Amazon abre sua primeira loja

amazon storeQuase vinte anos após revolucionar o varejo mundial inventando o conceito de e-commerce, a Amazon vai inaugurar em breve sua primeira loja física. Será em Nova York, na Rua 34, bem em frente ao Empire State Building, ou seja, no “coração do mundo”. As notícias disponíveis indicam que não será uma loja qualquer – nem poderia ser, considerando o local escolhido e a cabeça de seu proprietário, Jeff Bezos (na foto do The Wall Street Journal, o agora badalado endereço).

Talvez não seja assim uma… Apple Store, mas está sendo projetada com dois objetivos básicos: atrair turistas para convencê-los a comprar produtos da própria Amazon (como os tablets da linha Kindle); e servir como mini-central de distribuição (a Amazon tem dezenas delas espalhadas pelos EUA, mas não há nenhuma tão próxima do maior centro de consumo do planeta).

Analistas de mercado já começaram a dar suas explicações para essa surpreendente decisão. Afinal, a Amazon sempre vendeu a ideia de que comprar pela internet é muito melhor… Uma observação pertinente é que, apesar de seu estrondoso sucesso, a grande loja virtual ainda não conseguiu (talvez jamais consiga) conquistar todos os consumidores. Mesmo dentro dos EUA, muitos ainda preferem fazer compras em lojas físicas. Tanto que um dos serviços de maior sucesso no site ultimamente vem sendo o chamado in-store pickup – quando a pessoa compra pela internet, mas retira o produto na loja.

Uma coisa é certa: poucas empresas no mundo têm tanto domínio sobre os hábitos, preferências e necessidades de seus clientes. Para quem quiser entender melhor esse fenômeno, tomo a liberdade de indicar meu livro Os Visionários, que tem um capítulo inteiro dedicado a Jeff Bezos e a saga da Amazon.

PNAD e o mercado de tecnologia

Quero comentar hoje alguns dados da última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada recentemente pelo IBGE, aquela mesma que causou polêmica ao apontar que a desigualdade no país havia aumentado (na verdade, diminuiu). Os dados do levantamento, válido para 2013, que se referem a produtos eletrônicos são interessantes.

Mostram, por exemplo, que a penetração da televisão entre as famílias brasileiras já é de 97,2% – nos principais países da Europa, no Japão, Coreia do Sul e América do Norte, é de 99%. Dos 65,1 milhões de domicílios existentes no país, 49,5% possuem computador, o que representa crescimento de 2,6 milhões em um ano; deles, 28 milhões têm acesso à internet (43,1%), embora a pesquisa não identifique que tipo de banda larga (móvel ou fixa). Curiosamente, caiu de 80,7% para 72,4% o número de residências com aparelho de rádio, o que com certeza tem a ver com o aumento da audiência desse veículo pela internet.

Outra curiosidade: em 53,1% das casas, só se usam telefones celulares. Mas são nada menos do que 130,8 milhões os brasileiros, acima de 10 anos de idade, que têm um celular – 6,3 milhões a mais do que em 2012.

Não sei se é prematuro concluir, mas a impressão que fica é que os brasileiros decidiram mesmo fazer como os chineses, que há anos abandonaram os telefones fixos e quase só usam celular. É mais prático e, em muitos casos, mais barato – inclusive para as operadoras.

Dolby Atmos: a lista começa a crescer

Foram divulgados nesta quarta-feira mais três lançamentos da Paramount em discos Blu-ray com processamento de áudio Dolby Atmos. Depois de colocar no mercado americano, na semana passada, Transformers: A Era da Extinção, conforme anunciamos aqui, o estúdio agora promete Hercules para o dia 4 de novembro; segue-se o remake de Tartarugas Ninja (16/12). Outro estúdio (Lionsgate) anunciou seu primeiro lançamento do gênero: Step Up All In, que faz parte da série Eu Danço Ela Dança, também sai dia 4.

Aliás, junto com o lançamento de Transformers, a Dolby colocou na internet este vídeo, uma espécie de making-of do trabalho de remixagem que o projeto envolveu. Vale a pena assistir.

Ultra-HD: daqui a quanto tempo?

4k penetrationÉ consenso entre os especialistas que a última grande revolução da indústria eletrônica foi a alta definição. O salto de qualidade entre a imagem padrão VHS (aproximadamente 250 linhas horizontais) e a HD (1080) foi fácil de perceber, até mesmo para o usuário leigo. O salto que se tenta atualmente – de HD para UHD (2.160 linhas, cada uma com 3.840 pixels verticais) – já é mais difícil de assimilar, embora saibamos todos que há um aumento de quatro vezes na quantidade final de pixels.

