Archive | maio, 2014

A Copa e os falsos patriotas

A cada quatro anos o fenômeno se repete: a mídia dedica quase todo o seu espaço ao futebol e o país literalmente para quando a seleção entra em campo. Desta vez, porém, com a Copa sendo realizada no Brasil, acontece o inimaginável: o futebol está servindo de álibi para protestos, depredações, greves seriais, violência. Foi miseravelmente engolfado pela política – a pior espécie dela, aliás, política rasteira, oportunista, que não hesita em fazer da calúnia e do preconceito poderosas armas eleitoreiras.

Eis aí uma guerra em que não há vencedores. Ainda que a seleção venha a brilhar nos gramados, a derrota já está contabilizada pela História. Aproveitadores de várias espécies conseguiram transformar uma grande oportunidade oferecida ao país num festival de mazelas inédito em eventos desse porte. A festa que se prometia está irremediavelmente manchada por um sinistro mix de ufanismo, arrogância, incompetência e descaso. Procuram-se agora os culpados, e – como é costume no país dos espertos – cada um tenta empurrar a conta para o outro lado, já que tornou-se impossível simplesmente escondê-la sob os tapetes.

Que vivemos num país de memória curta e seletiva, não é novidade. Mas alguns detalhes não devem ter sido deletados, suponho. Em 2007, quando o Brasil se candidatou a sediar a Copa (o mesmo aconteceria no ano seguinte em relação à Olimpíada), houve música e júbilo patrocinados por um governo que nadava em altos níveis de popularidade. Apesar das denúncias do mensalão, Lula havia sido reeleito em 2006 com uma vitória avassaladora, e a oposição mal conseguia juntar seus cacos.

Lá do alto, o governo Lula acenou com quase 200 projetos que, de carona na Copa, levariam o país a um outro patamar global. Contra a vontade da própria Fifa, exigiu que fossem 12 (e não 8, como de hábito) as cidades-sede. Os poucos que ousaram desconfiar, alegando que o país tinha outras prioridades e não seria capaz de organizar o evento, foram rechaçados raivosamente como “eternos pessimistas” ou mesmo antipatriotas. Com o passar dos anos, alguns desses foram cooptados. As bilionárias verbas de patrocinadores e a miragem dos estádios megalomaníacos, próprios de uma sociedade ébria com seus êxitos momentâneos, serviram como um imenso e irresistível cala-boca.

Os mais atentos, porém, logo perceberam o gosto amargo da ostentação. O dono da casa havia ordenado pinturas externas em cores chamativas para atrair seus convidados, esquecendo (ou deixando pra lá…) o fato de que paredes, telhado, portas, janelas, encanamento se encontravam em estado de semipodridão. Pior: o lixo se acumulava por baixo da mobília, e mais ainda nos porões, espremendo a dignidade e a paciência dos moradores. Logo, os vizinhos – e as visitas, claro – passaram a notar algo de errado na construção. Tentaram marcar a festa em outro local, mas já não havia tempo para isso. E nem sequer a conta da pintura havia sido paga ainda…

E assim chegamos a 2014, com o país do futebol dividido entre os pró-Copa e a turma do não-vai-ter-Copa. Chega a ser engraçado (ou tragicômico) constatar que pessoas antes avessas ao futebol, tido como alienante e perigoso instrumento de manipulação política, da qual a Copa de 1970 é o símbolo mais citado, hoje posem nas redes sociais com suas camisas amarelas e saudações do tipo “vamos lá, Brasil”. Agora que as visitas estão chegando, seria hora, repetem esses novos-torcedores, de esquecer os malfeitos e destacar o que o país tem de melhor. Afinal, somos os donos da festa!

Alguém chegou a escrever, levianamente, que todos os países organizadores de Copas fizeram isso. Na Alemanha, por exemplo, ninguém falava do nazismo em 2006, quando o Mundial lá se realizou. É a velha arte de embaralhar as cartas para melar o jogo – no caso, não o jogo futebolístico, mas a discussão, essencialmente política, sobre patriotismo e o país que queremos construir. Citar os alemães, no caso, é duplamente leviano: o país tinha (e tem) dinheiro e capacidade para organizar quantas copas quiser; e não esconde seu passado, ao contrário: obras e monumentos referentes ao nazismo e ao comunismo estão lá por toda parte, aos olhos dos visitantes.

Todas as pessoas com nível mínimo de informação sabiam que o Brasil não teria como organizar uma Copa “padrão Fifa” – até porque já dera vexame ao promover os Jogos Panamericanos em 2007, principal referência em falta de planejamento e incúria financeira. Alguns até quiseram se iludir, e outros, de rabo preso, evitaram tocar no assunto. Ocorre que a oportunidade foi perdida. Sabe-se lá quantos investidores iriam trazer seus dólares e euros, se o governo quisesse fazer mais do que marketing. Infelizmente, não era o caso. Jamais saberemos.

