Archive | julho, 2015

Na linha de frente do atraso

Lamentável a decisão do governo brasileiro de ficar fora do Tratado Internacional de Tecnologia da Informação, o chamado ITA. Por mais que pareça distante do nosso dia-a-dia, esse acordo – que envolve 80 países, incluindo quase todos os do Primeiro Mundo – é de extraordinária importância, principalmente para uma nação que precisa desesperadamente de investimentos. Mais uma vez, no entanto, o ideologismo tacanho dos governantes (e de muitos empresários que vivem à sombra deles) parece ter vencido.

Para quem não vem acompanhando, o ITA propõe que os países eliminem ou reduzam barreiras alfandegárias e tarifas de importação de produtos eletrônicos. Vinha sendo negociado há cerca de vinte anos dentro da OMC (Organização Mundial do Comércio), que por sinal hoje é dirigida por um brasileiro, Roberto Azevedo. Lá está quase toda a União Europeia, mais Estados Unidos, China e Coreia do Sul, que somados representam “apenas” 97% do comércio mundial de eletrônicos. Segundo a OMC, esse é um mercado de US$ 4 trilhões!!!

Antes de sair culpando somente o governo Dilma e sua desastrada política externa, é bom lembrar que houve muita pressão de setores do empresariado brasileiro para o país ficar fora do acordo. “Nunca quisemos participar do ITA”, disse à Folha de São Paulo o presidente da Abinee, Humberto Barbato. “Se isso acontecesse, praticamente não teríamos mais indústria eletroeletrônica no país”, enfatizou ele, repetindo um bordão que lembra os piores momentos da reserva de mercado dos anos 70/80.

Então, ficamos assim: o Brasil continua com suas tarifas, enquanto os outros países negociam entre si e nós ficamos assistindo.

As leis dos mais fortes

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Nesta quinta-feira, foram anunciados os finalistas do prêmio Emmy, o chamado “Oscar da TV”. E, como no ano passado, duas empresas de internet se destacaram: Netflix e Amazon. Deixaram de ser meras distribuidoras de conteúdos e se transformaram em produtoras (ou coprodutoras, dependendo da ocasião), inclusive com estúdios próprios em Hollywood, Nova York etc.

Se alguém deduziu que isso significa uma tremenda mudança na indústria do entretenimento, acertou. A cada nova temporada de House of Cards ou Orange Is The New Black, confirma-se que o poder nessa área está mudando de mãos.

Só há um problema: o lucro (ou falta de). Já vimos esse filme antes – aliás, poderia ser uma série em dezenas de capítulos. Empresas de internet expandem incrivelmente sua audiência, atraem investimentos “no futuro”, mas continuam no vermelho. Assim funciona o YouTube, por exemplo.

Esta semana, a Netflix anunciou seus números do segundo trimestre: 65 milhões de assinantes (ano passado, era 52 milhões), sendo 23 milhões fora dos EUA; aumento de 22% no faturamento (US$ 1,64 bilhão); e queda de 63% no lucro operacional (US$ 26 milhões).

Diz o CEO e fundador da empresa, Reed Hastings, que por enquanto a ideia é investir em conteúdos próprios – como as duas séries citadas – e que só a partir de 2016 é que os investidores poderão pensar em recuperar seu dinheiro.

É um discurso corajoso, e raro na indústria, de alguém que pelo visto sabe o que está falando e com quem está lidando. Vamos ver os próximos episódios.

Para onde vão os investimentos?

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Não sei se um país onde milhões de pessoas passam fome, animais passeiam livremente sujando as ruas e onde cerca de 60% das casas não têm saneamento… bem, como dizia, não sei se um lugar assim pode servir de parâmetro. Mas, pelo que leio dos economistas, a Índia é o único entre os BRICs que continua atraindo investimentos e melhorando sua infraestrutura. Infelizmente para nós, brasileiros, é para lá que estão se voltando chineses, coreanos e até americanos com capital para apostar no futuro.

O Brasil, pelo visto, perdeu também essa bola da vez. Nesta terça-feira, o magnata Terry Gou (foto) – dono do conglomerado Foxconn – anunciou planos de instalar nada menos do que dez, talvez doze, fábricas em território indiano nos próximos cinco anos. A informação é do site Digitimes, especializado em tecnologia.

Para quem não se lembra, mr. Gou é o mesmo que, em 2012, apareceu em fotos ao lado da presidente Dilma Roussef e do então ministro de Ciência e Tecnologia, Aloisio Mercadante, prometendo investir US$ 12 bilhões em fábricas no Brasil. Como apontamos na época, o empresário taiwanês jamais citou tais números, que eram pura invenção do marketing governamental.

