Bendgate e o marketing de exploração

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Um dos episódios mais comentados do mês passado, no mundo da tecnologia, foi o chamado “Bendgate”. Pouco depois do lançamento oficial do iPhone 6, no dia 9 de setembro, surgiram “denúncias” de que o aparelho era frágil… tão frágil que podia facilmente ser dobrado com as mãos. Vídeos caseiros se espalharam rapidamente pela internet (um deles foi este), obrigando a Apple a distribuir um comunicado oficial. A empresa disse ter vendido, em uma semana, mais de 1 milhão de aparelhos e ter recebido apenas sete ou oito reclamações a respeito.

Verdade ou não, fato é que se criou uma espécie de aura negativa em torno da nova geração de iPhones, e isso certamente ajudou a arranhar a imagem tão sagrada da Apple. Surgiram inúmeras piadas e memes (veja algumas neste link), e os concorrentes se apressaram em reforçar a crítica. A LG, por exemplo, primeira a lançar smartphones com tela curva, saiu-se bem: “Nossos smartphones não dobram; eles são naturalmente curvos”. A Samsung foi bem menos sutil, neste vídeo.

Mas a reação não demorou. O site da Consumer Reports, revista de defesa do consumidor, produziu um excelente vídeo (vejam aqui) com um teste prático sobre a resistência de cada um dos cinco smartphones mais vendidos no mercado americano. A conclusão é que o Samsung Galaxy Note 3 suporta um peso de até 68kg e o iPhone 5, assim como o LG G3, até 59kg. Nessa escala, o iPhone 6 ficaria um pouco abaixo (41kg) e o HTC M8 suportaria “apenas” 32kg.

A questão é que ninguém coloca seu celular sob pesos dessa magnitude, a menos que queira mesmo destruí-lo. Ou seja, mais uma polêmica inútil. Esta semana, a revista americana Forbes fez em seu site um balanço do episódio, mostrando que todas as marcas têm seus problemas físicos e erram quando usam marketing negativo sobre os concorrentes. O Galaxy Note 4, por exemplo, possui falhas de montagem nas bordas, diz o texto, que com o uso contínuo podem se abrir. O repórter montou até uma “tabela comparativa” entre as principais marcas e seus defeitos:

*iPhone – caro, consome muita bateria e não é compatível com os sistemas de outras marcas;

*Samsung e LG – são feitos de plástico e com estrutura e montagem deficientes;

*Motorola – além do material de má qualidade, o design é horrível;

*Nokia – usa Windows Phone, sistema que muitos consideram sem futuro;

*HTC – pesado, complicado e com câmeras de baixa resolução.

Então, com qual você fica?

LED vs OLED: por dentro das telas

Nesta quinta-feira, assistimos a uma demonstração interessante promovida pela LG: dois TVs (um LED e um OLED) foram cortados para que se pudesse ver como são por dentro. Você não leu errado: os TVs foram de fato cortados, num dos cantos, de tal maneira que pudemos ver – eu, pela primeira vez – como é a composição interna dos painéis. O resultado está neste vídeo.

A intenção do evento era mostrar que OLED, uma tecnologia na qual a LG aposta alto, é muito superior. Na verdade, já sabemos disso há tempos, mas o ponto é que a maioria das pessoas ainda não pôde perceber a diferença. Como os OLEDs são mais caros (mais que o dobro de um LED), isso precisa ficar bem claro. É o que a empresa se propõe a fazer agora nos pontos de venda onde exibe seu OLED de 55 polegadas (um dos modelos já lançados pode ser conferido neste outro vídeo).

lg-65ec9700-4K-OLED-curvoA LG continua sozinha nesse segmento e promete continuar investindo. Nesta semana, lançou nos EUA seu primeiro OLED 4K, de 65″ (foto), previsto para chegar ao Brasil no início de 2015 (e que mostramos em detalhes aqui). Lá, o preço sugerido é de US$ 9.999. Aqui? Ninguém sabe, principalmente em meio a uma eleição indefinida, que faz o dólar ficar fora de controle.

A propósito, para quem ainda não viu, este vídeo que fizemos na IFA traz uma boa comparação de imagem entre os dois tipos de TV.

Comparando TVs Smart

samsungsmarttv2013-1lConforme se aproxima o final do ano, vai se acirrando também a competição entre os principais fabricantes, e também entre as grandes redes de varejo, em torno dos novos TVs. Recentemente, a equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL fez um minucioso levantamento dos modelos disponíveis, tendo como foco principal as chamadas plataformas smart (leiam aqui).

Como já comentamos algumas vezes, hoje em dia é muito difícil – quase impossível, num ambiente de loja – identificar diferenças na qualidade de imagem entre os modelos das marcas mais conhecidas. Com o fim do plasma (a LG acaba de confirmar na Coreia que também está abandonando essa tecnologia, a exemplo do que já fizeram Panasonic e Samsung), o único fator que os distingue é a resolução (HD, Full-HD ou Ultra-HD).

