O lucro da Sony e a polêmica de Hollywood

Quando a fase é ruim, até as boas notícias ficam em segundo plano. Há duas semanas, a Sony Corporation divulgou sua mais atualizada previsão para o ano fiscal que se encerra em março, com um dado otimista – depois de anos, a divisão de TVs terá lucro (detalhes aqui). No entanto, parece difícil reverter o estrago causado pelo filme The Interview, e a decisão da Sony Pictures de cancelar o lançamento, criticada até pelo presidente Obama.

A notícia de hoje (terça-feira) é que o estúdio voltou atrás e irá mesmo exibir o filme, nos EUA, no próximo fim de semana. Claro, depois de toda a polêmica “todo mundo” está querendo ver se a produção justifica o estardalhaço. Para quem não tem acompanhado, trata-se de uma comédia sobre um suposto plano da CIA para assassinar o ditador da Coreia do Norte. Ao anunciar o lançamento, a Sony viu seus computadores serem atacados por hackers, com ameaças que incluíam atentados nos cinemas onde o filme fosse exibido. Quase todas as redes de cinema americanas desistiram do lançamento, levando o estúdio a cancelar tudo.

Segundo a CIA, os hackers atuaram a serviço do governo norte-coreano, que por sua vez desmentiu a conexão. Obama acusou o país de apoiar o terrorismo, e pronto: o filme ganhou muito mais manchetes e espaço nas mídias do que seus produtores jamais imaginaram. Há até quem suspeite que tudo não passou de uma armação promocional, e não dá para duvidar disso. Só falta agora o filme ser um campeão de bilheteria.

Porém, a Sony Pictures – e por extensão a marca Sony – saem irremediavelmente afetadas. O custo para eliminar os efeitos do episódio com certeza será maior do que qualquer superprodução hollywoodiana. E deve anular os mirrados lucros obtidos com a venda de TVs.

Mercado de TVs sobe. Mas fatura menos.

Mesmo vendendo mais, os fabricantes de TVs estão ganhando menos dinheiro. É o que se pode deduzir da última pesquisa mundial sobre o segmento, divulgada esta semana pela consultoria inglesa FutureSource. Com base em dados fornecidos por fabricantes e grandes redes de varejo, os pesquisadores calcularam que até o próximo dia 31 a indústria terá vendido 234 milhões de aparelhos, o que representa 3% a mais do que no ano passado. No entanto, o faturamento somado de todos os fabricantes chegará a US$ 97 bilhões, ou seja, menos 4% que em 2013.

Na média, a estimativa é de que os preços dos TVs caíram de 652 para 608 dólares – esse cálculo é feito sobre todos os modelos comercializados, de 14 a 105 polegadas. Do total de TVs vendidos, 11,6 milhões são 4K, o que significa um aumento de 700% sobre um ano atrás. Nos EUA, essa categoria já representa 10% do mercado, mas a realidade mundial é bem diferente. Nada menos do que 70% dos TVs 4K são vendidos na China. Mesmo assim, a FutureSource estima que até 2018 a indústria estará produzindo cerca de 100 milhões de TVs 4K, que representarão 38% de todo o mercado mundial.

O problema – na verdade, uma ótima notícia para o consumidor – é que esse crescimento também se apoia na corrosão dos preços. Vamos ver até quando.

MQA: áudio digital próximo da perfeição

MQA 2Na semana retrasada, a distribuidora Som Maior anunciou a chegada da tecnologia MQA (Master Quality Authenticated), da inglesa Meridian, famosa por seus players, amplificadores, processadores e caixas acústicas digitais. Bob Stuart, cofundador da empresa, definiu a novidade como “o futuro da música gravada”. É mais uma tentativa dos fabricantes de áudio high-end de aprimorar a reprodução de conteúdos digitais, combinando fidelidade e conveniência.

“Finalmente, podemos ouvir exatamente aquilo que os músicos gravaram”, disse Stuart em Londres, durante uma audição especial de apresentação da MQA a jornalistas e convidados. Segundo ele, a tecnologia garante uma reprodução “clara e acurada” do sinal musical desde o estúdio de gravação até o ouvinte, não importando onde ele esteja – em casa, no carro ou em trânsito. “Tradicionalmente, a qualidade sonora sempre foi inversamente proporcional à conveniência”, explicou, lembrando os casos da fita cassete (desde os anos 60/70) e do MP3. “Com MQA, o objetivo é trazer para o ambiente doméstico uma visão autêntica do que aconteceu no estúdio.”

