Archive | novembro, 2016

CES 2017 reforça medidas de segurança

O clima é tenso, o medo da violência está no ar, a campanha eleitoral foi a pior de todos os tempos, e o resultado final deixou claro que o país está dividido. Não estamos falando do Brasil, mas dos EUA, claro. Amigos brasileiros, que vivem lá há anos, relatam que nunca se sentiram tão mal. Depois da crise financeira de 2008, está (ou estava) em curso uma lenta recuperação, que agora ninguém sabe se irá continuar.

É nesse ambiente que será realizada a 50a. edição da CES, em janeiro. Como já informamos aqui, estão previstas diversas comemorações, mas nesta quarta-feira a Consumer Technology Association anunciou algo mais sério: serão necessárias medidas extras de segurança. O visitante poderá entrar nos recintos da feira com no máximo duas bolsas, cada uma com até 45cm. Peças com rodas não serão permitidas. Detectores de metais serão espalhados por todos os pavilhões. E, claro, irá aumentar o número de agentes, não só nas instalações da CES, mas em toda a cidade de Las Vegas, que nessa época do ano fica mais congestionada do que nunca.

Business Tech completa seu primeiro ano

capa-bt5Acaba de ser lançada a 5a. edição da revista BUSINESS TECH, dedicada ao segmento de Pro AV e sistemas eletrônicos para empresas. Como sua irmã mais velha HOME THEATER, que este ano chegou ao 20o. aniversário, a revista procura incentivar o aperfeiçoamento técnico dos profissionais e dos usuários de tecnologia – neste caso são também profissionais na compra e gerenciamento de redes e espaços corporativos.

Esta 5a. edição traz como destaques a importância da certificação técnica para integradores, projetistas e demais categorias atuantes no segmento Pro AV; o crescimento do vídeo nas redes das empresas, que agora se vêem diante de novos desafios tecnológicos; a montagem de salas de reunião mais dinâmicas, inclusive com participantes online; as novas soluções em videoconferência; e a competição de mercado entre os projetores tradicionais e os modelos a laser.

Como media partner da InfoComm International, BUSINESS TECH busca ampliar o mercado Pro AV com informação atualizada e qualificada. Os conteúdos são produzidos por especialistas brasileiros e estrangeiros, inclusive consultores da própria InfoComm. Parte do material está disponível em tempo real, no site businesstech.net.br, complementando os conteúdos da revista, que circula em versões impressa e digital.

Para fazer o download, ou solicitar a edição impressa, basta se cadastrar gratuitamente, neste link.

Fabricantes criam associação no Brasil

Associação Brasileira de Fabricantes de Áudio, Vídeo e Conectividade Profissional: este é o nome da nova entidade fundada por representantes de algumas das maiores marcas internacionais de equipamentos eletrônicos. A Pro AV Brasil, como é chamada, se propõe a trabalhar pelo aperfeiçoamento técnico dos profissionais brasileiros de áudio, vídeo, automação e sistemas eletrônicos, e também a educar os usuários a buscarem mais qualidade nos projetos, não apenas preços mais baixos. São oito as empresas fundadoras: Audio Technica, Barco, Christie, Crestron, Epson, Extron, Harman e Kramer. Mas a ideia é reforçar o grupo com a adesão de outros fabricantes, nacionais e internacionais. Já houve conversas, por exemplo, com a Abinee, visando criar um grupo setorial dentro da estrutura dessa que é a maior entidade da indústria eletrônica no pais. Vejam mais detalhes aqui.

Trump e a crise existencial da mídia

amanpour-horizontal-for-pressroomA jornalista inglesa Christiane Amanpour (foto) é uma das estrelas internacionais da CNN. Já foi correspondente de guerra, durante os conflitos da Bósnia nos anos 1990, e comanda um programa semanal de entrevistas que tem ótima reputação. Na semana passada, Christiane foi homenageada em Nova York com o prêmio Burton Benjamin, do Comitê para Proteção dos Jornalistas, uma ONG dedicada à defesa da liberdade de imprensa em todo o mundo. Vale a pena transcrever aqui os principais trechos de seu discurso de agradecimento, em que conta episódios recentes envolvendo perseguições a profissionais de comunicação, a atuação da imprensa durante a vitoriosa campanha de Donald Trump e as manifestações do presidente eleito sobre a mídia em geral (a íntegra do discurso, em inglês, pode ser conferida aqui).

“Nunca imaginei que um dia estaria num palco como este apelando em favor da liberdade de imprensa e pela segurança dos jornalistas americanos em seu próprio país.