Consumado o estrago, que toda a imprensa mundial já detectou, tentar esconder os problemas do Brasil é, além de inútil, depredar a própria essência do ser brasileiro. É uma atitude equivalente à dos que atropelam pedestres na calçada, jogam lixo na rua ou vandalizam prédios e veículos. Um desrespeito ao sofrimento dos milhões que se apertam todos os dias em ônibus e metrôs, aos que gemem nas filas de hospitais. É fingir que o país onde vivemos não existe. Como na canção de Cazuza, esta é a hora do Brasil mostrar a cara, sem maquiagem, para que os próprios brasileiros se reconheçam. Ninguém precisa torcer contra a seleção. Os que o fizerem serão apenas imbecis, nada mais. Gols de Neymar e cia. não irão apagar os males já cometidos.

Copa em 4K na TV paga

A Vivo foi a primeira operadora a anunciar oficialmente que fará transmissões em 4K durante a Copa do Mundo. A Net também já decidiu, mas ainda não confirmou como será. No caso da Vivo, serão escolhidos assinantes que possuem televisor 4K, para testes a partir da semana que vem. A operadora já fez acordo com a Globosat, que é quem detém os direitos junto à Fifa. Vale lembrar que, na Copa de 2010, a Net fez transmissões de alguns jogos em 3D, que era a sensação da época.

Hoje, com quase todos os fabricantes apostando no 4K (e a Fifa também), as dificuldades são de outra ordem. Para receber sinal Ultra-HD em sua casa, o assinante precisa de um decodificador diferente dos atuais, com um chip específico e ainda muito caro. A Fifa, através da empresa suíça HBS, comanda tudo que se refere a transmissões de seus eventos. É essa empresa que produz os conteúdos – no caso dos jogos, em parceria com a Sony, patrocinadora oficial da Fifa. O sinal gerado a partir do estádio vai para um satélite, de onde as emissoras autorizadas podem captá-lo, ou seja, todas recebem o mesmo sinal.

Nesta Copa de 2014, pela primeira vez haverá dois sinais: um Full-HD, captado e transmitido pela maioria das emissoras em todo o mundo, e outro Ultra-HD, que exige uma infraestrutura independente e, claro, bem mais sofisticada. No Brasil, somente a Globo (TV aberta) e a Globosat possuem essa capacidade. A Globosat, claro, tem interesse em vender esse conteúdo para todas as operadoras que distribuem sua programação.

É aí que começam as dificuldades. Além de negociar esse preço, a operadora precisar investir na compra dos receptores para distribuir a seus clientes. Muitos, com certeza, aceitariam pagar por eles, mas a menos de duas semanas do início do evento não há tempo hábil para procurar todos eles e fazer a instalação.

Vamos ver como a Net, maior operadora do país, irá resolver a questão. Estamos aguardando informações da empresa.

Como gastar menos energia

pic-smart-gridFoi aprovado esta semana o protocolo da CEA (Consumer Electronics Association) para consumo de energia em aparelhos eletroeletrônicos. Estudado há pelo menos dois anos, o documento define normas para que o usuário saiba, em tempo real, quanto está gastando de eletricidade em sua casa. A ideia é que cada aparelho possua um código interno que permita ao consumidor identificar o consumo através de um aplicativo: usando seu tablet, smartphone ou notebook, ele conseguirá essa informação na hora. Se tiver uma rede Wi-Fi em casa, poderá acessar os dados de consumo através de qualquer dispositivo, até de seu televisor.

O protocolo CEA-2047 nasce como desdobramento de uma série de iniciativas que a indústria e o governo americanos vêm tomando para reduzir o consumo de energia em geral. No caso de eletrônicos e eletrodomésticos, já estão em vigor, por exemplo, normas sobre o consumo de televisores e o funcionamento de medidores inteligentes (smart meters); aliás, lá existe um órgão chamado SGIP (Smart Grid Interoperability Panel), composto por membros do governo e das empresas, que estuda a questão da comunicação entre os aparelhos e colaborou com a CEA na redação do novo protocolo. Há ainda a Green Button Initiative, espécie de consórcio em que várias empresas se comprometem a fornecer informações atualizadas sobre quanto seus produtos consomem.

Sem dúvida, foi dado um grande passo: o mundo precisa mesmo consumir menos energia. Que outros países sigam o exemplo. Agora, o protocolo 2047 será submetido a quem decide de verdade: o ANSI (American National Standards Institute). Se aprovado, passa a ter força de lei.

Banda larga milionária

Que tal pagar R$ 1.499 de mensalidade por um plano de banda larga, com velocidade de 1 Gigabits por segundo para download e 500Mbps para upload? É o que está propondo a operadora Tim, segundo o site Tela Viva, ao entrar nesse segmento de banda larga fixa utilizando sua rede de fibra óptica. Inicialmente, a oferta vale apenas para três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Duque de Caixas (RJ). Além do valor mensal, a operadora cobra R$ 3 mil pela instalação do modem, que é específico para fibra (padrão FTTH).

