Comparando os TVs 4K

consumerSaiu esta semana nos EUA uma edição especial da revista Consumer Reports sobre TVs 4K. Jim Wilcox, editor de tecnologia, compara diversas marcas e aponta suas preferidas, com uma ressalva: para a maioria das pessoas, é quase imperceptível a diferença entre esses aparelhos e seus correspondentes 2K (Full-HD).

Estranho? Também achei. Mas, como em quase tudo na vida, não se deve aceitar uma “sentença” como essa sem considerar algumas variáveis. Primeiro, a posição histórica da Consumer Reports, uma publicação que existe há quase 80 anos – foi fundada em 1936 pela primeira associação de defesa do consumidor do mundo – e é respeitada por sua independência. Suas equipes analisam todo tipo de produto e publicam avaliações que milhões de pessoas tomam como “verdade absoluta”. A revista, que não aceita publicidade (apenas em seu site), possui atualmente cerca de 7,3 milhões de assinantes (auditados) e reserva US$ 1,2 milhão por ano para seus testes (os produtos são comprados no mercado e os fabricantes só ficam sabendo depois da publicação. Alguns deles já foram à Justiça alegando erros nas avaliações de seus produtos, mas a revista nunca perdeu uma ação dessas.

Um dos motivos de tamanha credibilidade está no fato de que a Consumer Reports SEMPRE defende o ponto de vista do consumidor, especialmente em questões relacionadas a custos. Não é estranho, portanto, que considere não haver “muita diferença” entre um TV UHD e um Full-HD, embora tenha divulgado em seu site o gráfico abaixo, que confirma a enorme diferença (notem o tamanho dos pixels que formam a imagem). Levando em conta que, no mercado americano, um TV 4K básico custa por volta de US$ 2 mil, a CR recomenda um Full-HD de US$ 1.300. É um critério: uma economia de 700 dólares pode ser bem-vinda.

PrintWilcox concorda com um comentário já feito aqui, de que a principal diferença entre os TVs 4K que foram comparados está na função upconversion: como existe pouca oferta de conteúdo em 4K, quem compra um TV desse tipo hoje vai assistir a conteúdos Full-HD convertidos via software, o que é bem diferente das imagens originalmente gravadas em UHD. Assim, o TV que tenha o melhor circuito de upconversion é o mais recomendado.

No mais, a opção por um UHD, sem dúvida mais avançado, e outro que simplesmente é incapaz de reproduzir esse tipo de imagem depende, claro, dos hábitos e condições financeiras do usuário. “Para a maioria das pessoas, Full-HD já está ótimo”, diz Wilcox. “Mas, se o meu TV quebrasse hoje, eu compraria um 4K”.

Para quem ainda não viu, sugiro dar uma olhada nos três testes que fizemos até agora com TVs 4K, das marcas Samsung, Sony e LG. Acabamos de testar também o novo top de linha da LG, de 79″, com conversor HEVC,  que sai em setembro (a avaliação será publicada em breve no hometheater.com.br) E, neste artigo, um resumo das diferenças entre UHD e Full-HD.

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Tim e GVT já estão quase juntas

Uma reunião em Paris, na manhã desta quinta-feira, deve ter selado a união entre as operadoras brasileiras Tim (telefonia) e GVT (banda larga e televisão). Lá estavam Vincent Balloré, chairman e principal acionista do grupo Vivendi, dono da GVT, e Marco Patuano, CEO da Telecom Italia. O encontro foi noticiado por vários sites europeus, mas até este momento não se sabe o seu desfecho.

De concreto, mesmo, há uma nota oficial enviada pela Tim à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) confirmando as negociações. A nota é uma exigência legal, já que a operadora possui ações em bolsa. O documento, é claro, não entra em detalhes, mas estes circulam fartamente pela mídia internacional que cobre o setor de telecom. O site Tela Viva, por exemplo, fez um belo apanhado.

A fusão entre Tim e GVT vem sendo preparada há meses pelos bancos Bradesco, Citibank e o italiano Mediobanca. Mas as conversas foram apressadas depois que a Telefonica surpreendeu a todos com aquilo que, no mercado financeiro, se chama de “oferta hostil”: uma proposta não solicitada de R$ 20,1 bilhões para assumir imediatamente o controle da GVT. Acontece que há uma briga interna na Telecom Italia, onde a mesma Telefonica detém 8,3% das ações. E, para complicar as coisas, Balloré, o chefão da Vivendi, é também acionista do Mediobanca, que naturalmente tem interesse num acordo com os italianos.

