Archive | fevereiro, 2017

Os TVs que chegam em 2017

Na edição de fevereiro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que trouxe a cobertura da CES 2017, mostramos alguns dos TVs previstos para chegar ao mercado brasileiro ao longo do ano. Claro, tudo depende dos ventos da economia, que nos últimos dois anos sopraram contra. Mas os fabricantes estão tentando ao máximo finalizar os produtos em Manaus, para reduzir os custos, e o dólar relativamente estável é um sinal animador. Não há ainda prazos nem preços definidos, mas é possível traçar aqui um panorama das principais marcas.

Samsung – A aposta é nos painéis de pontos quânticos, que a empresa chama de QLED e que já comentamos aqui. Virão em tamanhos de 55″, 65″, 77″ e talvez 88″. Serão todos 4K com HDR10, e pelo menos um deles terá painel de backlight Local Dimming, item essencial para o desempenho de um TV LCD.

LG – Ainda não está decidido se a linha OLED Signature, a mais elogiada da CES, virá mesmo ao mercado brasileiro. São os TVs mais finos entre os anunciados para este ano, com 2,57mm de espessura, daí o apelido wallpaper, simbolizado pela letra W. O fabricante informou ainda que será o único TV compatível com os quatro padrões atuais de HDR. 

Panasonic – A entrada no segmento OLED não foi só para impressionar. A empresa decidiu mesmo que este ano terá uma linha à parte de TVs com painel orgânico, embora o foco principal continue sendo nos LED-LCDs de alto desempenho. Serão compatíveis com HDR10, Dolby Vision e HLG, este previsto para servir, no futuro, às transmissões de TV em 4K, segundo o site 4k.com.

Sony – Também entra no mercado de OLED, com um modelo de 56″ (os outros tamanhos ainda não foram definidos). Na linha LED-LCD, haverá modelos 4K de 55″, 65″ e 77″, todos com HDR, um backlight mais avançado e um inédito sistema de áudio propagado a partir da própria tela.

TCL – Associada no Brasil à Semp, a gigante chinesa com um modelo 4K HDR curvo, com Local Dimming e painel de pontos quânticos, que chega às lojas a partir de março. Um belo diferencial: por enquanto, será o único que já vem com tecla específica no controle remoto para o aplicativo Globo Play.

Obs.: a primeira versão deste texto informava erroneamente que o app Globo Play era exclusivo da Semp TCL. Na verdade, pode ser encontrado também em outras marcas de TVs.

HDR: mais um enigma?

Mais do que outros setores da economia, a indústria eletrônica parece adorar enigmas. Já se perdeu a conta das polêmicas relacionadas à adoção de padrões de áudio, vídeo e automação. Betamax vs VHS, nos anos 1970/80, e Blu-ray vs HD-DVD, cerca de dez anos atrás, talvez sejas as mais famosas. Nesta segunda década do século 21, o mercado – incluídos aí os próprios fabricantes – se debate em torno da implantação do vídeo Ultra HD, que entre outras discussões traz uma nova sigla para ser decorada e entendida: HDR.

Embora já tenhamos tratado do assunto aqui e aqui, esse tipo de processamento merece constantes revisões. Por ser baseado em código aberto, e portanto livre de royalties, deveria ser mais simples. Só que não. High Dynamic Range, conceitualmente, é um tipo de tratamento do sinal de vídeo em que se consegue maior dinâmica entre pontos claros e escuros. Isso é feito durante a captação das imagens, que são codificadas e só podem depois ser reproduzidas em equipamentos compatíveis com HDR.

Na comparação com o sinal convencional (genericamente identificado como SDR – Standard Dynamic Range), a diferença é imensa. As imagens ganham em clareza e profundidade, as cores se tornam mais intensas. Seria ótimo, não fossem as benditas siglas usadas para denominar esse tipo de inovação, que só servem para confundir. Aquilo que foi lançado em 2014 como HDR é, na verdade, um conceito que pode se desdobrar em versões distintas.

