Os candidatos e a tecnologia: quase nada

15 de agosto de 2018

Durante um evento no início do mês, cinco candidatos à Presidência foram obrigados a falar sobre seus planos para a área de tecnologia. “Obrigados” parece a palavra mais correta, porque nenhum deles falou com muita convicção – pelo menos, não a convicção que se espera num setor tão estratégico para o futuro do país. 

O evento GovTech Brasil era focado em políticas para o uso da tecnologia em serviços públicos, e o site Olhar Eletrônico registrou em vídeo as falas de – por ordem de aparição – João Amoedo, Guilherme Boulos, Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin e Marina Silva; não foi explicado por que não estavam presentes os demais candidatos. Ponto comum entre os cinco: implantar uma identidade digital única para todos os brasileiros, sem dúvida uma boa iniciativa, embora existam “n” formas de colocá-la em prática.

No mais, apenas ideias vagas, como a universalização do acesso à internet, já prometida por Lula 15 anos atrás e ainda longe de se concretizar. Curiosamente, Guilherme Boulos foi o único a citar o FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que – como já comentamos aqui e aqui – vem sendo roubado mês a mês pelo próprio governo. O candidato não explicou se (e como) pretende acabar com o assalto.

Uma revelação interessante partiu de Meirelles: o governo possui atualmente nada menos que 48 aplicativos, criados pelos vários ministérios, só que não se conversam entre si! Fugindo de seu figurino sisudo, o ex-ministro da Fazenda brincou que o país precisa de “um geek como presidente”. Será? Amoedo e Alckmin também defenderam usar a tecnologia para “acabar com os cartórios”, mas considerando que boa parte dos parlamentares é composta de advogados donos de cartórios, é um mistério saber como pretendem enfrentar o problema.

Como se sabe, campanha eleitoral no Brasil é um momento inútil para se dissecar programas de governo. Nenhum candidato sabe exatamente o que poderá fazer, e os que sabem evitam entrar em detalhes para não perder votos. Ainda assim, agora é a hora: até outubro, todos temos a chance de levantar as necessidades tecnológicas do país e checar qual dos candidatos tem mais condições de enfrentá-las. Sem isso, vamos continuar sendo o eterno país do futuro.

Para os interessados no uso da tecnologia na gestão pública, recomendo este site

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