem sobre o novo TV OLED da LG, mas a Samsung não podia ficar fora desse segmento (no mundo inteiro, as duas coreanas são as únicas, por enquanto, com esse tipo de aparelho à venda). Esta semana, a Samsung também apresentou em São Paulo sua versão, que é praticamente igual ao LG de tela curva, que comentamos no mês passado (vejam aqui).

PINCUSHION-CHAIRÉ mais uma chance, portanto, para quem tem dúvidas sobre a eficiência desse tipo de tela, de verificar ao vivo seu funcionamento. Segundo os dois fabricantes, a curvatura do display segue o padrão das telas de cinema Imax, usadas para projeções em 3D. Embora pareça estranho à primeira vista, o desenho ao lado mostra que a superfície côncava da tela tem lógica, especialmente em tamanhos grandes. Numa tela plana, existem sempre alguns centímetros de diferença na distância de visualização, conforme a posição do telespectador. Se você está exatamente de frente, enxergará melhor a área central do TV do que as laterais; se estiver à direita, ficará mais longe da área esquerda da tela, e vice-versa. Quando se vê um filme originalmente captado em formato 2.35:1 (a maioria dos sucessos de cinema), a transferência para Blu-ray ou DVD procura corrigir a deficiência, como se vê neste vídeo.

Com a curvatura, na teoria o problema deixa de existir: não importa onde o telespectador esteja sentado, sua distância em relação à tela será sempre a mesma (ou quase isso). É o que acontece nos cinemas, permitindo que a percepção da imagem seja homogênea para todos os espectadores presentes. Isso tem a ver com a quantidade de luz projetada e que retorna integralmente, e ao mesmo tempo, para a plateia.

Bem, essa é a teoria cinematográfica. Se vai pegar ou não nos TVs, é outra conversa. Assim como os dois modelos da LG, esse da Samsung também é caro (preço sugerido: R$ 45 mil) e, portanto, acessível a poucos. Estamos aguardando um dos fabricantes nos enviar seu exemplar para teste.

TV agora é obra de arte

LG-55EA8800 OLEDDepois do modelo Design Line, que a Philips lançou em outubro, chega ao mercado brasileiro mais um TV inspirado em obras de arte. Fomos ver hoje o OLED Gallery, novo lançamento da LG, que já na forma de ser apresentado e no modo de instalar traz requintes de um quadro impressionista. Exibido pela primeira vez na IFA, em setembro (detalhes aqui), esse TV é o segundo OLED lançado pela LG no Brasil; o primeiro tem tela curva, como mostramos neste post.

LG gallery suporteA imagem OLED, já comentamos, é admirável: cores firmes, na saturação exata, pretos intensos e nitidez impressionante. O diferencial desse novo TV, de 55 polegadas e apenas 4,3mm de espessura, está na forma como será entregue ao comprador, segundo a LG. É o primeiro que já vem enquadrado em uma moldura de madeira, semelhante à de um quadro, e com suporte articulado para parede (vejam ao lado). A ideia, portanto, é que seja mesmo confundido com uma pintura, como nos disse a designer coreana Kim Mi Kiung, responsável pelo projeto. “Fizemos muitas entrevistas com usuários e pesquisamos muito também em revistas de design e decoração. Queremos que esse TV seja visto mesmo como uma peça artística.”

Tanto é verdade que, ao ser deixado no modo standby, o novo TV OLED exibe pinturas de autores como Monet e Renoir, pré-gravadas em sua memória, na forma de slideshow; se quiser, o usuário pode salvar no TV outras imagens com essa finalidade (fotos da família, por exemplo). Dentro da moldura, estão um processador de áudio e quatro alto-falantes, que somados aos dois já embutidos no próprio TV atingem potência de 100W. Este vídeo mostra tudo em detalhes.

Seu preço sugerido é de R$ 40 mil. Para quem puder pagar, com certeza vai fazer bonito em qualquer sala.

Internet das coisas: sabe o que é isso?

Tecnologia tem disso: a toda hora surgem expressões e siglas, criadas sabe-se lá por quem, para identificar novos recursos e conceitos. Muitas vezes, não fazem sentido. Exemplo: até hoje não engoli inicialize, que algum iletrado um dia traduziu para “inicializar” e acabou pegando. O idioma de Shakespeare consegue acomodar as coisas porque não usa o nosso infinitivo verbal. Talk pode ser tanto o verbo (falar) quanto o substantivo (fala), e todo mundo se entende.

