Archive | janeiro, 2017

Canais abertos na TV paga: a novela continua

A notícia de que algumas redes de TV aberta estão negociando com o Netflix já era esperada pelo mercado. Faz parte de uma disputa maior, em torno da obrigatoriedade de os canais pagos transmitirem os sinais das emissoras, como manda a legislação atual. As operadoras pressionam o governo para poderem escolher quais canais oferecer aos assinantes, mas essa é uma batalha difícil de ganhar. Na semana passada, a Anatel mais uma vez negou pedido encabeçado pela Sky (e encampado pela ABTA – Associação Brasileira de TV por Assinatura), encerrando – pelo menos temporariamente – as discussões.

Para quem não está familiarizado com esse jogo político: em setembro passado, três das principais redes (Record, SBT e Rede TV) criaram uma empresa chamada Simba, com o objetivo de negociar a distribuição de seus programas fora da rede aberta. A justificativa era que as operadoras de cabo e satélite deveriam pagar para exibir o sinal dessas emissoras. Net/Claro, Vivo, Sky e Oi naturalmente não aceitam, o que cria um impasse: o que aconteceria se, digamos, a Net deixasse de veicular o SBT? Perderia assinantes por causa disso?

Na semana passada, o colunista Ricardo Feltrin divulgou em seu blog que a Simba começou a negociar com a Netflix e pretende fazê-lo também com a Amazon, numa ameaça velada às operadoras. Descontando o fato de que dificilmente os assinantes da Netflix teriam interesse nos conteúdos daqueles três canais, fica claro o jogo de pressões.

TVs conectados já chegam a 74%

A proporção de residências com pelo menos um TV conectado à internet (claro, nos EUA) chegou a 74% em 2016. Três anos antes, eram “apenas” 50%, confirmando que grande parte das pessoas já enxerga seu TV como uma forma de acesso à internet. Os dados estão numa pesquisa anual da consultoria TDG, que afirma ter entrevistado cerca de 2 mil usuários de banda larga (aqui, os detalhes).

Assim como o celular deixou de ser apenas um telefone, o televisor não serve mais somente para ver os canais convencionais. Aliás, muitos usuários já têm no seu smartphone o próprio controle da TV. E, se pensarmos que com um adaptador do tipo Chromecast é possível acessar a internet usando qualquer TV, o número deve ser maior ainda.

No Brasil, infelizmente, não há estatísticas a respeito. Mas basta entrar em qualquer loja, ou visitar um site de vendas, para constatar que está mais fácil comprar um TV smart (“inteligente”) do que um dumb TV (“burro”).

Indústria de tecnologia enfrenta Trump

E o que parecia ficção está acontecendo na vida real. O decreto de Donald Trump (ainda não me acostumei a chamá-lo de “presidente”) proibindo a entrada de pessoas vindas de alguns países causou verdadeiro caos em diversos aeroportos americanos no fim de semana. Além dos protestos, já esperados, muitos passageiros (e até tripulantes) ficaram retidos ou foram simplesmente mandados de volta. Como a decisão não foi antecipada, nem devidamente explicada, os agentes de segurança em serviço não sabiam exatamente o que fazer. Muitos passaram a agir por conta própria. Alguns detalhes, aqui.

O problema atinge em cheio a indústria de tecnologia. Como se sabe, empresas como Apple, Google, Microsoft etc. mantêm centenas de executivos em outros países, alguns deles praticamente viajando sem parar. Se os novos métodos forem efetivados (alguns juízes estão decidindo contra o presidente nesse quesito), ficará bem complicado trabalhar no setor. Por enquanto, o decreto vale por 90 dias.

Quem conhece o Vale do Silício sabe que aquilo não existiria sem a presença de profissionais não americanos. Só ali estão as sedes de 40 empresas listadas entre as maiores do setor pela revista Fortune. Cidades como Seattle, Los Angeles, San Diego, Phoenix, Dallas e Austin servem de base a pelo menos outras 50 corporações ligadas a internet e/ou telecom. A proibição foi extensiva até a quem possui um green card, ou seja, estrangeiro com direito de viver e trabalhar nos EUA. Muitos deles são oriundos do Irã e demais países do Oriente Médio afetados pela medida.

As reações vieram quase que na mesma hora, como vimos no site The Globe and Mail, que cobre o mercado de tecnologia. Reed Hastings, fundador e presidente da Netflix, comentou que as as atitudes de Trump são “antiamericanas”, pois prejudicam os funcionários da empresa em diversos países. Tim Cook, da Apple, enviou mensagem a seus executivos afirmando que “a Apple não existiria sem os imigrantes”. Mark Zuckerberg, da Facebook, lembrou que seus parentes e os de sua esposa também foram imigrantes. A direção da Google emitiu uma ordem chamando de volta todos os seus executivos internacionais dos países envolvidos, com medo de que mais tarde eles não consigam entrar.

Travis Kalanick, CEO da Uber, revelou que irá questionar o presidente em reunião que está marcada para a próxima semana, em Washington, com a presença de vários executivos de tecnologia. “Essa decisão irá prejudicar muita gente inocente”, afirmou ele em sua página no Facebook.