É bom lembrar que foi a Meridian quem patenteou há mais de dez anos o padrão de compressão MLP (Meridian Lossless Packing), utilizado até hoje em Blu-ray e Dolby TrueHD. Basicamente, MQA é um avanço em relação ao MLP, um novo método de amostragem que consegue captar e transmitir até as menores divisões temporais do sinal de áudio. Arquivos MQA (igualmente sem perdas) podem ser inseridos em qualquer tipo de mídia digital – CDs, DVDs, downloads, streamings – e nos formatos de áudio de alta resolução, como FLAC, ALAC e WAV. A tecnologia pode estar embutida num aparelho ou até num aplicativo.

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Ao site HiFi Plus, Stuart deu uma longa “aula” sobre psicoacústica e as ciências relacionadas ao comportamento do cérebro, que segundo ele foram utilizadas no desenvolvimento do MQA. Fundada em 1977, a Meridian tem vários prêmios no currículo, geralmente associados à reprodução digital de áudio. Um dos primeiros produtos compatíveis com MQA é o novo conversor DAV Explorer2 (foto), que faz upsample (aumenta a amostragem) de sinais musicais gravados em computador para 176.4 ou 192kHz.

TV 4K: é ou não é?

ajustes 2Vários leitores têm questionado sobre os TVs 4K que foram lançados no Brasil há cerca de dois anos. A dúvida mais comum está na capacidade de receber sinais da internet em 4K, como é o caso da Netflix. Depois de conversar com alguns fabricantes e verificar a literatura a respeito (o assunto ainda é muito recente), vamos tentar esclarecer.

Os primeiros TVs UHD, lançados no final de 2012, utilizavam o padrão de compressão H.264, também conhecido como MPEG4. Os modelos que chegaram a partir do final de 2013 já trazem o padrão H.265, ou HEVC (High-Efficiency Video Coding), bem mais avançado. A diferença está na velocidade de transmissão de dados sem perda: HEVC é 50% mais eficiente. Só com essa compressão é possível captar sinais 4K vindos, por exemplo, da TV a cabo – como aconteceu durante a Copa do Mundo, quando a Globosat (SporTV), transmitiu alguns jogos.

O mesmo vale para os sinais 4K disponíveis na internet: sem o codec HEVC, é impossível. É assim também com os media players UHD já lançados no Exterior, como o da Sony, e deverá acontecer também com os futuros players Blu-ray 4K. Como se sabe, ainda não é possível transmitir em 4K via TV aberta.

O problema é que isso tudo não foi devidamente explicado aos consumidores. Os fabricantes – e, é bom reconhecer, grande parte da mídia – ressaltaram as qualidades da Ultra-alta Definição, mas não deixaram claro que nem todos os TVs 4K são iguais. Pois é, quem comprou um dos primeiros modelos lançados no Brasil (das marcas LG, Samsung e Sony) veio a descobrir mais tarde que esses aparelhos não reproduzem Netflix em 4K, por exemplo. Para isso, há necessidade de uma atualização de firmware, alterando inclusive o conector HDMI dos TVs para a versão 2.0.

A LG – que lançou o modelo LA9650, em 55″ e 65″ – e a Samsung – com a linha F9000, nos mesmos tamanhos – anunciaram as atualizações para alguns países, mas não para o Brasil; a LG nos informou que “está estudando” o assunto. Já a Sony disse ter atualizado seus modelos 2013 para HDMI 2.0, embora com limitações (vejam aqui o teste que fizemos). Testamos também o modelo LG de 79″, já da “nova geração”, com codec HEVC 60P via HDMI 2.0, sobre os quais falaremos nos próximos dias.

Sony volta a dar lucro

sony WSJReportagem recente do jornal The Wall Street Journal (leiam aqui um resumo em português) revela que, pela primeira vez em dez anos, a divisão de TVs da Sony irá dar lucro no atual ano fiscal, que se encerra em março. É uma vitória e tanto para Masashi Imamura, que dirige a divisão há quatro anos (antes havia conduzido com êxito a linha de câmeras digitais).