Uma das perguntas mais comuns na indústria, hoje, é se o UHD (4K) terá a capacidade de avançar mais rapidamente do que foi o processo de implantação do Full-HD (1.920 x 1.080p), denominação criada para se diferenciar do HD inicial (720p). Essa sopa de números e letras, aliás, está na raiz das dificuldades que muitos usuários têm para compreender a evolução das tecnologias de vídeo.

Falo desse assunto porque acabo de ler uma nova pesquisa, da consultoria americana IHS, mostrando que o 4K está se popularizando mais rapidamente do que o esperado. Segundo os pesquisadores, a transição SD-HD levou mais de vinte anos para atingir a chamada “maturidade” de mercado. Foi há dois anos, quando 74% das residências europeias possuíam pelo menos um aparelho HD (os EUA não servem como parâmetro nesse tipo de análise). O UHD, que oficialmente só foi homologado em 2012, terá percentual semelhante por volta de 2025, diz o estudo – ou seja, treze anos de evolução.

Parece muito tempo, mas em tecnologia é quase nada.

Bendgate e o marketing de exploração

iphone bend

 

Um dos episódios mais comentados do mês passado, no mundo da tecnologia, foi o chamado “Bendgate”. Pouco depois do lançamento oficial do iPhone 6, no dia 9 de setembro, surgiram “denúncias” de que o aparelho era frágil… tão frágil que podia facilmente ser dobrado com as mãos. Vídeos caseiros se espalharam rapidamente pela internet (um deles foi este), obrigando a Apple a distribuir um comunicado oficial. A empresa disse ter vendido, em uma semana, mais de 1 milhão de aparelhos e ter recebido apenas sete ou oito reclamações a respeito.

Verdade ou não, fato é que se criou uma espécie de aura negativa em torno da nova geração de iPhones, e isso certamente ajudou a arranhar a imagem tão sagrada da Apple. Surgiram inúmeras piadas e memes (veja algumas neste link), e os concorrentes se apressaram em reforçar a crítica. A LG, por exemplo, primeira a lançar smartphones com tela curva, saiu-se bem: “Nossos smartphones não dobram; eles são naturalmente curvos”. A Samsung foi bem menos sutil, neste vídeo.

Mas a reação não demorou. O site da Consumer Reports, revista de defesa do consumidor, produziu um excelente vídeo (vejam aqui) com um teste prático sobre a resistência de cada um dos cinco smartphones mais vendidos no mercado americano. A conclusão é que o Samsung Galaxy Note 3 suporta um peso de até 68kg e o iPhone 5, assim como o LG G3, até 59kg. Nessa escala, o iPhone 6 ficaria um pouco abaixo (41kg) e o HTC M8 suportaria “apenas” 32kg.

A questão é que ninguém coloca seu celular sob pesos dessa magnitude, a menos que queira mesmo destruí-lo. Ou seja, mais uma polêmica inútil. Esta semana, a revista americana Forbes fez em seu site um balanço do episódio, mostrando que todas as marcas têm seus problemas físicos e erram quando usam marketing negativo sobre os concorrentes. O Galaxy Note 4, por exemplo, possui falhas de montagem nas bordas, diz o texto, que com o uso contínuo podem se abrir. O repórter montou até uma “tabela comparativa” entre as principais marcas e seus defeitos:

*iPhone – caro, consome muita bateria e não é compatível com os sistemas de outras marcas;

*Samsung e LG – são feitos de plástico e com estrutura e montagem deficientes;

*Motorola – além do material de má qualidade, o design é horrível;

*Nokia – usa Windows Phone, sistema que muitos consideram sem futuro;

*HTC – pesado, complicado e com câmeras de baixa resolução.

Então, com qual você fica?

LED vs OLED: por dentro das telas

Nesta quinta-feira, assistimos a uma demonstração interessante promovida pela LG: dois TVs (um LED e um OLED) foram cortados para que se pudesse ver como são por dentro. Você não leu errado: os TVs foram de fato cortados, num dos cantos, de tal maneira que pudemos ver – eu, pela primeira vez – como é a composição interna dos painéis. O resultado está neste vídeo.

A intenção do evento era mostrar que OLED, uma tecnologia na qual a LG aposta alto, é muito superior. Na verdade, já sabemos disso há tempos, mas o ponto é que a maioria das pessoas ainda não pôde perceber a diferença. Como os OLEDs são mais caros (mais que o dobro de um LED), isso precisa ficar bem claro. É o que a empresa se propõe a fazer agora nos pontos de venda onde exibe seu OLED de 55 polegadas (um dos modelos já lançados pode ser conferido neste outro vídeo).

lg-65ec9700-4K-OLED-curvoA LG continua sozinha nesse segmento e promete continuar investindo. Nesta semana, lançou nos EUA seu primeiro OLED 4K, de 65″ (foto), previsto para chegar ao Brasil no início de 2015 (e que mostramos em detalhes aqui). Lá, o preço sugerido é de US$ 9.999. Aqui? Ninguém sabe, principalmente em meio a uma eleição indefinida, que faz o dólar ficar fora de controle.

