Encontro de especialistas no Rio

Será no Rio de Janeiro, de 10 a 12 de novembro próximos, a edição 2014 do LatinDisplay, um dos mais importantes encontros internacionais de especialistas em TV, vídeo, telas de projeção e displays em geral. Como de costume, o evento é organizado pela Abinfo (Associação Brasileira de Informática) e pela SID (Society for Information Displays), que tem sede nos EUA. O governo brasileiro, através do BNDES, CNPq e outros órgãos ligados a ciência e tecnologia, também apoia a iniciativa. Além de técnicos e pesquisadores brasileiros de primeira linha, estarão presentes cientistas de vários países.

A pauta é bem variada, com palestras, debates e conferências sobre displays touchscreen, dispositivos de processamento de imagem, nanotecnologia, displays orgânicos, painéis solares etc. Uma das novidades este ano é o DisplayEscola, com aulas ministradas por verdadeiras feras do setor.

Quem trabalha com tecnologia não deve perder.

 

 

Nobel para o pai do LED azul

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A maioria dos leitores deve ter acompanhado as notícias sobre o Prêmio Nobel de Física deste ano, concedido as três cientistas japoneses. Como não tive chance de comentar aqui, faço-o agora para contar a história – que muitos talvez não conheçam – de Shuji Nakamura (foto), um dos premiados. Ele e seus colegas Isamu Akasaki e Hiroshi Amano foram os responsáveis pela descoberta do chamado “led azul”, feito que permitiu a construção das assim chamadas “lâmpadas de led” e, por extensão, dos displays com backlight de leds, tão populares hoje em dia.

Como é comum no Nobel, Nakamura – hoje pesquisador da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara – não trabalhou junto com seus colegas. Era funcionário de uma indústria química chamada Nichia, enquanto os outros dois atuavam na Universidade de Nagoya. Na época, início dos anos 1990, já existiam os diodos emissores de luz (LEDs, na sigla em inglês) baseados nas duas cores primárias – vermelho e verde. As aplicações, por isso, eram limitadas. A união dos esforços dos três japoneses permitiu desenvolver a técnica para produzir leds azuis, cuja combinação com vermelhos e verdes gerava luz branca (daí a expressão RGB: red, green, blue).

A Academia Sueca reconheceu a importância do trabalho, considerando que os leds são muito mais eficientes que as lâmpadas fluorescentes, além de terem vida útil mais longa e agredirem menos o meio ambiente. Mas a entidade não mencionou uma curiosidade: Nakamura recebeu apenas 180 dólares por sua façanha! A Nichia patenteou a novidade (o que é normal nesses casos), mas recusou-se a lhe dar a merecida compensação financeira.

Ao deixar a empresa, Nakamura foi aos tribunais pedindo uma indenização. Os juízes apuraram que a Nichia havia faturado mais de US$ 1,1 bilhão vendendo leds azuis e, em 2004, determinaram que pagasse ao cientista o valor de US$ 180 milhões.

Fez-se assim justiça. E agora o Nobel serve como reconhecimento final.

 

 

Gigantes chegando ao Brasil

samsung4ktv-1O maior TV lançado no Brasil até agora foi um Sharp de 90 polegadas (vejam aqui); depois, já na era dos 4K, LG e Sony trouxeram seus modelos de 84″ e a Samsung, logo em seguida, veio com um de 85″. Sim, no passado a Panasonic chegou a vender alguns exemplares de seu plasma de 103″, sob encomenda. Mas, neste final de ano, o mercado brasileiro deve entrar num outro patamar quando o assunto for tamanho de tela: a LG já começou a distribuir seus novos 4K, em três versões – de 79″, 84″ e 98″, sendo que o primeiro foi usado por nossa equipe durante as transmissões em 4K da Copa (aqui, o teste); junto, estão chegando às lojas também modelos de 65″, 55″ e 49″ (detalhes aqui).