O lucro será baixo, na casa de 1%, e as perspectivas para os próximos não são muito otimistas: no máximo 4%. Mas esse resultado está sendo interpretado pelos analistas de mercado como consequência da estratégia recente da empresa, de evitar a “guerra de preços” com as concorrentes coreanas e chinesas e se concentrar nos modelos top de linha (4K acima de 40 polegadas). “Nosso compromisso é nos tornarmos lucrativos, não ganhar market-share”, disse Imamura.

Como já comentamos aqui, o próprio CEO do grupo Sony, Kazuo Hirai, admitiu a hipótese de vender a divisão de TVs, assim como já foi feito com a de computadores Vaio. O plano seria focar nos negócios que estão dando lucro, como os videogames PlayStation, a produção de sensores para câmeras de smartphone (a empresa fornece para a Apple) e as divisões de cinema e televisão. Assim, TVs e aparelhos portáteis não seriam prioridade. Nos últimos meses, o grupo fez inúmeros cortes nessas duas divisões; se não se tornarem lucrativas, e de forma sustentável, ambas serão passadas adiante.

Daí por que o WSJ se pergunta se essas medidas serão suficientes para fazer a Sony voltar a brilhar – a imagem do homem assustado na foto que ilustra a reportagem, reproduzida acima, é bem ilustrativa a respeito.

Nesse quadro também se insere a decisão de não renovar o contrato de patrocínio com a Fifa, que vence no próximo dia 31. Fontes da Sony citadas pelo jornal inglês Daily Telegraph disseram que o altíssimo investimento (mais de US$ 800 milhões) não deu o retorno esperado e que, além disso, a empresa se alinhou com outros patrocinadores, como Coca-Cola e Emirates, insatisfeitos com os desdobramentos das denúncias de corrupção na Fifa.

Os melhores produtos do ano

Como costuma fazer todo mês de dezembro, o site americano CE Pro – voltado a profissionais da área de sistemas eletrônicos residenciais, lá identificada como CI (custom installation) – acaba de divulgar sua lista de melhores produtos de 2014. “Melhores”, no caso, significa que são os mais apreciados pelos integradores e instaladores, tanto do ponto de vista do desempenho quanto da facilidade de instalação e da confiabilidade. A lista completa pode ser conferida aqui, em inglês. Abaixo, um resumo dos produtos que já estão disponíveis no mercado brasileiro.

Monitor LG 4K de 31″ – Não é um TV, mas segundo o pessoal do site é a melhor opção para quem precisa de um display para trabalhar, já que seu forte é a reprodução de gráficos, incluindo – é claro – videogames.

Receiver Onkyo TX-NR636 – Este foi um dos primeiros receivers a incluir processamento Dolby Atmos. Além disso, o CE Pro aponta como pontos fortes sua grande flexibilidade de ajustes e suas conexões. Distribuição: Disac.

Caixa acústica PSB T3 – Indicada tanto para áudio quanto para home theater, essa torre foi uma das mais elogiadas do ano, por sua neutralidade e dinâmica com bom custo-benefício. Distribuição: Chiave.

Sistema digital Monitor Audio – Composto pelo amplificador A100 e caixas GX50, o conjunto foi escolhido como a melhor solução em áudio digital. É recomendado para uso com aparelhos da Apple, via AirPlay. Distribuição: Media Gear.

Matriz Atlona HDMI-HDBasetT – Apontada como a solução mais completa na área até o momento, essa matriz permite distribuir os sinais de 6 fontes até a 6 zonas diferentes, simultaneamente, cobrindo uma distância de quase 80 metros. Segundo o site, é extremamente fácil de ajustar e instalar, seja em rack com outros aparelhos ou numa configuração stand-alone. A distribuição no Brasil é da Som Maior.

Sistema de automação Crestron Pyng – Todo baseado em aplicativos,   está revolucionando os processos de programação para integradores, diz o CE Pro. A partir de janeiro, a distribuição oficial passa a ser da Som Maior.

Japoneses vão às compras

No momento em que o mundo inteiro procura ideias de presentes para o Natal, o site japonês Akihabara News ganha pela originalidade. Para quem não conhece, o site acompanha o dia a dia da indústria eletrônica japonesa e mostra tudo (ou quase) que se vende num dos bairros mais famosos de Tóquio. Em Akihabara, não muito longe do centro da metrópole, se concentram centenas de lojas de eletrônicos, oferecendo desde TVs de tela gigante até brinquedos e gadgets de bolso.

