Archive | maio, 2017

TV paga x emissoras: acordo mais difícil

Se nenhuma novidade ocorrer até lá, no próximo dia 10 de junho a Vivo deixa de transmitir a seus assinantes os sinais das redes Record, SBT e RedeTV! Única das grandes operadoras que havia concordado em pagar por isso, a empresa espanhola voltou atrás após o fracasso das negociações com a Simba, empresa criada pelas emissoras. Net/Claro, Oi e Sky já haviam decidido não pagar.

As conversas entre as partes estão sendo conduzidas com o máximo sigilo para que nenhum detalhe seja vazado. A pendência não é nova, mas tornou-se crítica em março, quando foram desligados os transmissores analógicos na Grande São Paulo, a maior praça do país, que responde por quase metade dos domicílios atendidos pela TV paga. De início, a Simba anunciou que estava perto de fechar com a Vivo, e esta de fato manteve no ar os sinais das três redes. Mas seus assinantes já foram avisados de que isso acaba em 10/06.

A queda de braço envolveu ruidosas campanhas de “esclarecimento”, com ataques de parte a parte. Não há números oficiais sobre audiência, o que torna impossível saber o impacto dos três canais entre os assinantes. Segundo o site Teletime, há forte pressão das afiliadas das redes para não tirar do ar seus sinais, o que favorece as operadoras. Ficando fora da Net/Claro, por exemplo, as emisoras perdem mais de 30% dos domicílios; somadas, as quatro maiores operadoras cobrem mais de 80% do mercado brasileiro (aqui, mais alguns detalhes).

Se para as redes já está difícil encontrar anunciantes estando na TV paga, é muito mais complicado ficando fora. 

Show de tecnologias em São Paulo

Começa nesta terça-feira, em São Paulo, a TecnoMultimídia InfoComm Brasil TMI 2017, principal evento de tecnologias audiovisuais do país. Há um número menor de expositores do que no ano passado, e isso, claro, se deve à crise econômica, mas em compensação está programada uma série de atividades simultâneas à Feira. 

Falando primeiro sobre a exposição: os visitantes terão a chance de assistir a demonstrações dos novíssimos projetores 4K, de pelo menos duas marcas (BenQ e Casio). Ao contrário dos TVs 4K, que já são razoavelmente conhecidos, os sistemas de projeção com resolução UHD ainda não são muito usados em projetos corporativos, a não ser em salas de cinema e grandes eventos. As duas empresas, além da Epson (que adota um sistema chamado “4K-Enhanced”), tentam expandir esse segmento com aparelhos de menor porte e custo mais baixo.

Outra atração da TecnoMultimídia serão as demos de video mapping, tecnologia que une o processamento de vídeo aos softwares de controle de luz. A chamada “projeção mapeada” já é adotada, por exemplo, em shows musicais e painéis publicitários. Empresas como Christie, Barco e a própria Epson estão liderando esses avanços.

Haverá ainda uma extensa programação técnica, com cursos e seminários sobre diversos ramos do mercado audiovisual, que hoje é indissociável dos recursos de automação. A InfoComm, que já realiza esse tipo de trabalho há décadas pelo mundo afora, anuncia sessões voltadas não apenas aos profissionais do setor, mas também algumas específicas para usuários finais. Este grupo inclui executivos de empresas que trabalham com tecnologia, administradores de edifícios, organizadores de eventos e gerentes ou diretores de escolas, hospitais, hotéis, varejo etc. Também o PROAVBR, grupo setorial da Abinee dedicado ao segmento de áudio/vídeo, terá um encontro desse tipo durante a Feira. 

A TecnoMultimídia 2017 marca ainda a realização, pela primeira vez no Brasil, do Digital Signage Summit, evento internacional importante para quem trabalha com sistemas de sinalização digital. Este é um dos segmentos tecnológicos que mais crescem no mundo, entrando em espaços como estações, aeroportos, shopping-centers, museus e tantos outros.

Estaremos lá, de terça a quinta-feiras, acompanhando tudo de perto e apresentando o que houver de mais interessante. Acompanhem no site businesstech.net.br e em nossas páginas do Facebook, Twitter e Linked In

Spotlight e o massacre da mídia brasileira

Há pelo menos quatro anos vivemos no Brasil sob intenso massacre noticioso. Somando-se ao turbilhão das notícias internacionais, que a cada minuto pipocam em nossas telas, a crise brasileira não dá sossego. Olhando com viés otimista, é um ótimo sinal de que a democracia institucional, oficialmente instaurada com a Constituição de 1988, está firme e forte. Nunca tantos brasileiros se informaram tanto sobre política e economia, temas que ganharam até as mesas de boteco, frequentemente deixando o futebol em segundo plano. Pode-se mesmo apostar que, hoje, é possível saber tudo (vá lá, quase tudo…) o que está acontecendo de relevante no país, bastando alguns cliques.

