É o fim do filme (de celuloide)

3429004783_fdb92be482_oO estúdio Paramount Pictures é o primeiro a anunciar que não irá mais lançar filmes em película de celuloide. O Lobo de Wall Street, superprodução premiada que a empresa lançou no final do ano passado, foi a primeira com distribuição 100% digital. Executivos de Hollywood citados pelo jornal Los Angeles Times acham que ao longo de 2014 a tendência é que os outros grandes estúdios façam o mesmo.

O filme de 35mm foi usado pela primeira vez em 1894. Com o tempo, tornou-se padrão mundial e, do ponto de vista tecnológico, pode-se afirmar que é um milagre ainda ser usado hoje, 120 anos depois. Mas é da vida. Nos EUA, 92% dos cinemas já adotaram equipamentos digitais – muitos nem sabem mais o que é um projetor de película. Por mais que tenhamos certa relação de afeto com o cinema tradicional (assim como tínhamos com o filme Kodachrome), é preciso encarar a realidade digital.

Não sem controvérsias, claro. Sabe-se que uma cópia de filme em celuloide custa hoje em torno de US$ 2 mil nos EUA; no Brasil, por volta de R$ 7 mil. Lá, por 100 dólares consegue-se produzir a cópia em disco rígido com a mesma qualidade. Considerando que uma produção de sucesso é exibida geralmente em 150 mil salas (um terço delas nos EUA), pode-se calcular a economia de escala.

Mais: nos últimos anos, os estúdios vêm financiando as grandes redes de cinema americanas no trabalho de reequipar as salas, instalando projetores e players digitais, além dos HDs onde os arquivos ficam armazenados; muitas salas têm instalado também antenas parabólicas, para receber os filmes via satélite. Imaginem o que tudo economiza em logística, transporte, armazenamento etc.

Sei, você deve ter pensado nos pequenos cinemas de sua cidade. E talvez, como eu, lembrado do menino e do projecionista de Cinema Paradiso (da foto acima), para mim o melhor filme já feito sobre o tema. Sim, muita gente está perdendo o emprego com essa “evolução”. Melhor ficar com as lembranças. Este é um mundo (cada vez mais) digital.

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Leilão 4G: quem dá menos?

É quase certo que será adiado, pela enésima vez, o leilão das frequências de 700MHz que servirão de base para as futuras redes de celular 4G. Na semana passada, representantes das emissoras estiveram no Palácio do Planalto e explicaram à presidente Dilma os riscos envolvidos; as operadoras de telefonia já tinham feito o alerta. Pela primeira vez, os dois setores se unem numa reivindicação. Portanto, o governo só vai manter a data fixada (agosto próximo) se quiser embolar ainda mais essa já conturbada área da infraestrutura brasileira.

Quando surgiram as primeiras discussões sobre 4G no Brasil, ali por volta de 2008, a esperança era que se pudesse chegar à Copa de 2014 com pelo menos parte da rede funcionando nas cidades-sede. Seria um grande avanço para o país. No entanto, como em tantos outros setores da infraestrutura, a Copa até agora serviu apenas para consumir recursos em estudos e consultorias de telecom e TI (vide o atraso nas instalações de telecom nos próprios estádios). Foram estudos tão bem feitos que somente no ano passado descobriram as interferências das redes 4G sobre as transmissões de TV digital (e vice-versa)…

Nesta segunda-feira, mais um grupo de pressão veio se juntar às emissoras e operadoras. O Conselho de Comunicação Social, do Senado, pediu a suspensão da consulta pública que a Anatel está fazendo visando ao leilão. O CCS simplesmente atendeu a um pedido da Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais), que deseja um pedaço da faixa de 700MHz para colocar seus canais digitais. Walter Ceneviva, jurista e membro do Conselho, teve bom senso para resumir a questão: “Antes de realizar o leilão, é preciso resolver o problema das interferências.”

Tão simples e cristalino, não? E, no entanto, ninguém no governo havia pensado nisso até agora.

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Nem imagina na Copa…

PTT: Ponto de Troca de Tráfego. Já tinha ouvido falar? Nem eu. É a sigla que identifica o sistema de conexão entre as redes de internet no Brasil. O CGI (Comitê Gestor da Internet), órgão que dita as regras no setor, criou o PTTMetro, projeto que visa ordenar as redes e seus acessos, especialmente nas regiões metropolitanas, onde a demanda é maior. Pois é justamente nesses locais que reside a grande ameaça conforme se aproxima a Copa do Mundo: a rede não aguenta!

A denúncia foi feita ao site Convergência Digital por Eduardo Reis, responsável pelo PTT no Rio de Janeiro, cidade onde, diz ele, a situação é mais grave. Com o aumento de demanda esperado para o evento, existe sim o sério risco de que as conexões não suportem, prejudicando os usuários (pessoas físicas e jurídicas). Segundo Reis, o sistema de PTTs é o que permite, por exemplo, que uma conexão de internet entre dois usuários que estão em Manaus seja realizada com rapidez; não fosse essa estrutura, a conexão teria que ser feita com outra praça (ex: Manaus-RJ-Manaus), resultando em mais demora e custo mais alto.

