Vem aí outra sexta-feira negra

À medida que se aproxima mais uma Black Friday (última sexta-feira de novembro), é recomendável redobrar os cuidados na hora de fazer compras online. A invenção americana, que como tantas outras é copiada no Brasil desde 2012, ganhou contornos policiais no ano passado, quando houve centenas de denúncias de fraude, conforme apontamos neste artigo.

Este ano, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico se antecipou e criou uma espécie de “selo de honestidade”, que promete oferecer a lojas virtuais que não façam maquiagem de preços. Até a semana passada, segundo o site do jornal O Estado de S.Paulo, 96 empresas haviam concordado com as condições – a Câmara quer chegar até o final do mês com 150 adesões. Diz a entidade que, em 2013, as promoções relacionadas ao evento (que na verdade não dura apenas um dia…) atingiram cerca de R$ 770 milhões em vendas.

Falta ainda decidir o que fazer com as lojas que atrasam as entregas, ou que simplesmente cobram o valor determinado mas não entregam os pedidos, e como ressarcir os consumidores prejudicados. Por enquanto, nenhuma palavra a respeito. Infelizmente, se nos EUA a Black Friday é associada ao feriado de Ação de Graças, quando as famílias se reúnem para agradecer a Deus pelo que conquistaram, aqui foi transformada em mais um caso de polícia.

Dois pioneiros que se vão

Esta semana, mais precisamente na terça-feira dia 4, o mundo da tecnologia perdeu duas grandes figuras, daquelas que dificilmente poderão ser substituídas.

Primeiro, se foi George Feldstein, fundador da Crestron, o visionário que, ainda nos anos 1970, enxergou na integração dos sistemas eletrônicos um mercado. A não ser em aplicações muito específicas, antes da Crestron os sistemas instalados numa casa ou numa empresa não se comunicavam – quando muito, trocavam sinais. Foi Feldstein quem introduziu soluções de controle automatizado específicos para ambientes residenciais, em lugar das antigas adaptações (confundia-se, por exemplo, automação da casa com automação bancária…); vejam aqui, em inglês, mais detalhes sobre sua trajetória.

tas-215-cover-finOutra morte a se lamentar é a de Harry Pearson, cofundador da revista The Absolute Sound, que para muitos é a “bíblia” do áudio. A publicação nasceu em 1973 para, segundo Pearson, fazer contraponto às mais veteranas Stereophile e Stereo Review, que ele considerava “muito comerciais”. A TAS foi a primeira a usar o termo “high-end” para definir equipamentos de alto padrão. HP – como era chamado – não gostava de rock (quando muito, jazz instrumental; só ouvia música erudita) e, nos primeiros anos, também não aceitava anúncios em suas páginas. Para avaliar um produto, reunia sua equipe e todos davam seus pareceres, de ouvido, sem instrumentos de medição, baseados apenas em suas preferências e experiências pessoais. Foi, por assim dizer, um “radical” do jornalismo de tecnologia, o que lhe causou grandes problemas de relacionamento (e também de dinheiro), mas nunca abalou sua credibilidade; aqui, um réquiem para Pearson, escrito por Jonathan Valin, um de seus sucessores.

Criadores como Feldstein e Pearson é que fazem valer a pena atuar na área de tecnologia.

Cara de pau eletrônica

A notícia pode ser inacreditável, mas tem tudo a ver com o “país dos espertinhos”, aquele em que vivemos. Deu no site Tela Viva. Um juiz de Governador Valadares (MG) negou indenização a um consumidor que queria ser ressarcido em 420 reais, valor pago por um AZ Box.

Para quem não está familiarizado, esse é o nome genérico do aparelho que permite invadir as redes das operadoras de TV por assinatura e assistir aos canais sem pagar. O espertalhão havia comprado de um amigo e se enfureceu quando o sinal foi cortado, já que era uma captação proibida por lei. Cara de pau, chegou a admitir perante o Juiz que sabia da ilegalidade, mas mesmo assim queria o dinheiro de volta.

Já tratamos do tema várias vezes (leiam aqui). Como se sabe, uma das características dos piratas é a criatividade para burlar as proibições e as limitações técnicas. Agora, descobre-se também como é criativo o consumidor que tenta se aproveitar da situação – e, com isso, acaba se confundindo com o bandido.