Já as traduções costumam ser torturantes. Já li e ouvi, acreditem, “brausear” (no sentido de navegar pela tela, do inglês browser), “startar” (provavelmente inventado por alguém com preguiça de “começar”, tradução de start), “artefato” (na versão de artifact, que na verdade é “artifício”) e o já calejado “proprietário” (querendo se referir a recurso que determinada empresa patenteou, o que em inglês se diz proprietary). Isso tudo para ficar apenas no campo da tecnologia.

Pois bem, preparemo-nos todos para “Internet das Coisas”, que algum engraçadinho adaptou de Internet of Everything (“internet de tudo”), já criado com sigla e toda a pompa: IoE. Essa é a próxima onda tecnológica, dizem os magos da indústria. De cara, a expressão me deixou em dúvida: se é “de tudo”, o que virá depois? O “pós-tudo”, como dizem artistas de vanguarda e críticos quando não sabem como definir determinada obra?

Confesso que tenho procurado a resposta há alguns meses, mas não encontrei nada de convincente. A Wikipedia diz que o conceito IoE nasceu (na verdade como IoT: Internet of Things) em 1999, graças ao cientista inglês Kevin Ashton. Até agora, era apenas isso, coisa de cientista – e não sei se essa é uma boa referência. Mas empresas mais antenadas começaram a trazer a ideia para o mundo real, não por filantropia mas porque estão enxergando que pode dar dinheiro. É o caso da gigante americana Cisco Systems, cujo presidente, John Chambers, vem se tornando o maior “evangelista” (outro termo horrível do dialeto tecnicóide) do IoE.

Segundo Chambers, num futuro que não vai demorar todos os seres humanos estarão de algum modo conectados entre si, tendo como base a internet. Nossos aparelhos terão sensores de comunicação, assim como nossas casas e nossos carros. Usaremos roupas “conectáveis”, equipadas com microsensores que irão monitorar 24 horas por dia o que acontece com nossos corpos; se você quiser, esses dados poderão chegar a seu médico ou hospital preferido para as devidas providências. A temperatura de nossas casas e salas de trabalho será ajustada automaticamente, conforme as necessidades de cada momento. E, no caos do trânsito, não haverá mais acidentes porque os carros virão equipados com sensores de distância, mantendo-se sempre a salvo de motoristas irresponsáveis.

Ficaram curiosos? Leiam esta entrevista de Chambers, explicando tudo em português tão claro quanto possível. Existem outras fontes, como o próprio site Internetofthings e um consórcio chamado iofthings, formado por empresas que estudam o tema. Esta semana mesmo, o excelente site Business Insider publicou extenso artigo sobre o que irá mudar com isso em vários ramos de negócios. Alguns trabalhos já ganharam tradução em português, como nos sites das empresas IBM, Intel e a própria Cisco.

 

Automação, agora também em livro

livro automacaoÉ tão raro encontrar literatura técnica de qualidade em português que, quando algo do gênero é lançado, deve-se aplaudir. É o caso do livro “Automação Residencial – Conceitos e Aplicações”, dos engenheiros José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó, que sai esta semana pela Editora Educere. Ambos fazem parte da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), que há anos realiza um incansável trabalho de formação técnica para profissionais da área. E no Brasil, infelizmente, quando se fala em aprimoramento técnico, a queixa mais comum é a falta de publicações em português.

Bem, no ramo da automação residencial, um dos que mais crescem atualmente, a lacuna começa a ser preenchida. O livro, com 200 páginas, se divide em capítulos dedicados aos tópicos mais importantes nesse assunto: Instalações Elétricas Convencionais e Automatizadas; Protocolos de Automação; Cabeamento Residencial para dados, voz e imagem; Projetos de Infraestrutura; Interfaces de Automação; Automação em Áreas Comuns de Edifícios Residenciais; e Eficiência Energética. Além disso, explica os principais sistemas de automação existentes, faz uma introdução para quem não está atualizado a respeito e analisa as possibilidades de evolução dessa tecnologia no futuro.

Com certeza, vai se tornar uma “bíblia” para os profissionais do setor. Para saber mais detalhes e/ou solicitar um exemplar, este é o link.

A semana da black pilantragem

Alguns sites de compras estão anunciando sua “black week”, que vai até domingo. Ou seja, ampliaram o conceito americano da “black friday”, que deu tantos problemas no ano passado ao ser copiado por sites brasileiros. Agora, quem quiser correr riscos em suas compras tem não apenas um dia, mas a semana inteira para fazê-lo.

