Norma técnica, pra que te quero?

Começou com um press-release que recebemos da empresa alemã Hörmann, fabricante de portas acústicas de aço. O texto chamava a atenção para a existência de uma norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que entrou em vigor no ano passado, exigindo valores mínimos de retenção de ruídos em edifícios residenciais. As tradicionais portas de madeira, como se sabe, não se prestam a isso. As de aço, quando bem feitas, sim. Em São Paulo, por exemplo, onde a cada ano são erguidos mais de 1.000 empreendimentos desse tipo, se a norma fosse seguida à risca a Hörmann aumentaria bastante seu faturamento.

Fui consultar os universitários, meus amigos engenheiros Vinicius Barbosa Lima e José Roberto Muratori, além de um especialista em acústica, José Carlos Giner. Sim, a norma existe (ABNT 15575/2013) e determina que todas as novas construções sigam os níveis estipulados para desempenho acústico. O problema é que, como em tantos outros casos, não há fiscalização; e os próprios consumidores, ao adquirir seus novos apartamentos, não se dão ao trabalho de verificar o cumprimento da Norma.

Segundo Muratori, há até uma entidade, chamada Certiel, que luta há anos para certificar as instalações elétricas dos edifícios. Mas faz esse trabalho por sua conta, sem qualquer apoio de órgãos governamentais. “O Brasil é um dos poucos países do mundo onde o CREA (ou quem quer que seja) não vistoria se o projeto elétrico/hidráulico aprovado foi implementado de acordo”, diz ele, lembrando que o próprio CREA recolhe uma taxa de cada empreendimento com essa finalidade.

Ou seja, uma terra de ninguém. Geralmente, as pessoas só vão se preocupar com essas coisas quando ocorre algum acidente. Como lembra Giner: “Se a construtora/incorporadora não seguir a norma, será penalizada judicialmente”. Será? Ou seria?

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Marina Silva e a política tecnológica

Programas de governo são, quase sempre, um campo de areia movediça. É preciso cuidado redobrado para não escorregar em promessas fora da realidade, ou mesmo demagógicas. Em geral, trazem um imenso diagnóstico dos problemas existentes e, junto, uma quantidade de soluções que nenhum governo, nenhum mesmo, é capaz de colocar em prática. Voa-se alto nesses planos, e como!

O da candidata Marina Silva, hoje a favorita para ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2015, foi divulgado nesta quinta-feira. Tem ao todo 240 páginas, das quais 14 são dedicadas à política para ciência e tecnologia. Essa é uma área onde, a meu ver, o país está patinando há cerca de 15 anos, justamente o período em que o planeta vem experimentando o mais rápido processo histórico de revolução tecnológica e das comunicações.

Comparado aos programas de Dilma e Aécio, porém, é fácil perceber que há pessoas com Marina que enxergam luzes dentro desse túnel. A primeira luz é admitir que tudo começa na educação de base. Como já cansaram de dizer e escrever grandes educadores (de Paulo Freire a Cristóvão Buarque, de Milton Santos a Gustavo Ioschpe), nenhuma política de desenvolvimento dá resultado se não houver investimento maciço, contínuo e monitorado na formação de crianças e adolescentes.

A segunda luz acesa no programa de Marina é a ideia de utilizar as tecnologias digitais para dar maior transparência ao governo e à administração pública, ampliando as formas de fiscalização por parte da sociedade. Num país onde o cidadão é desrespeitado impunemente a todo momento, um governo que queira realmente servir a população (e não servir-se dela) tem que ser aberto e franco, inclusive na hora de dizer não. As diversas tecnologias de comunicação hoje disponíveis tornam esse processo muito mais fácil de implantar, eliminando (ou pelo menos minimizando) as ações dos intermediários que se alimentam da corrupção em suas diversas modalidades.

A candidata acena também com novas práticas num setor em que o atual governo foi pródigo: o aparelhamento dos órgãos públicos para fins políticos. O melhor exemplo está nas agências reguladoras, que a partir do governo Lula foram descaradamente transformadas em enormes cabides de emprego para o PT e seus partidos aliados. O programa de Marina define as agências como “órgãos de fiscalização que agem em nome da sociedade… visando à preservação dos direitos dos consumidores e à garantia de um ambiente propício aos investimentos… para melhorar a qualidade na prestação de bens e serviços”. Nada mais claro.

Evidentemente, promessas como “transformar a conexão à internet em serviço essencial (como eletricidade e água)” não dependem de uma canetada da presidente da República. Assim como a constatação de que “o acesso aos telefones celulares ajuda no processo de alfabetização… pelo uso intensivo da leitura e escrita de mensagens… textos informativos e livros inteiros nas telas portáteis”, embora seja uma boa frase de efeito, esbarra na penúria estrutural do país.

