Archive | dezembro, 2013

Campanha pela TV Digital

Fernanda Lima e Thiago Lacerda serão os astros de uma campanha publicitária produzida pela Rede Globo para estimular o acesso dos brasileiros aos canais de TV Digital. Na ausência de ação do governo e, pior ainda, de consenso entre as emissoras sobre como agir, a Globo decidiu fazer tudo por sua conta. Filmes publicitários já estão indo ao ar em seus canais, e haverá também publicidade em revistas e jornais, além da internet.

Segundo o site Tela Viva, a ideia partiu da constatação de que até o fim do ano as lojas terão vendido um total de 13,3 milhões de televisores com capacidade de captar o sinal digital; com isso, serão cerca de 50 milhões de aparelhos instalados nas residências de todo o país, contra 110 milhões de modelos analógicos. Até a Copa do Mundo, a Globo prevê que seu sinal digital estará atingindo 70% desses domicílios. Mas, para viabilizar a TV Digital como negócio, é fundamental que as pessoas troquem seus TVs o quanto antes.

Num momento em que quase todas as emissoras brasileiras estão cortando gastos e demitindo funcionários, é bom saber que pelo menos uma delas está olhando para o futuro. Ainda que seja aquela que, como já comentamos aqui, é a emissora que todos adoram odiar.

Infocomm: grandes planos para o Brasil

InfoComm_2011_Logo_FloorA correria de fim de ano atrapalha bastante quem ousa sonhar com atualizações diárias de seu blog. As novidades são muitas, mas é difícil relatá-las aqui com a celeridade que seria ideal. Vamos tentar, aos poucos, tirar esse atraso.

Nesta quinta-feira, por exemplo, a Infocomm – empresa americana que promove cursos e feiras de tecnologia em vários países – anunciou a nomeação de Nelson Baumgratz como seu country manager no Brasil. Que eu saiba, é a primeira entidade internacional desse porte que coloca um brasileiro na função. Não é pouca coisa, considerando que nosso país sofre de uma crônica falta de profissionais qualificados em tecnologia e não tem tradição no setor. Nelson é uma das felizes exceções. Engenheiro civil, arquiteto e técnico em eletrônica, é ainda músico nas horas vagas e consegue encontrar tempo para um mestrado em Educação Tecnológica!

Pois é, Educação Tecnológica, algo que faz tanta falta no Brasil. Com mais de 35 anos de estrada, Nelson é, acima de tudo, um “ensinador”, apaixonado pela arte de transmitir conhecimento. E, como dizem os sábios, o melhor professor é aquele que sabe aprender. Membro desde 2008 do quadro de instrutores da Infocomm University, no ano passado tornou-se o primeiro latinoamericano a conquistar a titulação de “Educador do Ano” pela entidade.

Desculpem se me estendo nos elogios. Nem sou tão amigo assim (conheço-o há cerca de dois anos apenas), mas ninguém conquista tudo isso à tôa. Sua missão agora será promover a Infocomm, que vive das filiações e dos cursos que promove; ajudar a organizar a Infocomm Brasil, feira que está marcada para maio em São Paulo; e incentivar entre os profissionais de tecnologia a consciência de que é preciso estudar sempre e sempre.

Aos que têm dúvidas, lembro esta historinha que circula há algum tempo na internet. Dois sócios discutem se devem ou não investir no aperfeiçoamento profissional de seus empregados. Diz o primeiro: “Já imaginou se eles melhoram e decidem trabalhar no concorrente?” Ao que o outro responde: “Já imaginou se eles não melhoram e continuam trabalhando com a gente?”

