Ooops! Sinal de alerta.

Na tarde desta quinta-feira, fomos surpreendidos pelo que parecia ser uma “invasão” neste blog e no site hometheater.com.br. Felizmente não era, segundo a Google, que administra o serviço a partir dos EUA; apenas um problema de código nos banners de publicidade, sem risco para os usuários. Mesmo assim, uma mensagem de alerta continuou aparecendo para todos que tentaram acessar os sites. Lamentavelmente, não temos como impedir. Aliás, nada há a fazer, a não ser esperar que a própria Google corrija o bug. Pedimos desculpas a todos.

Novos recursos, mercado incerto

estande TVsComo era de se imaginar, a alta do dólar está sendo péssima para o ambiente de negócios. A cotação saltou de R$ 2,18 em outubro de 2013 para R$ 2,40 em setembro de 2014, e agora, como se sabe, estamos na faixa de R$ 2,90. Para o setor eletrônico, essa é a pior notícia, refletindo-se na queda de investimentos e/ou no aumento dos preços ao consumidor.

Mesmo com o clima de incerteza, resultado de uma política econômica desastrada, há novidades interessantes no horizonte. Para quem pensa em trocar de TV, por exemplo, estão chegando daqui até abril três novas marcas de TVs 4K: Panasonic, Philips e Toshiba. Até agora, o segmento top do mercado vem sendo disputado por apenas três fabricantes – LG, Samsung e Sony, sendo que esta última sofre com os efeitos da crise que afeta a matriz japonesa.

Mais produtos significam maior competição, o que sempre é vantajoso para quem vai comprar. Um levantamento inicial da equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL mostra que estão à venda no país 15 modelos 4K, com tamanhos variando entre 50 e 85 polegadas, sendo três deles de tela curva. Com exceção dos dois TVs Philips, de 50″ e 58″, todos possuem a polêmica conexão HDMI 2.0 60P, que já comentamos aqui e que garante compatibilidade com as transmissões em resolução UHD, tanto da televisão quanto da internet.

Passamos, portanto, a um novo estágio do mercado, ampliando as opções para o consumidor mais exigente. Aguardem os próximos posts para acompanhar essa evolução.

De volta, ao infinito e além…

Aos prezados leitores, informo que, após 20 dias de recesso devido a problemas de saúde, estamos retomando as atividades deste blog. Aos poucos, vamos voltando à atividade normal e tentando colocar os assuntos em dia. Agradeço a compreensão de todos, especialmente aqueles que enviaram mensagens de carinho e apoio.

E bola pra frente, que muito assunto para comentar!

QD pode ser a saída para o LCD

Na época da CES, abordamos aqui a tecnologia QD (Quantum Dot; alguns vêm traduzindo como “pontos quânticos”), que começa a ser adotada por vários fabricantes de TVs. Na Feira, as principais marcas fizeram demonstrações indicando que a novidade estará nas linhas 2015. “Novidade”, claro, é força de expressão: a Sony já utiliza esse tipo de painel desde 2013.

Utiliza, mas nem todo mundo ficou sabendo, já que a empresa pouco explorou essa inovação. Trata-se de uma película de nanocristais que se aplica sobre o painel interno do TV; essas partículas são ultra-sensíveis e, conforme os impulsos elétricos, reproduzem luz de alta intensidade, aumentando a dinâmica das cores, que se tornam mais naturais e vibrantes.

A Sony chamou esses painéis de Triluminous, e cada fabricante adotou uma nomenclatura: na Sharp, Beyond 4K; na Samsung, SUHD; e, na LG, Color Prime. Segundo a consultoria DisplaySearch, tudo isso para chegar próximo da performance dos TVs OLED. Estes são considerados ainda imbatíveis em termos de cores, contraste e profundidade de imagem, porque emitem a própria luz, dispensando o painel de backlight. Isso, até o momento, ninguém conseguiu com a tecnologia LCD.

Spotify chega ao PlayStation

PS Spotify

 

Menos de um ano após o lançamento, a Sony está desativando seu serviço de streaming Music Unlimited e transferindo seus usuários para o Spotify. A partir de março, os assinantes da PlayStation Network (PSN) terão acesso a um serviço chamado ‘PlayStation Music’, que nada mais é do que uma versão do Spotify para usuários do videogame. As músicas poderão ser ouvidas a partir dos consoles PS3 e PS4, além dos tablets e smartphones Xperia. O Spotify, que hoje rivaliza com o iTunes em variedade e acessibilidade, é mantido por uma empresa sueca operada a partir da Inglaterra. Oficialmente, possui cerca de 15 milhões de usuários pelo mundo.

