Archive | maio, 2016

Campeãs no tribunal

Em reportagem recente, o jornal O Estado de S.Paulo denunciou alguns desvios típicos do sistema de governo que vigora no Brasil. O foco era a ação das agências reguladoras e seus frequentes conflitos com o TCU (Tribunal de Contas da União). Diante da falta de transparência, ou em alguns casos o notório direcionamento de contratos em benefício de grupos econômicos, diz o texto, o TCU acabou tendo que “substituir” as agências para evitar prejuízos maiores (a quem se interessar, este é o link para a reportagem).

Lembrei do caso a propósito da notícia, divulgada na semana passada, de que a Anatel irá transformar as multas devidas pela operadora Oi em “investimento”. Pode ser difícil de acreditar, mas o Conselho Diretor da agência discutiu e votou, a sério, a proposta da empresa, enredada numa dívida que oficialmente chega a R$ 55 bilhões. Parte desse valor (cerca de R$ 3,2 bilhões) refere-se a multas aplicadas e não pagas, que a Anatel aplicou por não cumprimento de metas de atendimento e de qualidade.

Houve bate-boca entre os conselheiros, mas ao final acabou sendo aprovado um acordo em que a operadora se compromete a investir o valor das multas em redes de fibra óptica, estações-base de 3G, restauração de orelhões e ampliação de sua infraestrutura de rede até 110 municípios que ainda não foram atendidos (vejam os detalhes no site Convergência Digital).

O problema é que, com sua dívida crescente, poucos especialistas acreditam que a Oi terá condições de cumprir essas promessas. Semanas atrás, a empresa anunciou a demissão de 2 mil funcionários, entre outras medidas para reduzir seu custo operacional. O próprio TCU já pediu para examinar o acordo antes da aprovação final.

Só para lembrar, anos atrás a Oi foi uma das “campeãs”, como ficaram conhecidos os grupos escolhidos pelo governo Lula para receber financiamento dos bancos públicos (especialmente do BNDES) em condições especiais. Comentamos o episódio algumas vezes, como aqui e aqui. Outros grupos agraciados foram JBS (Friboi), CSN e empreiteiras hoje investigadas na Operação Lava Jato.

Abaixo a ignorância!

Diante do quadro político e econômico brasileiro atual, merecem reflexão algumas frases do presidente Barack Obama durante discurso que proferiu recentemente perante os formandos da Universidade Rutgers, nos EUA. Alguns sites comentaram, e o vídeo está na internet, mas a tradução foi truncada. A fala foi apresentada apenas como uma crítica ao candidato Donald Trump, mas no fundo Obama quis ir mais longe. Por isso, reproduzo aqui:

“Na política, como na vida, a ignorância não é uma virtude. Não é legal quando você não sabe o que está dizendo. Qualidades como bondade, compaixão, honestidade e capacidade de trabalho são mais importantes do que habilidades técnicas. Mas, quando nossos líderes expressam desprezo pelos fatos, e quando não são responsabilizados por repetirem mentiras e inventarem coisas, enquanto os verdadeiros especialistas são descartados como ‘elitistas’, isso é grave.”

“Quando uma pessoa fica doente, quer saber se o médico está mesmo preparado para cuidar da doença, se estudou e entende do assunto. Quem entra num avião quer saber se o piloto realmente sabe o que está fazendo. E, no entanto, em nossa vida, frequentemente dizemos que não queremos alguém com experiência, alguém que já exercido aquela atividade. Rejeitar os fatos e a razão é o caminho para a decadência.”

“Cuidado quando ouvirem alguém dizendo que tem saudades dos bons tempos. Na verdade, esses bons tempos nunca existiram. Na História do mundo, sempre houve dificuldades, e os momentos de bonança foram esporádicos. Podem acreditar que o mundo hoje é muito melhor do que 50 anos atrás.”

“O mundo é cada vez mais interconectado, e as mudanças acontecem numa velocidade cada vez maior. Construir muros não irá impedir isso. Os últimos vinte anos provaram que não iremos conseguir resolver nossos problemas com isolamento. A melhor maneira de melhorarmos é ajudando a melhorar a vida dos outros.”