O consumidor precisa, portanto, buscar essas diferenças em outros detalhes. E os recursos smart, especialmente para quem gosta de acessar conteúdos da internet, estão entre os mais interessantes. O levantamento mostra, por exemplo, que duas marcas – Samsung e Philips – dão ao usuário a possibilidade de utilizar um teclado qwerty para digitar textos na tela, o que é muito menos trabalhoso do que fazê-lo com um controle remoto convencional. LG e Panasonic oferecem comandos por voz, enquanto Panasonic e Samsung têm sistema de reconhecimento facial.

Nota-se um esforço constante dos fabricantes para facilitar a navegação – até porque são tantos os aplicativos e recursos adicionados que o usuário menos atento pode se perder com o controle remoto na mão. Uma recomendação básica para quem quer acessar a internet via TV é checar a velocidade do navegador, que por sua vez depende fundamentalmente do processador utilizado. Como em qualquer computador (convém não esquecer que um TV hoje é quase um “PC com imagem”), engasgos e/ou travamentos frequentes acabam inviabilizando o uso do aparelho.

Caímos aqui num ponto crucial: nem toda loja permite que seu cliente verifique esse tipo de detalhe. Já visitei lojas, nos EUA e na Europa, onde o vendedor entrega o controle ao cliente e deixa-o à vontade para experimentar o aparelho. Deveria ser obrigatório, mas no Brasil o mais comum é o contrário: apenas o vendedor (ou promotor) pode mexer. Uma pena. E também um desrespeito ao consumidor.

 

89° lugar em banda larga: acredite!

broadband-InternetA cada nova estatística, amplia-se o fosso que separa o Brasil dos países mais avançados em tecnologia. Ao mesmo tempo, o país sobe degraus no ranking de número de usuários. Não é necessário ser expert para perceber que o problema está na má gestão dos recursos destinados ao setor. Pior do que isso: na falta de uma política integrada, e necessariamente de longo prazo, que permita utilizar as inovações tecnológicas como vetores do crescimento econômico.

O último estudo da Akamai, empresa americana que é hoje uma das mais respeitadas nesse campo, é bem ilustrativo. Dos 238 países conectados à plataforma da empresa, o Brasil ocupa um vergonhoso 89° lugar no índice de velocidade média de banda larga, atrás – só para citar alguns exemplos – de Peru, Equador, Romênia e Tailândia. Foi o país que mais cresceu no número de endereços IP (43% em um ano), é terceiro entre os que mais usam a internet (à frente, apenas EUA e China), mas é um dos campeões (7° lugar) como fonte de ataques de hackers às redes.

O mais incrível é que essas colocações poderiam ser piores. Os rankings incluem apenas os países onde há pelo menos 25 mil endereços. A média de conexão brasileira (2,9 Megabits por segundo) está bem abaixo da média latinoamericana, que chegou a 5,6Mbps no segundo trimestre do ano. Uruguai, Chile e até Argentina conseguiram aumentar suas velocidades médias a taxas superiores a 30%, enquanto o Brasil cresceu somente 11% em relação ao primeiro trimestre. Tudo isso considerando que o período (abril-junho) foi exatamente o da Copa do Mundo, quando teoricamente deveríamos ter melhorado bastante esses indicadores.

O relatório da Akamai é bem abrangente. Analisa também as conexões de internet móvel. De novo, goleada: na Coreia do Sul, a velocidade média é de 15,2Mbps, enquanto no Vietnã, o pior da lista, fica em 0,9Mbps. Brasil: 1,5Mbps. Nosso país também está no grupo em que a adoção da banda larga móvel é mais baixa (0,5%). Aqui, é importante registrar que a Akamai só considera de fato “banda larga” as conexões a partir de 4Mbps. No Brasil, 0,5% dos usuários conseguem isso.

Por fim, a pesquisa levantou o chamado 4K Readiness, como é chamado o nível de capacidade de cada país para permitir streamings de vídeo nessa resolução. Aqui, nenhuma surpresa. A Akamai considera que o mínimo necessário para isso são 15Mbps, e somente 12% dos países pesquisados cumpre esse requisito. O ranking inclui 51 países, e o Brasil fica em 49° lugar, com 0,6% de capacidade. Difícil de acreditar, mas caiu em relação ao trimestre anterior, quando era 45° com 0,3% de capacidade.

Conclusão: enquanto os outros avançam, o país parece andar para trás!!! E, pelo que se vê nas campanhas eleitorais, nenhum dos candidatos têm a menor ideia do que fazer para diminuir o abismo.

Bem, esse é o triste quadro. Para quem quiser mais detalhes, o relatório pode ser visualizado neste link.

3D, a caminho do fim?

Que a tecnologia 3D sempre teve seus detratores, todo mundo sabe. Mesmo com o sucesso arrasador de Avatar, primeira superprodução de Hollywood totalmente feita com equipamento 3D, não foram poucos os que questionaram a iniciativa. Vários outros filmes foram lançados depois, mas é inquestionável que a maior parte do público não gostou da experiência.

