Banda larga, perna curta

Cerca de um mês atrás, comentamos aqui sobre o plano anunciado pela então candidata Dilma Roussef, de espalhar redes de fibra óptica “pelo país inteiro”. Mais específico, o site da candidata falava do Programa Banda Larga para Todos, prometendo “cobertura de 90% dos domicílios brasileiros até 2018”. Era uma utopia, como sabe qualquer pessoa medianamente informada sobre o assunto – na verdade, mais uma falsa promessa de campanha.

Agora, o próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, se encarrega de desmentir sua chefe. Ao site Convergência Digital, o ministro disse que aquilo foi “um erro” da campanha. “A promessa é de fibra óptica em 90% dos municípios, e não dos domicílios”, corrigiu Bernardo, que informou ter pedido correção dos dados (segundo o site, até esta quarta-feira a informação errada continuava lá). “Fibra óptica em 100% dos domicílios provavelmente custaria R$ 400 ou R$ 500 bilhões”, calcula o ministro.

Para reafirmar a velha história de que mentira tem perna curta, coube a um subordinado do ministro – Artur Coimbra, diretor de banda larga do Ministério – colocar as coisas em termos mais realistas. Falando a uma comissão do Senado, Coimbra disse que o plano prevê levar fibra a 45% dos domicílios, sem especificar a quantidade de municípios. Considerando que esse plano é o que restou do célebre PNBL, lançado ainda pelo presidente Lula em 2010 (leiam aqui, aqui e aqui), conclui-se que a promessa da presidente é apenas isso – uma promessa.

Em tempo: o site da consultoria Teleco, grande autoridade no assunto, informa que até agosto havia cerca de 23 milhões de acessos de banda larga, entre fibra e cabo coaxial, equivalente a 11% da população (11,6 acessos para cada grupo de 100 habitantes).

4 comentarios para Banda larga, perna curta

  1. WALTER A. CARNEIRO 06/11/2014 at 8:22 am #

    Não querendo ser mais chato do que já sou, vou aqui dar uma opinião ao Governo que resolveria boa parte do problema da tal “Inclusão Digital” ,via internet, aos brasileiros. Simples assim: basta o Governo publicar uma Lei, oriunda do Senado Federal, que obrigaria todos os Shopping Centers do País a disponibilizar GRATUITAMENTE, nas suas Praças de Alimentação, o acesso à Internet via Wi-Fi, com um mínimo de 80Mgb, sem necessidade do consumidor implorar pela senha de acesso. Pela Lei em questão seria dado um prazo de um a três anos para que isto pudesse ser implementado na sua totalidade, começando com obrigação de 20Mgb no primeiro ano, 40Mgb no segundo e 80Mgb a partir do terceiro ano da implementação. Pronto, todos sairiam ganhando: Os Shoppings atrairiam mais consumidores através de suas Praças de Alimentação que por sua vez venderiam mais alimentos aos internautas famintos. Aqui em Uberlândia/MG já temos algo parecido via CTBC/Algar-Telecon, que disponibilizam Wi-Fi em vários pontos da cidade e nos Shoppings Centers, mas, em contrapartida, eles ainda exigem que o interessado faça um cadastramento prévio desde que já possua algum pacote deles, no meu caso tenho Internet com 20Mgb, cuja exigência vem a ser um entrave à popularização da tal “inclusão digital”, mas devemos reconhecer que já é um bom começo e exemplo a seguir pelos demais.

  2. Rubens 17/11/2014 at 4:10 pm #

    Sério, Walter Carneiro?… Sua “solucao magica” é obrigar OS OUTROS a pagarem por sua conexao sem fio (ou “dar de graça no shoppings”)?… Vou aproveitar então é pedir uma Lei magica que obrigue as lanchonetes e restaurantes dos shoppings do país a darem comida de graça tambem… “Pronto, todos sairiam ganhando: Os Shoppings atrairiam mais consumidores através de suas Praças de Alimentação, com isso venderia mais mercadorias nas lojas aos internautas, e o problema da fome estaria resolvido!”

  3. Rubens 17/11/2014 at 4:13 pm #

    Orlando Barrozo escreceu:
    > o site da consultoria Teleco, grande autoridade no assunto,
    > informa que até agosto havia cerca de 23 milhões de acessos
    > de banda larga, entre fibra e cabo coaxial

    Se o site Teleco disse mesmo isso, errou e feio. A maioria das conexoes fixas no Brasil ainda sao trazidas por um par de fios de cobre da conexao telefonica tradicional (as quais nao sao cabo coaxial, muito menos fibra optica).

  4. WALTER A. CARNEIRO 27/11/2014 at 7:50 pm #

    Rubens, você está ainda vivendo no século 20?. Com os preços aviltados dos produtos que pagamos, lanches, ida aos restaurantes, impostos superlativados, etc. etc., etc., nada mais justo que o consumidor possa ter algum “mimo” tal como, estando numa praça de alimentação, por exemplo, poder dispor de acesso a WEB de GRAÇA MESMO!!!, Por quê NÃO?!!??. Tenho certeza de que até você, ainda no século 20, adora poder navegar na WEB com seu SmartPhone, Tablet, etc., usando a WEB alheia disponibilizada de graça em pontos estratégicos da cidade. Em New York a prefeitura vai disponibilizar a WEB de graça em toda a cidade a partir de 2015, e porque eles podem e “nóis” aqui não? Só por causa de pessoas “conservadoras” como você que acha que o consumidor e pagante dos mais altos tributos do mundo não merece esse “mimo”, que é comum em países de PRIMEIRO MUNDO? Valha-me Deus! Com pessoas pensantes como você nesse lindo Brasil ainda vamos continuar sendo uma colônia Portuguesa, Européia, Americana, dos Japão, dos Chineses, dos Coreanos, e por aí vai. Nunca vamos conseguir nos libertar dos laços do colonialismo estrangeiro pensando como escravos, que só merecem ainda os restos dos porcos para fazermos nossa maravilhosa feijoada do fim de semana. Não sei em que parte maravilhosa do Brasil você reside, por isso talvez ainda não saiba que a prefeitura de São Paulo está instalando WEB de graça em vários pontos da cidade, sem comida grátis ainda, claro!. Já pensou se a moda pegar nas maiores cidades do País? Abra os seus olhos, POR FAVOR!!!

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