“Compreendo as pessoas que se preocupam com a perda de empregos por causa da globalização. Mas a resposta a isso não é parar de negociar com os outros países, nem criar barreiras ao comércio. Devemos ajudar as outras nações a melhorarem seus salários e suas condições de trabalho, pois assim iremos melhorar também esses índices aqui nos EUA.”

“Fatos, evidências, racionalidade, lógica, bom entendimento da ciência, tudo isso é o que se deve procurar nos políticos e cultivar em nós mesmos como cidadãos. Os fundadores da América vinham do iluminismo, fugiam das superstições, do sectarismo, do tribalismo. Eles acreditavam no pensamento racional e na experimentação. Acreditavam na capacidade dos cidadãos bem informados de orientar seu próprio destino.”

“Hoje, temos num smartphone acesso a mais informação do que em toda a História da humanidade. E, ainda assim, isso nos torna mais confortáveis em nossa ignorância. Assumimos tudo que está na internet como verdadeiro. Buscamos sites e opiniões que apenas reforçam nossas predisposições. Mas vocês, jovens, precisam participar mais da política. As coisas não são melhores do que vocês gostariam porque vocês não votaram nos políticos que representem suas visões de mundo. Políticos adoram se eleger. E adoram mais ainda se reeleger. Mas as mudanças só acontecem se você participa. Se você cruzar os braços, eles vão fazer a política que quiserem.”

“Precisamos restaurar a ideia de que o trabalho duro vale a pena. Foi assim que nossos antepassados construíram a democracia. E não foi do dia para a noite. Isso custou muitos anos de debates e negociações. Na democracia, você defende o seu ponto de vista mas também tem que ouvir as opiniões contrárias. Se alguém discorda de você, chame-o para conversar e faça-lhe perguntas duras. Se suas opiniões forem ofensivas, confronte-as, não tenha medo de discutir. Use sua lógica e sua razão, e fazendo isso você estará fortalecendo sua própria posição. Talvez descubra alguma coisa que não havia percebido. Ou seja, de uma forma ou de outra você sai ganhando.”

TVs 4K: um “selo” de qualidade?

Está combinado: TVs, players Blu-ray e projetores 4K top de linha que forem lançados este ano poderão exibir o selo “Premium”, conforme comentamos aqui recentemente. Seria uma espécie de “certificado de qualidade” fornecido pelo consórcio UHD Alliance, formado pela maior parte dos fabricantes, estúdios de cinema, empresas de software e provedores de conteúdo online. A intenção é deixar claros para o consumidor os benefícios do padrão 4K (UHD), que vão além da resolução de imagem.

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A criação do selo se baseia numa série de especificações que a entidade definiu para  identificar os produtos mais avançados (detalhes neste artigo). Uma ótima ideia, só que, mais uma vez, a indústria eletrônica se perde nas justificativas. Nesta segunda-feira, a Sony anunciou que não irá utilizar o tal selo, embora seus TVs 4K, apresentados num evento em Nova York, estejam entre os mais badalados da atual safra. Em vez disso, a empresa pretende usar o selo ao lado. O problema é que nem todos os TVs Sony seguem as especificações da Alliance; se todos usarem esse selo, como saber quais são top de linha? Nem a própria Sony tem a resposta.

Para amplificar a polêmica, outro fabricante importante – a Vizio, que é de origem chinesa mas tem sede nos EUA – comunicou que não concorda com os critérios da Alliance. A marca é hoje uma das mais vendidas do mercado americano e, portanto, sua posição não pode ser subestimada. Por trás de tudo, há ainda uma disputa por royalties: a Vizio, assim como Philips e LG, pagam a licença do software Dolby Vision; e a Dolby, nos bastidores, tem interesse em desestabilizar a Alliance, que defende o padrão concorrente HDR.

Nem os roteiristas de Hollywood conseguiram imaginar um roteiro mais confuso.

Vamos parar de roubar!