Essa decisão da Sony confirma o que vem se observando no mercado em geral: os fabricantes de equipamentos buscam parcerias estratégicas com provedores de serviço. A ideia inicial de cada um ter a sua própria rede (Samsung, LG, Panasonic e outras também tentaram) parece que vai deixando de ser prioridade. É mais prático se unir aos “inimigos”, que no caso são nomes como Spotify, Amazon, Netflix, Vine, Google. E outros que vêm por aí.

Cotas, também no Netflix

Até que demorou. Uma fonte da Ancine revelou à colunista Keila Jimenez, da Folha de São Paulo, que a Agência pretende estipular cotas para produções nacionais também nos serviços de vídeo pela internet – Netflix é o mais famoso deles. A ideia seria exigir que 30% dos produtos oferecidos sob demanda sejam brasileiros.

Como se sabe, em 2012 a Ancine conseguiu impor esse mesmo tipo de regra às programadoras de TV por assinatura. O fortíssimo lobby dos produtores de cinema e vídeo no Congresso fez aprovar a medida, apesar de longa e intensa polêmica. Com a internet, era mesmo de se esperar que algo do gênero fosse proposto, até porque é uma reinvindicação das próprias operadoras de TV paga, que desde aquela época cobram do governo um tratamento igual para as empresas online.

O sucesso do Netflix e de outros serviços de video-on-demand deve estar atraindo os olhares dos produtores, o que é compreensível. Mas essa batalha pode ser inglória. Os cerca de 2 milhões de assinantes brasileiros do Netflix (o número é da própria Ancine) podem acessar o serviço mesmo que estejam do outro lado do mundo: basta ter um aparelho ligado a uma conexão de banda larga minimamente robusta. Quem irá impedi-los?

No fundo, estamos assistindo a mais um capítulo da velha saga brasileira em torno do levar-vantagem-em-tudo. Esse pessoal parece não entender a revolução da internet. Nela, não cabem cotas. A distância entre conteúdos bons e ruins não é determinada por um decreto, mas sim por um clique do usuário. Como, aliás, mostra bem este artigo.

Toshiba fora do mercado de TVs

Mais uma gigante japonesa dá adeus ao segmento de TVs. Nesta quinta-feira, a Toshiba Corporation anunciou em Tóquio que está repassando sua operação na América do Norte ao grupo chinês Compal Electronics. Também está negociando para vender o uso de sua marca em outros países, ainda não definidos.

O Compal já atua no Brasil através da Compalead, que produz componentes em Jundiaí (SP). Mas a situação nos EUA é bem diferente da brasileira. Aqui, quem controla a marca é a Semp Toshiba – que, aliás, deve lançar em breve seu primeiro TV 4K. O problema é mesmo com os japoneses, que aparentemente querem se dedicar a segmentos mais rentáveis. Ao fazer o comunicado, o presidente da Toshiba, Keizo Maeda, anunciou que o grupo teve lucro de 10% no período abril-dezembro, mas que a divisão de TVs continua no prejuízo.

A Toshiba segue, assim, o caminho já adotado por suas rivais japonesas. Em outubro, a Panasonic transferiu parte de sua divisão de TVs (herdada da Sanyo) para o grupo chinês Funai. Pouco antes, a Sharp abriu mão do mercado europeu, vendido à UMC Slovakia. A Sony continua afirmando que não sai do mercado, mas transformou sua divisão de TVs numa unidade à parte do grupo.

Enfim, são as dores da violenta competição com coreanos e chineses que, cada vez mais, dominam esse setor da indústria.

UHD: mais dúvidas do que certezas

4k conflictComentamos algumas vezes aqui sobre a tecnologia Ultra-HD (4K) e seus benefícios, e muitos leitores parecem confusos diante da opção de trocar seus TVs agora. Será que vale a pena já adotar um 4K? Li em alguns sites coisas como “melhor deixar para 2016″, como se alguém tivesse certeza de que daqui a um ano as dúvidas terão desaparecido…

Sinto informar que ninguém – ninguém mesmo! – tem essa resposta. Depois de tudo que foi declarado, publicado, fotografado e filmado durante a CES (sempre é bom dar uma olhada no nosso hot site), e após duas semanas de repercussões, fica claro que a própria indústria está dividida. Aos poucos, vamos tentar aqui esclarecer as questões técnicas e mercadológicas que envolvem essa mudança.