Para quem quer (e pode) adquirir um TV dessas proporções, as alternativas vão aos poucos se oferecendo. A Samsung já comercializa modelos de 75″ e 78″, além do já citado 85″ e de uma boa variedade em 55″ e 65″. E, na Sony, as opções em 4K vão de 55″ a 70″. Uma pesquisa que fizemos há alguns dias mostrou que já está acontecendo uma guerra de preços, nessa que supostamente seria a faixa mais “nobre” do mercado. De uma semana para outra, pode-se encontrar boas surpresas, principalmente nas lojas online.

Outro fator em que se deve prestar atenção é que, como a produção ainda é baixa, os fabricantes não conseguem fornecer os mesmos itens para todas as lojas. Pode-se encontrar um modelo em oferta aqui, e outro ali, dependendo dos estoques de cada estabelecimento (e isso vale também para os sites de compra). Embora a Samsung, só para citar um exemplo, já tenha lançado este ano cerca de 15 TVs 4K, alguns não tiveram saída – e agora estão em promoção.

Aos interessados, recomendo uma boa e cuidadosa pesquisa. E nunca é demais lembrar: no site hometheater.com.br, mantemos atualizado um “Guia de Compras”, com tabelas comparativas entre os modelos à venda (e não apenas 4K). Não faça sua escolha antes de consultá-lo.

 

 

Caixas acústicas: qual é o número ideal?

TV com soundbarOs novos TVs de tela grande, de marcas como Sony e LG, trazem vários alto-falantes embutidos e um microprocessador surround, que simulam o envolvimento de um home theater. Em alguns casos, o usuário pode até achar que está, mesmo, diante de um. Já Samsung e Philips, só para citar mais dois exemplos, estão lançando em alguns países uma espécie de combo: TV com soundbar acoplada, o que vem a dar no mesmo. Quem ouve pode perfeitamente se iludir de que se trata de um sistema surround de verdade, com caixas espalhadas pela sala.

Tudo isso acontece no domínio do software. São códigos e algoritmos que permitem manipular o sinal de áudio, cumprindo seu papel de “simuladores”. Nada contra. A maioria das pessoas não consegue mesmo distinguir entre o falso e o verdadeiro. Mas cito esses detalhes para mostrar como, pouco a pouco, as caixas acústicas parecem estar perdendo importância na indústria eletrônica. Acabo de ler um artigo que vai ainda mais longe; na verdade, o que está perdendo importância são os equipamentos propriamente ditos, o chamado hardware. A diferença, na maioria dos bons produtos (não todos, claro), está cada vez mais no software.

Vejam o que acontece com o novo processamento Dolby Atmos, cuja versão doméstica acaba de ser lançada nos EUA, como informamos aqui. Quase todo dia vejo um especialista comentar sobre o tema, e a maioria considera uma “revolução” poder rechear a sala de caixas acústicas para levar o envolvimento surround “ao infinito e além”. Poucos se perguntam se o consumidor quer, de fato, tudo isso. A própria Dolby, por sinal, lembra que para apreciar filmes codificados em Atmos (que não passa de um software) não há necessidade de muitas caixas – estão são essenciais, sim, nas salas de cinema, em função da área a ser preenchida acusticamente.

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Há algumas semanas, a empresa americana Atlantic Technology lançou os chamados “módulos Atmos” (foto ao lado). Ao preço final de 500 dólares o par, você adquire esses acessórios para acoplar sobre as caixas convencionais e, com isso, produzir o mesmo efeito de envolvimento. E aquelas caixas que lhe custaram tanto esforço para pagar acabam se tornando meras coadjuvantes. Uma bela simulação.

HBO quer romper com a TV paga?