Alguém se candidata? Em tempo: a Tim foi a operadora que teve o pior desempenho em banda larga móvel no primeiro trimestre do ano, segundo a Anatel.

Quem, quando, onde, como e por quê?

Acaba de ser divulgado o mais abrangente estudo mundial que vi até hoje sobre a mudança de comportamento dos usuários de produtos eletrônicos e consumidores de mídia. O Índice de Entretenimento do Consumidor é um trabalho inédito da empresa americana Arris, especializada em soluções multimídia, e envolveu entrevistas com 10.500 pessoas em 19 países, realizadas este ano; no Brasil, foram 500 entrevistados. Considerando a quantidade de chutes que se vê por aí entre supostos especialistas em mídia, é valioso poder analisar dados concretos, extraídos de entrevistas – vale repetir que nunca fui muito fã de pesquisas de mercado, mas essa é outra história.

O estudo é gigantesco e quase impossível de resumir. Vamos tentar explorar seus aspectos mais interessantes em futuros comentários aqui. A proposta era  analisar como as novas tecnologias de comunicação e as crescentes ofertas de mídia (entretenimento e informação) estão levando as pessoas a mudarem seu comportamento. E, a partir daí, identificar novas tendências de consumo e futuras oportunidades para as empresas do setor. Como se vê, não é pouca coisa, ainda mais quando se tenta cobrir países tão distintos quanto Brasil, China, Índia, EUA, México e os mais importantes da Europa.

O relatório inclui dados genéricos como estes:

*80% dos entrevistados se confessam “consumidores compulsivos” de entretenimento via mídia eletrônica (TV ou internet);

*60% gravam os programas para assistir depois, evitando assim os anúncios;

*No entanto, 68% dos conteúdos gravados acabam não sendo assistidos.

*E 65% disseram desejar um serviço que lhes permita assistir a qualquer conteúdo em qualquer aparelho, onde quer que estejam.

Bem, esses são os resultados gerais. Separei do relatório também alguns dados que revelam os hábitos dos brasileiros. Antes, porém, é bom lembrar que foram selecionados para a pesquisa somente usuários com acesso a banda larga e TV paga. A divisão por sexo foi igual (metade homens, metade mulheres) e deu-se ênfase à faixa etária entre 25 e 55 anos. Sobre o Brasil:

*44% têm o hábito de fazer streaming diariamente; 31% o fazem pelo menos três vezes por semana;

*39% costumam assistir a vários episódios de uma série em sequência, no mesmo dia (hábito que os americanos batizaram binge-viewing); 17% fazem isso todo santo dia!

*Os brasileiros não estão entre aqueles que mais gostam de “pular” os intervalos comerciais: somente 35% dos entrevistados o fazem; o percentual é bem mais alto em países como Suécia (66%), Rússia (64%) e Chile (58%);

*O excesso de conteúdo é um problema para 54% dos brasileiros, que se dizem frustrados por não conseguirem assistir aos programas que gravam; mas as queixas são maiores na China (71%) e na Coreia do Sul (70%), por exemplo;

*41% aceitariam pagar a mais se suas operadoras oferecessem armazenamento de conteúdo em nuvem;

Bem, temos aí, que eu saiba, o primeiro retrato do consumidor brasileiro multimídia. OK, a amostra é minúscula (apenas 500 pessoas), mas já é um começo. Que venham outras pesquisas.

 

 

E lá se foi a interatividade…

Acaba de ser enterrada pelo governo uma das maiores enganações públicas dos últimos anos, que infelizmente custou o esforço (e o dinheiro) de inúmeras empresas e profissionais bem intencionados. O falecido atende pelo nome genérico de GINGA. A confirmação foi feita pelo repórter Luís Osvaldo Grossmann, do site Convergência Digital: os ministérios de Desenvolvimento e Comunicações decidiram que somente 5% dos celulares produzidos no país a partir do ano que vem precisarão vir com o software de interatividade.

O tema é um pouco complexo, mas pode ser resumido da seguinte forma: o governo decidiu dar incentivos fiscais aos fabricantes de celular, para fazer cair os preços. Um dos métodos para ser agraciado seria incluir o Ginga nos aparelhos. Como esse custo, para o fabricante, é inferior às vantagens tributárias oferecidas, valia a pena. Valia, até começarem as pressões das operadoras de telefonia, que são as maiores compradoras de celular. Diante da complacência da Anatel e dos ministérios, as teles não querem mais pagar pelo Ginga.

Quando se reuniram todos para conversar, descobriu-se que, de fato, ninguém queria a prometida interatividade. “O Ginga nunca foi unanimidade”, admitiu Alexandre Cabral, responsável pela área no Ministério do Desenvolvimento. Ora, ora, quem tem boa memória deve se lembrar dos discursos do ex-presidente Lula e de seu ministro das Comunicações, Helio Costa, quando do lançamento da TV digital, em 2006/07. A interatividade seria uma revolução nas telecomunicações, e as pessoas poderiam acessar – em seus TVs e celulares – diversos serviços de grande utilidade pública. Quem acreditou investiu no aprimoramento do software (tecnicamente chamado middleware, já que envolve também componentes), na esperança de que o governo bancaria a promessa.