Banda larga, perna curta

Cerca de um mês atrás, comentamos aqui sobre o plano anunciado pela então candidata Dilma Roussef, de espalhar redes de fibra óptica “pelo país inteiro”. Mais específico, o site da candidata falava do Programa Banda Larga para Todos, prometendo “cobertura de 90% dos domicílios brasileiros até 2018″. Era uma utopia, como sabe qualquer pessoa medianamente informada sobre o assunto – na verdade, mais uma falsa promessa de campanha.

Agora, o próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, se encarrega de desmentir sua chefe. Ao site Convergência Digital, o ministro disse que aquilo foi “um erro” da campanha. “A promessa é de fibra óptica em 90% dos municípios, e não dos domicílios”, corrigiu Bernardo, que informou ter pedido correção dos dados (segundo o site, até esta quarta-feira a informação errada continuava lá). “Fibra óptica em 100% dos domicílios provavelmente custaria R$ 400 ou R$ 500 bilhões”, calcula o ministro.

Para reafirmar a velha história de que mentira tem perna curta, coube a um subordinado do ministro – Artur Coimbra, diretor de banda larga do Ministério – colocar as coisas em termos mais realistas. Falando a uma comissão do Senado, Coimbra disse que o plano prevê levar fibra a 45% dos domicílios, sem especificar a quantidade de municípios. Considerando que esse plano é o que restou do célebre PNBL, lançado ainda pelo presidente Lula em 2010 (leiam aqui, aqui e aqui), conclui-se que a promessa da presidente é apenas isso – uma promessa.

Em tempo: o site da consultoria Teleco, grande autoridade no assunto, informa que até agosto havia cerca de 23 milhões de acessos de banda larga, entre fibra e cabo coaxial, equivalente a 11% da população (11,6 acessos para cada grupo de 100 habitantes).

Um gigante de meio milhão de reais

4K 105 inch CURVED UHDNa última quinta-feira, a Samsung apresentou em São Paulo seu TV 4K de 105 polegadas (mod. UN105S9W). Foi um grande esforço de logística para trazer o aparelho e exibi-lo de um modo completamente fora do comum: uma espécie de “nave”, contendo uma sala de home theater com o TV em destaque, foi erguida a cerca de 15m de altura; dentro dela, um grupo de convidados apreciando as imagens do TV, tendo como fundo as luzes da capital paulista.

Esse TV, que vimos em demonstração na CES, em janeiro, e na IFA, em setembro, também é fora do comum. A curvatura da tela em 105″, com formato 21:9, causa muito maior impacto; com certeza, é até hoje o que mais se aproxima de uma tela de cinema. Para manter a baixa espessura (apenas 17mm), a Samsung desenhou um gabinete “limpo”, colocando todas as conexões e processadores num módulo à parte (vejam este vídeo).

O gigante também está sendo lançado nos EUA e na Europa, pelo equivalente a US$ 120 mil. Aqui, o preço sugerido é de R$ 499 mil, e não será surpresa se forem vendidas algumas dezenas (a LG mostrou modelo semelhante na IFA e deve lançá-lo em breve no Brasil).

Em tempo: para evitar confusão, é importante informar que o TV Samsung é um 4K LED-LCD, e não OLED. Este, por enquanto, é privilégio da LG, como mostramos neste vídeo.

Banda larga chega aos 80% (na teoria)

Desde sábado último, está valendo a nova regulamentação da Anatel sobre os serviços de banda larga. Como previsto desde 2012, as operadoras agora têm que garantir pelo menos 80% da velocidade registrada em contrato. Como todos se lembram, até então elas cumpriam apenas 10% e ninguém podia reclamar. A garantia mínima passou para 60% naquele ano, depois 70% em 2013 e agora chega aos 80%.

A pergunta que muitos usuários se fazem é: como saber se a norma está sendo cumprida? Na teoria, se você contratou um pacote de 10 Megabits por segundo, não pode receber menos do que 8Mbps. Mas essa é uma média calculada ao longo de cada mês. Nos momentos de pico, é comum a velocidade cair. O que a Anatel fez foi contratar uma empresa chamada EAQ (Entidade Aferidora de Qualidade) para fazer a medição utilizando cerca de 10 mil aparelhos conectados aos modems de consumidores voluntários. Ou seja, o cálculo funciona por amostragem.