Se faltavam argumentos para fazer a indústria – fabricantes e estúdios – abandonarem de vez o 3D, não falta mais. Os números de bilheteria dos cinemas americanos no último verão comprovam: além de terem sido lançados menos filmes desse tipo, o faturamento total despencou. Em 2012, as produções em 3D representaram 53% de toda a bilheteria de verão (claro, estamos falando apenas de filmes americanos); no ano passado, o índice caiu para 42%; e agora, 39% (este site traz mais informações).

Desconsiderando o fato de que a safra de filmes deste ano está sendo classificada como uma das piores de todos os tempos, e isso afeta também os lançamentos em 2D, o fato é que a tecnologia 3D está em xeque. Durante a IFA, por exemplo, assim como já tinha ocorrido na CES, em janeiro, houve poucas demonstrações. A maioria dos TVs possui o recurso, mas são raros os vendedores que lembram esse detalhe a seus clientes. Também não faz diferença: ninguém vai comprar este ou aquele modelo por causa disso.

christie-6P-LasersNa feira anual da IBC (International Broadcast Conference), realizada há duas semanas em Amsterdam, o assunto foi um dos mais discutidos. Ninguém tem uma saída, a não ser aquela, já clássica, de que o 3D irá pegar quando não forem mais necessários óculos (as previsões mais otimistas para isso indicam 2016). Mas surgiu pelo menos uma possibilidade: a empresa americana Christie, uma das líderes mundiais em sistemas de projeção para cinemas, demonstrou na IBC o sistema Laser 6P (foto), que já havia sido apresentado na NAB, em abril.

Basicamente, os projetores dessa categoria utilizam seis feixes de laser, sendo três para cada olho, com as cores básicas (vermelho, verde e azul). Com a intensidade do laser, consegue-se um nível de brilho impossível de ser alcançado pelas outras tecnologias. Vale lembrar que a “falta de brilho” é uma das queixas mais frequentes de quem assiste a filmes em 3D, já que os óculos acabam “engolindo” boa parte da luz emitida pela tela.

Se o sistema da Christie for bem aceito (seu custo estimado chega quase ao dobro de um projetor convencional), pode ser que o 3D tenha uma saída. Vamos ter que esperar para saber.

Estudar Matemática é preciso

Se o Brasil não cuida dos seus estudantes e finge que os está ensinando, como definiu brilhantemente o economista Eduardo Gianetti, quem sabe outros países possam fazer melhor esse trabalho. Nas próximas terça e quarta-feiras, a Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo, será palco de um evento que merece aplausos: o Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, promovido pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP), com apoio da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha.

O encontro é gratuito e aberto a professores, pesquisadores, educadores e estudantes das áreas em que o estudo da Matemática – eterna pedra no sapato dos brasileiros – é essencial: engenharia, arquitetura, economia, informática, telecom etc. Vários especialistas estão vindo da Alemanha para falar sobre como tornar mais atraente o ensino da Matemática e como essa ciência se aplica no dia a dia.

Recentemente, um matemático brasileiro, Artur Ávila, ganhou o chamado Nobel da Matemática, vencendo concorrentes de vários países. Foi a primeira vez que o troféu foi concedido a alguém que não é do Primeiro Mundo (na verdade, Artur tem dupla cidadania: é brasileiro e francês). O fato foi saudado como “prova do talento brasileiro”, mas um dos motivos que levaram o DWIH-SP a organizar o evento da próxima semana (já é o terceiro ano consecutivo) foi justamente a defasagem de estudantes e profissionais brasileiros em matemática. O problema, já tantas vezes denunciado, está por trás da crônica falta de mão-de-obra qualificada, que está paralisando a evolução do país.

Claro, não é só a Matemática. Pesquisa organizada pela Fundação Dom Cabral no ano passado revelou que 58% das empresas aponta a falta de formação básica como a maior dificuldade na contratação de novos profissionais. Esse simples dado já serve para confirmar que, muito além daqueles 7 x 1, os alemães nos vencem de goleada em vários setores.

O que achei mais curioso é que nenhum órgão de governo (federal, estadual ou municipal) está envolvido no Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação. Pensando bem, isso é ótimo. Só falta chegar no dia e aparecer algum candidato querendo faturar com o evento…

Em tempo: quem quiser mais informações sobre o encontro deve acessar este link.

Ajuste de última hora: pouco depois de publicar o texto acima, fiquei sabendo, pelo site Convergência Digital, que outro brasileiro (Murilo Zanarella) acaba de ganhar medalha de ouro na Olimpíada Iberoamericana de Matemática. Outro brasileiro, Alessandro Pacanowski, já havia obtido prêmio semelhante esta semana. O Brasil ainda tem mais duas medalhas de prata. Parabéns a todos e a seus professores.