Como de costume, a indústria se dividiu. E quem se aproveita disso é uma produtora de firmware, a Dolby, a mesma que já nos deu os processamentos de áudio Dolby Surround, Dolby Digital e mais recentemente Dolby Atmos. As demonstrações e análises mais recentes indicam que o Dolby Vision supera a versão inicial do HDR; esta, aliás, ganhou o apelido HDR10 porque, teoricamente, aumenta em dez vezes o nível de luminosidade aplicada a um sinal de vídeo. 

Nessa disputa, o maior fabricante de TVs do mundo (Samsung) coloca-se do lado do HDR10, enquanto os demais tendem ao Dolby Vision. Mas nada está decidido, até porque este último implica em pagamento de licenças que certamente ainda exigirão muita negociação. No Brasil, a LG foi a primeira a lançar TVs 4K compatíveis com os dois tipos de processamento; Sony e Philips por enquanto estão com a Dolby. 

Ainda falaremos muito sobre o tema.

Emissoras se agitam na disputa digital

O colega Mauricio Stycer publica na Folha de São Paulo deste domingo um resumo da verdadeira novela em que se transformou a transição brasileira para a TV Digital. Este é o link para o artigo. Há nos bastidores uma disputa interessante entre emissoras abertas e operadoras de TV paga, que vai além daquela outra que comentamos aqui alguns dias atrás. Basicamente, é um duelo 4×4: de um lado, Record, Band, Rede TV e SBT; de outro, Claro/Net, Sky, Oi e Vivo.

As redes querem fazer valer seu direito de cobrar para ceder o sinal transmitido pelas operadoras – algo que nem a Globo pleiteia (porque não precisa). O assunto está no Cade, mas agora, com a proximidade do switch-off em São Paulo, ganha novas proporções. Toda operadora é obrigada, por lei, a oferecer os canais abertos a seus assinantes, sem cobrança adicional, mas até isso hoje está sendo questionado.

O faturamento das emissoras vem caindo ano a ano, e não há sinal de que vá se recuperar tão cedo. A audiência da TV aberta, como se sabe, nunca mais voltará a ser aquela de dez anos atrás. A própria Globo sofre com essa mudança de comportamento do telespectador. Mas, ao contrário das demais, investe em novas tecnologias, compra de direitos, exportação de seus conteúdos e no fortalecimento da Globosat, seu braço para o segmento de TV paga e multimídia.

O problema das redes abertas é que a maior parte de suas grades hoje está tomada pelo aluguel irregular de espaço, principalmente às igrejas e aos canais de televendas. Acabaram desenvolvendo uma interessante versão do velho dilema do ovo e da galinha: com programação sofrível, afastam os telespectadores; sem audiência, não têm publicidade e não podem melhorar sua produção. Investem quase nada em conteúdos próprios e contam com a conivência da Anatel e do Ministério das Comunicações (há limites para alugar horários a terceiros).

Nenhuma emissora admite que se, por exemplo, a Net tirar de seu guia de programação a Rede TV, poucos assinantes irão perceber! Mas essa é a realidade.

Google x Amazon: a guerra da voz

google_home_vs_amazon_echoGoogle e Amazon não participam das principais feiras de tecnologia (Apple também não), mas estão sempre lá. Não foi diferente na CES, em janeiro, nem na ISE, semana passada. Foi impossível contar o número de estandes em que os chamados “assistentes de voz” das duas gigantes estavam sendo demonstrados. É uma guerra nada silenciosa.

Voice assistant (VA) é a definição genérica para os dispositivos portáteis sem fio que, a partir de frases ditas pelo usuário, executam uma série de funções. A tecnologia de reconhecimento de voz não é nova; os primeiros estudos documentados datam da década de 1930. Mas Google e Amazon vêm avançando rapidamente nas aplicações, depois de adquirirem startups dedicadas ao tema. Google Home e Amazon Echo (foto) são os dois produtos mais badalados dessa safra atualmente.