A principal inovação trazida pelo UHD, claro, está na resolução de imagem (cerca de 8,3 milhões de pixels, contra pouco mais de 2 milhões do Full-HD). Só que, infelizmente, não basta colocar mais pixels no TV; isso, por si só, não torna a imagem mais convincente. Ao contrário do que aconteceu na chegada do FHD, a percepção do usuário diante da tela não é tão impactante. Ou seja, 4K realmente é superior, mas nem todo mundo percebe isso claramente!

O que a indústria tenta agora, com a chamada “2a. Geração” de TVs 4K, apresentada na IFA (em setembro) e na CES, é deixar essa sensação mais transparente para o consumidor. No entanto, isso só será possível se todos os fabricantes trabalharem juntos a partir de normas técnicas padronizadas. É uma pena, mas até hoje a tecnologia UHD não encontrou um padrão.

Daí por que foi criada, no final do ano passado, a UHD Alliance, uma associação dos principais fabricantes com os estúdios de cinema visando estabelecer normas que todos apoiem. Não é fácil. Alguns – Philips, Toshiba e a chinesa TCL, por exemplo – fecharam acordo para usar o processamento Dolby Vision, que aumenta a faixa dinâmica do sinal, com ganho precioso de contraste. Ótimo, mas a Dolby cobra royalties, e os demais fabricantes não querem pagar; acham que a Alliance deve desenvolver um processamento único, cujo custo seria bem mais baixo, e assim todas as empresas (e o consumidor) se beneficiariam.

Esse é apenas um exemplo (comentaremos sobre outros nos próximos posts). Pela enésima vez, a indústria entra em desacordo por causa de normas técnicas, confundindo o consumidor que está em vias de decidir sua compra. Na semana passada, o site californiano GigaOM (aliás, um dos mais competentes no segmento) deu detalhes sobre esse conflito.

Enfim, voltando à pergunta inicial, vale a pena adotar já o 4K? Acho que sim, vale, mas sem ilusões (claro, dependendo do preço). Um bom TV Full-HD atende hoje plenamente as necessidades de um usuário exigente. E não há o que assistir, ainda, em 4K. Mas isso pode mudar rapidamente (aguardem aqui notícias sobre Netflix, HEVC, HDR e outras inovações e serviços que essa tecnologia oferece).

TV chega à internet. Mesmo!

Justin TVParece que estamos falando uma grande novidade(!!!), mas o fato é que, apesar das resistências, a distribuição de conteúdos de TV pela internet é irreversível. No final do ano passado, a FCC (Federal Communications Commission) – que nos EUA equivale à Anatel – anunciou uma mudança no regulamento do que lá é chamado MVPD (Multichannel Video Programming Distributor).

Até agora, essa denominação – que não existe na legislação brasileira – valia apenas para emissoras de TV aberta e operadoras de TV paga (cabo ou satélite); com a mudança, ganham essa designação todas as empresas que comercializem mais de um canal, não importando a mídia utilizada. Os sites de streaming de vídeo, pago ou não, passam a ter, portanto, o mesmo status legal que as redes tradicionais.

Não é pouca coisa. Durante a CES, o presidente da FCC, Tom Wheeler, deu várias entrevistas a respeito. Especialistas acham que a nova regra tende a revolucionar o mercado americano. Com certeza, irá influenciar também os demais países que levam a sério a questão da comunicação nesta era multimídia. “Nenhum grupo, por maior que seja, deve ter controle absoluto sobre a distribuição de conteúdo via internet”, anunciou Wheeler. “O que queremos é justamente quebrar esse gargalo”.

A proposta deverá ser detalhada nas próximas semanas pelo conselho da FCC, depois submetida a um período de consultas públicas e, enfim, oficializada como norma obrigatória. Nos EUA, como aqui, montar uma estrutura de distribuição de conteúdos de vídeo exige grandes investimentos. No mundo da internet, os custos são significativamente mais baixos. A FCC quer reduzi-los ainda mais, sob o princípio de que isso permitirá o surgimento de mais redes e, portanto, a oferta de mais conteúdos a um público mais amplo.

