Archive | março, 2017

4K pode não ser bem 4K

Interessante estudo acaba de ser divulgado pela consultoria internacional IHS, focado no mercado de tecnologia. Embora esteja crescendo a produção de conteúdos em 4K, continuam sendo bem poucos aqueles que chegam até o consumidor, mesmo os que já investiram num TV dessa categoria. O motivo seria a dificuldade na distribuição, que por enquanto só pode ser pela internet. Em quase todos os países, as redes de banda larga não suportam o tráfego desse material.

A pesquisa aponta que mesmo os serviços campeões em streaming – Netflix, YouTube, Amazon e (nos EUA) Hulu – não apresentam suas séries e filmes com a resolução que anunciam (3.840 x 2.160 pixels). A IHS defende que a única mídia em que efetivamente se tem conteúdos 4K é a de discos físicos (Blu-ray), que começaram a ser lançados em alguns países no ano passado; mesmo assim, a quantidade de títulos ainda é muito baixa (este site é um dos mais atualizados a respeito).

Curioso é que os pesquisadores dizem ter verificado a infraestrutura da Netflix e da Amazon para conferir se estão preparadas para o 4K, e garantem que sim. Ambas, além de comprarem conteúdos dos estúdios e das produtoras de TV, também financiam produções próprias, que hoje estão sendo captadas em 4K. Filmes de cinema são convertidos para reprodução em equipamento doméstico, em duas modalidades: os registrados no padrão de cores DCI-P3 (4.096 x 2.160) saem em formato de tela 1.90:1, enquanto os que foram filmados em Cinemascope (4.096 x 1.760) passam para 2.39:1 (tela mais larga).

Ainda segundo a IHS, provedores como Amazon e Netflix estão investindo pesado em processamento de sinal, pressionados pelo crescimento do mercado 4K. Mas é uma aposta de longo prazo: esses serviços dependem das redes de banda larga, e um filme em 4K consome quatro vezes mais dados (no mínimo) para ser transferido até a casa do assinante. A saída, prevê a consultoria, é inevitável: quem quiser essa qualidade de imagem terá de pagar mais. Os detalhes estão neste link.

Por enquanto, ninguém tem coragem de assumir que 4K, no caso, não é bem 4K.

Uber, GPS e os nossos cérebros

Usando muito o Uber ultimamente, percebi algo em comum entre muitos motoristas: eles simplesmente não sabem aonde estão indo. Ligam o GPS, habitualmente num aplicativo do tipo Waze, e “desligam” a cabeça. Vai daí que quando o app está com problema os “ubeiros” não sabem o que fazer, cabendo então ao passageiro explicar-lhes o caminho.

OK, a vida não está fácil pra ninguém, mas é justo cobrar um mínimo conhecimento sobre as ruas da cidade, pelo menos de alguém que se dispõe a trabalhar transportando pessoas por aí. Mas talvez o problema seja mais comum do que se imagina. Segundo a conceituada revista científica americana Nature, notícia replicada em vários sites na semana passada (leiam aqui), um estudo feito por cientistas britânicos com 24 voluntários mostrou que, usando GPS, o cérebro desliga o hipotálamo e o córtex pré-frontal. Essas são as regiões que nos controlam, respectivamente, a memória e a tomada de decisões.

Os cientistas ligaram sensores às cabeças dos voluntários, com estes em simuladores percorrendo virtualmente as ruas do bairro Soho, em Londres. Com GPS desligado, o sistema registrou intensa atividade dos neurônios, atividade essa que desaparecia ao ligar o navegador.
 
Será que, portanto, nossos cérebros deixam de funcionar quando não são solicitados? Sim, diz o coordenador da pesquisa, Hugo Spiers. Mas, não apenas isso: quando o navegador falha, o cérebro fica “perdido” por falta de uso. Para quem ficou curioso, este é o link original onde colhi a notícia.
 
Não chega a ser surpresa para quem leu Mentes Superficiais – O que a Internet está Fazendo com Nossos Cérebros, livro publicado em 2011 pelo pesquisador Nicholas Carr, e cujo título é autoexplicativo. A inatividade dos neurônios (quando eles existem) parece endêmica, também, entre pessoas que se valem da internet para espalhar tantas mentiras, “denúncias” e aberrações que se tem visto. Pelo visto com os motoristas ingleses, e muitos do Uber e similares, o que o GPS está fazendo, boa coisa não é. 

