Archive | abril, 2017

Fone de ouvido espião

Que tal descobrir que, enquanto você está ouvindo sua playlist, alguém está monitorando tudo? E que esse alguém identifica as músicas selecionadas? E que, com base nessa seleção, analisa sua personalidade e até suas preferências políticas e/ou sexuais? E que compartilha essas informações com outrem?

Muita neurose? Mas é exatamente disso que está sendo acusada a Bose, um dos maiores fabricantes mundiais de áudio. A ação, que está numa corte de Illinois, é de um advogado que acusa a empresa de espionar a vida dos usuários de seus fones sem fio e do aplicativo Bose Connect. O argumento é, pela enésima vez, invasão de privacidade. Os pobres adeptos do produto estariam sendo “desrespeitados em seus direitos individuais”, já que, pelos conteúdos acessados via app, a empresa teria condições de desvendar terríveis segredos.

A criatividade do suposto jurista é de fazer corar os defensores de Lula, Odebrecht e outros tantos. A certa altura, a ação lembra que “vários estudos já comprovaram a relação entre o tipo de música que se ouve e eventuais desvios de personalidade”. Além do mais, prossegue, os apps também servem para ouvir podcasts e audiolivros. Assim, se alguém tem o hábito de se ligar em sermões islâmicos seria um terrorista em potencial; se compartilha conteúdos sobre homossexualismo, pode ser alguém com Aids – intimidades que, segundo o texto, são protegidas pela constituição americana.

Bem, o caso apenas começou, e não se sabe se será aceito pela Justiça, que deve ter assuntos mais relevantes com que se preocupar (neste link, há mais detalhes). Mas pode abrir um precedente sério. Milhões de empresas hoje fazem exatamente a mesma coisa: monitorar os hábitos de seus clientes online para oferecer-lhes novos serviços. Uma delas, que talvez o tal advogado não conheça, chama-se Google. 

Atualizando: logo após escrever o texto acima, encontrei reportagem da BBC Brasil sobre Chris Dancy, “o homem mais conectado do mundo”. Esse, sim, parece vítima de uma neurose digital. Vale a pena conhecer sua história (vejam aqui).

Prestação de serviços = stress-center

A primeira vez que experimentei um serviço de call-center foi em 1986, numa viagem aos EUA. Lembro que precisei trocar de vôo e a companhia aérea (a velha Panam) me passou as coordenadas por telefone: “para isso, aperte 1”, “para aquilo, aperte 2”, e assim por diante. Mais prático, impossível. Incrível é que, passados mais de 30 anos, grandes empresas ainda vacilam nesse serviço hoje banal.

Quase todo dia recebemos queixas de usuários sobre mau atendimento das prestadoras de serviços de telecom, que (por motivos óbvios) deveriam ser as primeiras a dar exemplo nesse quesito. Com a evolução da internet, seria de se esperar eficiência maior ainda, já que foram abertos novos canais de contato com o consumidor. Seria.

Vejam o que acontece com a operadora Sky. Ao surgir um problema no sinal, me vi diante de duas alternativas: ligar para o número tal ou entrar no site da empresa. Já sei que ligar para um call-center quase sempre é sinônimo de stress, especialmente quando se é obrigado a “conversar” com uma máquina que imita a voz de uma pessoa. Mesmo assim, arrisquei. Antes de informar qual era o meu problema, a “voz de máquina” começou a oferecer uma série de serviços, daqueles que v0cê nunca quer; no meu caso, a oferta da semana era de uma luta de UFC!!!

Considerando que abomino esse tipo de programa e nunca solicitei nada a respeito, os tais algoritmos que sabem tudo sobre nós deveriam pelo menos desconfiar que não seria eu o cliente indicado para tal oferta. Mas parece inútil discutir. Se você não quer UFC, que tal canais eróticos? Ou o jogo de futebol desta noite, que vai lhe custar mais do que o ingresso no estádio?