Só que, oportunamente, a Fundação Procon se antecipou e já divulgou uma lista de 325 endereços não recomendados a pessoas de bem. Baseado em pesquisas e denúncias, o orgão de defesa do consumidor também está reforçando as orientações sobre esse tipo de comércio, tão nefasto. Suas dicas chegam a ser banais: deveriam estar na cabeça de todo mundo. Mas, uma pena, não estão. Vejam só:

*Ao entrar num site de compras, procure a identificação da empresa responsável (razão social, CNPJ, endereço, telefone etc);

*Nunca adquira nada em sites que não dão a opção de pagamento com cartão de crédito;

*Dê preferência a sites recomendados por pessoas conhecidas;

E por aí segue (mais detalhes no site do Procon). Mas há um item que faço questão de repetir aqui: “Desconfie quando a oferta for vantajosa demais”. Por incrível que pareça, é enorme a quantidade de pessoas que caem nessa armadilha, ano após ano. É a famosa Lei de Gerson, a vontade de levar vantagem, sempre, sem medir riscos nem consequências. Uma praga bem brasileira, como tantas outras.

Em tempo: o site Convergência Digital publicou aqui a lista dos 325 sites “condenados” pelo Procon. Vale a pena guardar e consultar.

Impressão 3D: será esse o futuro?

Do amigo Renato Sabbatini, um dos pioneiros da informática no Brasil, recebi um link interessante, sobre um projeto desenvolvido pelo CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer), de Campinas. O nome técnico é ProMed – Tecnologias Tridimensionais na Medicina, e o objetivo é o processamento de imagens em 3D para diagnóstico e planejamento de cirurgias complexas (aqui, os detalhes). Parece coisa de Primeiro Mundo, ainda mais quando se olha para a data em que o trabalho foi iniciado: agosto de 2001!

Isso mesmo: há mais de doze anos, os técnicos do CTI já desenvolvem soluções médicas nesse campo, entre elas a hoje tão badalada impressão 3D. Aliás, sei que fazem muito mais, apesar das verbas limitadas e da falta de apoio (vejam neste link). Mas a leitura me chamou a atenção principalmente pelo contraste com tanto besteirol que tem sido publicado a respeito dessa tecnologia. Impressão 3D é coisa muito séria, e assim é encarada por uma legião de cientistas e técnicos de diversos segmentos, inclusive o dr. Sabbatini, médico e professor; este site equivale a uma aula sobre o tema.

No entanto, a maioria das notícias divulgadas a respeito refere-se à possibilidade de qualquer cidadão comum ter em casa uma dessas impressoras e, com ela, criar coisas como chaves, bonecos, máscaras, roupas íntimas, acessórios eróticos e até comida (saboreiem, por exemplo, este vídeo sobre como imprimir uma pizza…). Aliás, o site brasileiro Tecmundo traz diversas notícias recentes sobre a tecnologia. No nosso Planet Tech, publicamos a história da empresa californiana que descobriu como produzir até TVs OLED dessa forma. E, claro, já é possível usar a inovação para fabricar, em casa mesmo, uma arma de fogo, feita de metal, igualzinha às verdadeiras.

É o perigo a que toda tecnologia nos submete, como bem me lembrou Sabbatini: “Os mesmos cientistas que desenvolveram excelentes combustíveis foram capazes de criar líquidos e gases letais, como o napalm”.

Celular no avião: fim do sossego

plane_phoneA FCC, equivalente americana da nossa Anatel, anunciou nesta sexta-feira que irá permitir a passageiros fazer e receber chamadas via celular durante os vôos de avião. Como se sabe, o assunto vem sendo debatido há meses e as restrições ao uso de aparelhos eletrônicos em vôos estão aos poucos sendo afrouxadas. “A tecnologia evoluiu, e já é possível usar serviços de comunicação móvel com segurança durante os vôos”, informou o presidente da FCC, Tom Wheeler. Segundo ele, o uso de celular só será permitido quando o avião estiver a pelo menos 10.000 pés de altura (pouco mais de 3 mil metros), ou seja, continuará proibido durante decolagem e pouso – mais detalhes aqui.

De fato, não há como duvidar dos recursos atuais. Mas receio que o problema, aí, não seja exatamente tecnológico. Basta entrar num restaurante, ônibus ou metrô para ver como muitas pessoas falam ao celular. Algumas não respeitam nem hospitais e velórios! Lembro que, anos atrás, uma senhora foi expulsa de um trem na Califórnia porque infernizou a vida dos demais passageiros falando alto, e sem parar, durante a viagem. Mesmo com a proibição atual, já testemunhei verdadeiro espetáculos de falta de educação em vôos, por pessoas que se recusam a desgrudar de seus celulares. O que faz crer que em aviões será diferente?

