Archive | novembro, 2017

Salas de cinema chegam à era do LED

Foi inaugurado em julho, na Coreia, o primeiro cinema que substitui a tradicional tela de projeção frontal por um display LED. São 10,2 metros de largura por 5m40 de altura, algo em torno de 350 polegadas na diagonal, suficientes para extasiar quem já viu. Na semana retrasada, uma rede de cinemas da Tailândia tornou-se a primeira do mundo a adquirir essa preciosidade – a ser instalada em nada menos do que 668 salas de exibição do país, segundo o site Variety, especializado em entretenimento.

Com nome comercial de “LED Screen”, a tela produzida pela Samsung não é a primeira do gênero, mas tem a primazia de ter sido aprovada pelo DCI (Digital Cinema Initiatives), consórcio internacional formado pelos estúdios de Hollywood para ditar as normas no setor. Reproduz imagens 4K no formato de cinema (4.096 x 2.160 pixels), mais largo que o dos TVs, e decodifica sinais gravados em HDR (High Dynamic Range), com níveis de brilho especificados em 500 cd/m2 (candelas por metro quadrado), dez vezes o que se alcança com uma tela convencional.

Em material divulgado para a imprensa especializada na Europa e EUA, a Samsung informa que desenvolveu um algoritmo chamado Scene Adaptive HDR, capaz de ajustar a luminosidade a cada cena. Outro avanço estaria no balanço de cores, mais equilibrado do que na projeção frontal, em que o aumento do brilho fatalmente provoca perdas na colorimetria.

Meu colega Chris Chinnock, editor do site Inside Media e consultor de várias empresas, esteve na Coreia para ver de perto esse “super display” e voltou impressionado. Notou dois artifícios, não na imagem propriamente, mas nas legendas e créditos – o chamado “efeito halo”, que destaca exageradamente as letras e pode causar desconforto. Já notamos o problema em testes com imagens 4K HDR. Mas, no geral, ele aprovou a experiência: “Níveis de preto profundos e uniformidade em toda a tela, sem vazamentos nos cantos como estamos acostumados a ver”.

Não enxergar vazamentos numa tela de 350″ é mesmo algo impressionante. Como mostra este vídeo, a Samsung está em plena campanha para entrar com a linha LED Screen no segmento de cinemas digitais. Serão cerca de 200 mil salas em todo o mundo em 2020, das quais a empresa quer pelo menos 10%. A conferir. 

20 anos de automação no Brasil

Interessante um artigo publicado no site da Aureside (vejam aqui) sobre as duas décadas de evolução do mercado de automação residencial no Brasil. Lembro-me que, na revista HOME THEATER, publicamos o primeiro texto a respeito em abril de 1998. Falávamos então sobre controles remotos capazes de ir além do TV – um dos mais famosos foi o Philips Pronto (foto); dimmers de parede que acionavam as luzes de vários ambientes; e a chegada ao Brasil de marcas como Crestron, Lutron e AMX, líderes no mercado americano.

O artigo da Aureside faz uma retrospectiva desses vinte anos, citando até curiosidades como o jargão “casa dos Jetsons”, que alguma publicação da época inventou para se referir aos projetos de automação. Até hoje encontro pessoas que citam essa analogia – aliás, detestada pelos profissionais, pois passa uma falsa ideia de algo ficcional, inalcançável aos pobres mortais. Inúmeras reportagens já publicadas na imprensa foram ilustradas com a famosa foto da “banheira automatizada”, deixando em segundo plano os benefícios mais concretos da automação.

Enquanto aqui o maior problema para a expansão desse mercado é o desconhecimento (tanto dos usuários quanto de muitos profissionais) – embora o quadro hoje seja infinitamente melhor que o do final dos anos 90 – nos EUA, país onde a automação praticamente foi inventada, o problema é de outra ordem. Por lá, surgiu uma infinidade de soluções DIY (“faça você mesmo”, na sigla em inglês) que acabam competindo com as grandes marcas especializadas. E, não por acaso, aumentou a confusão entre siglas, formatos e protocolos.

O tema foi bem explorado recentemente pela jornalista Julie Jacobson, do site CE Pro, que detalhou exemplos de produtos que oferecem basicamente os mesmos recursos mas não se comunicam entre si (ou, pelo menos, isso não é transparente para o usuário). Os fabricantes, em geral, não fazem muito esforço para explicar. E ela cita perguntas que são comuns a quem pensa ter em casa um sistema de automação: posso ligar na rede Wi-Fi da minha casa? O sistema se atualiza sozinho? Posso usá-lo enquanto faz o update, ou tenho que desligar tudo? E os módulos que funcionam com bateria, tenho que trocá-las periodicamente? 

