Archive | abril, 2014

A arte de roubar clientes

Achei muito interessante – e por isso reproduzo aqui – a história publicada esta semana no site americano CE Pro, sobre uma loja chamada Audio Video Therapy. Fica numa pequena cidade próxima a Boston e ocupa dois andares de um modesto prédio. Vende equipamentos de áudio e vídeo, além de acessórios para redes. Enfim, uma loja comum. O proprietário, John Rein, ficou desempregado após a crise de 2008 e conseguiu, com muito sacrifício, erguer o negócio. Seu diferencial? Fica ao lado de uma loja da Best Buy!

Alguém há de questionar quem é o maluco que abre uma loja de eletrônicos vizinho à maior rede do mundo. Mas Rein parece ter bons motivos para estar satisfeito com sua opção. “As pessoas saem de lá com mais dúvidas do que quando entraram”, explica, sorrindo. “Muitas vêm direto bater aqui, e nós tiramos essas dúvidas. Isso acabou nos dando muita credibilidade junto aos clientes”.

Pois é, se a maioria das revendas especializadas quer mais é distância das grandes redes varejistas, mr. Rein não só encarou o desafio como fez dele o seu ganha-pão, explorando justamente as fraquezas do gigante. Este vídeo mostra que sua loja não tem nada demais. Mas o dono, sim.

Banda larga não é pelo satélite

Corrigindo a informação que demos ontem: o serviço de banda larga 4G da Sky não utiliza sinal de satélite, mas sim uma rede de rádio-frequência (na faixa de 2,5GHz). Depois de sua primeira experiência em Brasilia, a empresa começou na semana passada a oferecer pacotes de banda larga em Teresina. Agora, são 32 cidades cobertas pelo serviço, espalhadas por Bahia, Pernambuco, Ceará e outros estados do Nordeste (há também algumas em São Paulo e Espírito Santo). Nesses locais, a Sky está usando as frequências de MMDS que adquiriu junto com a antiga ITSA, em 2011. O acesso é via roteador, com Wi-Fi integrado, que pode ser ligado a computador e outros dispositivos, com ou sem cabo de rede Ethernet. As velocidades oferecidas são de 2 e 4 megabits por segundo, e o serviço pode ser avulso, ou adquirido em combo com TV por assinatura.

A Sky esclarece ainda que Nokia Siemens Networks é apenas um de seus fornecedores de equipamentos.

O preço da Justiça

sobral[1]Simplesmente imperdível o documentário de Paula Fiúza sobre seu avô, o grande Sobral Pinto, exibido semana passada na Globo News. Com o brilhante título de “O homem que não tinha preço”, o filme de apenas 44 minutos faz um retrato primoroso desse que é considerado, quase que por unanimidade, o maior jurista brasileiro. Numa época em que advogados – e também juízes, procuradores etc. – parecem se preocupar mais com as câmeras do que com a busca da Justiça, talvez seja difícil para quem não o conheceu entender a importância de Sobral.

Nem tanto pelo que dizia, embora fosse grande orador, mas por suas atitudes. Numa reconstituição minuciosa, o filme mostra como justiça e ética, dois valores tão maltratados no Brasil, eram para Sobral quase como água e ar. Ele simplesmente não se conformava com atos de injustiça, não importando partissem de quem. Também não queria saber quem eram as vítimas, seu passado, suas crenças políticas ou religiosas. Católico e anticomunista ferrenho, seu caso mais famoso veio a ser a defesa de Luiz Carlos Prestes, o maior líder comunista do país, contra a perseguição movida pela ditadura de Getulio Vargas. Foi Sobral quem salvou a vida de Anita Leocádia, filha de Prestes com Olga Benario, episódio que no documentário é contado em detalhes pela própria Anita.

Bem, não vou revelar mais porque quero que todos assistam. Aqui, o link: é obrigatório. Gostaria apenas de lembrar a passagem em que Sobral, ao lhe perguntarem que mensagem deixaria aos jovens, referiu-se aos militares. Para ele, que começou a carreira em 1913, a sociedade brasileira começou a se desestruturar a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando passou a dar muitos poderes às forças armadas. Estas, diz ele, estiveram envolvidas em todas as crises políticas que o país viveu desde então: 1925, 1930, 1932, 1937, 1945, 1954/55, 1961 e, claro, de 1964 a 1985, quando deixaram o poder.

É uma sacada genial. A ânsia do domínio pela força contaminou o país, como é fácil constatar ainda hoje, mesmo sem os militares no comando do governo. Pessoas chegam ao poder para se perpetuar nele e poder usurpá-lo, vestindo ou não uma farda. É, sim, uma herança maldita. Seria interessante ver como o velho democrata reagiria diante desses atentados contra a ética e a justiça, suas amigas inseparáveis.

Vergonha na cara é isso!!!

