Archive | fevereiro, 2018

AT&T (Sky) quer entrar na telefonia móvel

Vários sites internacionais noticiaram nos últimos dias que a gigante AT&T prepara um plano para ampliar seus negócios no Brasil. Leia-se: atuar também no segmento de telefonia celular 4G, disputando o leilão da faixa de 700MHz que o governo promete fazer este ano. Seria uma chacoalhada e tanto nesse mercado, hoje liderado pela Vivo (com 75 milhões de clientes), seguida por Claro e TIM (60 milhões cada, aproximadamente). Podendo oferecer combos de TV+celular+internet, o grupo americano seria fatalmente um player de peso no país. Chegou a ser divulgado que entraria na disputa pela Oi (que atende 40 milhões de usuários), mas – se houve – esse interesse foi anulado pelas disputas judiciais envolvendo a operadora brasileira.

Segundo The Wall Street Journal, após fechar o acordo de compra da Time Warner pela bagatela de US$ 85 bilhões, a AT&T precisa de caixa. E a forma encontrada seria vender sua participação na DirecTV Latin America, dona da Sky. Só que, em vez de repassar tudo a um mesmo comprador, o plano é fatiar o negócio com vários parceiros e, assim, manter os pés no mercado latino-americano que, apesar de tudo, tem grande potencial. 

O Globo revela que o governo brasileiro já foi informado dos planos da AT&T, que assustam a concorrência. O maior obstáculo estaria na legislação atual, que proíbe a um grupo atuar ao mesmo tempo como provedor de acesso e fornecedor de conteúdo, como seria o caso da AT&T Time Warner. Mas o Cade, que analisa a questão da livre concorrência, já deu sinal verde, exigindo apenas que a Time Warner (dona da HBO e da Turner) mantenha operação totalmente independente no país.

Na prática, tudo isso pode cair por terra se o governo Trump conseguir, como pretende, impedir o negócio de US$ 85 bi. A decisão da Justiça americana sai em março. Se não puder fechar essa compra, a AT&T perderá força nos EUA. Em compensação, terá mais dinheiro para investir por aqui – quem sabe até comprando uma das concorrentes.

Samsung e SporTV se unem para a Copa

Como costuma acontecer a cada quatro anos, aguardam-se boas novidades nas transmissões da Copa do Mundo, a partir de 15 de junho. Uma delas nos foi confirmada nesta quarta-feira: Samsung e SporTV estão lançando em conjunto o aplicativo “4K na Rússia”, com conteúdos exclusivos, incluindo a transmissão de algumas partidas nessa resolução. Quem tiver um TV 4K Samsung lançado a partir de 2016 poderá ver tudo, mesmo que não seja assinante de nenhuma operadora.

Segundo Guilherme Campos, gerente de TVs da Samsung, essa será uma das principais ações da empresa para aproveitar o evento que mais mobiliza os brasileiros. “É uma mudança de patamar”, diz ele. “Já existem várias fontes de conteúdo 4K, mas quando se pega um evento como esse e transmite conteúdos ao vivo em 4K, estamos indo além daquilo que o consumidor esperava”.

Contratar o técnico Tite como seu garoto-propaganda foi a primeira dessas ações. “É um profissional vitorioso, mas sempre preocupado em aprimorar seu trabalho”, explica Campos, “e isso tem tudo a ver com a proposta da Samsung”. O treinador da seleção tem sido o principal “porta-voz” dos benefícios da resolução 4K, que tende a ocupar cada vez mais espaço no mercado. Hoje, segundo o executivo, cerca de 35% dos TVs Samsung são de tela grande (a partir de 65″), quase todos UHD. 

O acordo com a SporTV prevê que o novo app estará disponível a partir de março e até o final de julho. Nele, além das transmissões ao vivo, o usuário poderá ver replays, notícias, estatísticas etc. quando quiser, na própria tela de TV. “E o mais importante: não precisa ser assinante, nem fazer login. O app aparecerá automaticamente na tela, pronto para ser usado, com todos os conteúdos 4K. Claro, desde que você tenha um TV Samsung”.