Ambos funcionam a partir do mesmo princípio: pequenas caixas acústicas, de perfil cilíndrico, com sensores para captar áudio e microfalantes para distribuir o sinal em modo omnidirecional. Com o aperfeiçoamento dos aplicativos, passaram a integrar recursos básicos de automação, como controle de luzes, temperatura, portas e janelas. Nas feiras de tecnologia, fabricantes têm demonstrado que também é possível fazer/receber ligações telefônicas através desses aparelhos, usando a própria internet. E as novas versões “entendem” comandos de voz para, por exemplo, chamar o Uber, checar informações sobre filmes, pedir uma pizza e até cantar “parabéns a você”!!!

As diferenças entre Google Home (15cm de altura x 9cm de diâmetro) e Amazon Echo (23 x 7cm) começam no uso de seus respectivos sistemas operacionais. No primeiro, a empresa desenvolveu um aplicativo específico – o Google Assistant – para integrar as funções de seus outros produtos, como Google Play, YouTube e Chromecast. A Amazon, que saiu primeiro nessa corrida (2014) e já lançou várias versões de seu aplicativo Alexa, tenta conquistar o consumidor também com conteúdos variados, inclusive os vídeos da Amazon Prime, concorrente do Netflix.

Tudo, como se vê, está relacionado ao conceito de smart home, agregando o máximo possível de funções e caprichando na facilidade de operação. Não por acaso, a Crestron – líder mundial em automação – já incluiu o Alexa entre seus apps; um belo apanhado sobre os recursos do assistente da Amazon pode ser visto aqui.

Aliás, este vídeo do YouTube mostra um comparativo entre os dois produtos.

Música em alta resolução, finalmente

MQA-logo

 

Se fosse o astronauta caminhando pela superfície da lua, provavelmente descreveria esta notícia como mais um “pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”. Foi o que me lembrei ao ler sobre o acordo entre a UMG (Universal Music Group), hoje a maior gravadora de música do planeta, e a MQA (Master Quality Authenticated), empresa que desenvolveu o software homônimo, tido como o mais avançado para reprodução de música. Pode ser o começo de uma revolução nesse mercado.

Basicamente, o acerto entre as duas empresas determina que todo o vasto catálogo da Universal seja comercializado também em versão MQA, resultando em arquivos digitais de alta resolução, para streaming. Esse software de compressão vem sendo adotado por alguns dos principais serviços de música online (o primeiro deles foi o Tidal). Com arquivos menores, fica mais fácil a distribuição e o compartilhamento. Durante a última CES, foi divulgada a campanha “Stream the Studio“, criada por fabricantes e gravadoras para estimular os usuários a buscar gravações musicais de melhor qualidade.

Uma marca como a da Universal, hoje pertencente ao grupo francês Vivendi, sem dúvida tem força para impulsionar essa ideia. Só para lembrar, fazem parte de seu catálogo os selos BMG, Polygram, Decca, Deutsche Grammophon, MCA, EMI, Virgin, A&M, Capitol, Island, Geffen, Def Jam e dezenas de outros, cobrindo praticamente todos os gêneros de música. Dos artistas de sucesso atualmente, lá estão Adele, Mariah Carey, Kanye West, Kiss e um enorme etc.

O padrão MQA foi lançado originalmente pela inglesa Meridian, fabricante de áudio high-end, e hoje é uma empresa independente. Bob Stuart, cofundador e a “cabeça” por trás do software, transformou-se em celebridade do setor, com justiça. Vamos ver agora a reação dos consumidores de música, especialmente daqueles cansados do MP3 e congêneres. É um primeiro passo.