Chung-Hong-won-Chung Hong-won, primeiro-ministro da Coreia do Sul, renunciou ao cargo neste domingo, assumindo “total responsabilidade” pelo afundamento de um navio que, na semana passada, matou 188 pessoas (outras 114 estão desaparecidas). Durante o acidente, o capitão do navio e seus tripulantes simplesmente fugiram à chegada dos primeiros botes salva-vidas, deixando para trás os 476 passageiros a bordo. Como em qualquer país civilizado, na Coreia isso é crime equiparado a assassinato!

Não, Chung (foto) não teve culpa nenhuma na tragédia. Apenas, tomou a atitude que se espera de qualquer chefe de governo com vergonha na cara, diante da incúria e do desrespeito de funcionários públicos para com seus cidadãos. “Ao ver tantas famílias sofrendo, achei que deveria assumir toda a responsabilidade”, disse ele ao anunciar sua renúncia, segundo a agência Reuters. “São tantas as irregularidades acontecendo em nossa sociedade. Espero que meu ato ajude a corrigir esses males e que acidentes assim nunca mais aconteçam.”

O capitão Lee Jeon-seok e mais 14 tripulantes foram presos logo ao chegar em terra firme e responderão a um processo que certamente irá mobilizar o país. A tragédia foi daquelas que traumatizam uma sociedade inteira. A maioria dos passageiros do navio era composta de estudantes e professores do ensino médio, o que só faz aumentar o drama. Este vídeo mostra o momento exato em que Lee abandona o navio às pressas; logo depois, ele se confessou “envergonhado”, o que em nada irá diminuir sua pena.

Quanto a Chung, não sairá do governo imediatamente porque o presidente da República, Park Geun-hye, pediu que fique até o final das investigações (na Coreia, os poderes do primeiro-ministro são limitados). Mesmo que saia, porém, deixa um raro exemplo de dignidade e respeito àqueles que, afinal de contas, o elegeram e pagam seus salários.

Fiz questão de contar o episódio aqui para registrar como vivemos – nós e os coreanos – em mundos diametralmente diferentes. Já são conhecidas histórias de políticos que assumem de público sua culpa em tragédias e escândalos, em países como Coreia, Japão, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Alguns chegam ao extremo de se suicidar, tal a vergonha que sentem. Notícias assim soam como ficção no Brasil, onde tantas tragédias já aconteceram sem que se apurassem os culpados e – pior – sem que os governantes de plantão assumissem suas responsabilidades.

Aqui, essas figuras nem servem para admitir que a falta d’água ou um apagão de energia são problemas graves e que poderiam ser evitados. Pior ainda, riem solenemente da nossa cara. Na deles, a vergonha não cola.

O Haiti é aqui!!!

abrigo1Nada menos do que inadmissível a atitude do governador do Acre, com aval do governo federal, de enviar para São Paulo centenas de refugiados haitianos que haviam entrado ilegalmente no país. Sob o pretexto de que seu estado não tem condições de abrigá-los, Tião Viana acertou com o Ministério do Desenvolvimento Social o envio de aviões da FAB para a capital Rio Branco, de onde os indesejados visitantes foram despachados para a capital paulista. Tudo sem sequer um comunicado ao governo Alckmin.

Antes de elaborar melhor sobre a situação dos imigrantes, convém lembrar que Viana é do PT e Alckmin (PSDB) é candidato à reeleição; e que as eleições serão daqui a seis meses. Num expediente que qualquer regime racista assinaria embaixo, o governador acreano brinca com o desespero dos haitianos, transferindo-os para outro local (eufemismo para “expulsão”) e, com isso, tentando se livrar daquele incômodo.

Descarregados no aeroporto paulistano, a Secretaria de Justiça  encaminhou os haitianos para o setor responsável pelo atendimento a imigrantes, que lhes providenciou comida e carteiras de trabalho. Sem lugar para ficar, acabaram dormindo no chão de uma igreja. Segundo o jornal Folha de São Paulo, desta vez foram 176 pessoas; em um mês, teriam sido 500; nos últimos dois anos, a cidade já acolheu cerca de 2 mil haitianos. Muitos, no entanto, acabam sendo cooptados pelo tráfico ou vão trabalhar clandestinamente, como escravos.

O Brasil tem longa tradição na recepção a imigrantes, e não haveria por que ser diferente com os haitianos. Em São Paulo, por exemplo, há hoje enormes comunidades de bolivianos, angolanos, chineses e árabes, sem falar das levas de japoneses, portugueses, italianos, libaneses, alemães etc., que ajudaram a desenvolver a cidade em décadas passadas. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco. Desde quando começou o êxodo desesperado dos haitianos, após o terremoto de 2005, o governo brasileiro já deveria ter idealizado uma política de emergência para atendê-los e encaminhá-los. Ao contrário, a ordem que parece ter sido emitida em Brasilia foi “manda pra São Paulo”.