A propósito, para quem ainda não viu, este vídeo que fizemos na IFA traz uma boa comparação de imagem entre os dois tipos de TV.

Comparando TVs Smart

samsungsmarttv2013-1lConforme se aproxima o final do ano, vai se acirrando também a competição entre os principais fabricantes, e também entre as grandes redes de varejo, em torno dos novos TVs. Recentemente, a equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL fez um minucioso levantamento dos modelos disponíveis, tendo como foco principal as chamadas plataformas smart (leiam aqui).

Como já comentamos algumas vezes, hoje em dia é muito difícil – quase impossível, num ambiente de loja – identificar diferenças na qualidade de imagem entre os modelos das marcas mais conhecidas. Com o fim do plasma (a LG acaba de confirmar na Coreia que também está abandonando essa tecnologia, a exemplo do que já fizeram Panasonic e Samsung), o único fator que os distingue é a resolução (HD, Full-HD ou Ultra-HD).

O consumidor precisa, portanto, buscar essas diferenças em outros detalhes. E os recursos smart, especialmente para quem gosta de acessar conteúdos da internet, estão entre os mais interessantes. O levantamento mostra, por exemplo, que duas marcas – Samsung e Philips – dão ao usuário a possibilidade de utilizar um teclado qwerty para digitar textos na tela, o que é muito menos trabalhoso do que fazê-lo com um controle remoto convencional. LG e Panasonic oferecem comandos por voz, enquanto Panasonic e Samsung têm sistema de reconhecimento facial.

Nota-se um esforço constante dos fabricantes para facilitar a navegação – até porque são tantos os aplicativos e recursos adicionados que o usuário menos atento pode se perder com o controle remoto na mão. Uma recomendação básica para quem quer acessar a internet via TV é checar a velocidade do navegador, que por sua vez depende fundamentalmente do processador utilizado. Como em qualquer computador (convém não esquecer que um TV hoje é quase um “PC com imagem”), engasgos e/ou travamentos frequentes acabam inviabilizando o uso do aparelho.

Caímos aqui num ponto crucial: nem toda loja permite que seu cliente verifique esse tipo de detalhe. Já visitei lojas, nos EUA e na Europa, onde o vendedor entrega o controle ao cliente e deixa-o à vontade para experimentar o aparelho. Deveria ser obrigatório, mas no Brasil o mais comum é o contrário: apenas o vendedor (ou promotor) pode mexer. Uma pena. E também um desrespeito ao consumidor.

 

89° lugar em banda larga: acredite!

broadband-InternetA cada nova estatística, amplia-se o fosso que separa o Brasil dos países mais avançados em tecnologia. Ao mesmo tempo, o país sobe degraus no ranking de número de usuários. Não é necessário ser expert para perceber que o problema está na má gestão dos recursos destinados ao setor. Pior do que isso: na falta de uma política integrada, e necessariamente de longo prazo, que permita utilizar as inovações tecnológicas como vetores do crescimento econômico.

O último estudo da Akamai, empresa americana que é hoje uma das mais respeitadas nesse campo, é bem ilustrativo. Dos 238 países conectados à plataforma da empresa, o Brasil ocupa um vergonhoso 89° lugar no índice de velocidade média de banda larga, atrás – só para citar alguns exemplos – de Peru, Equador, Romênia e Tailândia. Foi o país que mais cresceu no número de endereços IP (43% em um ano), é terceiro entre os que mais usam a internet (à frente, apenas EUA e China), mas é um dos campeões (7° lugar) como fonte de ataques de hackers às redes.

O mais incrível é que essas colocações poderiam ser piores. Os rankings incluem apenas os países onde há pelo menos 25 mil endereços. A média de conexão brasileira (2,9 Megabits por segundo) está bem abaixo da média latinoamericana, que chegou a 5,6Mbps no segundo trimestre do ano. Uruguai, Chile e até Argentina conseguiram aumentar suas velocidades médias a taxas superiores a 30%, enquanto o Brasil cresceu somente 11% em relação ao primeiro trimestre. Tudo isso considerando que o período (abril-junho) foi exatamente o da Copa do Mundo, quando teoricamente deveríamos ter melhorado bastante esses indicadores.

O relatório da Akamai é bem abrangente. Analisa também as conexões de internet móvel. De novo, goleada: na Coreia do Sul, a velocidade média é de 15,2Mbps, enquanto no Vietnã, o pior da lista, fica em 0,9Mbps. Brasil: 1,5Mbps. Nosso país também está no grupo em que a adoção da banda larga móvel é mais baixa (0,5%). Aqui, é importante registrar que a Akamai só considera de fato “banda larga” as conexões a partir de 4Mbps. No Brasil, 0,5% dos usuários conseguem isso.