Bem, este é apenas um dos problemas – e nem sei se o mais grave. Bem ao oposto do que vem dizendo o governo desde 2007 (leiam esta entrevista do então ministro de Ciência e Tecnologia, Aloysio Mercadante, concedida em 2011), o que estamos vendo é um amontoado de incompetências e irresponsabilidades. Nem vou falar da preocupação com aeroportos, transporte e segurança (vejam o que diz este especialista). Limito-me à questão da tecnologia.

Diz o TCU (Tribunal de Contas da União) que apenas 11% do valor referente às licitações da Anatel para os estádios e demais instalações da Copa foram contratados. O site Jogos Limpos, criado pelo Instituto Ethos para acompanhar o tema, não se cansa de denunciar as falhas de planejamento e execução dos projetos. Operadoras de telecom, cuja tarefa é instalar as redes e fazê-las funcionar nos momentos de maior demanda, já parecem entregar os pontos.

E, no entanto, quem lê o Portal da Copa, mantido pelo governo federal para supostamente prestar contas sobre o evento, pode até achar que tudo está na santa paz. Nem dá pra imaginar na Copa.

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O grande show da TV mundial

4-1_4K60pInputComeçou neste sábado em Las Vegas, e vai até quinta-feira (10/04), a edição 2014 da NAB, maior feira de equipamentos para rádio e televisão do mundo. Tão gigantesca quanto a CES, é lá que são tomadas muitas decisões visando o futuro desse mercado. A NAB (National Association of Broadcasters) reúne as principais redes de TV do planeta, inclusive algumas brasileiras, e os maiores fabricantes de equipamentos. Seu evento, portanto, proporciona um panorama de tudo o que acontece no setor.

Como não poderia deixar de ser, a tecnologia Ultra-HD é a maior atração este ano, como já fora nos dois anos anteriores. Está programada a primeira demonstração pública de transmissão em 4K 60P realizada nas Américas. Os visitantes poderão assistir a um vídeo transmitido em tempo de real, de Nova York para Las Vegas, numa realização conjunta das empresas Sony e Cisco.

Pela descrição, as imagens serão captadas em NYC com uma câmera Sony 4K F55 e codificadas no padrão HEVC usando um encoder Cisco Videoscape AnyRes; por uma rede de fibra óptica, o sinal será enviado para o Las Vegas Convention Center, onde um decoder da mesma Cisco fará a recepção, distribuindo-o então para TVs Sony 4K XBR instalados nos estandes das duas empresas.

É mais uma etapa nos testes para as futuras transmissões em UHD. Como já comentamos aqui, empresas como Sony, Panasonic e as redes NHK (Japão) e BBC (Inglaterra) têm feito várias experiências desse tipo (vejam aqui e aqui). A diferença, agora, é que se está trabalhando com sinal 60P, também chamado full-frame, bem mais complexo e avançado que o atual 24P.

O número corresponde à frequência de leitura do sinal, em hertz, ou seja, quantas vezes por segundo cada quadro de imagem é lido pelo player e reproduzido pelo display. Como se sabe, em cinema (película) a frequência-padrão é de 24 quadros por segundo (fps); na transferência para disco (DVD ou Blu-ray), a frequência é alterada para 30fps. A letra “P” identifica o processamento progressivo do sinal; nas transmissões de TV digital, utiliza-se o processamento entrelaçado (“i”, do inglês interlaced).

Com a chegada do UHD, e sua quantidade de dados quatro vezes maior, torna-se necessário um processamento mais rápido, daí porque o surgimento das câmeras de vídeo 60P, que já captam a imagem na frequência de 60 quadros por segundo. Os TVs 4K mais avançados vêm preparados para reproduzir esse tipo de imagem. Para quem gosta de memorizar números, o sinal obtido dessa forma seria 60/2.160p. Trata-se de um salto enorme em relação à qualidade da televisão atual, que é 30/1080i.

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Netflix em 4K, já no ar

Conforme anunciado desde novembro, a Netflix começou neste domingo a oferecer streaming da sua série mais famosa, House of Cards, em versão Ultra-HD (4K). Segundo a empresa, por enquanto somente quem tiver um TV 4K com o aplicativo embutido, ou um TV com o decodificador HEVC (H.265), tem condições de assistir. E, claro, é necessária uma conexão de banda larga pelo menos quatro vezes mais rápida – a empresa fala em 20 megabits por segundo.

O site britânico HDTV Test publicou que está testando um TV Samsung HU8500 e que conseguiu fazer o streaming em 4K com algo em torno de 15.6Mbps. Fizeram até uma “tela de teste”, onde o usuário consegue comparar a qualidade com o tradicional Super-HD. Suas primeiras impressões indicam que “não há muita diferença”, vejam só, com exceção das cores mais brilhantes.

Seja como for, essa novo pioneirismo da Netflix certamente vai arrastar todos os fornecedores de conteúdo online a apressar seus planos em relação ao 4K. E dá-lhe banda larga para suportar tudo isso.

Sim, continua sendo – e continuará ainda por um bom tempo – um mercado de nicho. Exatamente como os carros Porsche, os vinhos Romanée Conti, os equipamentos Bang & Olufsen etc. Mas esse é apenas um detalhe. Já se pode afirmar que o 4K veio para ficar.