Em tempo: os contatos com Nelson Baumgratz podem ser feitos por este email: [email protected]

Experts, a nova geração

Saiu nesta segunda-feira a lista dos aprovados no Programa de Certificação Home Expert Edição 2013. São mais 31 profissionais, que vêm se juntar aos 64 dos dois anos anteriores, totalizando assim 95 nomes. Tem gente do Brasil inteiro, inclusive de pequenas cidades do interior, mostrando que pelo menos em alguma coisa o país está melhorando (vejam aqui a relação completa). Como de hábito, alguns dos que não conseguiram a pontuação exigida reclamam dos critérios, como se estes não tivessem sido divulgados desde o início. De fato, é duro ser reprovado por um ponto, como sabem todos aqueles que já frequentaram uma escola. Mas não há outra saída: o trabalho de todos – alunos, instrutores, organizadores e, por que não?, os patrocinadores – merece aplausos por concluírem mais um ano de esforços e desafios.

A equipe agora descansa, mas já pensando em 2014, quando deveremos ter uma série de novidades. Fiquem ligados. As informações atualizadas podem ser vistas no site homexpert.com.br.

Não é a resolução, é o brilho!

candelasNos preparativos para a CES 2014, que acontece entre 7 e 10 de janeiro, estamos recebendo grande quantidade de material encaminhado por alguns expositores. Nem tudo tem utilidade para o consumidor brasileiro (são cerca de 3.200 empresas), mas já é possível notar que teremos boas novidades. Que tal, por exemplo, um display que amplia de tal maneira o brilho e o contraste da imagem a ponto de dar a ilusão de que é uma janela, não uma tela de vídeo?

A solução, que será demonstrada na CES, vem da Dolby. Após ganhar fama com seus codecs para processamento de áudio, a empresa passou a investir, nos últimos anos, em processadores de vídeo. Esta semana, mostrou a um grupo de jornalistas, em sua sede em São Francisco, o protótipo de um megadisplay cujo nome provisório é Pulsar. Colocada ao lado de um modelo convencional Full-HD, a tela impressionou a todos.  Segundo os técnicos da Dolby, a diferença está no índice de nits, especificação que se refere à quantidade de candelas por metro quadrado (cd/m2); candela é a unidade mínima para medição de intensidade luminosa.

O princípio em que se baseia o projeto não é difícil de entender. Dizem os técnicos que uma lâmpada comum de 100 watts emite um total de 18.000 nits, enquanto uma tela de TV produz apenas 100, ou seja, quase 200 vezes menos luz. Claro, ninguém é capaz de ficar olhando horas a fio para uma lâmpada acesa, mas os TVs que usamos bem que poderiam produzir imagens mais brilhantes. O problema, como se sabe, é que toda vez que se aumenta o brilho da tela a imagem se torna mais “lavada”, perdendo nitidez. “É preciso aumentar também o nível de contraste”, explica Mike Rockwell, vice-presidente da Dolby. “Quando se consegue aumentar brilho e contraste, ganha-se uma imagem muito mais próxima da realidade.”

Na apresentação, funcionários da empresa utilizaram fontes adicionais de luz (leds) para subir a taxa de brilho do TV até 4.000 nits, sincronizado com um decoder que ampliava também o contraste e fazia as devidas correções de cores. A intenção da Dolby é vender o decoder (e o software que vem embutido) a fabricantes de TVs e projetores, emissoras e operadoras de TV e estúdios de cinema. As negociações já estariam adiantadas, e é provável que alguns expositores utilizem a CES para demonstrar produtos com a novidade. Assim como no áudio, será preciso gerar imagens com maior luminosidade e equipamentos dotados de codecs para reproduzi-las.

Rockwell acredita que já nos primeiros meses de 2014 teremos produtos desse tipo à venda em alguns países.

Apple 4K, o TV que não saiu

igzo monitorDurante algumas horas, no início desta semana, quem visitou o site europeu da Apple pôde comprar o primeiro monitor 4K da famosa marca (na verdade, um Sharp de 32 polegadas trazendo o logotipo da maçã). Mas foi só por algumas horas… repentinamente, e sem qualquer aviso, o aparelho foi retirado do ar – e, se alguém chegou a comprá-lo, deve ter recebido apenas um pedido de desculpas.

