TV paga, no caminho da concentração

Como já se previa há pelo menos dois anos, o mercado brasileiro de TV por assinatura caminha para uma concentração irreversível entre os grandes conglomerados de mídia. Quando a Globo decidiu sair do serviço de operação para focar na distribuição de conteúdo (ao vender sua participação na Sky e depois na Net), os analistas mais atentos logo perceberam: se o maior grupo de comunicações do país se afasta, é porque a briga já não é de cachorros grandes, como se costuma dizer; passou a ser para leões!

Os dados mais recentes da Anatel só vêm confirmar a tendência. Nos três primeiros meses do ano, tivemos uma média mensal de 129 mil novos assinantes, contra 152 mil no ano passado e 287 mil em 2012. Não se trata apenas de números frios. Tem a ver com a queda no poder aquisitivo da classe média – sim, aquela mesma que vinha sustentando as altas taxas de crescimento do setor até dois anos atrás. Tem a ver também com as perspectivas que as pessoas enxergam para o futuro próximo. Quem está endividado ou com medo de perder o emprego começa a cortar despesas, às vezes até caindo na pura e simples inadimplência.

O fenômeno não é só brasileiro. Aqui, aliás, o setor continua crescendo; na Europa e nos EUA, nem isso. Há quem defenda que as chamadas “novas mídias” estão roubando público da televisão, mas não é isso que dizem as estatísticas: a maioria das pessoas não cancela suas assinaturas quando adere a um serviço como Netflix, por exemplo. Pode até deixar de assistir seus canais com a mesma frequência, mas continua com eles porque sabe que só ali poderá ver determinados eventos (esportes são o melhor exemplo).

Mas, onde entraria a questão da concentração? Segundo a Anatel, nada menos do que 83% das assinaturas estão com os grupos Telmex (Net+Embratel+ClaroTV) e DirecTV (Sky). Oi, GVT e Telefônica, que vêm a seguir no ranking, estão bem longe, na faixa de 4% cada, e apenas a GVT vem crescendo. Como, nesse mercado, o volume é o que conta nas negociações com os donos de conteúdo (sendo o maior deles a Globosat, por motivos óbvios), a tendência é que Telmex e DirecTV sejam cada vez mais poderosos.

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