Samsung quer “abrir” marca QLED

Embora convidado, não pude estar presente ao evento de lançamento mundial dos TVs QLED, da Samsung, no início de março. Na verdade, foram dois eventos: um em Paris, para a imprensa internacional, e outro em Nova York, para os americanos, ambos com o objetivo de demonstrar a superioridade dessa tecnologia sobre os displays orgânicos (OLED).

O tema já foi explorado inúmeras vez (vejam os links ao final deste texto), mas pelo visto não se esgotará tão cedo. Após adquirir, no ano passado, a fabricante americana QD Vision, que detém a patente Quantum Dot (os chamados “pontos quânticos”), a Samsung busca consolidar esse avanço entre os especialistas, a maioria deles aparentemente convencidos de que os OLED são mais eficientes.

Na verdade, não é a única que utiliza QD; Sony e LG, entre outras, também têm seus painéis de nanocristais, outro nome para a mesma tecnologia. A diferença pode estar na capacidade de combiná-la com o processamento HDR (High Dynamic Range) e com a geração de luz traseira (backlight) dentro do display. São recursos que ajudam a compensar a deficiência natural dos TVs LCD em lidar com os níveis de contraste, problema que não acontecia nos plasmas e também não ocorre no OLED.

Dentro de sua estratégia para fazer decolar o QLED, a Samsung decidiu liberar o uso dessa marca a qualquer fabricante. Seria uma forma de diminuir as dúvidas na cabeça do consumidor, já que é facílimo confundir “OLED” e “QLED”. Num encontro com revendedores na semana passada em sua sede de New Jersey, executivos da empresa coreana confirmaram que pretendem abrir os códigos de metadados usados em seus TVs para reprodução de conteúdos gravados em HDR. Assim, outras marcas poderiam adotar a identificação “HDR 10 Plus” sem ter que pagar royalties, e a memorização por parte dos consumidores seria facilitada.

É preciso agora ver se os demais fabricantes concordam (a LG certamente não!). As linhas de TVs Samsung QLED, previstas para chegar nas próximas semanas aos principais países, e ao mercado brasileiro em junho, incluem modelos de 55″, 65″, 78″ e 88″, com um suporte especial para montagem na parede (foto). A linha Q9, mais avançada, utiliza backlight Direct LED, com maior quantidade de leds para iluminar os pixels. 

Vale a pena ver estes outros tópicos sobre o assunto:

Por trás dos pontos quânticos

O mundo mágico dos pontos quânticos

HDR: mais um enigma

LCD, ainda correndo atrás do OLED

LED ou OLED, qual é o melhor?

TV Digital: corrida contra o tempo

Nesta quarta-feira 29, devem ser desligados os transmissores analógicos das redes de TV aberta, consumando o chamado switch-off em grande parte do estado de São Paulo. Isso é o que diz o cronograma. Mas, faltando três dias, não é possível afirmar que assim será. Continua a disputa de bastidores entre representantes do governo, das emissoras e das operadoras de telefonia celular, estas ansiosas para colocar no mercado as novas linhas 4G, que utilizarão as frequências na faixa de 700MHz ocupadas pelos canais analógicos.

A situação é tão confusa que ninguém sabe ao certo quantas famílias serão afetadas – tudo que se tem no momento é suposição, ou “estimativa”. À primeira vista, quem possui TV paga não tem muito que se preocupar: Net/Claro, Sky, Vivo e demais operadoras se incumbem de digitalizar o sinal das redes abertas. Mas, nesta semana, surgiu um ruído. A Net/Claro, que detém 58% do segmento, anunciou não ter chegado a um acordo com as redes Record, SBT e RedeTV, que querem cobrar pela distribuição de seus sinais. Ou seja, seus assinantes ficarão sem esses canais – como adiantamos aqui semanas atrás. Só conseguirão captar as três redes utilizando antenas e receptores digitais à parte.