A essa altura, a ligação demorou tanto que você desiste e procura a segunda alternativa mostrada na tela: entrar no site da operadora. Depois de login e senha, a “atração” é um vídeo em que prometem explicar como resolver meu problema na hora. Que ótimo! No vídeo, depois de perguntarem se estou com as contas em dia (não deveriam saber?), enfim me mandam ligar para aquele mesmo número de telefone… e recomeçar a conversa com a máquina. 

Blu-ray 4K, a melhor fonte de sinal

Pelo visto, será difícil mesmo ser lançado tão cedo no Brasil um player Blu-ray 4K. Samsung e Panasonic, os fabricantes que deram início à categoria no ano passado, continuam reticentes em relação ao mercado brasileiro. Aproveito aqui a pergunta de um leitor para comentar essa novidade e alguns dos players que já estão à venda em lojas virtuais (sempre lembrando: quem quiser correr o risco deve saber que nesses casos não há garantia alguma; há até histórias de gente que trouxe um player desses na mala e até hoje não conseguiu fazê-lo funcionar).

De saída, já se pode afirmar sem medo de errar: um disco Blu-ray 4K compatível com HDR é a melhor fonte de vídeo que se pode encontrar no momento. E nada indica que surgirá outra igual, pelo menos este ano. Exatamente por isso, tanto os discos quanto os players compatíveis ainda são muito caros. Nas principais lojas de Miami e Nova York, o aparelho raramente sai por menos de 400 dólares, e um disco com filme de estúdio fica na faixa de US$ 40 (triplo do valor do Blu-ray convencional).

Ao contrário dos conteúdos 4K que se vê na internet (no Brasil, basicamente Netflix e YouTube, e bem poucos), os discos Blu-ray 4K exibem áudio e vídeo impressionantes, e o tempo todo. Essas características têm ainda maior impacto quando se pode usar um TV de tela acima de 50″ (ou um projetor 4K) e um sistema de home theater de bom nível. Na internet, os sinais têm muita compressão (às vezes exagerada) e são muito dependentes da rede, o que resulta em oscilações e/ou travamentos. É uma questão física: um quadro de imagem 4K possui quatro vezes mais pixels que um HD, exigindo muito mais largura de banda e capacidade de processamento. Quando codificado em HDR, o sinal ainda apresenta mais contraste e nuances de cores, além de metadados, isto é, mais informação a ser transmitida.

O site bluray.com é a fonte mais atualizada de informações sobre filmes, séries, desenhos animados e documentários lançados oficialmente em 4K, inclusive com as datas de lançamento no mercado americano. Já para referência em players 4K, fora as próprias lojas virtuais, a fonte mais completa é 4K.com. Aqui, alguns modelos à venda atualmente e suas principais características:

Samsung UBD-K8500 – 4K HDR com acesso à internet, streaming em 4K, upscaling de discos comuns (DVD e Blu-ray) para 4K e Wi-Fi.

Sony UBP-X800 – Todos os recursos acima, mais reprodução de áudio HiRes, Dolby Atmos e DTS:X.

Panasonic DMP-UB900 – Apontado por vários sites especializados como o melhor player 4K até agora, acrescenta aos recursos anteriores a certificação THX e a reprodução de áudio 7.1 canais (sem Atmos nem DTS:X), a entrada para cartão de memória e a capacidade de funcionar em redes do tipo LAN.

Microsoft XBox One S – Com versões de 500GB e 1TB, o console mais avançado da atualidade também reproduz discos Blu-ray 4K HDR. A empresa lançou alguns jogos com essa resolução, para download, mas nesse caso é preciso investir antes numa banda larga não menos do que ótima.

Tendências do mundo smart

 

 

 

Falando em inovações, a revista Forbes, especializada em negócios, traçou um interessante painel de tendências sobre o mercado de dispositivos inteligentes, cobrindo aparelhos de uso dentro e fora de casa. A publicação mantém um “conselho tecnológico”, formado por representantes de empresas do setor, como Philips, Oracle, Cisco e outras (detalhes aqui). Foram esses especialistas que identificaram segmentos aos quais vale a pena prestar atenção. Acompanhem:

1.Saúde – Os avanços em inteligência artificial produzirão grandes benefícios nesse campo. Dados sobre a saúde das pessoas serão armazenados em nuvem e poderão ser acessados e analisados a qualquer momento, até via smartphone. Mas não só isso. Sua casa toda será conectada às chamadas “redes neurais”, tornando esses procedimentos intuitivos. Exemplo: os resultados daqueles exames que você fez no ano passado estarão acessíveis instantaneamente, caso você precise de atendimento.