DirecTV acena com 4K este ano

Numa rápida entrevista ao DSL Reports, site americano especializado em tecnologia de televisão, o presidente da DirecTV, Michael White, anunciou que a operadora pretende ter um serviço de video-on-demand em 4K até o final do ano. Não deu detalhes, mas explicou que o projeto está sendo conduzido com toda cautela, depois do “trauma” que foi a tentativa de implantação da TV 3D, quatro anos atrás.

Nós mesmos comentamos aqui, na época, sobre a empolgação em torno dessa tecnologia, quando alguns puderam assistir aos jogos da Copa do Mundo da África do Sul em seus aparelhos 3D. Dizia-se que em pouco tempo “tudo seria tridimensional”. Bem, viu-se o que aconteceu depois. Hoje, até mesmo os cinemas relutam em programar filmes tendo que distribuir aqueles óculos…

Com o 4K acontece fenômeno semelhante aos primeiros tempos do 3D, só que, como bem lembrou White em sua entrevista, não há o incômodo dos óculos. “Falta mais conteúdo, mas falta principalmente uma boa quantidade de TVs 4K nas casas das pessoas”, disse ele. “Melhorou muito este ano, mas ainda é pouco. Estamos acompanhando as vendas, e é isso que será decisivo para decidirmos quanto investir em 4K”.

Lendo essas palavras, lembrei de uma conversa tempos atrás com um executivo do setor que me dizia não ver grandes vantagens para uma emissora fazer esses investimentos. “Até hoje estamos pagando pelo HD”, queixou-se ele. “É tudo muito bonito, mas a verdade é que essas novas tecnologias só nos trazem custos. Ninguém está faturando mais por exibir programas em HD, e isso também irá ocorrer com o 4K”.

Falando há algumas semanas com Raymundo Barros, diretor da Globo (conforme citamos aqui), não me pareceu que ele compartilhe desse pessimismo: “A digitalização no nosso mercado é inevitável”, disse ele. “Não há alternativa, porque os telespectadores estão expostos a padrões de qualidade crescentes. Nosso desafio é encontrar o melhor modelo de negócio”.

Na (longa) era da incerteza

“A Era da Incerteza” (The Age of Uncertainty) é um dos mais belos e influentes livros do século 20. Foi escrito pelo economista canadense John Kenneth Galbraith (1908-2006), que até quase o fim da vida não cansou de criticar seus colegas de profissão pela enorme capacidade de errarem nas previsões. Para quem tem preguiça de ler, talvez ajude o link para este vídeo, que resume a adaptação feita pela BBC, que foi exibida no Brasil pela TV Cultura/SP. Lembrei-me da obra outro dia, ao ler um economista atual comentando a “incerteza” em que vivemos hoje, no Brasil, devido às idas e vindas da economia e da política.

A palavra cabe também ao setor de televisão, por mais que o Brasil tenha excelente conceito mundial nesse quesito. Refiro-me, claro, à TV Globo, que está entre as cinco maiores emissoras do planeta, e não é por acaso. Mesmo a todo-poderosa vênus platinada (era esse o apelido da emissora no século passado) sofre com as incertezas. Como se tem noticiado, o grupo todo vem passando por grandes reformulações, com a aposentadoria de uma geração de profissionais (tanto da área técnica quanto de conteúdo) que lá esteve durante décadas. São, quase sempre, mudanças que visam equipar a Globo para ser tão forte nas novas plataformas de mídia quanto é nas TVs aberta e fechada.

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Já comentamos aqui sobre a aposta da Globo (e de sua filha mais nova, a Globosat) na tecnologia 4K, como se viu na Copa do Mundo. Na semana passada, estreou a primeira série brasileira totalmente produzida em 4K, Dupla Identidade (foto ao lado), que independentemente de fazer ou não sucesso já é um marco na história da televisão. Mas, conversando com Raymundo Barros, diretor de Engenharia da empresa, fiquei com a sensação de que ainda é pouco. “Vivemos uma incerteza muito grande em relação a esse problema das interferências do sinal 4G sobre a TV Digital”, diz ele, referindo-se ao leilão das frequências na faixa de 700MHz, marcado para o próximo dia 30.

A incerteza, também já comentada aqui, se deve à ambiguidade do governo federal, através da Anatel e do Ministério das Comunicações, que não conseguiram sequer escrever um edital de convocação coerente para o leilão. Sem entrar em detalhes, Raymundo levanta a questão central: “A arrecadação do leilão deveria garantir ao consumidor um serviço de qualidade, tanto na televisão quanto na telefonia”.

Sim, deveria. Mas, de cada dez especialistas, nove duvidam disso. Basta dizer que, a menos de uma semana de distância, ainda se corre o risco de novo adiamento provocado por incertezas técnicas e/ou jurídicas. Infelizmente, o famoso padrão Globo de qualidade, outro lema que ficou célebre no passado, não foi copiado pelo governo nem pelas outras emissoras, que mal sabem o que farão com as novas frequências, muito menos com a tecnologia 4K. Esse padrão também está longe de espelhar o que vemos no Brasil como um todo, mais ainda quando se constata a falta de políticas públicas em vários campos (a tecnologia é apenas um deles).