Na prática, qualquer pessoa vai poder negociar com uma produtora ou emissora de sua cidade para distribuir seus conteúdos via internet, sem necessidade de construir uma “estrutura de rede”. Essa atividade deixa de ser restrita a grandes grupos econômicos, o que é extremamente positivo. Claro, as redes tradicionais não estão gostando, e ainda haverá debates calorosos. Mas isso já aconteceu “n” vezes na história da evolução tecnológica. E todo mundo que tentou impedi-la acabou sendo atropelado.

Para quem se interessa pelo tema, este artigo traz boas explicações.

TVs 4K contam com ventos a favor

TVs 4KNão há estatísticas oficiais no Brasil, apenas estimativas, mas nos principais mercados internacionais os TVs 4K já são maioria no segmento acima de 55 polegadas. A mais recente pesquisa divulgada pelo site coreano Etnews aponta que a Copa do Mundo fez o percentual subir de 5% para 25%, chegando ao final do ano passado acima de 50%.

Já a consultoria DisplaySearch estima que este ano serão vendidos mais de 80 milhões de TVs desse tipo (de todos os tamanhos), o que significaria 153% sobre o total atingido em 2014 (32 milhões). Com números um pouco diferentes, outra consultoria (FutureSource) aponta tendência parecida.

Ainda é bem pouco, considerando o universo total de TVs: aproximadamente 250 milhões de aparelhos vendidos por ano. Mas, pensando bem, é um crescimento e tanto num período de apenas dois anos. Apenas para referência: os TVs Full-HD, que começaram a ser lançados em 2003, demoraram cerca de cinco anos para atingir essa marca.

Infelizmente para os fabricantes, alguns dos países com  potencial para adotar a nova tecnologia estão em recessão, caso do Brasil, que anos atrás estava entre os quatro ou cinco líderes em vendas. Mesmo assim, a chamada 2a. Geração do 4K – apresentada na CES – é uma boa aposta: se alguém ainda tem dúvidas sobre a diferença de qualidade em relação aos Full-HD, é só aguardar os próximos meses.

Regulação da mídia. Pra valer!

O novo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, assumiu prometendo colocar em prática uma das principais bandeiras do PT: a chamada “regulação da mídia”. O assunto foi evitado durante todo o primeiro mandato da presidente Dilma Roussef, mas o partido não descansa. Com praticamente todos os grandes grupos de comunicação criticando o governo, e não é sem motivo, a tese é um hit em todos os discursos dos petistas.

Deixando de lado (por enquanto) as controvérsias que o tema provoca, seria ótimo que o ministro começasse seu trabalho propondo como resolver a questão das emissoras de televisão que alugam seus horários para sites de televenda e igrejas. A notícia saiu na semana passada: a Justiça Federal ordenou que o Minicom investigue a Rede CNT, cuja programação está recheada de programas da Igreja Universal, com quem assinou contrato com duração de oito anos! A lei proíbe que qualquer emissora, cujo serviço é uma concessão pública, alugue mais de 25% de seu espaço.

Na verdade, a Justiça acatou pedido do Ministério Público que, com base em pareceres de dois grandes juristas (Celso de Mello e Fabio Comparato), acusa o governo de “omissão” no caso – o ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, chegou a dizer que nada havia de ilegal no contrato!!!

Claro que a afronta à lei não se restringe à CNT, nem à Igreja Universal. As redes Band, Rede TV! e Gazeta são outras campeãs do aluguel, como qualquer telespectador pode comprovar; a Rede 21 (que pertence à Band) fechou contrato de 22 horas diárias com a mesma Universal, diz o jornal Folha de São Paulo.

A questão é saber se o governo quer, de fato, regular as atividades de mídia, impedindo irregularidades como essa, ou apenas pressionar os veículos que lhe fazem oposição. Este segundo caminho, como se sabe, já foi seguido em países como Argentina, Venezuela e Equador, onde foi virtualmente eliminada mídia de oposição. Precisando de apoio no Congresso, vamos ver até que ponto a promessa do ministro é pra valer.

Amazon vira produtora de cinema

amazoninstant1A previsão de que as empresas de internet irão dominar o mundo aos poucos vai sendo confirmada. Google, Facebook, PayPal, Netflix etc. já são verdadeiros monstros, mas a notícia deste início de semana vem da Amazon. A maior loja virtual do planeta acaba de anunciar que ainda este ano irá lançar produções próprias para cinema e reduzir a janela de lançamento nas mídias digitais.

