Archive | agosto, 2016

Olimpíadas: até onde a tecnologia pode levar

cycling-velodrome-photoSe alguém não acompanhou o espetáculo tecnológico ao longo das duas semanas da Rio 2016, basta ter visto (e poder rever infinitas vezes) a cerimônia de encerramento. A genial ideia de trazer o primeiro-ministro japonês para posar de Super Mario em pleno Maracanã lotado foi mais do que a cereja do bolo. Como anfitrião da próxima Olimpíada, o Japão tinha que participar da festa no Rio. Mas extrapolou o protocolar “see you in 2020”; num extraordinário case de marketing, certamente ajudou a vender muitos Nintendos pelo mundo afora.

Um fecho apoteótico para um evento que, como disse um jornalista inglês, teve cara de “improviso que deu certo”. Na área tecnológica, no entanto, foi tudo muito bem planejado, e o que se viu nestes 15 ou 20 dias pode ser considerado (r)evolucionário. No quesito segurança, preocupação de todos, talvez tenha sido a Olimpíada mais tranquila de todas. Assessoradas por agentes de vários países, as autoridades brasileiras utilizaram drones, lasers e sensores de última geração.

balaoO tempo todo havia balões como este sobrevoando a cidade com câmeras de alta definição e enviando imagens em tempo real ao centro de controle dos Jogos. Os balões são desenvolvidos por uma empresa brasileira, a Altave. Drones também foram usados pelas emissoras de TV para captar cenas que nunca antes tinham sido vistas num evento esportivo – exemplo: numa prova de ciclismo, pudemos ver tomadas incríveis entre morros e praias, uma paisagem tão impactante que se fica perguntando como não tirou a concentração dos atletas.

Omega-Photo-Finish-CameraAliás, competidores de várias modalidades se beneficiaram, e muito, da tecnologia. A fabricante de relógios Omega desenvolveu uma nova tecnologia de cronometragem chamada Photofinish, que simplesmente não deixa margem a dúvidas (vejam neste vídeo): a câmera acima registra nada menos do que 10 mil fotos digitais por segundo!

Outro marco: a impressionante rapidez na geração de caracteres e legendas de cada jogo ou prova se deveu a um software desenvolvido pela Atos especialmente para a Rio 2016; os dados foram usados não apenas pelas emissoras, mas também por árbitros, treinadores e atletas, via tablets, smartphones e smart watches.

E, embora poucos tenham visto, tivemos ainda a revolução da realidade virtual. Foram mais de 100 horas de conteúdo sobre as competições, além de tours virtuais pela cidade e suas arenas, gente na rua, torcidas e bastidores, praticamente sem deixar escapar nada (este site explica em detalhes como isso foi feito).

Games 4K chegam para mudar o mercado

xbox-one-s-hero-logoSaiu nos EUA (e alguns países da Europa) a versão 4K do Xbox One, o videogame da Microsoft que vem rivalizando com o PlayStation nos últimos anos. O modelo One S (foto) acrescenta algumas funções, mas o principal é seu processador de upscaling, para elevar a resolução de imagem. Como na maioria dos TVs 4K, esse recurso permite assistir aos conteúdos convencionais Full-HD com a “sensação” do 4K.

Aguarda-se para setembro a chegada do PlayStation Neo, que será a resposta da Sony ao Xbox One S. E a própria Microsoft já anuncia para 2017 o Scorpio, que seria então o primeiro console com 4K nativo. As duas empresas, como sempre, fazem suspense sobre as especificações dos produtos, deixando neuróticos os sites especializados. Segundo o 4k.com, o S traz maior capacidade de armazenamento que o Xbox One original (2 Terabytes), utilizando um chip quad-core semelhante. E reproduz discos Blu-ray 4K 60P e é compatível com conteúdos transmitidos em HDR, inclusive da internet, o que já é muito. Estão chegando também versões para 1TB e 500GB.

Quanto ao Neo e ao Scorpio, há mais especulações do que informações. Vamos ter de aguardar. De qualquer modo, esses anúncios apontam para um novo salto de qualidade e velocidade no mundo dos games. Eis aí um segmento que mantém o vigor, apesar das oscilações econômicas, sustentado por uma legião de fãs. Quando eles começarem a ver seus jogos em 4K, vai ser difícil segurar.

