Archive | outubro, 2015

Mais uma operadora? Não tão cedo…

Um dos efeitos perversos da crise econômica brasileira é o de retardar decisões sobre investimento. E um setor particularmente afetado é o de telecom. As conversas de bastidor, envolvendo inclusive grandes fundos internacionais, esfriam quando se olha para Brasilia. O consenso é que, por enquanto, não há muito o que fazer. Além de conversar, é claro.

Os grupos Telecom Italia (Tim), TMar e Pactual (controladores da Oi) discutem uma possível fusão, aparentemente a única saída para as duas operadoras, hoje “espremidas” pelas gigantes América Móvil e Telefônica/Vivo. O caso da Oi é bem mais complicado, por causa de suas ligações com a Portugal Telecom – mais detalhes aqui. Há até um investidor russo na história.

Já a americana AT&T, que no ano passado assumiu o controle da DirecTV e tinha planos ambiciosos para o Brasil (onde comanda a Sky), parece ter congelado essa ideia. A Sky está sendo uma das mais atingidas pela inadimplência na TV por assinatura, até porque lidera o segmento DTH (satélite), que vinha sustentando o crescimento desse setor nos últimos anos. Boatos já indicam que o grupo pensa vender a Sky Brasil, mas o projeto da AT&T continua sendo entrar na telefonia celular, só que não agora.

Por ordem da matriz mexicana, a Claro desabilitou quase 1 milhão de assinantes de celular pré-pago no último trimestre (julho a setembro), além de sofrer impacto semelhante ao da Sky na TV por assinatura. O grupo América Móvil mandou segurar as contas.

E, por fim, a Nextel foi colocada à venda. O grupo NII Holdings já se desfez de suas operações no México e em três países sul-americanos, e busca comprador para o braço brasileiro, que acumula prejuízos. Nos EUA, o NII está em recuperação judicial, com dívidas de quase US$ 6 bilhões. Mais detalhes aqui.

Tudo isso em meio à alta do dólar, que afeta todo mundo. Invista-se com um barulho desses.

YouTube, agora um canal de TV

Na próxima quarta-feira (28), entra no ar nos EUA o YouTube Red, anunciado como o “canal de TV do YouTube”. Mesmo que você não goste, ou não tenha o hábito de assistir a vídeos ali, esse lançamento pode ter grande influência na sua vida. Ou, pelo menos, na vida de seus filhos. A aposta da Google, dona do YouTube, é que milhões de jovens adoram produzir e compartilhar seus próprios vídeos. Agora, terão um canal só para eles. E aceitarão pagar por isso.

O Red vai cobrar assinatura mensal na faixa de 10 dólares. Se apenas 10% das pessoas que acessam os vídeos ali concordarem em pagar, a empresa terá uma receita extra em torno de US$ 4 bilhões! Mais do que isso: o canal estará aberto para exibir vídeos de qualquer pessoa. E irá pagar por produções originais exclusivas. Num momento em que os jovens fogem da televisão tradicional (e mesmo da internet tradicional), essa pode ser uma grande sacada. A conferir.

TVs a laser: sobrou para quem comprou

mitsubishi-l75-a96-75-inch-1080p-3d-laservue-television-15081-MLB20094315742_052014-FLembram-se dos TVs LaserVue? Falamos sobre eles aqui algumas vezes. Eram TVs de retroprojeção, com painel óptico usando laser em lugar dos antigos raios catódicos. Foram lançados em 2008 e deixaram de ser fabricados em 2012 (mais detalhes aqui). Pois, na semana passada, a filial americana da Mitsubishi, dona da marca LaserVue, teve que aceitar uma inédita decisão judicial em favor dos poucos usuários que adquiriram esses TVs.

Segundo o site Twice, consumidores californianos se uniram numa ação judicial contra a empresa, devido aos defeitos dos TVs. Começou com um revendedor da marca que recebeu diversas queixas de clientes, principalmente sobre falhas no dispositivo óptico (os diodos de laser simplesmente queimavam…). Apesar da garantia em vigor, o fabricante parou de fornecer peças em 2012, e a revenda não tinha o que fazer.

A Justiça ordenou que a Mitsubishi reembolse todos os consumidores que comprovarem ter comprado um LaserVue (para isso, eles precisam se inscrever através de um site). Mas John Prawat, o tal revendedor que liderou a disputa,ainda não está satisfeito: quer ele também ser indenizado, por danos morais. A decisão final sai em novembro.

Olimpíada 2016 terá recorde de canais

Aquelas imagens fantásticas que vemos em toda Olimpíada poderão ser exibidas novamente, no ano que vem, em pelo menos 20 canais de televisão. Só a Globosat prepara 16 deles, dedicados 24 horas por dia à cobertura dos jogos. Em princípio, não haverá transmissão em 4K – o Comitê Olímpico Internacional acha que não há demanda para isso. A preocupação do COI é que a cobertura do evento seja o mais ampla possível, chegando até a locais onde não há televisão. Para isso, o trunfo é criar um canal oficial dos Jogos Olímpicos, mas online.