No entanto, é possível ser otimista. Os diagnósticos estão corretos e parece haver boas intenções para combatê-los. O problema é que, como já vimos tantas vezes, o monstro da política costuma devorar os bem intencionados.

Para quem ainda não viu, a íntegra do programa de governo de Marina Silva está aqui: http://marinasilva.org.br/programa/

Em tempo: não comentei aqui os programas de Dilma e Aécio para o setor de tecnologia porque não encontrei neles nada que já não tenhamos visto nos últimos anos, com os resultados conhecidos.

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A primeira série brasileira em 4K

bruno1Estreia no dia 19 de setembro na Globo a série de suspense Dupla Identidade, com 14 episódios, escrita por Gloria Peres e estrelada por Bruno Gagliasso (foto), Luana Piovani e Débora Falabella. Será a primeira produzida no Brasil totalmente em Ultra-HD. Claro, os telespectadores não poderão ver as imagens em ultra-alta resolução porque ainda não é possível transmiti-las em rede aberta. Mas será, com certeza, um marco na evolução da televisão brasileira.

Só poderia mesmo partir da Globo essa iniciativa, que exige altos investimentos e uma equipe técnica muito bem preparada. Como já comentamos aqui algumas vezes, a emissora carioca vem há anos fazendo experiências com UHD. Segundo Raymundo Barros, diretor de Engenharia da emissora, já são 50 câmeras desse tipo sendo usadas diariamente na produção de novelas e séries, e outras tantas devem chegar em breve para esportes e jornalismo. “Para a produção, essa tecnologia é ótima, especialmente nas cenas com efeitos visuais”, diz ele. “O problema está na pós-produção, onde se trabalha com uma quantidade de dados quatro vezes maior. Para isso, estamos continuamente aprendendo e investindo em novos equipamentos”.

Distribuir sinal 4K em TV aberta é algo ainda fora do horizonte, admite Raymundo, que acha mais viável aproveitar essa tecnologia nos canais pagos. “A próxima geração de set-top box será 4K, e pode ser que surja um canal especializado nesse tipo de conteúdo”, ele prevê. “Mas ainda teremos que discutir muito até que ponto vale a pena distribuir esse sinal em rede aberta. Além de resolver o problema da transmissão, o investimento em produção será muito alto”.

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Esqueceram do Fórum SBTVD

Em mais um episódio típico da falta de política tecnológica no país, o Fórum SBTVD, criado em 2006 para coordenar as atividades relacionadas ao Sistema Brasileiro de Televisão Digital, foi simplesmente deixado de lado no processo de distribuição das frequências de 700MHz. Como se sabe, o leilão dessas frequências – visando à implantação das novas redes de celular 4G – acontecerá no dia 30 de setembro (se não houver outro adiamento). Mas o Fórum sequer é citado no edital de convocação.

O “esquecimento” é um dos principais temas de bastidores na SET Expo, principal evento do setor de televisão no país, que acontece esta semana em São Paulo. Segundo a competente repórter Ana Paula Lobo, do site Convergência Digital, nem se cogita incluir um representante do Fórum no grupo técnico que, após o leilão, irá comandar o processo de switch-off, a transição da TV analógica para o padrão digital. Uma fonte do governo, ouvida pela repórter, alega que o Fórum não se manifestou durante as discussões sobre interferências entre os sinais de TV digital e de celular 4G.

Inconformado, o presidente do Fórum, Roberto Franco, busca apoio da Anatel e do Ministério das Comunicações para reverter a situação. Parece uma questão menor, mas não é. O Fórum só existe para cuidar da TV digital, que ainda está longe de atingir todas as regiões do país (detalhes aqui) e vive um momento delicado. Não faz o menor sentido ignorar sua experiência de oito anos cuidando do assunto.

Talvez o que seus membros precisem fazer é aquilo de que os tecnocratas mais gostam: lobby. Tecnologia? Se vê depois.

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Campanha pelos TVs OLED

1378495366000-lgA empresa de pesquisas IHS, dos EUA, estima que a LG tenha vendido cerca de 3 mil TVs OLED no ano passado, com a perspectiva de triplicar esse número em 2014. Pouco? Pode ser. Mas o fato de sua principal concorrente (Samsung) ter se atrasado no planejamento para essa tecnologia parece estar animando os executivos da LG a aproveitar ao máximo a oportunidade.