Grandes TVs, para grandes imagens

Ainda não há estatísticas oficiais sobre o impacto dos Jogos Olímpicos nas vendas de TVs. Mas saiu uma mostrando que pelo menos a expectativa gerada foi intensa. O site chinês Digitimes publica que os pedidos aos fabricantes no primeiro semestre chegaram a 24,8 milhões de painéis UHD, um crescimento de 70% em relação ao ano passado. O segmento de TVs 4K já representa 20% do total de encomendas, e 55% das vendas de TVs de 55″ ou mais. Nesse nicho, a LG está em primeiro lugar, diz a pesquisa, seguida pela Samsung e pelas chinesas AUO, China Star e BOE; vale lembrar que a LG fornece painéis para outras marcas, como Panasonic e Vizio.

A mesma fonte indica que a estimativa para o ano é de 59 milhões de TVs UHD, equivalente a 23% do total de displays.

Medalha de ouro para o controle remoto

TOPSHOT - USA's Carlos Zenon Balderas Jr. lands a punch on Kazakhstan's Berik Abdrakhmanov during the Men's Light (60kg) match at the Rio 2016 Olympic Games at the Riocentro - Pavilion 6 in Rio de Janeiro on August 6, 2016. / AFP PHOTO / Yuri CORTEZYURI CORTEZ/AFP/Getty Images ** OUTS - ELSENT, FPG, CM - OUTS * NM, PH, VA if sourced by CT, LA or MoD **

Assistir à Olimpíada com o controle remoto na mão é um perigo. A julgar pelos primeiros dias, a chance de “viciar” é enorme. São 25 canais transmitindo de tudo, em quadras, campos, piscinas, pistas, tablados e tatames. Fora as reprises. O efeito zapping tem algo de neurótico. Fica mais difícil se concentrar, e parece maior a expectativa pelos momentos decisivos, como as disputas por medalhas. Quando você vê, já passou duas ou três vezes por todos os canais, só para descobrir que os americanos ganharam mais uma medalha na natação.

Para quem se interessa por tecnologia, uma diversão sádica é ficar procurando falhas nas transmissões – como se os milhares de profissionais que participam da cobertura fossem imunes aos erros. Nem Michael Phelps é. Particularmente impressionantes são as tomadas sob a água, que permitem observar em detalhe o grau de esforço e a perfeição dos movimentos dos atletas (sem falar no efeito plástico da própria água).

Após 20 ou 30 minutos apertando o controle remoto e misturando rúgbi com polo aquático, não é fácil desligar. O que é ótimo, se você não tem que trabalhar. E pense bem: pior é a situação daqueles que se aventuram pelo mundo multimídia, e são impiedosamente atingidos por centenas de mensagens, tuítes, apps e compartilhamentos, tudo falando de Olimpíada. Esses, acho que só vão dormir depois do dia 21.

Mais ou menos como o lutador da foto, que aliás foi publicada no primeiro dia dos Jogos. Era só o começo!

Olimpíada em 4K HDR: testando…

abertura5A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos foi mesmo inesquecível. Um primor de criatividade na parte cênica, e um show de tecnologia audiovisual. Excelente a ideia dos organizadores de convidar Fernando Meirelles, um dos melhores cineastas do país, para dirigir o espetáculo, que naturalmente foi pensado para a televisão. Com ele trabalharam a cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Déborah Colker.

Em nossa sala de testes, começamos na própria sexta-feira a analisar as transmissões especiais do SporTV em 4K HDR, inéditas num evento desse porte. Estamos utilizando um decoder da NET e dois TVs compatíveis com esse padrão, que nos foram cedidos pelos fabricantes (Samsung KS9000 e Panasonic TC-65DX900B), ambos de 65″. Detalhes aqui.

As primeiras imagens levadas ao ar ao vivo deixaram dúvidas: o sinal em HDR era inferior – em cores e contraste – ao sinal do SporTV transmitido em HD e convertido para 4K pelo próprio TV. Deu a impressão de que estavam sendo feitos ajustes conforme o show ia se desenvolvendo, dada a instabilidade da imagem.

Assistam ao vídeo e comentem.

Vamos continuar acompanhando. O SporTV promete mostrar em 4K HDR também algumas competições. O canal especial só pode ser captado com o decoder, que a NET também está testando e, claro, com um TV como os dois citados (solicitamos também para Sony e LG, mas os aparelhos não chegaram a tempo).

Será que o Rio vai virar Londres?

here eastEm meio à expectativa para o início dos Jogos Olímpicos, o canal GNT exibiu na semana passada uma minissérie (apenas 3 episódios) apresentada pelo ex-jogador Raí sob o título Londres Depois dos Jogos. Foi uma boa sacada. Depois de organizar o evento em 2012, o que teriam feito os ingleses com as grandes instalações construídas? Como no Rio agora, o centro olímpico londrino foi erguido numa região da cidade cuidadosamente escolhida – a diferença, uma delas, é que lá decidiram restaurar uma parte degradada, aproveitando os Jogos para revitalizá-la; aqui, preferiram a região da Barra, que já há alguns anos é uma das mais valorizadas do Rio.