Do alto de seu cinismo, o governador do Acre acusou o governo paulista de “higienista” ao saber das queixas de que, pela quantidade de pessoas, a transferência deveria, no mínimo, ter sido antecedida de um comunicado. Pelo visto, não é isso que o preocupa. Importante, mesmo, é livrar-se da indigesta população visitante, que não vota – e, de quebra, criar mais um problema para um adversário político.

E é bom repetir: com o aval do Ministério do Desenvolvimento Social. A isso alguns chamam de “política social”.

A voz do povo e a voz da Globo

Nas redes sociais, não passa um minuto sem algum comentário contra a Rede Globo. O fenômeno está longe de ser novo; puxando pela memória, vamos encontrar artigos e “denúncias” contra a empresa da família Marinho desde os anos 60, quando seu apoio à ditadura militar era escancarado. Com a avalanche das mídias digitais, nem é necessário escrever um artigo, tarefa que exige do autor, primeiro, saber arquitetar algumas ideias e, o mais importante, apor sua assinatura ao texto. Para quê se preocupar com esses pormenores? Na internet, qualquer um escreve sobre qualquer coisa, replica, os amigos tuítam, compartilham e em minutos um amontoado de palavras (com seus inevitáveis erros de grafia, acentuação e sintaxe) ganham o mundo.

Para o bem ou para o mal, a Globo é a inimiga pública preferida de certa parte da mídia que se diz “independente”. Puxam a fila ex-funcionários da própria empresa, amparados em blogs que se propõem a denunciar os bastidores da emissora, especialmente seu departamento de Jornalismo. É curioso que ex-funcionários de outras redes não se dêem ao mesmo trabalho. Nestas, provavelmente não há interferência da cúpula sobre o conteúdo, nem seus proprietários têm qualquer ligação com grupos econômicos ou partidos políticos. Todos os que trabalham em televisão estão plenamente satisfeitos com seus patrões – menos os da Globo.

Desde as manifestações de junho do ano passado, essa corrente pra frente contra a maior emissora do país ganhou novos elos. O ímpeto dos autointulados mídia ninjas amplificou o que foi classificado como “clamor popular”, como se os 60 ou 70 milhões de brasileiros que assistem à emissora diariamente tivessem decidido dar um basta. Pelas mídias online, esses grupos instauraram um new journalism de pé quebrado, alertando os desavisados que a partir dali nada mais seria como antes na relação entre público e emissoras.

Essa espécie de assédio moral invertido, em que profissionais de imprensa passaram a ser hostilizados – alguns foram até espancados (sem falar no cinegrafista da Band cuja morte, até prova em contrário, pode ser atribuída a uma fatalidade)-, durou até chegarem os capítulos finais da novela das 9. Existe a expectativa de que retorne nas próximas semanas, conforme se aproxima a Copa, mas refluirá certamente à medida que a seleção brasileira for dobrando seus adversários.

Esta semana, uma cena constrangedora envolvendo uma repórter da Globo veio se juntar ao verdadeiro febeapá* em que se transformou a discussão sobre a mídia (vejam aqui o vídeo). Um debate que teria tudo para ajudar o país a sair do atoleiro político e cultural em que há anos está envolvido, mas que descamba para a mais grotesca briga entre torcidas, especialmente em época eleitoral. Canhestramente, já que não podem condenar um a um os milhões de telespectadores que assistem à Globo, tenta-se transformá-la em artífice das desgraças brasileiras.

O mais cruel dessa atitude hipócrita é seu resultado: mais e mais audiência para a emissora. Tem tudo a ver.

*Febeapá, para os mais jovens, é a genial sigla de “Festival de Besteira que Assola o País”, criada nos anos 60 pelo jornalista Sergio Porto (Stanislaw Ponte Preta).

Demônios digitais

Falar de política num blog de tecnologia é sempre um perigo. Em vários sentidos. Mas o quê fazer, se o mundo está fervendo – o mundo tecnológico inclusive? Na longa (e importantíssima) discussão promovida a partir das revelações do hacker americano Edward Snowden, a cada dia surgem novas descobertas. Mesmo que nunca mais faça nada de proveitoso, Snowden já entrou para a história moderna como uma espécie de Robin Hood digital, alguém que tomou a corajosa decisão de penetrar no coração do sistema de espionagem eletrônica global e sair contando tudo (ou boa parte do) que viu.

O problema, como sempre no mundo da política, está nos desdobramentos que os políticos acionam (ou encenam) a partir das revelações – estas, tudo indica, são reais, não foram inventadas por Snowden. A mais recente encenação vem de Vladimir Putin, o todo-poderoso presidente russo, aliás o mais poderoso desde quando Mikhail Gorbatchov comandou a célebre glasnost (abertura), nos anos 1980. Falando a jornalistas em São Petersburgo, Putin saiu-se com esta: “A internet é coisa da CIA”. Como já fizeram políticos de outros países, inclusive dona Dilma, Putin defende que o controle da rede mundial saia das mãos dos EUA.