Quem é dono do seu nariz?

cell-privacyA discussão sobre privacidade online já quase caducou, embora persistam em alguns países – cada vez com menor repercussão – movimentos advogando a “proteção dos dados do usuário”. Como que para provar quanto de hipocrisia há nessa ideia, a Apple anunciou na semana passada que seu novo sistema operacional iOS 8, usado nos novos iPhones, contém um recurso de encriptação para impedir o acesso aos dados particulares do proprietário, incluindo fotos, vídeos e contatos. Na sequência, a Google distribuiu comunicado semelhante relativo à próxima versão do Android para tablets e smartphones.

O que chamou a atenção – e provocou reportagem detalhada do The Wall Street Journal – foi que as duas empresas usaram a expressão law enforcement em seus comunicados. Numa tradução literal, seria o puro e simples “cumprimento da lei”, garantido pelo Estado. Tradução prática: os novos aparelhos Apple e Android teriam a capacidade de impedir que a polícia ou a Justiça acessem dados armazenados pelos usuários. Consultada, a Apple reprisou o comentário feito por seu presidente, Tim Cook, durante o lançamento do iPhone 6, no último dia 9: “As pessoas têm direito à privacidade”.

Os repórteres do jornal foram ouvir suas fontes na Justiça e nas agências de segurança. Um deles fez uma analogia interessante: “O que essas empresas estão prometendo equivale a uma casa que não pode ser invadida, ou um carro cujo porta-malas não pode ser aberto”. Andrew Weissmann, ex-conselheiro do FBI, foi mais longe: “A Apple está dizendo aos criminosos ‘usem esse recurso’. No futuro, poderemos ter até terroristas se aproveitando disso”.

Outro ex-diretor do FBI foi irônico: “Essa proteção (de privacidade) será ótima até o dia em que uma criança for sequestrada e nós não pudermos localizá-la devido à tecnologia. Quem vai assumir a responsabilidade?”

Pelo jeito, a polêmica está apenas começando. Na realidade, qualquer pessoa tem o direito de se deixar enganar por um fabricante que garanta “privacidade total”. Mas, como já disse o cientista Tim Berners-Lee, na internet isso não existe.

Dolby Atmos já está nos filmes em Blu-ray

dolby-atmosDolby Atmos é um dos principais assuntos do momento entre fabricantes e integradores de sistemas de áudio e vídeo. Já comentamos algumas vezes neste blog. É um novo processamento da Dolby que utiliza mais canais de áudio (na teoria, até 64!!!) para preencher a área superior da sala, acima das cabeças dos ouvintes, que com isso têm maior sensação de envolvimento sonoro (mais detalhes aqui). Alguns fabricantes já estão lançando, inclusive no Brasil, receivers dotados desse codec, ou preparados para a atualização de firmware, via internet (entre eles Onkyo, Integra e Yamaha). O problema é que ainda não foram lançados filmes com essa codificação, o que está previsto para este fim de ano.

Mas, espere, não foram lançados mesmo? Não é o que diz o site americano Big Picture Big Sound, cuja equipe se dedica a investigar os bastidores da indústria de áudio e vídeo. Segundo eles, qualquer player Blu-ray pode proporcionar o “efeito Atmos”, embora nem a Dolby nem os respectivos fabricantes tenham se pronunciado a respeito. Teoricamente, são necessários quatro elementos para isso:

*Um receiver ou processador surround com processador Atmos;

*Um disco pré-gravado com esse codec.

*Um player Blu-ray capaz de decodificar o sinal no disco;

*Pelo menos uma caixa acústica adicional, posicionada no teto;

Acontece que o tal código é registrado no disco sobre as trilhas Dolby Digital Plus e Dolby TrueHD, numa camada de dados que é “invisível” para esses dois decoders. Mas, se o player consegue identificar esse processamento, não há por que não ler o sinal Atmos. Para perceber o efeito, o usuário precisa apenas ajustar o modo de saída para BITSTREAM, via HDMI, em lugar da saída de áudio convencional (óptica ou coaxial). Se tiver uma ou mais caixas acústicas na posição correta, os efeitos sonoros se espalharão pela área superior do ambiente.

Só um probleminha: isso tudo também é teoria. Nada foi testado na prática. De nossa parte, estamos aguardando a chegada de um receiver Atmos para tirar a prova.

Design de TVs: olho nos detalhes

Avant-4K 85Como comentei aqui, estive na semana retrasada visitando a sede da Bang & Olufsen, empresa famosa pelo design avançado de seus aparelhos. Lá, pude conhecer – entre vários produtos inovadores – a nova linha de TVs Avant, que marca a entrada da empresa dinamarquesa no segmento Ultra-HD. São dois modelos, de 55″ e 85″, que estão chegando ao mercado americano e a alguns países europeus em outubro. Como quase sempre acontece com a B&O, são produtos para ambientes requintados e usuários com uma folgada conta bancária (o modelo menor tem preço sugerido de US$ 7.995 nos EUA; o maior sai por US$ 22.700).

