Archive | agosto, 2015

Netflix: ataque de hackers em 4K

breaking badAté que não demorou muito: já foi detectado o primeiro ataque de hackers ao serviço 4K do Netflix. A notícia, divulgada pelo site especializado 4k.com, ainda não foi confirmada pela empresa (esta se negou a comentar o assunto), mas as evidências são difíceis de negar. O primeiro episódio da famosa série Breaking Bad, convertida para resolução Ultra-HD, vazou para a internet neste fim de semana e foi acessado por um site do tipo torrent cracker. Esse tipo de site coordena as atividades de diversos outros, cuja especialidade é compartilhar conteúdos não autorizados.

O problema, claro, não é a distribuição irregular do episódio em si, mas o fato de hackers terem conseguido invadir o Netflix, que é considerado um dos serviços mais protegidos do mundo. Desde abril do ano passado, quando começou a veicular House of Cards em 4K, a empresa tem investido muito em sistemas de encriptação. Por natureza, essa categoria de arquivo é dificílima de copiar.

O serviço 4K do Netflix, que oferece várias outras séries, utiliza a versão mais recente (2.2) do HDCP (High Bandwidth Content Protection), criada exatamente para prevenir a pirataria de conteúdos em Ultra Alta Definição.

Ainda segundo o 4k.com, um outro site de compartilhamento (Torrent Freak) informou que os hackers utilizaram a conexão HDMI, ou seja, com HDCP e tudo.

 

CES 2016 vai limitar visitantes

CESSerá mais complicado obter um ingresso para ver a CES em 2016. O evento mais concorrido da indústria eletrônica, que acontecerá em Las Vegas de 6 a 9 de janeiro próximo, terá mais restrições à entrada de público, por motivos de logística e segurança. A CEA (Consumer Electronics Association) anunciou que, em 2015, foi batido o recorde histórico de visitantes: 176.676 pessoas. O número, claro, inclui todo mundo que trabalha no evento, como jornalistas e executivos das empresas expositoras. Mas a entidade não quer que se repita.

“Não dá para acomodar tanta gente”, diz Karen Chupka, vice-presidente da CEA, como que admitindo os problemas que se repetem a cada ano. A CES se tornou a maior feira realizada nos EUA, país onde há praticamente um trade show por semana. Ocupa as instalações de quatro hotéis de Las Vegas, além do grandioso Convention Center. Falta comida, o sistema de transporte público torna-se caótico, as filas para taxi consomem horas e até a rede de comunicações dentro dos pavilhões – essencial, por exemplo, para a mídia – fica estrangulada, o que é no mínimo estranho no maior evento de tecnologia do planeta. Parece que até a prefeitura da cidade andou reclamando…

Solução: limitar as inscrições a “profissionais da indústria”, embora ninguém explique quem merece entrar nessa categoria. Há rumores de que tudo não passa de estratégia de marketing, para aumentar o apetite dos expositores. Pode ser. A CEA já anunciou que o evento em 2016 terá dois pavilhões a mais: para tecnologias voltadas às áreas de beleza e cuidados com as crianças (baby care). Onde vai caber tanta gente?

Globo quer discutir 4K

Ainda sobre o Congresso da SET, que se realiza esta semana em São Paulo, um dos momentos marcantes foi o Fórum de Negócios sobre o futuro da televisão brasileira. Como se sabe, o país está em vias de iniciar o processo de switch-off e ainda estão no ar (sem trocadilho) inúmeras dúvidas. No evento, o diretor de tecnologia da Rede Globo, Raymundo Barros, foi quem levantou o tema para discussão.

Barros acha que não se pode pensar em TV Digital sem levar em conta a chegada da Ultra Alta Definição. “Estamos atrasados: nem as emissoras nem o governo sabem como serão as transmissões em 4K”, disse ele, propondo que se inicie o quanto antes um debate sobre o assunto. “As novas plataformas de distribuição de conteúdo já são em UHD. Até 2018, a maior parte da produção da Globo será nessa tecnologia.”

De fato, o próprio Fórum SBTVD, formado por emissoras e fabricantes, não sabe como conduzir a questão, que naturalmente passa por grandes investimentos e uma nova regulamentação. Barros estima que, em 2016, o número de TVs 4K instalados no Brasil será próximo do que eram os TVs HD em 2007, quando começaram as transmissões digitais. A diferença é que, na época, as empresas já tinham seu planejamento para a mudança.