A HBO, maior programadora de TV paga do planeta, anunciou na semana passada uma iniciativa ousada: “É hora de remover todas as barreiras para quem quer nossos conteúdos”, disse com todas as letras o CEO Richard Plepler, falando a acionistas e investidores do conglomerado Time Warner, dono da empresa. Não se sabe se isso tem a ver com as mudanças no grupo, que acaba de ser adquirido pela Comcast (o negócio ainda está pendente de aprovação pelas autoridades americanas de defesa da concorrência). Mas o fato é que, se cumprir o prometido, a HBO será o elefante na loja de cristais do mercado de TV por assinatura.

Basicamente, a promessa é lançar um serviço de video-on-demand independente das operadoras. Hoje, a empresa oferece o HBO Go em vários países, inclusive no Brasil – para quem é assinante de pacotes da NET, Claro e Sky que contêm os canais HBO. São os pacotes mais caros e, ainda assim, diz Plepler, as vendas não param de crescer. Se a ideia vingar, você poderá adquirir filmes e séries da HBO sem ter que comprar assinatura nenhuma.

Antes de sair comemorando, lembre-se de que, para vender um serviço como esse, a HBO precisará contar com algum parceiro provedor de banda larga, ou com vários. Poderia ainda fazê-lo, quem sabe, com os fabricantes de TVs smart, que hoje oferecem Netflix, YouTube e outros serviços. Mas essa atitude significaria comprar uma boa briga com as operadoras tradicionais.

Valerá a pena?

Educação é a solução (sempre)

“O segredo da liberdade está em educar as pessoas. O segredo da tirania está em mantê-las ignorantes”, disse o líder político francês – e também filósofo – Robespierre. A frase resume bem a importância da educação, especialmente quando estamos a dias de escolher um novo presidente da República. Sei que a maioria dos eleitores não dá a mínima, e receio que, por isso, voltem a fazer escolhas erradas. Faz parte.

Mas uso aqui esse, digamos, pretexto para abordar algo que tem mais a ver com o universo do nosso mercado: a formação de mão-de-obra qualificada. Não tenho dúvidas de que, se há falta de profissionais bem preparados, isso se deve ao desprezo oficial – e das pessoas em geral, é bom que se diga – à educação. Mas, abstraindo essa verdadeira tragédia nacional, gosto sempre de ressaltar o esforço de algumas empresas e/ou entidades que se dedicam a distribuir conhecimento.

É o que nós, na Event Editora, temos procurado fazer desde sempre. Agora em novembro, vamos formar a quarta turma do Programa de Certificação Home Expert. Iniciamos em 2011, com a ideia de transmitir uma base técnica a profissionais iniciantes no segmento de custom installation (áudio, vídeo, automação e sistemas eletrônicos residenciais). E foi gratificante ver como alguns dos participantes evoluíram em suas carreiras. Já estamos trabalhando na edição 2015!

Em paralelo, nos preocupamos também com a educação do consumidor, da qual a maioria das empresas se esquece. Além do trabalho já conhecido  (parte dele disponível no site hometheater.com.br), estamos sempre em busca de novas ideias e formatos que permitam ampliar os horizontes da informação qualificada. Esta semana, começa a ser distribuída a série Guia Prático Online, em que nossa equipe repassa aos leitores mais orientações sobre o bom uso dos equipamentos de áudio e vídeo. Sem a pretensão de esgotar o assunto (até porque, em tecnologia, as pesquisas e descobertas estão acontecendo a cada minuto), queremos que a série auxilie o maior número possível de pessoas.

Deixo aqui o convite para que os leitores do blog leiam, compartilhem e, é claro, nos mandem suas impressões (favoráveis ou não). Afinal, se a propaganda é a alma do negócio, o conhecimento é a alma da vida.

GVT, Telefônica e o futuro

Começam a ser divulgados os primeiros frutos da venda da GVT ao grupo Telefônica, anunciada no mês passado. Esta semana, no evento Futurecom em São Paulo, executivos das duas empresas falaram animados sobre as perspectivas, tanto no segmento de TV paga quanto em banda larga. Como se sabe, a mexicana Telmex (Net+Claro+Embratel) lidera com folga os dois setores, embora em DTH (TV via satélite) haja uma disputa feroz com a Sky (vejam aqui os dados atualizados da Anatel). Mas esses números não contam toda a verdade.