Desde então, ficou claro que:

1) O Ginga não interessa aos fabricantes, que possuem cada um suas próprias plataformas de interatividade, como se vê nos TVs smart;

2) O Ginga não interessa às operadoras, que compram milhões de celulares e não querem arcar com esse custo extra;

3) O Ginga não interessa às emissoras, que não conseguem rentabilizar esse investimento na forma de publicidade (a única receita na TV aberta);

4) O Ginga não interessa aos anunciantes de TV, pois desvia a atenção do telespectador;

5) E, por fim, o Ginga não interessa ao governo, pois dá muito trabalho e não rende votos nem propinas. Além disso, dificulta o investimento dos fabricantes em receptores de TV digital para celular.

Ou seja, o Ginga virou uma espécie de “Geni interativa”. Ficamos assim: você, que é desenvolvedor de aplicativos e um dia sonhou ver seu trabalho sendo útil às pessoas e lhe rendendo algum dinheiro, como lhe prometeu o governo, não tem agora nem o direito de ir ao velório do falecido. Ninguém quer mais nem tocar no assunto.

Guia de Compras para seu novo TV

E, como o assunto é TV, reforço aqui o lembrete àqueles que porventura estejam na dúvida sobre qual modelo comprar para assistir à Copa do Mundo (a dúvida ressurge a cada quatro anos). Na redação da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, preparamos um guia bem detalhado para ajudar nessa às vezes complicada missão. Nosso Guia de Compras traz dezenas de modelos (todos acima de 46 polegadas), organizados por marcas e tamanhos, com descritivo técnico comparando as diversas opções em cada categoria. É facílimo navegar e comparar. Junto com esse quadro, um roteiro com 15 pontos-chave que o usuário deve observar quando for escolher. Acho que é uma ótima prestação de serviço. Espero sinceramente que seja útil para todos.

TV de tela curva, já à venda

Curved UHD_Main_02Começaram a chegar às lojas neste fim de semana os TVs de tela curva da Samsung, em tamanhos de 65 e 78 polegadas. Não são OLED, como aquele de 55″ que a LG lançou no final do ano passado. São LED-LCDs, com resolução 4K. Seu custo está na faixa de 30% acima dos modelos correspondentes de tela plana. A pergunta que todos se fazem então é: vale a pena pagar 30% a mais por essas curvas?

Assim como no caso do 3D quando foi lançado, e por mais que haja mil teorias a respeito, a verdade é que a reação diante de uma superimagem em tela curva varia de uma pessoa para outra. É louvável, portanto, a atitude da Samsung de colocar os aparelhos nas lojas – não todas, é claro – para que mais consumidores possam vê-los e tirar suas próprias conclusões. Confesso que, nos primeiros minutos, a sensação é estranha. Estamos tão acostumados às telas planas que, diante de um TV como esses, parece haver algo de estranho na sala. Mas passa.

Os TVs curvos têm um inquestionável apelo futurista, o que também conta para muitas pessoas na hora da escolha. Falando especificamente da imagem, nunca é demais lembrar que as exibidas nas lojas não são do tipo que você verá quando estiver com seu TV instalado em casa. A diferença entre uma imagem 4K e uma Full-HD é brutal, especialmente num TV de tela grande, cujo impacto é mais forte. As imagens usadas nas demonstrações de loja foram captadas em 4K. Ao sintonizar um canal HD, ou ver um filme em Blu-ray (Full-HD), por exemplo, o TV 4K faz o chamado upconversion, aumentando artificialmente a quantidade de pixels. Mas jamais consegue chegar aos mais de 8 milhões deles, encontrados numa imagem nativa Ultra-HD.

A Samsung garante que a aposta nos TVs curvos é pra valer, sustentada em pesquisas de mercado internacionais. Silvio Stagni, vice-presidente da empresa, diz que até o final do ano serão lançados outros 15 modelos, com tamanhos de 40″ a 78″, divididos em três categorias:

LED 4K – Como os dois lançados agora, com resolução de 3.840 x 2.160 pixels;

LED Full-HD – Similares aos atuais, com 1.920 x 1.080;

OLED Full-HD – Com painel orgânico, bem superior aos de leds e capaz de gerar mais contraste.

OLED 4K? Difícil, pelo menos enquanto os fabricantes não resolverem a questão do yield, nome que se dá na indústria ao índice de aproveitamento dos painéis nas fábricas. Só para comparação: enquanto um painel de led tem média de 1/100 (perde-se uma peça para cada 100 produzidas), no OLED a proporção é de 40/100!