A situação econômica certamente não ajuda: todas as emissoras vêm cortando custos, demitindo inclusive profissionais da área técnica, e algumas suspendendo investimentos. Por sinal, uma das notícias mais comentadas do SET Expo foi o rompimento entre a Band e a empresa de pesquisas GfK, concorrente do Ibope. O motivo seria a situação financeira da emissora (mais detalhes aqui).

Workshop planta uma semente

workshopRealizamos esta semana, no Expo Center Norte (SP), a primeira edição do Pro AV Workshop. Graças a uma parceria com a SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), o evento foi incluído na programação do SET Expo, feira e congresso mais importantes do segmento de broadcast. A sinergia entre os dois mundos (televisão e AV) é total.

Quem não esteve presente perdeu a chance de aprender mais sobre o mercado de áudio/vídeo profissional, que hoje – e cada vez mais – adota as tecnologias de telecom e automação. Os palestrantes foram executivos de Samsung, LG, Philips, Harman, Crestron, Christie, Bose, Biamp, Sharp, Cisco e Kramer, além das brasileiras Discabos, Absolute Acoustics e Visual Farm. Tivemos ainda representantes da japonesa TOA e da inglesa Solid State Logic, que hoje pertence ao músico Peter Gabriel; ambas têm alto prestígio em áudio profissional.

O Workshop também foi encampado pela InfoComm, através de seu representante no Brasil, Nelson Baumgratz, que atuou como moderador em dois dos seis painéis que compuseram o evento. E pela HDBaseT Alliance, que enviou Roberto Saidon para participar como palestrante. Assim, foi plantada uma semente: disseminar conhecimento técnico para integradores e demais profissionais da área.

Vamos trabalhar agora para fazer a semente germinar. Acompanhem essa evolução pelo site Business Tech.

Venda de mídias digitais avança

Saiu mais um relatório trimestral do DEG (Digital Entertainment Group), entidade que coordena os números dos distribuidores de conteúdo em vídeo. Nenhuma novidade que os meios digitais estão avançando, mas agora, pela primeira vez na história, a receita da distribuição online acaba de ultrapassar a de itens físicos.

Para quem não está familiarizado com a terminologia, “físicos” são considerados discos, fitas e demais dispositivos que contêm conteúdos de entretenimento, como filmes, shows, séries, documentários etc. No campo “digital, são classificados esses mesmos conteúdos quando utilizada a internet, ou seja, downloads, streamings e as variadas formas de assinatura online. Os números se referem basicamente ao mercado americano.

No segundo trimestre do ano, o faturamento das produtoras com mídias físicas chegou a US$ 2 bilhões, uma queda de 12% em relação a junho de 2014; enquanto isso, as vendas digitais subiram 19%. Dois anos atrás, nada menos do que 62% do consumo era feito via discos (compra, locação ou assinatura); hoje, esse hábito corresponde a 48%. Inverteu-se a pirâmide.

Uma mudança importante no comportamento do consumidor: na época dos discos (já podemos falar que passou…), as vendas eram mais altas nas “datas gordas”, como Natal, Dia das Crianças etc. No domínio digital, há pouca sazonalidade: todo mundo compra (ou aluga) no mesmo ritmo durante o ano inteiro.

Impressionantes os números do chamado SVoD, categoria na qual são classificados serviços como Netflix: entre abril e junho, somaram US$ 1,2 bilhão, quase empatando com US$ 1,65 bilhão das vendas físicas.

E uma péssima notícia para quem (ainda) possui uma videolocadora: esse mercado é hoje apenas um terço do que era em 2013! Vejam abaixo os dois gráficos:

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Cuidado para não ser engolido

Dropcam_Lens_PalmTodo mundo sabe que, quando se fala em tecnologia, especialmente o marketing relacionado à tecnologia, os americanos estão anos à frente. Podem até não ter os melhores produtos do mundo, mas ninguém os supera na hora vender e conquistar o consumidor. Por isso também, vale a pena prestar atenção no debate que acontece por lá atualmente, envolvendo o crescimento dos serviços digitais e seu impacto sobre as formas tradicionais de se fazer negócio. Importante: vale principalmente para quem é projetista ou instalador (ou seja, prestador de serviço) e ainda não entendeu a mudança.

