Archive | abril, 2016

Polêmica da banda larga vai longe

Prestes a deixar o governo, a presidente Dilma acena com a possibilidade de assinar um pacote de maldades, como costumam dizer as línguas ferinas de Brasilia. Já que não conseguiu viabilizar os apoios de que necessitava no Congresso, a quase ex-mandatária deixaria decretos-bomba para o sucessor. Uma das medidas seria a proibição, pura e simples, dos planos de franquia nos serviços de banda larga.

Certamente não será com decretos demagógicos que se irá melhorar a prestação de serviços de telecom, nem atingir tarifas mais justas. A polêmica, como já comentamos, deve se estender por um bom tempo. É bom que seja assim, pois dará chance das pessoas conhecerem os diversos lados da questão. O colega Samuel Possebon, um dos mais competentes do setor, analisou detalhadamente as motivações e implicações da portaria publicada pela Anatel suspendendo a aplicação de franquias por 90 dias (o conselho da Agência promete dar um parecer antes disso). No site Gizmodo, Felipe Ventura comenta reportagem do The Wall Street Journal relatando que a controvérsia também existe nos EUA. E ontem, na Folha de São Paulo, Julio Wiziack mostra os limites de dados das atuais franquias.

Vários outros artigos têm sido publicados, inclusive por gente da área técnica, sem falar das manifestações “políticas”, como da OAB, IDEC e entidades ligadas a internautas. Por mais que alguns (como é comum no Brasil) queiram simplificar as respostas, o caminho é se informar e não cair na armadilha da gritaria. Daqui do nosso cantinho, vamos tentando ajudar.

Internet das Coisas gera disputa entre consórcios

Um grupo de gigantes da tecnologia – Microsoft, Intel, Cisco, Samsung e Qualcomm, entre outras – anunciou esta semana a criação da Open Connectivity Foundation. É o primeiro consórcio dedicado a normatizar o mercado de IoT (Internet das Coisas). A ideia é estabelecer protocolos “abertos”, que todos os fabricantes possam usar, não importando aspectos como sistema operacional, família de chips etc. Na teoria, qualquer pessoa poderia assim criar um novo dispositivo, ou aplicativo, para conectar aos que as empresas do grupo produzem. Não é bem novidade, vejam esta entrevista.

Digo “na teoria” porque essas mesmas empresas já participam de outros consórcios e o problema da padronização continua. Aliás, é o mesmo que afeta, por exemplo, os segmentos de Ultra HD (vejam aqui) e de comunicação sem fio, apenas para citar dois exemplos. Numa rápida pesquisa, encontramos nada menos do que oito consórcios voltados à IoT: Thread, Open Internet, AIOTI, IPSO, LoRa, Allseen, Industrial Internet e o próprio IoT Consortium, além dos já antigos Zigbee e Z-Wave.

Alguém aposta em um deles?

Ninguém tem solução para a banda larga

Como já havia ocorrido no caso da Condecine, que comentamos aqui semanas atrás, o Palácio do Planalto mandou negociar com as operadoras de telecom sobre a polêmica das franquias de banda larga fixa. Não se sabe se a ideia vinga, considerando o descrédito do governo atual, mas de qualquer modo o Ministério das Comunicações se empenha em buscar uma saída menos conflituosa – o problema é que ninguém enxerga essa saída.

O ministro André Figueiredo confirmou que está pouco familiarizado com o tema, ao afirmar que o Código de Defesa do Consumidor “impede a possibilidade de imposição de novas condições contratuais que gerem prejuízos ao consumidor sem anuência prévia”. Não é isso que se discute: só se pode alterar um contrato com a concordância das partes, determina outro Código, o Civil. O ministro disse ainda que os usuários mais afetados pelas franquias são uma minoria; de fato, e é justamente essa minoria que está se mobilizando nas redes para impedir a cobrança extra (detalhes, neste link).

Figueiredo também criticou o presidente da Anatel, João Rezende, por afirmar que a era da chamada “internet ilimitada” (que na prática nunca existiu) chegou ao fim. Na verdade, Rezende já vem dizendo isso pelo menos há dois anos, em meio a críticas sobre o desleixo de muitas operadoras (quase todas), cujo marketing publicitário criou essa ideia irreal. Banda larga sem limites é uma ficção, algo como o direito à privacidade na internet ou a promessa de sol 365 dias por ano.