Reviravolta no setor de automação

AMX

 

 

Se no mundo volátil da internet já não surpreende uma empresa pagar bilhões por outra, ainda que esta seja apenas uma promessa (ou “bolha”, como já vimos tantas vezes), no setor de equipamentos eletrônicos esta é uma notícia que pode causar espanto: o grupo Harman adquiriu o controle da AMX, uma das líderes mundiais em automação, por US$ 365 milhões. O anúncio foi feito nesta terça-feira nos EUA. A AMX será incorporada ao portfólio de marcas profissionais da Harman, que inclui AKG (microfones e fones de ouvido), Crown (amplificadores) e as famosas caixas acústicas JBL, entre outras.

Representada no Brasil pela Axyon, de São Paulo, a AMX foi durante muito tempo a maior concorrente da Crestron em automação residencial, predial e corporativa. Sediada no Texas, até agora pertencia ao grupo financeiro Duchossois, com atuação mais restrita ao mercado americano. A AMX possui atualmente cerca de 600 funcionários em vários países; nos últimos anos, perdeu espaço no segmento doméstico, mas manteve seu prestígio em projetos para grandes empresas e órgãos de governo.

Para a Harman, é uma maneira oportuna – e relativamente barata – de entrar no segmento de automação e controles, que é o que mais cresce hoje. Não deverá ser difícil integrar suas soluções de áudio e vídeo através das interfaces AMX para oferecer aos clientes os “pacotes completos”. Vamos acompanhar.

TV na nuvem, cada vez mais próxima

cloud TVHá anos que corporações como Google, Amazon, Apple e Microsoft oferecem serviços em nuvem. Mais recentemente, fabricantes de TVs passaram a explorar o filão através de seus modelos smart. A ideia é fidelizar o usuário, que ganharia acesso aos seus conteúdos preferidos a qualquer hora e em qualquer lugar, bastando usar um aparelho daquela marca. Até agora, nenhum dos formatos apresentados – por gigantes como Sony, Samsung, LG e Panasonic – deu certo.

A mais recente aposta é da Philips, que no ano passado lançou seu projeto de Cloud TV na IFA, em Berlim. Agora, a ideia está sendo introduzida no Brasil. Um dos requisitos para o êxito do conceito é contar com bons parceiros, especialmente fornecedores de conteúdo e infraestrutura de rede. Na Europa, a Philips fez acordo com alguns, como o StreamIt, que dispõe de mais de 1.000 canais de programação, incluindo algumas emissoras de TV aberta. Tudo é transmitido via streaming – inclusive programas ao vivo – e pode ser visto através de qualquer aparelho que acesse a internet.

Luis Bianchi, gerente dessa área da Philips/TP Vision no Brasil, diz que alguns conteúdos já estão disponíveis para quem possui um TV smart da marca, das linhas 2013 e 2014. “A vantagem para o usuário é ficar livre de cabos e decoders: tudo funciona dentro do aplicativo e pode ser acionado pelo controle do próprio TV”, diz ele.

O desafio, agora, é fechar as parcerias com as emissoras e com pelo menos uma grande operadora de TV paga.

Estádios sem telefone nem internet

Falando em Copa do Mundo, continuamos sem saber se haverá redes de telefonia e internet nos estádios. Quando abordamos o tema aqui, em janeiro, havia a expectativa de que se chegasse a um acordo para instalar, como seria necessário e mais do que recomendável, redes Wi-Fi em todas as cidades-sede, pelo menos no entorno dos estádios. Era tarde, mas com bom senso e boa vontade haveria tempo para tirar o atraso. As operadoras pediam 120 dias para colocar tudo funcionando.

Hoje, a quase 20 dias da abertura do evento, por incrível que pareça, a situação é exatamente a mesma. Diz o site Convergência Digital que nenhuma operadora ainda teve acesso aos estádios para poder instalar os equipamentos. Seus técnicos simplesmente não podem entrar. E a explicação é bem brasileira: os administradores dos estádios – clubes, em sua maioria – querem eles próprios oferecer o serviço e, claro, cobrar por ele. Assim, se um jornalista que estiver cobrindo um jogo quiser enviar textos ou fotos para seu país, terá que pagar. Se alguém, no meio da torcida, quiser fazer fotos e enviar para o Facebook, como é tão comum hoje em dia, idem: só pagando.

Talvez não seja o caso de classificar a atitude como mesquinha. Faz parte do “jeitinho brasileiro” a famosa arte que querer levar vantagem em tudo. Depois de tantas viagens cobrindo eventos no Brasil e no Exterior, já me habituei com as dificuldades de comunicação – seja aqui, no Japão ou na Alemanha. Grandes eventos provocam aumento súbito da demanda, e não há como atender todo mundo satisfatoriamente (mais detalhes aqui). O que nunca vi foi o organizador do evento querer cobrar pelo telefone e pela internet. E pior: na última hora, de surpresa, quando aqueles que mais precisam se comunicar não tiverem outra saída.

