Archive | novembro, 2015

Vai que cola outra vez…

Uma das notícias mais importantes da semana passada foi o fechamento do serviço Mega Filmes HD, um dos mais ativos da pirataria brasileira. Na operação chamada Barba Negra (não sei como nem por que são escolhidos esses nomes…), a Polícia Federal prendeu sete pessoas acusadas de dirigir o site e interrogou outras cinco. Na pacata cidade de Cerquilho, interior de São Paulo, foi preso um casal que, pelas informações disponíveis, mantinha o serviço funcionando a partir de sua casa. Ali, os agentes apreenderam nada menos do que 150 mil arquivos de vídeo que eram comercializados ilegalmente pela internet. Entre eles, havia até filmes que nem foram lançados nos cinemas…

O casal faturava cerca de R$ 70 mil mensais; e as investigações continuam. Segundo o Estadão, o Mega Filmes HD era o maior site de filmes piratas da América Latina: em apenas 12 dias, em outubro, um único filme – a comédia brasileira Vai que Cola – foi acessada ali por mais de 350 mil pessoas. Como se sabe, o Brasil está entre os campeões mundiais do segmento. Os 50 maiores sites piratas do país tiveram 1 bilhão de acessos entre fevereiro e julho últimos.

O episódio mostra que esses serviços são coisa de quadrilha muito bem organizada, certamente com ramificações também fora do país. Mais do que música ou software, a distribuição ilegal de filmes que ainda não chegaram aos cinemas exige tecnologia avançada, e que é cada vez mais aprimorada. Mas, como nos demais casos (e vale também para drogas, armas etc.), a pirataria só existe quando há conivência dos usuários. Se os visitantes daqueles 50 sites agissem de modo mais digno, os criminosos perderiam sua fonte de renda.

Tristemente, muitos deles devem estar entre os que participam de passeatas contra a corrupção, votam em políticos como os citados no comentário anterior e/ou pedem a volta dos militares!

Ameaça às emissoras de políticos

O que há de comum entre políticos como Aécio Neves, Fernando Collor, Jader Barbalho, José Sarney, Edison Lobão, Tasso Jereissati e Agripino Maia? Vocês provavelmente já viram esses nomes envolvidos em escândalos de corrupção. Fora isso, eles são também “empresários de comunicação”. Emissoras de rádio e TV em vários estados são de sua ilustre propriedade, e o uso que fazem delas dispensa maiores comentários.

Pois agora, por iniciativa do Ministério Público Federal, estão sendo investigados. A intenção é nada menos do que cassar as licenças de funcionamento das emissoras que pertencem a 32 deputados e oito senadores, o que é expressamente proibido pela Constituição. Os senhores parlamentares não poderiam, se a lei fosse respeitada, sequer ser sócios de empresas que recebam concessão de radiodifusão. O motivo é simples: é o próprio Congresso que autoriza, ou seja, caso típico de legislar em causa própria.

Bem, nada disso é novidade. Há décadas se sabe como funcionam essas concessões. Presidentes e seus ministros de Comunicações vêm seguidamente desrespeitando essa legislação, coisa que em país sério levaria também a punições severas. Alguém pode então questionar por que, afinal, essa prática seria extinta agora. Claro, será uma batalha longa e penosa. O MPF promete levar a questão adiante, mas para isso precisa do apoio de todas as pessoas e entidades que se preocupam com a democracia (sim, é disso que estamos falando). Provavelmente essas notícias não sairão no rádio nem na televisão, mas para isso existem as outras mídias.

Essa é uma causa que vale a pena compartilhar. A lista dos parlamentares donos de empresas de mídia está nesta reportagem da Folha de São Paulo.

E vejam este pequeno histórico sobre o assunto, de autoria do veterano jornalista Alberto Dines, que denuncia as irregularidades.