O artigo – que em breve replicaremos aqui – é de Joseph Kolchinsky, especialista em projetos digitais, e foi publicado no excelente site CE Pro (para quem domina o inglês, segue o link). Em resumo, afirma que a maioria dos profissionais de áudio/vídeo/automação está sendo “engolida” pelo Vale do Silício. A tal “convergência” seria uma via de mão única, com empresas como Google e Apple tomando conta do cenário. E pior: muitos dos atingidos não estão percebendo.

A ideia de Kolchinsky é que certos produtos (e ele cita o termostato Nest, o padrão de comunicação AirPlay e a microcâmerca de segurança Dropcam) simbolizam a nova categoria de servidos digitais que tendem a roubar espaço dos instaladores profissionais. “Esses produtos estão substituindo soluções convencionais porque entendem perfeitamente a experiência do usuário”, diz o texto. “E, no entanto, ainda não vi nenhum fabricante tradicional apresentar uma solução que ofereça alternativas ao consumidor.”

E segue em frente, citando exemplos como os carros da Tesla, que superam (em termos de eficiência, custo e serviços) os modelos equivalentes de uma GM ou BMW; o já polêmico Uber, que está desmontando o sistema usual de transportes; e vários outros negócios que estão aparecendo mundo afora, seguindo o mesmo conceito: “tecnologia como serviço”.

Para todo mundo que está se queixando da falta de clientes, pensar e estudar a respeito é fundamental.

OTT: como enfrentar esse inimigo

Se, para operadoras e programadoras, é complicado enfrentar a concorrência do Netflix e dos demais serviços de vídeo pela internet (os chamados OTT), que dizer das telefônicas diante do fenômeno WhatsApp? Foi a pergunta levantada pelo presidente da Vivo, Amos Genish, durante debate na ABTA 2015, que acompanhamos esta semana em São Paulo. A pergunta, naturalmente, ficou sem resposta. Ninguém sabe.

No encontro, Genish e o presidente da América Móvil, José Félix, apontaram o excesso de tributação e de regulação como os principais gargalos do mercado. Lembraram que, na Argentina, a penetração da TV por assinatura é de 80%; na América Latina como um todo, 45%; no Brasil, 30%. “Precisamos dar um jeito de baixar o custo para o usuário”, disse Genish, que não aceita o argumento de que a crise econômica é que está segurando o mercado.

Por sua vez, Félix foi duro contra o governo. “Como empresa, estamos ignorando a crise”, afirmou. “Acabamos de lançar um novo satélite e vamos investir mais para reverter a perda de assinantes que houve nos últimos meses. Enquanto isso, os governos estaduais parecem alienados da realidade e aumentam o ICMS”, ironizou, lembrando que o serviço de TV paga possui 1.600 regras legais, uma legislação que não existe em nenhum outro país.

Segundo Genish, os serviços OTT não regulamentados fazem “o pior tipo de pirataria que existe”, opinião compartilhada por dez entre dez executivos do setor. O próprio presidente da Anatel, João Rezende, que participou do encontro, admitiu não ter uma solução para o problema, já que é impossível fiscalizar a internet.

No fundo, Netflix, WhatsApp, Google, Uber etc. são todos filhos da mesma mãe: aquela que se convencionou chamar de “neutralidade da rede”. Todo mundo a defende, até o momento em que sente seus efeitos na pele (e no bolso).

HiSense agora é a dona da Sharp

Hisense

 

Nem Samsung, nem Foxconn: a nova proprietária da Sharp, uma das marcas mundiais mais identificadas com o produto TV (ainda), é a chinesa HiSense. O negócio foi confirmado nesta segunda-feira. Os chineses pagarão US$ 23,7 milhões pela fábrica da Sharp no México, que abastece os EUA e toda a América Latina, e também pelo uso da marca em todo o continente; Europa e Ásia, por enquanto, continuam em poder da Sharp Corporation.