Curioso, embora não tenha planos de ir ao Japão tão cedo, fui dar uma olhada para ver o que eles estão recomendando como presentes de Natal. E encontrei curiosidades como estas:

dedo digitalDedo digital – O acessório facilita deslizar o polegar sobre a telinha sem despejar gordura. Em Akihabara, custa o equivalente a 12 dólares.

guarda-chuvaGuarda-chuva iluminado – Para andar à noite na chuva, vem com uma pequena lâmpada; facilita também encontrar chaves e documentos na bolsa. Em oferta de lançamento por 34 dólares.

cancelamentoCancelador de ruídos – Basta colocar nos ouvidos para se isolar dos sons externos, na rua, no metrô, onde você estiver. Permite continuar conversando sem ter que gritar. Preço: 41 dólares.

cervejaMicrorefrigerador – Pode colocar seu estoque de cerveja (até 350ml) que dali a 4 minutos estará na temperatura certa (de 4 a 6 graus). Pechincha: 64 dólares.

relogioRelógio com câmera – A linha vermelha na foto confirma que ali está embutida uma microcâmera HD;   o relógio ainda tem microfone, entrada USB, saída A/V e memória de 4GB. 66 dólares.

Sugestões de compra? É só clicar.

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Nesta segunda-feira, lançamos mais um produto digital: nosso primeiro Guia de Compras em versão online. A equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL selecionou 45 produtos, em nove categorias, como sugestões para quem está pensando em comprar eletrônicos neste final de ano (ou para quem está na dúvida). Na maioria dos casos, são produtos de baixo custo, mas o principal critério foi o de custo-benefício; afinal, nem tudo que é mais barato vale a pena; nessa área, aliás, geralmente acontece o contrário: o barato sai caro.

Para quem acessar e estranhar a falta de televisores na lista, vale lembrar que já temos – desde o ano passado – um Guia de Compras no site hometheater.com.br, onde se encontram todos os TVs à venda no país com tamanhos acima de 46 polegadas. Está sendo atualizado esta semana, com os modelos mais recentes. É um bom começo para pesquisar os TVs que se deseja comprar.

Em tempo: o Guia em versão online pode ser solicitado aqui.

Gerações conectadas. E sem conflito.

Um dos fenômenos mais comentados e analisados na segunda metade do século 20 foi o “conflito de gerações”, nome que se deu às dificuldades de pais e avós para lidar com seus filhos. Estes inicialmente foram classificados como “rebeldes”, mas com o passar dos anos se tornaram “normais” (até onde foi possível…). O tal conflito perdeu atualidade, mas hoje, na era da comunicação online, ganha novos contornos.

Um estudo recente do ConsumerLab, centro de pesquisas da sueca Ericsson, mostra as mudanças que vêm ocorrendo nas relações entre velhos (para efeito estatístico, escolheram pessoas entre 65 e 75 anos) e jovens (idades não especificadas). O diagnóstico é que, com a ajuda da tecnologia, as barreiras estão sendo derrubadas. E estão mesmo. Embora a pesquisa seja restrita ao mercado americano, é fácil de constatar que também no Brasil aumenta o número de, vá lá, idosos usando smartphone, tablet, Skype, Facebook, Twitter, Whatsapp e por aí vai.

O pessoal do ConsumerLab – o estudo pode ser visto neste link – lembra que a geração atual de sexagenários é a primeira que tem a oportunidade de utilizar a tecnologia de modo mais intensivo. E seus entrevistados se mostraram animados em aproveitar a chance, ao ver como isso os aproxima de seus filhos, netos etc. Na verdade, os membros mais jovens da família que se dispõem a colaborar, ensinando e dando apoio a seus pais, tios e avós, acabam tendo enorme influência no padrão de vida da família como um todo.

Os tablets e as chamadas de vídeo via Skype (ou equivalente) são os campeões na preferência da faixa 65-75. “Eles veem como uma ferramenta perfeita, de fácil manuseio e que permite ter conversas com amigos próximos e familiares, além de compartilhar detalhes e experiências”, conta André Gualda, analista do ConsumerLab da Ericsson no Brasil.

Aproveitemos todos, então.

TV 4K: quem vai querer?