Nessas horas é que me vem à mente, com saudade, a experiência que tive viajando num trem-bala japonês. A placa, bem visível no vagão, pedia educadamente: “Por favor, não fale alto durante sua viagem. Isso pode incomodar os demais passageiros”. Nem é preciso dizer que todos respeitavam, até porque japonês já tem, acho que instintivamente, o hábito de falar baixo. Notem: o aviso não se referia a celular, mas ao ato banal de… falar. Falar alto.

Imaginemos agora a cena (e é preciso aqui eliminar todos os estereótipos e preconceitos): um grupo de adolescentes viaja alegremente para a Disney. Em época de férias, são milhares deles, levados por agências especializadas. Sem restrições, e como hoje em dia não existe adolescente sem celular, todos ligarão para seus pais, parentes e amigos, quem sabe até várias vezes por hora. O que será dos passageiros que, por azar, caírem no mesmo vôo?

Como disse um jornalista do site Yahoo, só falta agora liberarem o karaokê nos vôos! Sugestão: que as companhias aéreas forneçam, junto com o cartão de embarque, um fone de ouvido com cancelamento de ruído (dos bons). Ou então cápsulas de soníferos.

Sharp e HP podem caminhar juntas

O site Business Week, especializado em negócios (a revista do mesmo nome não circula mais) divulgou esta semana que a japonesa Sharp e a americana HP estão negociando uma possível fusão no segmento de copiadoras. Mesmo sem ser confirmada, a notícia fez subir, quase que de imediato, as ações da Sharp na Bolsa de Tóquio. Os analistas de mercado prevêem que as duas empresas estão em situação de tomar alguma providência urgente para reverter as expectativas dos investidores. Ambas estão vivendo momentos turbulentos.

Segundo um desses especialistas, citado pelo site, a vantagem da fusão é que as margens de lucro em copiadoras são muito mais altas do que em TVs, tablets e computadores. Portanto, ambas teriam muito a ganhar com a mudança. A conferir.

Transmissões em 4K: uma séria ameaça

4k 8k uhdtv uhdNove de cada dez pessoas com quem converso sobre TVs 4K me perguntam quando haverá transmissões de televisão com essa qualidade. A resposta, claro, é: ninguém sabe. Espera-se que na próxima Copa do Mundo algum canal de TV paga transmita um ou outro jogo em 4K, mas nada está definido a respeito. Mais provável é que o sinal em UHD seja gerado para canais fechados e exibido, por exemplo, em cinemas, como aconteceu com o 3D na última Copa.

A Sony, patrocinadora do evento e que fornece todos os equipamentos para as transmissões, está trabalhando em conjunto com a TV Globo e com a japonesa NHK, entre outras empresas, para viabilizar o projeto. Mas, se acontecer, será apenas na Copa. Quanto a transmissões regulares em 4K, parece que outras ameaças pairam no ar. Segundo o site Tela Viva, as emissoras brasileiras incluíram essa questão na lista de queixas contra o governo por causa da disputa em torno das frequências de 700MHz. “Da forma como está, vamos morrer com o padrão atual”, disse o presidente da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), Olimpio José Franco, em audiência pública sobre o assunto no Senado.

Ele se refere, naturalmente, ao padrão SBTVD, derivado do japonês ISDB-T, que trabalha na resolução máxima de 1.920 x 1.080 pixels (Full-HD). Para transmitir o sinal Ultra-HD (3.840 x 2.160), será preciso ampliar as faixas de frequência disponíveis. As emissoras querem que o governo mantenha com elas a faixa entre os canais 7 e 13, usados nas transmissões analógicas, argumentando que esses podem acomodar sinais digitais de 4K e até 8K. “Se o celular 4G precisa de banda, a televisão digital também precisa, para evoluir”, diz Franco.

Pois é, assim vamos conhecendo mais detalhes desse imbroglio em que o governo transformou a criação de novas redes de celular 4G, conforme comentamos aqui outro dia. Quem está ansioso para ver imagens em 4K vai precisar de muita paciência.

O bug do TV espião (já corrigido)

espiao LGUm blogueiro inglês provocou boa polêmica esta semana ao divulgar que seu televisor o estava espionando! Era um modelo smart da LG (ao lado, uma das imagens que ele publicou) em que, ao lado dos já conhecidos ícones de aplicativos, aparecia um anúncio de caldos Knorr!!! Doctor Beet – este o “nome de guerra” do cidadão – resolveu investigar mais a fundo e descobriu que, entre os apps, havia um vídeo da própria LG explicando como funciona o software Smart Ad implantado no aparelho. Literalmente:

“O Smart Ad, da LG, analisa os programas favoritos dos usuários, seu comportamento online, suas palavras-chave de busca e outras informações para oferecer anúncios relevantes a determinados públicos. Por exemplo, o LG Smart Ad pode exibir roupas bonitas para homens ou cosméticos e perfumes para mulheres. Além disso, oferece relatórios sobre resultados dos anúncios, algo que as transmissões de TV ao vivo não conseguem fazer. Isso permite identificar melhor a eficiência da publicidade.”