Desde o ano passado, a GVT tornou-se a operadora mais rentável do país, com sua estratégia de apostar no público de maior poder aquisitivo, especialmente no estado de São Paulo. A empresa aprimorou sua infraestrutura híbrida (satélite + fibra óptica) e vem crescendo em níveis mais altos que a média do mercado. Para crescer mais, falta-lhe uma base no segmento de serviços móveis, onde a Telefônica/Vivo é talvez a mais forte atualmente.

Em entrevista, o presidente da GVT, Amos Genish, disse que a união com os espanhóis irá contribuir para “equilibrar o mercado, que está muito concentrado”. Na verdade, é o oposto. O mercado – como já comentamos aqui – tende a se concentrar cada vez mais, e o fato de duas das principais empresas se unirem só confirma essa tendência. O que pode mudar, e isso talvez favoreça o usuário, é que NET, Sky, Claro e Oi agora terão um concorrente mais robusto, capaz de atuar em todo o país e em todas as faixas de mercado; vale lembrar que recentemente a DirecTV, dona da Sky, foi adquirida pela AT&T, gigante americana em telecom..

Segundo Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica/Vivo, deverá ser mantido o foco atual da GVT nos serviços premium, o que complementa a ideia de massificação proposta pelo grupo espanhol. E haverá certamente um enorme ganho de escala no gerenciamento das redes, compra de equipamentos e de conteúdo – este o insumo mais importante, hoje, para as operadoras.

Vamos ver agora como reagem as concorrentes.

Samsung e Facebook, dois gigantes unidos

Nesta terça-feira, encontraram-se em Seul o vice-presidente da Samsung, Lee Jae-Yong (filho do presidente, que está hospitalizado, após um ataque cardíaco), e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Foi a terceira reunião entre os dois desde junho, quando ambos começaram a negociar uma parceria visando o mercado de dispositivos móveis. Segundo o site do jornal Korea Times, a Samsung quer ampliar a oferta de conteúdo através de tablets e smartphones, enquanto o FB procura uma maneira de ampliar sua publicidade nesses aparelhos. Seria um passo gigantesco para ambos: nem o Google conseguiu ainda encontrar uma maneira rentável de explorar a comunicação móvel.

O primeiro fruto da parceria provavelmente será o lançamento do serviço de música online da Samsung, direcionado a usuários do Facebook, talvez no início de 2015. Zuckerberg não quer depender do sistema operacional Android, da Google. E a Samsung também não!

Indústria, ciência e tecnologia = zero

Rápida observação sobre o assunto do momento, a campanha eleitoral. Não é incrível que até agora, em todos os debates (inclusive do primeiro turno, quando havia mais candidatos), jamais foram mencionados os temas acima? Alguém falou generalidades como “a indústria está sucateada”, mas em nenhum momento se discutiu a importância de uma política industrial – que, aliás, o país não tem desde a época dos militares; ameaçou ter com FHC, mas ficou na ameaça. Nenhum candidato, que eu saiba, apresentou ideias para modernizar o país, expandir os investimentos em ciência e tecnologia, nem criar programas de apoio à inovação.

Pensando bem, acho que nada disso dá voto.

Tecnologia, direitos humanos e corrupção

detalles_bang_olufsen_bigNão comentei aqui, mas não gostaria de deixar passar a oportunidade das eleições para lembrar um aspecto interessante de minha visita à Bang & Olufsen, na Dinamarca, em setembro. Conversando com os funcionários, ficou clara a preocupação de todos em ressaltar não apenas a qualidade dos produtos, mas também os diferenciais da empresa em relação aos concorrentes. Discretamente, como é comum no país, todos falam com orgulho de seus patrões e de como são tratados.