Depois reclamam quando a imprensa internacional faz piada sobre o Brasil!

Copa em 4K, mas só para alguns

fifa-world-cup-wallpaper-hd3Será no bairro do Jardim Botânico, bem próximo à sede da Globo no Rio de Janeiro, o local onde se poderá assistir a alguns jogos da Copa do Mundo com imagens 4K. A emissora confirmou hoje como será o esquema de recepção e transmissão do sinal, à qual somente convidados poderão assistir.

Como informamos aqui ontem, serão três jogos (o primeiro no dia 28 de junho), todos realizados no Maracanã. As imagens serão captadas pelas câmeras da Sony, transmitidas para um satélite e daí para a emissora; uma antena UHF, instalada nas proximidades e montada junto a TVs 4K também da Sony, irá receber o sinal em tempo real. Não haverá transmissão para cinemas, como a princípio foi cogitado. A iniciativa tem o objetivo de demonstrar a tecnologia 4K para um público selecionado.

Resta saber agora como irão evoluir as negociações da Globosat com as operadoras de TV por assinatura. É provável que pelo menos uma delas aceite bancar a transmissão em 4K para seus assinantes premium; em termos de marketing, faria todo sentido. O problema é que, para isso, não podem ser usados os decoders atuais. O que se estuda agora é o custo de instalar decoders novos nas casas de todos os interessados, e se esse custo pode (ou deve) ser repassado aos usuários.

Poderemos ter novidades a respeito nas próximas semanas.

Um novo cenário na TV por assinatura?

attdirec-642x401O anúncio da aquisição da DirecTV pela AT&T, nos EUA, ocorrido neste domingo, já teve duas consequências: fez cair as ações da America Móvil, maior empresa de telecom da América Latina, e atiçou os especialistas a imaginarem novos cenários para os próximos anos no setor de telecom. O Brasil, maior país do continente, é peça-chave nessas projeções.

A queda das ações (8%, nesta segunda-feira) pode certamente ser revertida nos próximos dias ou semanas. A mexicana America Móvil, do bilionário Carlos Slim, é dona de três grandes marcas atuantes no Brasil: Net, Embratel e Claro. Lidera com folga o setor de TV por assinatura e é a que mais vem crescendo no país. Seus poderes não podem jamais ser desprezados. E ações, como se sabe, sobem e descem conforme os humores do mercado.

Apesar de tudo isso, não é a toda hora que dois gigantes se unem. No caso, a AT&T, segunda maior operadora telefônica dos EUA, que já tem 116 milhões de clientes de celular, está acrescentando a sua carteira 20 milhões de assinantes americanos da DirecTV, além de outros 18 milhões espalhados pela América Latina. Dificilmente o setor será o mesmo a partir desse acordo.

Como comentamos aqui recentemente, a tendência de concentração no mercado de telecom é irreversível, no mundo inteiro. Somente grandes grupos econômicos têm condições de bancar os investimentos necessários para manter funcionando a “máquina” que sustenta hoje uma operação multimídia. Nesse contexto, como ficará, por exemplo, a situação da brasileira Sky, subsidiária da DirecTV e, portanto, agora pertencente à AT&T? Mero palpite: sairá fortalecida, porque poderá acelerar seu projeto de banda larga, limitando o espaço para o crescimento das concorrentes.

As primeiras declarações dos executivos da AT&T e da DirecTV após o anúncio da aquisição confirmam que seus olhos crescem quando analisam o mercado latinoamericano, especialmente o brasileiro (vejam este artigo). O potencial de expansão é enorme, e não seria surpresa se o grupo decidisse, por exemplo, participar do próximo leilão de telefonia 4G, previsto para agosto, ficando com uma fatia do que está reservado para Oi, Vivo, Claro e Tim.

Há quem diga também que a AT&T prepara ofertas para adquirir a francesa Vivendi (dona da GVT) ou a Telecom Italia (TIM), uma das duas. O grupo ainda detém uma parcela equivalente a US$ 5 bilhões na America Móvil e agora pretende vendê-la, fazendo caixa para as novas aquisições. E isso é apenas o começo.

4G: Anatel entrega o jogo

Durante meses, alimentou-se a polêmica das interferências das redes de celular 4G sobre o sinal de TV digital. Comentamos aqui algumas vezes: as emissoras temem que alguns canais saiam do ar, em certas residências, quando alguém da família fizer ou receber uma chamada via celular. Foram feitos testes, no Brasil, Europa e Japão, confirmando que o risco é concreto. E, no entanto, até agora a Anatel e o Ministério das Comunicações mantinham-se impassíveis: seria “exagero”.

