Archive | agosto, 2017

Tecnologia na escola: Brasil de Primeiro Mundo

Conheci na semana passada as instalações do Insper, hoje uma das instituições de ensino mais respeitadas do país. Com quase 10 mil alunos (o dobro de cinco anos atrás), virou referência internacional por implantar novos conceitos educacionais, estimulando a criatividade dos alunos e a interação com os professores. Estes deixam de ser meros ‘palestrantes’, transformando completamente a experiência do aprendizado. Para colocar isso em prática, a tecnologia revela-se fundamental.

Bem, antes de falar disso, é importante lembrar como nasceu o Insper. Um grupo de empresários de sucesso, com passagens por universidades americanas, decidiu trazer de lá o modelo que fez delas as melhores do mundo. Fizeram o investimento inicial, depois saíram em busca de outros como eles, que estivessem dispostos a doar recursos para o projeto. Embora cobre mensalidades altas, o Insper não tem fins lucrativos: toda a receita é reinvestida, inclusive para pagar alguns dos melhores professores do país.

No Insper, os alunos dedicam-se em tempo integral aos estudos, são desafiados a diversas atividades extra-aula e o grau de exigência não permite acomodação. Todos usam notebooks – aos que não podem comprar, a escola fornece – e compartilham seus trabalhos em rede. O layout das salas é pensado para facilitar a troca de conhecimentos, seja numa aula para 120 alunos, num seminário com convidados internacionais ou reuniões em pequenos grupos. 

Microfones e alto-falantes de teto, revestimentos acústicos, mesas com conexão de banda larga, projetores e telas convivem com lousas de giz revestidas de cerâmica, fornecidas por um fabricante americano. Um sistema de automação, acionado pelo próprio professor num tablet, comanda tudo. E uma equipe técnica especializada em AV e automação pode ser acionada a qualquer momento (manhã, tarde ou noite) caso surja algum imprevisto durante as aulas.

Detalhe que me chamou a atenção: embora seja uma escola de elite, hoje voltada às áreas de Economia/Administração, Direito e Engenharia, o Insper não faz distinção social. Qualquer jovem com curso médio completo pode se candidatar a uma vaga, mesmo que não tenha condições de pagar a mensalidade. Se demonstrar potencial nos testes (e isso envolve principalmente a capacidade de estudar e trabalhar em grupo), será matriculado. 

Sem hipocrisia: é claro que só consegue entrar quem possui uma boa base educacional anterior. Mas parece a escola dos sonhos de todo pai de família. Todas deveriam ser assim. Neste link, é possível fazer um tour virtual pelas instalações e entender melhor a filosofia do Insper.

Copa 2018 já começou para a indústria de TVs

 

 

 

Com um ano de antecedência, os fabricantes de TVs já se alinham para a disputa da Copa da Rússia. Evidentemente, não será um evento tão badalado quanto a do Brasil, mas a disputa entre as principais marcas promete. Lembremos que, em 2014, a Sony era um dos patrocinadores oficiais e investiu pesado no mercado brasileiro – logo em seguida, rompeu com a Fifa e reduziu seu marketing. Desta vez, seu lugar é ocupado pela chinesa HiSense, que nem atua aqui (pelo menos por enquanto).

Quase todos os fabricantes estão renovando suas linhas de TVs, de olho em três momentos decisivos: Black Friday, em novembro, Natal e Copa. Em termos promocionais, quem sai na frente é a Samsung: mesmo não sendo mais patrocinadora da Seleção (como várias outras marcas, afastou-se da CBF após os sucessivos escândalos), a empresa coreana contratou o técnico Tite, hoje uma das raras unanimidades nacionais. 

Já no quesito tecnologia, há muitas novidades. Havíamos antecipado algumas delas aqui, em fevereiro, e abaixo trazemos atualizações. Na faixa acima de 49 polegadas, quase tudo agora é 4K HDR, embora haja poucos conteúdos desse nível. Para quem for comprar, vale uma dica: verificar na loja como é a reprodução dos canais de TV aberta. O upscaling de HD para 4K passa a ser crucial na escolha.