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David Letterman e a aposentadoria

letterman-obama-0912_jpg_630x420_q85“Sempre disse que, quando o programa deixasse de ser uma diversão, dez anos depois eu me aposentaria”, anunciou David Letterman, em seu velho estilo meio sério, meio cômico. Foi na noite desta quinta-feira, perante milhões de telespectadores que há anos acompanham o Late Show pela rede americana CBS e suas inúmeras afiliadas (no Brasil, o programa vem sendo exibido pelo canal pago Record News; antes, era do GNT).

Para quem não está familiarizado, pode-se afirmar que a aposentadoria de Letterman – que deve se consumar no ano que vem – equivale nos EUA ao que seria, aqui, a de Jô Soares e seu famoso programa de entrevistas. Letterman, que tem 67 anos, está no ar pela CBS desde 1993, após 11 anos fazendo o mesmo tipo de programa (então chamado Late Night Show) na concorrente NBC. Pelas suas contas, foram quase 6 mil apresentações até hoje, geralmente gravadas à tarde e exibidas à noite, o que provavelmente representa um recorde mundial. Johnny Carson, seu antecessor, manteve-se no ar durante 30 anos (1962-1992); na foto abaixo, os dois juntos, em 1990.

carson-letterman-decoder-blog480Além de ser mais liberal do que Carson, conhecido por seu anticomunismo e apoio ao Partido Republicano, Letterman se transformou num dos homens mais influentes do planeta graças a uma simpatia contagiante. Ao assumir o programa, criou sua “equipe de palco”, composta por uma pequena banda, um garçom que serve bebidas aos convidados e assistentes que volta e meia fazem números cômicos em meio às entrevistas. Pode-se dizer que, nos EUA, ninguém que possa ser definido como “celebridade” deixou de sentar-se no seu famoso sofá, por onde também passaram as brasileiras Fernanda Montenegro e Gisele Bündchen.

Um sofá tão famoso, aliás, que foi copiado em programas de entrevistas no mundo inteiro – no Brasil, entre outros, pelo próprio Jô, que também adaptou aqui a ideia da “equipe de palco”. Mas nem Jô, artista de multitalentos, consegue manter o pique de Letterman: seu programa é “diário”, mas as gravações são semanais. Letterman vai religiosamente todos os dias ao teatro da CBS em Nova York, esquina da Broadway com Rua 53. Sua retirada de cena será um marco na TV mundial.

Vejam aqui o vídeo em que ele anuncia a despedida. Como disse Ruy Castro quando da morte de Tom Jobim, quero ver arrumarem outro.

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Samsung e a “casa inteligente”

smart homeA palavra smart vem sendo tão utilizada ultimamente que às vezes as pessoas imaginam coisas. Dia desses, um amigo me perguntou se chegará um dia em que o computador será mais “inteligente” que o ser humano. Sugeri que assistisse a 2001 – Uma Odisseia no Espaço, filme de Stanley Kubrick lançado em 1968, em que o tal dilema é levado às piores consequências. Pois é, há 49 anos – o conto “The Sentinel”, de  Arthur Clarke, que deu origem ao filme, é de 1965 – já havia a resposta para a dúvida do meu amigo.

O “smart” atual (aliás, a palavra jamais é usada no filme) não se aplica apenas aos computadores, mas a tanta coisa… Vejam que a Samsung acaba de lançar, nos EUA e na Coreia, algo chamado Smart Home, por sinal já apresentado na última CES (detalhes aqui). Trata-se de mais uma plataforma, como se diz atualmente: todos os aparelhos da marca podem se conectar a um mesmo servidor remoto, passando a ser comandados por um único dispositivo – o mais comum, claro, é um smartphone ou tablet.

Exemplo dado pela própria Samsung: antes de dormir, você diz “boa noite” ao seu celular e este, automaticamente, vai desligando todos os aparelhos da casa que estejam integrados à plataforma, inclusive luzes, ar condicionado e até a geladeira (bem, esta provavelmente você não vai querer desligar; para isso, dá-se um jeito). A mesma plataforma permite checar, a qualquer momento, a situação da casa, ou melhor, dos aparelhos conectados, via smartphone.

aspirador

 

 

Para ter toda essa comodidade, tudo que o usuário precisa fazer é abrir uma conta no site Samsung Smart Home e ali cadastrar todos os aparelhos que quiser. Segundo o site especializado The Next Web, o presidente da empresa, Won Pyo Hong, quer logo trazer para o esquema sua linha completa de eletreletrônicos, incluindo o robô aspirador de pó ao lado e os gear fit, que são acessórios esportivos (por ex, medidores de pressão e batimentos cardíacos para uso em corridas).

Se depender dele, será tudo smart!

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Amazon entra no jogo da nova TV

amazon fire TVDepois de desmentir, na semana passada, que iria lançar um serviço gratuito de streaming de vídeo (notícias que comentamos aqui), a Amazon apresentou nesta quarta-feira, em Nova York, o Fire TV. Embora tenha a aparência de um Apple TV e de caixas semelhantes, o aparelho pretende mesmo atrair quem gosta do Netflix e do YouTube como fontes de vídeos online. Pagando 99 dólares (preço nos EUA, válido a partir de hoje), o usuário recebe o aparelho para ser conectado a qualquer TV, junto com um controle Bluetooth; mais US$39 e pode encomendar um controle remoto especial, desenhado especialmente para os gamers.