“Fiquei chocada ao ler um post do presidente eleito no Twitter, condenando ‘manifestantes profissionais incitados pela mídia’. Ainda não chegamos lá, mas isso é exatamente o que acontece com ditadores como Sisi, Erdogan, Putin, Duterte, os Aiatolás etc. Primeiro, a mídia é acusada de incitar, depois simpatizar, depois se associar – até que os jornalistas são chamados terroristas ou subversivos. Acabam algemados, sentenciados, presos e sabe-se lá mais o quê.

“Uma grande América requer uma imprensa livre e segura. Portanto, este é um apelo que faço para proteção do próprio Jornalismo. Que todos os profissionais de mídia se dediquem a checar os fatos que relatam, sem medo nem favorecimento. Não aceitem ser chamados de vigaristas, mentirosos ou fracassados.

“Aprendi muitos anos atrás, durante a cobertura na Bósnia, que nunca se deve equiparar vítima e agressor, nem criar uma falsa moral. Porque, quando faz isso, você se torna cúmplice dos mais horrendos crimes. Acredito em ser fiel à verdade, não neutro. E acho que precisamos deixar de banalizar a verdade.

blame-the-media-trump-headlines-jpg-1476980483“Precisamos estar preparados para lutar mais ainda pela verdade, num mundo que o dicionário Oxford anunciou que a palavra do ano é ‘pós-verdade’. O candidato vencedor nos derrotou, conseguindo falar diretamente com as pessoas, combinando um tsunami de notícias falsas (ou seja, mentiras) com o fato incrível de que a maioria não podia, ou não queria, checar os fatos.

“Um dos principais autores dessas notícias falsas chegou a dizer que hoje as pessoas estão mais estúpidas, compartilhando esse tipo de relato sem checar. Será que a tecnologia acabou com nossa capacidade de discernimento? Com a palavra o Facebook. É hora dos anunciantes boicotarem sites que divulgam mentiras.

“Cito aqui palavras de Wael Ghonim, um dos pioneiros da chamada Primavera Árabe: ‘As redes sociais amplificam a tendência humana de procurar apenas os seus semelhantes. Tendem a reduzir complexos desafios sociais a meros slogans, que reverberam em verdadeiras câmaras de eco que são os grupos formados por pessoas com o mesmo pensamento, em vez de buscarem a persuasão, o diálogo e o consenso. Discursos de ódio e inverdades aparecem lado a lado com boas intenções'”.

“Acredito que estejamos enfrentando uma crise existencial, uma ameaça à relevância e à utilidade de nossa profissão. Hoje, mais do que nunca, precisamos nos comprometer com a busca da verdade no mundo real, onde Jornalismo e Democracia estão em perigo. Potências como a Rússia pagam para publicar notícias falsas, invadindo redes de comunicação democráticas, como já fizeram aqui nos EUA e, pelo que se diz, farão também nas próximas eleições na França e na Alemanha.

“Precisamos lutar também contra um mundo de ‘pós-valores’. Desde quando os valores americanos seriam elitistas? Não são valores de direita ou de esquerda. Não são valores de ricos nem de pobres. Como muitos estrangeiros, aprendi que são valores universais. Pertencem tanto aos mais humildes quanto aos mais poderosos. Sim, como muitos pelo mundo afora, também fiquei chocada ao ver nas eleições que tantos americanos ignoraram aquele balcão de linguagem vulgar, comportamento sexual predatório, insultos e misoginia. O governador Mario Cuomo disse que é possível fazer campanha em verso e governar em prosa. Talvez agora se prove o contrário.

“Um apresentador de rádio diz que a mídia é hostil aos valores tradicionais. Acho que é exatamente o contrário. Viram outro dia o grito de ‘Heil, Victory’ em Washington? Desde quando se aceita antisemitismo neste país?

“O que acontece nos EUA também é importante para outras nações. Gostemos ou não, esta é a única superpotência mundial. Inclusive culturalmente. Os exemplos políticos, e os exemplos de mídia fixados aqui, são rapidamente emulados pelo mundo afora. Nós, da mídia, podemos contribuir para um sistema mais funcional, ou então aprofundar as disfunções políticas. Qual desses sistemas queremos deixar para nossos filhos?

“Da mesma maneira, a política degenerou em divisões partidárias em que as divergências são criminalizadas. É um jogo de soma zero: para eu ganhar, preciso destruir você. Essa dinâmica também afeta os grandes grupos de mídia nos EUA, como já aconteceu no Egito, Turquia e Rússia. Jornalistas foram marginalizados, sob a acusação de serem inimigos do Estado. É preciso parar com isso. Temos muito trabalho pela frente, investigando os malfeitos, responsabilizando os poderosos, promovendo governos decentes, defendendo os direitos básicos e até mesmo descobrindo as forças nucleares que existem na Rússia, na Síria, Coreia do Norte etc.