A melhor prova disso é que já existem os pacotes das operadoras, e o assinante é obrigado a escolher um deles quando faz sua assinatura. A polêmica só surgiu agora por um descuido da Vivo (vejam o post anterior); Amos Genish, presidente da operadora, é um dos mais revoltados com a política do governo (ou a falta de) no setor. Até então, ninguém havia se incomodado, nem mesmo durante as controvertidas discussões para adoção do Marco Civil da Internet. Infelizmente, como tanto acontece no Brasil, muita gente acaba fazendo alarde sem se informar devidamente.

A propósito, o site Teletime publicou um excelente levantamento sobre a questão das franquias, comparando o Brasil com outros países. Vale a pena conferir os dados.

Disney pode comprar a Netflix

netflixdisney_600x400Bastou uma nota assinada por um consultor financeiro de Nova York, especialista no setor de entretenimento, para detonar a boataria: a Disney, maior conglomerado de mídia do planeta, estaria negociando para assumir o controle da Netflix, a empresa que mais cresce nesse segmento.

Na verdade, ambas já trabalham muito em conjunto. Mas a Disney, financeiramente, está num mau momento. Seu CEO, Thomas Staggs, acaba de pedir demissão após o balanço de 2015 revelar a perda de nada menos do que 7 milhões de assinantes. Procura-se então um novo executivo-chefe, e este poderia ser Reed Hastings, fundador e atual presidente da Netflix, informa o site da revista Fortune.

Os dados mais recentes indicam que a Netflix já tem mais de 60 milhões de assinantes em todo o mundo e que caminha para 150 milhões até o final da década. Nos EUA, serviços concorrentes – como Amazon, Hulu e HBO – não conseguem lhe fazer sombra, embora seu modelo de negócio (séries originais e filmes não recentes à vontade, via assinatura de custo baixo) esteja sendo muito copiado.

Já existem até valores em discussão: a Disney pagaria algo em torno de US$ 100 bilhões, não tudo necessariamente em dinheiro, repassando a Hastings e demais executivos um percentual sobre as vendas de assinaturas; além disso, colocaria na rede da Netflix seus famosos personagens de animação e os conteúdos da ESPN.

É muito dinheiro, claro, mas não custa lembrar que foi exatamente assim que a Disney atraiu Steve Jobs e adquiriu a produtora de desenhos animados Pixar, em 2006. Jobs ficou mais bilionário do que já era, e a turma do Mickey evitou a expansão de uma grande concorrente.

A história pode se repetir agora.

Franquias: operadoras podem se complicar

O comentário abaixo havia sido publicado aqui na sexta-feira 15; nesta segunda, a Anatel divulgou duas medidas aparentemente contraditórias. Primeiro, determinou (não proibiu) que as operadoras, por 3 meses, não reduzam a velocidade da conexão de banda larga fixa quando o usuário ultrapassar seu suposto “limite de dados”. Depois, o presidente da agência, João Rezende, comentou que a chamada “conexão ilimitada” não é mais possível, ou seja, não há como impedir que as prestadoras de telecom façam a redução. Enquanto isso, o movimento se amplia nas redes sociais contra a postura das empresas. Atualizamos aqui de acordo com a situação de momento. Como dissemos, a discussão está apenas no começo.

A polêmica em torno da cobrança adicional pelas franquias de dados de internet está apenas começando. A Vivo, principal defensora da ideia, já tem um belo abacaxi para administrar: seu vídeo publicitário veiculado na semana passada ganhou rapidamente uma sátira, mostrando que os usuários não vai aceitar passivamente a mudança.

A questão é complexa mesmo. Quem usa muito celular já sabe como funciona: cada pacote admite determinada quantidade de dados; quando se ultrapassa, a velocidade cai ou, então, a tarifa sobe. A ideia agora é estender esse esquema de cobrança às redes de banda larga fixa. Legalmente, não há como impedir, se isso estiver no contrato original. Na verdade, é o que já fazem há anos as principais operadoras. O erro da Vivo foi ter anunciado que seus novos planos incluirão um teto a partir do qual a velocidade será reduzida. Quem assinar um plano desses não terá do que reclamar depois.