Segundo o Wall Street Journal, está em pleno andamento na empresa a estratégia de lançar mais modelos OLED no mercado internacional, e a preços cada vez mais baixos. A ideia é, mesmo, não deixar espaço para a concorrência, nessa que – a maioria dos especialistas acredita – será a tecnologia dominante em TVs até o final da década. Esta semana, a LG lançou na Coreia seus dois primeiros TVs OLED 4K, de 65 e 77 polegadas, com tela curva (foto acima). O plano é colocá-los nos principais mercados já em setembro, aproveitando a divulgação que lhes será dada, gratuitamente, durante a IFA, feira que acontece em Berlim entre os dias 5 e 10.

55EC9300-3“Já cortamos para um terço do preço inicial, e vamos cortar mais ainda”, admitiu ao WSJ o presidente da divisão de consumo da empresa coreana, Ha Hyun-hwoi. Ele se refere ao modelo de 55″ (ao lado) lançado no final do ano passado pelo equivalente a US$ 15.000, e que agora já pode ser encontrado no mercado americano por algo em torno de US$ 3.500. Esse não é um TV 4K, mas Hwoi diz que o raciocínio é o mesmo.

No próximo domingo, a LG dá início a uma grande campanha para convencer os consumidores americanos a aderir ao OLED. Em parceria com a rede de lojas Best Buy, a maior do país, o TV de 55″ será colocado em promoção em mais de 1.000 lojas. “A ideia é apresentar o OLED às massas”, escreveu o blog Motley Fool, especializado no varejo de tecnologia, que defende a empresa Universal Display (UDC), dona de várias patentes da tecnologia OLED e ex-fornecedora da Samsung. Segundo ele, quando percebeu que a LG estava mais “faminta” para conquistar esse mercado, a UDC mudou de lado e agora só fornece para a concorrente.

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Amazon: nova revolução nas compras

Amazon instore cardEm mais uma jogada agressiva, a Amazon acaba de lançar um sistema de compras com cartão de crédito visando especificamente o comércio de pequeno porte. Trata-se de um acessório que funciona acoplado a um tablet ou smartphone (vejam na foto). É semelhante às conhecidas máquinas receptoras de cartões, só que com um apelo essencial: para o comerciante, sai muito mais barato.

Nos EUA, quem vende aceitando cartão de crédito paga à operadora, em média, 2,75% do valor da compra (no Brasil, claro, é muito mais). As empresas que se cadastrarem na Amazon para receber o dispositivo pagarão 60% a menos: 1,75%. Outra vantagem: junto com o aparelho, vem um software de gerenciamento que permite ao pequeno empresário rastrear e coletar dados sobre seus clientes – dados esses que ficam armazenados na “nuvem” da Amazon.

Quem conhece a empresa sabe que Jeff Bezos, fundador e presidente, nunca pensa pequeno. O site Re/Code, especializado em comércio virtual, diz que o plano é ambicioso. Mesmo com toda a revolução do e-commerce (pela qual a Amazon foi a maior responsável), cerca de 85% das vendas de varejo nos EUA ainda acontecem no mundo das lojas físicas. Em vez de tentar destruir esses concorrentes, a estratégia de Bezos é trazê-los para seu lado. A partir do momento em que se integram ao “mundo Amazon”, eles se tornam mais receptivos a explorar as diversas ferramentas ali existentes.

Apenas um exemplo: desde o ano passado, a Amazon lançou um programa chamado same-day delivery, que garante a entrega do produto no mesmo dia da compra. Por enquanto, só consegue executá-lo em algumas cidades, mas expandindo sua rede de “parceiros” deve ficar mais fácil alcançar o objetivo.

Em meu livro Os Visionários, conto a história de Bezos e da Amazon até 2010. De lá para cá, a empresa continua inovando e dominando sua praia. Como alguém já disse, cada iniciativa da Amazon equivale a uma aula prática de marketing. Quem puder deve aprender.

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Concurso para inovadores

Ainda a propósito da SET Expo, que está acontecendo esta semana em São Paulo, nesta terça-feira serão apresentados os dez projetos finalistas do Prêmio de Inovação da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão. É uma iniciativa inédita no país: descobrir e prestigiar novos empreendedores que tenham boas ideias em tecnologia para televisão. O concurso foi idealizado pela SET e é organizado em parceria com a Escola de Negócios do Sebrae-SP e o grupo EraTransmídia, contando com apoio da Microsoft. Às 17h30, no ExpoCenter Norte, os responsáveis pelos dez projetos farão suas apresentações: o vencedor receberá créditos na plataforma em nuvem Azure e no programa BizSpark Blues, da Microsoft, no valor equivalente a US$ 60 mil. Vejam quem são os finalistas, neste link.