OK, não seria má ideia, se outros países tivessem os meios para isso. Talvez Putin tenha pensado num modelo como o da ONU, ou da Fifa, apenas para citar dois exemplos de entidades mundiais que representam os países que lhes são membros. A ideia merece outro artigo. Por hoje, limito-me a transcrever aqui trechos de uma reportagem do jornal inglês The Guardian sobre o assunto, o mesmo que primeiro divulgou as revelações de Snowden. Vale a pena ler:

“O presidente russo disse que a agência internacional de espionagem dos EUA foi quem originalmente montou a internet, e continua a desenvolvê-la. Há tempos que Putin diz querer uma alternativa russa. A ideia de romper com a internet ganhou força na Alemanha, no Brasil e em outros países após as revelações do espião Edward Snowden sobre como a Agência Nacional de Segurança (NSA), dos EUA, havia se infiltrado no Facebook, Skype e outras redes sociais.

“Os críticos de Snowden dizem que uma consequência não intencional de suas revelações foi a de minimizar a natureza global da internet, além de fazê-la cair nas mãos de ditadores. Seus apoiadores respondem que foi a NSA, e não Snowden, quem destruiu a confiabilidade do servico.

“Durante uma entrevista recente na televisão russa, Putin rebateu uma questão formulada por Snowden, sobre se o país também teria interceptado e armazenado dados de ligações feitas pela internet, como fizeram os EUA. ‘Espero que não tenhamos feito isso’, disse ele. ‘Não temos tanto dinheiro quanto eles’.

“Putin admitiu haver acompanhamento de criminosos e potenciais terroristas, mas negou que haja vigilância em massa sobre os cidadãos russos. Se houvesse um sistema de internet totalmente russo, seria mais fácil para os serviços de inteligência monitorar e controlar o tráfego de informações online. O Kremlin já possui ferramentas poderosas para isso, mas mesmo assim a internet oferece uma plataforma para grupos de oposição que não encontram espaço nas redes de rádio e TV. Na mesma entrevista, Putin se referiu diretamente ao serviço de busca mais popular da Rússia, o Yandex, criticando a empresa por manter sua sede na Holanda – suas declarações fizeram as ações da Yandex despencarem na Bolsa.

“Em seu mais sério desafio à internet até hoje, Putin disse que o ‘projeto CIA’ continua em desenvolvimento e que a Rússia precisa se proteger contra ele. ‘A nação tem a obrigação de resistir a essa influência e lutar por seus interesses online’, disse o presidente.

“Os comentários vieram no exato momento em que o parlamento russo aprovou uma lei exigindo que os servidores das redes sociais sejam mantidos em território russo. A lei também determina que os sites preservem por no mínimo seis meses as informações sobre seus usuários. Executivos de confiança de Putin hoje controlam a VKontakte, maior rede social do país.

Vem aí o primeiro tablet 4K

japan displayComentamos aqui, na época da CES (janeiro), sobre o tablet 4K da Panasonic – foi um dos melhores produtos do evento. Com um pequeno detalhe: o Toughpad não é um tablet, como confirmam suas 18,7 polegadas. Seria mais um “monitor portátil”, pesando 2,4kg, e ao preço de US$ 5,500 no mercado americano certamente terá poucos compradores.

Mas agora existe, sim, um tablet 4K (foto): com tela de 10,1 polegadas, está próximo do iPad e seus concorrentes. Bem, existe em termos, apenas acaba de ser apresentado em Tóquio pela JDI (Japan Display Inc), um dos maiores fabricantes da Ásia, embora virtualmente desconhecido fora do país. A empresa já havia lançado no ano passado um modelo de 12,1″, que foi muito criticado devido a um problema que a maioria dos usuários deixa em segundo plano quando vai comprar um tablet (e também um smartphone): a capacidade da bateria. Imagens 4K são lindas, mas consomem um caminhão de energia; além disso, o esforço requerido dos processadores provoca superaquecimento, o que exige ainda mais energia para dissipar o calor.

Bem, agora a JDI diz que resolveu o problema adotando processadores LTPS (low-temperature poly silicon), mas não especifica a autonomia da bateria. Sabe-se apenas que foi aprimorada a densidade de pixels (chamada ppi = pixels por polegada), de 365 no modelo anterior para 438 neste. Também não foi informado ainda o preço do aparelho e quando estará à venda, mas antes que alguém se apresse é bom lembrar que – pelo menos na teoria – a resolução 4K foi pensada para telas grandes, com uma boa distância de visualização. Usar um tablet a cerca de 10/15cm dos olhos, com tamanha quantidade de pixels, chega a ser bizarro.