Hoje, por imposição dos estúdios e das grandes redes de exibição, um filme só é liberado para lançamento em vídeo (incluindo mídias físicas e digitais) alguns meses após ter esgotado seu ciclo nos cinemas. Essa é uma regra de ouro da indústria cinematográfica, que assim consegue ganhar duas vezes com o mesmo produto. A Amazon ameaça quebrar esse esquema.

Nos EUA, o serviço Instant Video, da Amazon, é o terceiro mais acessado (atrás apenas de Netflix e Hulu). O plano é lançar 12 produções próprias por ano, com orçamentos entre 5 e 25 milhões de dólares (pouco, para o atual padrão de Hollywood). Esses filmes estariam no Prime Instant Video um ou dois meses após a estreia nos cinemas (a média, hoje, é de seis a oito meses).

Na verdade, a Netflix já tinha anunciado planos semelhantes. Depois do sucesso de suas séries, notadamente House of Cards e Orange is the New Black, a empresa vem fazendo vários acordos com produtoras independentes e quer aumentar a oferta de conteúdos exclusivos este ano. Mas a Amazon vai além: está contratando diretamente diretores/produtores de peso, como Woody Allen e Steven Soderbergh, para distribuir seus próximos filmes por esse canal.

Mais: a empresa está abrindo espaço para produtoras independentes que não encontram espaço em Hollywood. Criou até uma plataforma online, onde o público pode ver trechos de novas produções (ainda não concluídas) e votar nas suas preferidas. Naturalmente, as mais votadas terão preferência para futuro lançamento. Aliás, a Amazon acaba de ganhar o Globo de Ouro por sua produção Transparent.

Se a estratégia der certo, será uma reviravolta em toda a cadeia de produção de filmes e vídeo.

A saída para os japoneses

japanNa semana passada, complementando informações divulgadas durante a CES, fontes da Sony revelaram que a empresa planeja uma grande reestruturação este ano. Diante de mais um ano fiscal de prejuízos (estimados em US$ 1,9 bilhão), o CEO Kazuo Hirai anunciou “drásticas reformas” nas divisões de TV e mobilidade – mais detalhes estão neste artigo, traduzido do The Wall Street Journal.

Mas o problema não afeta somente a Sony. Toda a indústria japonesa está diante desse enorme desafio, que é trazer o país de volta aos tempos de liderança mundial em tecnologia. Panasonic, Sharp, Toshiba e outras gigantes japonesas estão na mesma situação, e até o governo do país está empenhado em ajudá-las. Mas como?

Analistas citados pela agência de notícias Reuters comentam que, nesses grupos, até a hipótese de vender a divisão de TVs está sendo considerada, embora hoje isso represente quase uma heresia. A questão se agrava quando os executivos fazem as contas e descobrem que nem essa medida extrema pode ser solução. Os possíveis compradores talvez não queiram ficar com todos os ativos, e os custos para a imagem das marcas podem ser desastrosos.

“Hoje em dia, qualquer um é capaz de produzir TVs”, resume o CEO da Panasonic, Kazuhiro Tsuga, ao analisar as dificuldades. “E isso acontece também com smartphones”, acrescenta, garantindo que sua decisão de focar em segmentos mais rentáveis – como eletrodomésticos de alto padrão e sistemas inteligentes para automóveis – vem dando certo.

No entanto, assim como seus colegas das outras gigantes, Tsuga terá que mostrar isso no balanço financeiro do ano fiscal, que termina em março.

Governo apoia inovação (na Coreia)

Esta é só pra nós aqui ficarmos com inveja. O site asiático Digitimes informa que o governo da Coreia do Sul, através de seu Ministério de Comércio, Indústria e Energia (lá, eles têm poucos ministérios…) lançou um projeto para desenvolver semicondutores e materiais usados no setor de tecnologia. O ministro formou um grupo que reúne representantes da indústria e das universidades, e foi montado um plano de negócios para o período 2013-2017; claro, já está em andamento, mas até agora não se conheciam detalhes.