Pelo visto, só quem está satisfeito com as medidas de Trump é a indústria canadense de tecnologia, que vem perdendo cada vez mais talentos para o Vale do Silício. “Agora, temos a chance de reverter isso”, comentou Jim Balsillie, ex-CEO da Blackberry e hoje membro do Conselho Canadense de Inovação. “É triste, porque toda empresa de tecnologia é por natureza multicultural, mas quem sabe o governo do Canadá não aproveita para facilitar a concessão de vistos a profissionais da área”?

Atualizando: o movimento se expande – Linked In, o site de relacionamento profissional para onde tantos acorrem diariamente em busca de emprego, criou o comitê especial para ajudar refugiados a encontrar recolocação. Airbnb, famoso serviço de auxílio a viajantes de todo o planeta, promete acomodações gratuitas para pessoas atingidas pelas restrições do governo Trump. E a rede de cafeterias Starbucks nunca a contratação de 10 mil refugiados, nos próximos cinco anos, em 75 países onde atua.

Moderadamente otimista

Paulo Francis por paffaro blog

A mineiríssima expressão acima cabe bem ao momento atual. Ouvi outro dia e me lembrei do grande jornalista Paulo Francis (ele mesmo, aí ao lado), cuja morte completa 20 anos no próximo dia 3. “O otimista não passa de um mal informado”, repetia ele a quem quisesse ouvir, realçando sua descrença na espécie humana. Ainda assim, acho que não devemos cair na tentação de maldizer “tudo isso que está aí”, mas nos concentrarmos nos sinais animadores.

No momento em que o maior país do mundo tem em seu comando um demagogo e/ou irresponsável de fazer inveja aos latino-americanos de décadas passadas, não deixa de ser positivo ver o Brasil mexendo em suas entranhas. Discute-se desde a igualdade de gênero até o direito ou não de se pixar muros. Racistas, traficantes e donos de alvos colarinhos resistem, mas no fundo estão com medo.

De certa forma, a Operação Lava Jato eleva-se como símbolo de uma nova atitude. A maior parte da sociedade, tantas vezes enganada e alienada, apoia. Depois da ditadura militar e da impunidade que reinou nos últimos 30 anos, é saudável constatar que hoje a palavra mais ouvida é a de juízes, não a de generais.

Não, juízes não são infalíveis, e ainda bem… Mas somente um judiciário cioso de cumprir a lei – que deve valer para todos – pode brecar os desvios da política. E só uma sociedade atenta é capaz de coibir os excessos dos juízes. Estamos testemunhando a primeira vez na história brasileira em que as pessoas são capazes de relacionar a corrupção a tragédias como as dos presídios e do atendimento médico, para ficar só em dois exemplos do noticiário recente. Os servidores públicos do Rio de Janeiro, ao ver imagens de seus ex-governadores presos, com certeza percebem que os atrasos em seus salários têm a ver com os desmandos dos últimos anos. E, por todo o país, os desempregados e os falidos hão de notar que sua situação está diretamente relacionada às políticas governamentais.

Nada acontece por acaso. Aqueles que votaram em Lula e Dilma devem ter consciência de tudo que resultou de sua enganação. Idem para quem elegeu os governadores dos vários partidos (quase todos, afinal) que agora pedem socorro como se fossem inocentes. E os eleitores que rejeitaram o PT em outubro último precisam saber como fiscalizar os novos prefeitos. Assim caminha a democracia.

Prisões como as de Sergio Cabral, Eduardo Cunha, Marcelo Odebrecht e Eike Batista (esta ainda não consumada, no momento em que escrevo) ilustram, para os governantes atuais, algo que pode vir a ser o seu (deles) futuro, se não abrirem os olhos. Os sinais de que a economia brasileira começa a sair do buraco ainda são fluidos, sutis, e portanto é preciso atenção e paciência. Um rombo do tamanho que fizeram não poderá ser corrigido em dois ou três anos. Teremos ainda que trabalhar dura e longamente para ver, quem sabe, nossos filhos resgatando um país mais digno.

Bem, um ano atrás isso era uma miragem. Agora, podemos ser pelo menos levemente otimistas. Desde que bem informados.

Em tempo: a ilustração acima é do grande artista Paffaro e foi produzida para a primeira edição do Almanaque do Fantástico. 

Fox vs Sky: como fica a TV por assinatura?

Em comunicado à imprensa, a Fox Networks – dona de alguns dos canais mais assistidos da TV paga – anunciou nesta terça-feira que a partir de fevereiro não estará mais na grade da Sky. O motivo, como sempre, é a renegociação dos valores pagos pela operadora para oferecer a seus assinantes os seis canais do grupo: Fox, Fox Life, Fox Sports, NatGeo, FX e Baby TV.

Não é a primeira vez que a Fox faz esse tipo de anúncio. No ano passado, informou que sairia da Oi TV – e voltou depois de uma semana. Também é agressiva nas negociações com as operadoras pequenas e médias, algumas delas representadas pela Associação NeoTV, como mostrou na época o site Converge.com. No novo comunicado, a Fox deixa em aberto a possibilidade de continuar na Sky, o que parece mais provável – a separação não interessa a ninguém.