Avant detalhe baseE, também como é praxe na empresa, são TVs diferentes de tudo que já vimos antes. Conversei com Ole Moltsen, gerente de produto da B&O e um dos “pais” da linha Avant, sobre o conceito por trás de um TV que tem os alto-falantes escondidos (só aparecem quando o aparelho é ligado) e uma base metálica (detalhe ao lado) que se move suavemente para colocar a tela na posição ideal. “A ideia é provocar o usuário”, explicou Moltsen. “Ao acionar o controle remoto, a peça começa a se impor no ambiente, como que anunciando um grande espetáculo que irá começar”.

É, só mesmo vendo para crer: assistam a estes vídeos de demonstração.

Moltsen e outros executivos com quem falei reafirmaram a preocupação da B&O com cada detalhe de seus produtos. Tudo é feito lá mesmo, na Dinamarca, e cada peça é checada antes de sair. Visitando parte da fábrica, a sensação é de estar numa enorme oficina de artesanato, dessas em que artistas passam horas refinando cada obra, o que, aliás, é mostrado neste outro vídeo produzido pela empresa. O gerente Jesper Abell, que me guiou pelo tour, falou com orgulho: “Nada sai daqui sem ser testado e verificado. Era a filosofia dos fundadores, e todo mundo que vem trabalhar conosco tem que seguir”.

Em futuros posts, vou comentar mais sobre essa “filosofia”. A B&O é, em muitos aspectos (não só no design), uma empresa-modelo. Só lembrando: em novembro, será inaugurada em São Paulo a primeira das novas lojas-conceito Bang&Olufsen no Brasil.

Crestron, agora sob novas mãos

crestron-pyngApós mais de 15 anos de vínculo com a Syncrotape, a Crestron – ainda a marca mais tradicional do mundo na área de automação – está mudando de mãos no Brasil. A empresa acerta os detalhes finais para ser distribuída por outra catarinense, a Som Maior, que até agora não tinha nenhuma marca desse segmento. Um evento em outubro deverá oficializar a união. A Crestron Latin America continua responsável pela distribuição no mercado corporativo. Para o residencial, a Som Maior passa a oferecer toda a vasta linha de produtos da marca: centrais de automação, painéis de controle, dispositivos para streaming, multiroom de áudio e vídeo, soluções em iluminação, persianas etc. Também fará o lançamento oficial do aplicativo Pyng (acima), que acaba de ser anunciado na CEDIA Expo. Segundo a Crestron, essa solução engloba todos os dispositivos da casa, de tal forma que o usuário pode ele mesmo fazer os ajustes que quiser, inclusive quando estiver fora de casa (este vídeo dá mais detalhes).

Canal de TV 4K já está no ar

canal 4KEm julho, meio sem alarde, a direção do Consórcio DVB, que coordena as atividades de TV digital na Europa, liberou as especificações para transmissão em Ultra-HD. Essa liberação era necessária para sinalizar às emissoras de todo o continente, que agora podem planejar a entrada no ar de canais com esse tipo de conteúdo. Ingleses e alemães estão à frente nesse processo, e aguarda-se para início de 2015 as primeiras transmissões regulares.

Também em julho, entrou em operação o NexTV, primeiro canal totalmente em 4K, bancado por um consórcio de empresas liderado pelo Ministério das Comunicações de Assuntos Internos do Japão. Na verdade, esta é a segunda experiência do gênero: desde 2013, já existe um canal mantido pela fabricante de satélites Eutelsat, mas com transmissões não contínuas. O NexTV é, de fato, o primeiro que mantém conteúdos em 4K no ar continuamente, 24 horas por dia. Há ainda o projeto da emissora estatal japonesa NHK, que já comentamos aqui, cuja prioridade é levar ao público sinal 8K, não 4K, e com meta definida: estar pronto e funcionando até 2020, quando acontecem os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Tanto o padrão 4K europeu quanto o japonês seguem os mesmos princípios fundamentais. Além da resolução 3.840 x 2.160 pixels, o sinal é codificado em HEVC, método de compressão mais eficiente até hoje, na frequência de 60 quadros por segundo (60P). Na prática, tudo isso é um grande balão de ensaio, e não há como prever quando essas transmissões serão acessíveis no Brasil.

Para quem não quer esperar, uma boa alternativa é o recém-lançado high4k.com, primeiro canal online de conteúdos exclusivamente Ultra-HD. Quem tiver um TV compatível com acesso à internet (e uma boa banda larga) já pode assistir a shows, documentários e programas esportivos captados com câmeras UHD, todos com áudio em inglês. Não deixa de ser um bom aperitivo.

Qual é a vida útil dos equipamentos?

