Archive | dezembro, 2016

Apple agora muda o mercado de cinema

Várias fontes indicam que está para acontecer uma pequena revolução no mundo do cinema. Em discussão, a chamada “janela” entre o lançamento dos filmes nos cinemas, vídeo, TV e internet. Durante décadas, prevaleceu a ideia de que era preciso atingir o máximo de bilheteria antes que as pessoas pudessem ver os filmes em casa. Era assim na época do VHS e, depois, do DVD. Na maioria dos casos, um filme só chegava ao mercado de vídeo pelo menos seis meses após o lançamento nos cinemas. Com isso, os estúdios faturavam duas ou três vezes mais. Só que a internet virou esse mercado de cabeça para baixo.

Na semana passada, foram reveladas negociações entre a Apple e alguns dos maiores estúdios de cinema. Fox, Warner e Universal agora admitem reduzir (ou até eliminar) as janelas para permitir o lançamento dos filmes no iTunes. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a empresa fundada por Steve Jobs apressou as conversas para não dar espaço a concorrentes como Google, Amazon e Netflix, que não por acaso tiveram a mesma ideia. A proposta é reduzir a janela dos atuais 90 dias para duas semanas, cobrando um valor extra pelo streaming.

Basicamente, é o modelo de sucesso criado pela própria Apple para o segmento de música, mas que os estúdios de cinema nunca aceitaram. No entanto, em todo o mundo as receitas das redes exibidoras vêm caindo continuamente, como mostra este outro site. E há ameaças no ar. Meses atrás, Sean Parker, um dos gênios fundadores do Napster, anunciou a criação de um serviço de VoD chamado Screening Room, no qual os usuários poderiam assistir aos filmes em casa no mesmo dia da estreia nos cinemas. No mesmo dia!!!

Numa época em que aplicativos e serviços online tomam conta dos negócios, é bom não arriscar.

Aplicativo para controlar os políticos

No emaranhado político-policial brasileiro, fica cada vez mais claro que a participação dos cidadãos de bem é fundamental. Sem ela, como já diziam os filósofos gregos, os governantes e os poderosos em geral não vêem limites para sua delinquência. E a tecnologia está para dar uma força. Dificilmente teríamos a faxina de hoje se não fossem a internet e as redes sociais.

Agora, por exemplo, existe um aplicativo que permite acompanhar melhor – e, portanto, fiscalizar – as votações das leis no Congresso, assembleias e câmaras municipais, o andamentos das obras públicas, seus financiamentos e repasses. Chama-se Govern e foi criado pela empresa brasileira Leapps, especializada em serviços digitais. Foi criado há alguns meses, ganhou força na época das eleições e  agora, por motivos óbvios, está conquistando mais adeptos.

É um primeiro passo. Que venham outros.

Atualizando: sobre o mesmo assunto, comentamos neste link a polêmica sobre as chamadas fake news (“notícias falsas”) que vêm circulando pelas redes sociais.

Três notícias que têm tudo a ver

Divulgadas quase no mesmo dia, três notícias do Brasil atual que parecem – mas só parecem – não ter nada a ver entre si:

Estudantes de ensino médio sabem hoje menos matemática do que sabiam em 2009, e estagnaram em Ciências e Leitura. Com isso, o Brasil caiu no ranking mundial da educação.

Saiu a lista dos dez vídeos mais assistidos do YouTube em 2016. Ali está o resumo dos conteúdos mais apreciados pelos internautas (na maioria, jovens) brasileiros.

Como foi o acordo entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para manter na presidência do Senado um réu chamado Renan Calheiros.

Comunicação de mentirinha

Já sabemos que as redes sociais, especialmente o Facebook e o WhatsApp (ambos do mesmo dono), são terra fértil para notícias falsas. O fenômeno que os estudiosos estão chamando fake news desabrochou de vez com a campanha presidencial americana, mas olhando um pouco para trás veremos que nessa o Brasil foi pioneiro: nossas eleições de 2014 foram, de longe, as mais mentirosas de todos os tempos.

O problema é que, para a maioria, isso parece soar cada vez mais natural. Os fofoqueiros se digitalizaram. Perdoem a comparação. Chamavam-se “fofoqueiros” os colunistas sociais e personagens da boemia que viviam falando da vida alheia, mas esses raramente saíam do campo das frivolidades. Seu assunto preferido era a vida de artistas que, aliás, adoravam ser citados mesmo quando as notícias não eram exatamente verdadeiras. Mas aí vieram os marqueteiros políticos. E hoje está tudo dominado.

Anos atrás, anúncios de uma marca brasileira de sorvetes contavam a história da empresa, cujas saborosas receitas incluíam ingredientes refinadíssimos, todos importados, seguindo uma tradição do fundador, um simpático camponês italiano do início do século passado. Até que, meio sem querer, o atual dono revelou a uma jornalista que era tudo fake – a história fora inventada por um famoso publicitário para “dar um charme” ao produto.