2.Comandos por voz – Esse recurso será cada vez mais usado numa série de atividades domésticas, como acessar conteúdos de TV, ligar/desligar o ar condicionado, acender/apagar luzes, abrir/fechar cortinas. Não será uma mudança radical, da noite para o dia, mas algo que as pessoas irão incorporando naturalmente ao seu dia-a-dia.

3.Reparo de aparelhos – Assim como nos carros, os especialistas prevêem sistemas de monitoramento automático dos itens usados em casa. Possíveis problemas com a rede elétrica, por exemplo, serão antecipados e alertas emitidos para o dono da casa.  

4.Geração de energia – Há hoje uma perda de 10% a 15% de energia no simples transporte até nossas casas. A previsão é de que a eletricidade possa ser produzida por pequenos geradores domésticos, com realimentação automática.

5.GPS – Não é só nos veículos. Recursos de localização serão instalados dentro de casa para racionalizar o uso dos aparelhos. Se não há ninguém presente, o sistema se encarrega de apagar todas as luzes e desligar os itens que não precisam ser usados; quando você está voltando pra casa, o sistema localiza onde você está e começa a religar tudo aos poucos.

Home Theater em realidade virtual

Não dá para saber ainda se vai dar certo, mas a ideia é no mínimo ousada, conforme relato do site americano Electronic House. Um designer e projetista inglês chamado Andrew Lucas criou um tipo de apresentação em que o usuário pode “caminhar” por dentro de sua casa já com os equipamentos instalados e, assim, ter a sensação de como o projeto ficará. Claro, tudo no campo imaginário, já que a proposta é apresentada em realidade virtual. Lucas oferece o serviço a lojas especializadas e integradores, que assim (esse é seu principal argumento) têm muito mais chances de fechar o negócio.

Pela descrição, é algo como um Street View adaptado a ambientes residenciais, não apenas de home theater mas também de automação. A partir do material fornecido pelo projetista, Lucas e sua equipe montam uma visita à casa, que pode ser visualizada com um óculos VR (o mais conhecido é o Oculus Rift, do Facebook). Enquanto analisa as imagens, o usuário pode comentar as ideias do instalador, sugerir mudanças etc. Melhor ainda: os dois nem precisam se encontrar pessoalmente, tudo pode ser conduzido online.

O software inclui algo que aqui no Brasil parece heresia: os custos do projeto são atualizados em tempo real, acrescentando os valores de mão-de-obra, cabeamento, calibragem e suporte. Se for o caso, o cliente saberá também, na hora, como irá pagar pelo trabalho. 

Pode-se apostar que alguns, só de ver as imagens, ficarão tão empolgados que nem se importarão com o preço.

Novas séries da Globo chegam antes à internet

Em maio, a Globo lança sua primeira série com transmissão apenas pelo serviço Globo Play. Brasil a Bordo (foto), de Miguel Falabella, estará disponível para assinantes em formato idêntico ao do Netflix (mensalidade: R$ 14,20) e – pelo menos até 2018 – não poderá ser vista na rede aberta. O mesmo esquema será utilizado com Carcereiros, série sobre os problemas penitenciários inspirada no livro homônimo de Drauzio Varela, esta feita em regime de coprodução. São duas experiências que a emissora fará visando esse “novo mercado”: consumidores que não costumam seguir a programação linear de TV, mas estão se habituando ao chamado binge-viewing (assistir a vários episódios de uma série, às vezes todos, de uma tacada só).