Há um outro detalhe que dificulta a iniciativa dos espanhois. Passando a controlar a GVT, a Telefonica corre o risco de ver o negócio bloqueado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), já que a Vivo também atua nos segmentos de TV paga e banda larga fixa. Para a Tim, que hoje só opera com telefonia, esse risco inexiste.

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TVs miram nas multiplataformas

Depois dos eventos de TV por assinatura (ABTA) e automação (Expo Predial Tec), agosto nos reserva mais um grande encontro de tecnologia em São Paulo. Será nos dias 24 a 27 a primeira edição da SET Expo, que acontece simultaneamente ao 25° Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão). Serão mais de 300 expositores, entre emissoras, produtoras, provedores de conteúdo online e fabricantes de equipamentos e acessórios.

De olho nas mudanças de comportamento do telespectador, a SET – que até o ano passado apoiava a feira Broadcast & Cable – quer aproveitar a mudança para marcar uma nova etapa na evolução desse mercado. O evento agora será num local melhor e de acesso mais fácil (o Expo Center Norte), com foco na convergência de mídias e de telas. “Queremos ir além das tradicionais fronteiras da radiodifusão”, diz o diretor de marketing da entidade, Claudio Younis, referindo-se à distribuição de conteúdos em multiplataformas. “Expositores e congressistas vão debater as novas oportunidades que se abrem, por exemplo, com o uso dos dispositivos móveis para acessar conteúdos de televisão.”

Um estudo recente da IABM (International Association of Broadcasting Manufacturers), que reúne fabricantes de equipamentos para rádio e TV, mostrou a maior parte dos investimentos do setor, hoje, está focada no gerenciamento e na distribuição dos conteúdos em formato digital, inclusive pela internet. As grandes emissoras do mundo, e também no Brasil, já estão trabalhando nessa direção.

Outro tema que irá mobilizar os debates e as demonstrações na SET Expo é o Ultra-HD. Está programada uma demo do sistema de transmissão 8K, em parceria com a NHK do Japão (mais detalhes aqui), e várias das palestras tratarão do tema em seus inúmeros aspectos (captação, produção, distribuição, armazenamento, recepção etc). E estarão presentes empresas de países como Alemanha, Japão, Israel, Grã-Bretanha, Índia, Itália e EUA.

 

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Casa conectada: o futuro está aí!

Participando nesta quarta-feira de um debate no Congresso HABITAR, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), pude aprender um pouco mais sobre conceitos como “casa conectada”, “comunicação sem fio” e “automação como serviço”. Claro, não são ideias novas, mas ainda estamos longe de entendê-las em toda a sua complexidade.

O evento deveria contar com a presença de Julie Jacobson, editora do site americano CE Pro, uma espécie de “bíblia virtual” dos profissionais de sistemas eletrônicos residenciais. Devido a um acidente, porém, ela não pôde vir; enviou sua apresentação online sobre as tendências do mercado de automação, junto com alguns comentários. Graças a estes, e mais duas rápidas análises de representantes da Z-Wave Alliance, acredito que os participantes tenham saído com uma ideia mais clara sobre esse universo tão fascinante quanto dinâmico.

A partir do mercado americano, Julie destaca cinco tendências principais, que no entanto valem para o mundo em geral:

IoT (Internet das Coisas) – Como comentamos ontem, o conceito engloba a comunicação fácil e rápida entre todos os tipos de aparelho eletrônico.

Segurança – Um item cada vez mais valorizado pelos usuários e cujos avanços tecnológicos têm sido notáveis.

Economia de energia – Embora no Brasil poucos se preocupem com isso, nos países mais avançados a consciência do consumidor está obrigando as empresas a investirem mais e mais em produtos de menor consumo e que utilizem materiais não agressivos ao meio ambiente.

Nuvem – Aumenta rapidamente a oferta de serviços remotos, o que inclui também alguns itens de automação; mas isso não quer dizer que não haja problemas e até riscos na sua implantação prática.