O grupo, que contará em parte com um fundo criado pelo governo, definiu três segmentos prioritários: chips de memória não volátil (flash), chips de computador baseados na mistura cobre-grafeno e transistores do tipo TFET (Tunnel Field Effect). A ideia central é produzir uma nova geração de componentes, com baixo consumo de energia, para abastecer o segmento de dispositivos móveis, incluindo os wearables (vestíveis).

Enquanto isso, no Brasil o ministro responsável pela área diz que o país sente falta de políticas como a antiga reserva de mercado na informática…

Quanto custa a música digital?

pono-neil-young-g1Outra polêmica da CES 2015 foi provocada pelo cantor e compositor canadense Neil Young, ao lançar o player Pono (foto). Causou muita discussão, não pelo fato de não ser apenas mais um player de música digital igual a tantos, mas pela atitude do artista, que iniciou uma verdadeira cruzada para promover a novidade.

Young é daqueles roqueiros que as pessoas amam ou odeiam. Aos 69 anos, nunca fez concessões, brigou com dezenas de colegas e executivos da indústria musical, além de ter sido o primeiro – que eu me lembre – a criticar publicamente o uso de drogas no meio artístico (compôs até uma música a respeito, The Needle and the Damaged Done – confiram neste link). Pelo visto, continua um excelente polemista.

Pono não é apenas um player, mas uma plataforma de música digital que se propõe a resgatar o que Young considera “fidelidade sonora”. Algo que se prezava muito na época do áudio analógico, mas que perdeu importância com a chegada do MP3. O serviço promete milhões de canções, de diversos gêneros, para streaming em alta resolução (96kHz, 24-bit). Há quem diga que o ouvido humano não consegue perceber sons com essa frequência de amostragem, mas também existem aqueles que, aos primeiros acordes, dizem reconhecer ali a essência da música (mais detalhes aqui).

Young, é claro, está neste segundo grupo. “Queremos que o Pono seja como um despertar da música, que vem sendo tão massacrada nos últimos anos”, disse ele à edição americana da Rolling Stone. “Mas estamos apenas no começo. Aos poucos, queremos buscar o apoio de outros artistas e da comunidade musical como um todo. O MP3 é ótimo, pela praticidade, ajudou muita gente a se interessar por música. Mas as pessoas precisam saber o que é, de fato, atingir seu coração através do som. No fundo, tudo se resume em recuperar o prazer de ouvir música bem executada e bem gravada”.

O músico garante que a plataforma do Pono será sempre aberta, e até convida empresas como Apple e Google a adotarem essa tecnologia. “Só não vamos permitir que eles destruam a ideia de música em alta fidelidade”, promete. Uma das críticas é de que o aparelho é muito caro: US$ 379, preço de lançamento nos EUA. Mesmo assim, é interessante pensar que Young dedicou os últimos anos a montar esse modelo de negócio. Reuniu engenheiros de áudio experientes a especialistas em software e, pela internet, criou uma startup, financiando ele próprio boa parte do projeto. Acabou atraindo investidores e até agora já conseguiu vender 20 mil unidades de seu player.

É pouco, claro, mas as ambições desse músico incansável vão bem longe.

TVs agora são computadores

android-tvNão é de hoje que os televisores vêm incorporando funções típicas de computadores. Embora sejam aparelhos bem distintos, para os fabricantes o fato de aproximá-los simplifica os processos de produção e reduz os custos. O problema é que TV e PC se destinam a aplicações diferentes, e nem todo usuário se dá bem ao misturá-las.

Ver televisão é, quase sempre, um hábito gregário, coletivo, enquanto o uso do computador é individual, solitário. A não ser em casos muito específicos, o PC tem tela pequena e exige concentração do usuário, enquanto o TV amplia o envolvimento conforme se aumenta o tamanho da tela. O ato de ver TV é mais passivo, usamos o controle apenas para as funções básicas (volume, troca de canal, um ou outro ajuste); já no computador, interagimos o tempo todo com a tela e seus ícones, seja através do mouse ou via touchscreen.

Os TVs chamados smart são o melhor exemplo de aproximação entre TV e PC. Alguns modelos exigem conhecimentos de informática para descobrir todos os seus recursos… A infinidade de aplicativos e serviços on-demand já não cabe mais num controle convencional, daí por que os principais fabricantes estão transformando seus controles em… isso mesmo: mouses.

