Archive | outubro, 2017

A nova geração de câmeras

Recentemente, comentamos aqui a primeira câmera de uso profissional com resolução 8K, exibida pela Sony. Bem, já não é a única. Se você não se importa em pagar US$ 10.500 (preço no mercado americano), talvez fique curioso pela 360 Round, da Samsung. Parece que nessa câmera tudo é over. São nada menos do que 17 lentes num diâmetro de apenas 20cm, sendo dois conjuntos de oito mais uma lente central; tudo isso, claro, de olho nos entusiastas da realidade virtual (VR).

As especificações divulgadas pelo fabricante indicam que o design foi pensado para quem quer captar conteúdo 3D em 8K e fazer o streaming ao vivo com o mesmo aparelho. Segundo o site CNET, um protótipo da 360 Round já circulava em 2014, quando pouco se falava em VR. Agora aprimorado, pesa 1,93kg, possui 6 microfones embutidos, memória interna de 10GB (pequena para armazenar conteúdos em 8K) e proteção contra água e poeira. No quesito memória, pode registrar até 2TB em HD externo SSD.  

Para quem se liga em câmeras, nada melhor do que este vídeo de apresentação

Mais células, mais pixels

Os consumidores que forem às lojas agora no final do ano – e/ou nos próximos meses, talvez pensando na Copa do Mundo, como é de lei – encontrarão mais uma variedade até agora pouco falada. São os TVs Nano Cell, lançados pela LG para fazer frente aos QLED, da arqui-inimiga Samsung. O leitor, atônito, talvez queira perguntar: mas os QLED não surgiram exatamente para competir com os OLED, da mesma LG? 

Pois é, pode-se afirmar que são coisas iguais, mas diferentes. Informa a LG que os elementos de imagem num painel Nano Cell têm 1nm (nanômetro, medida equivalente a um milionésimo de milímetro), enquanto os pontos quânticos (Quantum Dots) medem de 2 a 11nm. Por serem menores, essas partículas retêm maior quantidade de luz e variações de cor, o que daria mais estabilidade aos pixels. Também teriam menor custo de produção, diz a empresa.

Claro que a Samsung não concorda com essas explicações, embora oficialmente não se manifeste. No Brasil, a TCL também está lançando TVs de pontos quânticos, algo que a Sony também já oferece, só que com a denominação Triluminos. O que varia é a eficiência do processador usado pelos diversos fabricantes.

Ainda há poucas referências sobre o desempenho dos TVs Nano Cell; aliás, estamos aguardando um para testes, e talvez assim possamos compará-lo com as outras tecnologias.

Lojas online: quem ganha e quem perde

Nos últimos dias, caíram na Bolsa as ações do Magazine Luiza e da B2W (Submarino e Americanas.com), simplesmente com a notícia de que a Amazon iria iniciar suas operações no segmento de eletrônicos. A gigantesca marca americana já está no Brasil desde 2012, mas até agora vendia apenas livros. Como comentamos recentemente aqui, decidiu investir pesado no mercado brasileiro.

O market place da Amazon entrou no ar nesta quarta-feira 18, provavelmente com centenas de milhares de cliques. Nessa modalidade de loja virtual, o dono do site oferece sua plataforma para que varejistas de pequeno e médio porte – e também fabricantes, com suas lojas próprias – vendam produtos ao consumidor. É o modelo de sucesso do Luiza, por exemplo, aprimorado com ferramentas de big data, cada vez mais sofisticadas. Outros nomes fortes no segmento: Netshoes, Via Varejo e Dafiti.

Só que, nesse quesito, ninguém bate a Amazon, primeira loja virtual do planeta, criada em 1996, ainda antes da explosão da internet. Não sei se é motivo para tantos temores, mas fato é que o chamado “mercado” entendeu a novidade como ameaça aos sites brasileiros, daí a queda nas cotações (em parte revertida já nesta 4a). Além de todo o seu aparato tecnológico, a Amazon tem dois trunfos com os quais é difícil competir: cobra menos de seus parceiros, que assim podem praticar preços mais baixos ou, se preferirem, aumentar suas margens; e garante a entrega (ou reembolso do valor pago), mediante um rigoroso sistema de avaliação e pontuação dos vendedores.