Enfim, há gosto (e olhos) para tudo.

TV paga, no caminho da concentração

Como já se previa há pelo menos dois anos, o mercado brasileiro de TV por assinatura caminha para uma concentração irreversível entre os grandes conglomerados de mídia. Quando a Globo decidiu sair do serviço de operação para focar na distribuição de conteúdo (ao vender sua participação na Sky e depois na Net), os analistas mais atentos logo perceberam: se o maior grupo de comunicações do país se afasta, é porque a briga já não é de cachorros grandes, como se costuma dizer; passou a ser para leões!

Os dados mais recentes da Anatel só vêm confirmar a tendência. Nos três primeiros meses do ano, tivemos uma média mensal de 129 mil novos assinantes, contra 152 mil no ano passado e 287 mil em 2012. Não se trata apenas de números frios. Tem a ver com a queda no poder aquisitivo da classe média – sim, aquela mesma que vinha sustentando as altas taxas de crescimento do setor até dois anos atrás. Tem a ver também com as perspectivas que as pessoas enxergam para o futuro próximo. Quem está endividado ou com medo de perder o emprego começa a cortar despesas, às vezes até caindo na pura e simples inadimplência.

O fenômeno não é só brasileiro. Aqui, aliás, o setor continua crescendo; na Europa e nos EUA, nem isso. Há quem defenda que as chamadas “novas mídias” estão roubando público da televisão, mas não é isso que dizem as estatísticas: a maioria das pessoas não cancela suas assinaturas quando adere a um serviço como Netflix, por exemplo. Pode até deixar de assistir seus canais com a mesma frequência, mas continua com eles porque sabe que só ali poderá ver determinados eventos (esportes são o melhor exemplo).

Mas, onde entraria a questão da concentração? Segundo a Anatel, nada menos do que 83% das assinaturas estão com os grupos Telmex (Net+Embratel+ClaroTV) e DirecTV (Sky). Oi, GVT e Telefônica, que vêm a seguir no ranking, estão bem longe, na faixa de 4% cada, e apenas a GVT vem crescendo. Como, nesse mercado, o volume é o que conta nas negociações com os donos de conteúdo (sendo o maior deles a Globosat, por motivos óbvios), a tendência é que Telmex e DirecTV sejam cada vez mais poderosos.

Vamos ficando por aqui

Anunciei aqui anteontem minha viagem à Turquia para o evento Global Press Conference, da IFA 2014, mas na última hora tive que cancelar tudo: uma crise de estafa me derrubou no dia do embarque. Perdi assim a chance de conhecer esse país que todos dizem ser maravilhoso e, principalmente, de participar de um encontro único, com mais de 200 colegas de vários países. É isso: como diz meu médico, quando o corpo manda, é preciso obedecer. Agora, vamos retomando as coisas aos poucos. Me aguardem!

Conexões: não estamos sós

Uma inédita pesquisa, realizada em 800 cidades americanas pela empresa Ookla e divulgada pelo The Wall Street Journal, mostrou o que muita gente imaginava, mas ninguém podia comprovar: a velocidade média das conexões de banda larga é bem inferior à divulgada pelas operadoras quando vendem seus planos. O estudo foi feito durante um ano e os dados já foram repassados à FCC, a Anatel de lá, que agora está sendo pressionada por entidades de defesa do consumidor para tomar medidas de punição.

Parece familiar? Sim, no Brasil a Anatel também realiza medições do gênero, mas não com essa transparência. Aqueles que defendem o governo brasileiro talvez queiram sorrir, ironicamente, com aquela atitude do tipo “tá vendo? Não é só no Brasil.” Pois é, já podemos dizer que, pelo menos em velocidade de banda larga, não estamos sozinhos.

800 mil TVs de tela curva

Curved-Oled-hands-on-top-curve-macroO número acima é a previsão da consultoria NPD DisplaySearch para as vendas deste ano em todo o mundo: 800 mil TVs com a tela curva, entre LED e OLED. Pode parecer exagero, mas tradicionalmente essa empresa se baseia em dados fornecidos pelos próprios fabricantes, ou seja, se o número estiver errado muitos podem sair no prejuízo.

“Depois de passar duas décadas tentando fazer telas planas, a indústria está apostando nas curvas de novo”, resumiu ironicamente Paul Gray, diretor de pesquisas da NPD. “É uma novidade interessante em termos de design, e deve atrair muita gente, que associa esse tipo de visual aos aparelhos high-end. A indústria está precisando de um diferencial como esse.” Ele acha que os TVs curvos irão crescer em vendas até 2017, e depois refluir.

Quem sabe?