Consolo, para os integradores especialistas: quem tiver essas respostas encontrará um belo mercado para trabalhar. Tanto lá quanto aqui.

Chineses agora adquirem a Toshiba

Talvez não seja coincidência. Falamos aqui dias atrás sobre a marca chinesa HiSense, e nesta terça-feira o grupo anunciou a compra da japonesa Toshiba. Por cerca de US$ 113 milhões, o negócio inclui a divisão de TVs e o uso da marca, ainda forte, fora do Japão, pelo prazo de 40 anos.  

O valor nem é muito alto: apenas um pouco mais que o prejuízo registrado pela Toshiba no último ano fiscal, encerrado em março. Vale lembrar que o grupo continua sendo um dos maiores do Japão, atuando em áreas como energia, semicondutores, telecom e equipamentos médicos, entre outros. Com mais de 153 mil funcionários, fatura atualmente US$ 11 bilhões por ano (vejam aqui).

Já o HiSense é um dos maiores grupos eletrônicos chineses, com forte participação de capital estatal. Está presente no Brasil, mas por enquanto de forma tímida. 

A Globo e seu futuro no streaming

A Globo se destacou nos últimos dias não propriamente por sua programação, mas por duas notícias polêmicas. Na semana passada, anunciou o lançamento (em 2018) de um serviço de streaming de apelo popular, algo que o mercado em geral espera com ansiedade. E na última quarta-feira afastou o jornalista William Waack, um de seus profissionais de maior prestígio, por fazer brincadeiras racistas num vídeo que circulou na internet.

Sobre este último caso, vejam nossa opinião aqui. Em relação ao novo serviço, que já foi ventilado no passado (citamos aqui há cerca de um ano), parece uma nova estratégia para combater os concorrentes da internet, especialmente Netflix, YouTube e Amazon – há especulações de que a Apple também estaria preparando uma versão reforçada do iTunes Video em português. Em comunicado a seus funcionários, a Globo não deu detalhes. Informou apenas que inicialmente o serviço oferecerá conteúdos da própria TV aberta, sem custo para o usuário, mais séries e alguns programas ao vivo, numa ampliação do atual Globo Play.

Num segundo momento, seriam agregados conteúdos dos canais Globosat e também de parceiros como Universal e Megapix. Está no radar ainda um serviço próprio de assinatura, via streaming, com esportes e conteúdos dublados a preços mais baixos, visando outra faixa de público que não tem o hábito da TV paga mas agora encontra acesso mais fácil à internet. A Globo corre contra o tempo para ter esses serviços rodando sem travamentos antes que os competidores gigantes lancem algo do tipo. Travamento, aliás, é o que mais temos experimentado nos testes com Globo Play.

Numa reportagem recente, o sempre bem informado Samuel Possebon, do Tela Viva, conta praticamente toda a história de como a Globo atravessou os últimos 15 anos, seu período de maior crescimento – e também de uma dívida que quase se tornou impagável. Muitos dados ali são questionáveis, mas é fato que o maior grupo de mídia do Brasil também sente efeitos da crise econômica, e ainda não sabe exatamente como irá se colocar no novo mercado de distribuição digital de conteúdos.

Aos que gostam de malhar a Globo, um lembrete: o grupo vem estudando o tema há anos (mais detalhes aqui) e é o único, no Brasil atual, que tem condições de enfrentar os concorrentes internacionais. Os outros nem chegam perto disso.

Globo, William Waack e os preconceitos

O lamentável episódio envolvendo a Globo e o jornalista William Waack, um dos mais brilhantes do país, talvez entre para a história como um novo paradigma da comunicação. Para o bem ou para o mal, a sociedade já não tolera mais determinadas atitudes antes relevadas como “brincadeira”. E ninguém está imune às consequências, seja uma estrela de cinema ou TV, seja alguém que se pense anônimo e inatingível em seu computador pessoal.

Conheci William nos anos 70, ambos estudando Jornalismo na USP e trabalhando na sucursal paulista do jornal O Globo. Sabíamos que, terminando o curso, uma redação seria pequena demais para seus sonhos e sua capacidade. Atleta e devorador de livros sobre História, queria conquistar o mundo! Não demorou a mudar-se para a Europa e transformar-se no melhor correspondente que qualquer jornal ou revista poderia desejar. Na Alemanha, enquanto cobria o período final da Guerra Fria, frequentou a Universidade para consolidar seus já vastos conhecimentos sobre Política, Economia, Relações Internacionais etc.