Como disse um especialista, a Amazon é como “um urso entrando na sua casa: ele vai escolher onde quer sentar, e você que trate de se adaptar ao visitante”. Vamos acompanhar os próximos passos. 

Marketing e comunicação na era digital

Atendendo a um honroso convite da Associação Brasileira de Automação Residencial, participaremos na próxima semana do Fórum Aureside Marketing, Vendas e Gestão, voltado a empresários do setor. A proposta é discutir as tendências deste complicado mundo digital, principalmente para quem se dispõe a atuar no segmento de tecnologia e integração de sistemas. Não será um evento propriamente técnico, até porque nessa matéria a Aureside já acumula longa tradição em cursos, feiras e certificações. Tentaremos contribuir com nossa experiência em comunicação e marketing voltados a um consumidor cada vez mais informado (embora às vezes confundido com tantas informações) e exigente.

Será no dia 24, a partir das 9h da manhã, no Espaço Ettore. Lembrete: é preciso se inscrever antes (a inscrição é gratuita para associados da Aureside).

Apple entra no streaming com Spielberg

Todos os olhos estão voltados para Amazon e Netflix, mas há outras forças de olho no mercado mundial de streaming. E uma delas é a Apple, que decidiu aproveitar sua enorme base de usuários e seguidores para lançar um serviço exclusivo de filmes. Pelo que divulgou o The Wall Street Journal, que não costuma errar nessas contas, a empresa reservou nada menos do que US$ 1 bilhão para esse projeto. Vai produzir conteúdo original (séries e filmes) que só poderão ser vistos através de aparelhos Apple.

E, para mostrar que a aposta é pra valer, contratou simplesmente Steven Spielberg, o mais bem-sucedido produtor de todos os tempos, para a primeira de suas séries. Será um remake de Amazing Stories, que o próprio Spielberg produziu em 1985 (e que saiu no Brasil na época como Histórias Maravilhosas), inspirado numa série de TV dos anos 60, chamada Twilight Zone (aqui, Além da Imaginação). Mais: a Apple contratou para comandar sua divisão de streaming dois executivos da Sony, que entre outros êxitos têm no currículo Breaking Bad, The Blacklist, Better Call Soul e Masters of Sex.

No mínimo, esses caras vão fazer barulho. Aqui, um resumo do plano da Apple. E, aqui, um vídeo promocional que, 30 anos atrás, dava o que falar.

Amazon em casa: vantagem ou desvantagem?

Ainda sobre o Custom Home Service, da Amazon, e agora falando diretamente aos profissionais brasileiros desse segmento, acho importante ponderar que essa é a tendência mundial (e irreversível): grandes marcas oferecendo serviços adicionais, seja com ou sem parceria de fornecedores especializados. No Brasil, a própria Amazon planeja uma expansão, como já mostramos aqui, e quem sabe se não caminhará no sentido da ‘casa inteligente’? “Não queremos tomar o mercado de ninguém, queremos sim colocar o Alexa em todo lugar”, resumiu Dan Quigley, diretor da Amazon. Abaixo, algumas de suas ideias apresentadas ao jornalista Jason Knott, do CE Pro:

*Alexa, assim como outros produtos da Amazon, é uma plataforma aberta. Qualquer fabricante pode integrá-la a seus aparelhos, e muitos já vêm fazendo isso. Só para citar alguns: LG, Sony, Honeywell, Leviton, Crestron, Control4, RTI, Lutron, Nest, Philips, Onkyo, TP-Link…

*No mercado americano, apenas 10% das residências possuem algum aparelho smart (quantas serão no Brasil?). Ou seja, há muito a crescer, e a força de uma marca como Amazon é inquestionável. Acrescento: melhor estar “com ela” do que “contra ela”.

*O uso dos comandos por voz será cada vez mais comum, para as pessoas acessarem seus serviços em qualquer ponto da casa. Os aplicativos que exigem vários cliques tendem a desaparecer. Esse era um mercado praticamente inexistente em 2014; na época, os serviços por voz eram ineficientes, falhavam em 99% dos casos. Hoje, respondem por mais de 10% de todo o tráfego online nos EUA.