Até aí, não seria algo tão especial. Mas, navegando pelo site da B&O, encontrei o documento chamado CSR (Corporate Social Responsability), uma espécie de código de conduta da empresa e de seus colaboradores. Nunca vi algo parecido, nem mesmo nas admiráveis empresas japonesas do passado.

O texto se divide em tópicos como “Direitos Humanos”, “Direitos dos Empregados”, “Anti-corrupção”, “Clima e Meio ambiente”. E define a filosofia do grupo em relação a seus parceiros e fornecedores. No item “Direitos dos Empregados”, por exemplo, condena todo tipo de discriminação e de exploração do trabalho infantil ou do trabalho escravo, e reforça a importância de liberdade de associação de seus funcionários para lutar por seus direitos.

Mais expressivo ainda é o tópico dedicado à corrupção: a B&O afirma com clareza que não tolera esse tipo de desvio e não admite práticas como suborno e propina.

Para quem quiser ler o original, está aqui. Mesmo que você nunca venha a ter um produto dessa marca, o documento vale como uma aula de boas práticas gerenciais.

Automação chegando às massas?

A Best Buy, maior rede varejista do mundo em eletrônicos, anunciou na semana passada que está criando áreas especiais em suas lojas para demonstrar e vender produtos de automação residencial. Serão “departamentos” identificados pelo nome-fantasia Connected Home (já existe até uma loja online), onde os clientes poderão ver mais de 100 produtos como termostatos, webcams, roteadores, leds inteligentes, hubs, paineis de parede, fechaduras eletrônicas etc. Além de produtos de seus fornecedores, a rede está fazendo parcerias com empresas como a Peq, que oferece um serviço inédito até agora: a instalação desse tipo de acessório, pela qual é cobrada uma taxa em torno de 10 dólares.

Outras redes conhecidas nos EUA também estão adotando a automação como mais um chamariz para seus clientes; na semana que vem, acontece em San Francisco a primeira convenção desses revendedores e seus fornecedores, que são milhares espalhados pelo país. Não há dúvida de que essa é uma tendência no varejo mundial, e logo deve chegar ao Brasil também. Sabendo disso, os organizadores do encontro já decidiram que um dos principais temas a serem discutidos é a formação de mão-de-obra qualificada para lidar com esse tipo de produto (e de serviço).

Fibra óptica para todos: seria ótimo!

Mais uma frente de batalha se abriu entre o governo e as operadoras de telecom. O SinditeleBrasil, entidade que representa as teles, criticou a proposta de “estender fibra óptica pelo país inteiro”, anunciada dias atrás pela candidata Dilma Roussef. Seria parte da decantada universalização do acesso à internet, que nunca chega.

O site especializado Convergência Digital foi ouvir especialistas, concluindo que, além de tecnicamente inviável (pela extensão do país), a ideia é economicamente incoerente. A tecnologia de fibra óptica é hoje a mais avançada do mundo em telecomunicações e transmissão de dados, pelos ganhos que oferece em velocidade e segurança. Não é à tôa que todas as operadoras vêm investindo há anos na conversão de suas redes cabeadas nas grandes e médias cidades, trocando os cabos coaxiais pelos ópticos.

No entanto, espalhar essas redes pelo interior do país, embora possa ser um ótimo negócio para construtoras, é algo que nenhuma operadora deseja, ainda que o governo lhe dê subsídios (o que é impensável neste momento, devido à queda nos investimentos). “Temos que colocar fibra em áreas de grande concentração”, diz o presidente do SinditeleBrasil, Eduardo Levy. “Fibra é fixa, o povo quer é mobilidade”.

Basta dizer que, hoje, são pouco mais de 3% os acessos de banda larga via fibra no país, enquanto as conexões móveis crescem exponencialmente. Como em outros países de grande extensão, para o Brasil a maneira mais rápida, segura e barata de construir redes de banda larga é a tecnologia 4G (e no futuro 5G), combinada ao Wi-Fi. “É preciso investimento em fibra óptica em 90% dos municípios”, disse Dilma, talvez assessorada por algum empreiteiro.