Para quem quiser acompanhar, de fato, como anda o serviço prestado por sua operadora, o melhor caminho é instalar um medidor como os listados no site Brasil Banda Larga. E, claro, se a regra dos 80% não for respeitada, questionar a operadora e reclamar por todos os meios possíveis. O texto completo do regulamento que trata do assunto pode ser lido aqui. E o site Convergência Digital traz mais explicações.

Correndo atrás do cliente

ceaComo já escrevemos aqui dezenas de vezes, estamos sempre aprendendo na vida. Quem tiver humildade, paciência e dedicação – não importando os obstáculos que sempre aparecem – pode ganhar muito com as experiências de outros. Um exemplo bem atual: aproximando-se o final do ano, a CEA (Consumer Electronics Association) divulga um guia para revendedores de produtos eletrônicos, com informações e orientações valiosíssimas.

São dicas práticas, dados estatísticos, análises sobre o comportamento do consumidor, tendências de mercado, ideias promocionais, referências sobre o que se viu nos finais dos anos recentes… enfim, informações e ferramentas que certamente vão ajudar muito quem depende das vendas para sobreviver. O guia 2014 Holiday Commerce Marketing Guide (clique para fazer o download) é particularmente útil, claro, para lojas pequenas e médias, que não podem bancar extensas pesquisas ou análises.

Infelizmente, o foco do trabalho é o mercado americano, muito mais avançado e organizado que o brasileiro. É de se lamentar, mais uma vez, que não haja algo do gênero em português (se há, desconheço), onde essas dicas seriam muito mais necessárias. Nenhuma das entidades que se propõem a representar as empresas teve até hoje capacidade, ou tomou a iniciativa, de produzir trabalhos nessa linha.

Na minha já distante infância, se dizia “cada um por si, Deus pra todos”. É triste ver que no Brasil continua sendo assim.

Plasma: agora é o fim, mesmo!

LG plasmaApós uma reunião de sua diretoria nesta terça-feira, em Seul, a LG Electronics anunciou oficialmente que não irá mais produzir TVs de plasma. Dos grandes fabricantes, era a única que restava; Panasonic e Samsung já tinham abandonado essa tecnologia meses atrás. Segundo o site coreano ET News, apenas a chinesa Changhong continua no segmento, mas produzindo para o mercado local.

Em seu comunicado, a LG alega duas coisas: a demanda vem caindo (o que já se sabe há tempos) e o grupo decidiu concentrar seus investimentos em LCD e OLED. Analistas de mercado disseram ao site que também influíram na decisão as dificuldades para produzir plasmas com resolução 4K. Embora sejam considerados tecnicamente superiores aos LCDs, em qualidade de imagem, esses TVs são conhecidos também pelo superaquecimento, problema que se agrava com processadores mais potentes (necessários em 4K).

Enfim, é mais um motivo para quem possui um TV de plasma cuidar bem dele e aproveitá-lo ao máximo. Lançada comercialmente em 1995, não deixa de ser curioso lembrar que essa é mais uma tecnologia derrotada pelas forças de mercado. De pouco valeu o fato de ser tão elogiada por especialistas; o público preferiu outro caminho.

Aulas de áudio e acústica

Muitos dos que trabalham com projetos de áudio e/ou acústica talvez não saibam, mas devem grande parte do que aprenderam a Luiz Fernando Cysne. Engenheiro, projetista, consultor, professor e – acima de tudo – apaixonado por som e música, ele teve entre seus alunos vários profissionais que hoje estão na ativa. Quem não teve a oportunidade de aprender diretamente com ele pode aproveitar agora: nos próximos dias 8 e 9 de novembro, Cysne promove em São Paulo um curso rápido de Acústica e Engenharia de Áudio. Ninguém do setor tem o direito de perder.

O curso é destinado tanto a iniciantes quanto a veteranos, até porque, nesse campo, sempre se está aprendendo alguma coisa. No primeiro dia, as aulas – divididas em segmentos de 30 a 60 minutos – abordarão conceitos gerais de acústica, como isolamento, padrões de reflexão sonora, cálculos e exercícios de audição. No segundo, entram temas mais chegados à eletrônica, como potência, sistemas, interferências, captação e instalações propriamente ditas.