Vale a pena assistir à minissérie (pelo aplicativo GNT Play) para conferir. Os preparativos em Londres começaram em 2005, quando a cidade foi oficializada como sede dos Jogos. Onze anos depois, a região que ficou conhecida como Parque Olímpico Rainha Elizabeth, no lado oeste da capital britânica, se transforma num dos mais importantes centros de tecnologia da Europa. Um grupo de investidores conseguiu atrair dólares do Qatar para aproveitar os prédios erguidos antes dos Jogos e construir ali o Here East, a ser inaugurado em janeiro de 2017.

Será uma espécie de “centro tecnológico de economia criativa”, onde empresas poderão alugar espaços para escritórios e laboratórios de pesquisas, aproveitando a malha de transportes que foi implantada ali para a Olimpíada. O East Side era (continua sendo) umas das regiões mais pobres da cidade, com grande número de desempregados. Segundo os administradores, já há uma lista de espera com empresas de áreas como fitness, moda, esporte e Internet das Coisas, querendo ocupar a área de 6 mil metros quadrados.

No Rio, vamos ver.

Olimpíada em 40 canais. Ou mais.

ginasticaA Olimpíada Rio 2016 começou nesta quarta-feira, e é possível ter uma ideia de como acontece um evento desse porte na era da comunicação instantânea. Em março, já tínhamos informações sobre como funcionaria o esquema técnico da cobertura, que pela primeira vez une TV e internet em tempo real. Mas eram apenas planos. Agora, podemos ver na prática.

Quem tem um decoder NET da nova geração, por exemplo, pode acessar pela TV os 40 canais especiais do SporTV Play dedicados aos Jogos. NET e Globosat decidiram se unir nesse trabalho e, assim, o sinal que inicialmente só poderia ser acessado pela internet entra também na rede da operadora. A promessa da Globosat é manter no ar, durante todo o período dos Jogos, os sinais gerados pela OBS (Olympic Broadcasting Services) com som ambiente (sem narração), para quem quiser acompanhar imagens de suas modalidades favoritas. Segundo a NET, alguns destaques do evento vão entrar também na grade do Now, ou seja, o assinante poderá revê-los a qualquer momento.

A atual geração de decoders já é híbrida: pode receber tanto os sinais de TV quanto os de internet. E, por ser patrocinadora dos Jogos (através da Embratel, que adquiriu os direitos ainda em 2010), a NET/Claro consegue explorar melhor as possibilidades da comunicação digital, conciliando banda larga e redes 3G e 4G (mais detalhes aqui).

Estes Jogos Olímpicos serão, ao mesmo tempo, um acontecimento histórico e um desafio de tecnologia, pois com certeza haverá explosão de tráfego nas competições mais importantes. Imaginem uma final de futebol entre Brasil x Argentina, ou a disputa do ouro nos 100m rasos com o fenômeno Usain Bolt. Todo mundo vai querer ver.

Displays OLED, em vários estilos

LG-Arched-OLED-Display-1024-1024x768E, já que falamos tanto nos últimos dias sobre TVs LED-LCD com resolução 4K HDR, vale a pena lembrar a evolução da tecnologia de painéis orgânicos (OLED). Na verdade, todo o esforço dos fabricantes de LCD hoje é para se equiparar em qualidade de imagem ao OLED, que por enquanto não foi superado. Os TVs Quantum Dots, também chamados “pontos quânticos”, ou “nanocristais”, são os que mais se aproximam em contraste e profundidade de cores.

Como se sabe, OLED é uma tecnologia ainda em evolução e que sofre com o fato de somente um fabricante, até agora, estar investindo forte: a LG. Por melhor que seja o desempenho, historicamente essa solidão não é um bom sinal. Os exemplos mais conhecidos são os do videocassete Betamax, da Sony, que era considerado superior ao VHS mas acabou perdendo a disputa quando a empresa ficou sozinha (década de 80); e o HD-DVD, da Toshiba, que pela mesma razão foi superado pelo Blu-ray (2008).

Em tecnologia, quase nada é possível de se fazer sem o apoio de um grupo de empresas, geralmente na forma de consórcio, colaborando para avançar nas inovações e no grau de conhecimento do público. Sabe-se, por exemplo, que o processo de fabricação dos painéis orgânicos é complexo e oneroso; o custo certamente cairia se houvesse mais empresas desenvolvendo. Fala-se ainda que a performance dos displays tende a cair com o uso contínuo, mas ainda é cedo para afirmar isso.