O colega Fernando Lauterjung, do site Tela Viva, contou os detalhes dessa disputa. Mas a confusão vai além. As emissoras só aceitam desligar os transmissores analógicos quando (e se) pelo menos 93% dos domicílios estiverem sendo atendidos, ou seja, com receptor de TV e antena compatíveis. Pelos cálculos disponíveis, isso não acontecerá antes de maio, quando o governo diz que pretende finalizar a entrega dos kits às famílias de baixa renda, que no Estado somam perto de 2 milhões.

Além da perda de audiência para as emissoras, o desligamento do sinal analógico – se ocorrer – pode significar sérios prejuízos ao governo, cuja popularidade, como se sabe, já não é lá essas coisas. Alguém consegue imaginar o que é, numa família pobre, ficar de repente sem TV? Veremos a partir do dia 29?

Selo de referência para os profissionais

Junto com a 6a edição da revista BUSINESS TECH, lançada na semana passada, a Event Editora começou a divulgar o selo “Seja Pro AV”, que a partir de agora será utilizado em todas as nossas mídias. A ideia, inspirada em iniciativas anteriores e também em exemplos internacionais, é motivar o mercado – especialmente num momento de retomada após o terremoto econômico – a buscar novas oportunidades de negócio baseadas na profissionalização e na especialização. 

Antes de explicar melhor, algumas palavras sobre essa nova edição da BUSINESS TECH, que buscamos consolidar como um “projeto multimídia”, e não apenas como mais uma publicação. Juntando o talento de nossos colaboradores ao apoio de algumas empresas e a fontes de prestígio no Exterior (como os sites CE Pro, Corporate Tech Decisions, Commercial Integrator e AV Network), estamos produzindo conteúdos qualificados para quem trabalha no mercado de tecnologia. Isso inclui tanto integradores e projetistas quanto gerentes de TI e administradores de redes, nas quais as letras “A” e “V” ganham cada vez mais importância. Vejam aqui os principais assuntos da BUSINESS TECH 6.

Por que um “projeto multimídia”? BUSINESS TECH foi pensada como uma integração de mídias, um fenômeno da comunicação no mundo atual. Conforme mudam os comportamentos de usuários e profissionais, evoluem os parâmetros para avaliar o impacto das ações de marketing e/ou comunicação. Não cabe mais pensar “apenas” na mídia impressa (jornais, revistas, catálogos, folhetos), nem se trata de adotar as mídias digitais (sites, blogs, newsletters, redes sociais, aplicativos, vídeos) excluindo o que se fez até hoje. O segredo está em combinar tudo isso de acordo com cada produto, cada momento e cada orçamento.

 

Voltando ao conceito do selo Seja Pro AV, a ideia é reforçar a necessidade de aperfeiçoamento e atualização entre os profissionais brasileiros, tão condicionados a oferecer “produtos” em vez de “serviços”. E destacar a relevância dessa atividade para quem compra e usa equipamentos eletrônicos. Assim como médicos, engenheiros, economistas e diversas outras categorias de profissionais, a capacitação técnica é um processo contínuo, exercido no dia a dia. 

Contem todos conosco para isso!

Novas marcas no segmento high-end

Poucas pessoas ficam sabendo, e o volume de vendas continua sendo pequeno, mas o segmento de áudio/vídeo high-end a toda hora tem novidades. Nesta semana, a distribuidora AV Group realizou evento em São Paulo para apresentar as linhas 2017 de suas marcas: Revel (foto), Mark Levinson, Lexicon e JBL Synthesis, todas pertencentes ao Grupo Harman. Aproveitou para reforçar sua parceria com a Lutron (sistemas de iluminação automatizada) e lançar duas novas marcas do mesmo padrão: as americanas Screen Innovations (telas de projeção) e Wolf (projetores), esta do mesmo grupo da REL (subwoofers high-end), que a AV Group já vem comercializando há alguns meses.

Como se vê, todas marcas destinados a usuários exigentes e sem problemas na conta bancária (mais detalhes aqui). A AV Group surgiu da união entre Filipe Ribeiro e Lourenço Roldão, dois empresários vindos do segmentos de home theater e automação, e obteve um acordo interessante com a Harman. O gigantesco grupo americano, que recentemente foi adquirido pela Samsung, mantém à parte sua divisão de produtos de luxo, vendida apenas em canais especializados. Chris Robinson, executivo do grupo, esteve no evento para explicar que a Samsung pretende preservar essa estrutura, focando possíveis alterações em suas outras linhas de negócio.