 

Anatel mostra mais transparência

Nesta sexta-feira, a Anatel fugiu de seus hábitos e divulgou os números oficiais dos mercados de telefonia, banda larga e TV por assinatura, com dados individuais das prestadoras de serviço. Até agora, isso parecia um tabu na agência reguladora, como se fosse proibido informar ao distinto público quanto cada empresa vende. Não se sabe se é efeito da recessão, mas o fato é que agora podemos saber melhor a participação de cada grupo econômico nos serviços.

Focando na TV paga, como se esperava o panorama é sombrio. De março a setembro, o total de domicílios atendidos caiu quase 300 mil. Significa muito mais, porque essa é a soma de todas as famílias que deixaram o mercado, menos as novas assinaturas vendidas. A maior parte da redução aconteceu no segmento de DTH (TV via satélite), liderado pelas operadoras Sky, Claro, Oi e GVT. Já na TV a cabo, houve pequeno aumento (cerca de 100 mil domicílios), assim como na modalidade FTTH (fibra óptica), que saltou de 111 mil para 153 mil.

Na estatística por empresa, quase todas têm hoje menos assinantes do que no início do ano; a exceção é a Telefonica/Vivo, que como se sabe absorveu a GVT. Somadas, ambas tinham 1,729 milhão de assinantes em março, agora têm 1,836 milhão. O trio NET+Claro+Embratel soma 10,133 milhões (perdeu 133 mil), enquanto a Sky passou de 5,684 milhões para 5,607. Os dados completos estão neste link.

Internet das Coisas: onde mora o perigo

Talvez seja o assunto mais comentado hoje entre especialistas em tecnologia: IoT (sigla em inglês para “Internet das Coisas”). Com os aparelhos cada vez mais conectados, entre si e com hubs ou servidores na nuvem, esse mundo – que estava só na ficção científica – parece mais próximo. Quase todos os fabricantes afirmam estar desenvolvendo produtos para essa era em que será possível interligar, literalmente, tudo.

Bem, seria ótimo se fosse assim tão simples. Acaba de sair um estudo pioneiro da empresa russa Kaspersky, uma das líderes mundiais em segurança digital, mostrando que os aparelhos criados para IoT, pelo menos alguns deles, não são seguros; aliás, podem ser facilmente invadidos. Os técnicos da empresa usaram produtos que já estão à venda, como o pen-drive Chromecast, da Google, que promete acesso rápido e prático à internet e a possibilidade de transferir todo tipo de arquivo entre aparelhos diferentes. Testaram ainda uma câmera de segurança da marca Philips, dessas que servem para monitorar o quarto do bebê; uma cafeteira smart, outra maquininha que está se tornando comum; e um sensor eletrônico para portas e janelas.

Todos os produtos avaliados foram descritos como “inseguros”. No caso do Chromecast, conseguiram invadi-lo a distância com uma simples antena Wi-Fi. No teste da câmera de segurança, foi possível até roubar a senha do usuário e acessar seus emails!

Para tranquilidade (ou não?) dos consumidores que gostam de coisas baratas, a Kaspersky informou ter entrado em contato com os quatro fabricantes e que todos concordaram em retirar seus produtos de circulação. A exceção foi a Google: a versão 2015 do Chromecast continua apresentando os mesmos problemas.

TVs UHD, mas que não são bem UHD…

pseudo fig7Meses atras, saiu a notícia de que havia no mercado internacional falsos TVs 4K (detalhes aqui). Normal: existem dezenas de marcas descartáveis, a maioria chinesas, e só as aceita quem quer. Mas a tecnologia 4K é mesmo complicada. Embora haja diversos modelos à venda, ainda não existe uma padronização definitiva, e nada garante que um aparelho adquirido hoje será compatível com os sinais que estarão disponíveis daqui a um ano (leiam sobre a questão das patentes envolvidas).

Agora, um site alemão acaba de prestar um ótimo serviço aos usuários, publicando um teste comparativo de laboratório, e detalhado, sobre TVs 4K (Ultra HD) e seus equivalentes 2K (Full HD). Publicamos aqui uma tradução quase literal do trabalho, que merece ser lida com atenção.