Passaram-se os anos e a Foxconn continua com uma unidade de médio porte em Jundiaí (SP), produzindo componentes, embora continue sendo uma potência do setor na Ásia. O grupo é o maior exportador de toda a China (responde por 9% de tudo que o país vende para o Exterior). É ainda a principal fornecedora da Apple e da hoje badalada Xiaomi. Enquanto isso, a promessa de Dilma e Mercadante de produzir aqui um iPad mais barato do que o original entrou para a antologia das ficções políticas.

O dinheiro da Foxconn, que certamente ajudaria muito o Brasil, acabou indo para outros países, como Índia, Indonésia e até Vietnam, onde a infraestrutura é menos deficiente, a tributação não é tão acintosa e a burocracia não atrapalha tanto. E onde os governos são levados minimamente a sério.

Recordo que, na época, mr. Gou deu até entrevistas criticando os trabalhadores brasileiros, que para ele não tinham qualificação – acusação que acabou sem resposta do governo brasileiro.

Pro AV: mais uma chance de aprender

crestron RL“Pro AV” é como se define, genericamente, o segmento de produtos, serviços e projetos para empresas, edifícios, instalações comerciais e espaços públicos. É um mercado gigantesco, muito maior que o residencial, e que hoje sustenta milhares de empregos. Com a globalização, e a chegada ao Brasil de tantas corporações estrangeiras, era natural que o setor ganhasse corpo: a demanda por serviços especializados de tecnologia não para de crescer.

É justamente para profissionais que atuam nessa área, ou que queiram migrar, que vai acontecer em agosto o 1° Pro AV Workshop, promovido em parceria pelo nosso site Business Tech (totalmente focado no segmento) e pela SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão). A SET, como se sabe, organiza sempre no mês de agosto o SET Expo, feira e congresso que reúnem centenas de empresas e milhares de profissionais de broadcast. Este ano, a ideia foi abrir um espaço nobre ao setor de Pro AV, que tem algumas sinergias importantes com o mundo da televisão.

Serão seis sessões temáticas de aproximadamente duas horas cada (um dia e meio de trabalho), nas quais grupos de especialistas – escolhidos entre as empresas mais atuantes em Pro AV – irão contar suas experiências, e eventuais cases, e debater as atuais tendências no segmento. As discussões envolverão temas que todo profissional de hoje precisa conhecer, e estar atualizado a respeito, como “automação e colaboração em ambientes corporativos”, “sinalização digital”, “sistemas de conexão e distribuição de sinal”, “sonorização de ambientes” e por aí.

Será nos dias 24 e 25 de agosto, dentro do SET Expo, no Expo Center Norte, em São Paulo. A programação completa e a ficha de inscrição (obrigatória) estão neste link.

Apenas um lembrete, sobre uma questão que já nos foi trazida algumas vezes. O 1° Pro AV Workshop segue a proposta de eventos que temos apoiado ao longo dos anos e que, desde o ano passado, vem sendo liderada no Brasil pela InfoComm. Trata-se de oferecer conhecimento de alto nível para os profissionais especializados, que precisam de qualificação constante. É uma prática que a SET se preocupa em manter, dentro do segmento broadcast, e que agora transforma-se em oportunidade também para quem atua em outros setores.

Mais cidades terão TV digital em 2016

Pouco mais de um mês após ser divulgado, já foi alterado o cronograma do switch-off, desligamento dos transmissores analógicos de televisão para implantação definitiva do sinal digital. Nada muito significativo, apenas um sinal de como essas coisas são improvisadas no Brasil.

Pensando bem, é significativo, sim, para quem mora nessas cidades, especialmente as famílias que continuam usando TV analógico e não fazem planos de (ou não podem) trocar tão cedo. As cidades adicionadas agora estão nas regiões metropolitanas de Brasilia, São Paulo e Belo Horizonte. Para poupar o leitor interessado de uma visita ao Diário Oficial da União, onde a medida foi publicada na semana passada, deixo aqui o link do site  Tela Viva, que traz um resumo.

Só para lembrar: o switch-off está marcado para começar, como teste, em novembro próximo na cidade de Rio Verde (Goiás). A partir de abril do ano que vem, prossegue nas capitais mencionadas acima e suas regiões metropolitanas. Vamos ficar atentos para ver se até lá não surgem novas alterações.

Vídeos em 8K na internet? Ainda não

ghost townsNas últimas semanas, houve certo frisson nos sites especializados em tecnologia, com a notícia de que o YouTube começou a veicular vídeos em resolução 8K (7.680 x 4.320 pixels). Quem tentou fazer o teste se deu mal: simplesmente, não há como, pelo simples fato de que ainda não existem câmeras com essa capacidade. Ou seja, as tais imagens 8K seriam, na melhor das hipóteses, produzidas artificialmente.

Na semana passada, o site 9t05Google descobriu com fontes da própria empresa (para quem não se lembra, o YouTube pertence à Google): foi apenas uma forma, digamos, ousada de chamar atenção para a melhor qualidade dos conteúdos exibidos pelo site, que cada vez mais se parece com um canal de televisão. O melhor desses vídeos chama-se Ghost Towns (foto). Foi gravado em 4K (3.840 x 2.160), manipulado com efeitos de computador e levado ao ar com upscaling para o que seria 8K.

