Uso de papel e o “fim” da imprensa

 

 

Ultimamente, é raro passar uma semana sem ver na internet alguém alertando para “a morte” da mídia impressa. O evento – tido como inevitável – há anos está prestes a acontecer, profecia que lembra Nostradamus e outros apocalípticos. As novas gerações não gostam de ler, afirma-se, como se as antecessoras tivessem esse hábito. Quantas vezes você já não ouviu que “a internet está matando os jornais”?

Bem, pode haver gente torcendo para isso, mas como diria Steve Jobs – aliás, copiando o escritor (e jornalista) Mark Twain -, essas notícias são “ligeiramente exageradas”. Nunca se venderam tantos livros impressos, e a tiragem de jornais e revistas, na média, é estável há alguns anos. O que vem caindo é o investimento em publicidade, e não apenas na mídia impressa mas também no rádio e na TV, todos afetados pelos fenômenos Google e Facebook.

Em tempos de fake news, como já comentamos aqui, é recomendável checar tudo que se lê e se ouve, procurando fontes distintas e independentes (até onde isso é possível). Para quem se interessa pela questão das mídias, uma dica interessante é o site twosides.org.br, que se dedica a mostrar, com farta pesquisa de dados, que o papel está longe, muito longe de ser abandonado pela humanidade.

Two Sides é o nome de uma organização criada por empresas de comunicação gráfica e que, portanto, se propõe à defesa das mídias impressas. Encomendou ampla pesquisa internacional sobre  a influência das mídias digitais nos hábitos de leitura e de consumo. Entre dez países avaliados, o Brasil é o terceiro com maior adesão ao papel. Aqui, diz o estudo, as pessoas não apenas confiam mais nas informações que lêem impressas como não gostam de receber faturas e boletos por meios digitais. 

Num universo de 1.040 entrevistados, 61% disseram preferir revistas impressas e 55% querem continuar recebendo suas contas, carnês, faturas e exames médicos em papel. Mais: 60% acham que os jornais impressos lhes permitem melhor entendimento sobre os fatos, sendo que para 57% essa mídia tem mais credibilidade; nesse ponto, por sinal, as redes sociais perdem feio: apenas 27% confiam. Os detalhes da pesquisa podem ser vistos aqui.

O trabalho da Two Sides é interessante também por desfazer mitos como o de que o uso do papel aumenta os níveis de poluição; na verdade, o principal inimigo do meio ambiente hoje é o chamado lixo eletrônico, já que poucos países têm políticas regulares para descarte e reciclagem (e a produção não para de aumentar). 

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