A lista de serviços que podem ser acessados com o Fire TV (foto) é bem razoável. Além dos onipresentes Netflix, YouTube e Pandora, inclui conteúdos da Disney, ESPN, Showtime, NBA (liga de basquete dos EUA) e vários outros que só atuam por lá. Na apresentação do produto, a Amazon promete um catálogo com mais de 200 mil títulos, entre filmes, episódios de séries e documentários, além de “milhões de canções”. Destaca ainda a rapidez de seu processador de quatro núcleos e a criação da Amazon Game Studios, empresa encarregada de desenvolver jogos para essa plataforma.

Numa tentativa de driblar os aparelhos concorrentes que exigem digitação, o controle remoto do Fire TV vem equipado com microfone: o usuário pode fazer seus comandos por voz. Claro, por enquanto apenas os americanos podem comprar. Mas, como a Amazon parece mesmo querer desbancar a Netflix, essa deve ser uma aposta mundial.

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Netflix e o almoço grátis

free_lunch1“Não existe almoço de graça”, brincou James Cicconi, vice-presidente da AT&T, uma das maiores operadoras de telecom do mundo, ao ler a sugestão da Netflix de que as conexões de banda larga deveriam ser gratuitas. A polêmica foi esmiuçada, na semana passada, por vários sites de tecnologia. Tem tudo para acabar entrando no rol das grandes piadas do mundo empresarial.

Para quem não acompanhou: o presidente e fundador da Netflix, Reed Hastings, publicou em seu blog uma crítica feroz aos provedores de internet, que querem aumentar o preço de seus serviços. Recentemente, a empresa sofreu pelas redes sociais uma enxurrada de críticas de assinantes, devido à lentidão no acesso a seus conteúdos. Para evitar maiores estragos a sua imagem (e a consequente perda de receitas), Hastings fez um acordo com a Comcast, maior provedora dos EUA, para pagar a mais por sua conexão. “Somos favoráveis à neutralidade na internet”, escreveu ele, “por isso achamos que os provedores deveriam fornecer o acesso sem custo. Afinal, estamos prestando um serviço aos nossos clientes, e só enviamos o conteúdo que eles solicitam”.

Tanto AT&T quanto a própria Comcast divulgaram comentários irônicos a respeito. “Não existe almoço de graça, e também não existe entrega gratuita de filmes. Alguém tem de pagar”, questionou Cicconi, classificando a proposta de “arrogante”. Para ele, a queixa só existe porque a Netflix ganha muito dinheiro vendendo seus conteúdos. “É o preço que se paga para manter um serviço de sucesso. A Netflix acha que esse custo deve ser pago por todo mundo que usa a internet, não apenas pelos seus assinantes. Quero ver se ele consegue convencer as pessoas disso.”

Como se vê, não é só no Brasil que existem espertinhos querendo almoçar de graça.

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Os riscos do Marco Civil

Como se temia, o Marco Civil da Internet foi aprovado às pressas, em meio a pressões e paixões que deixam um péssimo cheiro no ar. Antes de prosseguir com o raciocínio, duas observações importantes: 1) na verdade, o projeto foi “apenas” aprovado na Câmara dos Deputados; agora, precisa passar por uma fila de comissões técnicas no Senado e, se tudo correr bem, ser votado no plenário. 2) alguém pode lembrar que as discussões sobre o projeto duraram três anos, mas apenas recentemente, quando ficou travada a pauta de votações na Câmara, é que ganhou o merecido destaque na mídia; até então, era um debate árido entre especialistas e entidades de classe, cada uma defendendo seus interesses.

“Disputa pelo Marco Civil termina em sorteio”, é a manchete com que nos brinda o site Convergência Digital, um dos que vêm acompanhando mais de perto esse debate. Sabe-se lá que acordos propôs o governo para ver, enfim, seu projeto aprovado, após meses de chantagem da sua base aliada. Como dissemos aqui dias atrás, um tema tão importante para o país não poderia ter caído nas mãos dos políticos, mas foi justamente o que aconteceu.

Claro, estamos numa democracia, e as leis devem passar pelo Congresso. Mas receio que o otimismo revelado por entidades de defesa do consumidor, como o Idec, tenha vida curta: nossos parlamentares, em pleno ano eleitoral e com o país dividido como está, vão pensar em tudo, menos nos interesses da população, quando tiverem que tomar a decisão final.

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HD, Full-HD, 3D, OLED e 4K

TVsAntes de mais nada, um pedido de desculpas aos leitores por uma semana sem atualizações (e sem aviso) neste blog. Voltamos à carga hoje, com várias novidades acumuladas na caixa de mensagens e uma infinidade de assuntos que pipocaram nos últimos dias. Aos poucos, vamos tentar colocar tudo em dia.

Com a proximidade da Copa do Mundo, tornam-se mais comuns as notícias – boas e más – sobre o evento. As más ficam para a seção Jeitinho Brasileiro, onde de vez em quando damos nossos pitacos sobre este país e seu povo. Por aqui, vale a pena destacar, por exemplo, a chegada ao mercado, em quantidade e variedade, de uma nova geração de TVs. Nem poderia ser diferente. Em ano de Copa, tradicionalmente os semestres se invertem e o período janeiro-junho concentra mais de 60% das vendas. Tem sido assim desde sempre. Este ano, com a Copa acontecendo no Brasil, há mais destaque para o tema na mídia, e talvez esse percentual suba ainda mais.

