Tecnologia aplicada à saúde

21 de abril de 2014

brain_1Já comentamos aqui algumas vezes sobre a expansão do mercado de technology health care (ou e-health), definição genérica – mas aceita em quase todo o mundo – para aparelhos eletrônicos e serviços de tecnologia voltados à saúde. É um negócio que movimenta bilhões nos países desenvolvidos, onde a proporção de pessoas acima de 60 anos é maior do que no Brasil. A evolução tecnológica é crucial na medicina. Hospitais, laboratórios e centros de pesquisa precisam dela tanto quanto dos remédios. Mas estamos falando aqui das soluções que estão sendo colocadas à disposição dos próprios pacientes, e de seus familiares e/ou cuidadores, a um custo cada vez mais acessível.

Recentemente, o site americano CE Pro, voltado aos profissionais de projetos e instalação, chamou a atenção para as oportunidades que estão surgindo nesse campo. Ao projetar um sistema de áudio, vídeo e automação para uma residência, poucas coisas podem sensibilizar mais o cliente do que saber que determinado recurso será útil nos cuidados com a família. Hoje, vários desses avanços estão disponíveis. Quem vive ou viveu com pessoas doentes deve entender bem do que estou falando; e quem não vive deve saber que todos corremos esse risco e precisamos estar preparados para quando o momento chegar.

Quando se fala em saúde na família, é cada vez mais comum a menção a esse monstro chamado Alzheimer. Não me refiro ao dr. Alois Alzheimer, psiquiatra alemão que pela primeira diagnosticou o mal, em 1906, e com isso prestou um serviço inestimável à humanidade. Além de cruel, a “doença do alemão” traz a dificuldade adicional de atingir uma área do corpo que ainda é, em muitos aspectos, um mistério para a medicina. Mas, como disse acima, a tecnologia existe – entre tantas outras coisas – para ajudar a ciência a encontrar as respostas.

Vejam que incrível a ideia de uma empresa espanhola chamada Tecnalia, especialista em inovação: equipar uma casa com sensores que possam acompanhar os movimentos dos moradores, para detectar, o quanto antes, os primeiros sinais da doença. Sabe-se que Alzheimer não tem cura, e não se enxergam perspectivas disso a curto nem médio prazo. Mas é também claro para os médicos que o diagnóstico precoce pode ser valiosíssimo para reduzir o sofrimento.

Após três anos de pesquisas, os técnicos da Tecnalia construíram uma casa-modelo na cidade de Zamudio, País Basco. Segundo a empresa, a rede de sensores espalhada pela casa consegue detectar e armazenar dados sobre as rotinas do doente, incluindo detalhes aparentemente banais, como abrir/fechar portas, janelas e gavetas; acender/apagar luzes; ligar/desligar aparelhos eletroeletrônicos; atender a campainha ou o telefone. Com o avanço da doença, um dos sintomas chocantes é a perda da memória imediata, com a pessoa esquecendo o que acabou de falar ou fazer, alterando progressivamente sua rotina. É normal, por exemplo, ficar um dia inteiro sem comer, dormir fora de hora, passar dias sem tomar banho e – pior – machucar-se com objetos cortantes ou até fogo (mais detalhes aqui).

Os sensores passam as informações a uma central de monitoramento que as analisa e fornece relatórios para a família ou os médicos responsáveis. Podem ainda ser programados para emitir sinais de alerta ao paciente, se este ou sua família desejarem. Podem, enfim, salvar a sua vida.

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