Ou seja, o TV vem preparado para espionar a vida do usuário e fornecer informações a potenciais anunciantes. Mais ou menos o que fazem Google, Facebook, Twitter e quase todas as empresas de internet atualmente. Fuçando nos menus de seu TV, o blogueiro descobriu a opção Collection of watching info, que veio ativada de fábrica; ao desativá-la, teoricamente, o usuário faria desaparecer o tal anúncio. Mas Doctor Beet, que entre outras coisas é um conhecido hacker, notou que, mesmo desativando, o aparelho continuava enviando informações a um servidor da LG.

Ao entrar em contato com o fabricante, o blogueiro recebeu um pedido de desculpas e foi orientado a “procurar o revendedor”. Claro que não ficou satisfeito e resolveu colocar a boca no trombone, digo, na internet, onde esse tipo de denúncia se espalha como faísca. Na verdade, a suspeita de que TVs conectados à internet podem servir como “espiões” existe desde sempre; afinal, dentro de cada um deles funciona um computador, que entra na web exatamente como fazem os PCs e Macs da vida.

Como já disse Vint Cerf, um dos pais da internet: “Privacidade online? Esqueça”.

Atualização: nesta sexta-feira, segundo a agência de notícias AFP, a LG distribuiu comunicado em Seul informando que está atualizando o firmware de seus TVs smart, após detectar o mesmo problema em outras unidades.

CES 2014: começou o agito

CES  in Las Vegas, NevadaBem antes do que costuma acontecer todos os anos, já estamos recebendo material das empresas que participarão da International CES 2014. A feira acontecerá em Las Vegas entre os dias 7 e 10 de janeiro, e claro que muitos expositores guardam segredo sobre o que irão exibir. Mas alguns estão se antecipando e enviando convites para visitas a seus estandes ou eventos paralelos que irão promover na cidade.

Ao que parece, a “estrela” da CES desta vez não será um aparelho, mas sim um aplicativo. Ou vários deles. Pela primeira vez, a organização do evento está reservando espaço para seminários, demonstrações, hands-on (que é como os americanos chamam as sessões em que os visitantes podem eles próprios testar os produtos) e até competições entre desenvolvedores. Será montada uma “parede de aplicativos” (Wall of Apps) para exibir os melhores lançados durante este ano. E haverá ainda uma espécie de maratona de aplicativos móveis.

Bem, aos poucos vamos aqui atualizando os leitores sobre o que for anunciado para a CES 2014. Para quem está pensando em ir a Las Vegas, ainda há tempo de participar da delegação brasileira, composta de profissionais de todo o país e coordenada pelo Depto. Comercial do Consulado dos EUA em São Paulo. Planejando bem a viagem, é possível até “esticar” para Miami ou Los Angeles (Nova York, em janeiro, com frio abaixo de zero, não é uma boa pedida). Informações a respeito do grupo podem ser obtidas com a agência de viagens SGP, credenciada pelo Consulado, no telefone (11) 3061-3210 ou email [email protected].

Bateria de Mac: muito cuidado!

exploded-macbook-pro-e1359483188151Victoria Blue, pseudônimo de uma repórter do site americano ZD Net, especializado em tecnologia, foi testemunha de algo que, pelo visto, está se tornando mais comum do que deveria: a explosão da bateria de seu laptop. Era um Macbook como tantos outros, e ela, por depender dele para trabalhar, procurava cuidar bem do aparelho. Mas aconteceu: de repente, a bateria explodiu na sua frente, derretendo e espalhando componentes químicos por dentro do gabinete. Cuidadosa, ela abriu e retirou a peça para levar a uma loja Apple, onde recebeu a informação de que “é normal”.

Deve ser mesmo, considerando que após publicar a história no site Victoria recebeu uma infinidade de mensagens relatando problemas semelhantes, não apenas nos EUA, mas em vários países. Há infelizes que já experimentaram o acidente duas ou três vezes, como se descobre acessando o próprio site da Apple, aqui. Não soube de nada do gênero ter acontecido no Brasil, mas é bom ficar atento. E, claro, a empresa deve uma boa explicação a seus clientes. Dizer simplesmente que “é normal” é uma indecência.