Sinceramente, nunca achei que tivesse perfil para ser um apresentador de TV, desses que lêem textos escritos por outros. Mas não é que deu certo? Só poderia ser contratado pela maior emissora do país, com status de estrela e, dizem, plenos poderes. Seu programa de entrevistas na Globo News é, disparado, o melhor há anos. Espanta o domínio que tem sobre os assuntos que aborda, inclusive improvisando diante de especialistas, algo dificílimo – e tão raro, como se sabe, que a maioria dos jornalistas foge do desafio.

Seu perfeccionismo nunca tolerou a incompetência nem a mediocridade, infelizmente características que são mais regra do que exceção. Sabe-se de atritos com colegas na Globo, inclusive de hierarquia superior, levando à fama de “arrogante”. Verdade ou não, fato é que até esta semana William Waack podia quase tudo na empresa onde trabalhava. 

Só que o mundo mudou. A piada racista de William (“é coisa de preto”) já havia sido usada milhões de vezes Brasil afora, por intelectuais e por gente iletrada, pobres e ricos, brancos e cafuzos. Muitos já riram dela, até porque pode ser adaptada pelo autor da ofensa a qualquer designação que lhe convenha. Bastaria trocar, na frase, “preto” por “judeu”, “português”, “baiano” etc., como tantas vezes já ouvimos. O preconceito embutido nessa atitude, que às vezes aparece também em referências religiosas, políticas e de gênero, é sempre abominável. Merece toda repulsa. Aliás, muitos dos que desancaram William agora também explicitaram seus preconceitos nas redes. É hoje o esporte preferido de tanta gente, um jogo que se ganha “no grito”, ainda que virtual.

O episódio só confirma que o suposto “direito à privacidade”, ainda venerado por alguns, virou ficção; foi enterrado há anos. Não é mais hora de brincadeira. Todo mundo está sendo vigiado, o tempo inteiro, mesmo em momentos de intimidade. Um descuido pode ser fatal, e até se combate preconceito com mais preconceito. A internet, como bem definiu recentemente um amigo, é uma espécie de faroeste. As redes sociais são o saloon. E os cowboys de plantão não perdoam, atiram para matar.

Corrupção, burocracia e investimento estrangeiro

Curiosamente, a notícia sobre o fechamento da loja brasileira da Nikon foi manchete em vários sites internacionais, alardeando a importância que o país representa (ou representava) para marcas de peso. Um deles (Digital Trends) lembra que o país é um dos mais complicados para investidores estrangeiros. E cita relatório do TMF Group, que presta consultoria internacional na área, sob o título “Principais Desafios para Fazer Negócios no Brasil”. O texto integral, em português, pode ser visto aqui, mas destaco alguns dos tópicos:

*Apesar da melhora em alguns indicadores, o Brasil continua sendo visto como ‘país em desenvolvimento’, incapaz de atingir seus potenciais;

*O país está em 126o lugar no ranking do Banco Mundial que mede as dificuldades burocráticas e fiscais para quem deseja montar um negócio;

*Os preços em geral são considerados altos em relação a outros países do mesmo porte, e manter uma empresa aqui já não sai tão barato quanto anos atrás. 

*Guerra tributária é uma prática comum no Brasil, e a quantidade de ações judiciais de empresas contra o governo (federal, estaduais, municipais) continua sendo espantosa para olhos estrangeiros. Diz o Financial Times que as pendências nesse campo são “tão brasileiras quanto o samba e o biquini”;

*Após o que se viu na Copa do Mundo e na Olimpíada, o governo brasileiro decidiu retomar investimentos em infraestrutura, mas os resultados só aparecerão a longo prazo;

*A legislação trabalhista, com mais de 900 regras, é outro fator que conspira contra (o relatório foi divulgado antes da recente reforma, que entra em vigor neste sábado, ainda sobe fortes contestações); é muito questionada a influência dos sindicatos;

*Barreiras a importações e exportações: um carregamento pode ficar meses parado na alfândega à espera de liberação; e um item exportado demora em média 13 dias para sair do país;

*Por fim, a corrupção, campeã de todos os atrasos. O relatório saúda os avanços obtidos nos últimos anos, mas os níveis de irregularidade revelados a cada dia assustam muitos investidores.

Bem, nenhuma novidade para quem já é empresário no Brasil. Alguém ainda tem dúvidas sobre as principais causas de desemprego?

Nikon: Sayonara, Brasil!