Conversando com executivos dos principais fabricantes, o que se nota é uma certa ansiedade em não “errar o ponto” no quesito custo-benefício. A competição é intensa, principalmente entre os três maiores (LG, Samsung e Sony), o que geralmente acaba sendo bom para o consumidor. Enquanto a japonesa lidera no segmento de telas grandes, as duas coreanas disputam palmo a palmo o primeiro lugar em volume de vendas – leia-se TVs abaixo de 40 polegadas. E, na faixa intermediária (de 46″ a 60″), a oferta nunca foi tão variada e os preços, tão convidativos.

A Sony, por exemplo, lançou o TV 4K mais barato do mercado (até agora), de 55 polegadas, com preço sugerido de R$ 11.999. Esta semana, chegam os novos Full-HD: 40″, 42″, 48″, 60″ e 70″, este por R$ 11.499.

A Samsung, que como já dissemos aqui reduziu bastante seus preços (assim como fez a LG), é a que tem hoje a linha mais variada: modelos LED-LCDs de 40″, 46″, 50″, 55″, 60″, 75″, plasma de 43″, 51″, 60″ e 64″, além dos 4K e OLED. Apenas para referência, o modelo de 75″ está na faixa de R$ 13.999.

Por sua vez, a LG tem LEDs de 42″, 47″, 50″, 55″, 60″, 65″ e 72″; e plasmas de 42″, 50″ e 60″; também oferece dois modelos OLED e, como as demais, três TVs 4K.

Ou seja, é uma boa briga. Vale a pena lembrar que quase todos esses aparelhos são Full-HD – o velho HD (720p) caminha célere para a extinção, até porque hoje em dia, com exceção de alguns plasmas, a diferença de preço é mínima. O recurso 3D, que um dia foi grande atrativo, hoje é quase default, ou seja, “vem no pacote”.

Sim, o Brasil é imenso, e há muita gente que pretende ver a Copa num TV HD, pois até outro dia ainda assistia seu futebol e sua novela num modelo de tubo! Todo mundo que já passou por isso sabe a diferença, cósmica, entre os dois tipos de aparelho. Parabéns aos que podem dar esse salto de qualidade. Por falar nisso, também estão contados os dias dos TVs LCD convencionais, com lâmpada, superados pelos LED-LCDs.

Enfim, estamos preparando uma edição especial da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL sobre o assunto e, nas próximas semanas, vamos falar também das outras marcas que atuam no segmento de telas grandes.

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TVs: as novidades para este ano

digital exp2Na manhã desta terça-feira, fomos conferir os lançamentos da LG para este ano. O evento Digital Experience, que já se tornou tradicional (é realizado há dez anos), serve para mostrar à imprensa e aos revendedores da marca tudo que a empresa pretende trazer ao país até dezembro. Como dissemos ontem, nesta quarta também o público poderá conferir as novidades, no Expo Transamérica, em São Paulo.

São mais de 500 produtos, incluindo TVs, áudio/vídeo, informática, celulares, linha branca etc. Mesmo tratando aqui apenas de TVs, não haveria espaço para comentar tudo – são, ao todo, 47 modelos, a saber: seis do tipo led UHD; três OLED; cinco TVs de plasma, cinco led HD e 28 led Full-HD. A maioria dos produtos foi mostrada na CES, em janeiro (nosso hot site traz mais detalhes). O maior dos TVs, um 4K de 98 polegadas, não chegou a tempo de ser mostrado no evento. Ainda assim, há muita coisa interessante para ver.

Conversando com os executivos da LG, deu para perceber como a empresa está dando importância à disputa pela liderança no segmento de TVs. Na corrida ombro a ombro com Sony e Samsung, não há espaço para erros. Uma das estratégias é sair na frente com aparelhos de alta tecnologia, mesmo que, num primeiro momento, o volume de vendas não seja muito expressivo. “Hoje, Full-HD representa quase 90% das vendas em telas grandes (acima de 46 polegadas)”, me disse Roberto Barboza, diretor de vendas da LG. “Mas achamos que o 4K vai crescer muito, à medida que o consumidor for conhecendo melhor seus benefícios.”

Em maio, saem modelos de 49″ e 55″, juntando-se aos de 65″ e 84″ que já estão nas lojas; no segundo semestre, estes dois – lançados no ano passado – serão substituídos por tamanhos equivalentes e o consumidor encontrará duas novas opções: 79″ e 98″. A distribuição está sendo ampliada para 400 lojas em todas as regiões do país, onde certamente há muita gente que nunca teve sequer a oportunidade de ver um aparelho desses funcionando.

Trabalho semelhante será feito, embora de modo mais lento, com os TVs OLED, que também estão sendo mostrados no Digital Experience. E você pode não acreditar, mas a LG mantém em linha cinco modelos de plasma (42″, 50″ e 60″), sendo quatro deles ainda em resolução HD (720p), não Full-HD (1080p). “Em volume de vendas, os TVs HD ainda são imbatíveis”, garante Barboza.