No entanto, quem sabe a Globosat consiga repetir a proeza do Rock in Rio, quando exibiu shows em 4K (e com áudio Dolby Atmos). No caso da Olimpíada, apesar de ser um evento muito mais complexo, há condições técnicas para isso pelo menos nas cerimônias de abertura e de encerramento. Recentemente, Guilherme Saraiva, diretor de novas tecnologias da empresa, confirmou o acordo com as operadoras NET e Claro HDTV para levar ao ar 16 canais em HD durante o evento; não falou em 4K, mas sabe-se que na Globo trabalha-se com essa possibilidade. Não para TV aberta.

Embora já esteja utilizando equipamentos 4K em novelas e minisséries, a cúpula da Globo não acredita que esse padrão seja viável em sinal aberto. A Globosat vem sendo estimulada a fazer experiências com 4K visando o mercado de pay-TV e até já produz alguns programas com essa qualidade. Muitos, aliás, podem ser assistidos via internet, usando o aplicativo Globosat Play 4K (vejam como funciona, neste vídeo). A aposta é que irá aumentar a oferta de conteúdos em 4K, mas na internet, não na TV linear.

Como mostramos neste artigo, faz todo sentido.

Panasonic reduz seu mercado de TVs

pana ceatecDurante a CEATEC, feira internacional de tecnologia que aconteceu no Japão no início do mês, a Panasonic – que tinha um dos maiores estandes do evento – anunciou uma mudança de estratégia para o mercado brasileiro. A repórter Denise Neuman, do jornal Valor Econômico, que estava presente, relatou as palavras do presidente da Panasonic do Brasil, Michikazu Matsushita: crescer com menos TVs e mais linha branca, além de apostar no segmento B2B (soluções para empresas).

A intenção, segundo ele, é diminuir a participação na linha marrom, que sempre foi o forte da Panasonic aqui, e ao mesmo tempo aproveitar o potencial de refrigeradores, lavadoras, fogões etc. Há três anos, o grupo abriu fábrica para isso na cidade de Extrema (MG), com incentivos do governo mineiro. “É um mercado com muito potencial”, diz Matsushita. “A penetração de máquinas de levar nas casas é de apenas 40%”.

Ele valoriza os ganhos de escala com a produção nacional, lembrando que sua capacidade de oferecer produtos diferenciados da concorrência é muito maior do que, por exemplo, em TVs, segmento em que os aparelhos são muito similares. A Panasonic foi uma das primeiras do setor eletroeletrônico a investir em tecnologias de redução do consumo de água e energia, ainda no final do século passado (vimos isso de perto no Japão, vejam aqui). E Matsushita acha que suas geladeiras e lavadoras podem atrair o consumidor por aí.

Saem os primeiros TVs com Dolby Vision

A marca americana Vizio, cujos produtos são inteiramente fabricados na China, é a primeira a lançar TVs com o logotipo “Dolby Vision”. Essa é a versão da Dolby para a tecnologia HDR (High Dynamic Range), desenvolvida para proporcionar mais contraste e maior intensidade na reprodução das cores. Como explicado aqui meses atrás, ainda há indefinições sobre o uso da codificação HDR, embora Samsung e LG, por exemplo, já tenham anunciado TVs com esse recurso. Enquanto isso, a Dolby se antecipou com a patente Dolby Vision, demonstrada no estande da Vizio, semana passada, na CEDIA Expo, em Dallas.

Basicamente, funciona sob o mesmo princípio: um algoritmo atua sobre o sinal de vídeo, ampliando a faixa dinâmica, o que resulta em mais contraste e maior profundidade de cores. A Vizio está lançando dois modelos – na verdade, um de 65″, para os mortais (preço sugerido: US$ 5.999 no mercado americano), e outro para milionários (120″, a US$ 129.999). São também os primeiros TVs com comunicação Wi-Fi a/c, bem mais rápida que a geração atual (Wi-Fi n). Os painéis, do tipo QD (Quantum Dot), são fornecidos pela Nanosys/3M.

A Dolby também anunciou na CEDIA que fechou acordo com a Warner para lançar uma série de filmes codificados em Dolby Vision, para serem baixados pela internet, como Homem de Aço, Júpiter e Mad Max; e que o mesmo deverá acontecer em breve com a Netflix.

Rede 4G só dura metade do tempo

Reportagem do jornal O Globo cita levantamento feito pela empresa britânica Open Signal, que teria pesquisado a qualidade das conexões 4G no Brasil. Bingo: o sinal das quatro principais operadoras fica indisponível mais da metade do tempo. Em 16% das vezes, os usuários não conseguem acessar nem o sinal 3G, caindo nas redes antigas (Edge e GPRS).

Apenas como curiosidade, diz o jornal, na Coreia o 4G está disponível em 95% do tempo, no Japão 86% e no México, 64%. A consultoria Teleco faz um mapeamento desse serviço no Brasil e no mundo (vejam aqui).