“Será que não podemos manter nossas diferenças sem ter que nos matar uns aos outros? Na nossa profissão, devemos lutar por aquilo que é certo. Lutar por nossos valores. Muita coisa ruim acontece quando as pessoas ficam sem fazer nada. Vamos lutar para continuarmos sendo relevantes e úteis para a sociedade”.

 

Globo vs Netflix: começo da batalha

Em entrevista à Folha de São Paulo, na semana passada, o diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, deixa claro que a Netflix é o inimigo a ser batido. Enquanto a maioria das operadoras trata o assunto apenas em off (algumas sequer admitem mencionar o nome do site americano), a Globosat – que fornece os conteúdos às operadoras – não esconde a natureza da batalha. Segundo Pecegueiro, está para sair uma versão VoD do Telecine Play, que irá oferecer justamente o tipo de programa em que a Netflix fraqueja: filmes recentes. Seria um acordo com as produtoras de Hollywood, que assim ganhariam muito em exposição, reduzindo sua dependência em relação à Netflix (mais detalhes aqui).

Até hoje, a Globosat mantinha o discurso de que jamais iria bater de frente com as operadoras. Net/Claro, Vivo/GVT e Oi respondem pelo grosso do faturamento da programadora, que detém alguns dos canais de maior audiência e/ou apelo comercial (SporTV, Multishow, Telecine…). Quase todos esses canais já podem ser acessados online, gratuitamente, mas apenas pelos assinantes de uma operadora. Agora, a ideia é deixar que qualquer um acesse, pagando à própria Globosat uma assinatura mensal baixa, como acontece na Netflix. Ao jornal, Pecegueiro diz que a Globosat não vai “atropelar” a aliança que mantém com as operadoras.

Será curioso ver o modelo proposto pela Globo, que já lançou o Globo Play (para conteúdos da rede aberta – leiam aqui) e que prevê serviços de VoD similares em esportes (Premiere), shows (Multishow) e até séries nacionais, conteúdos que a Globo domina como poucas redes no mundo. Curiosamente, a entrevista saiu às vésperas da estreia de 3%, primeira série produzida pela Netflix no Brasil. Semanas atrás, o fundador da empresa americana, Reed Hastings, deu entrevista à própria Folha de SP citando suas negociações para exibir conteúdo da Globo. “Eles não licenciam conteúdo para a Netflix, nos vêem como concorrentes, o que é justo”, disse ele. “É como dois times competindo”.

Esse campeonato está apenas começando.

Samsung, Harman e o futuro dos carros

cylindrical-pcA notícia de que a Samsung irá assumir o controle do grupo Harman, confirmada nesta 2a feira, surpreende pelos valores envolvidos. A colaboração entre os dois grupos não é nova (acima, foto do ArtPC Pulse, desktop de formato cilíndrico, lançamento recente no mercado asiático). Mas, em qualquer circunstância, US$ 8 bilhões é muito dinheiro. No caso, significa 28% a mais do que vale oficialmente a empresa americana, considerando a cotação de suas ações na última 6a feira. É o tipo do negócio em que o mercado fica se perguntando se não há alguma pegadinha por trás.

Como já aconteceu algumas vezes entre grandes corporações, a iniciativa da Samsung pode ser considerada no mínimo ousada. Só para citar dois casos: Google-Motorola e Microsoft-Nokia. Também foram acordos bilionários, que no médio prazo revelaram-se fracassados.

O que teria levado a Samsung a fazer oferta tão irrecusável? As duas hipóteses mais plausíveis: havia um concorrente em ação e era necessário impedi-lo; ou a direção do grupo coreano precisava de uma medida tão impactante para neutralizar as consequências da crise com os smartphones Galaxy Note 7, cuja fabricação foi suspensa.

Se, ao ler “concorrente”, você pensou na Apple, a dedução é lógica. Ninguém no mundo atual ameaça mais a supremacia da maçã do que a Samsung. Mas a segunda possibilidade é, por enquanto, a preferida dos analistas de mercado. Seja como for, se o negócio for concretizado, será um passo e tanto para os coreanos dominarem o concorridíssimo segmento de carros conectados e, por tabela, também o de IoT.