A gafe – que em jornalismo chamamos de “barriga” – foi divulgada pelo site Mac Rumours, especialista nos bastidores da Apple, mas sem maiores explicações. O aparelho (mod. PN-K321, foto) tem painel LED-LCD com backlight Edge-Lit e destina-se ao usuário profissional, pessoas que trabalham com imagens e precisam da máxima resolução possível. Um de seus recursos seria poder dividir a tela por quatro, permitindo visualizar quatro imagens Full-HD ao mesmo tempo. E o mais importante: é o primeiro display lançado comercialmente com a tecnologia IGZO, que aumenta a transparência dos pixels e reduz o espaço entre eles (mais detalhes sobre essa tecnologia aqui).

Por enquanto, o monitor só está à venda em alguns países da Europa (e no Japão), mas com a marca Sharp. Os rumores – afinal, o site é especializado nisso – são de que o fabricante japonês está fornecendo os displays para o futuro TV Apple, provavelmente o produto mais comentado (antes de ser lançado) e aguardado de todos os tempos. Por enquanto, vamos ter que acreditar apenas nos rumores.

Pirataria: dois anos de cadeia!

Leio no site Convergência Digital: projeto de lei define punição para o crime de pirataria de sinal de TV por assinatura (o famoso “gatonet”). Confesso que não sabia desse projeto, e não ouso ser otimista quando se trata de legislação no Brasil. Mas não deixa de ser um sinal positivo. A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado aprovou a proposta, que agora segue para outra comissão (a de Constituição, Justiça e Cidadania), a quem cabe detalhar as penas.

Pelo texto do projeto, corrige-se uma distorção muito comum nas leis brasileiras. A Lei do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado), que levou três anos para ser aprovada e gerou tanta polêmica, estabeleceu que piratear sinal de TV é crime, mas – ora, ora – não fixou as punições cabíveis. Quer dizer, um “gatonetista” hoje pode ser pego em flagrante e até ganhar ficha na polícia, mas não pode ser punido… Sai da delegacia rindo de quem o prendeu. Agora, fica definida a pena de detenção por seis meses a dois anos, dependendo do caso.

Só isso já estaria ótimo, mas o autor do projeto, senador Sergio Petecão (PSD-AC), e seus colegas de comissão deliram ao incluir no texto, por exemplo, a cláusula de que o assinante deve “utilizar adequadamente” o serviço e os equipamentos fornecidos pelas operadoras. Típico de quem não entende nada do assunto e, provavelmente, não sabe utilizar adequadamente coisa alguma.

Internet das coisas começa a decolar

IoTComentamos aqui recentemente sobre o conceito Internet das Coisas, e vejam só: acaba de ser fundada a AllSeen Alliance, espécie de consórcio – por enquanto, apenas 23 empresas – para difundir e incentivar a aplicação dessa ideia. O objetivo é adotar normas comuns de fabricação e operação dos aparelhos eletrônicos para que seja preservado o princípio que está por trás de tudo: a interoperabilidade (aliás, palavra horrível).

Apenas resumindo: Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) é o conceito pelo qual todos os aparelhos possam ser conectar e trocar informações entre si – do TV à geladeira, do celular à campainha e assim por diante. Envolve não apenas os produtos de uso pessoal ou doméstico, mas também carros, centrais de informação, hospitais, escolas, torres de comunicação etc., tudo conectado via internet. As empresas participantes se comprometem a seguir os padrões de funcionamento e conexão, de modo que um celular da marca X possa trocar informações com, digamos, um sensor de alarme da marca Y.

Entre as empresas fundadoras de AllSeen Alliance, estão marcas que todo mundo conhece, como LG, Sharp, Panasonic, Qualcomm, Harman e Cisco. Quem está coordenando as ações é a Linux Foundation, o que traz, de cara, pelo menos uma vantagem: ninguém vai poder impor ser sistema ou seu padrão de conexão. Tudo se baseia no conceito de que a internet deve ser livre para todos. O que não significa que não haverá controles; se não, seria o caos.