Tecnologia e esportes, um ótimo casamento

Ainda a propósito das inovações tecnológicas usadas na Olimpíada de Inverno, recomendo a leitura deste artigo do colega Samuel Possebon, com base em opiniões que especialistas que debateram o tema durante a CES, em janeiro. Representantes de grandes redes de TV e produtoras de conteúdo não têm dúvida de que o esporte é um atrativo e tanto para explorar recursos interativos. Dos já conhecidos gráficos com estatísticas aos ângulos alternativos para tomadas de câmera, há uma infinidade deles. “Um evento só na TV não atende à demanda dos espectadores”, diz um executivo da Turner, que no Brasil é dona do Esporte Interativo. Embora um jogo de futebol (ou basquete, ou tênis) transmitido ao vivo possa ser assistido por alguns milhões de pessoas, usando as mídias online chega-se fácil a centenas de milhões. Além do que, para os fãs, o interesse vai muito além do ao vivo, o que abre a chance para mostrar os bastidores das equipes, a preparação dos atletas, suas interações nas redes sociais (tão comuns atualmente) e tudo mais que a tecnologia permitir.

Olimpíada: show de tecnologia no gelo

A cada grande evento esportivo, a tecnologia bate novos recordes. Coisas que pareciam impossíveis de se atingir numa Copa do Mundo ou Olimpíada tornam-se incrivelmente reais no evento seguinte. É o que acontece mais uma vez agora, com os Jogos Olímpicos de Inverno da Coreia do Sul – evento que ficará marcado na História pelo início da (tomara) reunificação das duas Coreias.

As imagens que chegam de PyeongChang são empolgantes, inclusive as transmitida ao vivo (este site é uma boa referência). Grandes redes de TV, como BBC e NBC, criaram canais exclusivos para cobrir as competições com tecnologia de última geração. A americana NBC montou o que diz ser “o maior esquema de todos os tempos” para essa cobertura, incluindo:

  • 1.800 horas de transmissão ao vivo, via streaming e aplicativo
  • Na TV, para quem mora nos EUA, são cinco canais dedicados às competições, inclusive o inédito Olympic Channel, que cobre as equipes americanas. 
  • 50 horas de transmissão em realidade virtual (VR)
  • Clipes ao vivo e “melhores momentos” podem ser assistidos no Snapchat e até em carros da rede Uber
  • Em acordo com a rede social BuzzFeed, os conteúdos gerados pela NBC são compartilhados e podem ser comentados em tempo real. 

Além disso, microcâmeras estão sendo montadas no corpo de alguns atletas para captar imagens nunca vistas antes, em modalidades como esqui alpino, saltos, snowboard e bobsled, que produzem aquelas imagens impressionantes sobre o fundo branco da neve (este vídeo é um bom aperitivo).

Em parceria com a Dolby, a operadora americana Comcast está aproveitando os Jogos para demonstrar conteúdos gravados em 4K HDR e com áudio Dolby Atmos. Assim como a brasileira Globo, a Comcast já havia feito testes desse tipo na Olimpíada de 2016, no Rio; agora, trabalha em conjunto com a japonesa NHK, que também faz testes com transmissões ao vivo em resolução 8K, diretamente da Coreia. A própria NBC aproveita parte desse material, que a NHK lhe fornece convertido para 4K.

Numa detalhada reportagem sobre o uso da tecnologia em PyeongChang, o site especializado TV Technology conta que o maior desafio para os técnicos está sendo trabalhar sob temperaturas constantes na faixa de 30 graus negativos e com ventos mais fortes que o habitual, mesmo para quem está costumado a cobrir Jogos de Inverno. No entanto, os recursos tecnológicos ajudam a contornar essa dificuldade. Boa parte da estrutura necessária agora é integrada nos chamados RIBs (racks-in-a-box), unidades de conexão que podem ser mais facilmente transportadas. Nos intervalos entre um evento e outro, os equipamentos são conectados e testados. A montagem final, que antes levava cerca de um mês, agora é feita em 2 ou 3 dias. 

Varejo prepara o seu futuro

 

 

 

Como sei que muitos profissionais de varejo acompanham o blog, peço licença para repassar aqui algumas dicas de Amtaabh Malhotra. Não precisa decorar nem mesmo ler o nome em voz alta. Basta saber que se trata de um dos maiores especialistas do mundo em plataformas digitais de compra e venda (se preferirem, e-commerce). No final do ano, ele escreveu para o site americano Twice, voltado exatamente a quem trabalha no varejo, um interessante artigo apontando o que considera as 6 principais tendências do setor para 2018 (e os próximos anos). 