Além de ouvir o mestre, os participantes ganharão dois discos de software desenvolvidos por ele, ferramentas úteis na elaboração e execução de projetos nas duas áreas. Informações e inscrições podem ser feitas pelo tel. (11) 3167-5529 ou pelo email [email protected]. Importante: por experiência, Cysne sabe que esses cursos não rendem quando a plateia é muito grande; portanto, as vagas são limitadas, facilitando a interação.

Estartar, brausear, estrimar…

download-vs-streamsDesculpem o título acima, sei que é incompreensível. Serve apenas para ilustrar o novo vocabulário que temos de “enfrentar” atualmente. “Estartar” (do inglês start, iniciar) já não é tão novo assim. “Brausear” vem de browse (navegar) e, portanto, refere-se ao ato de circular por sites, blogs e demais veículos online. Já “estrimar”, conheci há pouco tempo, numa palestra, e o choque foi tamanho que precisei reinicializar o pensamento…

Lembro aqui essas batalhas verbais a propósito da notícia de que os serviços de streaming (sim, é daí – stream – que vem o inacreditável “estrimar”) estão derrubando o volume de downloads (esta outra palavrinha, felizmente, continua sendo traduzida como “baixar”, e tomara que continue assim). Quem afirma é simplesmente a Apple, cuja loja iTunes é a campeã mundial nesse quesito. Este ano, a loja vendeu 14% menos downloads de música do que no ano passado, quando já havia caído 2,1% em relação a 2012. Enquanto isso, sites dedicados ao streaming, como Spotify e Pandora, continuam crescendo (46% este ano), inclusive na modalidade de assinatura mensal (a notícia completa está neste link).

O fenômeno é o mesmo do segmento de vídeo: serviços pagos de streaming, como Netflix e Amazon, têm cada vez mais clientes, enquanto a compra de filmes e vídeos só cai. Pelo visto, a maioria das pessoas prefere fazer assinatura por um valor baixo (quase simbólico, na casa dos 10 dólares/mês) do que pagar individualmente cada música que é baixada.

Faz sentido. Significa que cresce o índice de desapego dos fãs, já que hoje é tão fácil acessar as músicas a qualquer hora e em qualquer lugar. Vai longe o tempo em que se colecionavam discos e estes emolduravam as estantes. Pior: se você ainda teima em fazer seus downloads, já pode se considerar ultrapassado.

Encontro de especialistas no Rio

Será no Rio de Janeiro, de 10 a 12 de novembro próximos, a edição 2014 do LatinDisplay, um dos mais importantes encontros internacionais de especialistas em TV, vídeo, telas de projeção e displays em geral. Como de costume, o evento é organizado pela Abinfo (Associação Brasileira de Informática) e pela SID (Society for Information Displays), que tem sede nos EUA. O governo brasileiro, através do BNDES, CNPq e outros órgãos ligados a ciência e tecnologia, também apoia a iniciativa. Além de técnicos e pesquisadores brasileiros de primeira linha, estarão presentes cientistas de vários países.

A pauta é bem variada, com palestras, debates e conferências sobre displays touchscreen, dispositivos de processamento de imagem, nanotecnologia, displays orgânicos, painéis solares etc. Uma das novidades este ano é o DisplayEscola, com aulas ministradas por verdadeiras feras do setor.

Quem trabalha com tecnologia não deve perder.

 

 

Nobel para o pai do LED azul

shiju_t479

 

 

A maioria dos leitores deve ter acompanhado as notícias sobre o Prêmio Nobel de Física deste ano, concedido as três cientistas japoneses. Como não tive chance de comentar aqui, faço-o agora para contar a história – que muitos talvez não conheçam – de Shuji Nakamura (foto), um dos premiados. Ele e seus colegas Isamu Akasaki e Hiroshi Amano foram os responsáveis pela descoberta do chamado “led azul”, feito que permitiu a construção das assim chamadas “lâmpadas de led” e, por extensão, dos displays com backlight de leds, tão populares hoje em dia.

Como é comum no Nobel, Nakamura – hoje pesquisador da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara – não trabalhou junto com seus colegas. Era funcionário de uma indústria química chamada Nichia, enquanto os outros dois atuavam na Universidade de Nagoya. Na época, início dos anos 1990, já existiam os diodos emissores de luz (LEDs, na sigla em inglês) baseados nas duas cores primárias – vermelho e verde. As aplicações, por isso, eram limitadas. A união dos esforços dos três japoneses permitiu desenvolver a técnica para produzir leds azuis, cuja combinação com vermelhos e verdes gerava luz branca (daí a expressão RGB: red, green, blue).