Mas este vídeo, produzido pela mesma equipe, vai ainda mais longe. Com imagens dinâmicas tem-se uma compreensão melhor do processo tecnicamente chamado “contagem de pixels”, pelo qual aquilo que parece ser nem sempre é. Segue a tradução das legendas do vídeo:

Comparação entre painéis UHD
O painel RGBW LCD reduz o detalhamento e exibe um verde sem saturação. Em seguida aos subpixels verdes, as linhas diagonais são interrompidas.
No caso dos pixels vermelhos, não existe qualquer estruturação; painéis RGBW OLED apresentam o mesmo problema.
A linha do pixel, ou “estrutura de resolução horizontal 100%”, é muito reduzida no painel RGBW LCD; a resolução UHD fica comprometida.
Não há quase nenhum contraste visível nos detalhes em verde, nas frequências mais altas, usando o TV LCD RGBW; as cores estão sem brilho nem saturação.
A estrutura dos pixels vermelhos se perde completamente, tanto nos painéis RGBW OLED quanto LCD; um resultado satisfatório aparece somente em RGB LCD.
Na análise checkerboard, usada normalmente para verificação de contraste, a estrutura de cada pixel só é visível em RGB LCD e RGBW OLED. Em RGBW LCD, há menos subpixels e, portanto, não se consegue reproduzir a estrutura. A resolução é insuficiente para captar os detalhes em UHD.
No checkerboard verde, não se consegue reproduzir a largura de 1 pixel no painel RGBW LCD.
Na análise individual dos pixels, tem-se bom resultado em RGB LCD e RGBW OLED, mas eles aparecem largos demais em RGBW LCD, que utiliza até 5 subpixels ao mesmo tempo.
Já no teste checkerboard 2×2, a reprodução deve ser boa num TV UHD, já que a resolução da fonte de sinal seja Full-HD. Na verdade, a estrutura no painel RGBW está criando uma área maior para os campos brancos do que para os pretos. 
Usando apenas o canal vermelho, a estrutura de pixel 2×2 se perde totalmente no painel RGBW LCD.
A grade preta sobre fundo branco deve reproduzir bem num TV UHD, pois representa a resolução Full-HD. No entanto, os detalhes horizontais são filtrados no RGBW LCD.
A filtragem é ainda mais forte no canal verde do RGBW LCD.
No canal azul, a filtragem é melhor.
Agora, a questão da legibilidade das letras: a leitura de “e” e “w”, em particular, fica comprometida.
pseudo fig5
Vejam o vídeo e leiam o artigo.
É a primeira vez que se publica algo do gênero sobre 4K.

Globo ataca também na internet

g1_globoplay_2Como será a televisão do futuro, ninguém sabe (algumas pistas, neste artigo). Mas, se há no Brasil alguém preparado para isso, chama-se TV Globo. Na semana passada, a emissora anunciou o serviço Globo Play, que permite acessar sua programação, ou partes dela, pela internet. Se você quiser ver agora o que está no ar, só precisa clicar!

“Não adianta ter o conteúdo se ele não chegar às pessoas”, explicou, no evento de lançamento, o diretor-geral da Globo, Carlos Schroder. “Há uma mudança permanente nos hábitos, e temos que nos atualizar na forma de entregar os conteúdos”. Schroder revelou dados de pesquisas da emissora: 38% dos domicílios, hoje, possuem banda larga; 34% dos entrevistados disseram que assistem a vídeos online; e um capítulo da novela Verdades Secretas, por exemplo, assistido na TV por 145 milhões de pessoas, teve nada menos do que 190 milhões de visualizações na web.

Esse formato de distribuição, chamado simulcast, pode ser o padrão daqui a alguns anos. Os programas ao vivo terão que estar disponíveis também online; no caso da Globo, a maneira de controlar tudo é uma tecnologia baseada em GPS, que bloqueia o acesso fora de determinada área. Quem está em São Paulo, por exemplo, só conseguirá ver a programação que é exibida na cidade. A Globo sabe que precisa preservar seu modelo de afiliadas. E terá de investir muito para proteger seu sinal, considerando a alta capacidade dos piratas.