Por fim, a pesquisa levantou o chamado 4K Readiness, como é chamado o nível de capacidade de cada país para permitir streamings de vídeo nessa resolução. Aqui, nenhuma surpresa. A Akamai considera que o mínimo necessário para isso são 15Mbps, e somente 12% dos países pesquisados cumpre esse requisito. O ranking inclui 51 países, e o Brasil fica em 49° lugar, com 0,6% de capacidade. Difícil de acreditar, mas caiu em relação ao trimestre anterior, quando era 45° com 0,3% de capacidade.

Conclusão: enquanto os outros avançam, o país parece andar para trás!!! E, pelo que se vê nas campanhas eleitorais, nenhum dos candidatos têm a menor ideia do que fazer para diminuir o abismo.

Bem, esse é o triste quadro. Para quem quiser mais detalhes, o relatório pode ser visualizado neste link.

3D, a caminho do fim?

Que a tecnologia 3D sempre teve seus detratores, todo mundo sabe. Mesmo com o sucesso arrasador de Avatar, primeira superprodução de Hollywood totalmente feita com equipamento 3D, não foram poucos os que questionaram a iniciativa. Vários outros filmes foram lançados depois, mas é inquestionável que a maior parte do público não gostou da experiência.

Se faltavam argumentos para fazer a indústria – fabricantes e estúdios – abandonarem de vez o 3D, não falta mais. Os números de bilheteria dos cinemas americanos no último verão comprovam: além de terem sido lançados menos filmes desse tipo, o faturamento total despencou. Em 2012, as produções em 3D representaram 53% de toda a bilheteria de verão (claro, estamos falando apenas de filmes americanos); no ano passado, o índice caiu para 42%; e agora, 39% (este site traz mais informações).

Desconsiderando o fato de que a safra de filmes deste ano está sendo classificada como uma das piores de todos os tempos, e isso afeta também os lançamentos em 2D, o fato é que a tecnologia 3D está em xeque. Durante a IFA, por exemplo, assim como já tinha ocorrido na CES, em janeiro, houve poucas demonstrações. A maioria dos TVs possui o recurso, mas são raros os vendedores que lembram esse detalhe a seus clientes. Também não faz diferença: ninguém vai comprar este ou aquele modelo por causa disso.

christie-6P-LasersNa feira anual da IBC (International Broadcast Conference), realizada há duas semanas em Amsterdam, o assunto foi um dos mais discutidos. Ninguém tem uma saída, a não ser aquela, já clássica, de que o 3D irá pegar quando não forem mais necessários óculos (as previsões mais otimistas para isso indicam 2016). Mas surgiu pelo menos uma possibilidade: a empresa americana Christie, uma das líderes mundiais em sistemas de projeção para cinemas, demonstrou na IBC o sistema Laser 6P (foto), que já havia sido apresentado na NAB, em abril.

Basicamente, os projetores dessa categoria utilizam seis feixes de laser, sendo três para cada olho, com as cores básicas (vermelho, verde e azul). Com a intensidade do laser, consegue-se um nível de brilho impossível de ser alcançado pelas outras tecnologias. Vale lembrar que a “falta de brilho” é uma das queixas mais frequentes de quem assiste a filmes em 3D, já que os óculos acabam “engolindo” boa parte da luz emitida pela tela.

Se o sistema da Christie for bem aceito (seu custo estimado chega quase ao dobro de um projetor convencional), pode ser que o 3D tenha uma saída. Vamos ter que esperar para saber.

Estudar Matemática é preciso

Se o Brasil não cuida dos seus estudantes e finge que os está ensinando, como definiu brilhantemente o economista Eduardo Gianetti, quem sabe outros países possam fazer melhor esse trabalho. Nas próximas terça e quarta-feiras, a Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo, será palco de um evento que merece aplausos: o Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, promovido pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP), com apoio da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.

O encontro é gratuito e aberto a professores, pesquisadores, educadores e estudantes das áreas em que o estudo da Matemática – eterna pedra no sapato dos brasileiros – é essencial: engenharia, arquitetura, economia, informática, telecom etc. Vários especialistas estão vindo da Alemanha para falar sobre como tornar mais atraente o ensino da Matemática e como essa ciência se aplica no dia a dia.