Blu-ray 4K chega mesmo este ano

panasonic-bluray2A Panasonic confirmou na CEATEC, feira de tecnologia que aconteceu semana passada no Japão, o lançamento do primeiro player Blu-ray para discos 4K. Chega em novembro ao mercado japonês, mas convém não se animar muito: a empresa anunciou que produzirá poucas unidades e que o preço final estará na casa de US$ 3.300!

Os visitantes da feira puderam ver de perto o aparelho (mod. DMR-UBZ1), embora ainda sem demonstração. É diferente daquele que havia sido mostrado na CES, em janeiro. A Samsung também chegou a exibir um protótipo na IFA, com previsão de lançamento em 2016. Já a Panasonic garante que colocará pelo menos 500 unidades nas lojas japonesas a partir do próximo dia 15, mesmo sabendo que quase não existem discos Blu-ray 4K. Além de tocar discos convencionais, o player possui memória interna de 3Terabytes, que permite gravar sinal de TV em 4K (no Japão, já existem canais transmitindo conteúdos desse tipo).

Não por acaso, a Panasonic exibiu em seu estande três modelos de filmadora 4K e uma nova linha de cabos HDMI, compatíveis com taxa de transferência (bit-rate) de 18Gbps.

Apple, Google e as marcas mais valiosas

brandsSaiu nesta terça-feira a versão 2015 do ranking Interbrand, que todo ano indica as marcas mais valiosas do mundo. Das dez primeiras, nada menos do que seis são do setor tecnológico, com Apple e Google em primeiro e segundo lugar, respectivamente. Mais uma demonstração, se é que era necessário, de como a tecnologia se tornou importante na vida das pesssoas.

Para se ter uma ideia, até cinco anos atrás a líder do ranking era a Coca-Cola, hoje terceira colocada. Na virada do milênio, dominavam a lista marcas como McDonald’s, Gillette, Marlboro, Colgate e Avon (as três últimas nem mais figuram entre as 100 Global Brands). Interbrand é uma consultoria pertencente ao grupo americano Omnicom. O ranking foi criado na década de 1970 e acabou virando referência para todo o mercado publicitário e financeiro. Estar entre as 100 significa valorização para qualquer empresa, assim como cair no ranking provoca quase sempre queda no valor das ações.

Oficialmente, são três os critérios de escolha: faturamento, grau de influência e fidelidade do consumidor. Só entram empresas abertas e com cobertura global: pelo menos 30% das vendas têm que vir de países diferentes daquele onde fica a sede, e é necessário estar presente em pelo menos três continentes. Além de Apple (com valor de mercado estimado em US$ 170 bilhões, 43% mais que no ano passado) e Google (US$ 120 bilhões), outras marcas tecnológicas indicadas são Microsoft (4° lugar), IBM (5°), Samsung (7°) e Amazon (10°) – esta pela primeira vez atinge o “top ten”.

Entre as marcas de eletrônicos de consumo, seguem-se Intel (14°), HP (18°), Facebook (23°), eBay (32°), Canon (40°), Philips (47°), Sony (58°), Panasonic (65°), Adobe (68°), Paypal (97°) e Lenovo (100°). Vejam aqui a lista completa, com o valor de mercado atribuído a cada marca.

Vale notar que a Volkswagen caiu quatro pontos em relação ao ano passado (35° lugar), e deve cair bem mais em 2016, após os recentes escândalos. Marcas valem muito, mas precisam ser bem cuidadas.

Switch-off da TV Digital será adiado

O governo desistiu de comprar briga com as emissoras de TV na questão da transição do padrão analógico para o digital (o chamado switch-off). O novo ministro das Comunicações, André Figueiredo, assumiu o cargo nesta terça-feira reconhecendo que não há alternativa a não ser adiar o cronograma, algo que seu antecessor, Ricardo Berzoini, jamais admitiu. Em tempos de guerra com o Congresso, a ordem no Palácio do Planalto é não criar mais pontos de atrito.

Como se sabe, o plano inicial era encerrar as transmissões analógicas em 2016, prazo depois adiado para 2018. Mas Minicom, Anatel e o Fórum SBTVD vêm empurrando as datas com a barriga há um bom tempo. O calendário previa que, em novembro, os transmissores analógicos seriam desligados na cidade de Rio Verde (Goiás), de 200 mil habitantes, escolhida como piloto do switch-off. Mas os estudos mais recentes indicam que somente 12 mil domicílios na cidade possuem um receptor digital; os demais ficariam sem qualquer sinal a partir do desligamento.

Assim, todo o cronograma terá de ser revisto. Para São Paulo e Rio de Janeiro, o prazo (maio de 2016) também não será cumprido. Na verdade, as emissoras não têm a menor pressa. Muitas afiliadas ainda não conseguiram trocar os transmissores e esperam pela ajuda do governo, só que o ajuste fiscal atropelou os planos de todos. A urgência é das operadoras de celular, que precisam das frequências para implantar as novas redes 4G. Mais exatamente: Claro, Tim, Vivo e Algar pagaram R$ 5,85 bilhões para isso, no leilão do ano passado.

Ninguém sabe agora o que irá acontecer. Certo, mesmo, é que os sinais digitais e analógicos ainda vão conviver por um bom tempo.