O relato de Victoria pode ser conferido, em inglês, neste link.

Slingbox em versão brasileira

slingbox350Slingbox é o nome de um brinquedo que existe há anos. Tenho amigos que não viajam sem ele. Esteja onde estiver, seu feliz proprietário pode ligar o aparelho a uma rede de banda larga e – como por mágica – assistir aos mesmos programas de TV que assistiria se estivesse em sua casa. Pela internet, o sinal de todos os canais – abertos e fechados – é conduzido via streaming até onde está o Slingbox, que é menor que um receptor de TV paga.

É uma ideia tão primária que não sei como até hoje nenhuma operadora brasileira pensou em adotar. Agora, a história pode mudar: a Sling Media, empresa do grupo americano Echostar, está começando a distribuir o aparelho (foto) oficialmente no Brasil; só oficialmente, pois na prática a distribuição informal já acontece há muito tempo. Acessando o site slingbox.com.br, qualquer pessoa pode encomendar o seu, ao preço de R$ 799; a comercialização, com garantia e nota fiscal, é de responsabilidade da distribuidora Flex, do ramo de informática.

Em paralelo, a Sling Media negocia com algumas operadoras de TV paga, que podem ter interesse em oferecer o aparelho a seus assinantes, talvez até por um custo bem mais baixo. Provavelmente, a primeira que fará isso é a GVT, que recentemente assinou acordo com a Dish, operadora de TV via satélite do grupo Echostar. A GVT, que vem crescendo bastante em São Paulo com sua rede de fibra óptica, quer iniciar o quanto antes seu serviço de DTH.

Conta do 4G vai sair em R$ 1 bilhão

Um bilhão de reais: é quanto o governo deve gastar com subsídios à compra de receptores para TV Digital quando fizer o switch-off, como é chamado o desligamento oficial das transmissões de TV analógica. O cálculo é do site Convergência Digital, baseado em consultas a especialistas. Num exemplo clássico de falta de planejamento, o Ministério das Comunicações teve que assumir esse “mico”, após a queda de braço entre emissoras e operadoras (mais detalhes aqui).

Segundo a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), existem hoje no país 110 milhões de aparelhos de TV, mas somente 30 milhões têm capacidade de receber o sinal digital. Quase todos os TVs à venda atualmente vêm com receptor interno, mas quem comprou seu aparelho há mais de dois ou três anos precisa acoplar um receptor externo – e, em boa parte dos casos, cruzar os dedos. É essa massa de famílias que pode ficar sem sinal nenhum em 2018, quando os transmissores terão de ser desligados. Para que isso não aconteça, o governo planeja dar subsídio às famílias carentes; estas ganhariam de presente um receptor digital.

As emissoras, é claro, nem cogitam perder essa enorme parcela da audiência. Por isso, pressionaram e o governo decidiu assumir o custo. Tentará transferi-lo às operadoras de celular 4G quando for realizado o já famoso leilão da faixa de 700MHz. Vamos ver se consegue.

14/11, o dia do primeiro passo

O dia 14 de novembro de 2013 vai entrar para a História (sim, com “H” maiúsculo) como aquele em que o Brasil começou a se tornar um país de verdade. Pela primeira vez em mais de 500 anos, pudemos ver representantes da elite política serem presos dentro das regras democráticas, a mando da corte suprema, após longos oito anos de processo. Até a semana anterior, a maioria dos brasileiros ainda custava a acreditar que haveria prisões decorrentes do escândalo que os livros de história registrarão como “mensalão”. Desde o dia 14, existe uma luz nesse túnel.

Não cabe aqui rememorar os detalhes do escândalo, tampouco os do processo em si. Naturalmente, com o país dividido entre duas “torcidas” (uma a favor e outra contra o partido que ocupa o poder federal), cada um enxerga os episódios como lhe convém. Pouco se pode fazer quando alguém se convence da “sua” verdade e rejeita terminantemente argumentos em contrário. Pode-se afirmar que essa é uma espécie de patologia, parente próxima, por exemplo, do tabagismo: o fumante inveterado acha que não sofre de qualquer doença e recusa os tratamentos, fechando os olhos à dura realidade.

Há ainda o caso dos fingidores profissionais, diferentes daquele que o poeta definiu como alguém que “finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. Não, esses são pagos – alguns poucos, regiamente – para fingir que certos fatos não aconteceram, foram inventados; ou, se ocorreram, não têm importância. Fingem e exploram seu fingimento em discursos, debates, colunas de jornal e revista, blogs e onde mais puderem.