Não sei se os apreciadores dos tais sorvetes deram importância à fraude, mas esta, quando muito, deve ter deixado gosto amargo na boca de alguns. Terrivelmente mais danosas são as notícias “criadas” para eleger um político sem escrúpulos, denegrir a imagem de uma empresa ou pessoa, encobrir falcatruas de empresários poderosos ou acobertar crimes. Já escrevi (aqui, por exemplo) que ninguém é obrigado a acreditar no que lê; ao contrário, deve desconfiar e, sempre que possível, confrontar as fontes.

Por mais que seja divertido repassar aos amigos as novidades, principalmente quando se pode adicionar pitadas de opinião (ou suposição) pessoal, basta assistir a um telejornal ou ver um site de notícias para perceber que esse esporte hoje é muito perigoso. Tomo a liberdade de reproduzir abaixo trechos de uma reportagem do The Wall Street Journal, publicada nesta quinta-feira, sob o título “Notícias falsas são financiadas pelas grandes marcas”.

Começa com esta pérola: “Yoko Ono diz que nos anos 70 teve um caso com Hillary Clinton”. A informação saiu meses atrás num site chamado World News Daily Report. Ganhou manchete. Junto, um grande anúncio da Fiat Chrysler, de olho nos milhões de pageviews que a “notícia” certamente ira produzir. O jornal cita esse entre vários exemplos de fake news produzidos pela assessoria do candidato Donald Trump, cujo marketing foi quase todo baseado no “falem mal, mas falem de mim”. Trump ganhou espaço em todas as mídias com suas frases grosseiras, acusações descabidas, exibições de preconceito, machismo e um enorme etc. Eram falsidades bem pensadas.

Tornaram-se usuais anúncios de empresas respeitadas colados a informações inventadas, graças aos malfadados algoritmos: a empresa compra o espaço sem saber exatamente quando nem como sua mensagem irá aparecer. As agências de publicidade revelam não ter como interferir no processo, comandado pelos dois gigantes atuais da mídia: Google e Facebook. Ambos anunciaram na semana passada que estão desenvolvendo meios de bloquear anúncios em sites mentirosos ou que distorcem informações. Mas, quem acredita?

Especialistas consultados pelo WSJ admitem que será difícil encontrar uma saída que agrade a todos. A própria complexidade da publicidade online já torna a missão ingrata. “Talvez os anunciantes nem saibam, ou talvez nem queiram saber”, resume Dan Greenberg, que dirige a agência de marketing digital Sharethrough. Ele é um dos que defendem iniciativas como boicotar sites baseados em fake news, ou que divulguem mensagens de ódio político, preconceito ou pornografia.

Só que, da forma como está estruturada hoje, a mídia online (leia-se: jornalismo, publicidade, RP e marketing) envolve uma vasta cadeia de participantes interdependentes. E, embora estejamos falando de “comunicação digital”, combater esses e outros desvios é algo que só pode ser executado por seres humanos, cada um com seus respectivos pré-conceitos.

Além do mais, como avalia John Lemp, da agência Revcontent, há muita gente ganhando dinheiro com esse tipo de conteúdo. “O sensacionalismo sempre fez parte do jornalismo”, resume.

Para ler o artigo original do WSJ, clique aqui.

Supermercado do futuro já está aí

Consagrada por sua loja online que levou à falência milhares de estabelecimentos mundo afora, a Amazon acaba de inaugurar uma… sim, uma loja física. Fica em Seattle, e para quem não pode ir até lá agora este vídeo é uma boa ilustração. A Amazon Go é uma grocery (vende apenas alimentos, por enquanto). Seus idealizadores, após quatro anos de pesquisas, imaginam que serão assim os supermercados no futuro – e talvez não demore muito. Não há filas. Ninguém precisa passar no “caixa” para pagar as compras. Usa-se o conceito que a própria Amazon inventou lá no século passado (1996) e que hoje é copiado pelo Uber, Netflix e os negócios mais bem sucedidos do e-commerce mundial.

Na Amazon Go, o consumidor pega os produtos que quiser e vai embora, sem que nenhum funcionário se importe. Basta que tenha uma conta aberta previamente no site, com o respectivo número do cartão de crédito. Passando o pacote pelo smartphone já cadastrado, pronto: está registrada a compra.

Por enquanto, em fase beta, somente funcionários da Amazon (que tem sede na mesma cidade) podem utilizar. Mas o plano é abrir ao público no início de 2017. Logo virão outras, por todo o país, vendendo de tudo no mesmo sistema. Adeus, filas no caixa.

Filmes offline, uma “nova” opção

Lembram-se de quando fazíamos downloads? Parece que foi há séculos… Com todo mundo conectado o tempo todo, o hábito de “baixar” filmes, séries e músicas acabou ficando em segundo plano. Parece que houve uma opção natural pelo streaming, que não exige aqueles zilhões de megabytes armazenados aqui e ali. Pois a Netflix acaba de lançar seu serviço de, isso mesmo, downloads. É gratuito (para quem é assinante, claro), e já oferece séries badaladas – como Narcos e Stranger Things – para assistir em qualquer dispositivo móvel offline, ou seja, mesmo quando não está conectado à internet.