Indústria adere ao HDBaseT

dream_of_hdbaset_300px“Imagine o dia em que você só precisará de um cabo. Só um”, diz a chamada para o encontro anual da HDBaseT Alliance, que acontece no próximo dia 19 em Macau (China). O encontro é promovido por três gigantes (LG, Samsung e Sony), em parceria com a israelense Valens, dona da patente do HDBaseT, padrão de conexões que já começou a causar uma pequena revolução.

O fato de essas três marcas estarem no topo dos apoiadores é sugestivo: indica que provavelmente teremos, a médio prazo, aparelhos voltados ao consumo de massa adotando o padrão. Hoje, o HDBaseT ainda é de uso restrito a grandes projetos de redes e automação. Seu custo é muito mais alto e, por ter sido homologado somente em 2010, pode-se considerá-lo ainda “uma criança” em termos de conhecimento por parte dos profissionais. Suas vantagens, no entanto, já são de domínio público (vejam aqui).

A lista de empresas integrantes da Alliance vem aumentando expressivamente nos últimos meses. Já estão ali marcas como Epson, Panasonic, Crestron, Belkin, Control 4, Philips, NEC, Kramer, Schneider e Savant, só para citar as mais conhecidas no Brasil. Semana retrasada, durante a NAB, em Las Vegas, vários fabricantes de projetores e displays anunciaram sua adesão. E, no mercado brasileiro, estão se multiplicando as opções em produtos que utilizam HDBaseT, de marcas como Atlona, Integra, Absolute Acoustics e Discabos, entre outras.

Não, ainda não é “o fim do HDMI”, como alguns apressadinhos estão dizendo. Mas pode ser o começo do fim, por que não?

Em tempo: não me perguntem o que significa a bela ilustração acima, extraída do site CE Pro. Não faço a menor ideia. Aliás, se alguém souber, agradeço enviar as interpretações aqui para o blog.

 

Tecnologia aplicada à saúde

brain_1Já comentamos aqui algumas vezes sobre a expansão do mercado de technology health care (ou e-health), definição genérica – mas aceita em quase todo o mundo – para aparelhos eletrônicos e serviços de tecnologia voltados à saúde. É um negócio que movimenta bilhões nos países desenvolvidos, onde a proporção de pessoas acima de 60 anos é maior do que no Brasil. A evolução tecnológica é crucial na medicina. Hospitais, laboratórios e centros de pesquisa precisam dela tanto quanto dos remédios. Mas estamos falando aqui das soluções que estão sendo colocadas à disposição dos próprios pacientes, e de seus familiares e/ou cuidadores, a um custo cada vez mais acessível.

Recentemente, o site americano CE Pro, voltado aos profissionais de projetos e instalação, chamou a atenção para as oportunidades que estão surgindo nesse campo. Ao projetar um sistema de áudio, vídeo e automação para uma residência, poucas coisas podem sensibilizar mais o cliente do que saber que determinado recurso será útil nos cuidados com a família. Hoje, vários desses avanços estão disponíveis. Quem vive ou viveu com pessoas doentes deve entender bem do que estou falando; e quem não vive deve saber que todos corremos esse risco e precisamos estar preparados para quando o momento chegar.

Quando se fala em saúde na família, é cada vez mais comum a menção a esse monstro chamado Alzheimer. Não me refiro ao dr. Alois Alzheimer, psiquiatra alemão que pela primeira diagnosticou o mal, em 1906, e com isso prestou um serviço inestimável à humanidade. Além de cruel, a “doença do alemão” traz a dificuldade adicional de atingir uma área do corpo que ainda é, em muitos aspectos, um mistério para a medicina. Mas, como disse acima, a tecnologia existe – entre tantas outras coisas – para ajudar a ciência a encontrar as respostas.

Vejam que incrível a ideia de uma empresa espanhola chamada Tecnalia, especialista em inovação: equipar uma casa com sensores que possam acompanhar os movimentos dos moradores, para detectar, o quanto antes, os primeiros sinais da doença. Sabe-se que Alzheimer não tem cura, e não se enxergam perspectivas disso a curto nem médio prazo. Mas é também claro para os médicos que o diagnóstico precoce pode ser valiosíssimo para reduzir o sofrimento.

Após três anos de pesquisas, os técnicos da Tecnalia construíram uma casa-modelo na cidade de Zamudio, País Basco. Segundo a empresa, a rede de sensores espalhada pela casa consegue detectar e armazenar dados sobre as rotinas do doente, incluindo detalhes aparentemente banais, como abrir/fechar portas, janelas e gavetas; acender/apagar luzes; ligar/desligar aparelhos eletroeletrônicos; atender a campainha ou o telefone. Com o avanço da doença, um dos sintomas chocantes é a perda da memória imediata, com a pessoa esquecendo o que acabou de falar ou fazer, alterando progressivamente sua rotina. É normal, por exemplo, ficar um dia inteiro sem comer, dormir fora de hora, passar dias sem tomar banho e – pior – machucar-se com objetos cortantes ou até fogo (mais detalhes aqui).