E existem, sem dúvida, os que sucumbem à patologia devido a uma versão distorcida de idealismo, com toques de ingenuidade. Acabam sendo piores, talvez, porque sem perceber se prestam ao papel que no passado os cientistas políticos identificavam como “massa de manobra”. Repetem à exaustão aquilo que lhes foi ordenado, sem sequer se dar ao trabalho de questionar se a ordem faz sentido. Não conseguem pensar. São como papagaios, amestrados apenas para incomodar a vizinhança. Podemos encontrá-los diariamente em mesas de bar, pontos de táxi, seções de jornais dedicadas a cartas dos leitores e – cada vez mais comum – sites e blogs abertos a comentários.

É triste constatar que, 28 anos após o fim oficial da ditadura militar e 24 anos depois de votarem pela primeira vez para presidente da República, muitos brasileiros ainda não conseguem conviver com a democracia. Não aceitam opiniões divergentes, nem decisões que possam ferir seus interesses, ainda que essas partam do tribunal mais importante do país. Os mesmos que comemoravam e elogiavam o STF, meses atrás, quando o ministro Celso de Mello votou pelos tais embargos infringentes, agora condenam a mesma corte por punir os réus. E aqueles que à época criticaram violentamente os juízes hoje se regozijam com as punições.

Há quem diga que tudo isso é herança do colonialismo português, pai da burocracia e da corrupção que, no Brasil, se transformaram até em meio de vida. Pode ser também consequência da funesta desmontagem do sistema educacional público, obra dos ditadores militares, que resultou numa legião de analfabetos funcionais e a cada ano forma batalhões de jovens e crianças que mal conseguem formar uma frase. “Todo bem tem origem no conhecimento, e todo mal na ignorância”, disse o filósofo Sócrates, antecipando em mais de 2 mil anos a desastrosa realidade que nos cerca.

Mas, voltemos à luz no túnel. O maior ensinamento do caso mensalão não me parece ser o de que corruptos devem ir para a cadeia – isso é algo que todo mundo sabe e propaga. A lição mais importante é a de que toda punição deve ser, mais que um castigo, um ato educativo. Se um dos grandes males brasileiros é a impunidade, o fato de alguém – especialmente representante da elite – ir para trás das grades, após esgotar todas as chances de se defender, deve ser saudado como uma espécie de profilaxia democrática. Todos podem (devem, precisam) aprender com essa decisão.

Cabe agora à sociedade brasileira não se contentar com tão pouco. Foi dado apenas o primeiro passo, que demorou 500 anos! Muitos outros serão necessários até que a democracia pela qual lutamos seja digna desse nome. Mas, parafraseando o astronauta, talvez tenha sido um pequeno passo para quem os condenou e, sejamos otimistas, um passo enorme para o país.

Pesquisas de audiência: o que vai mudar

Falando em GfK, nesta segunda-feira foi divulgada a carta de intenções em que quatro das maiores redes de televisão do país (Band, SBT, Record e Rede TV) prometem contratar pesquisas sobre audiência feitas pela empresa alemã. Como se nota, a única que ficou fora foi justamente a maior delas, a Globo, que há décadas é apontada pelo Ibope como líder absoluta de audiência. Depois de inúmeras trombadas e ameaças com o Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa (hoje Ibope), do qual sempre desconfiaram, finalmente agora as concorrentes da Globo podem contar com um novo fornecedor.

A GfK promete atuar num universo mais amplo, entrevistando telespectadores em 1,2 mil residências na Grande SP e 920 no Grande Rio; isso, segundo o site especializado Meio & Mensagem, significa 1,5 mil domicílios a mais que o Ibope. Um contrato de cinco anos a ser assinado pelas emissoras irá render cerca de US$ 100 milhões, diz comunicado do próprio grupo alemão, o que representa 40% menos do que todas gastam atualmente com o tão criticado Ibope.

Além do fato de que concorrência é sempre bem-vinda, resta saber como irá reagir a empresa de pesquisas mais tradicional do país, acostumada a atropelar seus competidores. Sabe-se que a aproximação do GfK com as redes foi intermediada pelo SBT, eterno crítico dos métodos do Ibope. Mas este ainda é muito forte – pelo menos enquanto conseguir manter a exclusividade com a Globo.

