A conta dos sem-TV paga

4 de dezembro de 2018

A cada mês, os números ajudam a pintar um quadro mais complicado. O último relatório da Anatel sobre o mercado de TV paga revela que as operadoras perderam (ou abriram mão de, por inadimplência) 418.241 assinantes no período Nov-17 a Out-18. Somente em outubro último, mais de 102 mil assinaturas foram canceladas. Somente uma operadora (Oi) pode dizer hoje que está conseguindo manter seus clientes: aumentou sua carteira em 123.575 nomes em 12 meses (incríveis 8,38% de crescimento).

Os dados completos podem ser conferidos no site da consultoria Teleco, bem mais fáceis de consultar que os da própria Anatel; aliás, é incrível como uma Agência responsável pelo setor de telecomunicações não consegue se comunicar de modo eficiente com seu público. Mas essa é outra história. O ponto aqui é que o mercado de TV paga precisa se reciclar para estancar essa drenagem de usuários que já dura quatro anos. 

Antes que alguém repita pela enésima vez que a solução é baixar os preços das assinaturas, vale a pena tentar enxergar a floresta toda, e não apenas algumas árvores. Um estudo da consultoria especializada Dataxis, divulgado na semana passada, mostra que o Brasil tem hoje a maior oferta de serviços SVoD (vídeo sob demanda com assinatura) de toda a América Latina. Em junho, eram 29 plataformas disputando a preferência dos consumidores, cujos hábitos, como se sabe, estão mudando. O México tinha então 22 serviços SVoD; a Argentina, 17.

A Dataxis pesquisou o alcance daquelas 29 empresas que oferecem streaming de vídeo no modelo Netflix (assinatura paga). Concluiu que havia em junho 7,1 milhões de contas de brasileiros, o que representa 36,2% a mais que no mês de 2017. A empresa não forneceu detalhes sobre como foi feito esse levantamento; Netflix, por exemplo, não divulga quantos assinantes tem no Brasil. 

A pergunta óbvia é: será que esses cerca de 2 milhões de usuários que passaram a adotar SVoD tinham antes assinatura de uma operadora? A maioria dos especialistas com quem conversei nos últimos meses acha que não. É um outro perfil de consumidor, de menor renda e que nem chegou a ser assinante de TV. Para esses experts, o que está pesando mesmo é a crise econômica. O país tinha quase 20 milhões de domicílios recebendo sinal de TV paga em 2014, hoje tem 17,7 milhões.

Conclusão: pode-se colocar também esses 3 milhões de excluídos na conta de d.Dilma.

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