Recentemente, um matemático brasileiro, Artur Ávila, ganhou o chamado Nobel da Matemática, vencendo concorrentes de vários países. Foi a primeira vez que o troféu foi concedido a alguém que não é do Primeiro Mundo (na verdade, Artur tem dupla cidadania: é brasileiro e francês). O fato foi saudado como “prova do talento brasileiro”, mas um dos motivos que levaram o DWIH-SP a organizar o evento da próxima semana (já é o terceiro ano consecutivo) foi justamente a defasagem de estudantes e profissionais brasileiros em matemática. O problema, já tantas vezes denunciado, está por trás da crônica falta de mão-de-obra qualificada, que está paralisando a evolução do país.

Claro, não é só a Matemática. Pesquisa organizada pela Fundação Dom Cabral no ano passado revelou que 58% das empresas aponta a falta de formação básica como a maior dificuldade na contratação de novos profissionais. Esse simples dado já serve para confirmar que, muito além daqueles 7 x 1, os alemães nos vencem de goleada em vários setores.

O que achei mais curioso é que nenhum órgão de governo (federal, estadual ou municipal) está envolvido no Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação. Pensando bem, isso é ótimo. Só falta chegar no dia e aparecer algum candidato querendo faturar com o evento…

Em tempo: quem quiser mais informações sobre o encontro deve acessar este link.

Ajuste de última hora: pouco depois de publicar o texto acima, fiquei sabendo, pelo site Convergência Digital, que outro brasileiro (Murilo Zanarella) acaba de ganhar medalha de ouro na Olimpíada Iberoamericana de Matemática. Outro brasileiro, Alessandro Pacanowski, já havia obtido prêmio semelhante esta semana. O Brasil ainda tem mais duas medalhas de prata. Parabéns a todos e a seus professores.

DirecTV acena com 4K este ano

Numa rápida entrevista ao DSL Reports, site americano especializado em tecnologia de televisão, o presidente da DirecTV, Michael White, anunciou que a operadora pretende ter um serviço de video-on-demand em 4K até o final do ano. Não deu detalhes, mas explicou que o projeto está sendo conduzido com toda cautela, depois do “trauma” que foi a tentativa de implantação da TV 3D, quatro anos atrás.

Nós mesmos comentamos aqui, na época, sobre a empolgação em torno dessa tecnologia, quando alguns puderam assistir aos jogos da Copa do Mundo da África do Sul em seus aparelhos 3D. Dizia-se que em pouco tempo “tudo seria tridimensional”. Bem, viu-se o que aconteceu depois. Hoje, até mesmo os cinemas relutam em programar filmes tendo que distribuir aqueles óculos…

Com o 4K acontece fenômeno semelhante aos primeiros tempos do 3D, só que, como bem lembrou White em sua entrevista, não há o incômodo dos óculos. “Falta mais conteúdo, mas falta principalmente uma boa quantidade de TVs 4K nas casas das pessoas”, disse ele. “Melhorou muito este ano, mas ainda é pouco. Estamos acompanhando as vendas, e é isso que será decisivo para decidirmos quanto investir em 4K”.

Lendo essas palavras, lembrei de uma conversa tempos atrás com um executivo do setor que me dizia não ver grandes vantagens para uma emissora fazer esses investimentos. “Até hoje estamos pagando pelo HD”, queixou-se ele. “É tudo muito bonito, mas a verdade é que essas novas tecnologias só nos trazem custos. Ninguém está faturando mais por exibir programas em HD, e isso também irá ocorrer com o 4K”.

Falando há algumas semanas com Raymundo Barros, diretor da Globo (conforme citamos aqui), não me pareceu que ele compartilhe desse pessimismo: “A digitalização no nosso mercado é inevitável”, disse ele. “Não há alternativa, porque os telespectadores estão expostos a padrões de qualidade crescentes. Nosso desafio é encontrar o melhor modelo de negócio”.

Na (longa) era da incerteza

“A Era da Incerteza” (The Age of Uncertainty) é um dos mais belos e influentes livros do século 20. Foi escrito pelo economista canadense John Kenneth Galbraith (1908-2006), que até quase o fim da vida não cansou de criticar seus colegas de profissão pela enorme capacidade de errarem nas previsões. Para quem tem preguiça de ler, talvez ajude o link para este vídeo, que resume a adaptação feita pela BBC, que foi exibida no Brasil pela TV Cultura/SP. Lembrei-me da obra outro dia, ao ler um economista atual comentando a “incerteza” em que vivemos hoje, no Brasil, devido às idas e vindas da economia e da política.

A palavra cabe também ao setor de televisão, por mais que o Brasil tenha excelente conceito mundial nesse quesito. Refiro-me, claro, à TV Globo, que está entre as cinco maiores emissoras do planeta, e não é por acaso. Mesmo a todo-poderosa vênus platinada (era esse o apelido da emissora no século passado) sofre com as incertezas. Como se tem noticiado, o grupo todo vem passando por grandes reformulações, com a aposentadoria de uma geração de profissionais (tanto da área técnica quanto de conteúdo) que lá esteve durante décadas. São, quase sempre, mudanças que visam equipar a Globo para ser tão forte nas novas plataformas de mídia quanto é nas TVs aberta e fechada.