Os sensores passam as informações a uma central de monitoramento que as analisa e fornece relatórios para a família ou os médicos responsáveis. Podem ainda ser programados para emitir sinais de alerta ao paciente, se este ou sua família desejarem. Podem, enfim, salvar a sua vida.

Em busca dos desenvolvedores

lg-connect-sdkMais um passo na direção da “conectividade total” ou, se preferirem (o termo está um tanto gasto), da convergência entre as telas. A LG anunciou nos EUA que está abrindo o código de seus aparelhos smart para estimular desenvolvedores a criarem mais aplicativos. O chamado Connect SDK, que pode ser acessado aqui, em inglês, consiste em facilitar a transferência de apps de celulares e tablets para os TVs da marca.

Nesta primeira fase, são oferecidas cinco plataformas para os profissionais da matéria: Roku (serviço de streaming semelhante ao Netflix, mas não disponível no Brasil), Chromecast (software da Google que “transforma” qualquer TV em smart), Amazon Fire TV (novo serviço de vídeos da loja virtual), WebOS (sistema operacional que a LG adquiriu da HP no ano passado e está usando em alguns TVs) e a plataforma smart dos próprios TVs LG lançados a partir de 2012.

Segundo a empresa, o desenvolvedor só vai precisar adicionar um código ao seu aplicativo para torná-lo compatível com qualquer dessas plataformas. Se for isso, ótimo: recursos hoje usados somente em smartphones poderão ser transplantados para a tela grande e, melhor ainda, o usuário terá acesso a eles com a mesma interface, não importa qual aparelho esteja usando naquele momento. É o sonho de todo desenvolvedor, já que esse profissional geralmente é remunerado a cada vez que alguém baixa o seu app. Vamos ver se o pessoal se anima.

Afundando nas redes sociais

9aee417d81a3df07815242a6196f8aadHá alguns dias, comentamos aqui sobre o aumento da publicidade online, que nos EUA superou em 2013, pela primeira vez, a da televisão. O tema se presta a muita polêmica. Uma discussão que ocorre na internet, por exemplo, refere-se à relevância das redes sociais, especialmente o Facebook, que nos últimos dois ou três foi elevado à condição de novo paradigma publicitário. A teoria, por si só controversa, é de que basta estar no FB para ser visto, comentado, “curtido” e compartilhado. Desde que a empresa fundada por Mark Zuckerberg abriu seu capital, teve que sair à caça de publicidade. Os analistas financeiros logo perceberam que, até então, apenas Zuck e alguns de seus diretores estavam ganhando dinheiro.

Neste vídeo, um blogueiro americano chama o Facebook simplesmente de “fraude”, acusando a empresa de manipular os posts dos usuários para favorecer certos anunciantes e/ou parceiros (e mostrando como isso é feito). Um outro, Phil Anderson, criou uma conta do tipo “pegadinha” para provar que os números fornecidos pelo FB eram falsos; Anderson também mostrou os números (veja aqui). Agora, reportagem do IDG Now revela que “as empresas estão abandonando o Facebook”, citando vários casos nos EUA.

Melhor ainda foi a campanha desencadeada na semana passada por um grupo, até agora não identificado, que acusa o FB de forçar seus usuários a pagar para enviar mensagens aos “amigos”. “Já faz tempo que o Facebook mostra o conteúdo apenas para a minoria dos nossos fãs”, diz o texto da campanha, simbolizada por uma adaptação à italiana do famoso logotipo do “curtir” (acima).

Será que tudo isso é, como gostam de dizer os políticos quando apanhados em flagrante, uma “campanha difamatória” da oposição, digo, da concorrência (leia-se Google)? Na dúvida, pelo menos por enquanto, é melhor não colocar seu dinheiro no Face.

Dez anos de conexão

cabo-rca-estereo-absolute-acoustics-audiowave-400-2-metros_MLB-O-3338975116_102012Nesta terça-feira, a Absolute Acoustics, hoje uma das principais empresas brasileiras de produtos para áudio, vídeo e automação, está comemorando dez anos de atividades. De simples fabricante de cabos e conectores, transformou-se numa campeã de inovações – classificação, aliás, que também pode ser aplicada a algumas outras do setor.

Em vez de uma festa para comemorar a data, a Absolute está promovendo uma série de apresentações técnicas a seus revendedores. Foi um prazer reencontrar alguns deles, vindos de várias partes do país, tanto os veteranos – que ajudaram a desbravar esse mercado desde a década de 1990 – quanto jovens que o descobriram há pouco. Encontrei até alguns participantes das primeiras edições do Programa de Certificação Home Expert, que lançamos em 2011, e não deixa de ser gratificante constatar que eles se aperfeiçoaram e estão crescendo como profissionais e empreendedores.