HAaS (Home Automation as a Service) – Ao pé da letra, quer dizer “automação residencial como serviço”. Significa a possibilidade que se abre para o integrador cobrar pelo projeto e instalação dos sistemas, além de fidelizar o cliente com um trabalho eficiente de pós-venda (que também passa a ser remunerado).

Bem, são apenas cinco itens (e há alguns outros), que merecem seus desdobramentos. Faremos isso aos poucos, nas próximas semanas. Importante para os usuários, assim como para os profissionais da área, é buscarem mais informação a respeito. Já não estamos falando de futuro, mas de um presente batendo em nossa porta.

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Automação e a Internet das Coisas

Nesta segunda-feira, foi aberta em São Paulo a 5a. edição da Expo PredialTec, que até quarta irá mostrar o que há de mais recente em automação residencial e predial. Este ano, quatro marcas de prestígio em áudio também estão presentes: a inglesa KEF, que faz sua reestreia no Brasil; a dinamarquesa Avance, distribuída pela gaúcha Facsom; a canadense PSB, através da catarinense Chiave; e a americana PolkAudio, uma das atrações no estande da Disac. Chamo a atenção dos interessados, porque aos poucos o evento dedicado à automação parece se transformar num bom palco também para produtos de áudio. Vamos ver qual será a reação dos visitantes, que basicamente são integradores de sistemas eletrônicos.

No mesmo local da feira, mas apenas pela manhã, acontece a 12a. edição do Congresso HABITAR, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), que entre outros temas interessantes tem programada para esta quarta-feira uma sessão sobre Internet das Coisas. Pode parecer futurista, mas o fato é que aos poucos os aparelhos estão se integrando e aprendendo a “conversar” entre si. Troquei ideias sobre o tema com Mark Walters, chairman da Z-Wave Alliance, que será um dos palestrantes, e ele revelou que a maioria das empresas integrantes do consórcio – entre elas gigantes como AT&T, G&E, Honeywell, LG, Bosch, NEC, Somfy, D-Link, Hunter Douglas e Verizon – já estão plenamente envolvidas com essa tecnologia.

Internet das Coisas (ou IoT, da sigla em inglês) foi o nome que se deu ao conceito de interoperabilidade, ou seja, a capacidade dos equipamentos se comunicarem entre si através de sensores padronizados. Walters acha que, no máximo daqui a três anos, isso já será realidade não apenas em nossas casas e escritórios, mas também em hotéis, hospitais e até nos carros. “Será um mercado de bilhões, pode apostar”, garante.

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O mundo quer 4K. Será?

sony curvo 4KA edição 2014 da IFA, que acontece em Berlim de 5 a 10 de setembro próximo, tem tudo para ficar na história como a “feira do 4K”. É impressionante a quantidade de informações que nos chegam, de todas as fontes, sobre as apostas da indústria nessa tecnologia. E, quando falo em “indústria”, não me refiro apenas aos fabricantes; pode-se incluir emissoras de TV (aberta e fechada), produtoras de cinema e vídeo, provedores de internet e um looooooooooongo etc.

Começando pela notícia mais recente: a Sony anunciou nesta sexta-feira, em Tóquio, que entre as atrações da IFA estarão seus dois primeiros TVs de tela curva (foto), de 65 e 75 polegadas, com resolução Ultra-HD. Pelas informações disponíveis, trata-se dos modelos top de linha atuais, só que agora com o apelo das curvas.

Nas últimas semanas, Samsung e LG apresentaram seus TVs 4K de 105 polegadas, de tela curva (detalhes aqui), enquanto Panasonic, Toshiba e Sharp prometem uma variedade de tamanhos e estilos. Há ainda a Philips, que costuma reservar seus melhores lançamentos para a IFA. Além dos TVs, esses fabricantes preparam também players digitais compatíveis com sinal UHD via internet.

Ainda não se conhece um player de mídia física, tipo Blu-ray, com essa capacidade. Quem sabe não aparece um deles na IFA?

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Tecnologia será útil nas eleições

Daqui a menos de dois meses, os brasileiros terão que escolher quem irá governá-los pelos próximos quatro anos. Grande parte dos candidatos já percebeu que a internet – e particularmente as redes sociais – é um “campo de batalha” que precisa ser bem utilizado. OK, para alguns, “utilizar bem” essa mídia significa espalhar boatos e mentiras, ou ofender a reputação de seus adversários.