O título acima é mais ou menos o resumo de um artigo publicado recentemente pelo site da revista inglesa The Economist, uma das mais prestigiadas no ramo dos negócios. O texto se refere à América Latina, com ênfase na situação atual do Brasil. A ideia central é que os problemas políticos tão comuns na região só têm chance de ser resolvidos pela iniciativa da própria população de cada país, sempre tão leniente em relação à corrupção. “Parem de roubar”, parece gritar o articulista (o texto não é assinado), refletindo sobre a relação direta entre os desvios dos políticos e governantes e a situação econômica aparentemente sem saída.

Reafirmando uma ideia que já comentamos aqui, a publicação inglesa comenta que as redes sociais estão tornando os cidadãos mais ativos politicamente, já que facilitam as mobilizações, o que acaba resultando num amadurecimento progressivos da nação. Transcrevo aqui alguns trechos do excelente texto (o original pode ser lido neste link):

“A corrupção é endêmica na América Latina. Os eleitores sempre toleraram os políticos que ‘roubam, mas fazem’ (epíteto que foi aplicado pela primeira vez a um governador de São Paulo nos anos 1940 – N.R.: referência a Ademar de Barros). Em sociedades desiguais, com serviços públicos rudimentares, os pobres eram gratos a governantes que os ajudavam. O boom das commodities nos anos 2000 trouxe riqueza a alguns desses políticos; parte dessa riqueza foi roubada.

“Muitos fatores estão por trás da crescente intolerância à corrupção. Existe uma classe média maior, que exige mais responsabilidade dos governantes e melhor qualidade nos serviços públicos. As redes sociais tornaram mais fácil a mobilização, e a sociedade civil está amadurecendo. Muitos países assinaram tratados internacionais de combate à corrupção e a favor de governos mais abertos. Além disso, surgiram leis internas de acesso à informação e penas mais duras contra os corruptos; no Brasil, sob o governo Dilma, juízes e procuradores ganharam mais independência e se tornaram mais profissionais, além de poderem contar com o reforço das delações premiadas.

“É fundamental que as atuais mobilizações contra a corrupção se traduzam em leis mais eficazes e instituições mais fortes. Dalton Dallagnol, jovem procurador brasileiro que estudou em Harvard e comanda a força-tarefa que investiga a Petrobrás, disse ao jornal argentino La Nación que o objetivo é ‘construir a cidadania, especialmente entre as pessoas de menor poder aquisitivo, para que entendam que o dinheiro roubado via corrupção deveria ser usado pelo Estado para atender às necessidades delas’.

Um outro país (ou: tentando ser otimista)

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Neste 2016, combinam-se três fenômenos que levam à mudança: um desejo sincero da maioria dos brasileiros de poder tocar a vida honestamente; uma nova estrutura judicial que facilita flagrar o(s) assalto(s) ao Estado, sitiado por grupos políticos; e uma rede de comunicação que estimula o monitoramento da sociedade sobre esses grupos.

Sejam quais forem os instrumentos de análise, o ano está nos trazendo uma série de datas históricas. 13 de março, 17 de abril e 11 de maio estarão nos futuros livros de História como momentos em que o país parou para fazer uma autocrítica. Lamentável que não o tenha feito em eleições, de resto devoradas pela mentira marqueteira.

Mas isso agora é passado. O governo que esfacelou o país sob uma teia de crime e corrupção está, enfim, saindo de cena. A população, tantos anos inerte, finalmente reagiu (vejam este exemplo). E os políticos, cuja maior especialidade é o senso de sobrevivência, demonstram – pelo menos boa parte deles – ter entendido o recado.

Não é coincidência que a política tenha substituído o futebol como assunto nas rodas de botequim e nos almoços de família. Nas últimas semanas, os brasileiros puderam ver – ao vivo – a face dos políticos declarando suas crenças e descrenças, como fazemos todos os mortais. As TVs ficaram ligadas até de madrugada, e os celulares replicando as mensagens vindas de Brasilia. Bem-vindos ao mundo da política conectada.

Uma revolução tecnológica e comportamental marca este início de século. É preocupante, embora incontornável, o fato de que, além daqueles que simplesmente defendem suas regalias, propiciadas por um Estado viciado e paternalista, ainda existem muitos professando conceitos e atitudes desmoralizados pelo tempo. Lendo o que escrevem e ouvindo o que dizem, a sensação é que o Muro de Berlim não ruiu… um incrível dèja-vu político, que não cabe mais em nenhum enredo.

