WhatsApp e a crise do Facebook

4 de agosto de 2018

Quatro anos após ter comprado o WhatsApp pela nada desprezível quantia de US$ 22 bilhões, a direção do Facebook decidiu transformar o aplicativo de voz e texto em algo lucrativo. Preparem-se para receber mensagens com anúncios publicitários, cada vez em maior quantidade. Grandes empresas serão estimuladas a utilizar o “zap” como mídia para atingir maiores audiências. Afinal, são cerca de 1,5 bilhão de contas atualmente. Mais detalhes neste link.

A medida é decorrência, claro, da queda de credibilidade do FB, que vem perdendo frequentadores desde o escândalo Cambridge Analytics. Aumentaram as pressões sobre Mark Zuckerberg, que tem sido convocado a dar depoimentos sobre vazamentos de dados, critérios usados para manter (ou não) páginas com conteúdos polêmicos e a baixíssima transparência com os dados dos usuários.

Mr. Zuck está sob fogo cerrado do governo Trump, do Congresso americano, da União Européia e (este ano) também do TSE brasileiro, já que o FB é – pelo menos por ora – a principal arena de fake news promovidas pelos políticos e pode ser decisivo nas eleições de outubro. Os bilhões que a empresa perdeu com a desvalorização das ações nas últimas semanas (vejam aqui) são apenas uma das preocupações do ex-garoto prodígio. 

A área de vendas do Facebook já começou a convidar empresas a participarem do WhatsApp Business App, ferramenta criada para interagir diretamente com usuários do zap que solicitarem informações sobre seus produtos ou serviços. Segundo a revista Forbes, as duas primeiras que aderiram foram Uber e Wish, este um aplicativo de compras online. Nada será cobrado pelo FB durante as primeiras 24 horas de interação, e o usuário terá sempre a opção de bloquear uma empresa com apenas um clique, a qualquer momento.

Não será uma transição fácil, e Zuckerberg já deve saber disso. Ao venderem o WhatsApp, em 2014, os criadores do app, Jan Koum e Brian Acton, permaneceram no comando até o ano passado. Saíram por não concordarem com a introdução de publicidade. E Acton saiu atirando: em março, iniciou pelo Twitter uma campanha recomendando a seus seguidores que simplesmente deletem suas contas no FB. Provavelmente não serão os únicos.

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