Será mesmo? OK, a fragmentação das mídias significa que, a princípio, ninguém mais é “dono” da informação. Acusa-se a grande imprensa (Globo, Folha, Estadão, Editora Abril) de manipular as notícias que chegavam ao distinto público, em sinistra cooperação com os governos e “as elites”. Mas tal afirmação atualmente não resiste a qualquer análise séria: por mais que tentasse, a mídia não possui mais o poder de influência que detinha, por exemplo, no período pós-ditadura. Hoje, todo mundo produz notícia o tempo todo. Nesse aspecto, é ilustrativo observar a queda nas receitas de quase todos os grupos de comunicação. 

Uma crise como a desta semana é oportunidade para observar como se dá na prática essa transição – da informação regulada por uma mídia influente ao crescente poder das redes sociais. Aturdidos, jornais e revistas (e seus respectivos sites e blogs) limitam-se a reverberar os sons que vêm dos centros de poder, notadamente governo, partidos políticos e órgãos de investigação. Não existe mais apuração; trabalha-se com notas oficiais, discursos, relatórios, sentenças, depoimentos oficiais, tudo registrado em texto, áudio e vídeo. E tudo monotonamente igual, em todos os veículos.

“A polícia revelou”, “o ministro comentou”, “o presidente se reuniu”… O que antes era uma obsessão de todo jornalista, o “furo”, parece ter sido esmagado pelo denuncismo e pela preguiça de pensar. Mais vale uma nota oficial na mão do que uma investigação detalhada, que exige esforço e empenho. O último ‘grande furo’ – este do caso JBS – não passou da transcrição de uma gravação (suspeita) liberada pelo STF! E, quando se busca o furo a qualquer custo, como no caso do jornalista Ricardo Noblat, o risco é cair de barriga nas colunas de humor.

Tem sido assim com frequência maior do que seria de esperar. Repórteres e colunistas (aí incluídos os comentaristas de TV), e portanto os veículos que representam, acabam atuando mais como porta-vozes de alguém que quer vazar alguma informação. Costuma ficar claro quem é o alvo do vazamento, às vezes de forma contundente, mas nem sempre ficam claras as motivações de quem vazou. Cabe ao leitor a tarefa de descobrir por sua conta.

Por que, afinal, o empresário influente decidiu delatar? Que vantagens exatamente irá auferir da delação? Por que a Justiça divulga certas gravações autorizadas e mantém outras em sigilo? Por que alguns processos demoram tanto, enquanto outros correm céleres? Como um(a) presidente(a) da República aceita conversar com alguém que é alvo de diversos processos? Aliás, como um presidente ou governador nomeia para cargos relevantes pessoas igualmente suspeitas e/ou sob inquérito? Como a Justiça Eleitoral aprova as contas dos partidos? O que há por trás dos discursos oficiais? 

Raramente as respostas aparecem na cobertura. É uma espécie de avesso de Spotlight, o grande filme sobre a equipe do jornal Boston Globe que desvendou um tenebroso escândalo de pedofilia na cidade. Ali, colocavam-se em dúvida todas as informações oficiais. Prelados, empresários, membros do governo, policiais, todos são averiguados. No Brasil, infelizmente, procedimentos de checagem, se é que existem, ainda são frágeis e pouco transparentes. O que impera é a chamada “imprensa oficialista”, como cunhou certa vez o jornalista Caco Barcellos.

Enfim, todos saem perdendo, especialmente a sociedade, que precisa da mídia ágil, solerte e a salvo dos poderosos, estejam eles onde estiverem. 

Futebol europeu, em 4K e realidade virtual

As duas partidas finais do futebol europeu este ano serão as primeiras experiências  de transmissão ao vivo em 4K pela internet, com áudio Dolby Atmos e também com a opção VR (realidade virtual). O anúncio foi feito esta semana pela rede britânica BT, após acordo com a UEFA. A emissora detém os direitos tanto da Champions League quanto da Europa League, e promete caprichar em ambos os eventos.