Para quem quiser mais detalhes, eis aqui a explicação do excelente site GigaOM; um resumo, em português, está no site brasileiro Tecmundo; e leiam também a entrevista do presidente da Cisco, John Chambers, sobre o assunto.

TV HD de graça, até o fim do mês

Como sabem os leitores, não sou de usar este espaço para fazer propaganda. Abro aqui uma exceção apenas porque achei muito bem sacada esta promoção da operadora Net: a partir desta quarta-feira, e até dia 6 de janeiro, todos os assinantes terão liberado o sinal de alta definição, ou seja, poderão assistir aos conteúdos dos pacotes mais caros.

Quem assina os pacotes básicos não recebe canais como, por exemplo, os melhores de esporte em HD: SporTV, ESPN e Fox, nem o Band Sports. Nas próximas semanas, poderão assisti-los. Da mesma forma, para quem gosta de filmes os canais Telecine estão abrindo, através do serviço Now (exclusivo da Net), o sinal para filmes gratuitos, sendo o melhor deles o premiado Os Miseráveis; e a HBO está oferecendo, também pelo Now, episódios das excelentes séries Boardwalk Empire e The Newsroom.

É uma espécie de “degustação”; talvez a Net esteja apostando que – como reza a teoria – quem se acostuma a ver HD não quer mais voltar para as imagens convencionais. Se essa tese estiver correta, a operadora irá agregar muitos assinantes premium em janeiro, quando a promoção tiver terminado. Provavelmente tenha, até, um esquema de telemarketing já preparado para isso.

Em tempo: o título acima é impreciso. A promoção é “de graça”, claro, somente para quem já paga sua assinatura mensal da Net.

O começo do fim de uma era

The-Light-Bulb-ConspiracySei que parece heresia num país como o Brasil, onde milhões de famílias ainda nem têm eletricidade em casa, mas a notícia é histórica: no próximo dia 31, encerra-se (oficialmente, pelo menos) a era da lâmpada elétrica, digo, aquela incandescente inventada por Thomas Edison em 1879. Por uma decisão tomada em 2007 pelo National Lighting Bureau (NLB), órgão regulador do governo americano, a partir de janeiro nenhuma empresa poderá mais fabricar ou importar esse tipo de lâmpada no país. Desde 2012, as de 100W já são proibidas; agora, todas serão.

Segundo o site CE Pro, existem atualmente nos EUA nada menos do que 8,2 bilhões de lâmpadas em uso – 5,8 bilhões em residências. Metade delas consome, em média, 64W. Se forem usadas 2h30 por dia, a simples troca por lâmpadas fluorescentes representará uma economia de 48 milhões de kilowatts/hora por dia, que vem a ser o equivalente a 500 usinas hidrelétricas! Só por esse dado já se vê que a medida é mais do que bem-vinda e necessária. Vale lembrar que, nos EUA, ao contrário do Brasil, por exemplo, a maior parte da energia vem de usinas termoelétricas, movidas a carvão, com altíssimo custo ambiental. “Será como deixar de colocar no ar 1 bilhão de toneladas de CO2”, compara Howard Lewis, um dos diretores do NLB.

Some-se a isso o fato de que as lâmpadas incandescentes utilizam mercúrio, outra substância tóxica que a indústria eletrônica há anos vem tentando eliminar de seus produtos. E este outro dado: os americanos irão economizar cerca de US$ 20 bilhões por ano em suas contas de luz a partir de 2014, simplesmente pela troca de lâmpadas. Calcula-se que até o final da década chegará a vez das próprias fluorescentes, que ainda consomem mais que os leds, deixarem de ser fabricadas.

Triste é pensar que, no Brasil, não há sequer um estudo governamental sobre a substituição das lâmpadas de Edison, que continuam sendo usadas à vontade – e descartadas na natureza, sem qualquer controle.

