AT&T (Sky) quer entrar na telefonia móvel

22 de fevereiro de 2018

Vários sites internacionais noticiaram nos últimos dias que a gigante AT&T prepara um plano para ampliar seus negócios no Brasil. Leia-se: atuar também no segmento de telefonia celular 4G, disputando o leilão da faixa de 700MHz que o governo promete fazer este ano. Seria uma chacoalhada e tanto nesse mercado, hoje liderado pela Vivo (com 75 milhões de clientes), seguida por Claro e TIM (60 milhões cada, aproximadamente). Podendo oferecer combos de TV+celular+internet, o grupo americano seria fatalmente um player de peso no país. Chegou a ser divulgado que entraria na disputa pela Oi (que atende 40 milhões de usuários), mas – se houve – esse interesse foi anulado pelas disputas judiciais envolvendo a operadora brasileira.

Segundo The Wall Street Journal, após fechar o acordo de compra da Time Warner pela bagatela de US$ 85 bilhões, a AT&T precisa de caixa. E a forma encontrada seria vender sua participação na DirecTV Latin America, dona da Sky. Só que, em vez de repassar tudo a um mesmo comprador, o plano é fatiar o negócio com vários parceiros e, assim, manter os pés no mercado latino-americano que, apesar de tudo, tem grande potencial. 

O Globo revela que o governo brasileiro já foi informado dos planos da AT&T, que assustam a concorrência. O maior obstáculo estaria na legislação atual, que proíbe a um grupo atuar ao mesmo tempo como provedor de acesso e fornecedor de conteúdo, como seria o caso da AT&T Time Warner. Mas o Cade, que analisa a questão da livre concorrência, já deu sinal verde, exigindo apenas que a Time Warner (dona da HBO e da Turner) mantenha operação totalmente independente no país.

Na prática, tudo isso pode cair por terra se o governo Trump conseguir, como pretende, impedir o negócio de US$ 85 bi. A decisão da Justiça americana sai em março. Se não puder fechar essa compra, a AT&T perderá força nos EUA. Em compensação, terá mais dinheiro para investir por aqui – quem sabe até comprando uma das concorrentes.

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