A primeira decisão acontece na próxima quarta-feira (24/05), em Estocolmo, entre o inglês Manchester United e o holandês Ajax, decidindo a Europa League. No sábado 3 de junho, em Cardiff (País de Gales), Real Madrid e Juventus lutam pelo título de clubes mais importante do futebol mundial, a UEFA Champions League. Os dois jogos poderão ser assistidos de graça no YouTube, no site btsport.com, no app da emissora e – para quem reside na Europa – nos canais BT Sport. No Brasil, quem transmite em rede aberta – mas não em 4K – é a Globo, e na TV fechada o privilégio é da ESPN (no caso da Europa League) e do EI+ (para a Champions). Haverá ainda uma transmissão especial da Globo para salas de cinema.

Quem tiver um TV 4K poderá apreciar as imagens em UHD no YouTube, mas os só os europeus terão o privilégio de também ouvir o som do estádio codificado em Dolby Atmos, com os ruídos das torcidas passeando por suas salas (claro, aqueles que possuem receiver e caixas acústicas compatíveis). Será ainda a primeira vez que um evento ao vivo poderá ser visto pelo público em 360°. Isso já aconteceu na Olimpíada do Rio, mas somente em transmissões fechadas. A BT diz ter desenvolvido um aplicativo em que o telespectador, munido de um óculos VR, pode selecionar narração e gráficos especiais sobre a imagem, além de ângulos variados de câmera no estádio.

Terremoto também na Anatel

 

No mesmo dia em que o governo Temer foi sacudido pelas denúncias da JBS, também caiu uma bomba na Anatel. O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou relatório acusando conselheiros da Agência por “dano ao erário” e ação dolosa” no polêmico episódio TAC da Telefônica. Para quem não acompanha, TAC (Termo de Ajuste de Conduta) é uma espécie de acordo com uma empresa para transformar multas em investimentos. É uma jaboticaba antiga no setor: quando a dívida chega a um nível considerado alto demais, apela-se para o tal ajuste, de modo que a empresa – tipicamente uma operadora – se compromete a investir os valores devidos para melhorar seus serviços.

No caso específico, as multas aplicadas à Telefônica eram de aproximadamente R$ 4,87 bilhões. Como se deixou que elas chegassem a tanto, é algo que que talvez somente uma investigação criminal, no padrão Lava Jato, apurasse. Fato é que o Conselho Diretor da Anatel concordou em reverter esse valor em “investimentos”, por exemplo, numa suposta rede de fibra óptica que cobriria 100 cidades brasileiras. A pergunta que não quis calar na época (outubro de 2016) é se a empresa já tinha esses investimentos engatilhados, pois acabara de adquirir o controle da GVT, operadora de TV, e pretendia expandir sua cobertura. Se isso já fazia parte de seus planos, por que não pagar a multa aplicada, como seria socialmente justo?

Bem, pela lei essas decisões precisam ser submetidas ao TCU, que agora deu seu parecer, como mostra o colega Samuel Possebon, do Teletime. O Tribunal acha que o contribuinte foi lesado em R$ 137,7 milhões, apontando o dedo para três conselheiros (Rodrigo Zerbone, Igor de Freitas e Anibal Diniz, sendo que o primeiro já deixou a Agência). Infelizmente, o TAC virou procedimento de rotina, permitindo que muitas multas deixem de ser pagas e, portanto, tornem-se inócuas. Ao contrário de um contribuinte comum, a empresa nesse caso consegue continuar atuando como se nada estivesse devendo.

Vamos torcer para que o TCU leve à frente sua decisão de apurar as irregularidades no Conselho da Anatel, especialmente as regras travestidas em “ajustamento de conduta”, conforme este resumo de outra colega do Teletime, Lúcia Berbert. Recomendo também esta análise de Possebon sobre as consequências da denúncia para o mercado de telecom em geral. 

Quem deu golpe em quem?

Num país assolado pela falta de memória, o que para algumas pessoas é conveniente, há sempre a chance de voltar a cometer erros passados. Ou crimes. A piada é do humorista americano Emo Philips: “Queria pedir a Deus uma bicicleta. Mas, como sei que Deus não trabalha dessa forma, roubei uma bicicleta e depois fui pedir perdão a ele”. 

De certa maneira, é uma boa definição para essa mania bem brasileira, de fingir que nada tem a ver com o que está acontecendo, por exemplo, na política. Agora mesmo, muitos esquecem que, um ano atrás, o país era presidido por Dilma Roussef. Bem, “presidido”, como se sabe, é mera expressão de linguagem; era um trem desgovernado transportando milhões de passageiros e, no caminho, jogando alguns deles pela janela.