Gigantes contra os governos

Extreme-Surveillance

 

 

Oito das maiores empresas de tecnologia do planeta se uniram (oficialmente a partir desta semana) para pressionar por mudanças nas práticas atuais de segurança digital. A ideia do grupo RGS (Reform Government Surveillance) é se desvincular, tanto quanto seja possível, dos atos e decisões da NSA, agência de segurança, e demais órgãos de espionagem e controle que ganharam fama após as revelações do espião Edward Snowden. A forma que encontraram foi propor políticas mais transparentes sobre o tema.

O site do grupo, que entrou no ar apenas há alguns dias, traz uma espécie de “carta aberta” para os governantes de todo o mundo. “Mesmo reconhecendo a necessidade dos governos protegerem a segurança de seus cidadãos, acreditamos firmemente que as atuais leis e práticas precisam ser reformuladas”, diz o texto, assinado com os logotipos de AOL, Facebook, Google, Linked In, Microsoft, Twitter e Yahoo (estranhamente, nesta segunda-feira ainda não aparecia o logo da Apple, mas a empresa assina, junto com as demais, uma outra carta publicada no site, endereçada especificamente ao governo e ao Congresso dos EUA).

As oito empresas apontam cinco princípios que, segundo elas, devem nortear as políticas públicas sobre segurança e uso de dados dos cidadãos:

1. Limitar a autoridade dos governantes de coletar informações sobre usuários. O texto pede que nenhum provedor seja obrigado a fornecer dados, a não ser em “circunstâncias especiais” e em relação a “usuários específicos”. E que seja proibida a prática de coletar grandes volumes de dados a partir da comunicação das pessoas via internet.

2. Supervisão e responsabilidade: as agências de inteligência só devem coletar dados dos cidadãos com base em normas legais sujeitas a verificação; devem ser criados tribunais independentes para julgar essas ações rapidamente; e os governos devem aprovar leis claras, e amplamente divulgadas, para que as partes envolvidas possam ser legalmente responsabilizadas.

3. Transparência: os governos devem permitir que as empresas publiquem o número e a natureza dos pedidos de informação, e também tornar públicos esses dados.

4. Respeito à livre circulação de informações: o documento diz que o fluxo e o acesso devem ser livres e globais, independentes de fronteiras. Os governos não devem inibir o acesso das empresas e dos indivíduos, mesmo que os dados estejam armazenados em outro país. Nem devem obrigar que os provedores mantenham bancos de dados dentro do território de um determinado país.

5. Para evitar conflitos entre governos e nações, o grupo propõe ainda que sejam criadas leis internacionais sobre a circulação de informações. A ideia é assinar uma espécie de “tratado” que sirva de base para a resolução de divergências entre as leis de cada país.

Em resumo, o que se está propondo é uma espécie de “ONU da Internet”, com poderes para limitar a ação unilateral deste ou daquele país ou governo. Mesmo com o presidente Obama garantindo que os agentes da NSA “não estão interessados em ler emails nem mensagens das pessoas comuns”, o assunto está longe de atingir um consenso. Por trás da atitude das empresas, com certeza estão interesses comerciais e econômicos, o que pode ser resumido numa frase de Brad Smith, representante da Microsoft nesse debate: “As pessoas não usarão uma tecnologia se não confiarem nela”.

Talvez não seja exatamente verdade – quantos, entre os milhões de “amigos” conectados via Facebook, se preocupam com a segurança de seus dados lá escancarados? Mas, se há um risco de alguém deixar de consumir tecnologia devido a esse medo, as megacorporações e seus acionistas não vão querer arriscar. Hoje, é impossível saber até onde esses grupos estão dispostos a avançar na questão. Mas é bom ficar atento a seus próximos passos.