A estratégia, que já comentamos aqui, foi detalhada esta semana pelo diretor de programação da Globo, Amauri Soares, em entrevista à Folha de São Paulo. A emissora está decidida a desbancar o Netflix na preferência do telespectador brasileiro, algo que ninguém conseguiu até agora em nenhum país. Foca no público “que é jovem, trabalha e faz faculdade”, nas palavras de Soares, e que costuma assistir a vídeos em smartphones, tablets e notebooks. O desafio é aproveitar o longo know-how da Globo, que produz séries há décadas, adaptando o formato à linguagem da internet.

A primeira iniciativa desse tipo foi Justiça, série com elenco de novela exibida em 2015 nas duas mídias: internet e TV aberta. Talvez sejam públicos distintos, e as ofertas se complementem. Pelo Globo Play, Justiça atingiu público muito maior do que na televisão, o que não quer dizer ‘engajamento’, essa palavra mágica que todos os veículos de comunicação buscam. Será preciso analisar quanta gente paga para ver!!! Mas, como já afirmaram outros executivos da Globo, esse é um caminho sem volta.

Como a Apple pode comprar a Toshiba

Os rumores surgiram no início da semana, e agora ganham mais peso: a Apple estaria negociando a compra da divisão de chips da Toshiba, que foi colocada à venda para fazer frente às dívidas do grupo japonês. Os detalhes foram passados por fontes da emissora NHK, do Japão (vejam aqui um resumo). São quatro os possíveis compradores: as americanas Broadcom e Western Digital (WD), a coreana Hynix e a taiwanesa Foxconn. Esta última seria a favorita, mas os japoneses parecem receosos de entregar mais um item tão valioso aos chineses (vale lembrar que no ano passado a Foxconn já adquiriu a Sharp).

A Toshiba é a segunda maior fabricante de chips para memória flash atualmente (a primeira é a Samsung), mas as dificuldades do grupo se acentuaram no último ano fiscal. A venda já foi decidida, e a entrada da Apple seria uma forma de vencer o orgulho japonês. Até o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe entrou na questão, preocupado em não ceder aos chineses um ramo tão estratégico e de altíssima tecnologia; o problema lá é tido como de “segurança nacional”. Como a Foxconn é a principal fornecedora da Apple, essa “ponte” facilitaria um acordo. 

Mas a negociação está sendo complicada, diz a NHK, porque a WD afirma ter prioridade na compra da Toshiba, graças a uma cláusula anterior. O negócio é estimado em US$ 10,8 bilhões.

Telecom: TCU e os fundos sem fundo

No momento em que se comprovam, via depoimentos dos protagonistas, tantos desvios de dinheiro público, pode parecer uma gota no oceano a mais recente denúncia do TCU (Tribunal de Contas da União). Mas o rombo – ou seria “roubo”? – é maior do que aparenta. Auditoria divulgada nesta quarta-feira revela, em números, como o governo vem usurpando na área de telecomunicações. Fundos criados promover a melhoria dos serviços acabam indo parar em outras mãos, de modo quase criminoso.

Segundo o TCU, entre os anos de 1997 e 2016 foram arrecadados R$ 84,5 bilhões (R$ 4,2 bi por ano) sob a rubrica Fistel (Fundo de Fiscalização das Comunicações). Pela lei, esse dinheiro deve servir para a Anatel e o Ministério das Comunicações verificarem se as operadoras cumprem as metas de cobertura e qualidade que lhes cabem. No entanto, apenas 5% dos valores foram de fato destinados a isso; a maior parte (81%) foi desviada para a Secretaria do Tesouro, órgão do Ministério da Fazenda, que pode (ou não) redistribuir a verba.

Já o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) não vem merecendo melhor sorte, diz o TCU. Os R$ 20 bilhões arrecadados desde 2001 deveriam servir para promover o aumento da cobertura de telefonia fixa, mas somente 0,002% foram usados para tal: a maior parte acabou usada para cobrir a dívida do Tesouro e o rombo da Previdência!

Outra ficção é o Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), que em 15 anos rendeu R$ 7 bilhões, dos quais aproximadamente 30% também surrupiados para outras atividades. Mesmo destino da polêmica Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), criada para ajudar os produtores de cinema: R$ 4,6 bi arrecadados em cinco anos, sendo 58% desviados. O site Convergência Digital fez um bom resumo dessas irregularidades. E neste link está a íntegra do relatório da auditoria. 