Ainda não há um balanço oficial das vendas propiciadas pela já famosa Black Friday. Talvez nem haja. Como se previa, as promoções continuam e devem ir até o início de janeiro; na semana entre Natal e Ano Novo, há uma pausa, mas logo vêm as “liquidações”, quando muitas vezes os preços são ainda mais baixos.

Mas o que já se sabe é que os TVs de tela grande estão no topo das listas de compra de boa parte dos consumidores. Não me refiro aos modelos gigantes, como os de 105 polegadas que acabam de ser lançados por Samsung e LG, conforme comentamos aqui (vejam também este vídeo). Esses são para uma minoria. Mas a guerra de preços parece estar, mais uma vez, virando esse mercado do avesso.

Vejam o caso dos 4K. Modelos na faixa de 50″ já podem ser adquiridos por até R$ 2.800, em 10 parcelas, algo impensável há cerca de um mês. Com a chegada das novas linhas, que trazem algumas atualizações, e o estoque acumulado desde a Copa do Mundo, as redes de varejo não hesitam em cortar – certamente, de comum acordo com os fabricantes.

Não é um privilégio brasileiro. Segundo a consultoria DisplaySearch, nos principais mercados internacionais a corrida pelos TVs entre 40″ e 50″ é o grande fenômeno do mercado este ano. Consumidores que haviam adquirido seu último TV por volta de 2008 partem agora para a substituição, estimulada pelos preços convidativos. O mercado mundial de TVs como um todo cresce pouco (a estimativa é de apenas 4% em 2014), mas o de 4K está dando um salto de 500%. Sim, 500%! Vejam os detalhes aqui.

Deu no jornal. Ainda bem.

orange_register.750Com o avanço das novas mídias, há tempos deixou de ser novidade saber que um jornal ou revista fechou – ou interrompeu sua circulação impressa, mantendo apenas a versão online. Já aconteceu com grandes publicações, brasileiras e estrangeiras, e parece que ninguém mais estranha. Curioso é ver como certos jornais lidam com a própria sobrevivência.

O californiano Orange County Register, por exemplo, decidiu que seus funcionários, jornalistas inclusive, precisavam gastar mais sola de sapato, como descreveu o todo-poderoso (e por enquanto preservado) New York Times. Para cortar custos, a direção do Register convocou até os repórteres ao trabalho de entregar os jornais aos assinantes; além de fazer suas entrevistas, alguns agora passam parte do dia atendendo a ligações de leitores que não receberam seus exemplares. A empresa até oferece bônus em dinheiro e brindes a quem entrega maior quantidade de jornais, mas garante que ninguém é forçado a isso.

Richard Mirman, diretor do jornal, enviou recentemente um email a todos agradecendo seus esforços (alguns acordam às 2hs da manhã, para garantir a entrega no horário determinado). Em outra mensagem, comunicou pessoalmente a situação aos assinantes. Uma ex-colunista do Register, ouvida pelo Times, disse que seus colegas estão sofrendo muito com a situação. “Todo mundo se emprenha para produzir um jornal de boa qualidade. Agora, para que a versão impressa sobreviva, o mais importante é que ela seja entregue aos leitores”.

Se é que serve de consolo, vale a pena registrar que a notícia e seus desdobramentos estão sendo publicados (ainda) pelo próprio jornal. Mas até quando?

TV paga e as mudanças da Sky

Embora a Net continue sendo a maior operadora de TV por assinatura do país, com mais de metade dos domicílios atendidos, foi a Sky que mais cresceu este ano, em percentual de faturamento, segundo a Anatel. E isso tem uma explicação: a operadora pertencente à americana DirecTV decidiu focar nos usuários de renda mais alta. Os dados, que estão num estudo da consultoria Teleco baseado nas estatísticas da Anatel, foram confirmados pelo presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, há cerca de duas semanas, numa entrevista ao jornalista Samuel Possebon, do site Tela Viva.

O crescimento da Sky – que teve uma fase conturbada em 2013, quando chegou a merecer uma auditoria da DirecTV, após denúncias de manipulação na venda de assinaturas – pode ser maior em 2015, caso seja aprovada a compra da DirecTV pela AT&T, gigante americana das telecomunicações. Ainda não está claro o que os novos donos irão fazer no Brasil, mas já houve declarações de que sua ideia é competir de maneira mais forte no segmento de banda larga; hoje, a Sky presta esse serviço apenas em algumas localidades, usando a tecnologia TD-LTE (4G) na frequência de 2,5GHz.