*Com o Alexa, a Amazon procura evitar o erro de outras plataformas, que são fechadas (Quigley cita especificamente Z-Wave e ZigBee). Antes de lançar um serviço novo, a Amazon procura três fabricantes ou desenvolvedores para colher sugestões e fazer testes. E já tem mais de 1.000 itens lançados.

*Os integradores são os “arquitetos” dos sistemas smart home, acrescenta o diretor da Amazon. O problema é que a maioria dos clientes nem sabe que esses profissionais existem, pois seguem indicações de amigos. Ao se cadastrar no programa da Amazon, o integrador será indicado aos potenciais clientes de sua região e poderá obter descontos se utilizar produtos da empresa.

Resta ver como tudo isso se dará na prática. É bom ficar ligado.

Amazon já tem sua “smart home”

Uma boa polêmica está surgindo entre os profissionais americanos de AV e automação residencial, após o lançamento do programa Custom Home Services, da todo-poderosa Amazon. A gigante da internet anunciou que irá cadastrar integradores certificados pela CEDIA e colocá-los como “sugestão” aos clientes que acessarem sua página Smart Home Services. A parceria dará à CEDIA e seus mais de 2.700 associados uma visibilidade jamais sonhada. “Era uma oportunidade boa demais para ser desperdiçada”, comentou o atual presidente da CEDIA, Dennis Erskine. 

Mas nem todo mundo por lá está satisfeito. Numa raivosa carta publicada no site CE Pro, a “bíblia” do segmento, um dos mais respeitados profissionais do país, Chuck Schneider, acusa a Amazon de querer “destruir” o segmento especializado. “Vocês querem transformar suas lojas em cabines de drive-thru como as que vendem big macs”?, pergunta ele aos colegas, antes de listar uma série de experiências semelhantes que já viveu. No passado, diz, operadoras como DirecTV, Nextel e Sirius tentaram se aproximar dos integradores e os abandonaram.

Schneider acrescenta que, assim como acabou com as livrarias físicas, a Amazon está destruindo todo tipo de varejo, citando os exemplos de Sears e  Toys R’ Us (brinquedos), ambas falidas, além da Best Buy – esta seria um “paciente já na UTI”. Ele coloca em dúvida a honestidade da Amazon para lidar com o atendimento ao cliente final, e pergunta: “Será que vão financiar os serviços dos instaladores? Como será feito o pagamento? Quando os clientes reclamarem, quem terá a responsabilidade de atendê-los”?

Para quem quiser ler a carta na íntegra, em inglês, aqui está

Já se sabe que a plataforma Alexa, da Amazon, está revolucionando o setor de eletrônicos. Baseada em comandos por voz e redes sem fio facílimas de instalar e operar, certamente terá impacto sobre o negócio de instalações profissionais. A ilustração acima ironiza a situação:

“Alexa, por que você quer trabalhar com os instaladores da CEDIA”?

“Para oferecer uma experiência melhor aos nossos clientes hoje… e acabar com eles amanhã”. 

Aplicativos agora terão de pagar ICMS

Uma das atividades mais corriqueiras no Brasil é a criação de impostos. Basta uma canetada! Mais um exemplo foi dado dias atrás pelo Confaz, órgão que reúne os secretários de Fazenda de todos os estados. Suas excelências decidiram instituir a cobrança de ICMS sobre a comercialização de aplicativos, jogos eletrônicos, softwares e serviços de streaming, com entrada em vigor a partir de abril de 2018.

As controvérsias são inevitáveis, assim como as ações judiciais. Basta lembrar, como diz este advogado ouvido pelo site especializado Teletela, que alguns desses serviços já recolhem ISS, o que parece ser mais justo, pois não se trata de “mercadorias”.

A Oi e suas tenebrosas transações

Apenas complementando o comentário da semana passada sobre a situação da operadora Oi:

Vários gabinetes de Brasilia estão envolvidos na busca de uma saída que não seja a intervenção do governo. Um consenso está longe, e qualquer decisão será passível de contestação judicial. Vale a pena ficar de olho nas transações políticas. O lobby a favor da empresa (ou seja, a favor de que a Anatel jogue o pagamento da dívida para daqui a 20 anos!!!) é coordenado pelo ex-deputado e senador (PMDB) Helio Costa, que tem certa força no Congresso. Pode garantir bons votos a Temer em sua luta para se manter no cargo.