Bem, seja como for, está prestes a ser lançada no Brasil a linha HDR da LG (notícias nas próximas semanas). Em alguns países, já estão à venda modelos de 55″, 65″ e 77″, planos e curvos. Mas o que mais nos chama a atenção é a evolução dos painéis orgânicos na área de sinalização digital (digital signage), como mostra este link. Foram considerados os melhores da última InfoComm, em Las Vegas, onde houve demonstrações em vários formatos: curvos (côncavos e convexos, como na foto acima), stretched (mais largos), pendurados em suportes móveis, em videowalls e até em dual-view (imagens em 4K exibidas dos dois lados da tela).

O link traz também um vídeo sobre o aeroporto de Seul, onde houve a “estreia oficial”.

Integradores: como superar a crise?

A crise econômica talvez oculte uma realidade que, no entanto, é cada vez mais visível para quem está atento ao segmento de sistemas AV. Com orçamentos mais restritos, é natural que os usuários – tanto em empresas quanto em residências – levem mais em conta o fator “preço”. Mas cresce a necessidade de profissionais mais bem preparados (especializados de verdade) para desenvolver novos nichos de mercado e atender um público mais bem informado e, portanto, mais exigente.

Pesquisa recente do site americano CE Pro, voltado a profissionais dessa área, enumerou uma série desses nichos que vale a pena observar. É bom lembrar que, com a crise de 2008, o mercado americano sofreu um choque, do qual não mais se recuperou. Quase todos os prestadores de serviço, assim como a maioria dos fabricantes e importadores, trabalha hoje com margens mais enxutas do que até 2007. Reduziram os postos de trabalho, passaram a atender menos clientes e a selecionar melhor as marcas que vendem e/ou instalam.

Mas muitos dos que perderam o emprego, ou tiveram que fechar as portas, partiram para novas especialidades, ou seja, buscaram se reinventar. Sem dúvida, isso é mais fácil quando se tem uma boa base educacional e, no caso americano, uma “reserva de cultura” voltada à tecnologia e à inovação. Infelizmente, nada disso existe no Brasil. Ainda assim, é útil analisar os subsegmentos de mercado surgidos a partir dessa reinvenção e apontados pelo site. São atividades que o integrador, até hoje limitado aos projetos de áudio&vídeo (quando muito automação), pode aprender e oferecer a seus clientes.

*Amplificadores (boosters) de sinal de celular

*Gravadores digitais (DVR) para entretenimento e segurança

*Móveis, suportes, pedestais e assentos para salas de home theater

*Especificação e instalação de caixas acústicas embutidas

*Configuração, instalação e programação de servidores multimídia

*Lifts e suportes para projetores e telas

*Projeto e instalação de sistemas multiroom AV

*Sistemas AV para áreas externas

*Aspiração central

*Cabeamento estruturado

*Redes sem fio

*Centrais digitais de telecom (com e sem fio)

*Controles de acesso, alarmes e câmeras IP

*Iluminação por leds (interna e externa)

*Cortinas e persianas motorizadas

*Proteção de equipamentos eletrônicos

*Integração de eletrônicos e eletrodomésticos

*Campainhas e fechaduras eletrônicas

*Gerenciamento remoto da casa

*Software para design de projetos

*Manutenção de redes e cabos elétricos

*Sistemas de home care para pessoas com dificuldades de locomoção

 

Novos negócios da China

Enquanto na China o Uber está se fundindo com (leia-se: “sendo incorporado por”) seu maior concorrente local, negócio de US$ 25 bilhões, nos EUA a Vizio, hoje a marca de TVs mais vendida no país, anuncia que foi adquirida pela chinesa LeEco (US$ 2 bilhões).

Já comentamos aqui sobre os investimentos chineses em tecnologia na Índia, no Japão, EUA etc., sem falar do Brasil, mas é espantoso como empresas jovens do país rapidamente se tornam multinacionais, como nos dois casos acima. LeEco e Didi Chuxing, esta a nova dona do Uber, foram fundadas em 2012! Na lista das 50 empresas mais inteligentes do mundo, divulgada recentemente pela revista Technology Review, ligada ao MIT, aparecem nada menos do que 5 chinesas  (contra 3 japonesas, 1 alemã e 1 coreana).

Investidores chineses estão comprando startups em Israel, e atacam avidamente no Vale do Silício, onde já conquistaram 80% da Lumileds (divisão de iluminação inteligente da Philips), entre diversas startups. Diz a revista Fortune que eles preferem comprar empresas pequenas, ou em dificuldades, e depois levá-las para a China, com suas tecnologias, para conquistar o maior mercado do mundo.

Pelo visto, esse é o futuro.