Para quê um Ministério da Tecnologia?

9 de junho de 2016

Na linha do comentário anterior, cito aqui um precioso artigo do ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros, publicado no site Convergência Digital, detalhando o histórico da Coreia do Sul no campo de telecom. Não é necessário repetir o fenômeno desse pequeno país asiático que, ao final da 2a. Guerra, era um dos mais pobres do mundo, e hoje é uma potência. Profundo conhecedor do tema, Quadros mostra como os coreanos do sul chegaram ao que hoje se chama “Ministério da Ciência, Tecnologia e Planejamento Futuro” (MSIP) e que atua em conjunto com o “Ministério da Economia do Conhecimento” (MKE).

Parece ficção científica, mas é como se definem por lá as políticas públicas ligadas a essas áreas. O MKE resultou da fusão, em 2008, dos ministérios de Informação & Comunicação e de Comércio, Indústria & Energia. Há ainda uma agência reguladora, a Korean Communications Commission (KCC), vinculada à Presidência, nos moldes da americana FCC; e um Comitê Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC), que define as políticas públicas.

A troca de frequente de siglas e atribuições não impediu que a Coreia do Sul saísse de uma renda per capita africana (da ordem de US$ 67) para a de hoje (US$ 28 mil), uma das mais altas do mundo. Ao contrário, os coreanos foram aperfeiçoando seu sistema de gestão e planejamento em telecom, hoje modelar. Os detalhes estão no artigo original, mas o que mais chama atenção é que tudo se baseia no aperfeiçoamento contínuo do sistema educacional, para o qual a tecnologia é fundamental (98% dos lares coreanos estão conectados à internet).

É triste afirmar isso, mas no Brasil ainda estamos na era Flintstone, a discutir a necessidade de uma agência reguladora, vítima nos últimos anos de esfacelamento via ingerências políticas. Mais: cientistas de alto calibre unem-se num movimento para questionar a fusão dos ministérios (no caso, Comunicações com Ciência & Tecnologia) como se a questão fosse meramente semântica – onde estavam todos eles durante toda a última década e o que fizeram para combater o aparelhamento político são duas questões em aberto.

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