O (des)governo Temer tentou, aos solavancos, mexer com alguns mantras tipicamente brasileiros, como aposentadorias criminosamente infladas, máfias sindicais e subsídios que não param em pé. Conseguiu fazer cair a inflação, ainda que por força da recessão e do desemprego (que, aliás, começaram em 2013). Neste exato momento, ninguém sabe o que será daqui para frente. O processo de lavagem tem que continuar.

De todo modo, recuperar a memória é exercício necessário, e contínuo, sob pena de se achar que o país não precisa de reforma nenhuma e que tudo estava “sob controle”, como dizia Dilma na campanha de 2014. Fuçando em escritos e links do começo do século – sim, este mesmo, o 21 – encontro detalhes que me levam a uma, digamos, cronologia do impeachment, o processo que alguns chamam de golpe. Pelos dados disponíveis, a história, para ser bem contada, deve começar não em 2015, mas dez anos antes. Acompanhem, por favor:

2005 – O deputado Roberto Jefferson, do PTB, denuncia em entrevista o esquema que seria chamado “mensalão”, chefiado pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.

2006 – Em busca da reeleição, o presidente Lula organiza um novo esquema de apoio político. O eixo de financiamento da campanha passa para a Petrobrás, presidida pelo petista Sergio Gabrielli e com Dilma Roussef na presidência do Conselho. No final do ano, Lula se reelege derrotando no segundo turno o candidato tucano, Geraldo Alckmin.

2007 – Lula começa a planejar sua sucessão, atraindo o PMDB, maior partido da oposição. No auge da popularidade, muda a política econômica para aumentar os investimentos sociais. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES são forçados a investir nas empresas “campeãs”, que puxariam o crescimento: Gerdau, Positivo, OAS, Oi/Telemar, Itaipava, Odebrecht e JBS/Friboi, entre outras. Estas duas últimas se tornaram as maiores financiadoras de campanhas políticas da história brasileira.

2008 – Lula dá um golpe de mestre ao reivindicar (e obter) os direitos de sediar a Copa do Mundo da Fifa, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. Na euforia, o país começa a ser preparado para o “grande salto”, com ares de China, enquanto o mundo se debate com a maior crise econômica do pós-guerra.

2009 – Lula escolhe para sucedê-lo uma neófita em política, Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil e ex-comandante da Petrobrás. Odiada nos bastidores, inclusive dentro do PT, ela tinha o grande mérito de ser a primeira mulher presidente(a). Atrai o PMDB para uma partilha de poder imbatível nas urnas. E ganha um aliado chamado Michel Temer.

2010 – Dilma vence o tucano José Serra herdando a popularidade de Lula, com estatais e bancos públicos despejando dinheiro na economia e atraindo investidores estrangeiros. Foi a campanha mais cara da história, capitaneada pelo marqueteiro João Santana, discípulo de Duda Mendonça.

2013 – Pipocam as primeiras denúncias sobre um esquema de corrupção da Petrobrás, cuja diretoria havia sido nomeada por Lula (ou Dilma) a partir de indicações do PT, PMDB e outros partidos da base governista. Em junho, milhões de pessoas vão às ruas para protestar contra a corrupção.

2014 – Dilma atropela o PT e impõe sua candidatura à reeleição, contra a vontade de Lula, mantendo a aliança com o PMDB de Temer e fortemente apoiada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. De novo, uma campanha bilionária, ancorada nos financiamentos das empresas “campeãs”. A candidata insistia que não havia crise, com ameaças de que tudo se perderia caso fosse derrotada. Mas foi uma vitória apertada: 54% dos votos válidos, contra 47% do tucano Aécio Neves. Logo após a reeleição, Dilma dá uma virada da política econômica, decisão que muitos consideraram “estelionato eleitoral”.

2015 – A crise se acentua, com queda nos investimentos, inflação em alta e desemprego. Surgem no Congresso vários pedidos de impeachment da presidente. Nos bastidores, Lula tenta costurar um acordo com Temer, Renan e o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. No final do ano, este aceita levar adiante o processo de impedimento, que aumenta a tensão política no país. Enquanto isso, aceleram-se as investigações sobre a Petrobrás, com a Operação Lava Jato trazendo revelações bombásticas, especialmente no campo do PT.

2016 – Dilma não consegue mais governar, sem apoio no Congresso, até que em maio é afastada pela Câmara, decisão confirmada em setembro pelo Senado. Assume seu vice, Michel Temer, em meio a enormes desconfianças e acusações de “golpe”. A Lava Jato agora atinge também integrantes do PMDB e boa parte dos empresários que financiaram as últimas campanhas eleitorais. Revela-se em detalhes a promiscuidade de grupos econômicos com os podres poderes Executivo e Legislativo.