Já tínhamos comentado aqui sobre as tratativas do grupo japonês com a Samsung e a Foxconn. Ambos tinham interesse em assumir a marca, mas não chegaram a um acordo. A crise que começou em 2008 fez várias vítimas na indústria eletrônica japonesa – sem falar que o tsunami de 2011 abalou mais ainda o mercado local. Nos últimos anos, a Sharp teve que buscar empréstimos junto a bancos de vários países, mas agora o fôlego parece ter acabado. O grupo, no entanto, continua forte no Japão e em alguns países europeus, com suas copiadoras e eletrodomésticos.

Já o HiSense é um dos grupos eletrônicos que mais vêm crescendo e está hoje entre os três maiores da China. Até pouco tempo atrás, apenas fabricava para outros, mas nos últimos anos tem conseguido colocar sua marca em diversos países. Seu maior objetivo, claro, é uma presença mais forte nos EUA. Teve destaque na IFA 2014 (vejam este vídeo) e agora, talvez usando a marca Sharp, deve crescer mais ainda.

Sony sai das vendas online

loja sonyEnquanto a maioria das empresas mergulha no mundo online, a Sony anuncia exatamente o contrário: está desativando sua loja virtual internacional (store.sony.com). Ainda não sabemos o que acontecerá com o site de compras brasileiro, mas a medida anunciada neste fim de semana vale para o mercado americano (pedidos só serão aceitos até dia 28 de agosto). Na Europa, existem ainda dezenas, identificadas como “Sony Centre”.

O corte faz parte de uma ampla reestruturação, na qual a Sony fechou nove de suas dez lojas físicas em território americano. A única que resta é a de Nova York, que fica no piso térreo do Sony Tower, no centro de Manhattan – aliás, o edifício-ícone foi sede da empresa durante anos e abrigou um espetacular museu de tecnologia; foi vendido há cerca de dois anos para uma incorporadora, que pagou US$ 1,1 bilhão e pretende construir ali um hotel de luxo. Ou seja, a loja Sony mais famosa também está com os dias contados.

A empresa anunciou que, em lugar de um site de vendas, irá construir outro, mais informativo, e reforçar os acordos operacionais com seus revendedores. Segundo o site Twice, a rede Sony Style chegou a ter 59 endereços em 2008, quando faturava cerca de US$ 1 bilhão por ano (chegou a estar entre as 20 maiores cadeias de varejo dos EUA).

Curiosamente, a notícia sai alguns dias após a Sony ter anunciado seu primeiro balanço positivo em muitos anos. Graças às vendas do PlayStation 4, de dispositivos ópticos para câmeras (incluindo clientes como a Apple) e aos bons números do segmento de conteúdo (televisão e cinema), o grupo teve lucro operacional de US$ 676 milhões no primeiro trimestre, o que não é pouco. Mais curioso ainda é que, no mesmo período, as coreanas LG e Samsung apresentaram números negativos.

A semana da TV por assinatura

capa

 

 

Nesta terça-feira, começam em São Paulo a feira e o congresso da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura). Como temos feito desde 2011, produzimos para o evento uma “edição especial” da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que será distribuída aos visitantes e congressistas (vejam a capa). A edição faz um apanhado desse setor, que anos atrás chegou a ter crescimento na faixa de 30% anuais, mas que hoje também sofre os efeitos da crise econômica.

Além da crise, três são os temas que mais preocupam quem trabalha com TV por assinatura no Brasil. Primeiro, a obscena carga tributária, muitas vezes disfarçada entre as “contribuições” que as empresas são obrigadas a recolher; segundo, a burocracia político-estatal, simbolizada na figura (para muitos sinistra) da Ancine; e, terceiro, a concorrência dos serviços de internet, os chamados OTT (over-the-top). Há ainda um quarto problema, que merecerá um painel de debates durante o Congresso da ABTA: a pirataria de sinal.

Nada menos de 5 milhões de residências, aproximadamente, recebem sinal de TV fechada de forma ilegal. Como diz o presidente da ABTA, Oscar Simões, os tempos “românticos” do gatonet ficaram para trás; roubar e distribuir sinal dos canais pagos é hoje coisa de máfia internacional, tão ativa e bem organizada quanto o tráfico de drogas, por exemplo. “Um dos problemas da crise econômica é que muita gente pode cair na tentação de recorrer ao furto de sinal”, diz Simões, reconhecendo que a inadimplência aumentou entre os assinantes.

Durante a semana, vamos apurar e trazer aqui mais informações sobre o mercado de TV por assinatura e seu grande evento anual.