Como se a própria existência desses fundos não fosse questionável, a auditoria aponta ainda que toda a manipulação dos valores tem sido feita sem a transparência, ao sabor das conveniências políticas – que, como estamos vendo, atendem apenas às empresas que financiam campanhas políticas (os depoimentos da Odebrecht na Lava Jato ilustram bem esses crimes). 

4K chega ao espaço sideral

Um dos eventos mais incríveis do ano vai acontecer no próximo dia 26, a partir das 13h30 (horário de Brasilia): a primeira transmissão sideral em 4K. Os mais velhos devem se lembrar de quando o astronauta Neil Armstrong pisou na superfície da Lua, em 1969, imagens transmitidas ao vivo pela televisão em preto e branco (para quem nunca viu, aqui está). Já vimos, mais recentemente, cenas captadas a bordo de naves a quilômetros de distância da Terra, inclusive em Full-HD (exemplo aqui). Agora, a Nasa se associa à Amazon Web Services para esse streaming inédito em UHD, a partir da ISS (International Space Station), plataforma alimentada por energia solar que está navegando há anos no espaço sideral.

No dia 26, a ISS (foto) estará a cerca de 400km de distância e as imagens captadas por suas câmeras chegarão à sede da Nasa, em Houston, daí seguindo, via internet, para quem quiser ver. Com um TV 4K, e boa conexão de banda larga, será possível admirar tudo com mais detalhes. E em Las Vegas, onde estará acontecendo a tradicional convenção da NAB, feira que reúne fabricantes, emissoras e produtoras, executivos da indústria estarão conversando ao vivo com a comandante da ISS, Peggy Whitson. Aqui, mais detalhes sobre esse projeto da Nasa.

Quem quiser acompanhar a transmissão ao vivo deve preparar seu equipamento e acessar, no dia 26, este endereço:

 https://live.awsevents.com/nasa4k 

China entra na Copa. Como patrocinadora

Hisense, hoje a terceira maior fabricante de TVs da China, é a primeira empresa do país nomeada como patrocinadora da Copa do Mundo Fifa 2018. Não é pouca coisa, considerando que nas últimas edições a primazia foi da Sony, inclusive no Brasil 2014. A marca alinha-se Coca-Cola, Visa, McDonalds, Adidas, Hyundai e Budweiser. O acordo, confirmado nesta terça-feira, dá ideia do apetite chinês em relação ao mercado mundial de eletrônicos, algo que já comentamos neste espaço.

Depois do “terremoto Blatter”, com todos os desdobramentos conhecidos, a Fifa teve que baixar a bola (desculpem a figura de imagem) para se entender com seus patrocinadores. Hoje, há menos deles, até em função da recessão mundial, e tudo tem que ser muito bem explicado. A marca Hisense ganhará muita visibilidade já neste ano, com a realização da Copa das Confederações (o Brasil não participa), e mais ainda nos meses subsequentes. Vale lembrar que os chineses compraram a fábrica da Sharp no México e estão muito agressivos no mercado americano, onde, por sua vez, o futebol é um produto cada vez mais rentável.

Brasil pode ter seu Fórum UHD

Reunida em São Paulo nesta segunda-feira, a diretoria da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) anunciou a proposta de criação de um fórum para UHD no país. Estavam presentes representantes de várias outras entidades ligadas ao setor: ABERT e ABRATEL (redes de TV abertas), ABTA (TV paga), Eletros (fabricantes de TVs) e BRAVI (produtoras independentes).

O futuro fórum seria uma evolução natural do mercado. Cerca de dez anos atrás, foi criado o Fórum SBTVD justamente para coordenar a implantação da TV de alta definição, hoje uma realidade em diversas regiões. Não se sabe ainda o que acontecerá com o padrão UHD, nem na TV fechada e menos ainda na aberta. Mas já comentávamos em 2015 uma queixa da Rede Globo quanto à indefinição sobre a introdução desse padrão no Brasil. “Estamos atrasados”, dizia então o diretor de tecnologia da emissora, Raymundo Barros (vejam aqui).