Sony chega antes com HDMI 2.0

Durante a IFA, em setembro, vimos dois fabricantes demonstrarem TVs com HDMI em sua versão 2.0, recém-homologada: Panasonic e Samsung. Até agora, porém, nenhum modelo chegou de fato ao mercado internacional com esse conector que, pelas especificações, aumenta em cerca de 80% a taxa de transferência de dados (de 10 para 18 Gigabits por segundo). A primazia deve ser da Sony, que nesta terça-feira anunciou em Tóquio a atualização de firmware de suas linhas Bravia X8 e X9, lançada no meio do ano. Como já explicamos aqui, esse não será o único benefício do novo padrão. Os TVs dotados de HDMI 2.0 – que não é um conector propriamente dito, mas um software instalado no chip que está dentro do conector – serão capazes de reproduzir imagens em resolução 4K transmitidas na frequência de 60fps (quadros por segundo); claro, estas ainda não estão disponíveis, mas espera-se que nos próximos meses cheguem conteúdos (filmes e jogos, principalmente) com essa característica. Os TVs e projetores 4K atuais só aceitam sinal gravado em 24 ou 30fps.

Custo Brasil, sempre ele!

No momento em que tanta gente acaba de receber seu 13° salário e planeja as compras de fim de ano, não gostaria de bancar o estraga-prazeres. Mas, lendo hoje um artigo do economista Ricardo Amorim, não resisti a voltar com esse assunto nada agradável: o custo Brasil. Com uma simplicidade rara entre seus colegas, Amorim aproveita o famigerado episódio do “preço do PlayStation 4” para descrever um game em que competem dois países hipotéticos: Carus e Ricus. E convida o leitor a participar para descobrir em qual deles é melhor viver. Aqui, o texto na íntegra.

É uma leitura valiosíssima para quem quiser entender o país onde estamos. Mas, em resumo, toda vez que alguém se perguntar por que os preços aqui são tão altos, deve pensar em duas coisas: o gigantismo do Estado, que se mete em tudo, rouba seus cidadãos (via impostos) e não cumpre suas obrigações; e nossa terrível distribuição de renda, cada vez mais injusta, apesar dos discursos em contrário. Como já comentamos aqui, isso vale tanto para eletrônicos quanto para qualquer outro produto ou serviço.

Não falei que o assunto era desagradável? Pois é, mas precisa ser enfrentado e discutido. Caso contrário, vamos continuar lendo e ouvindo notícias como as das curiosas compras do governo e da dramática situação de quem precisa de remédios no país. São só dois exemplos, mas como doem.

Samsung: toda força ao OLED

flex oledEnquanto outros fabricantes ainda pensam se vão ou não lançar displays OLED, a Samsung já faz suas projeções para vendas do chamado Flex-OLED, dispositivo que utiliza telas flexíveis feitas de material orgânico (como estas da foto). Numa reunião com seus executivos na semana passada em Seul, o CEO do grupo, Oh-Hyun Kwon, apontou a tecnologia OLED como “o futuro da empresa” e previu que até 2018 nada menos do que 40% dos aparelhos móveis serão do tipo flex.

Na CES, em janeiro, provavelmente a Samsung irá mostrar os protótipos – o primeiro foi o Galaxy Gear, relógio digital com tela arredondada, que vimos na IFA, em setembro. Mas, pelo visto, vem muito mais pela frente. Mr. Kwon anunciou a meta de lançar comercialmente em 2015 os primeiros smartphones com tela dobrável (na IFA, foi mostrado o protótipo Youm).

Esse otimismo todo não é gratuito: em dezembro, a Samsung irá quebrar a barreira de 500 milhões de paineis AMOLED produzidos. Notem bem: segundo o site especializado OLED-Info, no início do ano a conta estava em 300 milhões; ou seja, em menos de doze meses a empresa conseguiu produzir 200 milhões desse componente, ou 560 mil por dia! AMOLED é uma versão dos displays orgânicos baseada no processo conhecido como “matriz ativa” para ativação dos pixels; é o processo usado atualmente nos TVs OLED.