A Academia Sueca reconheceu a importância do trabalho, considerando que os leds são muito mais eficientes que as lâmpadas fluorescentes, além de terem vida útil mais longa e agredirem menos o meio ambiente. Mas a entidade não mencionou uma curiosidade: Nakamura recebeu apenas 180 dólares por sua façanha! A Nichia patenteou a novidade (o que é normal nesses casos), mas recusou-se a lhe dar a merecida compensação financeira.

Ao deixar a empresa, Nakamura foi aos tribunais pedindo uma indenização. Os juízes apuraram que a Nichia havia faturado mais de US$ 1,1 bilhão vendendo leds azuis e, em 2004, determinaram que pagasse ao cientista o valor de US$ 180 milhões.

Fez-se assim justiça. E agora o Nobel serve como reconhecimento final.

 

 

Gigantes chegando ao Brasil

samsung4ktv-1O maior TV lançado no Brasil até agora foi um Sharp de 90 polegadas (vejam aqui); depois, já na era dos 4K, LG e Sony trouxeram seus modelos de 84″ e a Samsung, logo em seguida, veio com um de 85″. Sim, no passado a Panasonic chegou a vender alguns exemplares de seu plasma de 103″, sob encomenda. Mas, neste final de ano, o mercado brasileiro deve entrar num outro patamar quando o assunto for tamanho de tela: a LG já começou a distribuir seus novos 4K, em três versões – de 79″, 84″ e 98″, sendo que o primeiro foi usado por nossa equipe durante as transmissões em 4K da Copa (aqui, o teste); junto, estão chegando às lojas também modelos de 65″, 55″ e 49″ (detalhes aqui).

Para quem quer (e pode) adquirir um TV dessas proporções, as alternativas vão aos poucos se oferecendo. A Samsung já comercializa modelos de 75″ e 78″, além do já citado 85″ e de uma boa variedade em 55″ e 65″. E, na Sony, as opções em 4K vão de 55″ a 70″. Uma pesquisa que fizemos há alguns dias mostrou que já está acontecendo uma guerra de preços, nessa que supostamente seria a faixa mais “nobre” do mercado. De uma semana para outra, pode-se encontrar boas surpresas, principalmente nas lojas online.

Outro fator em que se deve prestar atenção é que, como a produção ainda é baixa, os fabricantes não conseguem fornecer os mesmos itens para todas as lojas. Pode-se encontrar um modelo em oferta aqui, e outro ali, dependendo dos estoques de cada estabelecimento (e isso vale também para os sites de compra). Embora a Samsung, só para citar um exemplo, já tenha lançado este ano cerca de 15 TVs 4K, alguns não tiveram saída – e agora estão em promoção.

Aos interessados, recomendo uma boa e cuidadosa pesquisa. E nunca é demais lembrar: no site hometheater.com.br, mantemos atualizado um “Guia de Compras”, com tabelas comparativas entre os modelos à venda (e não apenas 4K). Não faça sua escolha antes de consultá-lo.

 

 

Caixas acústicas: qual é o número ideal?

TV com soundbarOs novos TVs de tela grande, de marcas como Sony e LG, trazem vários alto-falantes embutidos e um microprocessador surround, que simulam o envolvimento de um home theater. Em alguns casos, o usuário pode até achar que está, mesmo, diante de um. Já Samsung e Philips, só para citar mais dois exemplos, estão lançando em alguns países uma espécie de combo: TV com soundbar acoplada, o que vem a dar no mesmo. Quem ouve pode perfeitamente se iludir de que se trata de um sistema surround de verdade, com caixas espalhadas pela sala.

Tudo isso acontece no domínio do software. São códigos e algoritmos que permitem manipular o sinal de áudio, cumprindo seu papel de “simuladores”. Nada contra. A maioria das pessoas não consegue mesmo distinguir entre o falso e o verdadeiro. Mas cito esses detalhes para mostrar como, pouco a pouco, as caixas acústicas parecem estar perdendo importância na indústria eletrônica. Acabo de ler um artigo que vai ainda mais longe; na verdade, o que está perdendo importância são os equipamentos propriamente ditos, o chamado hardware. A diferença, na maioria dos bons produtos (não todos, claro), está cada vez mais no software.