Por minha conta, reduzi a lista para cinco porque a sexta tendência (a expansão das criptomoedas) está sob fogo cerrado após os resultados mais recentes. Cuidemos então das outras, que têm tudo a ver com o que geralmente comentamos aqui. Eis um resumo do que diz mr. Malhotra:

Interfaces de voz – Alexa, Siri, Hey Google etc. vão se tornando extensões daquilo que o consumidor (ou seja, todo mundo) faz com seus aparelhos smart. A tendência é que os grandes varejistas passem a adotar, já neste ano, dispositivos que combinem telas, voz e gestos. Conforme monitoram o comportamento de seus clientes, as lojas descobrirão que podem criar novos serviços para oferecer a eles. Pela voz, o usuário pode pedir mais informações sobre um produto que lhe chamou a atenção; e o sistema, também por voz, irá verificar o estoque, as formas de pagamento etc. Mais: torna-se possível o chamado self-checkout, quando o cliente compra e paga sem ajuda de um atendente (sobre isso, vejam aqui). Tudo caminha para a “compra personalizada”, eliminando filas, economizando espaço e reduzindo os custos operacionais da loja.

Gamificação – A palavra é horrível, mas pode ser traduzida como uma experiência de compra mais interativa, que lembra os videogames. É um recurso ideal para ações promocionais, como concursos entre os clientes da loja. Estes, percorrendo os corredores, ganham pontos ou descontos ao demonstrar fidelidade a uma marca, por exemplo. A técnica pode ser usada para direcionar as pessoas a uma área mais vazia da loja, ou áreas de interesse com base no perfil do cliente. O importante é aumentar o ticket médio e fazer com que ele volte mais vezes.

Corredores virtuais – Lojas físicas, como se sabe, ocupam espaço, e espaço custa cada vez mais. Para reduzir o problema, existe a tecnologia de Realidade Aumentada (AR). Andando pela loja, o usuário poderá ver num óculos especial imagens ampliadas contendo mais produtos relacionados ao que procura. Poderá apontar seu smartphone para determinado item e ver abrir uma tela com outros modelos, para comparar. Diante de um espelho, será possível “experimentar” uma roupa ou sapato que está no “estoque virtual” da loja. E definir a compra ali mesmo.

Comércio aumentado – A tradução literal também é infeliz (do original Augmented Commerce). De certa forma, esta tendência complementa a anterior, pois permite que o usuário aponte seu smartphone para determinados pontos da loja e com isso tenha acesso a promoções personalizadas. O dispositivo móvel passa a ser, de fato, o centro do processo de compra. Tudo é feito na telinha, inclusive o pagamento (via aplicativo), eliminando a necessidade dos caixas na saída da loja.

Pagamento social – A teoria diz que os consumidores atuais valorizam as experiências rápidas e práticas, seja dentro de uma loja ou até na hora de pagar um amigo. Além da conveniência, o lojista terá que aprender a trabalhar dentro de plataformas similares às redes sociais, que é onde muitas pessoas (talvez a maioria) já passam boas horas por dia. Aumenta consideravelmente o número de consumidores que admitem decidir suas compras com base em dicas dos amigos – portanto, a transição será natural. Um ótimo exemplo é o da rede chinesa WeChat, que combina site de compras, dicas entre os usuários, extensões patrocinadas por marcas e serviço de pagamento online.

Por fim, Malhotra lembra que as linhas divisórias entre venda on-line e off-line já não são tão claras. A maioria das transações atualmente envolve uma mistura de ambas, como sabe todo mundo que já pesquisou na internet algum produto para comprar. Com a pressão pelas vendas, irão se destacar os varejistas que souberem adaptar essas novas tecnologias ao perfil do seu público, criando experiências agradáveis e eficientes a todos.