Segundo a Anatel, o sistema de franquias pode ser praticado, desde que seja claramente explicado ao assinante, inclusive através de página na internet. Mas isso não convence os usuários, especialmente aqueles que utilizam grande quantidade de dados. Daí porque começou uma campanha online, que até sexta-feira passada teria colhido 350 mil assinaturas, segundo o Movimento Internet sem Limites, criado no Facebook.

Esse debate, que agora chega ao Brasil, já aconteceu em vários países. Tem a ver com a chamada neutralidade de rede, mas só até certo ponto. Não há como impedir que a operadora, “dona” da estrutura de comunicação, reduza a velocidade da conexão a partir de determinado ponto. A discussão internacional é de que essa seria a forma mais justa de oferecer o serviço: quem usa mais paga mais.

Embora o Ministério das Comunicações tenha solicitado à Anatel que evite abusos, na prática a agência não tem como fazê-lo. E cada operadora adota a política que julga mais conveniente (a Vivo, por exemplo, terá que fazer alguma concessão se quiser manter seus clientes agora tão insatisfeitos). Tim e Algar são duas que não querem adotar as franquias, garantindo que não bloqueiam acessos nem reduzem velocidades. A Tim, aliás, tenta aproveitar essa polêmica toda para reforçar sua imagem de “transparência”, como diz seu presidente Rodrigo Abreu, segundo o site Inova.jor.

Mas, como dissemos no início, a discussão está apenas começando.

Vem aí a TV Digital 3.0

ATSC-3No Brasil, mal começamos o processo de transição da TV analógica para a digital. Culpa da política. Enquanto isso, os americanos já discutem como passar da TV Digital para a próxima geração tecnológica, que eles estão chamando de Next-Gen TV, ou ATSC 3.0. ATSC, como se sabe, é o nome do padrão atual deles, que em alguns aspectos se equipara ao nosso ISDB-T e ao europeu DBV-T. Esta semana, as duas principais entidades do setor entregaram uma petição à FCC (Federal Communications Commission), agência reguladora a quem cabe definir as normas em telecom e broadcast. E a sugestão é interessante.

Trata-se de um padrão de transmissão totalmente baseado nos protocolos da internet. As emissoras ficariam autorizadas a distribuir seus sinais de TV aberta via IP, inclusive em resolução 4K, podendo adicionar canais, interatividade, multicast, compartilhamento de dados, canal de vendas e até serviços públicos de saúde, segurança, defesa civil etc. O padrão é tecnicamente tão avançado que já prevê, por exemplo, a transmissão de áudio Dolby Atmos!

A recepção poderia ser feita via antenas internas, em casas e edifícios, mas também em veículos; e o sinal, retransmitido em redes Wi-Fi para dispositivos móveis. Importante: não seria um padrão obrigatório, como hoje; cada emissora poderá escolher como e quando entrar nessa nova rede. Para captar o sinal, o usuário precisará adquirir um TV compatível. Mas quem quiser pode continuar com seu equipamento atual, pois o sinal ATSC 3.0 permite conversão para o padrão convencional.

Os detalhes da Next-Gen TV estão neste artigo, traduzido do site Twice. Importante lembrar que as duas entidades citadas (outras já estão aderindo) têm interesse comercial evidente na mudança. São elas a CTA (Consumer Technology Association, antiga CEA), que representa os fabricantes; e NAB (National Association of Broadcasters), constituída basicamente de emissoras e produtoras de conteúdo.

No primeiro caso, abre-se um novo segmento de negócios, com os TVs Next-Gen, voltados ao maior mercado consumidor do mundo. Quanto às emissoras, a petição se enquadra na estratégia de ampliar a distribuição de programas via web; a cessão de direitos às operadoras de TV paga tende a ser uma gigantesca fonte de receitas.

Deveremos ter mais novidades a partir desta 2a feira, durante a convenção da NAB, em Las Vegas.

LG e Samsung podem atuar juntas

TCL+8800S+IFA+2015+Promo+shotÉ difícil acreditar, mas existe uma possibilidade de que os dois maiores fabricantes mundiais de TVs se unam por uma causa comum: enfrentar a concorrência chinesa. A notícia saiu na semana passada no site Korea Times, que deu destaque a uma declaração do CEO da LG Displays, Han Sang-beom, citando a Samsung. É talvez a primeira vez em que um executivo de um dos grupos menciona o nome do concorrente em público. Para quem entende a disputa coreana, esse detalhe tem um tremendo peso!