Com essas novidades, o fã brasileiro de soluções high-end – seja em áudio, vídeo ou automação – não pode se queixar da falta de opções. Só nos últimos meses, chegaram as marcas Luxul (redes), Aavik (áudio modular) e Blue Sound (áudio sem fio), todas distribuídas pela Som Maior; Milesight (redes) e Basalte (painéis de controle), da Audiogene, entre várias outras. 

Fabricantes AV, agora dentro da Abinee

Na última quarta-feira, foi lançada oficialmente a Pro AV BR, associação entre empresas do segmento de áudio/vídeo profissional, a maioria fabricantes de grandes marcas internacionais. O grupo havia surgido em novembro último, como comentamos aqui, para tentar unir esforços pela ampliação e profissionalização desse segmento. Agora, transforma-se em “grupo setorial” da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), com muito mais estrutura e potencial de realizações (vejam aqui os detalhes).

Na pauta do “Grupo Setorial Áudio, Vídeo e Conectividade Profissional”, seu nome oficial, estão a realização e/ou participação em eventos de tecnologia, criação de programas educacionais para profissionais e atuação junto a outras entidades para reivindicação de medidas governamentais que interessem ao setor. Parcerias com InfoComm, AES, SET e CEDIA já são discutidas. E o grupo, hoje com 13 empresas, pretende crescer com a adesão de outros fabricantes.

De nossa parte, só podemos desejar sucesso à iniciativa, que apoiamos desde as primeiras conversas. Todo mercado precisa de entidades representativas fortes e atuantes.

Switch-off: mais pressão sobre o governo

Se já é complicado quando se tem no governo técnicos responsáveis e competentes, imaginem agora! A novela do switch-off da TV analógica – que está no ar, aliás, desde 2007 – é estrelada por atores e roteiristas mais preocupados com seus compromissos políticos e/ou financeiros. E o atual do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, é apenas mais um a somar numa lista em que brilharam, anos atrás, Helio Costa, Paulo Bernardo e Ricardo Berzoini. Todos eram políticos, só isso, lixando-se para o futuro tecnológico do país.

Na próxima semana, Kassab terá de decidir sobre o enésimo adiamento (ou não) do prazo para desligamento dos transmissores analógicos na praça de São Paulo, a mais importante (comercialmente) do país. As pressões se intensificaram nos últimos dias. Se optar pelo consenso entre os segmentos do mercado, Kassab terá que apagar do calendário a data estipulada (29 de março), por inviável. Chutaria para julho, talvez, mas há quem aposte em algo como setembro…

Na semana passada, a Abert, que representa as emissoras, oficializou sua posição pelo adiamento. Se confirmada a data de 20/03, diz o comunicado, cerca de 900 mil famílias ficarão sem sinal de televisão. A justificativa é que não há tempo para distribuir os kits gratuitos conforme o planejado (vejam aqui os detalhes). Descobriu-se agora que o mínimo de 93% de domicílios, exigido pelas emissoras no início do cronograma, não se aplica a São Paulo e às outras 38 cidades paulistas programadas. Faltam apenas 7%, mas isso na prática corresponde a mais de 1 milhão de residências. Nenhuma emissora quer perder esses telespectadores, por um dia que seja.

Por trás de tudo está a disputa com as operadoras, que tentam garantir, o quanto antes, a liberação das frequências para poderem lançar seus novos serviços de celular 4G; de quebram, buscam repassar ao governo a conta da distribuição dos receptores.

A Anatel bate o pé pelo 29/03, mas sem a menor força política – e a esta altura também sem argumentos técnicos aceitáveis, já que participou de todo o processo. E Kassab, a quem cabe a palavra final, está de olho em sua campanha para o governo do Estado em 2018. 

Para quem se interessa pelo tema, uma boa leitura é este artigo de Samuel Possebon, do site Converge.com. 

Grupo da Polk compra Denon, Marantz

Nesta quarta-feira, foi oficializada a venda da holding D+M para o grupo californiano Sound United. Dono de marcas conhecidas no segmento de áudio (Polk, Definitive Technology), o grupo agora engloba outras três de peso: Marantz, Denon e Boston Acoustics. Todas têm atualmente distribuição no Brasil, mas curiosamente através de importadores diferentes. Ainda não se sabe como esses acordos irão evoluir.