Segundo a atual presidente da SET, Liliana Nakonechnyj, as estimativas para 2020 são de que existirão no mundo 450 milhões de domicílios com TV UHD (4K). Além disso, há a gigantesca quantidade de dados (23 milhões de terabytes) circulando a cada mês via dispositivos móveis, e como se sabe as emissoras hoje distribuem seus programas também pela internet. Serão dois problemas (no mínimo) a serem resolvidos de forma integrada: o uso do espectro de frequências para TV aberta e a disponibilidade de banda para IPTV.

A proposta da SET é criar um grupo de trabalho com as demais entidades a partir dos modelos já adotados no Japão (onde existe o NexTV Forum) e nos EUA (Ultra HDTV Forum). Cada setor está sendo convocado a indicar dois representantes, com o grupo sendo completado por especialistas das universidades e centros de pesquisa. O primeiro workshop sobre o tema será organizado durante a SET Expo 2017, que acontece em São Paulo de 21 a 24 de agosto.

A morte do Windows Vista

Com vídeo de esclarecimento, nota de pesar e tudo mais, foi declarada oficialmente nesta terça-feira a extinção do Windows Vista, um dos produtos mais badalados (na época do lançamento) e talvez o mais criticado de todos os tempos. A Microsoft anunciou o fim das atualizações e do suporte ao sistema operacional, após dez anos de incríveis idas e vindas. Aqui, o comunicado oficial, no site internacional da empresa.

Na verdade, a Microsoft deixou de sequer mencionar o Vista em seus boletins, blogs, sites etc. a partir de 2012, quando foi lançado o Windows 8. O Vista já era então o sistema mais mal avaliado pelos especialistas, que apontavam problemas básicos em sua concepção: excesso de demanda sobre o processador, o que resultava em irritante lentidão; interfaces gráficas difíceis de acompanhar (pelo menos para o usuário médio, não o nerd); incompatibilidade com os padrões DRM, hoje obrigatórios na internet. Muitos consumidores que eram fãs da Microsoft jamais perdoaram a empresa por abandonar o consagrado XP, até hoje a versão mais popular do Windows.

Em seu livro Os Visionários, no capítulo sobre Bill Gates, conto parte da história da criação do Windows, ideia que acabou sendo a maior responsável pelo êxito da Microsoft. Antes das “janelas”, só se trabalhava com textos sobre a tela escura. Steve Jobs chegou a acusar Gates de lhe ter roubado o conceito visual, mas o fato é que a MS impôs o Windows ao mercado, e… bem, o resto todo mundo sabe.

Enfim, o passamento do Vista nem será notado, já que – segundo o site ZD Net – apenas 0,7% dos computadores atuais ainda mantêm o jurássico sistema. O site, aliás, fez o réquiem ao produto, com uma galeria de fotos que pode até ser engraçada aos olhos de hoje. É, na verdade, uma sucessão de problemas que estressou muita gente ao longo desses dez anos.

Reproduzo ao lado uma das imagens, que sintetiza a própria história do Vista. Foi, provavelmente, aquela que mais se repetiu nas telas dos usuários até hoje. Que descanse em paz!

Google quer “comprar” a LG Display

Numa pequena amostra de como evoluem os negócios no mundo da tecnologia, vem esta notícia bombástica do jornal Korea Times: a Google Inc teria oferecido US$ 880 milhões para ficar com a divisão de displays do grupo LG. Saiu uma semana depois que a Apple comunicou acordo com a Samsung para fornecimento de 70 milhões (você não leu errado) de painéis OLED para equipar os novos iPhone que vêm aí.

Se for verdade, o acordo Google-LG terá muito mais impacto na indústria. Não seria bem uma aquisição, mas um aporte de capital para ajudar a LG a construir uma nova fábrica de displays OLED, que a Google usaria nos novos smartphones flexíveis Pixel, prometidos para este ano. Permitiria também a produção de painéis maiores, para TV, a custo mais baixo que os atuais. 

LG-Google vs. Samsung-Apple: sem dúvida, daria mais uma bela disputa de mercado?