Hoje mesmo, surgiu a informação de que alguém, a partir do Palácio do Planalto, deturpou dados sobre dois jornalistas na Wikipedia; notícias como essa têm sido comuns nos últimos meses, numa prática abominável que, pelo visto, se espalha por todos os grupos políticos. Sabe-se que os grandes partidos, e também alguns candidatos, por conta própria, montaram verdadeiras “guerrilhas digitais”, coordenadas por seus marqueteiros. É um jogo sujo, mas ao qual infelizmente teremos de nos acostumar.

E nos prevenir, também. Uma boa iniciativa nesse sentido acaba de ser anunciada pela Transparência Brasil, que há anos busca denunciar o lado podre da política brasileira. No próximo dia 23, essa ONG irá promover o que chama de hackathon, maratona de desenvolvedores cujo desafio será criar aplicativos que facilitem o monitoramento das eleições e dos parlamentares em todo o país. Para começar, já está no ar o projeto Quem Quer Virar Excelência nas Eleições de 2014, que reúne informações úteis sobre os candidatos.

Vale a pena acessar, conferir os dados e divulgar. E, claro, torcer para que a criatividade de nossos hackers ajude a tornar nossa política mais limpa (ou menos suja).

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Operadora é acusada de “gatonet”

Ainda sobre o assunto do post anterior: a maioria dos estudos atuais sobre pirataria no mundo aponta na direção do DTH (Direct-to-Home), nome técnico do sistema de TV via satélite. No Brasil, as principais operadoras dessa modalidade são Sky, Claro TV e OiTV (a Vivo tem atuação pequena). A explicação é de que é mais fácil captar o sinal que viaja pelo ar (e não via cabo), digitalizá-lo e retransmitir aos interessados.

Evidentemente, é caso de polícia. Mas as investigações são discretas, sem muito alarde. Só que o problema pode ganhar contornos mais amplos, com uma denúncia feita ontem na ABTA 2014, por Rodrigo Schuch, diretor da Algar, operadora com sede em Minas Gerais. Sem meias palavras, ela acusou diretamente a concorrente Sky de praticar a chamada “pirataria branca”: o instalador coloca um ponto de recepção na casa do assinante e dali redistribui o sinal para os vizinhos; o custo da mensalidade é então rateado entre as famílias.

Que se saiba, é a primeira vez que uma operadora é acusada nominalmente pelo crime de pirataria. Na verdade, essas denúncias já vêm sendo feitas informalmente no mercado há pelo menos dois anos. Em 2013, a Sky chegou a ser punida pela Anatel por “inflar” seus números de assinantes – o caso, que comentamos aqui, chegou a ser investigado pela DirecTV, dos EUA, proprietária da empresa.

Segundo Schuch, há em Minas casos em que um receptor da Sky é ligado à rede de banda larga da própria Algar (oficialmente a Sky não presta esse tipo de serviço na região). “Eles ligam na nossa rede para fazer as atualizações, e ainda reclamam quando a banda cai”, contou o executivo, inconformado.

A Sky, quando procurada, nunca se manifestou a respeito. E, na prática, não há muito que se possa fazer – a não ser que a polícia localize os domicílios e obtenha autorização judicial para invadi-los e destruir os “gatos”.

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Como atacar a pirataria de TV

Semana passada, comentamos sobre a pirataria de sinal digital, popularmente conhecida como gatonet e que é apontada pelas empresas de TV por assinatura como sua maior inimiga atualmente. Pois agora temos dados concretos a respeito, divulgados na ABTA 2014. Uma pesquisa da empresa H2R, encomendada pela Associação Brasileira de TV por Assinatura, revela o tamanho do problema: 4,2 milhões de residências no país utilizam sinal de TV obtido ilegalmente. Considerando que os assinantes registrados estão na casa dos 19 milhões, isso significa que 18,4% do mercado está fora da lei!

Diz oportunamente o site Tela Viva que, se fosse uma operadora, a gatonet seria hoje a terceira maior do país, superada apenas pela NET (com 6,1 milhões de assinantes) e pela Sky (5,1 milhões). Os pesquisadores entrevistaram 1.750 pessoas em seis estados: SP, RJ, MG, RS, PR e SC. E ouviram respostas como o antiquíssimo “qual é o problema? Todo mundo faz”. Segundo Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional de Combate à Pirataria e à Ilegalidade, a população em geral não vê a pirataria com crime. “Mesmo quem não pratica aceita naturalmente que outros pratiquem”, diz ele.