Venda de TVs cresce 18% no Brasil

A amostragem é minúscula: somente 500 pessoas entrevistadas. Mas, na falta de dados confiáveis no país, a nova pesquisa divulgada pela GfK – concorrente do Ibope – pode e deve ser levada em conta. O estudo informa que as vendas de TVs no Brasil cresceram 18% este ano, enquanto no mercado mundial houve queda de 2%. O país representa pouco no contexto: foram 7,7 milhões de TVs vendidos entre janeiro e setembro, contra 223 milhões no mundo todo. Mas é um alento para os fabricantes saber que, mesmo com a queda no consumo em geral, o brasileiro continua querendo trocar de TV.

Mais interessante para a indústria deve ser o fato, também apontado na pesquisa, de que o preço médio dos TVs vendidos subiu 11%: era de R$ 1.316 em agosto do ano passado e chegou a R$ 1.458 em agosto último. Pelo menos teoricamente, os fabricantes estão faturando mais no mercado brasileiro, um forte contraste com o que acontece nos EUA, Europa e principalmente Japão. Curioso é que, no segmento de TVs smart, os preços caíram 6%: de R$ 1.257 para R$ 1.176, segundo a GfK, que prevê um aumento de 12% no faturamento de toda a indústria eletrônica ao final deste ano.

TV paga: Anatel divulga altos e baixos

Depois de quase três meses, a Anatel voltou a divulgar os números de assinantes de TV paga no país. Na manhã desta segunda-feira, a Agência colocou em seu site os dados atualizados até setembro, com um total de 17.406.765 assinantes cadastrados por todas as operadoras. Significa um crescimento de 13% sobre setembro de 2012, e de 7,5% sobre dezembro último. Ou seja, ao longo deste ano um total de 1.217.808 domicílios foram adicionados ao segmento.

Continua sendo um ótimo resultado, mas é preciso lembrar que 2013 foi o primeiro ano em que a TV por assinatura perdeu fôlego no Brasil, o que se deve basicamente a dois fatores: a queda de poder aquisitivo da classe C e a concorrência cada vez mais forte da internet. No mês de maio, tivemos algo que nunca acontecera antes: a queda no número de assinantes, provocada pela fraude ocorrida na Sky (mais detalhes aqui) e por uma série de mudanças nos processos de verificação da Anatel. Aparentemente, os dois problemas foram resolvidos; falta agora a economia do país reacelerar. A inadimplência continua alta no setor.

São Paulo ainda é o estado com maior número de assinantes (6.645.446, ou 38% do total), seguido por Rio de Janeiro (2.395.865, ou 13,7%) e Minas Gerais (1.438.065, 8%). O maior crescimento percentual, na comparação set-dez, se deu em Mato Grosso (20,7%), Paraná (14%) e Mato Grosso do Sul (13,4%); dois estados registraram queda: Sergipe e Amapá.

Um passaporte para a internet

Eugene_Kaspersky_2007Em meio a tanta bobagem que tem sido dita e escrita sobre a questão da espionagem online, finalmente surgiu uma ideia que merece ser avaliada: a criação de um “passaporte digital”, um tipo de identificação que todo usuário seria obrigado a manter para ter acesso a determinados serviços. O autor é alguém que sabe o que diz: Yevgueni Kaspersky (foto), um russo que ficou bilionário e tornou-se respeitadíssimo ao criar a Kaspersky Lab, hoje uma das maiores empresas de segurança digital do mundo.

Numa entrevista ao site ZD Net, ele disse ser inevitável que, mais cedo ou mais tarde, seja criado algum tipo de restrição à navegação pela rede. Kaspersky reconhece que muita gente será contra, mas segundo ele é a única forma racional e eficiente de lidar com a questão da segurança (ou falta de) online. “É mais ou menos como quando se anda na rua: você não precisa de um crachá para isso, mas se quiser entrar num hotel, por exemplo, vai precisar”, diz o homem. “O que chamo de Internet ID não é algo para impedir as pessoas de navegar pelas redes sociais, enviar e receber emails, ler as notícias. É uma forma de garantir que somente as pessoas autorizadas entrem em sites que guardam informações confidenciais, como os de bancos, por exemplo.”

Kaspersky diz que estuda o problema há anos. Não à tôa, sua empresa foi escolhida para assessorar a criação da IGCI (Interpol Global Complex for Innovation), uma espécie de “polícia internacional da internet”, prevista para entrar em operação no ano que vem. Ele sabe que ideias assim causam pavor em certos ambientes, mas se diz otimista: “Quero encontrar o equilíbrio entre privacidade e segurança. Temos que impedir a ação dos bandidos. Acho que as pessoas precisam ter condições de se manter anônimas na rede, mas ao mesmo tempo os governos devem ter ferramentas para pegar indivíduos que se comportam mal no mundo virtual.”