Oportunismo e ignorância resultaram, em alguns países da América Latina, no retorno fugaz do delírio socialista. Tristemente, foram esses fatores que regeram o Brasil na primeira década do século 21. Prometeu-se um maná suculento, que viria da mera boa vontade de políticos, sindicalistas e empresários com acesso privilegiado ao caixa das estatais e dos bancos públicos. Literalmente, destribuiu-se dinheiro alheio na compra de votos e de apoios.

Alheia à política, a maior parte da população não se deu conta do golpe assim armado. Um dos (depois confirmado) líderes da quadrilha chegou ao escárnio de exemplificar: o Programa Bolsa Família representa 40 milhões de votos! Mas a cadeia criminosa montada para sustentar o governo a partir de 2003 foi se revelando ao melhor estilo das máfias, que se destroem quando um ou dois integrantes, contrariados em seus interesses, decidem delatar os chefes. Ao entrarem em cena os órgãos de investigação, estimulados por uma sociedade farta dos abusos (e mais informada), nossa Cosa Nostra foi caindo em pedaços.

Vejo no metrô a propaganda do governo: “O Brasil não vai parar”. Alguém poderia acrescentar: “Agora é que não vai mesmo”. Nosso país, como o mundo, é outro em 2016. Quem quiser persistir nos delírios e nos assaltos não será bem recebido.

Whatsapp e o novo mundo da (falta de) privacidade

Não tive tempo de comentar aqui a polêmica decisão daquele juiz que suspendeu o Whatsapp por três dias – apenas um dia foi cumprido, suficiente para causar pânico geral. O nome do juiz, que meses atrás também havia mandado prender o vice-presidente do Facebook, não vem ao caso; talvez estivesse apenas querendo seus minutos de fama. Mas sua decisão é simbólica dos tempos atuais: o Estado insiste em tentar controlar a comunicação entre os indivíduos e, para isso, é capaz de usar os meios mais esdrúxulos.

O problema não é apenas brasileiro. Esta reportagem mostra que os governos, invocando “proteger” a sociedade, vivem criando meios de impedir o fluxo independente de informações. Em países como Cuba, China e Coreia do Norte, esse fluxo praticamente não existe, e nos EUA recentemente houve uma disputa entre a Apple e o FBI devido ao uso do iPhone por terroristas. É a velha história de culpar o carteiro: este não sabe o que está escrito na carta, assim como Whatsapp, Facebook, Apple etc. não conseguem mexer no conteúdo das mensagens que veiculam, que aliás são criptografadas.

Como estamos vendo na crise política, parece que muitas pessoas não conseguem entender que os tempos são outros. Não é mais possível, felizmente, direcionar a informação como se fazia antes. As mídias se fragmentam a ponto de cada indivíduo ser, por si só, produtor e distribuidor de conteúdo, e assim atingir o “seu” público. No fundo, é a sociedade moderna tentando se adaptar à vida conectada.

InfoComm Brasil agita a semana em SP

Nesta 3a feira, começa a Expo TecnoMultimedia – InfoComm Brasil 2016, que acontece pelo terceiro ano consecutivo em São Paulo. É hoje o evento mais importante para o segmento de Pro AV, que concentra a indústria de equipamentos e serviços para projetos corporativos e espaços públicos. Um setor que movimenta muito mais negócios do que o residencial e que, aos poucos, e apesar das dificuldades econômicas, vai se profissionalizando no país.

Este ano, são cerca de 50 expositores, incluindo marcas mundiais como Kramer, Casio, Panasonic, Crestron, Barco, BenQ, Harman/AMX, Christie, Epson; e brasileiras que vêm se destacando, como Discabos, Neocontrol, AAT, AMCP. Entre diversos produtos que serão demonstrados, já sabemos de projetores Laser Phosphor (para grandes espaços), sistemas de projeção mapeada, distribuição de áudio digital para shows e eventos, redes de vídeo 4K, sinalização digital e soluções para videoconferência, aulas e reuniões utilizando dispositivos sem fio.