Errado. É preciso levar conexão rápida, o quanto antes, a 100% dos municípios. E o governo não pode, nem tem como, decidir isso em nome das operadoras. Elas é que sabem como fazer. Cabe ao governo, através de sua agência reguladora, fiscalizar o cumprimento dessa meta. Até o momento, o candidato Aécio não disse o que pensa a respeito.

O novo brinquedo das crianças

Meet the experts: children often find tablets more instinctive than adults.Neste domingo, Dia das Crianças, é provável que muitos pais estejam dando de presente a seus filhos um smartphone ou um tablet. Pode ser uma boa ou má escolha, dependendo do uso que cada um fará do “brinquedo”. Convém prestar atenção em detalhes como os de uma pesquisa divulgada esta semana na Inglaterra: os tablets substituíram os TVs no quarto como aparelho preferido por mais de um terço das crianças britânicas com menos de 15 anos.

O estudo, assinado pela empresa de pesquisas Ofcom e publicado pelo site do jornal The Guardian, mostra que em um ano subiu de 19% para 34% a proporção de crianças que possuem seu próprio tablet. E, desde 2009, caiu 30% a quantidade daquelas que têm TVs em seus quartos de dormir. Lá, como aqui também, vem diminuindo a venda de computadores convencionais, em benefício dos tablets, dos quais cerca de metade são iPads. 30% dos guris usam tablets para games, 20% para assistir a programas de TV e 33% para ver suas séries e filmes on-demand. Na faixa dos 12 aos 15 anos, 71% gastam mais tempo acessando as redes sociais.

OK, 84% dos pais dizem ter controle sobre o que os filhos fazem online. Mas é de se perguntar se têm mesmo. Psicólogos e educadores questionam se os tablets, nesses casos, não estão simplesmente servindo para manter as crianças ocupadas, enquanto os pais fazem outra coisa. Afinal, era (e é) assim com a televisão, não?

Nova tendência na TV paga: “raspar os fios”…

cord-shaving-cord-cutterO alarme soou há cerca de dois anos: os americanos estavam cancelando suas assinaturas de TV por causa da maior (e mais barata) oferta de vídeos online. Era o fenômeno do cord-cutting (literalmente, “cortar os fios”), que assustava emissoras, operadoras e programadoras. Houve quem dissesse que era exagero, mas o fato é que essa mudança de hábitos passou a ser acompanhada de perto. Agora, todos se voltam para um outro fenômeno: cord-shaving (“raspar os fios”). Em vez de cancelar a assinatura, muitos estão pedindo redução de seus pacotes, com a exclusão de determinados canais.

As maiores vítimas até agora, segundo estudo da Nielsen, seriam CNN, ESPN e USA Network, canal de filmes e séries que é (ou era?) um dos mais populares por lá. Desde 2010, esses três teriam perdido nada menos do que 3,2 milhões de assinantes. Em escala menor, também vem caindo a procura por canais como TNT, Fox News, Disney e Discovery, o que diminui o custo mensal dos pacotes. “A opção por pacotes mais baratos é uma tendência”, disse John Stankey, da operadora AT&T, ao site do The Wall Street Journal.

Analistas citados pelo jornal colocam parte da culpa nos próprios canais, que cada vez mais vêm oferecendo conteúdos online, inclusive via serviços como Hulu e Netflix, tidos como os “grandes inimigos” da TV por assinatura. Para algumas operadoras, a saída é aumentar o valor dos pacotes premium, normalmente adquiridos pelos usuários que não estão vivendo os efeitos da recessão. Para outras, a saída é mais radical: unir-se aos provedores de banda larga e vender pacotes “combo”. O assinante pode até ficar sem alguns canais, mas sem conexão é que não fica.