Nos bastidores do mercado, a Fox é conhecida por fazer esse tipo de ameaça em público. Parece deselegante, até porque as negociações estão em andamento, e certamente serve como pressão sobre a outra parte, pois acaba influenciando a decisão de muitos possíveis assinantes. No entanto, com a concentração do setor em três grupos econômicos (Claro/NET, Vivo/Telefônica e Sky/DirecTV), vai ficando cada vez mais complicado para as programadoras internacionais imporem suas condições de contrato, como acontecia anos atrás. O colega André Mermelstein, do Tela Viva, tem mais detalhes a respeito.

Considerando a situação atual do mercado de TV paga (queda de mais de 300 mil assinaturas em 2016), principalmente no segmento DTH, dificilmente a Sky irá aceitar. Foi a operadora que perdeu mais clientes no ano (vejam aqui). Vamos aguardar.

CEDIA não é mais dona de sua Feira

Muitos profissionais brasileiros costumam ir à CEDIA Expo, sempre no mês de setembro, cada ano numa cidade americana diferente (a próxima será em San Diego, California). É um evento totalmente dedicado ao segmento de áudio/vídeo e automação, que como se sabe vem passando por transformações. Nesta quinta-feira, a CEDIA (Custom Electronics Design and Installation Association) – entidade fundada em 1979 e hoje com mais de 3.700 filiados – anunciou que está cedendo a organização da Feira para a Emerald Expositions, maior empresa do setor de eventos nos EUA.

São duas as explicações. Primeiro, o interesse da Emerald, que organiza todo ano mais de 50 eventos segmentados e tem longo know-how no assunto. Com mais de 18 mil visitantes na edição 2016, a CEDIA Expo (agora renomeada apenas “CEDIA”) é uma das feiras mais bem-sucedidas do setor. Segundo: a nova direção da entidade quer investir mais em educação, com cursos e treinamentos técnicos para profissionais, mas sem aumentar seu orçamento. “Tenho 41 funcionários, e eles passam a maior parte do ano cuidando da feira”, disse Vin Bruno, diretor-geral da CEDIA, ao site CE Pro, explicando o acordo. “Agora, eles terão de se reinventar em outras funções”.

TV 3D, enfim, está morta!

TV-3DQuem afirma é o respeitado site americano CNET: a TV 3D, como a conhecemos, foi declarada morta na última CES, quando os dois principais fabricantes (LG e Samsung) anunciaram que não darão mais suporte ao formato. Como se fosse novidade… Há tempos que ninguém mais sequer menciona o recurso nos materiais de divulgação dos TVs, e os tais óculos só deverão ter espaço, agora, como peças de museu.

É curioso lembrar o interesse que o 3D despertou há cerca de oito anos, quando foi relançado, primeiro nos cinemas, depois em DVD e Blu-ray. Vejam este post publicado aqui no início de 2008, antes da moda pegar. Lembram-se do furor causado por Avatar, aquela superprodução de James Cameron, o maior entusiasta de todos, que anunciava o 3D como “o futuro do cinema”? É até hoje a maior bilheteria do cinema mundial, e muito de sua fama deve-se ao fato de ter sido o primeiro filme totalmente rodado em 3D.

Pouco depois, publicamos este outro post, levantando dúvidas sobre as perspectivas do 3D – dúvidas essas compartilhadas por milhares de especialistas. Mas foram centenas de lançamentos, até que a partir de 2013 os fabricantes foram pouco a pouco se retirando desse nicho. O “fim” então começou a ser admitido, como mostramos neste outro comentário. Interessante observar que a maioria dos links que nos serviam de base simplesmente não existem mais…

Um repórter do mesmo site CNET comentou eufórico uma demonstração do filme Star Wars: O Despertar da Força em 3D com novo TV LG 4K OLED na última CES, lamentando que a empresa tenha confirmado que essa seria sua última linha de TVs da categoria. Segundo ele, é uma decisão errada, justamente agora que a qualidade das imagens está ficando melhor…

Mas a maioria dos consumidores certamente concorda com o fim dessa ilusão.

“Janela” dos filmes pode ser reduzida

Provavelmente ainda demora para chegar aqui, mas nos EUA estão caminhando as negociações para mudar uma das regras mais sagradas da indústria do entretenimento. Executivos da Warner e da Universal conversam com redes de exibidores para diminuir a chamada “janela”, tempo em que um filme permanece sendo mostrado apenas nos cinemas, antes de ser lançado em vídeo. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a queda irreversível nas vendas de DVDs – que até alguns anos atrás representavam a maior receita para os estúdios – é que está provocando a mudança. E a renda com downloads e streaming está longe de compensar essas perdas.

A ideia seria oferecer ao consumidor de filmes mais opções para decidir como quer assisti-los. Atualmente, durante três meses (em média) um sucesso de Hollywood só pode ser visto nos cinemas das grandes cidades; esse prazo já chegou a ser de seis meses! As maiores redes exibidoras naturalmente resistem. Cinemark e Regal, cada uma com mais de 4 mil salas nos EUA (a primeira é líder também no Brasil), já boicotaram a Paramount por ter lançado filmes em vídeo com apenas dois meses de janela.