CAPA-BUSINESS-TECH-#03-1Nossa publicação voltada a esse segmento, a revista BUSINESS TECH, está em sua terceira edição, que traz entre os destaques um interessante artigo de Vinicius Barbosa Lima sobre as novas necessidades do integrador profissional. Muitos tentam a migração da área residencial para a corporativa, mas acabam descobrindo que são quase dois mundos diferentes. Não só tecnologias distintas, mas os clientes (executivos de empresas) são mais exigentes e têm prazos mais rígidos. Vale a pena ler.

Aproveitando: BUSINESS TECH pode ser folheada em formato impresso convencional, mas também em sua versão eletrônica. Quem tiver interesse pode conferir aqui.

Turner está comprando a Band

Já se especulava no mercado há alguns meses, mas agora as negociações caminham para o final: o grupo Time Warner, através da Turner, está adquirindo o controle de 30% da Rede Bandeirantes de Rádio e TV. Com quase 50 anos de existência, a Band já chegou a ser a segunda rede do país, mas nos últimos anos vem perdendo anunciantes e – o principal – a confiança do mercado.

Pela legislação atual, um estrangeiro pode ter, no máximo, 30% do controle de uma concessionária de radiodifusão no Brasil. Se fosse possível, a Turner compraria 100%! O grupo americano – que é dono de vários canais pagos, tendo seu carro-chefe no Cartoon Networks (possui ainda TNT, CNN e outros) – decidiu há cerca de dois anos aumentar a aposta no mercado brasileiro. Comprou o ascendente Esporte Interativo (EI) e está provocando agito até dentro da Rede Globo.

Na semana passada, o EI anunciou ter fechado acordo para transmitir o Campeonato Brasileiro de Futebol, jóia do mercado publicitário, a partir de 2019, quando se encerram os contratos atuais da Globo. A especulação no mercado é que o EI está pagando nove vezes mais aos clubes… Nesse caso, as transmissões sairiam do SporTV e ficariam restritas aos canais EI (a Globosat manteria direitos apenas ao pay-per-view). Aqui, alguns detalhes sobre a investigação do Cade nessa questão. Vale lembrar que a Turner já comprou este ano a Champions League, antes tradicional na ESPN, dizem que também por uma fortuna.

O mercado de direitos esportivos para televisão é muito complexo para quem é de fora (aqui, publicamos uma boa explicação). Mas a entrada da Turner na TV aberta, se confirmada, tem efeitos e significados muito mais fortes do que a ação do EI. Apesar da família Saad possuir farto capital próprio, o fato é que a Band, como rede, se debate com a falta de conteúdo relevante. Opera hoje na semi-ilegalidade, já que aluga horários para igrejas diversas, o que é proibido aos concessionários de rádio e TV (conta com a conivência do Ministério das Comunicações e da Anatel, embora a empresa esteja sendo contestada na Justiça). Mantém apenas um programa de sucesso (o Masterchef), além de certo prestígio com o Jornal da Band.

O acordo com a Turner, segundo o site Yahoo, prevê que a empresa americana assumiria toda a parte artística, ficando a Band com o jornalismo. Novas notícias devem sair nos próximos dias.

Home vídeo, mercado em extinção?

Se em outros países há entusiasmo com a chegada de mais conteúdos em 4K, aqui as últimas notícias são péssimas para quem ainda cultiva o hábito da videoteca particular. O muito bem informado Blog do Jotacê informa que empresas importantes do setor estão simplesmente saindo do país. Uma delas seria a Paramount-Universal (união de duas marcas centenárias em Hollywood), que está transferindo sua distribuição para a SPHE (Sony Pictures). Já a Fox, que no Brasil vinha atuando em parceria com a Sony, passa ao controle da Warner. E a Disney entrega suas operações para a Cinecolor.

Nenhuma das empresas confirma, mas são três pancadas simultâneas num mercado que, como se sabe, vem despencando há alguns anos. As chamadas majors (leia-se: os estúdios de Hollywood) não lançam nada de relevante em DVD ou Blu-ray, espaço que agora é ocupado pela internet (incrível a quantidade de sites piratas) e pelos serviços VoD, especialmente o Now (Netflix é mais para séries). Lojas virtuais, como a DVD World, oferecem um vasto catálogo de filmes de arte e/ou raridades para colecionadores, pouca coisa mais.