O conselho de administração da operadora anunciou um plano de investir até R$ 7 bilhões por ano, sendo que R$ 2,5 bi viriam dos acionistas, os mesmos que tentam não pagar a dívida com a Anatel. Difícil acreditar. Esta reportagem dá mais detalhes. 

Para quem não se lembra, Helio Costa era ministro das Comunicações quando o governo Lula aprovou mudança na legislação para beneficiar a Oi (antiga Brasil Telecom, depois Telemar) com financiamentos do BNDES, Banco do Brasil e Caixa. Comentamos o caso aqui algumas vezes na época. Vejam neste link

Oi está a um passo da intervenção

Como se previa, não houve mesmo acerto entre acionistas e credores da Oi, apesar da intermediação do governo. A intervenção pode ser oficializada a qualquer momento. Na última terça-feira, empresário Nelson Tanure, maior acionista individual da empresa, conseguiu reunir uma “bancada” de congressistas para conversar pessoalmente com o presidente Temer. A ideia era que o governo autorizasse aliviar a dívida da Oi com a Anatel, que já passa dos R$ 11 bilhões (a dívida total é superior a R$ 65 bi). Nada feito. Seria um péssimo sinal para todo o mercado.

O problema é que Tanure controla o Conselho de Administração e não abre mão disso. A empresa já recebeu diversas propostas de compra, como relata o jornal O Globo, mas em todas o empresário teria que se afastar – e, claro, se responsabilizar pela quitação da dívida. Na última reunião de acionistas, o clima esquentou e o diretor financeiro acabou se demitindo (ou sendo demitido).  

Sim, do desesperado governo Temer tudo se pode esperar. Mas a intervenção, admitida esta semana até pelo ministro das Comunicações, talvez ajude a acalmar os credores, pois seria uma espécie de blindagem contra as pressões de Tanure e demais acionistas (vejam esta análise detalhada do colega Samuel Possebon). O risco é que, ao intervir, o governo seja obrigado a colocar dinheiro numa empresa que, embora endividada, possui a maior rede do país e atende mais de 40 milhões de usuários. Talvez não haja outra saída, como fica claro aqui.

Dolby Vision: qual é a vantagem?

LG, Philips e Sony são, por enquanto, os fabricantes que aderiram ao padrão Dolby Vision de TVs. No Brasil, até agora somente a primeira lançou modelos com essa compatibilidade, que significa um passo além do polêmico HDR (High Dynamic Range). Digo “polêmico” porque esse tipo de processamento, já explicado aqui algumas vezes (vejam este post), comporta variações não devidamente padronizadas. 

Já o Dolby Vision é um só, e por ele a Dolby cobra royalties, o que certamente afasta alguns fabricantes – Samsung e Panasonic, por exemplo. Sua principal vantagem sobre HDR é que a imagem é analisada quadro a quadro, através de metadados (informações codificadas que acompanham o sinal e que devem ser lidas pelo decoder dentro do TV). A especificação mais importante, no caso, é a chamada profundidade de cor (color depth), medida em bits. Em Dolby Vision, trabalha-se com 12-bit, o que se traduz em 20% mais gradações de cores.

Ainda não tivemos oportunidade de fazer um teste comparativo entre HDR e Dolby Vision, mas o site inglês Tech Radar se encantou com o padrão Dolby, descrevendo seu uso “mais puro” da luz, maior detalhamento e sutileza das cores. O problema é que, se há poucos conteúdos codificados em HDR, há menos ainda em D.Vision. As séries Daredevil, Luke Cage e Marco Polo são algumas opções do Netflix, para quem quiser conferir. 

Recentemente, foram lançados no mercado internacional os primeiros discos Blu-ray UHD com Dolby Vision, com títulos como Despicable Me 2 (Meu Malvado Favorito), La La Land e o excelente Hacksaw Ridge (Até o Último Homem). Curiosamente, apenas o player LG UP970 e os top de linha da chinesa Oppo (estes considerados os melhores do mundo) possuem decoder Dolby Vision. 