Mas, como lembra o site Digital Trends, a realidade tende a se impor. Cada vez mais gente prefere ver seus filmes na tela pequena, e não na grande.

Dolby Atmos, também nas soundbars

soundbarComo já aconteceu no passado com o estéreo e o surround, o mais recente padrão de processamento Dolby (Atmos) aos poucos vai conquistando mais segmentos no mercado. Na CES 2017, confirmou-se o que muitos especialistas já previam: estão chegando as soundbars com esse processador, que amplia em muito a percepção de envolvimento sonoro. Já comentamos aqui e aqui sobre o tema, e fizemos vários testes com produtos Dolby Atmos, e será interessante analisar os simuladores embutidos nessas caixas compactas.

Apenas para citar as empresas mais conhecidas: Sony, LG, Samsung, Pioneer, Onkyo e Yamaha demonstraram soundbars Atmos na CES, sendo que as duas últimas renovam de tempos e tempos suas linhas de receivers com esse recurso. Prova de que a Dolby realmente continua sendo referência em processamento de áudio. Para quem não conhece, este vídeo é bem interessante. E há detalhes atualizados neste link.

Uma surpresa: a Lenovo, hoje maior fabricante mundial de computadores, anunciou parceria com a Dolby para lançar os primeiros PCs Atmos, começando com um modelo dedicado a jogos (Legion Y720). Com isso, os games poderão ouvir seus personagens e efeitos sonoros literalmente pelas paredes.

Preparando a cama para Trump

trumpA uma semana da posse do novo presidente americano, ainda há quem duvide que sua eleição tenha mesmo acontecido. Como já vemos no Brasil desde 2014, os EUA são hoje um país dividido – e o mundo parece caminhar para a mesma separação, entre inimigos e/ou temerosos de Trump e seus apoiadores e/ou aqueles que não o levam a sério nem vêm o menor problema em suas ameaças.

Falando especificamente de tecnologia: na semana passada, Tim Culpan, o correspondente da agência Bloomberg em Taiwan, publicou uma nota curiosa sobre uma dessas ameaças: a de obrigar empresas americanas a fabricar seus produtos no próprio país. O texto é escrito como se o autor fosse ninguém menos do que Terry Gou, o chamado “rei do iPhone”, dono da Foxconn (e agora também da Sharp), principal montadora dos produtos Apple. Já comentamos sobre ele aqui, aqui e aqui.

O artigo – que também cita o Brasil – é tão cômico (aqui está o original) que vale a pena repassar alguns trechos:

“Caro Mr. Trump, você não me conhece, mas eu sou Terry Gou, o homem que produz seu iPhone. Sua vitória me fez pensar em me candidatar. Da próxima vez que você conversar com o presidente de Taiwan, talvez seja eu do outro lado da linha.

“Temos muito em comum, você e eu. Ambos somos bilionários (embora eu seja mais rico), gostamos de construir coisas, somos casados com mulheres lindas, e ambos odiamos Wall Street. Sei que você vem prometendo criar um monte de empregos, por isso quero lhe dar alguns conselhos. Primeiro, você na verdade não precisa criar nenhum emprego, precisa apenas fazer as pessoas pensarem que irá criá-los. Tenho certeza que sabe como fazê-lo.

“Posso ajudá-lo, aliás. Se olhar para países como Brasil, Indonésia, Índia e meia dúzia de províncias chinesas, verá que meu trabalho fala por si. Não produzi lá nem um simples iPhone, e nunca o farei. Mesmo assim, eles passaram a acreditar que eu investiria US$ 10 bilhões numa fábrica de iPhones. Não tenho culpa se algum político mal intencionado engana a mídia.

“Ouvi dizer que você quer obrigar a Apple a fabricar coisas nos EUA. Sabe, Tim Cook (N.R.: presidente da Apple) não fabrica nada, eu sim. Na verdade, tive US$ 75 bilhões de faturamento com eles no ano passado.

“Eu sou um fazedor, mr. Trump. Eu faço as coisas acontecerem. Quando a Apple me pediu para produzir iPhones no Brasil para driblar as tarifas de importação, eu fiz. Não criei muitos empregos, apenas exportei iPhones pré-fabricados para eles montarem lá, como se fosse Lego. Mas fiz o que pediram. Tanto Apple quanto os políticos brasileiros ficaram felizes. E quem você acha que pagou por isso? Não fui eu.

“Se você quiser que eu monte iPhones nos EUA, posso fazer. Posso até produzir uma linha de montagem numa de suas Trump Towers, se você quiser, só que os custos serão aaaaaltos! Tenho que pagar minhas despesas: fábricas, trabalhadores, transporte. Sabe, eu não fabrico na China só porque é mais barato, mas porque lá estão milhares de fornecedores e mais de 1 milhão de pessoas que emprego.