Na última CES, confirmou-se o que já vinha se afigurando desde o início do ano passado: os principais fabricantes de TVs estão adotando sistemas operacionais de computador, na tentativa de facilitar a navegação (sim, esse é um termo típico da informática que agora migra para a televisão; ninguém mais “zapeia”, apenas “navega”). Exemplos:

*A LG criou a versão 2.0 do WebOS, sistema operacional herdado dos tablets antigos (lembram-se do Palm?) e que já estava na linha de TVs 2014. Visualmente, é um mix entre uma tela de internet (tipo Netflix) e os guias de programação das operadoras de TV paga (neste vídeo, mostramos alguns detalhes).

*A Samsung lançou na CES um sistema próprio, chamado Tizen, depois de tentar várias formas de adotar o Google TV (hoje aposentado). Está em fase bem inicial, apelidado “sistema operacional de tudo”, numa alusão à IoE (internet of everything), que por sua vez já mudou o nome para o IoT (internet of things, ou “internet das coisas”). Vamos ver como o Tizen evolui.

*Sony, Philips e Sharp entraram em acordo com a Google e estão adotando, a partir deste ano, o Android TV. Também lembra uma tela de Netflix ou Amazon Video, mas por enquanto é impossível dizer se terá a mesma aceitação do sistema usado nos smartphones e tablets (vejam neste vídeo como funciona). Há, nos bastidores do mercado, uma queixa generalizada contra a Google, de que não costuma respeitar muito as parcerias. No caso, o entrosamento quanto a atualizações e avaliações de performance é crucial para o sucesso do produto.

*Já a Panasonic surpreendeu na CES ao demonstrar TVs com o navegador Firefox em seus aplicativos smart. Não é um sistema operacional (que exige processador dedicado), mas para quem já o conhece dos computadores pode ser mais fácil utilizar o TV.

Quantum Dot: a próxima geração de TVs

QDFoi um dos assuntos mais comentados na CES: Quantum Dot (QD). Os principais fabricantes de TVs se encarregaram de difundir as qualidades dessa tecnologia, que na verdade nem é tão nova assim; em junho de 2013, já abordávamos o tema aqui. Resumidamente, trata-se de uma película de nanocristais (semelhante ao da foto) que têm a propriedade de “quebrar” as ondas luminosas e, com isso, expandir a capacidade de reprodução do espectro de cores. Seria mais uma, entre tantas, formas de melhorar a performance dos displays de cristal líquido (LCD).

O fato de quatro dos maiores fabricantes (Sharp, Sony, LG e Samsung) estarem adotando a tecnologia QD, como mostraram na CES, é altamente significativo. É bom lembrar que, com exceção da LG, nenhum deles aderiu ainda ao OLED, tido como “o futuro dos displays”. Alguns resenhistas americanos, mais afoitos, já escreveram que os TVs com QD são “melhores que os OLED”. Difícil de acreditar.

O que sabemos é que a indústria como um todo precisa mesmo de uma nova tecnologia para sair da armadilha causada pelo 4K, cuja guerra de preços está afetando os balanços financeiros de todos os fabricantes, sem exceção. Pelo que conseguimos apurar, mesmo sendo uma tecnologia cara (a patente é da americana QD Vision), os paineis Quantum Dot ainda são mais baratos de produzir que os OLED.

Este ano, provavelmente veremos vários desses TVs no mercado brasileiro e, aí sim, poderemos tirar a prova sobre seu desempenho. Já se sabe, no entanto, de um detalhe negativo: os nanocristais contêm cádmio, material que havia sido abolido em quase todo o mundo devido aos danos que causa ao meio ambiente.

Segundo o site Korea Times, a Samsung já fez até um acordo com a gigante americana Dow Chemical para desenvolver os paineis sem cádmio. Um portavoz da empresa coreana afirmou que seus futuros TVs QD não terão esse componente. A conferir.

PlayStation pode salvar a Sony

PS-Now-Smart HubUma das boas surpresas da CES 2015 foi o anúncio da parceria entre Sony e Samsung em torno do PlayStation. Alguns TVs Samsung a serem lançados este ano terão, em seu menu smart, a opção para acessar a rede PlayStation Now (PSN) e jogar online, mesmo que o usuário não disponha de um console – bastará baixar o applicativo no TV. Evidentemente, para isso é necessário contar com uma boa conexão de banda larga (este vídeo de nosso enviado especial Saulo Ferreira mostra como funciona).