De quebra, também nesta mesma segunda-feira a Foxconn, de Taiwan, anunciou oferta para assumir o controle da divisão de chips da Toshiba (detalhes aqui). Esta notícia, porém, acaba virando um rodapé, diante do alcance das outras duas.

Emissoras vs operadoras: guerra de informações

Basta dar um Google e digitar, por exemplo, a palavra “Simba” para ver que está ocorrendo uma guerra de informação – e desinformação – entre emissoras de TV abertas e operadoras de TV paga em torno da questão do sinal digital. Aos telespectadores, de pouco adianta neste momento tentar saber o que acontece nos bastidores; as decisões podem mudar de uma hora para outra, e os sites ditos “especializados” divulgam o que lhes convém. Uma exceção é a coluna de Daniel Castro no UOL, que fez um bom resumo da história.

Oficialmente, a Vivo/GVT é a única operadora autorizada a transmitir para seus assinantes os sinais das redes Record, SBT e Rede TV. Quem mora na Grande São Paulo e assina NET/Claro, Sky ou Oi só tem acesso àqueles canais se tiver uma antena de TV aberta e um televisor com receptor digital. Só que não. Usuários de DTH (TV via satélite) conseguem captar os sinais em posições diferentes da grade. Em algumas localidades, a mudança sequer foi percebida. Será preciso esperar mais para saber até que ponto as pessoas sentem falta dos três canais – que, aliás, alugam boa parte de seus horários a igrejas e empresas de televendas.

Nos últimos dias, a polêmica entre emissoras e operadoras ganhou espaço na mídia quase como se fosse caso de polícia. Telejornais das três levaram ao ar “reportagens” denunciando, por exemplo, que o atendimento da Sky é campeão de reclamações, incluindo depoimentos de supostos assinantes decididos a cancelar seus pacotes. As operadoras, por sua vez, colocaram na tela comunicados sobre a intransigência das redes abertas, que “de repente” teriam decidido cobrar por algo que sempre foi gratuito.

A Simba – empresa formada pelas três emissoras para negociar acordos com as operadoras – divulgou que somente a Vivo aceitou conversar. Mas, na sexta-feira, dez dias após o desligamento “oficial” dos transmissores analógicos, informava através de alguns sites que a operadora espanhola teria voltado atrás e que, agora, a Net/Claro é que se tornou mais flexível. Com exceção da Sky, que emitiu nota para dizer que não aceita negociar, as operadoras só falam oficialmente através de sua entidade representativa, a ABTA (vejam o site).

Para se ter ideia de como o assunto é tratado na mídia, vejam o que saiu no site Último Segundo, do iG, sob a manchete “Operadoras Net, Claro, Sky e Embratel perdem mais de 1 milhão de assinantes”: “…assinantes estão optando por cancelar o serviço de TV pago, dando preferência ao conteúdo nacional e de boa qualidade oferecido pela Record, RedeTV! e SBT, gratuitamente“. Vale a pena repetir: “conteúdo nacional e de boa qualidade”!!!

Curiosa foi a atitude da Band, que assim como a Globo já tem acordo antigo com as operadoras (o grupo também é dono de serviços de TV por assinatura): seu departamento de Jornalismo (!!!) foi acionado para produzir conteúdos contra as concorrentes, como se vê aqui. Revela, inclusive, que a Simba pede às operadoras o valor de R$ 15 por assinante, ou seja, a Sky – que segundo a Anatel tem atualmente 2 milhões de clientes em SP – teria de lhes pagar R$ 30 milhões. Repassaria esse valor aos assinantes? Vejam dados atualizados sobre o mariet-share de cada operadora.

Mais notável ainda, como lembra o colega Samuel Possebon, é que toda essa confusão resulta de uma falha na própria legislação: as operadoras não poderiam ter cortado os sinais sem avisar os assinantes com 30 dias de antecedência. Mas foram obrigadas a isso por uma notificação da Anatel (leiam e vejam se conseguem entender o imbroglio). E agora?

