4G: operadoras respondem às emissoras

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Segue a pleno vapor a batalha entre os setores de televisão e de telefonia, em torno de algo que o governo já deveria ter resolvido: a partilha das frequências na faixa de 700MHz, que já comentamos aqui algumas vezes. Enquanto a SET, representando as emissoras, divulga seus estudos sobre interferências do sinal de celular 4G nos canais de TV digital, a GSMA (entidade que reúne operadoras e fabricantes de celular) defende exatamente o contrário: as interferências seriam dos sinais de TV sobre as ligações telefônicas.

No fundo, é uma batalha de comunicação e poder de influência. Ambos os setores precisam ter força junto ao governo para fazer valer o que acham justo. Até agora, a GSMA quase não tinha se pronunciado. Através do Sinditelebrasil, sindicato que representa as operadoras, divulgou apenas em janeiro que foram realizados testes em três cidades (São Paulo, Brasilia e Campinas) e que os problemas encontrados são menos graves do que diz a SET (detalhes neste link).

As emissoras, como informamos aqui na semana passada, parecem muito mais preocupadas. E a razão é principalmente financeira. Pela legislação atual, cabe aos “entrantes” bancar os custos da implantação de um novo serviço – no caso, telefonia 4G, que utiliza o padrão internacional LTE (Long Term Evolution). Ou seja, as operadoras de celular é que têm de resolver o problema das interferências. E isso, naturalmente, precisa ser feito antes que os atuais canais analógicos sejam digitalizados (processo que deve começar em 2015).

O leilão que definirá quais operadoras irão atuar na faixa de 700MHz havia sido marcado pela Anatel para março, mas já foi adiado duas vezes – a data agora é agosto. A prioridade do governo é arrecadar o máximo possível, e como no Brasil essas decisões são tomadas com o mínimo de transparência torna-se difícil saber até que ponto a questão das interferências será mesmo levada a sério (por ora, o discurso oficial é de que “nenhum canal ficará fora do ar”).

Sim, é temerário (e até leviano) ficar especulando, ainda mais em ano eleitoral. Vamos ver o que sai no edital desse leilão, que por lei é o documento definidor de todas as regras, tanto técnicas quanto financeiras. As emissoras continuam batendo o pé quanto às interferências (leiam este artigo). Uma coisa é certa: não vai ser nada agradável estar assistindo à novela ou ao futebol e, de repente, entrar o áudio de alguém falando ao telefone; ou, ao contrário, estar conversando com um amigo pelo celular e, sem mais nem menos, ter como “parceiro” na conversa o Galvão Bueno ou o Ratinho.

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