Gratuito? Claro, nada é gratuito. Você vai precisar de uma boa conexão de banda larga, além de um bom tablet ou smartphone (iOS 8.0 ou Android 4.4.2). Um episódio de 60 minutos irá consumir cerca de 280MB em definição standard (440MB em HD). Só é possível baixar através do aplicativo, sem possibilidade de copiar os conteúdos de um aparelho para outro. E cada filme ou série tem um prazo-limite para ser assistido.

Mais do que nunca, a Netflix busca fidelizar seus assinantes, num momento em que surgem concorrentes por todo lado, inclusive a própria televisão. Vamos ver como os assinantes reagem.

Semp Toshiba dá lugar à Semp TCL

tclTerminou em agosto uma das mais longas parcerias entre empresas de países diferentes na indústria eletrônica: a brasileira Semp e a japonesa Toshiba se separaram, após esta decidir que não pretende mais investir no segmento de TVs (continua sendo gigante em outros setores). Não foi uma surpresa para a Semp, indústria familiar fundada em 1942 e que havia se unido aos japoneses em 1977. Logo em seguida, anunciou seu novo parceiro: o grupo chinês TCL, também gigante na produção de painéis de TV.

Estivemos na semana passada na sede da empresa, em Cajamar (SP), para entre outras coisas conhecer os primeiros produtos resultantes desse acordo. A partir de agora, o consumidor irá encontrar TVs de três marcas pertencentes ao grupo: Semp, TCL e Toshiba (a Semp manteve o direito de uso da marca no país). Alguns modelos já estão nas lojas, e no começo de 2017 chegam outros mais avançados.

Há alguns anos o TCL estudava sua entrada no mercado brasileiro, onde já atua com aparelhos de ar condicionado e celulares. Trata-se do maior fabricante de displays da China, e terceiro do mundo, com a vantagem de produzir seus próprios painéis. O TCL é dono de marcas como Alcatel e Thomson, e na China é forte em eletrodomésticos, um de seus objetivos também para o Brasil. “A parceria com a Semp será estratégica para a expansão dos nossos negócios no Brasil, e até para entrada de outras marcas chinesas no país”, diz o vice-presidente Farris Xie.

Já para a Semp, que viveu tempos difíceis de reestruturação nos últimos anos, era fundamental aproveitar a oportunidade de se unir a um grupo sólido e com tecnologia própria. “Estamos muito otimistas”, diz Ricardo Freitas, CEO da nova joint-venture. “Começando pelo setor de TVs, pretendemos crescer muito com as três marcas, para no futuro pensar nos outros segmentos”.

LCD, ainda correndo atrás do OLED

panasonic-dx900-v1-471320Já comentamos aqui várias vezes – vejam este post, por exemplo – a corrida dos fabricantes de TVs LCD para alcançar o desempenho dos displays orgânicos (OLED). Não é fácil, dada a diferença nativa entre as duas tecnologias. Mas um novo passo acaba de ser anunciado no Japão: a Panasonic revelou que conseguiu desenvolver um painel de cristal líquido, do tipo IPS, capaz de produzir níveis de contraste 600 vezes mais altos que um display LCD comum.

pana-novo-lcdO segredo seria a inclusão de células para modulação da luz emitida pelo backlight (vejam o desenho ao lado). Essas células atuariam junto a cada pixel, regulando individualmente a intensidade luminosa, o que evitaria o fenômeno conhecido como “flutuação de preto” (quando as partes mais escuras da tela sofrem vazamento de luz).

Bem, essa não é a única diferença entre LCD e OLED. Mas, sem dúvida, a questão do contraste é o que mais incomoda nos TVs convencionais, principalmente quando se tem um ambiente escuro. Mesmo com os enormes avanços dos últimos anos (e não foram poucos), ainda é possível notar os tais vazamentos; na verdade, cada pessoa reage de modo diferente ao problema (algumas nem percebem). Nos OLED, o vazamento não acontece.

Durante os Jogos Olímpicos, fizemos testes com o atual TV top de linha da Panasonic, mod. DX900, de 65″ (foto maior), inclusive captando imagens dos jogos em HDR transmitidas pela Globosat, com um decoder especial da NET (vejam o vídeo). Ficou claro que a intensidade de luz era maior que nos outros modelos, resultando em cores muito mais brilhantes – às vezes, até em exagero. Não era um painel IPS, como o do modelo agora anunciado no Japão, mas um do tipo VA: a principal diferença é que os IPS apresentam melhor ângulo de visão.

Esse novo aparelho, a princípio voltado para o segmento profissional (não residencial), tem lançamento previsto para janeiro no Japão.