“Posso instalar mais robôs nos EUA, claro, mas vai demorar meses para treiná-los, quando um humano pode ser treinado em poucas horas. Além disso, mais robôs significam menos empregos. Aumentar suas tarifas de importação não vai adiantar muito, mas me dê algumas isenções de impostos, subsídios para contratar trabalhadores, energia barata e terra grátis. Tenho certeza de que poderemos chegar a um acordo. Me diga quais os números que você quer tuitar e terá todo o meu apoio.

“Mas, lembre-se: como aquele muro que você está pensando em construir, alguém terá de pagar a conta. E não serei eu, isso eu lhe garanto.

“Felicidades, Terry Gou, Chairman, Foxconn Technology Group”.

TV na parede, com apenas 2,5mm de espessura

LG OLED novo cópiaA maioria dos relatos sobre a CES 2017 mostra que a nova linha de TVs OLED W, da LG, foi campeã em elogios. Ganhou quase todos os prêmios “best of show” concedidos por publicações especializadas. Não à toa, leva o apelido wallpaper: com incríveis 2,5mm de espessura (vejam no detalhe abaixo), pode ser praticamente “colado” na parede. A qualidade de imagem é a mesma dos demais OLEDs que já se conhece, cujos níveis de contraste são imbatíveis. O modelo de 65 polegadas (haverá outro, de 75″, em breve) – compatível com imagens 4K HDR10 e Dolby Vision – foi colocado em pré-venda na Best Buy por US$ 8.000. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

detalhe OLED

 

O que mais chama atenção nesse produto é a forma minimalista de montagem na parede. São apenas dois pontos de suporte na parte superior do painel traseiro e dois magnetos embaixo; todos os conectores (HDMI, USB, Ethernet e coaxial) ficam à parte, numa soundbar que acompanha o TV e que funciona como hub. Um pequeno cabo do tipo fita (ribbon) é ligado entre a caixa e o TV, uma solução simples e prática. Por isso mesmo, a LG não está produzindo suportes de mesa ou de piso para os TVs W, que foram desenhados exclusivamente para paredes.

Único probleminha: o tal cabo ribbon também transporta sinal de força e, portanto, precisa ser homologado pelas autoridades da área de energia elétrica, como descobriu o site CE Pro (a LG não tinha avisado). Uma instalação correta na parede vai exigir a presença de um profissional especializado, a menos que o feliz proprietário não se importe em deixar o cabo aparecendo…

Smart Home: moda ou tendência?

Story_Image_Smart_Home.0.0.0Vários estudos têm sido divulgados nos últimos meses sobre o segmento de casas conectadas. Novos produtos surgem a todo momento, inclusive nas redes de varejo, a custo mais acessível, permitindo que mais pessoas os conheçam e experimentem. No entanto, algumas pesquisas apontam que, mesmo no mercado americano, ainda há muitas dúvidas entre os consumidores sobre o conceito smart home e os benefícios que proporciona.

No Brasil, a crise econômica compromete qualquer tipo de análise de médio prazo. Quando a prioridade passa a ser preço, todos os outros fatores envolvidos numa compra desse tipo ficam prejudicados. Um bom exemplo está na iluminação por leds. É consenso que esses dispositivos são mais eficientes, confiáveis e duram mais. Só que, na loja, ao constatar que as lâmpadas tradicionais custam quatro ou cinco vezes menos, o comprador deixa de lado esses atrativos.

No mundo da tecnologia, cada vez fica mais claro que a integração entre os aparelhos é um caminho sem volta. Facilita a vida do consumidor, potencialmente reduz o desperdício e o consumo de energia, e simplifica também os processos de produção, resultando em custos mais baixos. Apesar de todo o alarde em torno da Internet das Coisas (IoT), que ainda é uma solução incipiente (há sérias questões de segurança e confiabilidade na maioria dos produtos), é fato que essa será a grande revolução tecnológica nos próximos anos.

Para ilustrar, repasso aqui um gráfico produzido pela consultoria americana McKinsey, com o sugestivo título There’s No Place Like (a Connected) Home – tradução: “Não existe lugar como uma casa (conectada)”. Eles entrevistaram cerca de 3 mil famílias para verificar até que ponto o conceito smart home está sendo compreendido e quais as dificuldades para sua adoção. Vale a pena conferir a produção em formato gif (vejam o link), mas destaco alguns tópicos:

“Muitos consumidores ainda não entendem o valor dos produtos conectados, e mesmo os early adopters (que já compraram) vêm tendo experiências às vezes frustrantes.

“As áreas da casa onde recursos smart estão sendo mais usados são: eficiência energética, entretenimento, controle de acesso, segurança, conectividade e agendamento de tarefas.

“Recursos como controle por voz e inteligência artificial, em que os aparelhos ‘aprendem’ as rotinas da casa, são muito bem-vindos pelos usuários.

“O número de casas conectadas nos EUA, que era de 17 milhões em 2015, subiu para 22 milhões no ano passado e deve chegar neste a 29 milhões.

“O usuário médio de dispositivos smart enfrenta dificuldade para conectá-los, pois as interfaces são complexas, e isso acaba levando-o a desistir.