Grande parte do sucesso da Absolute Acoustics (não diria 100% porque ninguém constroi nada sozinho) se deve à visão e à persistência de seu diretor e cofundador, Henry Lua. Lembro bem de suas conversas sobre tecnologia, nossa paixão em comum, e como as pessoas se relacionam com ela. Foi uma das primeiras pessoas que percebeu como o segmento de automação iria evoluir no país, e aos poucos foi direcionando sua empresa para essa área. Simultaneamente, construiu a distribuidora Audiogene, que hoje representa marcas de primeira linha, como Savant (automação avançada), RTI (controles), Kaleidescape (servidores multimídia), Focal (caixas acústicas) e agora também McIntosh (players, processadores e amplificadores), entre outras.

Dos cabos e conectores, a Absolute passou a desenvolver soluções em multiroom, painéis de parede, chaveadores, extensores e distribuidores de sinal, segmento até então dominado pelos produtos importados. E não para de inovar.

Áudio, na era da conveniência

sonos2Nos EUA, a CEA (Consumer Electronics Association) divulgou que 16% dos consumidores possuem algum tipo de caixa acústica sem fio; e que 28% dos demais pretendem adquirir uma nos próximos dois anos. E mais: 10% já têm um sistema de multiroom também sem fio, produto que interessa a 44% dos demais.

Não sei até que ponto essas pesquisas são confiáveis. Pelo volume de estudos do gênero que são divulgados a cada semana, tem-se a impressão de que os americanos não fazem outra coisa além de responder questionários. Mas não deixa de ser uma referência – e, no caso, reforçada pelas evidências que vemos a toda hora. Conveniência, mais do que qualidade, é a palavra do momento em áudio, para o bem ou para o mal.

Nos últimos anos, uma das empresas que mais vêm crescendo no mercado internacional é a californiana Sonos, especializada exatamente em caixas acústicas sem fio. São produtos baratos, feitos para quem está acostumado a ouvir música em computador e quer fazer um upgrade na qualidade do áudio. Tudo se baseia na comunicação sem fio (via Wi-Fi) e em aplicativos. Segundo a consultoria FutureSource, esse tipo de produto já representa 17% de toda a indústria de áudio no mundo, que em 2013 vendeu US$ 10 bilhões.

Bem, a Sonos é a estrela ascendente desse segmento. Segundo a revista Business Week, faturou US$ 535 milhões em 2013, e agora conseguiu mais US$ 135 milhões de investidores; já tem 200 patentes e 900 funcionários em 60 países (no Brasil, ainda não, mas na Bolivia sim). Em março, tirou da Microsoft o homem que dirigia a divisão Xbox. Criou, por assim dizer, um “novo” mercado. Que agora começa a ser atacado por gigantes como Samsung, LG, Sony, Bose e outras.

Amizade sincera ainda rende

Foram várias as manifestações que recebi sobre o post da semana passada Adeus a uma amizade sincera. Talvez as amizades realmente sinceras hoje em dia estejam em falta. Ou, quem sabe, as pessoas tenham sido sensibilizadas em seu lado mais nostálgico. De fato, é raro encontrar alguém com um aparelho eletrônico que continua funcionando após vinte anos seguidos.

O episódio me fez lembrar uma antiga polêmica que volta e meia ressurge: já não se fazem mais equipamentos como os de antigamente? Será mesmo? Alguns defendem a tese da “obsolescência programada”, pela qual os produtos são feitos com data de validade (não declarada), tendo em vista que a maioria das pessoas é induzida a trocá-los de tempos em tempos. Já comentamos o assunto aqui. Leitores a toda hora se queixam de aparelhos que deram defeito com poucos meses, às vezes semanas, de uso – o que evidentemente é um absurdo!

Mas continuo achando que seria estupidez da indústria (e aqui não falo desta ou daquela marca específica) se planejar para produzir coisas que venham a causar no usuário mais irritação do que satisfação. Na maior parte dos casos, a revolta se transforma em ódio contra aquela marca, e esse sentimento tem alto poder multiplicador. Nas redes sociais e em sites como Reclame Aqui estão os antídotos. Nenhuma empresa quer ver sua marca bombardeada em posts, tuítes e compartilhamentos que tendem ao infinito. Além do Procon e do Idec, essa é a grande arma do consumidor.

No entanto, não se deve esquecer que, mais do que em qualquer outro ramo de atividade, na área de tecnologia os produtos se tornam obsoletos rapidamente. Cabe ao consumidor avaliar até que ponto isso é, de fato, um problema. Eu, por exemplo, continuo usando um computador adquirido em 2009, um celular de 2011 e um TV de 2012. Todos me atendem satisfatoriamente (bem, o celular nem tanto, mas desconfio que o problema seja mais da operadora que do aparelho).