Prisão para quem tiver TV pirata

Não foi muito divulgado na imprensa, mas em novembro último tivemos um grande passo na luta contra a pirataria de sinal de TV, o famoso “gatonet”. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, a senadora Ana Amélia deu parecer favorável, como relatora, a um projeto de 2013 que fixa pena de seis meses a dois anos de prisão (além de multa de R$ 10 mil) a quem distribuir ou receber sinal irregular de TV paga. No ranking da própria Comissão, atualizado diariamente no site (vejam aqui), é esmagadora a maioria dos que apoiam o projeto, mostrando que o problema realmente preocupa.

A nova lei – que precisa agora ser aprovada pela maioria dos senadores na Comissão e depois no plenário da Câmara dos Deputados – aumenta a punição para quem comercializa conversores não autorizados pela Anatel (há centenas deles à venda na internet). E enquadra agora quem compra e utiliza esses aparelhos, não só em sua própria casa mas também ao compartilhar o sinal com vizinhos, amigos, parentes etc. Fabricação, importação, venda ou receptação não autorizada poderá levar a prisão de três anos.  

A ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) calcula que existam hoje cerca de 3,3 milhões de conversores ilegais em uso nas residências brasileiras; em 2016, eram 4,5 milhões. Pode ser que alguns desses usuários não saibam que é crime, mas a maioria certamente é conivente com a pirataria. 

Senai-SP cria curso para instaladores

Talvez a instituição mais conhecida e respeitada do Brasil quando se trata de ensino profissionalizante, o Senai decidiu abrir suas portas para o mercado de áudio e vídeo. Sua Unidade Anchieta, no bairro de Vila Mariana, São Paulo, começa em março o Curso de Qualificação Profissional Instalador de Equipamentos Eletroeletrônicos de Audiovisual (Infraestrutura). Irá até 27 de junho, com um total de 180 horas/aula, três dias por semana (sempre à noite), e será aberto a qualquer pessoa que pretenda trabalhar na área.

Já houve algumas tentativas desse tipo, mas nunca encampadas por uma escola com infraestrutura adequada. Com sua longa tradição em cursos de formação técnica, é difícil imaginar outra entidade mais capacitada que o Senai a reduzir a enorme carência de mão de obra qualificada no segmento de projetos e instalação audiovisual. Conversei com o diretor da Unidade, prof. Augusto Lins, que diz ter se convencido após longas conversas com representantes da indústria.

Segundo ele, três empresas – Yamaha, Shure e Discabos – se prontificaram a fornecer os equipamentos necessários e sugestões para compor a grade do curso. “O Senai já tem uma filosofia educacional que precisa ser preservada. As aulas serão teóricas e práticas, com o objetivo de realmente formar profissionais para esse mercado. Estes quatro meses serão a primeira etapa do projeto”.

Além de conhecimentos técnicos, a proposta do curso – que será coordenado por Renan Dias, responsável pela área de Pro AV na Yamaha – é que os participantes se habilitem em exigências como trabalho em equipe, organização, raciocínio lógico, utilização das normas vigentes. E que consigam, de fato, promover a integração entre equipamentos diferentes.

Os detalhes e os requisitos para matrícula podem ser conferidos neste link. A iniciativa, claro, tem todo o nosso apoio.

TV por assinatura continua em queda

Prossegue o calvário do segmento de TV paga. Não é só no Brasil, claro, mas aqui a crise econômica obrigou muitos felizes assinantes a rever seus conceitos. Aumentou a inadimplência e, com ela, os cancelamentos – incentivados também pela enorme oferta de filmes e séries via internet. O último balanço divulgado pela Anatel mostra que o número de assinantes caiu 5% em 2017, chegando a incríveis 17,9 milhões de domicílios. Incríveis porque, em 2014, eram 19,6 milhões – e crescendo a caminho dos 20 milhões!

Ou seja, em três anos quase 2 milhões de famílias deixaram de usar TV paga. Em 2017, nada menos do que 447 mil residências paulistas e 97,8 mil cariocas abriram mão do serviço. Curiosamente, os estados considerados mais pobres foram os que apresentaram maior crescimento percentual: Piauí (7,7%) e Maranhão (3,86%). Nos casos de São Paulo e Rio, onde as conexões são mais rápidas, é bem provável que esteja funcionando o chamado “efeito Netflix”, em que o usuário troca os filmes pelas séries.