MH900250899-300x300A propósito do assunto garantia, acaba de sair nos EUA mais uma pesquisa da CEA (Consumer Electronics Association) sobre o controverso tema da obsolescência dos equipamentos eletrônicos. O relatório CE Product Life Cycle se baseia em entrevistas com usuários americanos de vários produtos: TVs, câmeras, players (DVD e Blu-ray), computadores, tablets, celulares e consoles de videogame. Eles responderam a duas perguntas básicas: quanto tempo duram seus aparelhos? E o que você faz quando eles param de funcionar?

O tempo médio de uso, entre todos os produtos, é de cinco anos. Os TVs são os de vida útil mais longa (7,4 anos), e os celulares os que duram menos (4,7 anos). A diferença em relação a países como o Brasil (embora aqui nunca tenha sido feita pesquisa equivalente) é que, nos EUA, já segue acelerado um programa nacional de reciclagem de eletrônicos, adotado pela indústria com apoio dos varejistas e forte adesão dos consumidores, segundo a CEA. Lá, a maioria, quando seu aparelho não serve mais, procura um posto de reciclagem ou uma loja credenciada para isso; existem centenas delas espalhadas pelo país.

Mais garantia para os eletrônicos

A Associação Proteste, uma das mais ativas na defesa do consumidor no país, iniciou campanha online para pressionar o Congresso a alterar a legislação referente à garantia de aparelhos eletroeletrônicos. Após detalhado estudo, a entidade constatou que o Brasil está (só para variar) muito atrasado nessa questão. Enquanto na maioria dos países europeus, por exemplo, a garantia média oferecida pelos fabricantes é de dois anos, aqui grande parte dos produtos perde o benefício três meses após a compra.

Não é o caso de TVs e equipamentos de áudio, cujo prazo normalmente é de um ano. Mas quem adquire um computador, câmera, tablet ou smartphone ganha boas dores de cabeça caso o aparelho apresente problemas. Além do aborrecimento, o brasileiro ainda tem o péssimo hábito de não se preocupar com reciclagem. Resultado: 79% dos produtos que falham são simplesmente trocados por novos; a maioria acha que nem vale a pena tentar consertar e os descarta em qualquer lugar.

A campanha está na internet, na forma de uma petição (para assinar, acesse aqui) propondo que o prazo de garantia seja regulamentado em dois anos para todos os produtos. Há ainda um longo caminho pela frente. Já aderiram pouco mais de 6 mil pessoas, e são necessárias 100 mil assinaturas para que o projeto seja encaminhado ao Congresso. Nesta época de eleição, algum candidato mais atento, e em busca de reeleição, poderia encampar a ideia. Dificilmente seria aprovada agora, mas poderia ganhar bons votos.

Os melhores produtos de automação

Não sei se o título acima é exato, mas de qualquer modo a lista abaixo vale como referência do que há de melhor atualmente no setor de áudio/vídeo e automação residencial e predial. É o sexto ano consecutivo em que o site CE Pro, hoje obrigatório para profissionais da área, elege os produtos que considera os “winners” no mercado americano. A escolha é feita pelos editores do site e por um grupo de integradores convidados. Os premiados foram homenageados na semana passada, durante a CEDIA Expo, principal evento para profissionais do setor, realizada na cidade de Denver.

Separei abaixo, entre os 35 ganhadores, as marcas que possuem distribuição oficial no Brasil:

Switchers A/V – Crestron DigitalMedia 4K

Aplicativo para automação – Empate: Crestron Pyng e Control4 Composer Express

TV de tela fina – LG OLED Ultra-HD 77EG9700, de 77″

Dispositivo para rede – Sistema de gerenciamento em nuvem Pakedge BakPak

Sistema integrado de aquecimento e ar condicionado – Savant SmartClimate

Caixas acústicas (abaixo de US$ 1.000 o par) – PSB Imagine X1T

Caixas acústicas (acima de US$ 1.000 o par) – Meridian Special Edition DSP8000 (caixas digitais amplificadas)

Controle para casa toda – Elan g1

A lista completa pode ser conferida aqui.

Projetores: mais um avanço

sony 4K short throwTeve pouco destaque na IFA o lançamento do primeiro projetor de vídeo Ultra-HD do tipo short-throw. São os projetores cuja unidade óptica permite instalação bem próximo à tela, economizando espaço na sala. A Sony, que eu saiba, é a primeira que evolui com esse recurso para o segmento 4K. No próprio estande da empresa em Berlim, o aparelho foi mal demonstrado, talvez porque não chame tanta atenção quanto os reluzentes TVs de tela grande.

Na verdade, é difícil mesmo explicar para boa parte dos usuários, especialmente os leigos, que o aparelho da foto é, de fato, um projetor. Notem que, à primeira vista, parece mais uma peça de mobiliário. Ao se abrir, na parte traseira, revelam-se um conjunto de lentes e um espelho iluminados por poderosos feixes de laser. Segundo a Sony, o brilho é tão intenso que qualquer parede pode ser usada como “tela de projeção”. Além disso, o laser garante maior estabilidade luminosa, cores mais firmes e vida útil mais longa (estimada em 22 mil horas). A distância do projetor à parede pode variar de 2 a 15cm, produzindo imagens de 66 até 147 polegadas.