O Brasil foi incluído no plano global de reestruturação da Nikon, uma das marcas icônicas do mundo fotográfico. Esta semana, a empresa anunciou a desativação de sua loja online brasileira (a partir de 31/12), mantendo apenas, por algum tempo, a assistência técnica. Dias antes, o grupo também havia anunciado o fechamento de sua fábrica na China, dedicada a câmeras compactas, cujas vendas despencaram nos últimos anos. De 2010 a 2017, a empresa deixou de vender cerca de 1,258 milhão de câmeras desse tipo, um segmento praticamente destroçado pelo avanço dos celulares.

Só na fábrica chinesa trabalham 2.200 funcionários, que estão sendo demitidos, diz o site South China Morning Post. O plano agora é se concentrar na produção de câmeras high-end, feitas apenas no Japão, e na divisão de semicondutores; câmeras populares talvez sejam produzidas ainda em países asiáticos afluentes, como Tailândia e Malásia, mas em menores quantidades. O site acrescenta que parar de produzir na China é a opção para grandes grupos internacionais do segmento eletrônico, já que ficou impossível competir com os fabricantes locais. A japonesa Panasonic e a americana Seagate anunciaram decisões semelhantes recentemente. 

Curiosidade extraída da reportagem: a câmera mais barata da Nikon atualmente (mod. J1) possui sensor para captar imagens de até 10.1 Megapixels, enquanto na mesma China celulares de marcas como Huawei e Oppo já oferecem mais que o dobro – e ainda permitem gravar vídeo com zoom manual ou eletrônico!!!

Apple TV traz mais conteúdos em 4K HDR

Por falar em 4K, uma boa novidade da semana é o lançamento oficial no Brasil (ou seja, com menu em português) do novo Apple TV. O produto marca a entrada da empresa no segmento top do mercado de vídeo, oferecendo boa variedade de filmes e séries em 4K com codificação HDR. Até agora, a oferta era restrita a algumas produções do Netflix e da Amazon, além do Globosat Play. Os acordos da Apple se estendem a HBO Go, Fox, Globo Play e Esporte Interativo, além do seu tradicional iTunes. Fica mais fácil, portanto, ver sucessos recentes do cinema com essa qualidade de imagem (faltou apenas áudio Dolby Atmos, que deve estar na próxima atualização).

TV Laser com projetor: outra opção

A propósito da nota que publicamos aqui semana passada, sobre o primeiro TV com projetor 4K integrado, da marca chinesa HiSense, o amigo João Carlos Jansen Wambier, sempre atento, me lembra que já existe no mercado brasileiro uma solução similar: o xTV, da marca italiana SIM2, distribuído com exclusividade pela Som Maior. Sinceramente, achei que havia sido descontinuado, mas o excelente blog da HomeDigital dá detalhes sobre o produto. Confiram.

Duas diferenças básicas: o modelo chinês vem com tela de projeção adaptada e reproduz imagens em resolução 4K. Já o italiano, com design sofisticado, pode projetar conteúdos (Full HD) até numa parede clara. 

Chineses podem salvar a Oi

Foi manchete da Folha de São Paulo nesta segunda-feira e vem sendo noticiado com regularidade nos últimos meses: os investimentos chineses crescem no Brasil, e o país já é nosso maior parceiro comercial, com mais de 25% do capital produtivo que entra. Neste link, há um bom resumo.

E da China pode vir também a solução para a novela da Oi, que se arrasta há tanto tempo. A China Telecom, hoje maior operadora do mundo, teria acenado com a possibilidade de investir, de imediato, R$ 10 bilhões na empresa brasileira, além de outros R$ 30 bilhões a médio prazo. Isso, desde que o governo tope estender os prazos para pagamento das dívidas com a Anatel (basicamente multas não pagas), hoje na casa dos R$ 11 bi, o que exige mudança na lei.

Neste momento, a disposição do governo é fazer de tudo para não perder a oportunidade de fechar com os chineses, garantindo a continuidade da Oi num setor cada vez mais concentrado (vejam aqui). Seria ótimo para o mercado. Mas, como lembra este outro artigo, há vários riscos envolvidos.

Ajudando quem mais precisa

Deixamos aqui uma nota de apoio e elogio à Raul Duarte, tradicional endereço paulistano para fãs de equipamentos AV. Louvável a iniciativa das irmãs Eliana, Fernanda e Patricia Duarte de montar uma sala de cinema no Lar Madre Regina, que atende cerca de 80 idosos. Uma animada e emocionante festa marcou a inauguração do espaço. Segundo elas, mais de 800 CDs, DVDs e Blu-rays doados por clientes e amigos da loja agora fazem parte da casa, ajudando a alegrar a vida dos moradores. A iniciativa foi coordenada junto ao pessoal do Projeto Velho Amigo, que realiza um trabalho espetacular.