Samsung – Acaba de lançar a linha QLED (detalhes neste vídeo) e também está enviando às lojas os TVs chamados Premium UHD, cujos tamanhos variam de 40″ a 82″, com telas planas e curvas. Em nossa sala de testes, estamos finalizando a avaliação de um QLED de 65″. 

LG – Além dos TVs OLED, que comentamos aqui e são sua grande aposta, a empresa está trazendo ao Brasil os modelos Nano Cell, cujo princípio de funcionamento é similar aos “pontos quânticos”: uma película com minúsculos elementos age sobre cada pixel acentuando as cores. Tamanhos: 49″, 55″ e 65″.

Semp TCL – A marca que mais vem crescendo no país aposta em algo além da qualidade de imagem: a velocidade do processador em seus TVs Android, como mostra este vídeo. Estão saindo em quatro tamanhos: 49″, 55″, 65″ e 75″. A exemplo das coreanas, adota 4K HDR como padrão, e também tem uma linha com painel curvo QLED. 

Sony – Seus top de linha atualmente são os TVs Z9D, de 75″ e 100″ (vejam o vídeo). Mas também lançou um TV Android mais acessível (65″) com novos processadores. Em outubro, deve sair seu OLED com “som que sai da tela” (este outro vídeo explica). 

Philips – Seu diferencial continua sendo o recurso Ambilight, agora renomeado Ambilux: as luzes traseiras se espalham por todo o painel, criando um efeito envolvente quando a sala está escura. A empresa também está lançando modelos 4K Android convencionais, de 43″, 49″ e 55″. 

Panasonic – Ainda não definiu seus lançamentos para o segundo semestre. 

Um novo escândalo na Oi?

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, e sua equipe técnica precisam de apoio – de toda a opinião pública – em sua luta para não aliviar as contas da Oi. Um tenebroso script foi preparado pelos acionistas, e por parte dos credores, para obrigar o governo a cobrir o rombo da operadora, que já ultrapassa a casa dos R$ 64 bilhões.

Os ruídos a respeito desse potencial “novo escândalo” são ouvidos aqui e ali no mercado. Na última terça-feira, houve bate-boca intenso entre dirigentes da agência e representantes dos grupos Pharol, herdeiro da Portugal Telecom, e Societé Generale, francês mas liderado no Brasil pelo polêmico investidor Nelson Tanure. A repórter Miriam Aquino, do site TeleSíntese, fez um resumo da reunião. Os distintos acionistas querem que a Anatel abra mão das multas já aplicadas à Oi por falhas no atendimento e na cobertura, que totalizam mais de R$ 11 bilhões. E sugerem que o BNDES seja chamado, pela enésima vez, para ajudar a financiar a empresa!!!

Em entrevista ao site da revista Época Negócios, o presidente da operadora, Marcos Schroeder, mostrou o tamanho do problema. Foi apresentado à Anatel um plano de capitalização envolvendo investimentos de R$ 8 bilhões, mas os acionistas só querem entrar com R$ 2 bi; o restante viria de algum investidor ainda não encontrado. Enquanto isso, prossegue na Justiça a recuperação judicial da Oi, e acreditem: há um movimento no Congresso visando ajudar a empresa com dinheiro público.

A esta altura, é quase impossível calcular quanto dinheiro do contribuinte já foi jogado na Oi, entre BNDES, Banco do Brasil, Caixa e fundos de pensão, desde 2007, quando o ex-presidente Lula decidiu fazer dela uma “campeã”. Bancos, ex-funcionários e a já citada Anatel estão entre os credores listados no processo judicial, que até hoje não viram a cor do dinheiro. Lula, pelo menos, ganhou uma antena da Oi naquele sítio de seu amigo em Atibaia. 

Apple quer fazer seus próprios displays

O site coreano Digitimes revelou dias atrás o que pode ser um grande furo: a Apple estaria montando sua própria fábrica de displays, em Taiwan. A empresa encomendou os primeiros equipamentos de produção à coreana Sunic System, especialista no processo de vaporização chamado CVD (Chemical Vapor Deposition), utilizado na fabricação dos painéis orgânicos OLED. A estratégia seria diminuir a atual dependência de fornecedores como Samsung (no caso do iPad) e LG (Apple Watch), que na prática são concorrentes da Apple. 