Ao que se sabe, o fenômeno do cord-cutting ainda não chegou ao Brasil. Mas aqui tudo é diferente: não há nenhuma estatística a respeito.

Festa japonesa esfria com a crise

Aquos 8KTermina neste sábado em Chiba, na região metropolitana de Tóquio, a edição 2014 da CEATEC (Combined Exhibition of Advanced Tecnhologies), principal feira de tecnologia do Japão. Pelo que se sabe, infelizmente o evento este ano aconteceu numa atmosfera mais fria do que de costume, devido à recessão que ainda se abate sobre o país. A ausência de marcas importantes – como Sony e Hitachi, que pela primeira vez deixaram de participar – reduziu bastante o interesse, pelo menos para aqueles mais ligados ao segmento de displays. Em compensação, foi mais um show de tecnologia avançada, especialmente nas áreas de robótica e microcomponentes.

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Destaco aqui o protótipo do TV 8K da Sharp (acima), desenvolvido em parceria com a NHK, emissora japonesa que, como se sabe, lidera os estudos para implantação desse padrão de transmissão. O aparelho, de 85 polegadas, foi uma das atrações da CEATEC, ao lado dos carros elétricos e dos variados tipos de robôs que a indústria japonesa domina com folga. Este vídeo, por exemplo, mostra a “mulher andróide”, como está sendo chamada a boneca da Toshiba (foto ao lado) que tem o tamanho de uma mulher adulta – longe de ser um brinquedo, está sendo preparada para assistir pessoas doentes ou com necessidades especiais.

Mesmo com a crise, que este ano começou a dar sinais menos negativos, o Japão continua sendo imbatível nessas tecnologias de ponta. Mas não é de graça. O próprio governo local ajudou a bancar a CEATEC e está cofinanciando as pesquisas na área de TV 8K, sem falar em energias renováveis, reciclagem e uma série de outros setores. Seu raciocínio é claro: foi a tecnologia que levou o Japão a ser uma potência mundial, e é ela mesma que irá ajudá-lo a sair do baque financeiro.

Amazon abre sua primeira loja

amazon storeQuase vinte anos após revolucionar o varejo mundial inventando o conceito de e-commerce, a Amazon vai inaugurar em breve sua primeira loja física. Será em Nova York, na Rua 34, bem em frente ao Empire State Building, ou seja, no “coração do mundo”. As notícias disponíveis indicam que não será uma loja qualquer – nem poderia ser, considerando o local escolhido e a cabeça de seu proprietário, Jeff Bezos (na foto do The Wall Street Journal, o agora badalado endereço).

Talvez não seja assim uma… Apple Store, mas está sendo projetada com dois objetivos básicos: atrair turistas para convencê-los a comprar produtos da própria Amazon (como os tablets da linha Kindle); e servir como mini-central de distribuição (a Amazon tem dezenas delas espalhadas pelos EUA, mas não há nenhuma tão próxima do maior centro de consumo do planeta).

Analistas de mercado já começaram a dar suas explicações para essa surpreendente decisão. Afinal, a Amazon sempre vendeu a ideia de que comprar pela internet é muito melhor… Uma observação pertinente é que, apesar de seu estrondoso sucesso, a grande loja virtual ainda não conseguiu (talvez jamais consiga) conquistar todos os consumidores. Mesmo dentro dos EUA, muitos ainda preferem fazer compras em lojas físicas. Tanto que um dos serviços de maior sucesso no site ultimamente vem sendo o chamado in-store pickup – quando a pessoa compra pela internet, mas retira o produto na loja.

Uma coisa é certa: poucas empresas no mundo têm tanto domínio sobre os hábitos, preferências e necessidades de seus clientes. Para quem quiser entender melhor esse fenômeno, tomo a liberdade de indicar meu livro Os Visionários, que tem um capítulo inteiro dedicado a Jeff Bezos e a saga da Amazon.