Em TV paga, segundo Baptista, a Sky teve que mudar sua estratégia devido ao problema da inadimplência, chegando a recusar nada menos do que 1,2 milhão de assinantes este ano. As outras grandes operadoras não admitem que a questão é grave, consequência – talvez – do furor com que muitos consumidores adquiriram pacotes no período 2009-2012, quando a economia do país ia melhor. Mas o presidente da Sky acha que existe até uma “bolha” de 2,3 milhões de usuários inadimplentes no mercado como um todo – não declarados por suas concorrentes (para ver números atualizados sobre esse mercado, clique aqui; veja também as novidades do setor de TV por assinatura em nosso hot site).

Sua Excelência, o consumidor

1016_ford-assemblylineEm tempos de Black Friday, com toda a carga negativa que a data sugere, vale a pena ler um breve artigo do grande publicitário Ruy Lindenberg, publicado na rede Linked In, sobre a figura do consumidor. Ao comentar o livro American Assembly Line (“Linha de Montagem Americana”), do historiador David Nye, que trata exatamente da sociedade de consumo, Ruy nos ajuda a entender melhor a importância do ilustríssimo sr. Consumidor para o mundo em que vivemos.

O livro descreve a já célebre invenção de Henry Ford, que há exatamente 101 anos criava a linha de montagem (foto) – há quem pense que Ford foi o inventor do automóvel, mas esse mérito é compartilhado pelos historiadores entre várias pessoas; muito antes, em 1789, Oliver Evans obteve a primeira patente americana para o veículo a motor; mundialmente, a honraria é atribuída ao alemão Karl Benz, cuja patente é de 1888.

Seja como for, antes de Ford ninguém tinha encontrado uma forma de produzir automóveis em escala industrial. O velho Henry percebeu o apelo dos veículos a motor junto ao público, mas sabia que sem a montagem em série aquele não era um negócio viável. Tratou de equipar sua fábrica, próximo a Detroit, com velozes máquinas de montagem, e também de pagar bem a seus operários, que seriam (deduziu ele, brilhantemente) os principais candidatos a adquirir os veículos.

Como diz Ruy, Henry Ford acabou de certa forma “inventando” o consumidor. Foi dele também a ideia, revolucionária para a época, de promover visitas guiadas à fábrica, deixando as pessoas boquiabertas diante da maravilha que havia criado. Explorou também as feiras industriais, na Europa e nos EUA, para encantar o público com demonstrações sobre como os carros eram montados. Todos começaram então a querer participar dessa engrenagem, que foi sendo aperfeiçoada com os anos.

O que se conhece por “sociedade de consumo” evoluiu com a indústria da comunicação, particularmente a partir dos anos 1950, quando a televisão se popularizou nos principais países. Se hoje existem distorções como a Black Friday, e se determinadas empresas não respeitam o consumidor, este tem – como nunca teve antes – o sagrado poder de recusar o que lhe oferecem, procurar outra opção ou simplesmente não comprar.

Se alguém aí se sente enganado, não tem o direito de colocar a culpa em Henry Ford.

Preços lá e cá: quanta diferença!

Não é novidade que o Brasil é um dos países mais caros para se viver. Pode-se tomar como referência qualquer produto ou serviço. Estrangeiros que conheço se espantam quando chegam aqui e encontram preços similares, ou até mais altos, do que em Paris, Londres, Nova York etc. É o (sobre)preço que pagamos por nossa incapacidade de escolher políticos melhores e nosso já histórico conformismo.

Mas há quem exagere nas contas. A propósito da Black Friday, o site Tech Tudo publicou uma tabela comparando valores do Brasil e dos EUA, para concluir que, mesmo com as promoções desta semana, sai mais caro comprar aqui do que viajar e trazer tudo de lá (incluindo o valor de passagem, hotel etc). O cálculo foi feito por uma agência de turismo chamada ViajaNet, que naturalmente quer estimular as pessoas a… isso mesmo: viajar. A lista de produtos pesquisados inclui diversos eletrônicos, inclusive TVs 4K que – como se sabe – não são fáceis de trazer na bagagem.