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Tecnologia para a galera ver

Nesta quarta-feira, a LG realiza em São Paulo um evento inédito: das 14 às 21hs, o Expo Transamérica será aberto ao público para exibir os produtos que a empresa pretende lançar ao longo do ano. A promessa é de mostrar os novos TVs OLED e Ultra-HD e o smartphone G Flex (que tem design curvo), entre dezenas de outros produtos. Tudo faz parte do já tradicional Digital Experience, evento que a empresa realiza sempre nesta época do ano. Até 2013, era um encontro fechado, apenas para jornalistas e revendedores. Agora, o público interessado também entra (sem pagar). Vamos observar as reações.

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Políticos invadem a rede

m,arco civil

 

Já dizia De Gaulle que “política é uma coisa importante demais para ser deixada nas mãos dos políticos”. Quanto mais leio e converso sobre o Marco Civil, que o Congresso ensaia votar há meses, mais me convenço de que a internet está na mesma categoria. Tudo ia razoavelmente bem enquanto especialistas discutiam o assunto; quase havia consenso de que o país precisa, mesmo, de uma legislação moderna e avançada sobre o tema, preservando a essência dessa mídia – a liberdade do usuário – e prevendo as devidas responsabilizações para quem fizer mau uso dessa liberdade.

Bastou ser transformado em projeto de lei (hoje com o número 2126/2011) para o Marco Civil ser abocanhado por políticos, de vários partidos, que tentam fazer do texto mais uma moeda de troca em suas negociatas. Despreparado tecnicamente e fragilizado diante de tantos escândalos de corrupção, o governo só podia mesmo chegar aonde está hoje: de joelhos diante da chamada “base aliada”, que há tempos deixou de ser “base” e se revela cada vez menos “aliada”.

Os dois pontos cruciais do projeto são os artigos 9, que trata da neutralidade da rede, e 20, sobre a responsabilização dos provedores. Neutralidade é tema polêmico no mundo inteiro, pois significa tratamento igual para todos os usuários e fornecedores de conteúdo, independente do que produzam ou acessem. É o motivo, por exemplo, da briga entre a Netflix e as teles americanas, que não acham justo fornecer de graça suas estruturas de rede para a empresa faturar milhões com a distribuição de filmes. Os dois lados têm argumentos defensáveis.

Mas neutralidade significa mais do que isso. Colocada em lei, impediria que qualquer órgão de governo invadisse os dados de um usuário, a não ser em caso explícito de ameaça à segurança de outras pessoas ou empresas. É exatamente o que vem fazendo a NSA, agência de segurança do governo americano, contra a qual se voltam todas as pessoas e instituições que defendem a liberdade na rede.

Já a questão da responsabilização me parece ainda mais perigosa. O texto original que está no Congresso prevê que um provedor de internet não pode ser responsabilizado caso um usuário utilize sua conexão para ofender ou difamar. Como bem lembra o repórter Luiz Osvaldo Grossmann, do site Convergência Digital, vale aqui a analogia com os carteiros, que jamais podem ser culpados pelo conteúdo das correspondências que entregam. Alguns políticos, porém (sempre eles), são contra; querem derrubar o artigo 20, apelando para o antiquíssimo pretexto do “ataque à honra”, como se já não houvessem leis suficientes a respeito.

O assunto realmente é complicado, daí por que talvez seja mesmo o caso de deixá-lo em discussão por mais algum tempo, de preferência com maior envolvimento da sociedade. Agora mesmo, o “pai da internet” Tim Berners-Lee divulgou apelo para que o texto original seja aprovado como está, no que deve ter sido orientado por amigos brasileiros ansiosos por esse desfecho (duvido que Lee tenha lido a proposta). Mas faz parte: se é para ouvir especialistas, ninguém mais qualificado do que ele.

Como quase tudo na vida, porém, o marco civil – que tem até um site dedicado a defendê-lo – sugere inúmeras leituras e interpretações. Inclusive porque mexe com interesses variados, alguns até inconfessáveis. Ao leitor que se preocupa com isso, sugiro os artigos abaixo:

Marco civil da internet pode prejudicar startups

Marco civil prejudica solução extrajudicial

Definições sobre a neutralidade da rede

Opiniões sobre marco civil dividem internautas

Texto original do projeto de lei 2126/2011

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Os TVs mais caros do mundo

Se alguém, ao ler o título acima, pensou em mais uma daquelas costumeiras estatísticas que apontam o Brasil como campeão mundial de preços, se enganou. Até que os TVs, na comparação com outros produtos à venda no país, nem são tão caros assim. Mas os brasileiros estão entre os que mais gostam de exibir suas posses. Talvez se interessem, quem sabe, por um televisor que custa pouco mais de US$ 2 milhões (não, você não leu errado).

A pesquisa foi divulgada na semana passada pelo site americano CE Pro, listando sete modelos insuperáveis no quesito preço. Na verdade, incluíram alguns plasmas Panasonic, mas a empresa, como se sabe, não está mais fabricando esse tipo de TV (o maior deles, de 152″, custaria “apenas” US$ 500 mil se fosse encomendado hoje, mas já não se encontra em linha de produção).