Trump e o varejo de eletrônicos

Executivos das oito maiores redes varejistas dos EUA, especializadas em eletrônicos, foram chamados para uma reunião com o presidente Donald Trump nesta quarta-feira. E, como se esperava, rechaçaram a ideia de um novo imposto sobre importações, a princípio estimado em 20%. A política contra produtos importados faz parte da “cartilha Trump” e foi aprovada nas urnas. Mas, como já havia ocorrido com fabricantes de equipamentos e provedores de serviços digitais, não é aceita pelos lojistas. Lá, ao contrário do Brasil, o acesso a produtos importados é visto como saudável para a economia, pois mantém acesa a competição e ajuda a segurar os preços.

Segundo a NRF (National Retail Federation), que representa as redes de varejo, o chamado “ajuste de fronteira” – nome dado ao novo imposto de Trump – implicará em taxações da ordem de US$ 1 trilhão e fatalmente terá impacto os consumidores. Além disso, é grande a chance de provocar desemprego, diz a entidade. “Acho que não foi isso que a população votou em Novembro”, comentou com ironia o presidente da NRF, Matthew Shay, em entrevista ao site Twice, indicando que o aumento de preços atingirá desde eletrodomésticos até carros e alimentos.

Pode ser apenas “ruído”, mas a própria presidente do Banco Central americano, Janet Yellen, afirma que a sugestão de medidas como essas causa “incerteza” nos mercados. Trump e seus ministros ainda não conseguiram explicar como um aumento de 20% nas taxas de importação pode ser combinado com sua política de “redução de impostos” para as grandes empresas.

ISE, feiras de tecnologia e o futuro

20170209_172812Após uma semana de correrias (e alguns contratempos), cá estamos de volta com o balanço da ISE (Integrated Systems Europe), que acompanhamos em Amsterdã. O evento é dedicado principalmente a integradores de AV e automação, mas vimos também muitos usuários, que são executivos de empresas às voltas com a implantação ou atualização de seus sistemas. Como se sabe, em tecnologia tudo hoje é convergente. E a forma como é feita a integração pode ser a diferença entre sucesso e fracasso.

O segmento conhecido genericamente como Pro AV (já existe uma associação reunindo fabricantes no Brasil) atende todas as áreas de negócio: escritórios, hotéis, hospitais, escolas, igrejas, centros de convenções, cinema digital, estações de transportes, aeroportos, varejo, órgãos de governo, tribunais, espaços para eventos ao vivo… E abrange equipamentos de áudio profissional, displays, projetores, sistemas para redes, controles de acesso, segurança, iluminação e, é claro, automação integrando tudo isso. Para quem atua na área, a ISE é um show tão valioso quanto a InfoComm, que acontece em junho nos EUA – e tem sua versão brasileira, a TecnoMultimídia, em maio.

Para se ter uma ideia, o discurso de encerramento da ISE 2017 foi feito por Daniel Lamarre, CEO do Cirque du Soleil, hoje um dos maiores empreendimentos do mundo no setor de eventos e benchmark garantido para profissionais AV. Visitamos na Feira os estandes das principais empresas: Sony, Samsung, Panasonic, LG, Harman, Epson, BenQ, Kramer, Planar, Crestron e várias outras (eram cerca de 1.200 expositores), e pudemos conversar com muitos empresários e executivos.

A conclusão de quase todos é de que, embora a tecnologia esteja se tornando mais acessível (e barata), há um desafio a ser superado, que é o de usá-la para, de fato, resolver problemas. Ninguém tempo a perder, nem interesse em configurar manualmente um espaço de apresentações, por exemplo. Os usuários só querem entrar na sala e ver os conteúdos que lhe sejam úteis. Numa escola, o professor não fala mais sozinho, mas precisa interagir com os alunos, que também querem discutir o que está sendo apresentado. E muitas reuniões hoje são realizadas on-the-go, como dizem os americanos, com os participantes conectados via smartphone, não importa onde estejam fisicamente.