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O mundo por trás das câmeras

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Começou neste domingo o 25° Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), que acontece simultaneamente à SET Expo, principal feira de equipamentos para rádio e televisão do país. O setor vive um momento delicado, em meio à competição com as chamadas “novas mídias” (hoje já não tão novas…) e à disputa política com as operadoras de telefonia.

Os temas do Congresso não poderiam ser mais atuais: switch-off da TV analógica, distribuição de conteúdos da TV via internet, mudança de hábitos dos telespectadores, segunda tela, desafios para as transmissões em 4K e 8K, a polêmica convivência da TV Digital com as redes de celular 4G… tudo isso em 44 sessões, que acontecem simultaneamente em quatro auditórios, com a participação de aproximadamente 220 especialistas de vários países. A Revista da SET traz em seu site uma cobertura volumosa sobre o evento, e a programação oficial – com dias e horários – pode ser encontrada aqui.

Já a SET Expo procura ser uma espécie de “NAB brasileira”, referência à convenção da National Broadcasters Association, que acontece em Las Vegas sempre no mês de abril. É um festival de novas tecnologias, com a participação dos maiores fabricantes mundiais. Este ano, por exemplo, destacam-se as novas linhas de câmeras 4K da Sony e da Panasonic. As duas empresas, assim como Epson, Hitachi e outras, exibem também sua nova geração de projetores.

Três países (Alemanha, Japão e Inglaterra) têm espaços próprios na SET Expo, reunindo empresas de ponta em tecnologia de televisão; há ainda expositores vindos de Israel, Índia, EUA, França, Suécia e Itália. Os japoneses, particularmente, estão dando show com a emissora estatal NHK, que trouxe equipamentos para uma demo de transmissão ao vivo em 8K.

Enfim, um evento imperdível para quem se liga em novas tecnologias.

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Um app para o seu coração

AliveCor photo

 

 

Já tratamos do assunto aqui, mas sempre há o que acrescentar. Refiro-me aos avanços das tecnologias relacionadas aos cuidados com a saúde. É um mercado em franca expansão na Europa e na América do Norte, regiões que enfrentam de modo mais intenso a questão do envelhecimento da população (no Brasil, só para variar, o problema existe, mas é praticamente ignorado pelas autoridades e por grande parte da população).

Quase toda semana sai uma novidade nesse campo e, embora algumas ainda estejam em fase de testes, o simples fato de surgirem mostra que há uma evolução. Uma das mais recentes, noticiada pelo site Computer World, é o aplicativo Heart Monitor, criado pela empresa AliveCor e agora aprovado pela FDA (que corresponde nos EUA à brasileira Anvisa). Como mostra a foto, o app se baseia numa capa de celular com eletrodos que, ao ser pressionada com as duas mãos, consegue detectar o processo que os médicos chamam Afib (Fibrilação Atrial).

Esse é o sintoma mais comum de arritmia cardíaca, que pode levar ao infarto. O dispositivo é uma espécie de “eletrocardiograma portátil”, que pode ser acionado a qualquer momento e, assim, acelerar as providências necessárias. Segundo Euan Thomson, diretor da AliveCor, o problema do Afib é que muitas vezes não há sintomas, embora o paciente possa estar sofrendo de alguma doença vascular ou até do coração. Pequenas palpitações ou dores no peito já podem ser um alerta. E o app pode trazer a salvação.

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Dolby Atmos e a polêmica do surround

dolby-atmos-surround-diagram-700O lançamento dos primeiros aparelhos com processamento Dolby Atmos vem causando polêmica entre os especialistas internacionais. Já li desde artigos apontando uma “nova revolução no mundo do áudio” até aqueles que não perceberam diferenças marcantes em relação aos codecs já conhecidos. Embora haja experimentos mais ousados, os processadores que haviam chegado ao mercado até agora eram capazes de produzir, no máximo, 11.2 canais.

Considerando que o Atmos promete inacreditáveis 64 canais, não causa surpresa a diversidade de opiniões. Como sempre acontece quando surge uma nova tecnologia, antes de emitir opiniões convém estudar (e principalmente ouvir) bastante. Ainda não tivemos oportunidade de avaliar o receiver TX-NR838, da Onkyo, que está sendo lançado no Brasil pela distribuidora Disac, o primeiro dessa nova geração. Parece que Denon, Marantz e Integra também vão chegar aqui até o final do ano. Enquanto isso, temos de tomar por base a análise de experts que estiveram presentes, por exemplo, o lançamento oficial do Atmos, promovido pela Dolby em Nova York, em junho (detalhes aqui).