E la nave vá…

Blu-ray 4K agora é pra valer

Sem Título-1Nesta segunda-feira, a UHD Alliance – consórcio de fabricantes e estúdios de cinema que apoiam o padrão Ultra High Definition (4K) de vídeo e televisão – certificou o primeiro player Blu-ray 4K, lançado no mês passado pela Samsung no mercado americano. Significa que a indústria decidiu mesmo dar impulso à produção e distribuição de discos de altíssima resolução, coisa que ainda estava em dúvida. Já havia certificação para streaming em 4K, mas como este depende da disponibilidade de banda a maioria dos especialistas acha que só mesmo os discos garantirão a entrega da qualidade prevista no UHD.

HO&A_037_UHDA_LOGO_FINAL_v6No início do ano, a UHD Alliance divulgou as especificações para TVs 4K (com o selo ao lado), sem mencionar os players. Parecia desnecessário especificar também estes, mas a nova decisão pode dar mais segurança aos consumidores, já que, em princípio, tudo será divulgado de forma transparente. Uma das preocupações da entidade é evitar mal-entendidos como o dos “TVs 3K”, que causaram polêmica mundial (no Brasil, o caso mais marcante foi o dos primeiros TVs 4K da LG, como relatamos aqui).

A entidade informou já ter certificado ao todo 30 modelos de players Blu-ray 4K, que devem ser lançados nos próximos meses no mercado internacional (o Brasil, com a crise atual, deve ficar fora disso ainda por algum tempo). Além da Samsung, estão previstos lançamentos da LG, Philips e Panasonic. Todos deverão portar o selo acima.

Eis aqui um resumo das especificações, pelas quais o usuário deve procurar quando for adquirir um aparelho 4K (seja player, TV ou projetor):

Resolução de imagem: 3.840 x 2.160 pixels

Processamento de cor: WCG (Wide Color Gamut), em 10-bit, padrão BT.2020

Processamento de vídeo: HDR (High Dynamic Range)

Decodificador H.265, também HEVC (High Efficiency Video Encoding), para descompressão de sinal da internet

Obs.: os aparelhos 4K também devem ter acesso direto à internet.

Para quem ainda não viu, aqui está um comparativo entre os TVs 4K e os Full-HD convencionais. Este outro teste também é interessante.

Startup americana compra a B&W

BWFoi confirmada nesta terça-feira a venda da inglesa Bowers & Wilkins para uma jovem empresa do Vale do Silício, a Eva Automation. Fundada há apenas dois anos, essa startup cresce rapidamente, apoiada por um fundo de investimentos chamado Formation 8, especialista no setor de tecnologia. Até agora, não foram revelados números do negócio, mas Joe Atkins, hoje o principal acionista da B&W, já pensava no assunto desde o ano passado.

Uma das líderes no segmento de áudio high-end, a B&W sofre como todos os seus pares a concorrência dos chamados “fabricantes de plástico”, com sistemas portáteis de baixo custo. Fundada há quase 100 anos, a empresa relutava em entrar nesse campo e, com isso, decepcionar seus devotados fãs. “Vamos ter que explicar isso a eles”, diz Atkins. “Com o tempo irão perceber que essa era a melhor solução para a empresa.”

De certa forma, esse acordo marca uma inversão no mundo atual: uma empresa centenária, com cerca de 1.100 funcionários e sólida reputação, é adquirida por uma micro desconhecida e com estafe de apenas 40 pessoas. Só não é surpresa para os investidores. Gideon Yu, presidente da Eva, era diretor financeiro do YouTube quando este foi comprado pelo Google, negócio estimado na época em US$ 2 bilhões. Depois, trabalho também no Facebook; hoje, é um dos golden boys do Vale.

Segundo Yu, a ideia é aproveitar o prestígio de uma marca consagrada para crescer nos segmentos de áudio e multiroom. Ao site de tecnologia da Bloomberg, ele prometeu que a marca B&W será seu carro-chefe. Curiosamente, Yu e Atkins só se conheceram há cerca de um mês.