Sony chama o homem do dinheiro

 

Kenichiro Yoshida (foto), hoje responsável pelas finanças da Sony Corporation, assume em abril o posto de CEO, substituindo Kazuo Hirai, que sai depois de seis anos. Embora Hirai vá ocupar um cargo teoricamente mais alto (chairman, algo como presidente do Conselho de Administração), a troca indica uma mudança de rota na empresa-símbolo da tecnologia japonesa. Yoshida é tido como principal artífice da recuperação econômica do grupo, que na última sexta-feira apresentou seu melhor balanço dos últimos anos: lucro operacional de US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2017, um enorme salto sobre os US$ 180 milhões de um ano atrás.

No anúncio oficial, sobraram elogios de parte a parte, e Hirai, executivo com postura de superstar, bem diferente do estilo tradicional nipônico, “cai pra cima”, como se diz no idioma corporativo. Foi ele quem construiu a marca PlayStation, hoje a mais rentável do grupo, e colocou ordem na operação de cinema (Sony Pictures), hoje também lucrativa. Também vendeu a divisão de computadores Vaio e as fábricas de TVs, focando na produção de sensores de imagem (para câmeras e projetores).

Analistas de mercado em Tóquio comentam que Yoshida, um ano mais velho que Hirai, é totalmente focado nos números. Começou em 2012 um processo de enxugamento que ainda não está concluído, dizem. A partir de abril, saberemos se é só isso mesmo.

Nossas castas têm mais vida

 

Na Índia, população oito vezes maior que o Brasil, existem as castas. Enquanto a maioria se esmaga numa mistura de miséria, ignorância e religião, partes da sociedade indiana se organizam em grupos fechados, com crenças e estilo de vida que se reproduzem há séculos. Praticam a endogamia radical, inclusive com castigos aos indivíduos que ousam questionar o sistema de castas. Por lá, o simples ato de falar em igualdade de gênero, como vemos hoje no Ocidente, pode ser enquadrado como crime. E, claro, os membros das castas têm um padrão de vida muito acima da média, já que sua riqueza milenar só vai se acumulando.

No Brasil, o mais próximo que temos de uma casta é o poder judiciário, não no sentido comportamental mas nas formas de organização (e autoproteção) e nos benefícios que se perpetuam. Como bem lembra o colega Carlos Brickman, atualmente recebem auxílio-moradia 88 juízes de tribunais superiores, nove ministros do Tribunal de Contas da União, 553 conselheiros de tribunais de contas de Estados e Municípios, 14.882 juízes, 2.381 desembargadores, 2.390 procuradores do Ministério Público Federal, 10.687 procuradores dos ministérios públicos estaduais. Total das despesas: R$ 1,580 bilhão por ano.

Pela lista, nota-se que o mimo é restrito aos funcionários graduados, que recebem bons salários e, em geral, possuem casa própria na mesma cidade onde trabalham. É injusto condenar todos os funcionários do sistema judiciário quando se sabe que a maioria continua vivendo apenas do próprio salário, e este segue a baixa média nacional. Mas um economista sensato dividiria R$ 1,580 bi pela soma dos funcionários acima (30.990), chegando à impressionante cifra de R$ 51.132 por ano per capita – apenas com auxílio-moradia. 

Se isso não é uma casta, é bom perguntar aos universitários indianos. Como se tem visto, as castas brasileiras se formam não necessariamente por berço, mas quase sempre por interesse. Muitas agora protestam, por exemplo, contra a reforma da previdência ou a privatização da Eletrobrás, provando que se beneficiam do atraso do país. Sindicatos, clãs políticos, entidades empresariais, ONGs, movimentos sociais e máfias diversas sabem bem como funciona.

Aliás, Brickman lembra que é de R$ 1,7 bilhão (pouco mais que um auxílio-moradia anual) o custo estimado da campanha eleitoral de 2018. Como foi proibida a ajuda de empresas aos partidos, essa fortuna será paga por todos nós, com o pomposo nome de “financiamento público”. 

Nunca é demais lembrar a frase de Margareth Thatcher: “Dinheiro público não existe, o que há é apenas o dinheiro dos contribuintes”. Com ou sem casta.