Nesta segunda-feira, um funcionário da Agência abriu o jogo: o problema de fato existe e, pior, não há solução à vista. “Você vai ter que escolher entre assistir TV e falar ao celular”, disse Augustinho Linhares, um dos coordenadores dos testes feitos pela Anatel. O caso mais grave é o das pessoas que utilizam antena interna, cerca de metade das casas que não recebem o sinal via TV por assinatura (o que dá algo em torno de 20 milhões de domicílios). Segundo o site Tela Viva, Linhares minimiza o problema alegando que as antenas internas não são mesmo indicadas para captar TV digital, independentemente da existência ou não de rede celular. Daí, a sugestão: trocar de antena.

Já o superintendente de Regulamentação e Planejamento da Anatel, José Alexandre Bicalho, é mais realista. Claro que a maioria das pessoas não vai trocar de antena, por motivos financeiros. Sua sugestão é que se mande um técnico a cada residência para instalar um filtro no receptor de TV, que eliminaria as interferências. “A recepção (com antena interna) é uma preocupação que a gente tinha desde o começo”, admite Bicalho, sem ficar vermelho!

Então, ficamos combinados assim: quem tiver problema liga para a Anatel e – se conseguir ser atendido – pede a visita de um técnico. Em seguida, começa a rezar, de preferência sentado, para que esse “enviado dos céus” realmente apareça. Enquanto espera, melhor não usar o celular. Pelo menos, não na hora da novela ou do futebol.

Eletricidade: um choque cultural

Como se sabe, o Brasil é campeão mundial de incidência de raios. Mas não precisaria ser recordista também em acidentes originados pelo mau uso das redes elétricas, como acaba de divulgar a Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade). Como não existem dados oficiais (o que é mais uma obrigação não cumprida pelo governo, via Ministério de Minas e Energia), a Abracopel decidiu por conta própria montar uma base a partir de informações colhidas na imprensa e nas redes sociais. E concluiu: em 2013, aconteceram no país nada menos do que 1.038 acidentes envolvendo eletricidade, dos quais 592 foram fatais (média de quase duas mortes por dia)!!!

Houve ainda 173 pessoas acidentadas que ficaram com sequelas de choques elétricos. Mais: 234 casos de curto-circuito, sendo que 200 se transformaram em incêndios, e outros 39 acidentes por descarga atmosférica (raios). São, de fato, dados alarmantes. Mas não surpreendem. Combinam com as estatísticas sobre mortes no trânsito, acidentes de trabalho, agressões à natureza e uma série de outros itens em que os brasileiros ainda têm muito a aprender.

Para tentar reduzir esses números, um grupo de empresas e entidades criou o Programa Casa Segura, que busca orientar o público em geral sobre os riscos e os cuidados ao lidar com redes elétricas.

Numa época em que se usam cada vez mais aparelhos, é evidente que esses riscos aumentam. Portanto, vale a pena divulgar o programa, mesmo para quem pensa que está totalmente protegido. Este é o site oficial.

Globo confirma Copa em 4K

A Rede Globo acaba de divulgar comunicado confirmando que fará transmissões em 4K durante a Copa do Mundo. Serão, no entanto, apenas três jogos, todos realizados no Maracanã, nos dias 28 de junho (oitavas-de-final), 4 de julho (quartas-de-final) e a final no dia 13. Já tínhamos obtido junto à Sony a informação de que o sinal Ultra-HD estaria disponível para quem quisesse transmitir – e a Globo, é claro, tem preferência.

Por seu acordo com a Fifa, a Sony irá montar toda a infraestrutura de TV dos jogos: câmeras, transmissores e links nos estádios. O material servirá para produção do “filme oficial da Copa'”, que a Fifa pretende comercializar no mundo inteiro a partir de setembro. A Globo fará a captação, com suas ilhas de edição já preparadas para 4K. Também a Globosat adquiriu da Sony um equipamento de recepção em UHD, mas ainda não decidiu se levará isso ao ar, em parceria com uma das operadoras de TV paga que distribuem seus canais; vale lembrar que, na Copa de 2010, a Net fez transmissões de alguns jogos em 3D, novidade na época.

Estamos aguardando mais detalhes a respeito e, claro, atualizaremos aqui.

Devialet, agora com show-room

devialet show roomFomos conhecer na semana passada o show-room da Devialet em São Paulo. A marca francesa é uma das mais badaladas atualmente no segmento de áudio high-end, após criar uma solução híbrida (digital+analógica) de processamento digital. Nesta semana, a empresa foi uma das atrações do High-End Show de Munique, onde exibiu sua nova linha de amplificadores integrados com ADH (Analog Digital Hybrid), agora introduzindo um software de processamento chamado SAM.

A proposta dos franceses, saudada por grande parte das publicações de áudio internacionais, é resgatar a pureza do som analógico a partir das fontes digitais usadas atualmente. Segundo eles, a tecnologia ADH, patenteada em 2010, utiliza dois sistemas de amplificação trabalhando em paralelo: são quatro módulos digitais e um analógico; os quatro fornecem a alimentação e em seguida o estágio analógico corrige as distorções para entregar às caixas o som original, em estéreo, preservado (neste vídeo, está a explicação ilustrada). A teoria é de que o amplificador analógico, livre da missão de carregar potência elétrica, pode executar melhor seu trabalho, eliminando as impurezas do sinal digitalizado.