Além de tudo isso, trata-se de um projetor SXRD (mod. VPL-GTZ1), essa revolucionária tecnologia criada pela Sony no final do século passado e que até agora não foi superada. Semana passada, na CEDIA Expo, a empresa confirmou que o produto estará nas lojas dos EUA no final de setembro, com preço de obra de arte: US$ 50.000. Não é, portanto, para qualquer família nem qualquer ambiente.

Além dos milionários que encomendam projetos onde o custo é o que menos importa, a empresa mira o segmento de auditórios e salas de apresentação; o apresentador pode se colocar à frente da tela sem prejudicar a visibilidade.

Filmes 4K em discos Blu-ray

BD 4KFoi assunto na IFA e também na CEDIA Expo, encerrada neste sábado nos EUA: vêm aí os discos Blu-ray pré-gravados com imagens em Ultra-HD. A Blu-ray Disc Association (BDA) fez apresentações nos dois eventos garantindo que até o segundo semestre de 2015 o consumidor já poderá adquirir seus discos 4K e também seus players compatíveis com essa qualidade de imagem.

A primeira questão que surge é: será que as pessoas querem, mesmo, adotar essa inovação? Num mundo que caminha para abolir os formatos físicos de acesso à informação e adotar, cada vez mais, as mídias online, haverá espaço para um novo tipo de disco, por melhor que seja? O excelente site CNet levantou estas e outras dúvidas, sem encontrar as devidas respostas. Outros sites especializados estão se posicionando, contra ou a favor. Antes de entrar na polêmica, vale a pena analisar o que exatamente seriam os tais discos BD-4K.

Segundo a BDA, que representa fabricantes, estúdios de cinema e produtoras de vídeo, não se trata apenas de colocar nos discos conteúdos com quatro vezes mais resolução de imagem. As especificações prevêem aumentar também parâmetros como variações de cor (color gamut), profundidade de sombras e gradações de cinza (dynamic range). Os vídeos serão registrados na frequência de 60P (60 quadros por segundo), no padrão de compressão H.265, também chamado HEVC (High-Eficiency Video Codec), e os players terão capacidade de leitura de até 100 Megabits por segundo; os atuais têm apenas 25Mbps. Num disco com 100GB, haverá espaço mais do que suficiente para acomodar um filme inteiro, com extras, menus interativos e tudo mais.

A BDA acredita que, embora serviços como Netflix, Amazon e YouTube já ofereçam hoje conteúdos em 4K, o acesso depende da velocidade de banda larga. E, para a esmagadora maioria dos usuários, essa ainda é (e continuará sendo por muito tempo) insuficiente.

Bem, parece que estamos falando de um filme antigo, já assistido inúmeras vezes. Se nem mesmo em Full-HD a oferta de conteúdos em Blu-ray vem sendo tão grande assim, como esperar que os estúdios de cinema – que detêm a chave desse cofre – se esforcem para produzir os tais discos BD-4K? Pois é, há mais dúvidas do que certezas.

TCU vs Anatel, mais uma vez

De volta ao Brasil após dez dias, encontro uma nuvem de baixaria que encobre o céu azul deste verão fora de época. Claro, refiro-me à campanha eleitoral, certamente uma das piores desde que reconquistamos a democracia. Mas isso é tema para outro espaço (vejam a seção Jeitinho Brasileiro). Baixaria também encontro neste campo minado em que se converteu a disputa pela internet 4G, com o já fatídico leilão das frequências de 700MHz programado (até este momento) para o próximo dia 30.

Reportagem da Folha de São Paulo informa que o TCU (Tribunal de Contas da União), pela enésima vez, aponta “fragilidades nos cálculos” da Anatel sobre o leilão. Como se sabe, há uma controvérsia já antiga sobre possíveis interferências do sinal de celular 4G nas transmissões de TV digital. Para garantir que os telespectadores não sejam prejudicados, a Anatel exigiu a chamada “limpeza de faixa”: as operadoras que vencerem o leilão terão que arcar com os custos de eliminar as interferências, o que envolve a instalação de filtros e uma série de outras providências técnicas.

Ocorre que as teles não querem assumir sozinhas esse ônus. Contestam os cálculos (a estimativa da Anatel é de R$ 3,6 bilhões) e ameaçam agora impugnar o leilão na Justiça. É bom lembrar que esse leilão deveria ter acontecido em abril; já foi adiado três vezes. Para evitar novo adiamento, o governo já se comprometeu a convocar o BNDES para financiar a operação – essa, por si só, uma aberração típica do momento que vivemos.

Segundo o TCU (que pode ter seus defeitos, mas possui um histórico de rigor nesse tipo de fiscalização), esse cálculo não está embasado em estudos!!! O risco é que o valor seja muito mais alto e tenha que ser coberto pelo Tesouro depois. Considerando o que já comentamos aqui, não seria nenhuma surpresa.