Vejam o que acontece com o novo processamento Dolby Atmos, cuja versão doméstica acaba de ser lançada nos EUA, como informamos aqui. Quase todo dia vejo um especialista comentar sobre o tema, e a maioria considera uma “revolução” poder rechear a sala de caixas acústicas para levar o envolvimento surround “ao infinito e além”. Poucos se perguntam se o consumidor quer, de fato, tudo isso. A própria Dolby, por sinal, lembra que para apreciar filmes codificados em Atmos (que não passa de um software) não há necessidade de muitas caixas – estão são essenciais, sim, nas salas de cinema, em função da área a ser preenchida acusticamente.

44da-theater

Há algumas semanas, a empresa americana Atlantic Technology lançou os chamados “módulos Atmos” (foto ao lado). Ao preço final de 500 dólares o par, você adquire esses acessórios para acoplar sobre as caixas convencionais e, com isso, produzir o mesmo efeito de envolvimento. E aquelas caixas que lhe custaram tanto esforço para pagar acabam se tornando meras coadjuvantes. Uma bela simulação.

HBO quer romper com a TV paga?

A HBO, maior programadora de TV paga do planeta, anunciou na semana passada uma iniciativa ousada: “É hora de remover todas as barreiras para quem quer nossos conteúdos”, disse com todas as letras o CEO Richard Plepler, falando a acionistas e investidores do conglomerado Time Warner, dono da empresa. Não se sabe se isso tem a ver com as mudanças no grupo, que acaba de ser adquirido pela Comcast (o negócio ainda está pendente de aprovação pelas autoridades americanas de defesa da concorrência). Mas o fato é que, se cumprir o prometido, a HBO será o elefante na loja de cristais do mercado de TV por assinatura.

Basicamente, a promessa é lançar um serviço de video-on-demand independente das operadoras. Hoje, a empresa oferece o HBO Go em vários países, inclusive no Brasil – para quem é assinante de pacotes da NET, Claro e Sky que contêm os canais HBO. São os pacotes mais caros e, ainda assim, diz Plepler, as vendas não param de crescer. Se a ideia vingar, você poderá adquirir filmes e séries da HBO sem ter que comprar assinatura nenhuma.

Antes de sair comemorando, lembre-se de que, para vender um serviço como esse, a HBO precisará contar com algum parceiro provedor de banda larga, ou com vários. Poderia ainda fazê-lo, quem sabe, com os fabricantes de TVs smart, que hoje oferecem Netflix, YouTube e outros serviços. Mas essa atitude significaria comprar uma boa briga com as operadoras tradicionais.

Valerá a pena?

Educação é a solução (sempre)

“O segredo da liberdade está em educar as pessoas. O segredo da tirania está em mantê-las ignorantes”, disse o líder político francês – e também filósofo – Robespierre. A frase resume bem a importância da educação, especialmente quando estamos a dias de escolher um novo presidente da República. Sei que a maioria dos eleitores não dá a mínima, e receio que, por isso, voltem a fazer escolhas erradas. Faz parte.

Mas uso aqui esse, digamos, pretexto para abordar algo que tem mais a ver com o universo do nosso mercado: a formação de mão-de-obra qualificada. Não tenho dúvidas de que, se há falta de profissionais bem preparados, isso se deve ao desprezo oficial – e das pessoas em geral, é bom que se diga – à educação. Mas, abstraindo essa verdadeira tragédia nacional, gosto sempre de ressaltar o esforço de algumas empresas e/ou entidades que se dedicam a distribuir conhecimento.

É o que nós, na Event Editora, temos procurado fazer desde sempre. Agora em novembro, vamos formar a quarta turma do Programa de Certificação Home Expert. Iniciamos em 2011, com a ideia de transmitir uma base técnica a profissionais iniciantes no segmento de custom installation (áudio, vídeo, automação e sistemas eletrônicos residenciais). E foi gratificante ver como alguns dos participantes evoluíram em suas carreiras. Já estamos trabalhando na edição 2015!