“Boa parte das marcas não consegue se diferenciar perante o usuário, o que resulta em margens muito baixas para estimular novos investimentos. E estes precisam ser maiores na comunicação com o público para explicar os benefícios dos produtos”.

Sobre o mesmo assunto, recomendo estas leituras:

Integradores: como superar a crise?

Hiperconvergência, um novo conceito nas empresas

Automação: quem sabe o que é?

Cuidado para não ser engolido

Como ter em casa uma rede à prova de futuro

Governos contra as redes sociais

linkedin

 

 

Há quem se queixe das redes sociais, especialmente o Facebook, pela quantidade incrível de bobagens que espalham. O case das fake newsque já comentamos aqui – é o episódio mais recente, mas quase todo dia um “especialista” aparece para criticar a forma como as pessoas utilizam essas ferramentas. O que só vem comprovar algo que Aristóteles já sabia: o ser humano é mesmo um bicho complicado, seja por meios analógicos ou digitais.

Bem diferente, no entanto, é a atitude de certos governos, de querer controlar as redes. No Brasil, isso acontece com razoável frequência, quando se vê um juiz determinando a suspensão do serviço por um ou dois dias. Quem usa WhatsApp sabe bem o que isso significa. Para sorte dos brasileiros, a atitude não é (ou ainda não foi) encampada pelo poder executivo. Não deve ser por falta de vontade, mas melhor assim.

Vejam o que acaba de acontecer na Rússia: o órgão federal responsável pelas comunicações simplesmente proibiu a continuidade do Linked In, a rede de contatos profissionais que tem servido, entre outras coisas, para as pessoas se recolocarem no mercado. Este site conta parte da história. O camarada Putin exige que toda empresa de tecnologia mantenha no país banco de dados de seus usuários, permitindo que o governo russo acesse quando quiser. Lá, isso é lei. O Linked In, hoje pertencente à Microsoft, se recusou.

Aconteceu o mesmo com outros cerca de 1.200 sites, muitos deles (mas nem todos) dedicados à pornografia. O Russian Prosecution Service, pelo visto uma versão atualizada da KGB, foi quem divulgou os dados (detalhes aqui), provocando a esperada reação de entidades que defendem a liberdade digital e os direitos humanos. Sendo a Rússia um dos países que mais perseguem opositores do governo, nada há para se estranhar.

Eletrônicos devem crescer mais em 2017

Apesar da incerteza provocada pela eleição de Donald Trump, e não é para menos, a CTA (Consumer Technology Association), que reúne as maiores empresas do setor, divulgou durante a CES seu relatório anual sobre as perspectivas da indústria eletrônica. O conteúdo do Consumer Technology Sales and Forecasts (aqui, no original) é baseado quase que totalmente no comportamento do consumidor americano, mas serve de referência para o mercado global, exceção feita à China.

Itens como TVs 4K, smartphones e os chamados DPAs (assistentes pessoais digitais) são apontados como principais responsáveis pelo crescimento nas vendas de eletrônicos. A CTA coloca ênfase particular no que chama de “tecnologias emergentes”, uma gama que inclui todos os produtos para smart homes: sensores, alarmes, detectores, fechaduras, cortinas, dimmers, termostatos. Trata-se de um mercado estimado em 29 milhões de unidades vendidas em 2017 (63% mais do que em 2016).

DPAs e tudo que se refere a IoT (Internet das Coisas) crescerão 52%, enquanto os TVs 4K – que em três anos venderam 18,6 milhões de unidades – terão expansão de 51% (15,6 milhões de aparelhos ao longo deste ano). Há ainda os gadgets, como óculos VR, que até agora somavam 1,5 milhão de unidades e devem chegar a 2,5 milhões; os drones de uso doméstico – pela lei americana, são assim considerados os modelos que pesam até 250 gramas -, que chegarão a 2 milhões até dezembro; e os wearables, incluindo relógios de pulso, medidores de corrida etc.

Mas o relatório da CTA mostra também que o grosso do faturamento da indústria eletrônica continuará vindo dos produtos tradicionais. Cinco deles responderão por 48% das vendas este ano. Vejam:

Smartphones – 185 milhões de unidades, US$ 55.6 bilhões em vendas;

TVs – 39 milhões de aparelhos, resultando em receitas de US$ 17,8 bilhões (não inclui 4K);

Tablets – 59 milhões e US$ 16 bi, respectivamente (as vendas começaram a cair em 2016);

Laptops – Estabilizam em 27 milhões, equivalentes a US$ 15,6 bilhões;

Desktops – Continua a tendência de queda: 6,7 milhões e US$ 3,9 bilhões em 2017.

Netflix, iTunes, Spotify: mais um imposto

Quem paga assinatura de sites de notícias, provedores de internet, serviços de streaming, monitoramento ou quem compra músicas e filmes online deve ficar atento: a partir deste mês de janeiro, as prefeitura estão autorizadas a cobrar ISS sobre uma série de atividades que ainda estavam isentas. O “avanço” foi determinado pelo Congresso em dezembro e, embora possa ser vetado pelo presidente da República, poucos acreditam que isso aconteça.