Diante da presente interrogação para 2017, espero que tenha sido útil rememorar como chegamos até aqui. No mínimo, para evitar novas ilusões. Quem deu o tal golpe, se é que existiu? E quem dará os próximos? 

Comparando LED com LED

Nesta terça-feira, a LG apresentou sua nova linha de TVs 4K de uma forma pouco usual no Brasil: comparando seus produtos lado a lado com os do principal concorrente. Dois TVs Samsung, supostamente tops de linha, foram colocados no palco, ao lado dos correspondentes LG UHD e “Super UHD”. Este último, mais avançado, possui o painel chamado Nano Cell, com maior luminosidade. Os dois Samsung, claro, perderam em qualidade de imagem, principalmente nos quesitos cores e ângulo de visão lateral.
Impossível comprovar numa situação como essa. Apenas registramos o momento nas fotos, enquanto aguardamos os produtos para nossa avaliação.

TV Everywhere, OTT, Catch-up e Video-on-demand

Numa saudável brincadeira virtual, amigos do Facebook se puseram a coletar palavras ou expressões atualmente comuns, inclusive entre doutores e jornalistas, mas que não disfarçam a sensação de vazio – e se desgastam rapidinho. Todo mundo já leu, ouviu, quem sabe até usou coisas como “focar”, “interagir”, “agregar valor”, “resiliência” e o sinistro “empoderamento”. À lista podem-se somar todos os neologismos da língua inglesa que grassam por aí: “deletar”, “brausar” (ou seria “brausear”???), “inicializar” (pior ainda: “estartar”) etc. Bem, leiam o artigo que gerou toda a discussão.  

Cito aqui o caso a propósito dos inúmeros termos usados no segmento de tecnologia e que, ou não têm tradução mesmo, ou as pessoas tiveram preguiça de procurar e acabaram adotando o original, embora nem sempre fiel. Esta semana, foi anunciado o início do serviço ESPN Play, que vem na cola de outros similares (Globosat Play, HBO Go, Fox Play…). Para quem é assinante de uma operadora que ofereça os canais ESPN, será possível acompanhá-los não só no TV, mas em dispositivos móveis sempre que houver sinal de banda larga por perto. 

É o que o mercado decidiu chamar de “TV Everywhere” – e não se sabe por que não “TV em todo lugar”. A ESPN informou também que os usuários poderão utilizar o formato “catch-up”, em que é possível rever programas ou eventos já exibidos nos canais normais; além de solicitar “on-demand” (ou seja, na hora desejada) mais de 600 conteúdos de catálogo da emissora. 

É mais ou menos o que começa a acontecer agora com o Canal Viva, da Globo, que passa a oferecer novelas antigas “por demanda” (agora sim!), e com o próprio Globo Play, que já comentamos aqui. É um movimento sem volta, da televisão tradicional em direção à internet. Ou seja, let’s go!

Para quem se interessa pelo tema, vale a pena conhecer um pouco mais sobre a empresa Sofá Digital, que comanda hoje a distribuição online de conteúdos para Netflix, Now e outras das principais plataformas.

Enfim, os números melhoram

Pela primeira vez desde janeiro de 2015, saíram números positivos do tradicional levantamento da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica): o segmento cresceu 4,3% no primeiro trimestre (a comparação é com o mesmo período de 2016). Segundo a entidade, quem puxou essa expansão foram os eletrônicos, incluindo áudio e vídeo. Houve pequena queda em relação a fevereiro, mas ainda assim é um número para ser comemorado.

Mudou também o clima. O estudo revelou que 51% das empresas tiveram aumento nas vendas, quando um ano atrás eram apenas 23%. E as expectativas são otimistas, com 51% acreditando que abril terá sido melhor do que março, e 57% apostando numa recuperação para o segundo semestre. Caiu o número daquelas que tiveram demissões de funcionários, e a maioria – 75% – pretende mantê-los.

Longe de significar que a crise está superada, esses dados mostram que há luz no fim do túnel, após dois anos de desânimo. Medidas aparentemente simples como a liberação das contas inativas do FGTS (uma bolada de R$ 15 bilhões até agora), e a tumultuada aprovação de reformas estruturais, por mais que sejam incompletas, vão aos poucos reativando a economia.

Não há milagre, apenas trabalho. Enquanto a Lava Jato continua o seu.