Mr. Han falava durante encontro de CEOs com o ministro do Comércio, em Seul. “A Samsung vai se juntar a nós”, disse, referindo-se aos esforços em torno da tecnologia OLED. Até agora, a LG se mantém solitária nesse segmento, que de certa maneira é desdenhado pela concorrente. Todos concordam que OLED é o futuro, mas a Samsung acha que o investimento ainda não se paga.

Só que há uma ameaça mais forte: os chineses já estão produzindo TVs OLED e começando a inundar o mercado local. Daí a preocupação do governo coreano, que criou incentivos para a LG construir duas novas fábricas e concorda fazer o mesmo com a Samsung. Segundo o Korea Times, esta já solicitou a fornecedores os equipamentos necessários para ter sua própria unidade de produção de OLED. “Achávamos que não era viável comercialmente, mas agora estamos revendo nossos planos”, disse Park Dong-geun, CEO da Samsung Displays, sem dar mais detalhes.

Mr. Park não citou a concorrente. Mas, pelo menos, admitiu a possibilidade.

NET com Claro, Vivo com GVT

Neste fim de semana, começou a campanha da América Móvil para comunicar a união entre as marcas NET e Claro. Juntando as duas, são quase 100 milhões de usuários de telefone, TV e banda larga. É bom lembrar que a Claro herdou a imensa rede da antiga Embratel, adquirida pelo grupo mexicano em 2005; a Embratel continua atuando em serviços de telefonia e redes, especialmente para empresas.

A partir de agora, clientes de NET e Claro vão começar a receber os mesmos tipos de ofertas e serviços conjugados. O grupo tem metas agressivas em toda a América Latina (leia-se: não deixar espaço para Vivo/Telefônica nem DirecTV/Sky/AT&T). E a crise brasileira, que afeta particularmente a Claro, é um desafio e tanto para a equipe de José Felix, presidente do América Móvil, que comandou a NET nos bons tempos do mercado.

Só para se ter uma ideia: em 2015, o número de celulares em uso no país caiu 8% (de 280 para 257 milhões), a primeira queda desde que essa tecnologia existe; e o número de domicílios com TV paga, que em 2014 era de 19,6 milhões, passou para 19,1. Como os acessos a banda larga aumentaram (de 24 para 25,5 milhões), conclui-se que menos gente está usando as redes; mas quem usa o faz com maior intensidade. Ou seja, é o refluxo da chamada Classe C, que fez o setor disparar entre 2008 e 2013. Mais detalhes podem ser vistos no site da consultoria Teleco.

Curiosamente, a junção NET/Claro acontece em paralelo com a incorporação da GVT pela Vivo, que somam cerca de 80 milhões de assinantes. A concentração é inevitável, num setor que exige tantos investimentos, e a longo prazo. Sobra pouco espaço para os concorrentes.

Notícias da hora: pague para ler

blendleBlendle é como se chama um novo aplicativo de notícias, baseado em material produzido por grandes jornais e revistas. O conceito é simples, mas radical: se você não quer mais (ou não pode) pagar por uma assinatura de seu jornal ou revista, pague por alguns conteúdos (artigos, notícias, reportagens). Pague individualmente, para cada assunto que quiser ler, mas pague.

Os idealizadores do Blendle são jovens holandeses, liderados por Alexander Klöping, jornalista, apresentador e empreendedor de apenas 29 anos. Começaram um ano atrás, revendendo conteúdos de publicações de lá, e agora, com financiamento de dois grupos de mídia (Wall Street Journal e o alemão Axel Springer, partem para a internacionalização. Já contam com cerca de 10 mil assinantes, mas a versão beta já é dirigida a mais de 25 mil ao redor do mundo.

Segundo reportagem da Advertising Age, bíblia do marketing e da publicidade (a tradução está aqui), eles já conseguiram atrair para o projeto grifes como The New York Times, Fast Company, Financial Times, Bloomberg, Time e a própria AdAge, que se dispõem a “vender notícias no varejo” (e que outra denominação se pode usar?).