Isso tudo requer dos fabricantes e de seus integradores uma preocupação extra com a orientação do cliente. Os orçamentos estão apertados, mas todo mundo continua querendo a máxima qualidade, agilidade e confiabilidade na hora de usar os equipamentos. Como, aliás, acontece em todos os setores. Alguns dos produtos expostos na ISE estão no site Business Tech, que acompanha de perto esse movimento. E é diariamente atualizado.

Realidade virtual sofre derrota importante

oculus-rift-consumer-editionComo já comentamos aqui, o segmento conhecido como VR, que engloba as tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada (são dois conceitos distintos), é um dos mais badalados do momento. Eventos de tecnologia pelo mundo afora vêm se esmerando nas demonstrações, com a expectativa de que seja um negócio emergente. Já ouvi de pessoas importantes (e já saíram pesquisas dizendo o mesmo) que até 2020 teremos milhões de pessoas usando os óculos escuros que revelam imagens espantosamente imersivas.

Bem, por enquanto é uma aposta. Mas um fato desta semana coloca em cheque essas previsões. A Best Buy, maior rede varejista de eletrônicos do mundo, anunciou que está desativando as demonstrações de VR em 200 das suas 500 lojas onde o produto foi lançado. Motivo: falta de público. Segundo o site Business Insider, que cobre os bastidores da indústria de tecnologia, a decisão foi tomada pelo Facebook, que havia escolhido a Best Buy para lançar seu Oculus Rift. Funcionários das lojas revelaram ao site que têm passado dias sem atender um único cliente! O que, no caso dessa rede, é sem dúvida preocupante – suas lojas vivem lotadas.

Em tempo: Google e Samsung, outras gigantes que disputam esse segmento, até o momento mantêm seus planos de investimento. Vamos ver como reagem ao pé-no-freio de mr. Zuckerberg.

TV analógica chega ao fim em SP, mas…

Enquanto cobrimos a ISE em Amsterdã, vamos acompanhando de longe as notícias do mercado brasileiro. Uma das mais importantes dos últimos dias foi a confirmação da data de 29 de março para o switch-off paulista, com o desligamento dos transmissores analógicos das emissoras de TV aberta. Essa era a data original, mas esteve perto de ser trocada até duas semanas atrás, por pressão das principais redes. O problema, como já havia acontecido em Brasilia (a primeira grande praça a fazer switch-off), é que nem todas as residências da Grande SP estão preparadas para receber sinal digital.

Essa é uma disputa que envolve muitos interesses, e talvez valha a pena conferir os detalhes nos dois sites que melhor cobrem esse segmento: Tela Viva e Convergência Digital, além do próprio site do Fórum SBTVD. As emissoras não querem correr o risco de perder telespectadores, enquanto as operadoras de celular – que irão herdar as frequências hoje ocupadas pelos canais analógicos – buscam fazer a transição o mais rápido possível, para lançar o quanto antes seus pacotes de banda larga 4G. É muito dinheiro envolvido.

O governo optou por uma solução conciliatória. A data oficial foi confirmada, ou seja, em 29/03 as emissoras devem desligar seus transmissores analógicos, passando a gerar somente sinal digital. A mais recente pesquisa do Ibope revelou que 8% da população na Grande SP ainda possui TV analógico, inclusive modelos de tubo; esse pessoal, portanto, ficaria sem ver TV aberta se o switch-off fosse hoje.  Mas é difícil crer que as emissoras o façam, abrindo mão desse público. Estima-se que isso represente aproximadamente 300 mil domicílios. E, como a audiência de todos os canais vem caindo (por causa da internet), são telespectadores que não podem ser desprezados.

O jeitinho brasileiro decidiu que a data oficial será, digamos, flexibilizada. A EAD (Entidade Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização), empresa criada pelas operadoras para coordenar o switch-off, promete acelerar a distribuição gratuita de kits às famílias de baixa renda. Os kits contêm antena e receptor digitais, que podem ser conectados a qualquer TV. Mas até agora somente 3% dos paulistanos se cadastraram para recebê-lo, demonstrando desconhecimento (ou desinteresse) sobre a mudança que irá afetar suas vidas – o que seria do brasileiro sem TV?