A pergunta que fica é: e quanto aos displays maiores, como os dos TVs? Já temos modelos OLED no mercado e sabemos que os coreanos (Samsung e LG) já estão na dianteira também nesse campo. Mas será que existe o mesmo entusiasmo que se vê no caso dos smartphones? Por enquanto, não é possível saber. Mas no evento surgiram alguns números:

*A Samsung já detém mais de 9 mil patentes ligadas à tecnologia OLED;

* Dos US$ 6 bilhões que o grupo está investindo este ano, mais da metade é direcionada a OLED; em 2015, serão 70%; e em 2017, 85%;

*E as receitas advindas desse investimento, que em 2014 representarão metade do total no segmento de displays, em 2020 chegarão a 70%.

Acho que está bom, não?

Marco civil: como ficam os usuários?

E lá se foi o tal do “marco civil da internet”… Depois de idas e vindas, incluindo discursos ferozes da presidente Dilma, parece que os ilustres deputados da chamada base aliada decidiram empurrar a votação para 2014. Diz o site Convergência Digital que o governo não abre mão dos dois pontos mais polêmicos: a tal neutralidade – pela qual as operadoras ficam proibidas de vender pacotes diferenciados – e a obrigatoriedade de todas as empresas de internet manterem seus bancos de dados em território brasileiro.

Evidentemente, não haverá acordo a respeito; ambas são inviáveis na prática, atendem apenas ao marketing do governo, em sua insana xenofobia. Dizem que o líder do PMDB, Eduardo Cunha, maior opositor da nova lei, é financiado pelas teles. Pode ser. Mas o fato inegável é que Dilma só pediu urgência no projeto depois de divulgada a “espionagem” do governo americano (que, aliás, vai continuar, de uma forma ou de outra). Puro jogo de cena, para uso eleitoral em 2014, como comentamos aqui.

Quanto aos usuários, com quem poucos estão se importando, não ganham nada se os bancos de dados tiverem que ficar no Brasil; aliás, podem até sair perdendo, considerando a carência de infraestrutura e as seguidas panes nas redes instaladas aqui.

Black is Beautiful!

blackDias depois do feriado criado para celebrar a chamada “consciência negra”, milhões de brasileiros se entregaram a seu esporte preferido: tentar levar vantagem em tudo. A “Black Friday” brasileira, que alguns tentaram transformar em “black week” (na prática, continua valendo: ainda hoje, domingo, há dezenas de ofertas usando esse ‘nome de guerra’), virou motivo de piada internacional. Jornais americanos e europeus ridicularizaram a facilidade com que os comerciantes enganam seus clientes no Brasil, certos de que a chance de punição é quase nula. E, mesmo sabendo disso, as pessoas se entregam, alegremente até.

Assim como o halloween, o hamburguer e o hip-hop, brasileiros adotaram essa nova praga americana com todo entusiasmo. Poucos sabem o que significa “Black Friday”, mas tratam de aproveitar… Alguns até devem ter se dado bem, mas a maioria certamente só conseguiu congestionar os Procons. Correr para o Facebook e denunciar a enganação só faz amplificar a hipocrisia; todo mundo fica sabendo que você tentou, pela enésima vez, usar a Lei de Gerson – e quebrou a cara!

Mas fiquei intrigado mesmo com a forma como os gringos, a partir de fatos como esse, começam a nos enxergar. New York Times, Economist, Forbes, El País e até o mais que suspeito (por ser argentino) Clarín riem rasgadamente de nossas caras. Os mesmos turistas que chegam aqui e ficam extasiados com nossas mulatas, nossas praias, nossa música (a antiga, não a atual) e até nosso sol não entendem como um centro de excelência cultural (o Masp) se transforma em ponto de venda de drogas, bem em frente a um posto policial. Não lhes entra na cabeça que alguém condenado pelo principal tribunal do país continue exercendo mandato de deputado. Ou como motoristas e motoboys enlouquecem todos os dias em ruas, avenidas e estradas, transformando o Brasil em campeão mundial de mortes no trânsito.

Pois é, todos acham que estão levando vantagem.

Em tempo: o título se refere a uma canção de Marcos e Paulo Sergio Valle, dos anos 70, gravada por Elis Regina, um hino à raça negra.