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Já comentamos aqui sobre a aposta da Globo (e de sua filha mais nova, a Globosat) na tecnologia 4K, como se viu na Copa do Mundo. Na semana passada, estreou a primeira série brasileira totalmente produzida em 4K, Dupla Identidade (foto ao lado), que independentemente de fazer ou não sucesso já é um marco na história da televisão. Mas, conversando com Raymundo Barros, diretor de Engenharia da empresa, fiquei com a sensação de que ainda é pouco. “Vivemos uma incerteza muito grande em relação a esse problema das interferências do sinal 4G sobre a TV Digital”, diz ele, referindo-se ao leilão das frequências na faixa de 700MHz, marcado para o próximo dia 30.

A incerteza, também já comentada aqui, se deve à ambiguidade do governo federal, através da Anatel e do Ministério das Comunicações, que não conseguiram sequer escrever um edital de convocação coerente para o leilão. Sem entrar em detalhes, Raymundo levanta a questão central: “A arrecadação do leilão deveria garantir ao consumidor um serviço de qualidade, tanto na televisão quanto na telefonia”.

Sim, deveria. Mas, de cada dez especialistas, nove duvidam disso. Basta dizer que, a menos de uma semana de distância, ainda se corre o risco de novo adiamento provocado por incertezas técnicas e/ou jurídicas. Infelizmente, o famoso padrão Globo de qualidade, outro lema que ficou célebre no passado, não foi copiado pelo governo nem pelas outras emissoras, que mal sabem o que farão com as novas frequências, muito menos com a tecnologia 4K. Esse padrão também está longe de espelhar o que vemos no Brasil como um todo, mais ainda quando se constata a falta de políticas públicas em vários campos (a tecnologia é apenas um deles).

Quem é dono do seu nariz?

cell-privacyA discussão sobre privacidade online já quase caducou, embora persistam em alguns países – cada vez com menor repercussão – movimentos advogando a “proteção dos dados do usuário”. Como que para provar quanto de hipocrisia há nessa ideia, a Apple anunciou na semana passada que seu novo sistema operacional iOS 8, usado nos novos iPhones, contém um recurso de encriptação para impedir o acesso aos dados particulares do proprietário, incluindo fotos, vídeos e contatos. Na sequência, a Google distribuiu comunicado semelhante relativo à próxima versão do Android para tablets e smartphones.

O que chamou a atenção – e provocou reportagem detalhada do The Wall Street Journal – foi que as duas empresas usaram a expressão law enforcement em seus comunicados. Numa tradução literal, seria o puro e simples “cumprimento da lei”, garantido pelo Estado. Tradução prática: os novos aparelhos Apple e Android teriam a capacidade de impedir que a polícia ou a Justiça acessem dados armazenados pelos usuários. Consultada, a Apple reprisou o comentário feito por seu presidente, Tim Cook, durante o lançamento do iPhone 6, no último dia 9: “As pessoas têm direito à privacidade”.

Os repórteres do jornal foram ouvir suas fontes na Justiça e nas agências de segurança. Um deles fez uma analogia interessante: “O que essas empresas estão prometendo equivale a uma casa que não pode ser invadida, ou um carro cujo porta-malas não pode ser aberto”. Andrew Weissmann, ex-conselheiro do FBI, foi mais longe: “A Apple está dizendo aos criminosos ‘usem esse recurso’. No futuro, poderemos ter até terroristas se aproveitando disso”.

Outro ex-diretor do FBI foi irônico: “Essa proteção (de privacidade) será ótima até o dia em que uma criança for sequestrada e nós não pudermos localizá-la devido à tecnologia. Quem vai assumir a responsabilidade?”

Pelo jeito, a polêmica está apenas começando. Na realidade, qualquer pessoa tem o direito de se deixar enganar por um fabricante que garanta “privacidade total”. Mas, como já disse o cientista Tim Berners-Lee, na internet isso não existe.

Dolby Atmos já está nos filmes em Blu-ray

dolby-atmosDolby Atmos é um dos principais assuntos do momento entre fabricantes e integradores de sistemas de áudio e vídeo. Já comentamos algumas vezes neste blog. É um novo processamento da Dolby que utiliza mais canais de áudio (na teoria, até 64!!!) para preencher a área superior da sala, acima das cabeças dos ouvintes, que com isso têm maior sensação de envolvimento sonoro (mais detalhes aqui). Alguns fabricantes já estão lançando, inclusive no Brasil, receivers dotados desse codec, ou preparados para a atualização de firmware, via internet (entre eles Onkyo, Integra e Yamaha). O problema é que ainda não foram lançados filmes com essa codificação, o que está previsto para este fim de ano.