70 anos de áudio, vídeo e amigos

A lista de assuntos para comentar é grande neste início de abril. Mas uma empresa que completa 70 anos recebendo parabéns dos clientes não se vê a toda hora. Por isso, quero saudar aqui as irmãs Duarte (Eliana, Fernanda e Patricia), que estão celebrando, com justiça, o 70o aniversário da Raul Duarte, a mais tradicional loja de áudio e vídeo da capital paulista. 

Para quem não conhece a história, Raul Duarte (foto) foi pioneiro na venda de equipamentos de áudio no Brasil. Apaixonado por música, conseguiu transmitir seus conhecimentos a clientes de sua primeira loja, no centro velho da cidade – clientes esses que foram se tornando também amigos. Trazia equipamentos e também discos de primeira linha, que fazia questão de ouvir antes de entregar aos clientes. Foi ainda pioneiro naquilo que hoje se conhece como “pós-venda”. Não se contentava apenas em vender, queria sempre ter certeza de que seus clientes/amigos estavam satisfeitos.

Esse trabalho seguiu com seu filho Cassiano e, mais tarde, com as três netas, que hoje comandam o negócio com a mesma dedicação. Não por acaso, filhos e netos daqueles primeiros clientes do “seu” Raul ajudam a manter esse legado: continuam sendo até hoje clientes e amigos da família. Onde estiver agora, ele deve sentir-se orgulhoso.

Mídias digitais agora são questionadas

Não foi por acaso que o maior site do país lançou, na semana passada, uma “carta aberta” a seus anunciantes. Após os últimos acontecimentos envolvendo o Google, o pessoal do UOL achou por bem marcar posição em defesa da qualidade de conteúdo como principal valor da comunicação online.

Resumindo a história: em março, alguns dos maiores anunciantes globais (marcas como Coca Cola, AT&T, Johnson & Johnson, L’Oreal, HSBC) suspenderam a veiculação de campanhas no Google e no YouTube alegando que seus anúncios estavam aparecendo junto a conteúdos de cunho extremista, racial e/ou violento. Imediatamente, a direção do Google (também dona do YouTube) emitiu um pedido de desculpas, prometendo rever suas políticas de controle. Só que o estrago já estava feito.

Nas semanas seguintes, o boicote ao dois sites ganhou adesões em vários países. Também serviu para reacender a disputa entre as mídias digitais e os meios tradicionais de comunicação e publicidade, como TV, rádio e veículos impressos (este texto explica bem o caso). Até o momento em que escrevo, o Google ainda não apresentou alternativas satisfatórias para resolver o problema.

O caso ligou um alerta, talvez tardio, entre agências e profissionais de comunicação pelo mundo afora. Até agora, a publicidade online vinha derrubando, um a um, os pilares do setor, com a oferta de anúncios baratos e que podem ser acessados instantaneamente por milhões de internautas. Muitos anunciantes acreditaram. A crise, como bem mostra esta análise da agência Bloomberg, pode deflagrar uma reversão da tendência.

A carta aberta do UOL apresenta um dos lados do debate. A produção de conteúdo relevante e confiável é (ou deveria ser) a base de toda comunicação. Qual anunciante quer ter sua marca associada, por exemplo, a um vídeo produzido por extremistas que contém ameaças a determinado grupo racial ou religioso? Ou a fotos pornográficas? Ou a artigos pregando o ódio? Ou a acusações sem fundamento?

O problema é que, no mundo atual, vale a métrica dos cliques e dos compartilhamentos. Nenhum site, nem o todo-poderoso Google, ou o Facebook (e nem o próprio UOL), tem o poder de controlar essas veiculações, ainda mais quando prioriza o faturamento e o número de acessos. Custa bem mais caro apostar na qualidade, em vez da quantidade, produzindo textos, fotos e vídeos consistentes e fundamentados.

Talvez a perda de anunciantes de peso faça os grandes sites repensarem o modelo. Mas não custa lembrar que sempre foi assim na história da comunicação: violência, sexo, mentiras, preconceitos, tudo isso “vende jornal”, como diz o jargão. Por que na internet alguém achou que seria diferente?