A conta – confiram aqui – é de que a compra no Brasil custa 137% mais. Mas não considera que, da mesma forma que se pode cair em armadilhas comprando aqui, há riscos em adquirir eletrônicos fora. A começar de um detalhe simplório: se o aparelho der problema, não há a quem recorrer (talvez com exceção da Apple em casos específicos, nenhum fabricante oferece garantia para itens adquiridos fora do país). Já vi casos de pessoas que trouxeram produtos com voltagem 110V (lá, é difícil encontrar outra) e os ligaram, aqui, em 220V – só para citar um exemplo.

Recentemente, o jornal O Estado de S.Paulo pesquisou o custo de pacotes de viagem para o final do ano no litoral paulista e na Europa. Concluiu, claro, que lá (escolha: Paris, Roma, Barcelona…) é mais barato. Quem quiser pode arriscar.

Black Friday: todo cuidado é pouco

Enfim, chegou a “sexta-feira negra”, mais uma invenção americana que o Brasil copia. Lá, é feriado. Aqui, para muita gente, é quase como se fosse. Como já comentamos anteriormente, nossa Black Friday virou caso de polícia no ano passado, quando milhares de consumidores caíram nas mais diversas armadilhas. A situação chegou a tal ponto que, em São Paulo, o Procon criou uma “black list” de lojas virtuais das quais se deve fugir a qualquer custo. São quase 500 (vejam aqui a relação completa).

O volume de notícias a respeito nos últimos dias é uma amostra de como a data eleva a adrenalina das pessoas. É quase uma neurose. Walmart, Americanas.com, Submarino, Ponto Frio, Extra, Magazine Luisa e até o Buscapé não falam em outra coisa a não ser as ofertas da hora. Para os desavisados, é bom lembrar que o mundo não vai acabar nesta sexta… nem na segunda-feira, teoricamente o “último dia” das promoções. Conversando com executivos do mercado, é consenso de que a Black Friday passou a ser uma espécie de “aquecimento” para as vendas de Natal, com desdobramentos até janeiro, quando há as tradicionais liquidações.

Para quem está com pressa, vale lembrar que vem surgindo uma série de ferramentas que podem ajudar a pesquisar as ofertas e evitar as tentações perigosas. Uma delas chama-se Bizoo, que se propõe a exibir o histórico de variação dos preços de cada produto, para que o consumidor avalie se o que está vendo na tela é mesmo uma promoção, ou uma maquiagem.

É bom dar uma olhada no Código de Ética da Black Friday, elaborado pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, para saber o que pode e não pode ser feito e, assim, desconfiar quando for o caso. Não custa também conferir o Guia de Comércio Eletrônico do Procon-SP, com dicas para comprar com mais segurança. O site IDG Now, aliás, foi além: entrevistou especialistas e elaborou uma oportuna série de dicas para não cair em roubadas.

Nunca se deve subestimar a esperteza alheia.

Marketing high-tech em Nova York

google-times-square-2Poucas empresas no mundo têm estrutura (e, vale reconhecer, criatividade) para uma ação como a que a Google Inc desencadeou esta semana em Nova York. Na praça mais visitada da cidade, Times Square, onde diariamente circulam milhares de pessoas vindas de todas as partes do mundo, a empresa montou um mega-display: 100m de largura por 24m de altura. O painel de leds (foto), além de ser o maior do mundo (ocupa área equivalente a um prédio de oito andares), também exibe a mais alta resolução de imagem para aparelhos desse tipo: 24 milhões de pixels, algo como três vezes a de um TV ou projetor 4K.

Tudo isso para lançar a nova campanha publicitária do Android, que é totalmente interativa. Ao passar diante do painel, qualquer pessoa pode produzir sua versão pessoal do bonequinho que simboliza esse sistema operacional. A Google garante que todas as versões produzidas serão exibidas na supertela. Basta baixar antes o aplicativo – sim, tinha que haver um app na história – chamado Androidify.

Aliás, nem é preciso ir a Nova York. O mesmo pode ser feito a distância, entrando no site do Android. Segundo o site Mobile Marketing, a Google pagou US$ 2,5 milhões pelo aluguel do espaço durante um mês – isso mesmo: ficará em exibição até o Natal, período em que a empresa pretende lançar novos produtos das linhas Nexus e Chrome, além da nova versão do Google Maps.

Mercado de TVs se empolga

Diz a consultoria americana IHS, especializada na indústria eletrônica, que 34% dos consumidores por lá planejam adquirir pelo menos um televisor neste final de ano. E que 68% estão de olho em eletrônicos de modo geral. Mais da metade dos entrevistados na semana passada disseram-se dispostos a gastar mais de 500 dólares com isso (aqui, mais detalhes sobre a pesquisa).