PNAD e o mercado de tecnologia

Quero comentar hoje alguns dados da última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada recentemente pelo IBGE, aquela mesma que causou polêmica ao apontar que a desigualdade no país havia aumentado (na verdade, diminuiu). Os dados do levantamento, válido para 2013, que se referem a produtos eletrônicos são interessantes.

Mostram, por exemplo, que a penetração da televisão entre as famílias brasileiras já é de 97,2% – nos principais países da Europa, no Japão, Coreia do Sul e América do Norte, é de 99%. Dos 65,1 milhões de domicílios existentes no país, 49,5% possuem computador, o que representa crescimento de 2,6 milhões em um ano; deles, 28 milhões têm acesso à internet (43,1%), embora a pesquisa não identifique que tipo de banda larga (móvel ou fixa). Curiosamente, caiu de 80,7% para 72,4% o número de residências com aparelho de rádio, o que com certeza tem a ver com o aumento da audiência desse veículo pela internet.

Outra curiosidade: em 53,1% das casas, só se usam telefones celulares. Mas são nada menos do que 130,8 milhões os brasileiros, acima de 10 anos de idade, que têm um celular – 6,3 milhões a mais do que em 2012.

Não sei se é prematuro concluir, mas a impressão que fica é que os brasileiros decidiram mesmo fazer como os chineses, que há anos abandonaram os telefones fixos e quase só usam celular. É mais prático e, em muitos casos, mais barato – inclusive para as operadoras.

Dolby Atmos: a lista começa a crescer

Foram divulgados nesta quarta-feira mais três lançamentos da Paramount em discos Blu-ray com processamento de áudio Dolby Atmos. Depois de colocar no mercado americano, na semana passada, Transformers: A Era da Extinção, conforme anunciamos aqui, o estúdio agora promete Hercules para o dia 4 de novembro; segue-se o remake de Tartarugas Ninja (16/12). Outro estúdio (Lionsgate) anunciou seu primeiro lançamento do gênero: Step Up All In, que faz parte da série Eu Danço Ela Dança, também sai dia 4.

Aliás, junto com o lançamento de Transformers, a Dolby colocou na internet este vídeo, uma espécie de making-of do trabalho de remixagem que o projeto envolveu. Vale a pena assistir.

Ultra-HD: daqui a quanto tempo?

4k penetrationÉ consenso entre os especialistas que a última grande revolução da indústria eletrônica foi a alta definição. O salto de qualidade entre a imagem padrão VHS (aproximadamente 250 linhas horizontais) e a HD (1080) foi fácil de perceber, até mesmo para o usuário leigo. O salto que se tenta atualmente – de HD para UHD (2.160 linhas, cada uma com 3.840 pixels verticais) – já é mais difícil de assimilar, embora saibamos todos que há um aumento de quatro vezes na quantidade final de pixels.

Uma das perguntas mais comuns na indústria, hoje, é se o UHD (4K) terá a capacidade de avançar mais rapidamente do que foi o processo de implantação do Full-HD (1.920 x 1.080p), denominação criada para se diferenciar do HD inicial (720p). Essa sopa de números e letras, aliás, está na raiz das dificuldades que muitos usuários têm para compreender a evolução das tecnologias de vídeo.

Falo desse assunto porque acabo de ler uma nova pesquisa, da consultoria americana IHS, mostrando que o 4K está se popularizando mais rapidamente do que o esperado. Segundo os pesquisadores, a transição SD-HD levou mais de vinte anos para atingir a chamada “maturidade” de mercado. Foi há dois anos, quando 74% das residências europeias possuíam pelo menos um aparelho HD (os EUA não servem como parâmetro nesse tipo de análise). O UHD, que oficialmente só foi homologado em 2012, terá percentual semelhante por volta de 2025, diz o estudo – ou seja, treze anos de evolução.

Parece muito tempo, mas em tecnologia é quase nada.