A princípio, a diferença mais importante em relação aos outros codecs é que o Atmos não se baseia no número de canais e, sim, na quantidade de alto-falantes existentes na sala, seja um cinema para 500 pessoas ou o living de uma casa comum. Para cada falante (128, no total), o produtor do filme pode direcionar um som diferente – na forma de metadados -, e todos esses sons são preservados na mixagem final. O filme codificado em Atmos virá com algoritmos que localizam esses falantes na sala, quando reproduzido em aparelhos compatíveis. Caso não haja 128 falantes, o sistema recalcula a distribuição dos sons necessária àquele ambiente (este vídeo ilustra bem a ideia).

O conceito é ter sons se propagando pela sala o tempo todo durante o filme. Claro, isso já pode ser feito hoje, com simuladores surround, alguns deles de ótima qualidade. Mas, nesses casos, os sons originais não foram ordenados para isso; trata-se de uma manipulação artificial. Com Atmos, e é claro que ainda estamos falando em teoria, os filmes terão uma nova configuração acústica. O resultado será tão eficiente quanto mais alto-falantes você tiver em sua casa.

Quem viver – ou quem tiver paciência – ouvirá.

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TVs 4K e Full-HD, comparados lado a lado

2014 shootout 3 expertsJá virou tradição: todo ano, sempre no mês de agosto, a Value Electronics, conhecida loja de Nova York, promove o HDTV Shootout, uma espécie de competição aberta entre as principais marcas de TV. Além dos clientes, são convidados jornalistas, técnicos, consultores, enfim, uma “seleção” de formadores de opinião. São instalados os top de linha de cada fabricante numa grande sala com baixa luminosidade, onde as pessoas vão passando ao longo de um fim de semana inteiro. Ao final, os visitantes votam, por escrito, em seus preferidos.

Este ano, deixou de ser um evento restrito a HDTVs, passando a incluir modelos Ultra-HD. Robert Zohn, dono da Value, decidiu montar uma espécie de “júri oficial”, composto por alguns dos maiores especialistas americanos. Eles votaram à parte, mas foram encarregados de fazer os ajustes finais nos aparelhos, antes que o público entrasse em cena.

Outra novidade, lembrada pelo site Electronic House, que cobriu o evento, foi que, pela primeira vez, todos sabiam que os TVs de plasma não existem mais; um deles (da Samsung) até foi incluído na disputa, mas agora não foi mais unanimidade como nos anos anteriores.

Mesmo assim, acreditem, quase deu empate: o plasma Samsung mod. PN64F8500, de 64″, lançado em 2013, perdeu por pouco do OLED LG 55EC9300, de 55″, que acaba de chegar ao mercado. Na votação do “júri”, ganhou o OLED Samsung KN55S9, também de 55″. Os dois OLEDs são de tela curva, o que sugere que esse design tem mesmo forte apelo junto aos experts.

Mas o fato mais marcante do evento foi que esses três vencedores são Full-HD, deixando para trás, portanto, os cinco modelos 4K incluídos na comparação (é bom lembrar que todas as imagens utilizadas eram 1080p, ou seja, os TVs UHD tiveram que funcionar no modo upconversion).

Bem, reproduzo abaixo o quadro final com as pontuações de cada aparelho. Se alguém quer saber por que não havia outros modelos na disputa, a explicação é simples: o espaço na loja é limitado; foi o próprio Zohn quem fez a pré-seleção, baseado em sua longa experiência como vendedor (e avaliador) de TVs.

Aliás, na soma geral de pontos, havia mesmo dado empate. Mas Zohn tomou a liberdade de “desempatar” a favor do OLED LG. Seu argumento: foi o que se saiu melhor nos itens mais importantes da avaliação (nível de preto e contraste). TV shootout

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Leilão: como queríamos demonstrar

Pouco mais de três meses atrás, comentamos aqui sobre as pressões das operadoras de celular sobre o governo em relação as novas redes 4G. Chegou-se a defender que as frequências (da polêmica faixa de 700MHz) fossem cedidas gratuitamente às teles, ideia que naturalmente não foi bem recebida no Palácio do Planalto.

Nesta quarta-feira, enfim, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, revelou a solução mágica: as operadoras terão, sim, que pagar pelas licenças, mas o dinheiro sairá, pela enésima vez, dos cofres do BNDES. O banco foi “convocado” a financiar a compra das outorgas a serem disputadas em leilão, agora marcado para setembro. Valor do presente: R$ 8 bilhões. Mais ainda: o mesmo BNDES irá bancar os R$ 4 bilhões previstos para a implantação das redes 4G, o que inclui o custo para eliminar as também polêmicas interferências sobre o sinal de TV digital.