Cadastrando-se no Blendle, você pode adquirir um artigo que lhe interessa pagando na hora, via cartão, PayPal ou algo do gênero, como se faz no Uber ou na Amazon. Os preços variam entre US$ 0,09 e US$ 0,40 para os conteúdos de revistas, e de US$ 0,19 a US$ 0,39 para os de jornais. Cada publicação decide quanto quer cobrar, ficando com 70% da receita.

Ou seja, o Blendle calcula que possa sobreviver recebendo apenas 30% de US$ 0,09 (o que dá US$ 0,03, hoje equivalente a 11 centavos de real) para cada texto de uma Businessweek, por exemplo. Devem imaginar que muita gente aceite pagar, ou não montariam uma equipe para manter o sistema funcionando.

Confesso que torço para que esse tipo de iniciativa dê certo. Klöpping diz que a maioria das pessoas, a partir de um estímulo inicial, acaba procurando mais conteúdos para comprar; como o valor unitário é baixo, a ação é intuitiva, quase automática. Mais: se não gostar do que leu, você pode pedir seu dinheiro de volta. Não sei como se aplicaria, na prática, este último recurso. Mas não custa tentar. Já me cadastrei.

Netflix reduz a oferta de filmes e séries

Oferecer menos para ganhar mais. Assim pode ser resumida a nova estratégia da Netflix, segundo um relatório divulgado na semana passada pela AdvancedMedia, agência de consultoria em marketing e mídia. Em pouco mais de dois anos, o serviço reduziu em 34% (de 1.609 para 1.197) o número de séries disponíveis, que são, de longe, seu principal atrativo para os assinantes; e a oferta de filmes caiu quase 50%, de 6.494 para 4.335 títulos.

Existem duas explicações, dizem os consultores. A primeira é que o custo dos direitos sobre os conteúdos vem aumentando expressivamente, conforme cresce a audiência de serviços concorrentes do Netflix; nos EUA, os dois principais são Amazon e Hulu. Já comentamos aqui que um dos maiores desafios dos provedores de vídeo online, inclusive Netflix, é fechar as contas. O conceito é cobrar pouco pela assinatura, mas se o número de usuários se expande torna-se mais complicado então manter a estrutura de rede. No fundo, é um dilema que afeta toda a internet.

Mas a segunda explicação talvez seja mais decisiva: reduzindo a oferta de títulos, diminui-se a quantidade de dados trafegando pela rede e minimizam-se os “gargalos” que alguns assinantes enfrentam. Segundo o estudo, os administradores do Netflix estão renegociando os direitos na compra de séries, preferindo pagar aquelas que atraem mais público. E, enquanto isso, esperam a estreia de mais produções próprias como House of Cards e Orange is the new black. Algumas delas estão neste link.

Foxconn e Sharp: qual é o futuro?

sharpConfirmada a aquisição da Sharp Corporation pela taiwanesa Foxconn (aquela mesma que produz iPhones e iPads para a Apple), executivos da indústria começam a se perguntar o que vem por aí.

Apenas atualizando: os dois grupos negociavam há pelo menos dois anos, e o acordo só não havia saído ainda pela influência do governo japonês. Fizeram de tudo para evitar a venda a um outro país, ainda mais sendo a China, rival histórica em diversos conflitos regionais. Mas, no final, a única forma de evitar seria o próprio governo colocar dinheiro na Sharp, o que foi descartado. E o Foxconn acabou levando, aliás pagando menos (US$ 3,5 bilhões) do que sua oferta inicial (US$ 6 bi), por 66% das ações.

Vale acrescentar que o negócio envolve toda a Sharp Corporation, que é (ainda) a maior fabricante mundial de displays LCD e, no Japão, tem forte presença nos segmentos de linha branca, celular e painéis solares. Com tantos prejuízos nos últimos anos (mais de US$ 10 bilhões, segundo os balanços oficiais), continua sendo uma potência. Os taiwaneses estão comprando nada menos do que 103 anos de história tecnológica.

Terry Gou, CEO do Foxconn, anunciou no sábado que pretende manter a marca Sharp e investir na sua expansão internacional. A maior parte da diretoria será substituída até junho. Será dada prioridade ao desenvolvimento de displays OLED para TVs, smartphones e tablets, tecnologia na qual a Sharp possui uma série de patentes mas – por falta de dinheiro – não vinha conseguindo utilizá-las.

Pode estar nascendo assim um novo gigante.