Para outros, é uma surpresa também o próprio fato da Samsung comprar uma empresa tão grande como a Harman, fundada em 1953. Embora alguns sites a reconheçam “apenas” como fabricante de sistemas automotivos (hoje, quase 70% das receitas do grupo vêm desse setor), a Harman é o maior fabricante mundial de alto-falantes, com sua marca JBL ou fornecendo para outras marcas. É fortíssima em sistemas de áudio profissional e instalações gigantes, como estádios, arenas etc. Possui nada menos do que 8 mil engenheiros de software! Além disso, adquiriu em 2014 a AMX, que produz sistemas de automação (seu maior cliente é o governo americano) e vem crescendo na área de nuvem e tecnologias móveis. Recentemente, alterou sua identificação da antiga Harman International para “Harman Solutions”. Seu faturamento anual é de US$ 6,9 bilhões. Mais detalhes aqui.

“A compra faz todo sentido para nós”, disse à agência Reuters o CEO da Samsung Electronics, Young Sohn. “Chegamos à conclusão de que não temos mais por onde crescer de forma orgânica, ou seja, simplesmente atuando em nosso segmento”.

CES, uma senhora de 50 anos

A próxima edição da CES, em janeiro, vai marcar os 50 anos do evento, que começou em 1967. Anos atrás, montamos um hot site especial (que pode ser visto aqui) para contar essa história, cheia de curiosidades e de fatos marcantes para quem gosta de tecnologia. No primeiro ano, foram registrados 17.500 visitantes, mais ou menos 10% do que se tem atualmente. A CES foi palco para lançamento de preciosidades como o videocassete (1975), o Laserdisc (1979), CD (1982), DVD (1996), Blu-ray (2002) e praticamente todas as inovações que não foram criadas pela Apple (a empresa se recusa a participar).

Para festejar a data, a CTA (Consumer Technology Association) planeja o “maior evento de todos os tempos”, com 3.800 expositores espalhados por quatro pavilhões, além de suítes de três grandes hotéis de Las Vegas. Fotos e vídeos das 49 edições anteriores serão exibidas pelos corredores, e cada visitante poderá circular com botons indicando quantas vezes já esteve na Feira. Será também produzido um documentário especial contando a história da CES, a ser exibido a partir de junho.

Quem tem planos de ir já pode se preparar neste link. Ou ver este vídeo.

Banda larga ultra rápida? Nem tanto…

Após fazer muito barulho no lançamento, dois anos atrás, a Google decidiu suspender os investimentos em seu projeto Fiber, que prometia oferecer banda larga ultra rápida. Na semana passada, o blog oficial da empresa anunciou uma “pausa” nas operações, embora garantindo que o serviço continuará nas 12 cidades americanas onde já está implantado (ou em vias de).

Não há muitas explicações, mas sites especializados comentam que as pressões dos investidores têm aumentado. A Google Inc. instituiu o hábito de criar empresas para desenvolver projetos futuristas, como é o Fiber, sem muita preocupação com o retorno financeiro de curto prazo. Mas parece que agora não é mais assim. Há necessidade de mostrar aos donos do dinheiro que a empresa não joga dinheiro fora!

No ano passado, o grupo promoveu uma reestruturação exatamente com esse objetivo. A parte lucrativa – buscas e publicidade, mais o YouTube – ficou de um lado, e todas as startups foram agrupadas num segundo bloco, sob controle de uma holding chamada Alphabet. Estão nesse guarda-chuva a Nest (automação), Google Glass (realidade virtual), Calico (tecnologias para saúde), Google Ventures (investimentos em outras empresas) e o cultuado X Lab, que se dedica a pesquisas em novas tecnologias.

Segundo o jornal The Washington Post, a maioria desses negócios dá prejuízo, porque – na visão mais pessimista – “produzem coisas que ninguém quer comprar”. No caso do projeto Fiber, chamou a atenção dos especialistas quando a empresa anunciou que construiria redes de 1 Gigabit por segundo, o que significa 40 vezes mais que a do Netflix, hoje a mais rápida do planeta. Montou a primeira delas na cidade de Kansas City, seguiu para outras cidades, mas o fato é que foi um trabalho ocioso – talvez audacioso demais, ou no mínimo precipitado.

Além da estrutura física, à base de fibra, há um custo alto para convencer as famílias a adotarem o Fiber e abrir mão dos serviços tradicionais de banda larga. Para seduzi-los, a empresa começou a oferecer seu próprio de TV, com HBO, ESPN etc., tendo assim que pagar os respectivos direitos. Além de tudo isso, está tendo que brigar na Justiça contra operadoras como AT&T e Comcast, que são donas dos pontos de acesso.

Assim, nem o Google aguenta.