Na verdade, o projeto de lei que atende pelo nome de SCD 15/15 não impõe a cobrança; simplesmente autoriza os municípios a arrecadar de 2% a 5% na prestação de serviços como processamento de dados, vigilância e venda ou locação de conteúdos de áudio, vídeo e texto por mídias digitais. Só ficou fora a TV por assinatura, que já é taxada. Mas estão dentro Netflix, Google, Spotify, iTunes e todos os similares.

A cobrança passa então a ser local, de acordo com a cidade onde vive o usuário. Como a maioria das prefeituras está quebrada, dificilmente algum prefeito irá perder essa oportunidade.

Fizeram a nova jabuticaba sob a justificativa de colocar ordem no mercado de internet. Para quem não sabia (eu, por exemplo), existe há tempos no Brasil uma lei regulamentando o ISSQN (Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza), que – como indica o próprio nome – pode servir para tudo. Faltavam os serviços de vídeo digital; agora não faltam mais.

Pura nobreza em vinil

mark-levinson-no515-ces-renderingEsta é para os que continuam amando a música analógica, que o poeta Paul Simon cantou como still crazy after all these years. A Mark Levinson, uma das marcas nobres do áudio, aproveitou a CES 2017 para anunciar o lançamento de seu primeiro player de vinil. Embora já comemorando 45 anos de existência, a empresa – pertencente ao grupo Harman, recentemente adquirido pela Samsung – até hoje focou em amplificadores e prés, tendo lançado alguns que se tornaram referência no segmento high-end. O toca-discos No.515, exibido numa sala reservada do Hotel Venetian em Las Vegas, apresenta detalhes de construção que certamente farão vibrar os audiófilos, como o chassi em sanduíche de alumínio com MDF acabado em vinil; os pés em polímero antivibração; prato e braço feitos de aço, com ajuste vertical on-the-fly, para maior estabilidade. E por aí vai.

Mais detalhes estão no site oficial da Harman. Não se assustem com o preço sugerido: US$ 10.000. É isso mesmo!

Por trás dos pontos quânticos

qledAos poucos, vamos revelando mais detalhes sobre os produtos exibidos na CES 2017, que aconteceu semana passada. Como se sabe, o evento atrai para Las Vegas uma enorme quantidade de jornalistas (atualmente, muito mais blogueiros) dedicados à tecnologia. E as empresas sabem que, estando presentes, ganharão um espaço na mídia que jamais alcançariam por outros meios.

Por isso, sempre vale a recomendação: nem tudo que se publica sobre a CES significa “lançamento”, embora a maior parte dos sites e blogs não deixem isso claro. Existem inúmeros balões de ensaio, ou mesmo protótipos, que as empresas exibem apenas para testar as reações e depois abandonam. E, nesse ponto, são valiosíssimas as opiniões de especialistas que dão consultoria à indústria e frequentemente divulgam suas impressões.

Um deles é Ken Werner, “fera” no segmento de displays. É interessante analisar suas observações, por exemplo, sobre a disputa entre as duas atuais tecnologias para produção de TVs: LED e OLED. Embora já tenhamos comentado o tema aqui à exaustão (vejam este post, de dois anos atrás), sempre há o que aprender com técnicos como Werner. Tomo a liberdade de uma tradução livre de artigo recente que ele publicou no site Display Daily:

“A denominação adotada pela Samsung para sua nova linha de TVs (QLED) certamente irá causar mais confusão junto ao público. A empresa já fez isso no passado, quando chamou seus TVs LCD de “LED TVs”; até hoje há pessoas acreditando que se trata de duas coisas diferentes.

“Só para deixar mais claro: a arquitetura dominante até então era um painel LCD iluminado internamente por lâmpadas fluorescentes (CCFL); a Samsung decidiu substituí-las por leds, só que montados numa das bordas (Edge-lit), algo que já era usado em laptops, mas não em TVs grandes. Continuavam sendo LCDs, e a qualidade de imagem não era necessariamente melhor que nos displays tradicionais. Mas os leds permitiram construir painéis mais finos, e a Samsung criou uma campanha de marketing para convencer as pessoas de que estes eram TVs “premium”.

“Como distinguir entre os dois tipos de aparelho? Lembrem-se que na época a própria Samsung ainda fabricava TVs de plasma… A solução de marketing foi brilhante: chamar os novos simplesmente de “LED TVs” (sem mencionar que eram LCDs). Funcionou, e a Samsung tomou conta do mercado.

“A mesma Samsung vem produzindo excelentes TVs de LED 4K chamados “SUHD”, que utilizam painéis Quantum Dots (QD), ou seja, de pontos quânticos. Só que o nome SUHD causa nova confusão entre usuários e até revendedores. Em 2016, a Samsung adquiriu a empresa responsável pela criação desses novos painéis, a QD Vision, que detinha a patente chamada “QLED”.

“Esses painéis têm estrutura semelhante à dos OLEDs, só que em vez de leds orgânicos os QLEDs utilizam leds convencionais. E continuam necessitando de backlight. Os produtos demonstrados na CES 2017 foram muito bons, mas será que são mesmo melhores que os OLED? Teremos que aguardar para saber a resposta”.