Mas, espere, não foram lançados mesmo? Não é o que diz o site americano Big Picture Big Sound, cuja equipe se dedica a investigar os bastidores da indústria de áudio e vídeo. Segundo eles, qualquer player Blu-ray pode proporcionar o “efeito Atmos”, embora nem a Dolby nem os respectivos fabricantes tenham se pronunciado a respeito. Teoricamente, são necessários quatro elementos para isso:

*Um receiver ou processador surround com processador Atmos;

*Um disco pré-gravado com esse codec.

*Um player Blu-ray capaz de decodificar o sinal no disco;

*Pelo menos uma caixa acústica adicional, posicionada no teto;

Acontece que o tal código é registrado no disco sobre as trilhas Dolby Digital Plus e Dolby TrueHD, numa camada de dados que é “invisível” para esses dois decoders. Mas, se o player consegue identificar esse processamento, não há por que não ler o sinal Atmos. Para perceber o efeito, o usuário precisa apenas ajustar o modo de saída para BITSTREAM, via HDMI, em lugar da saída de áudio convencional (óptica ou coaxial). Se tiver uma ou mais caixas acústicas na posição correta, os efeitos sonoros se espalharão pela área superior do ambiente.

Só um probleminha: isso tudo também é teoria. Nada foi testado na prática. De nossa parte, estamos aguardando a chegada de um receiver Atmos para tirar a prova.

Design de TVs: olho nos detalhes

Avant-4K 85Como comentei aqui, estive na semana retrasada visitando a sede da Bang & Olufsen, empresa famosa pelo design avançado de seus aparelhos. Lá, pude conhecer – entre vários produtos inovadores – a nova linha de TVs Avant, que marca a entrada da empresa dinamarquesa no segmento Ultra-HD. São dois modelos, de 55″ e 85″, que estão chegando ao mercado americano e a alguns países europeus em outubro. Como quase sempre acontece com a B&O, são produtos para ambientes requintados e usuários com uma folgada conta bancária (o modelo menor tem preço sugerido de US$ 7.995 nos EUA; o maior sai por US$ 22.700).

Avant detalhe baseE, também como é praxe na empresa, são TVs diferentes de tudo que já vimos antes. Conversei com Ole Moltsen, gerente de produto da B&O e um dos “pais” da linha Avant, sobre o conceito por trás de um TV que tem os alto-falantes escondidos (só aparecem quando o aparelho é ligado) e uma base metálica (detalhe ao lado) que se move suavemente para colocar a tela na posição ideal. “A ideia é provocar o usuário”, explicou Moltsen. “Ao acionar o controle remoto, a peça começa a se impor no ambiente, como que anunciando um grande espetáculo que irá começar”.

É, só mesmo vendo para crer: assistam a estes vídeos de demonstração.

Moltsen e outros executivos com quem falei reafirmaram a preocupação da B&O com cada detalhe de seus produtos. Tudo é feito lá mesmo, na Dinamarca, e cada peça é checada antes de sair. Visitando parte da fábrica, a sensação é de estar numa enorme oficina de artesanato, dessas em que artistas passam horas refinando cada obra, o que, aliás, é mostrado neste outro vídeo produzido pela empresa. O gerente Jesper Abell, que me guiou pelo tour, falou com orgulho: “Nada sai daqui sem ser testado e verificado. Era a filosofia dos fundadores, e todo mundo que vem trabalhar conosco tem que seguir”.

Em futuros posts, vou comentar mais sobre essa “filosofia”. A B&O é, em muitos aspectos (não só no design), uma empresa-modelo. Só lembrando: em novembro, será inaugurada em São Paulo a primeira das novas lojas-conceito Bang&Olufsen no Brasil.

Crestron, agora sob novas mãos

crestron-pyngApós mais de 15 anos de vínculo com a Syncrotape, a Crestron – ainda a marca mais tradicional do mundo na área de automação – está mudando de mãos no Brasil. A empresa acerta os detalhes finais para ser distribuída por outra catarinense, a Som Maior, que até agora não tinha nenhuma marca desse segmento. Um evento em outubro deverá oficializar a união. A Crestron Latin America continua responsável pela distribuição no mercado corporativo. Para o residencial, a Som Maior passa a oferecer toda a vasta linha de produtos da marca: centrais de automação, painéis de controle, dispositivos para streaming, multiroom de áudio e vídeo, soluções em iluminação, persianas etc. Também fará o lançamento oficial do aplicativo Pyng (acima), que acaba de ser anunciado na CEDIA Expo. Segundo a Crestron, essa solução engloba todos os dispositivos da casa, de tal forma que o usuário pode ele mesmo fazer os ajustes que quiser, inclusive quando estiver fora de casa (este vídeo dá mais detalhes).