Claro que o mercado brasileiro é diferente, e não temos pesquisas para analisar, mas o ânimo entre varejistas e fabricantes se elevou nas últimas semanas. Como se sabe, o ano foi atípico: a maior parte das vendas de TVs concentrou-se no primeiro semestre, devido à Copa do Mundo. Ainda assim, a expectativa é de que neste final de ano as vendas sejam 30% maiores do que no final de 2013.

É bom lembrar que os meses pós-Copa foram fracos, o que já era esperado, resultando em dezenas de promoções. Os principais fabricantes ampliaram suas linhas, procurando atender a todo tipo de público, e essa estratégia será testada já a partir desta semana, com a aguardada Black Friday (dia 28). No balanço final, a indústria deve fechar 2014 com aproximadamente 18 milhões de TVs vendidos, o que representaria 15% a mais do que no ano passado.

Nada mau, para um país cujo PIB insiste em ficar próximo de zero.

Casa eficiente: você ainda vai ter uma!

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Nesta segunda-feira, fomos conhecer a CasaE, um projeto inovador da Basf, gigante alemã da área química. Em parceria com algumas empresas de automação, eles construíram uma “casa eficiente”, conceito ainda pouco conhecido no Brasil, mas que muitos especialistas apontam como o futuro no setor de habitação.

Para quem trabalha com projetos residenciais, é uma visita imperdível – até porque pode-se aprender muito com profissionais que já estão nesse ramo há algum tempo. A casa foi equipada com diversos recursos de automação para torná-la mais eficiente no consumo de energia. Mas, antes disso, a própria construção foi diferenciada. Em lugar de tijolos tradicionais ou concreto, foram utilizados blocos de poliestireno estendido, material que a Basf comercializa sob a marca Neoport. Segundo a empresa, esse material proporciona melhor isolamento térmico, resultando em redução de até 70% na energia consumida dentro da casa.

O projeto usou ainda outros produtos da empresa alemã, todos sob o mesmo conceito: tintas e vernizes que facilitam o controle da temperatura, pisos drenantes que poupam água, revestimentos, soluções impermeabilizantes etc. Uma das tintas possui propriedades antibacterianas e é a única, até agora, aprovada pela Anvisa (mais detalhes aqui).

Na CasaE, tudo isso foi combinado soluções de empresas como Schneider, Finder, Biltech, ABB e o consórcio KNX, entre outras, englobando rede elétrica, iluminação, segurança, aspiração central, monitoramento remoto etc. A construção faz parte do projeto Prédio Eficiente, coordenado pela Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial).

TV paga cresce (bem) mais que o país

O mercado brasileiro de TV por assinatura fechou setembro com 19,43 milhões de domicílios atendidos, o que representa 29,67% de penetração, diz a Anatel em seu último levantamento (vejam aqui os detalhes). Nos últimos doze meses, foram 2 milhões de novos assinantes, uma média de 11% de crescimento ao mês. Dificilmente haverá outro setor da economia em condições de exibir números tão bons, num país que nem consegue crescer 1%.

Curiosamente, a operadora que mais aumentou sua clientela em setembro foi a OiTV, com 67 mil novas assinaturas; justamente a Oi que, segundo as notícias mais recentes, está às voltas com uma complexa renegociação de sua dívida, estimada em R$ 46 bilhões. Impossível saber se esse é um fenômeno temporário (a empresa baixou consideravelmente seus preços este ano), ou se terá continuidade.

Como já comentamos aqui, o mercado deverá passar por mudanças substanciais a partir de 2015. A incorporação da GVT pela Vivo/Telefônica, respectivamente quinta e sexta colocadas no ranking, com certeza terá impacto sobre a Oi. Além disso, a Sky – atualmente em segundo lugar – tende a ganhar força com os investimentos da AT&T, que adquiriu a DirecTV; a Sky, aliás, já vem expandindo sua atuação em banda larga sem fio, como noticiou na semana passada o site Convergência Digital.

Não está descartada a possibilidade dessas gigantes seguirem o exemplo da Telmex (controladora da Net e da Claro) e começarem a adquirir o controle de operadoras regionais, cujo espaço para crescimento vem sendo reduzido.