Em paralelo, nos preocupamos também com a educação do consumidor, da qual a maioria das empresas se esquece. Além do trabalho já conhecido  (parte dele disponível no site hometheater.com.br), estamos sempre em busca de novas ideias e formatos que permitam ampliar os horizontes da informação qualificada. Esta semana, começa a ser distribuída a série Guia Prático Online, em que nossa equipe repassa aos leitores mais orientações sobre o bom uso dos equipamentos de áudio e vídeo. Sem a pretensão de esgotar o assunto (até porque, em tecnologia, as pesquisas e descobertas estão acontecendo a cada minuto), queremos que a série auxilie o maior número possível de pessoas.

Deixo aqui o convite para que os leitores do blog leiam, compartilhem e, é claro, nos mandem suas impressões (favoráveis ou não). Afinal, se a propaganda é a alma do negócio, o conhecimento é a alma da vida.

GVT, Telefônica e o futuro

Começam a ser divulgados os primeiros frutos da venda da GVT ao grupo Telefônica, anunciada no mês passado. Esta semana, no evento Futurecom em São Paulo, executivos das duas empresas falaram animados sobre as perspectivas, tanto no segmento de TV paga quanto em banda larga. Como se sabe, a mexicana Telmex (Net+Claro+Embratel) lidera com folga os dois setores, embora em DTH (TV via satélite) haja uma disputa feroz com a Sky (vejam aqui os dados atualizados da Anatel). Mas esses números não contam toda a verdade.

Desde o ano passado, a GVT tornou-se a operadora mais rentável do país, com sua estratégia de apostar no público de maior poder aquisitivo, especialmente no estado de São Paulo. A empresa aprimorou sua infraestrutura híbrida (satélite + fibra óptica) e vem crescendo em níveis mais altos que a média do mercado. Para crescer mais, falta-lhe uma base no segmento de serviços móveis, onde a Telefônica/Vivo é talvez a mais forte atualmente.

Em entrevista, o presidente da GVT, Amos Genish, disse que a união com os espanhóis irá contribuir para “equilibrar o mercado, que está muito concentrado”. Na verdade, é o oposto. O mercado – como já comentamos aqui – tende a se concentrar cada vez mais, e o fato de duas das principais empresas se unirem só confirma essa tendência. O que pode mudar, e isso talvez favoreça o usuário, é que NET, Sky, Claro e Oi agora terão um concorrente mais robusto, capaz de atuar em todo o país e em todas as faixas de mercado; vale lembrar que recentemente a DirecTV, dona da Sky, foi adquirida pela AT&T, gigante americana em telecom..

Segundo Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica/Vivo, deverá ser mantido o foco atual da GVT nos serviços premium, o que complementa a ideia de massificação proposta pelo grupo espanhol. E haverá certamente um enorme ganho de escala no gerenciamento das redes, compra de equipamentos e de conteúdo – este o insumo mais importante, hoje, para as operadoras.

Vamos ver agora como reagem as concorrentes.

Samsung e Facebook, dois gigantes unidos

Nesta terça-feira, encontraram-se em Seul o vice-presidente da Samsung, Lee Jae-Yong (filho do presidente, que está hospitalizado, após um ataque cardíaco), e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Foi a terceira reunião entre os dois desde junho, quando ambos começaram a negociar uma parceria visando o mercado de dispositivos móveis. Segundo o site do jornal Korea Times, a Samsung quer ampliar a oferta de conteúdo através de tablets e smartphones, enquanto o FB procura uma maneira de ampliar sua publicidade nesses aparelhos. Seria um passo gigantesco para ambos: nem o Google conseguiu ainda encontrar uma maneira rentável de explorar a comunicação móvel.

O primeiro fruto da parceria provavelmente será o lançamento do serviço de música online da Samsung, direcionado a usuários do Facebook, talvez no início de 2015. Zuckerberg não quer depender do sistema operacional Android, da Google. E a Samsung também não!

Indústria, ciência e tecnologia = zero

Rápida observação sobre o assunto do momento, a campanha eleitoral. Não é incrível que até agora, em todos os debates (inclusive do primeiro turno, quando havia mais candidatos), jamais foram mencionados os temas acima? Alguém falou generalidades como “a indústria está sucateada”, mas em nenhum momento se discutiu a importância de uma política industrial – que, aliás, o país não tem desde a época dos militares; ameaçou ter com FHC, mas ficou na ameaça. Nenhum candidato, que eu saiba, apresentou ideias para modernizar o país, expandir os investimentos em ciência e tecnologia, nem criar programas de apoio à inovação.

Pensando bem, acho que nada disso dá voto.