Outro site asiático, o Taipei Times, informa que a Apple está ampliando a produção própria de painéis Micro-LED na localidade de Taoyuan, também em Taiwan, onde comprou, em 2014, a empresa LuxVue. Essa é uma tecnologia alternativa ao OLED, e bem mais barata. 

A volta de Amos Genish, via TIM

Até hoje não foi bem explicada a saída de Amos Genish do comando da Vivo, no final do ano passado, que até comentamos aqui. Fundador da GVT, negócio que transformou em bilhões, Genish vendeu a empresa ao grupo francês Vivendi, que a repassou à espanhola Telefônica, e esta foi buscá-lo a peso de ouro depois, quando decidiu unificar as duas marcas (Vivo e GVT) no Brasil. Tudo isso em dois anos! As explicações formais (“busca de novos desafios” e platitudes similares) não foram bem digeridas pelo mercado.

Pois agora Amos Genish está de volta, liderando uma nova fase da TIM. Foi chamado pelo mesmo grupo Vivendi, que acaba de assumir o controle da Telecom Italia. Tem o cargo de diretor-geral da empresa italiana, mas seu conhecimento do mercado brasileiro será muito útil. Há meses a TIM negocia para comprar a Oi, solução que seria um alívio para os credores da ex-super tele – a dificuldade é assumir uma dívida monstruosa, já de quase R$ 64 bilhões; seria ótimo também para o governo brasileiro, que ainda corre o risco de herdar esse típico abacaxi petista.

Outra especulação recente refere-se à Sky, que pertence ao grupo DirecTV, adquirido em 2015 pela AT&T, por sua vez candidata também a dona da Time Warner. Para a fusão ser confirmada no Brasil, a AT&T terá que se desfazer da Sky (detalhes aqui), o que abre a brecha para possível acordo com a TIM. 

Vale lembrar que, dos grandes grupos de telecom atuando no Brasil (os outros dois sendo Telefônica/Vivo e NET/Claro), o italiano é o único que ainda não atua no segmento TV, exatamente a especialidade da Sky, reforçada por sua nova estrutura de satélite. Os próximos meses dirão.

TV paga busca novos horizontes

Na mesma semana em que foi, finalmente, anunciado o acordo entre as emissoras de TV abertas e a operadora Vivo para recolocar o sinal de Record, SBT e Rede TV nas casas dos assinantes (vejam os detalhes), saiu o levantamento da Anatel relativo ao mês de maio: o número de domicílios com TV por assinatura diminuiu mais um pouco (1,39%), chegando a 18,64 milhões de assinantes. Considerando que em 2014 eram 19,6 milhões de famílias pagando pelo serviço, temos uma queda de 5,1% no setor, no maior país da América Latina.

O principal motivo, sem dúvida, é a crise econômica, que tem feito muita gente cancelar suas assinaturas. Problema bem brasileiro. Mas há uma transformação tecnológica (e de comportamento) que é mundial, como mostra recente pesquisa da Nagra, empresa suíça que fornece equipamentos e software para operadoras e programadoras. Entrevistando executivos do setor, os pesquisadores constataram que nada menos do que 84% deles consideram os provedores de conteúdo (Amazon, Netflix, Google etc.) seus “principais inimigos” – 54% deles citam também a pirataria de sinal.

As saídas vislumbradas por eles seriam basicamente três:

*Oferecer aos assinantes serviços inovadores, como realidade virtual e vídeo em 360o;

*Agregar mais conteúdos a suas plataformas móveis;

*Buscar parcerias com os tais “inimigos”.

Certamente, alguns leitores incluiriam na lista o item “baixar os preços”, mas é bom já ir avisando que essa alternativa está fora de questão. E a razão é simples: a conta não fecha. Pay-TV é uma brincadeira que custa caro. Não à toa, é um setor cada vez mais concentrado, com domínio dos grandes conglomerados de mídia, e estes precisam remunerar seus acionistas. Nunca é demais lembrar a velha máxima do capitalismo: não existe almoço grátis. Mesmo (ou principalmente) em tempos de crise.