Também nesta terça-feira, a Globo anunciou uma experiência inovadora: um “capítulo zero” da nova novela Totalmente Demais está sendo transmitido pelo Globo Play (e também pelo serviço Gshow). A novela estreia oficialmente na próxima segunda, mas foi escrita e produzida uma espécie de “esquenta”, com cerca de 10 minutos de duração, reunindo os principais nomes do elenco. Assistam aqui.

Estamos nos tornando obsoletos?

obsolescChamo a atenção dos leitores para este artigo, que trata de um tema polêmico já abordado neste blog: a questão da obsolescência programada dos aparelhos eletrônicos. Basicamente, seria um grande “complô” entre os fabricantes para lançarem produtos de vida útil curta, de tal modo que o consumidor sinta frequentemente o impulso de trocá-los. Sabe-se que essa prática não se restringe aos eletrônicos, e existe certa lógica no raciocínio, por mais que pareça cruel. Mas o articulista vai mais fundo na análise.

Talvez por influência do pessoal da informática, fanático por atualizações, o consumidor em geral acaba se tornando obcecado por novos modelos de celular, tablet, TV e por aí vai. Produtos que antes consumiam uma década em pesquisa e desenvolvimento, hoje são descontinuados apenas um ano e meio depois de chegarem ao mercado. E quem não tem o modelo mais recente arrisca-se a ser chamado de “cidadão obsoleto”, ou algo do gênero.

De quem é a culpa?

HDMI: “A coisa vai ficar pior”

A frase acima foi dita por Jeff Boccaccio, presidente da DPL Labs, empresa americana de consultoria que mantém um respeitado sistema de certificação de equipamentos de áudio/vídeo, especialmente cabos e conectores. Falando a uma plateia de especialistas na semana passada, Boccaccio – que também é colaborador do site CE Pro – comentou a quantidade de problemas que vêm sendo registrados em sistemas conectados pelo padrão HDMI; infelizmente, esse é o mais usado, hoje, no mundo inteiro.

“A coisa só vai piorar”, exclamou mr. Boccaccio, lembrando o conhecido trocadilho do plug-and-pray. Para quem não está familiarizado, essa é a brincadeira que se faz entre instaladores quando se vêem diante de uma rede HDMI. Em lugar do plug-and-play (“ligar e funcionar”) decantado pela indústria, surge uma enorme interrogação, sintetizada na expressão plug-and-pray (“ligar e rezar para que funcione”).

A preocupação faz mais sentido no momento em que surge uma nova codificação para sinais de vídeo, chamada HDR (High Dynamic Range). Supostamente, trata-se de um tratamento mais refinado do sinal digital, que ganha muito em contraste e profundidade de cores. “Podem acreditar: as variações na escala de cores são tão espetaculares que parecem imagens em 3D”, disse Boccaccio. Mas isso, adverte, quando cabos e conectores conseguem transportar o sinal em sua integridade. “Vamos precisar de toda a largura de banda especificada para HDMI, ou seja, 18 Gigabits por segundo”, garante ele.

O problema é que, já nos sistemas atuais, onde se trabalha com taxas em torno de 10 Gbps, essas redes não estão dando conta. Sinais UHD, por exemplo, estão sendo transmitidos com menos intensidade de cores do que em Full-HD. “Não se iludam: quando seus sistemas instalados começarem a carregar sinais HDR, os cabos não vão suportar”, preveniu o especialista, citando os testes que sua empresa vem realizando.

Em suma, o que estamos assistindo atualmente, nos poucos serviços que se identificam como tal, não é 4K. Talvez não se perceba quando estão conectados apenas um TV (ou projetor) e uma fonte de sinal. Mas a diferença fica clara quando se fala de redes. Ainda não estamos preparados para a era do UHD.