Ainda de acordo com a descrição da Devialet, o processador SAM adapta o sinal às características da caixa acústica. Carlos De La Fuente, que junto com sua esposa Fabiana Dib é responsável pela marca no Brasil, me explicou que antes do lançamento foram feitos inúmeros testes com tipos variados de caixas. O amplificador híbrido pode ser ligado indistintamente a fontes de áudio digital, incluindo computadores e smartphones, via rede Ethernet, e produz música para audiófilo nenhum encontrar defeito (este vídeo é uma pequena amostra).

devialet1No Brasil, estão disponíveis quatro versões do Devialet (foto), com seu design peculiar clean, variando a potência e, claro, o preço. O modelo de entrada, com 100W, está na faixa de R$ 27 mil. Para quem quiser conhecer o show-room e ouvir a novidade, recomendo marcar hora, pelos telefones (11) 5051-4049 e 5052-0219. Vale a pena.

Um novo marco em áudio e vídeo?

A feira TecnoMultimedia InfoComm Brasil, realizada esta semana em São Paulo, já pode ser considerada um marco no segmento. Não temos ainda informações sobre possíveis negócios fechados no evento, nem sobre o perfil do público visitante, boa parte originário de outra feira que aconteceu no mesmo pavilhão, a Exposec, dedicada ao setor de segurança. Mas a presença de grandes marcas, todas expondo produtos inéditos no Brasil, e o entusiasmo demonstrado pelos profissionais presentes indicam que podemos ter agora uma nova realidade no mercado brasileiro de áudio e vídeo profissional.

Para quem não esteve lá, ou quem eventualmente não esteja familiarizado com esse setor, é importante lembrar que o termo “profissional”, no caso, é abrangente. Estamos falando de soluções voltadas a projetos que facilitam o uso da tecnologia em empresas (indústria, comércio, serviços) e também em espaços de uso público (hotéis, hospitais, escolas, centrais de controle, shoppings), além de órgãos governamentais. São tecnologias como sistemas de projeção, displays, controles, automação, redes (com e sem fio), proteção elétrica, distribuição de sinais, controle de energia, videoconferência, som ambiente…

Assim como já tínhamos notado no setor de automação residencial e predial, empresas dessas áreas – que se unem sob o conceito que chamamos “tecnologia corporativa” – vêm se espalhando pelo Brasil. Há muito investimento estrangeiro, e também uma infinidade de pequenas e médias empresas nacionais dedicadas a essas soluções. A necessidade de atualização tecnológica é um fato para quase todos os empesários, e a chegada dessas “novidades” só irá fazer bem a quem atua na área.

Faltam apenas dois componentes, que poderiam fechar esse círculo virtuoso de desenvolvimento no país: preparar mão-de-obra mais qualificada e fugir da armadilha do controle governamental. O primeiro item caminha, embora a passos mais lentos do que todos gostaríamos. Quanto ao segundo, como sabemos todos, a sanha tributária e burocratizante já nos fez perder décadas de avanços, amargando prejuízos – alguns destes podem ser calculados em números, outros são menos tangíveis, pois se expressam na falta de competitividade e na incompetência do país para executar projetos de interesse público.

Tomara que estejamos mesmo, e apesar das políticas oficiais, entrando numa nova era.

4G de graça: acredite se quiser

Enquanto a Anatel prepara o leilão da faixa de 700MHz, previsto para agosto, a área econômica do governo faz as contas, prevendo arrecadar cerca de R$ 8 bilhões. Parte das frequências será usada pelas emissoras de TV para digitalizar seus canais analógicos, e parte ficará com as operadoras de celular para as futuras redes 4G, como já comentamos aqui.

A novidade é que as teles agora não querem mais pagar por esse valioso espectro. Num evento sobre redes no Rio, o Sinditelebrasil – que as representa – defendeu que o leilão não seja “arrecadatório”, ou seja, que as frequências lhes sejam entregues de graça. Simples assim. “Apelamos no sentido de fazermos um leilão que contemple mais a sociedade do que a arrecadação do Estado”, disse o diretor-executivo da entidade, Eduardo Levy.

Até há pouco tempo, as teles ainda alimentavam esperanças de convencer a Anatel a ratear o custo de implantação das redes 4G, para não terem que bancar a correção das já famosas interferências sobre o sinal de TV digital. Não deu certo: o governo perfila-se ao lado das emissoras. Agora, vem o argumento de que as teles “já pagaram” pela faixa de 2,5GHz (a rede 4G que funciona em algumas cidades).

É talvez sua última cartada nessa disputa (vejam aqui o vídeo). Se a conta sair por menos de R$ 8 bi, elas já estarão no lucro. Vamos ver se o governo Dilma, com suas finanças esfareladas, aceita esse jogo.