Digo “seria” porque também não existem – a não ser em algumas emissoras de grande porte – displays capazes de reproduzir 8K. Os mais avançados atualmente são os 4K com acesso à internet via HDMI 2.0a e com decodificação HEVC 60P; ou os monitores Retina 5K, da Apple. Ainda assim, é complicado enxergar diferenças. Há necessidade de uma conexão de banda larga robusta, em torno de 100 Megabits por segundo! Caso contrário, o que se vê na tela, como lembrou um repórter do site, é algo parecido com um slideshow…

Para os curiosos, o site informa ainda que parte das imagens de Ghost Towns (clique aqui para ver um trailer) foram captadas com câmeras da marca RED, mod. Epic Dragon, que registra até 6K (7.680 x 2.160). E trabalhadas com o software After Effects, da Adobe.

Impostos: salve-se quem puder

Nunca antes na história deste país houve tantas reuniões em Brasilia para tratar das relações governo x empresas. Em meio à mais grave crise política dos últimos vinte anos, agravada por uma crise econômica para a qual ninguém vê saída a médio prazo, políticos, empresários, lobistas e funcionários do governo têm vivido dias frenéticos. Mesmo aqueles (poucos) que não se sentem ameaçados pelas investigações da Justiça temem pelo futuro.

No segmento de tecnologia, agravaram-se as desavenças entre governo, fabricantes e prestadores de serviço, muito em função do aumento da carga tributária. Como se sabe, no final de junho o Congresso aprovou a revisão da desoneração sobre a folha de pagamentos para o setor: quem paga hoje 1% passa a recolher 2%; e quem está em 2% sobe para 4,5%. Tudo em nome do ajuste fiscal.

Naturalmente, a gritaria vem sendo enorme (vejam aqui). Na semana passada, executivos das operadoras de telecom foram a Brasilia pressionar para que a situação não piore ainda mais: o governo pensa aumentar em nada menos do que 189% o Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações), que incide sobre as contas de telefone (detalhes neste link).

Querem mais? Dois anos atrás, na euforia eleitoral, o governo isentou de PIS, Cofins e IPI os investimentos em ampliação da rede de banda larga. Era o chamado REPNBL (Regime Especial de Tributação do Plano Nacional de Banda Larga). Muitas empresas acreditaram. Em doze meses, o Ministério das Comunicações aprovou um total de 1.048 projetos, que somam R$ 10,7 bilhões, segundo o site Convergência Digital. Agora, sempre em nome do superávit primário, o governo quer eliminar as isenções.

Telão de caminhão evita acidentes

caminhaoFalando em Samsung, vale uma menção a este novo “case” de marketing: na Argentina, caminhões da empresa estão circulando com um enorme display na traseira (na verdade, quatro displays montados como num videowall), que reproduz imagens captadas por uma câmera instalada na cabine frontal do veículo. As telas mostram, portanto, como está o tráfego à frente do caminhão. Nem é preciso buzinar, imagino, basta prestar atenção no telão para ultrapassar em segurança.

O país dos hermanos foi escolhido porque lá, segundo a Samsung, há muitas estradas de pista única e o índice de mortalidade é de quase uma pessoa por hora!!! A maioria é causada por ultrapassagens arriscadas. Não sei se existe essa estatística no Brasil, mas, considerando as vítimas do trânsito em geral, não deve estar muito longe.

Vejam neste vídeo: os caminhões circulam à noite com o display ligado e quem vem atrás pode se orientar perfeitamente.

Grande ideia! Pontos para quem pensou nisso.

ABNT: certificação ecológica em eletrônicos

Foi criado o primeiro “selo ecológico” para aparelhos eletrônicos no Brasil. Agora, produtos certificados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) terão um selo de identificação, confirmando que trazem menor impacto ao meio ambiente. Smartphones, tablets e impressoras da Samsung são os primeiros itens com essa certificação (denominada “Colibri”).

Ao divulgar a notícia, a Samsung informou que, segundo pesquisa do Ibope realizada em 2013, 70% dos brasileiros pagariam mais para adquirir produtos que não agridam a natureza. Diz ainda que já utiliza papel reciclado em 100% das embalagens dos smartphones Galaxy S6 e S6 Edge, além de 20% do plástico usado no carregador da bateria serem de material reciclado; na impressão de embalagens e manuais, a empresa trabalha com tinta de soja, e não com solventes de petróleo.

abntComo bem lembra o amigo Vinicius Barbosa Lima, esse selo – do qual se fala há mais de dez anos – é uma ótima notícia. Esperamos que seja de fato aplicado e respeitado. Curioso que a ABNT gosta de nomes de pássaros: seu rótulo anterior para produtos “verdes” chama-se Beija-flor.