Soluções? Do ponto de vista legal, há um projeto tramitando no Congresso que prevê dois anos de prisão a quem fizer pirataria de sinal de TV paga (pune também o receptor, ou seja, o dono da casa que recebe o sinal). Com a divulgação da pesquisa, o setor de TV paga quer pressionar os ilustres parlamentares a votarem rapidamente essa lei. Na prática, operadoras e programadoras estão buscando apoio dos órgãos públicos que cuidam (ou deveriam cuidar) da questão: Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal; esta última, através de seu escritório em Foz do Iguaçu, diz que se dispõe a colaborar na fiscalização da fronteira por onde entram diariamente centenas de receptores ilegais.

Conversei durante a ABTA com Augusto Rossini, promotor de Justiça de SP, que participou de um debate sobre o tema. Ele defende que mais casos de pirataria sejam levados à Justiça, mas alerta que apenas isso não resolve. “Não podemos tratar todos os consumidores como criminosos”, diz ele. “Há aqueles que não têm consciência de estarem praticando um ato ilegal. E, se formos punir todo mundo, vai faltar cadeia”.

Rossini, como vários especialistas, sabe que a pirataria é questão de Estado, pois tem a ver com o crime organizado. Durante o debate, um representante do Sindicato dos Trabalhadores em Telecom pediu a palavra para dizer que, entre outros efeitos, o gatonet gera muito desemprego. “Alguém precisa ter a coragem de dizer que estamos lidando com bandidos e traficantes internacionais”.

Se antes havia mais suspeitas e denúncias vazias do que qualquer outra coisa, agora os dados estão na mesa. Ninguém tem mais desculpa para deixar a situação como está.

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TV paga: mercado em ebulição

A ABTA 2014 abriu nesta terça-feira sob o impacto de uma notícia-bomba: o grupo espanhol Telefônica fez uma oferta de R$ 20,1 bilhões para assumir o controle da GVT, que pertence aos franceses da Vivendi. Em 2009, esta havia pago valor equivalente para adquirir a pequena operadora fundada no Paraná (na concorrência, venceu a própria Telefônica). O esquema todo foi muito bem explicado pelo consultor Eduardo Tude, do site Teleco, um dos maiores especialistas do país na matéria (leiam aqui).

Para boa parte dos participantes da ABTA 2014, está sendo difícil levar a sério essa oferta da Telefônica. Nos bastidores, o tema é tratado como uma espécie de “blefe”, num momento em que o grupo espanhol se vê diante de altíssimo endividamento. Pode ser também uma dessas notícias jogadas na mídia para “produzir espuma” e deixar confusos os concorrentes.

Já comentamos aqui que o mercado de TV paga, cada vez mais associado ao de internet, tende à concentração. Aposta-se que daqui a dois ou três anos haverá poucos grupos no controle das grandes operadoras, que irão dominar o setor; hoje, as quatro maiores – NET, Sky, Oi e GVT – já detêm 90% dos negócios.

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Dolby Atmos chega ao Brasil

onkyo back   A distribuidora Disac já está comercializando o receiver TX-NR838, da Onkyo, o primeiro que sai no Brasil com o processamento Dolby Atmos. Como já comentamos aqui, esse codec expande a propagação do áudio pela sala colocando boa parte dos sons sobre a cabeça dos ouvintes. Foi lançado pela Dolby nos cinemas americanos em 2012, e a Onkyo foi um dos primeiros fabricantes a aderir à versão residencial (nos EUA, acaba de sair também uma linha Denon com esse recurso; Integra e Marantz prometem o mesmo até o final do ano).

Pelo que pudemos apurar até agora (sem ter experimentado a novidade), o Atmos propõe um novo tipo de relação entre o usuário e seu equipamento. O software admite até 64 canais de áudio, abrindo a possibilidade de se instalar alto-falantes tanto no teto quanto no piso e praticamente em todos os cantos da sala. A ideia é que a reprodução de um filme ou música seja, de fato, uma experiência imersiva. “Partimos do princípio físico de como as ondas sonoras se propagam no ambiente e como o cérebro as interpreta”, explicou a Dolby em um comunicado.