Não importa muito, no caso, se você gosta ou não de videogame. O mais significativo nessa parceria é a associação entre dois fabricantes que são (ainda) rivais. Como se sabe, a Samsung é lider mundial em TVs; aliás, desbancou do posto a própria Sony. Mas não produz videogames. Por sua vez, a Sony vem tendo prejuízo há anos no segmento de TVs, e sua divisão de games é o que está sustentando o grupo atualmente.

Difícil imaginar melhor exemplo de “parceria estratégica”, aquela em que as duas partes saem ganhando. Ao anunciar o acordo na CES, Masayasu Ito, executivo da Sony, não fez por menos: “Quanto mais gente puder ver e jogar PlayStation, melhor para nós, não importa qual seja o aparelho que usem”, comentou ele.

Para a Samsung, poder oferecer um app tão desejado quanto o PSN sem dúvida fará diferença na decisão de compra do consumidor. Não se sabe os termos da exclusividade negociada entre as duas empresas, mas já surgem nos bastidores da indústria especulações de que, se der certo, a parceria irá estimular algo que muita gente já imaginava: a Samsung simplesmente assumindo o controle da Sony, algo impensável até alguns anos atrás!

Será excesso de imaginação?

Show de áudio, vídeo e muito mais…

estande blogDepois da correria da semana passada, quando acompanhamos quase em tempo real a CES 2015 (aqui, o link para nossa cobertura), vamos agora, aos poucos, tentar explicar aos leitores o que houve de mais importante no evento. Como sempre, é preciso separar os lançamentos e as tendências daquilo que é apenas marketing, ou especulação.

Evidentemente, quem visita uma feira como a CES mal tem tempo de ver os produtos, quanto mais de avaliá-los devidamente. Embora alguns sites tentem iludir o leitor com o já famoso “testamos”, a verdade é que tudo que se vê em Las Vegas obedece a ótica dos fabricantes/expositores. Para falar com mais propriedade, teremos que esperar os produtos de fato chegarem (se chegarem) ao mercado.

Por ora, algumas observações genéricas, que exploraremos melhor nos próximos dias (nos links, direcionamos o leitor para tópicos interessantes do nosso hot site, em que cada assunto é abordado em mais detalhes):

OLED – A LG continua firme, porém solitária, na promoção dessa tecnologia. Ninguém até agora mostrou imagem melhor. Este ano, com a chegada dos OLED 4K, veremos o máximo que a tecnologia atual permite em termos de profundidade, contraste, resolução e colorimetria. Mas, se outros fabricantes não seguirem, essa tecnologia corre o risco de não se sustentar.

QUANTUM DOT – Ainda na área de TVs, a opção dos demais fabricantes (que não querem ou não podem investir em OLED por enquanto) é essa tecnologia de nanocristais, que de fato melhora a reprodução. Isso fica mais visível nas telas grandes. Pode-se dizer que os TVs 4K QD – a ser lançados por Samsung, Sony, Sharp e Panasonic – ficam a meio caminho entre os 4K atuais e os OLED.

MÚSICA DIGITAL – O mercado de áudio deve experimentar um crescimento a partir deste ano, com a oferta de mais aparelhos e mais conteúdos em HD. Até mesmo players e caixas acústicas sem fio estão atingindo uma performance excelente; alguns já são compatíveis com os formatos de alta resolução (FLAC e ALAC), e mesmo para a reprodução de filmes há novidades promissoras, como Dolby Atmos, Auro-3D e DTS Play-Fi.

MULTIROOM – Esses players e caixas sem fio estarão numa quantidade cada vez maior de residências, para atender a demanda dos usuários por som ambiente de qualidade. Empresas como Harman, Polk, Focal, B&W e Monster estão evoluindo rapidamente nesse caminho.

SMART – Está definitivamente consagrado o uso do smartphone (e do tablet) para comandar os aparelhos da casa. Isso provocará, a médio prazo, a morte do nosso velho companheiro, o controle remoto. Os que restarem ficarão cada vez mais parecidos com um mouse, até porque os fabricantes de TVs agora decidiram utilizar sistemas operacionais como os de computador.

Há ainda a Internet das Coisas, o Blu-ray 4K, a automação residencial plug-and-play, as soundbars, o uso dos consoles de videogame como centrais multimídia… enfim, uma série de novidades que marcaram a grande feira de Las Vegas. Acompanhem os próximos posts.