Na lista também não estão os novos modelos Samsung e LG de tela curva, com 105 polegadas e formato 21:9, apresentados na CES, em janeiro (aqui, os detalhes). Se o leitor é daqueles que precisa decidir urgentemente a compra de seu novo TV, e faz questão de luxo acima de tudo, aqui vão as sugestões do site:

BeovisionBang & Olufsen Beovision 4-103 – Com 103″, é o pimpolho dessa turma. Também é o único plasma incluído na lista. O design da empresa dinamarquesa dispensa comentários. Preço: US$ 140.000.

samsung_4k_110Samsung 4K 110″ – Já está à venda na Coreia e chega aos mercados europeu e americano agora em abril. Será então o maior TV de série do mundo. Preço: US$ 152.000.

cseed_560C-SEED LED TV – Entramos na categoria “TVs fora de série”. Este, por exemplo, com 201″, só é produzido sob encomenda. A C-SEED é uma empresa austríaca especializada em displays outdoor, como se vê na foto. O TV tem taxa de renovação de tela (refresh rate) de 100.000Hz – os melhores leds convencionais têm 480Hz. Possui ainda seis alto-falantes e três subwoofers embutidos, controle remoto biométrico e sensores para vento e chuva (não funciona se as condições do tempo forem ruins). Além do TV em si, chama atenção a estrutura que o sustenta. Desenhada pelo estúdio alemão Porsche, a peça metálica gira até 135 graus e atinge a altura de 5 metros. Detalhe: tudo fica embutido no piso, inclusive a tela, que demora 40 segundos para ser içada eletronicamente. Preço da diversão: US$ 687.000.

prestige_rose_560Stuart Hughes Prestige HD Supreme Rose – Trata-se de um, digamos, simples TV de 55 polegadas, mas (parafraseando o poeta Drummond) como dói… A inglesa Stuart Hughes, de Liverpool, é especializada em transformar objetos convencionais em artigos de luxo. Alguém pode achar ridículo, mas a moldura do TV é revestida com 28kg de ouro 18 quilates. A superfície onde se vê o logotipo é uma pele de crocodilo costurada à mão, com detalhes em pedras preciosas, incluindo – detalhe mesmo!!! – 72 diamantes. Para os interessados, a encomenda sai por US$ 2.260.000. E, de novo, você não leu errado.

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Filmes em 4K, junto com o TV

1080p-vs-4k2Nesta quinta-feira, a Samsung confirmou nos EUA a prometida parceria com os estúdios Fox e Paramount para distribuição de filmes em resolução Ultra-HD. A princípio, são três: Uma Noite no Museu, X-Men Origens: Wolverine e O Conselheiro do Crime virão pré-gravados numa espécie de HD externo que a Samsung passará a vender junto com os TVs 4K. A ideia é aos poucos ir oferecendo mais títulos, que o usuário poderá baixar da internet – sempre em UHD – através do mesmo HD.

É mais ou menos a mesma estratégia da Sony, que no ano passado lançou (somente nos EUA) seu primeiro media player, cuja memória já embutia dez filmes em 4K. Não deu certo – pelo menos até agora – porque os consumidores perceberam uma “pegadinha”: os títulos na verdade não eram originais 4K, mas Full-HD, submetidos ao processo de upconversion. Este, como se sabe, nunca tem o mesmo resultado de uma gravação feita com câmeras UHD. A Sony tinha, e tem, a vantagem de poder usar seu próprio catálogo de filmes e séries de TV, que é gigantesco, mas com a crise que se abateu sobre o grupo nos últimos meses é preciso esperar para ver como evolui esse projeto.

Já a Samsung, que não dispõe de catálogo próprio, faz o que está a seu alcance: busca parcerias para viabilizar o sucesso dos TVs 4K. Já se acertou com a Netflix, que deve iniciar em breve a oferta de títulos com essa resolução; e negocia com a Amazon as mesmas condições. Seu UHD Video Pack, que chega às lojas dos EUA até maio (para o Brasil, não há previsão ainda), terá capacidade de 1 Terabyte e preço sugerido de US$ 300. Tomara que os filmes venham, mesmo, em 4K.

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Exportando automação para a China

Invertendo um processo já tradicional na indústria brasileira de eletreletrônicos, a empresa Neocontrol, com sede em Belo Horizonte, começou a exportar componentes para o mercado chinês. Desenvolvedora de soluções para automação residencial e predial, a empresa é uma das que mais têm crescido no país. No ano passado, se uniu à gigante francesa Somfy e, através dessa parceria, conseguiu atingir mercados internacionais, especialmente na América Latina. Agora, começa a desbravar simplesmente o maior mercado do mundo.
Conversei com Gabriel Peixoto, sócio e cofundador da Neocontrol, que demonstrou seu entusiasmo com a nova oportunidade. Esta surgiu a partir da constatação de que a indústria eletrônica chinesa, embora altamente eficiente no hardware, não tem a mesma desenvoltura em software. Daí por que o mercado de automação por lá ainda não decolou. ”Na próxima semana, participaremos de uma feira na China, justamente para mostrar a eles nossos produtos e as soluções que desenvolvemos no Brasil, que são mais baseadas em software”.
Uma das atrações no estande da Neocontrol será o micro-módulo dimmer/relay, que segundo Gabriel é o menor do mundo e pode ser usado em comandos de automação em geral, além de controles de iluminação, segurança, cortinas elétricas etc. Os chineses certamente poderão copiar o módulo (se é que já não estão). Difícil será copiar a “inteligência” ali contida.
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High-end: conceitos e modismos