Assim, numa tacada só, cairá no colo da “viúva” – como gosta de dizer o jornalista Elio Gaspari – uma brincadeira de R$ 12 bilhões, que sabe-se lá como serão pagos. Nunca é demais lembrar o caso da Oi/Telemar, que em 2008 foi premiada com cerca de R$ 12 bilhões pelo governo Lula. Não só não pagou como ainda deve hoje cerca de R$ 50 milhões.

A prioridade do governo sempre foi, e continua sendo, arrecadar o máximo possível. O valor de R$ 8 bilhões foi tirado da cartola pelo Ministério da Fazenda para conseguir fechar o chamado superávit primário, a conta de chegar que é preciso fazer a cada ano para o governo não ficar, pelo menos não oficialmente, no prejuízo. Não fosse o socorro do BNDES, haveria o risco de o leilão não atingir nem metade desse valor: três das principais candidatas (Vivo, Tim e a própria Oi) estão às voltas com problemas societários e/ou de fusão; dificilmente teriam condições de disputar.

Agora, com o dinheiro saindo (quase) de graça, tudo se resolve. CQD – diziam antigamente os professores de Química. Como queríamos demonstrar.

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TV paga: tudo ao mesmo tempo agora

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A maioria das pessoas mal consegue dar conta de suas atividades habituais e, no entanto, os serviços de vídeo sob demanda (VoD) são os que mais crescem no mundo das comunicações. Todos querem assistir a seus conteúdos preferidos na hora e local mais convenientes, e a cada dia faz menos diferença que tipo de aparelho se usa para isso (TV, celular, computador…)

Na feira e congresso da ABTA, realizados no início do mês, foram divulgadas várias estatísticas a respeito. Ficamos sabendo, por exemplo, que se o serviço Now, da NET, fosse uma emissora à parte, estaria entre as de maior audiência no país. É o que já acontece com o Netflix, mas a empresa americana – que diz ter mais de 40 milhões de assinantes mundo afora – não revela quantos deles são brasileiros.

A NET informou que o Now gera mais de 20 milhões de visualizações mensais. “Já somos a maior loja de vídeo digital do país”, garantiu Fernando Magalhães, diretor de programação da operadora, acrescentando que, para alguns estúdios de Hollywood, 80% das vendas de filmes online acontecem dentro do Now.

Não há como comprovar, mas é um número bem factível. Marcio Carvalho, diretor de marketing da NET, com quem conversei no evento, lembrou que a maior parte (70% a 80%) dos conteúdos assistidos no Now são gratuitos – filmes não recentes ou programas já exibidos pelos canais lineares, recuperados na modalidade que os especialistas chamam de catchup; durante a Copa do Mundo, por exemplo, foi grande a quantidade de assinantes que quiseram ver reprises de algumas partidas. “Temos 20 mil títulos e, desses, 5 mil são gratuitos”, diz Carvalho. “Mas são justamente os mais assistidos”.

Certamente as visualizações aumentarão, agora que a NET está colocando os conteúdos também em dispositivos portáteis. É o chamado Now com pernas: os 20 mil títulos poderão ser acessados também em tablets, smartphones e notebooks, bastando para isso entrar numa rede Wi-Fi. “Ainda não será possível comprar filmes dessa forma”, diz Carvalho. “Mas o assinante pode reservar o filme no tablet para assistir mais tarde, fazendo o pagamento pelo controle remoto do decoder”.

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“Estádio do futuro” já existe!

levis-stadiumÉ comum falarmos em “telefone inteligente”, “casa inteligente” e até “carro inteligente”, mas até agora eu nunca tinha ouvido a expressão “smart stadium”. Pois é assim que a revista Time se refere ao Levi’s Stadium, localizado em Santa Clara, bem no Vale do Silício, e que será inaugurado no próximo dia 15 de setembro.

A reportagem é extensa, mas me chamou a atenção o conceito do projeto em si. Os responsáveis pensaram: já que estamos no Vale, temos que construir algo tecnologicamente acima de qualquer suspeita. E foi o que fizeram. Para atender aos mais de 70 mil torcedores que cabem ali, foram instaladas redes Wi-Fi e 4G de alta capacidade. São 640 mil metros de cabos, sendo 280 mil apenas para conectar as antenas aos roteadores Wi-Fi. A cada 100 assentos, há um roteador, com dezenas de repetidores espalhados pelo estádio. Também não economizaram na capacidade da rede: 40 Gigabits por segundo (a média nesse tipo de projeto por lá é de 1Gbps).