A Anatel concedeu um prazo extra de 60 dias (esse foi o jeitinho), a partir de 29/03, para concluir a distribuição – o total de kits reservados para SP é de 1,87 milhão, com prioridade para beneficiários do Bolsa Familia, Bolsa Escola, Minha Casa Minha Vida e outros programas sociais do governo federal. O cadastramento é feito através do site Seja Digital. A expectativa otimista é de que, até 29/05, todo esse pessoal esteja devidamente equipado. Será?

Detalhe: não são apenas as operadoras de celular 4G que têm pressa. O governo também corre contra o tempo, à espera de que elas paguem R$ 2.6 bilhões referentes às parcelas devidas do leilão das frequências de 700MHz, hoje usadas pelas emissoras. As operadoras – TIM, Vivo, Claro e Algar – tentam enrolar esse pagamento. E assim, de jeitinho em jeitinho, vamos levando.

Acompanhando o mercado Pro AV

20170208_132346Desde ontem, estou em Amsterdã para acompanhar a edição 2017 da ISE (Integrated Systems Europe), hoje o evento mais importante para os profissionais de áudio & vídeo fora dos EUA. Embora seja relativamente recente, essa Feira vem crescendo ano a ano, e agora conta com o apoio da InfoComm – sua equivalente no mercado americano – e também da CEDIA, a entidade que congrega profissionais do segmento AV e de automação residencial.

Embora o foco da ISE sejam os equipamentos para uso nas empresas, este ano aumentou a quantidade de participantes que atuam também com home theater. Ao todo, são mais de 1.200 expositores ocupando 12 pavilhões no centro de convenções RAI, na bela cidade holandesa. Aqui estão as marcas mais importantes do setor, das gigantes Sony e Samsung às segmentadas, como Biamp, Sennheiser, Barco e Kramer, também gigantes em seus respectivos nichos. É uma grande exposição de vídeo (muito áudio também) e um fórum de negócios, como todo trade show deve ser.

Estamos mostrando destaques da ISE 2017 no site businesstech.net.br, mas quem quiser saber os detalhes do evento (em inglês) pode acessar o site oficial – com notícias de todos os expositores – e também o americano Commercial Integrator, com site e vários feeds diários no Facebook e no Twitter.

Como melhorar a imagem, sem 4K

HDREsta semana, a Sony anunciou que passa a adotar o processamento HDR (High Dynamic Range) em toda a sua linha de TVs comercializada nos EUA e principais mercados da Europa e Ásia. Significa que, para usufruir desse benefício, não é mais necessário comprar um TV 4K, também os Full-HD da marca japonesa será compatíveis. Quem mais tem a comemorar são os usuários do PlayStation 4, pois o console já possui esse recurso. Até agora, somente usuários de TVs 4K conseguiam ver as imagens brilhantes e as texturas mais profundas do HDR.

Também esta semana, a Netflix revelou ao site inglês Tech Radar que seus conteúdos HDR podem ser melhor visualizados num TV com esse processamento, “mesmo que não seja um 4K”. A conferir. Como sabemos, são ainda poucos os conteúdos disponíveis em 4K, e menos ainda em HDR. Sem dúvida, é mais uma confusão na cabeça do consumidor, mas não deixa de ser interessante lembrar que os dois avanços (4K e HDR) são independentes. Todos os TVs HDR lançados até o momento são 4K (Ultra HD).

Para quem ainda não assimilou, vale a explicação. HDR não tem a ver com resolução; trata-se de um processamento digital no qual se intensifica a luminância, ou seja, o brilho da imagem. As cores ganham mais intensidade, e isso, quando bem calibrado, tem alto impacto sobre o espectador. Na foto acima, tirada do site Gizmodo, uma comparação entre imagens com e sem HDR.