vinyl-records-recordUm artigo que publicamos recentemente na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL (leia na íntegra aqui) vem provocando intensa curiosidade entre os leitores. O título original, provocativo, era “Você sabe o que é high-end”? Visava justamente aos usuários com menos de 40 anos, que não tiveram o prazer de consumir a música analógica. No campo do áudio, a expressão “high-end” surgiu na década de 1950, provocada exatamente pelo público audiófilo que, além de boa música, se extasiava com gravações bem executadas e bem reproduzidas. Com o tempo, passou a designar os equipamentos de alto padrão, geralmente mais caros e refinados, hoje um nicho de mercado que se contrapõe aos produtos de massa.

A reação de alguns leitores me faz voltar ao tema, até porque sei que muitos dos que nos lêem aqui não são daquela época. As tecnologias evoluem, mas alguns dados – que são da natureza – não se alteram. Exemplo: para acostumar os ouvidos a um som de boa qualidade, nada substitui a música ao vivo. Assistir a concertos e shows acústicos ajuda a aprimorar o sentido da audição, principalmente quando o espaço é bem dimensionado. Em SP, os dois melhores são a Sala São Paulo e o Teatro Alfa. Já as chamadas “casas de shows” em geral mais atrapalham do que ajudam a vida dos artistas, que naturalmente se submetem por questões financeiras.

Quem não pode frequentar lugares como esses deve investir em boas gravações e bons equipamentos de reprodução. Como já comentamos aqui algumas vezes, a praticidade do áudio portátil acabou roubando da geração nascida a partir dos anos 80 as referências quanto à qualidade da música que se consome. Mas não foi mero modismo. Contribuiu para isso também a postura um tanto arrogante dos fabricantes especializados, que se recusavam a adotar os formatos de compressão, em nome de uma “pureza” que nem existe nos discos de vinil (embora muitos pensem o contrário). Só há cerca de cinco anos é que grandes marcas de áudio high-end aderiram ao áudio digital.

Há poucos dias, trocando emails com Robert Harley, meu “guru” na matéria, comentamos sobre discos lançados ou relançados nos últimos dois anos que servem (ou deveriam servir) como padrão a quem quer ouvir música bem gravada. Harley edita a prestigiada The Absolute Sound (TAS), mais tradicional publicação do áudio high-end, e com base nas análises de sua equipe me sugeriu os títulos abaixo. Servem tanto para quem precisa fazer demonstrações com equipamentos de alto padrão quanto para aqueles que querem apenas se emocionar com boa música.

Apreciem sem moderação:

Jazz

Keith Jarrett, Testament: Paris/London (ECM) – Concerto de piano-solo ao vivo de um dos grandes improvisadores do gênero. Suave e delicado.

Scott LaFaro, Pieces of Jade (Resonance) – LaFaro, que foi baixista do trio de Bill Evans, arrasa como solista. Para ouvir com caixas torre de bom alcance, capazes de captar a essência dos graves acústicos.

Erudito

Hölst: The Planets, Paavo Järvi, Cincinnati Symphony Orchestra (Telarc) – Gravação recheada com variações de clima, que supera a original de Zubin Mehta.

Mendelssohn Discoveries, Riccardo Chailly & Leipzig Gewandhaus (Decca) – Uma das melhores gravações orquestrais dos últimos anos, capta as sutilezas do grande compositor romântico alemão.

Pop/Rock

Leonard Cohen, Live at the Isle of Wight 1970 (Columbia/Legacy) – Registro histórico do cantor canadense, com sua folk music contagiante, a reedição consegue transmitir todo o clima do evento ao vivo.

Julie London, Julie is Her Name (Boxstar) – Outra gravação antológica, de 1955, com a cantora de voz hipnotizante. Robert Greene, crítico da TAS, assim a definiu: “Ela tem a voz que toda mulher teria, se o mundo fosse perfeito”.

Paul Simon, Graceland (Warner) – Ponto alto da carreira-solo de Simon, de 1986, unindo pop e ritmos africanos com extremo bom gosto. A TAS recomenda a versão recém-lançada em LP 45rpm.

David Bowie, The Next Day (Columbia) – Tanto em CD quanto em MP3, o mais recente álbum de Bowie é um show de instrumentação pop.

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Videowall: o luxo do luxo

40-display-mirror-vw-700Em sua próxima viagem a Paris, não deixe de visitar o shopping La Madeleine. É lá que funciona uma das mais impressionantes peças de tecnologia da atualidade: este videowall da foto, com 25 metros de largura e superfície espelhada que esconde 40 finíssimos displays de led, usados para exibir gráficos e figuras concebidos pelo designer francês Ora Ito, que vive na França. Claro, serve também para sinalização do shopping, com informações gerais para os visitantes. O equipamento é da empresa alemã Ventuz, que montou os servidores e a rede para manter a gigantesca tela sempre límpida e atualizada.

Bem, quem não tem planos de ir a Paris tão cedo pode se extasiar assistindo a este vídeo. Vale a pena.

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