Há ainda uma rede de 1.700 beacons, que são uma espécie de hubs alimentados pela tecnologia BLE (Bluetooth Low Energy), que servem para orientar os torcedores sobre a posição de seus lugares e também para enviar mensagens de alerta sobre segurança, sorteios e promoções que se costumam fazer durante os jogos.

Mais interessante de tudo, acho, é que futebol americano não é exatamente um programa movimentado. Para quem acompanha, o Levi’s Stadium é a sede do San Francisco 49ers. Os projetistas raciocinaram o seguinte: ação, de fato, num jogo normal, dura no máximo 15 minutos, tantas são as interrupções. Daí, a necessidade de criar atrativos para a torcida nos intervalos. Para isso, foram instalados nada menos do que 2 mil TVs Sony (70 deles são 4K), além de dois telões de leds convencionais.

Para completar, foi criado um aplicativo para o estádio, de modo que os torcedores conseguem facilmente se localizar tanto dentro quanto fora, marcar seus lugares no estacionamento, assistir a replays dos lances em seus celulares ou tablets, conferir estatísticas, pedir comida e até, vejam só, identificar qual dos banheiros tem fila menor. Neste link, é possível ver imagens do estádio em tempo real.

Mais incrível ainda: foi tudo construído com dinheiro do clube e de seus patrocinadores. Não entrou um cent de governo federal, nem estadual ou municipal. Lá, dinheiro público é levado a sério.

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Multiroom à brasileira

1Não é de hoje que vários fabricantes brasileiros vêm se destacando no mercado de tecnologia. Geralmente, são aquelas que fogem do “corpo a corpo” com as multinacionais e descobrem nichos não explorados. Um exemplo recente é o da GR Savage, que ganhou fama produzindo aparelhos de proteção elétrica para sistemas de áudio e vídeo e, mais recentemente, decidiu apostar no segmento de sonorização ambiente. Seu amplificador IHM-1230 (foto), lançado no final do ano passado, é o que se pode chamar “matriz multiroom”. Pode alimentar 12 canais de 30 watts cada, o que significa até seis ambientes estéreo, com sinais provenientes de até seis fontes de áudio chaveadas. Integrado a uma rede Wi-Fi, o aparelho permite vários tipos de configuração, além de poder ser acionado pelo celular ou tablet.

Até agora, não tínhamos visto uma solução desse tipo entre as marcas importadas distribuídas oficialmente no Brasil. O IHM-1230 foi testado por nossa equipe nas últimas semanas e saiu-se muito bem, dentro do que se propõe um amplificador/controlador multiroom. Vale a pena conhecer.

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Quem pensa que está seguro?

Falamos na semana passada sobre a Internet das Coisas (IoT), e eis que um estudo divulgado pela HP nos revela um lado mais sombrio dessa questão. Imaginem o que aconteceria se, com vários aparelhos se comunicando o tempo todo, um deles – um só – fosse atacado por um desses vírus que correm por aí. Foi essa a pergunta que se fizeram alguns especialistas da divisão de software da empresa americana. No relatório chamado Fortify Security Software Unit, eles dão algumas respostas.

Primeira constatação: nada menos do que 70% dos aparelhos seriam vulneráveis. Num primeiro levantamento, os técnicos analisaram dez aparelhos à venda no mercado, escolhidos ao acaso, e descobriram 25 “buracos”, ou seja, falhas de projeto ou de construção que permitem ataques. Exemplo: um simples termostato, dos que se conectam à rede Wi-Fi, pode parecer inocente. Mas é um aparelho não encriptado e, na maioria dos casos, utiliza software aberto, sem proteção.

O mesmo vale para TVs, câmeras de segurança, alarmes, painéis de parede e qualquer dispositivo que possa ser controlado remotamente ou que tenha acesso à internet. Esse é o maior dilema dos defensores da IoT: como interligar tanta coisa (fala-se em 26 bilhões de aparelhos conectados até 2020!!!) e, ao mesmo tempo, garantir que tudo esteja devidamente seguro?

Vai dar pra confiar?

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Empreendedor Expert

Flávio Vieira Lima, da empresa Comando Automação Residencial, de  Goiânia, foi um dos mais ativos participantes do nosso Programa de Certificação Home Expert até hoje. Lançado em 2011, o HE – como chamamos – já formou cerca de 100 profissionais, vindos de diversas partes do país, que hoje estão atuando no mercado de áudio, vídeo e automação. Foi com alegria, mas não muita surpresa, que vimos há algumas semanas o jovem empreendedor dando entrevista ao portal Goiás de Norte a Sul, cujos conteúdos também são exibidos pela Band no estado. Assistam aqui ao vídeo. E parabéns ao Flávio pelo sucesso!