Um dos líderes mundiais em receivers para home theater, o D+M vinha tentando crescer no segmento de áudio portátil, mas aparentemente não teve fôlego. Já o Sound United é hoje um dos maiores fornecedores de alto-falantes do mercado americano, além de forte também em wireless. A sinergia entre ambos, portanto, é total. 

Não foram revelados valores sobre a transação, mas Kevin Duffy, atual CEO do Sound United, continuará à frente dos negócios. O grupo é uma divisão da DEI Holdings, que atua também nos segmentos de segurança eletrônica e monitoramento remoto. Foi comprado em 2011 pelo fundo de investimentos Charlesbank. Já o D+M tem sede no Japão e passou por uma série de reestruturações nos últimos anos. Também pertence a um fundo de investimentos japonês, que pelo visto agora abre mão do negócio.

Estas são as distribuidoras das marcas no Brasil:

Denon e Definitive Technology – Chiave, de Florianópolis

Marantz – Audiogene

Polk Audio – Disac

Boston Acoustics – Impel

YouTube TV quer ir além do Netflix

Ainda é cedo para dizer se a nova plataforma da Google para TV irá decolar. Mas há boas razões para crer que o YouTube TV vai incomodar muitas forças estabelecidas no mercado de mídia. A começar do fato de ser baseado no maior database do planeta, com mais de 1 bilhão de usuários ativos, dos quais a empresa sabe literalmente tudo. No mundo do big data, isso não é pouco.

No plano apresentado nesta terça-feira, YouTube TV é apresentado como um “canal” independente, com mensalidade de 35 dólares, oferecendo cerca de 40 canais, incluindo os principais da TV americana atualmente. O assinante vai poder escolher canais adicionais, pagando um pouco mais, além de gravar seus programas preferidos, que ficarão armazenados “na nuvem” do YouTube.

Bem, é mais ou menos isso que oferecem hoje no Brasil serviços como Now e o próprio Netflix. O desafio é fazê-lo sem as travas de uma banda larga deficiente, com guia de programação ágil e atualizado e, claro, qualidade de imagem HD (no mínimo). Mesmo nos EUA, as tentativas lançadas até agora patinam: SlingTV, da fabricante de satélites Dish; DirecTV Now, da AT&T; e PlayStation Vue, da Sony. Especula-se que Amazon e Facebook, entre outros, planejam suas respectivas plataformas OTT com conteúdos de TV ao vivo.

Se há alguém atualmente em condições de disputar esse jogo pra valer, é o pessoal da Google. Ao site especializado Business Insider, o executivo Neal Mohan, responsável pela programação do YouTube, lembrou que o grupo analisa sua plataforma de TV há três anos. Nesse tempo, vem coletando bilhões de dados sobre seus usuários, a maioria formada por pessoas que não gostam da TV tradicional. “Temos uma enorme quantidade de informações para trabalhar, no sentido de criar uma experiência valiosa, e sem falhas”, disse Mohan, cutucando os concorrentes.

Aqui mesmo no Brasil, tivemos esta semana uma pequena amostra de como seria esse mundo online na TV. Um jogo de futebol (Coritiba x Atlético, clássico paranaense) foi suspenso quando descobriram que seria transmitido ao vivo pelo YouTube. Pressionados pela emissora que detém os direitos de TV, cartolas da Federação simplesmente não deixaram a partida acontecer; após intensas negociações, finalmente o jogo foi liberado para YouTube e Facebook, indicando que se trata de um caminho sem volta. Se grande parte do público prefere assistir na internet (leia-se: no smartphone, tablet, notebook etc), é inútil tentar impedir.

Não por acaso, duas das primeiras marcas contratadas pela YouTube TV são Fox Sports e ESPN, fontes contínuas de material ao vivo. E, como lembra outro analista citado pelo Business Insider, Google hoje é uma máquina de publicidade, que pode levar seu modelo de anúncios para a plataforma TV online. Pode ser pouco hoje, mas assim era o AdSense quando nasceu, no início da década passada. E vejam no que se transformou.