Para desconsolo de muita gente, não há perspectivas de lançamento do Blu-ray UHD no Brasil, embora essa continue sendo a melhor fonte de imagem (vejam aqui). O jeito é apelar para a internet.

Sport TV inicia transmissões 4K (em Portugal)

O canal de TV paga Sport TV, de Portugal (nada a ver com o SporTV brasileiro) acaba de inaugurar um serviço regular com transmissões em UHD. Estreou neste domingo, com o clássico entre Porto x Sporting, e fica em operação até o final do ano sem custo para os assinantes das três principais operadoras locais. É o primeiro canal do gênero em Portugal, e um dos primeiros na Europa, começando com partidas das ligas portuguesa (NOS) e espanhola (La Liga).

É um modelo que tende a ser seguido também no Brasil, dada a força dos eventos esportivos para atrair (e fidelizar) assinantes de TV. Esse tipo de conteúdo é impossível de ser oferecido no formato OTT em operação regular e com boa qualidade de áudio e vídeo (não estou falando aqui das transmissões piratas). Nas negociações com clubes e federações, emissoras e  programadoras já incluem os direitos para TV fechada e internet (fixa e móvel), e a tendência é que esta última seja cada vez mais valorizada.

Embora tenha perdido parte dos direitos do Campeonato Brasileiro para a Turner (Esporte Interativo) a partir de 2019, a Globo continua sendo a rede mais bem posicionada para oferecer conteúdo 4K. Vimos no último Rock in Rio a altíssima qualidade da cobertura, similar à da Olimpíada 2016, em parceria da Globosat com a NET/Claro. Não é fora de cogitação esperar que nos próximos meses alguma partida da Série A seja oferecida em UHD, e já se sabe que esse padrão será adotado na cobertura da Copa de 2018, na Rússia.

Quanto a ter um canal dedicado, provavelmente será necessário esperar mais. A base de aparelhos 4K já instalados é estimada hoje em 1,5 milhão. Com o aumento nas vendas a partir deste final de ano e até a Copa, vamos começar a ter, de fato, um mercado UHD. Ou, pelo menos, é o que se prevê. 

Para entender melhor as fake news

Imperdível o documentário exibido na semana passada pela Globo News, e disponível no Globosat Play (este o link), sob o excelente título “Fake News: Baseado em Fatos Reais”. Vale ver e rever, para tentar entender um dos fenômenos mais complexos do mundo atual, e que atinge todos os segmentos da sociedade. Os repórteres viajaram por vários países, entrevistando estudiosos e também pessoas envolvidas na criação e produção de notícias falsas. Descobriram que um dos “núcleos” fica numa pequena cidade da Macedônia, país pobre do sul da Europa, e é mantido por um grupo de adolescentes cujas armas são apenas o computador e uma boa conexão de internet. O depoimento de um deles é antológico.

Curioso lembrar que, embora o fenômeno tenha explodido mundialmente com a campanha eleitoral americana do ano passado (e a consequente eleição de Trump), nós, brasileiros, estávamos anos à frente em 2013/14. Na época dos protestos que tomaram as ruas, cresceram os sites de conteúdo político e/ou racial que espalham notícias falsas e acusações. Com a força das redes sociais, a prática viralizou, sustentada por políticos, partidos, igrejas, sindicatos, empresas e entidades nem sempre identificadas. Sua influência foi decisiva na eleição de 2014, tendo Marina Silva como maior vítima (e aqui não vai qualquer juízo sobre a candidata em si).

Se Obama, em 2008, foi o primeiro político famoso a usar a internet como instrumento de campanha (o que, aliás, foi comentado aqui neste blog),  os brasileiros – políticos, marqueteiros, comunicadores – vêm dando aula de fake news, como mostramos neste outro post, de 2012. Por isso, com licença dos leitores, reproduzo aqui um trecho do comentário que tem tudo a ver com o momento atual:

Cabe ao cidadão leitor, telespectador ou internauta cobrir-se de cuidados, mais ou menos como fazemos todos ao passar por uma rua escura. Desconfiar, sempre, daquilo que se ouve e se lê; procurar fontes diversas para se atualizar sobre cada assunto; comparar opiniões divergentes. Não é fácil hoje em dia, com a overdose de informações a que somos submetidos. Mas é a única maneira de não se perder no laranjal.