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YouTube vira TV, de verdade

youtube-tvAnos atrás, virou chavão dizer que o YouTube era o “futuro da televisão”. De fato, milhões de pessoas, especialmente os jovens, passaram a dividir seu tempo dedicado à TV tradicional com o site de vídeos. Em meu livro Os Visionários, lançado em 2011, conto a história da criação do YouTube, já na época comentando análises que chegavam a afirmar: as emissoras terão que se adaptar à linguagem da internet.

Bem, não é bem isso que está acontecendo, embora seja cada dia maior a quantidade de vídeos circulando pela web. A notícia desta semana é que o YouTube, depois de anos com muita audiência e pouco faturamento, decidiu ficar mais parecido com a TV. Para decepção dos futurólogos, o site está mudando seu visual para se adaptar à linguagem dos TVs smart e dos consoles de videogame. Seu aplicativo para Xbox já está no ar, e a versão para PlayStation estará em breve, assim como updates para as várias marcas de TVs que oferecem o serviço (vejam aqui uma amostra).

Em seu blog oficial, a empresa diz que pretende facilitar a escolha de canais, programas e vídeos avulsos, aproveitando seu consagrado mecanismo de busca (assistam a este vídeo). E não esconde que a ideia é, sim, atrair publicidade – aliás, como qualquer emissora de televisão.

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Comparando os TVs 4K

consumerSaiu esta semana nos EUA uma edição especial da revista Consumer Reports sobre TVs 4K. Jim Wilcox, editor de tecnologia, compara diversas marcas e aponta suas preferidas, com uma ressalva: para a maioria das pessoas, é quase imperceptível a diferença entre esses aparelhos e seus correspondentes 2K (Full-HD).

Estranho? Também achei. Mas, como em quase tudo na vida, não se deve aceitar uma “sentença” como essa sem considerar algumas variáveis. Primeiro, a posição histórica da Consumer Reports, uma publicação que existe há quase 80 anos – foi fundada em 1936 pela primeira associação de defesa do consumidor do mundo – e é respeitada por sua independência. Suas equipes analisam todo tipo de produto e publicam avaliações que milhões de pessoas tomam como “verdade absoluta”. A revista, que não aceita publicidade (apenas em seu site), possui atualmente cerca de 7,3 milhões de assinantes (auditados) e reserva US$ 1,2 milhão por ano para seus testes (os produtos são comprados no mercado e os fabricantes só ficam sabendo depois da publicação. Alguns deles já foram à Justiça alegando erros nas avaliações de seus produtos, mas a revista nunca perdeu uma ação dessas.

Um dos motivos de tamanha credibilidade está no fato de que a Consumer Reports SEMPRE defende o ponto de vista do consumidor, especialmente em questões relacionadas a custos. Não é estranho, portanto, que considere não haver “muita diferença” entre um TV UHD e um Full-HD, embora tenha divulgado em seu site o gráfico abaixo, que confirma a enorme diferença (notem o tamanho dos pixels que formam a imagem). Levando em conta que, no mercado americano, um TV 4K básico custa por volta de US$ 2 mil, a CR recomenda um Full-HD de US$ 1.300. É um critério: uma economia de 700 dólares pode ser bem-vinda.

PrintWilcox concorda com um comentário já feito aqui, de que a principal diferença entre os TVs 4K que foram comparados está na função upconversion: como existe pouca oferta de conteúdo em 4K, quem compra um TV desse tipo hoje vai assistir a conteúdos Full-HD convertidos via software, o que é bem diferente das imagens originalmente gravadas em UHD. Assim, o TV que tenha o melhor circuito de upconversion é o mais recomendado.

No mais, a opção por um UHD, sem dúvida mais avançado, e outro que simplesmente é incapaz de reproduzir esse tipo de imagem depende, claro, dos hábitos e condições financeiras do usuário. “Para a maioria das pessoas, Full-HD já está ótimo”, diz Wilcox. “Mas, se o meu TV quebrasse hoje, eu compraria um 4K”.

Para quem ainda não viu, sugiro dar uma olhada nos três testes que fizemos até agora com TVs 4K, das marcas Samsung, Sony e LG. Acabamos de testar também o novo top de linha da LG, de 79″, com conversor HEVC,  que sai em setembro (a avaliação será publicada em breve no hometheater.com.br) E, neste artigo, um resumo das diferenças entre UHD e Full-HD.

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