Canal de TV 4K já está no ar

canal 4KEm julho, meio sem alarde, a direção do Consórcio DVB, que coordena as atividades de TV digital na Europa, liberou as especificações para transmissão em Ultra-HD. Essa liberação era necessária para sinalizar às emissoras de todo o continente, que agora podem planejar a entrada no ar de canais com esse tipo de conteúdo. Ingleses e alemães estão à frente nesse processo, e aguarda-se para início de 2015 as primeiras transmissões regulares.

Também em julho, entrou em operação o NexTV, primeiro canal totalmente em 4K, bancado por um consórcio de empresas liderado pelo Ministério das Comunicações de Assuntos Internos do Japão. Na verdade, esta é a segunda experiência do gênero: desde 2013, já existe um canal mantido pela fabricante de satélites Eutelsat, mas com transmissões não contínuas. O NexTV é, de fato, o primeiro que mantém conteúdos em 4K no ar continuamente, 24 horas por dia. Há ainda o projeto da emissora estatal japonesa NHK, que já comentamos aqui, cuja prioridade é levar ao público sinal 8K, não 4K, e com meta definida: estar pronto e funcionando até 2020, quando acontecem os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Tanto o padrão 4K europeu quanto o japonês seguem os mesmos princípios fundamentais. Além da resolução 3.840 x 2.160 pixels, o sinal é codificado em HEVC, método de compressão mais eficiente até hoje, na frequência de 60 quadros por segundo (60P). Na prática, tudo isso é um grande balão de ensaio, e não há como prever quando essas transmissões serão acessíveis no Brasil.

Para quem não quer esperar, uma boa alternativa é o recém-lançado high4k.com, primeiro canal online de conteúdos exclusivamente Ultra-HD. Quem tiver um TV compatível com acesso à internet (e uma boa banda larga) já pode assistir a shows, documentários e programas esportivos captados com câmeras UHD, todos com áudio em inglês. Não deixa de ser um bom aperitivo.

Qual é a vida útil dos equipamentos?

MH900250899-300x300A propósito do assunto garantia, acaba de sair nos EUA mais uma pesquisa da CEA (Consumer Electronics Association) sobre o controverso tema da obsolescência dos equipamentos eletrônicos. O relatório CE Product Life Cycle se baseia em entrevistas com usuários americanos de vários produtos: TVs, câmeras, players (DVD e Blu-ray), computadores, tablets, celulares e consoles de videogame. Eles responderam a duas perguntas básicas: quanto tempo duram seus aparelhos? E o que você faz quando eles param de funcionar?

O tempo médio de uso, entre todos os produtos, é de cinco anos. Os TVs são os de vida útil mais longa (7,4 anos), e os celulares os que duram menos (4,7 anos). A diferença em relação a países como o Brasil (embora aqui nunca tenha sido feita pesquisa equivalente) é que, nos EUA, já segue acelerado um programa nacional de reciclagem de eletrônicos, adotado pela indústria com apoio dos varejistas e forte adesão dos consumidores, segundo a CEA. Lá, a maioria, quando seu aparelho não serve mais, procura um posto de reciclagem ou uma loja credenciada para isso; existem centenas delas espalhadas pelo país.

Mais garantia para os eletrônicos

A Associação Proteste, uma das mais ativas na defesa do consumidor no país, iniciou campanha online para pressionar o Congresso a alterar a legislação referente à garantia de aparelhos eletroeletrônicos. Após detalhado estudo, a entidade constatou que o Brasil está (só para variar) muito atrasado nessa questão. Enquanto na maioria dos países europeus, por exemplo, a garantia média oferecida pelos fabricantes é de dois anos, aqui grande parte dos produtos perde o benefício três meses após a compra.

Não é o caso de TVs e equipamentos de áudio, cujo prazo normalmente é de um ano. Mas quem adquire um computador, câmera, tablet ou smartphone ganha boas dores de cabeça caso o aparelho apresente problemas. Além do aborrecimento, o brasileiro ainda tem o péssimo hábito de não se preocupar com reciclagem. Resultado: 79% dos produtos que falham são simplesmente trocados por novos; a maioria acha que nem vale a pena tentar consertar e os descarta em qualquer lugar.

A campanha está na internet, na forma de uma petição (para assinar, acesse aqui) propondo que o prazo de garantia seja regulamentado em dois anos para todos os produtos. Há ainda um longo caminho pela frente. Já aderiram pouco mais de 6 mil pessoas, e são necessárias 100 mil assinaturas para que o projeto seja encaminhado ao Congresso. Nesta época de eleição, algum candidato mais atento, e em busca de reeleição, poderia encampar a ideia. Dificilmente seria aprovada agora, mas poderia ganhar bons votos.