Outras opiniões de Werner podem ser vistas no site de sua empresa, a Nutmeg Consultants. Acrescento apenas que a Samsung faz críticas aos TVs OLED – defendidos principalmente por sua rival LG – com base no fato de que o desempenho dos leds orgânicos se deteriora com o uso contínuo. Como se trata de uma tecnologia recente, ainda não foi possível verificar isso na prática. Mas os QLED terão de passar pelo mesmo teste do tempo.

Está chegando o HDMI 2.1

Antes do que se esperava, acaba de ser divulgada a atualização do padrão de conectores HDMI. Se a mudança da versão 1.4 para 2.0 foi considerada “uma revolução” (vejam como foi), esta agora não deve chegar a tanto. Mas antecipa alguns bons passos. A nova especificação (HDMI 2.1), oficializada esta semana pelo HDMI Forum, vai muito além das necessidades da resolução Ultra HD e do processamento HDR, já comentados aqui. Oferece nada menos do que 48 Gigabits na transferência dos sinais, quase três vezes mais que a versão atual (18GB).

Essa capacidade é compatível com sinais 8K60, que na prática ainda não existem nas redes (o Japão está fazendo as primeiras experiências). A denominação “8K60” se refere à resolução, 16 vezes mais alta que a atual Full HD, e à frequência de leitura do sinal (60Hz). Segundo o HDMI Forum, será possível agora trabalhar também com sinal 4K120: resolução Ultra HD e frequência de 120Hz.

Muita siglas e números para memorizar? Sim, essa é a essência da indústria eletrônica, com suas periódicas atualizações. Se vai emplacar ou não, é outra história. Muitas regiões do mundo ainda lutam para implantar HD, como estamos vendo na novela da transição brasileira da TV analógica para a digital (vejam aqui). Mesmo profissionais experientes nem se acostumaram ao uso de 4K, e agora terão de correr atrás do 8K…

Para registro, eis os cinco principais mandamentos do HDMI 2.1:

*Resolução e frequência mais altas, para reproduzir inclusive imagens em movimento com maior eficácia;

*Processamento HDR em todo o trajeto do sinal, correspondendo a níveis mais altos de brilho, contraste, saturação de cores e detalhamento;

*Cabos e conectores compatíveis com material transmitido nas versões anteriores 1.4 e 2.0;

*Capacidade de processamento de áudio baseado em objetos, como Dolby Atmos, DTS-X e similares;

*Modos variáveis de renovação de tela (refresh rate), tendo em vista o segmento de games de alta resolução e suas necessidades de imagens fluidas e com níveis mais controlados de lag (tempo entre o acionamento no controle, ou joystick, e a visualização).

Os detalhes completos da nova especificação podem ser acessados aqui, em inglês. Fiquem ligados para as traduções que publicaremos nas próximas semanas.

Ano Novo, CES e o que vem por aí

mercedes-benz-31Amigos e leitores, cá estamos de volta após a parada regulamentar do final de ano. A esperança é que 2017 seja melhor, bem melhor, que seu antecessor. Vamos torcer (e trabalhar) para isso, desejando o melhor a todos.

Como todos os anos, esta primeira semana do ano é também a semana da CES, que acontece em Las Vegas. Desta vez, estamos acompanhando o evento à distância; lá está nosso bravo Julio Cohen, que nos envia notícias direto dos estandes. Pelo que se tem visto, o grande assunto do evento é a realidade virtual (VR), com seus já famosos óculos 3D que acessam imagens em 360 graus e trazem alto-falantes expandindo o envolvimento sonoro. A badalação em torno dessa tecnologia é enorme; só falta ver como as empresas – e falamos de gigantes como Google, Samsung, Intel, Microsoft – irão transformá-la num mercado de verdade.

Outro tema onipresente na CES 2017 é o áudio sem fio. Caixas acústicas Bluetooth já conseguem reproduzir som de boa qualidade (OK, nem tão boa assim…) em qualquer ambiente onde estejam. Aparentemente, pode-se levá-las até a uma ilha deserta. E já são mais de 300 marcas!!!

Na área de TVs, repete-se a disputa entre LED e OLED para conquistar a atenção da mídia e dos visitantes da CES. De um lado, a LG – hoje dominante no campo dos painéis orgânicos – ganha a companhia das japonesas Sony e Panasonic. Ambas demonstram em Las Vegas protótipos de displays OLED que propõem uma espécie de simbiose entre som e imagem (detalhes, aqui). Curiosidade: as duas empresas têm acordos com a própria LG para fornecimento dos painéis. Ou seja, no fundo é tudo uma coisa só.

De seu lado, a Samsung reafirma que não aposta na tecnologia orgânica e apresenta grande variedade de TVs LED-LCD, adotando oficialmente a marca “QLED”. São os tais pontos quânticos (QD, ou Quantum Dots), nanopartículas que permitem extrair o máximo de cada pixel, em termos de cores. A inovação é da empresa americana QD Vision (atual Color IQ), adquirida recentemente pela Samsung.

Vamos analisar melhor essas novidades nos próximos dias.