Pode parecer delírio futurista, mas é fato que muita gente já está interessada em receivers ou processadores certificados com Atmos. Pelo que foi anunciado até agora, serão verdadeiras máquinas de reprodução sonora. Os da Onkyo, por exemplo, possuem chips DSP de 32-bit e aceitam vídeo 4K/60P inclusive via streaming; o mod. 838 traz sete conversores discretos (Burr-Brown), um para cada canal, e faz ainda multiroom amplificado em HDMI (Zona 2) e via saída de linha (Zona 3). Ufa!

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Quem quer ganhar 1 milhão de dólares?

Provavelmente será difícil para um não-americano, mas de qualquer modo o desafio está posto: a Google Inc promete pagar US$ 1 milhão a quem construir um novo tipo de amplificador que libere 2kVA de potência e tenha no máximo 16 centímetros cúbicos. A iniciativa, em conjunto com o respeitado IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers), leva o nome de The Little Box Challenge, que não poderia ser mais apropriado – de fato, trata-se de inventar uma espécie de caixinha milagrosa.

Segundo comunicado oficial da Google, a ideia é criar um produto para “revolucionar a eletricidade no próximo século”. Só isso! Vale lembrar que a empresa já patrocinou, no passado, projetos como o Google Fiber, instalando uma rede-piloto de banda larga ultraveloz na cidade de Kansas City; e os semicondutores WBG (wide-bandcap), produzidos por um consórcio de fabricantes.

Além de gerar os tais 2kVA de potência, o novo aparelho precisa garantir 50W por polegada cúbica (2,54cm), ter entrada de 450 Volts e saída de 240V, com refrigeração interna. E mais: funcionar como inversor DC-AC, com 95% de eficiência. Para quê tudo isso? Só o Deus Google sabe!

Alguém se habilita? Inscrições até 30 de setembro, neste link.

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TV paga: hora de debater

Falando em banda larga, a próxima semana marca a realização de mais uma ABTA 2014, o principal evento da TV por Assinatura no Brasil. E, claro, TV por assinatura e banda larga são quase irmãs hoje em dia, já que a maioria dos assinantes quer ter acesso aos dois serviços e as principais operadoras oferecem ambos. Nos dias 5, 6 e 7, teremos uma vasta programação de palestras e debates, além de uma exposição onde operadoras, programadoras, produtoras e fornecedoras de equipamentos devem demonstrar o que há de novo nesse campo.

Segundo a Anatel, o mês de junho fechou com 23,224 milhões de acessos de banda larga fixa e 19,968 milhões de domicílios com TV paga. Isso dá quase 12% de crescimento em um ano, o que é mais do que apreciável considerando a situação econômica do país. Diz o site Tela Viva, bíblia no assunto, que as novas tecnologias estão puxando a demanda pela banda larga. Cerca de 57% das conexões ainda são do tipo xDSL (via cabo de rede), mas vêm crescendo as modalidades de cabo (30%) e fibra óptica (4%), sem falar na rápida adoção da banda larga sem fio. Só em junho, foram 55 mil novos acessos via LTE (4G).

Tudo isso certamente será dissecado pelos participantes da ABTA 2014, entre eles vários especialistas internacionais. Eis aqui alguns temas programados: produtos e serviços para o consumidor digital; casamento da TV paga com a mobilidade; mudanças de comportamento dos consumidores; impacto da entrega de conteúdos sob demanda; oferta de conteúdos em Ultra-HD via redes IP; e como o mercado irá evoluir dentro do conceito de “casa conectada” (veja aqui a programação completa).

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Até onde vai a Netflix?

netflix_gameover_rentalsNos bastidores do mercado, são cada vez mais fortes os rumores de que a Netflix negocia no Brasil acordos semelhantes aos que obteve com as operadoras americanas de banda larga. Com aval do governo brasileiro, a empresa pretende ampliar sua audiência no país, sabendo que para isso precisará garantir o fluxo estável de seus dados.

Só recapitulando: nos EUA, a Netflix enfrentou sérios problemas no começo do ano, devido a um princípio de boicote; muitos usuários estavam descontentes com as falhas no streaming de vídeos (mais detalhes aqui). Mesmo a contragosto, Reed Hastings, fundador e presidente da empresa, teve que buscar acordos com as principais operadoras, a quem culpava pelas falhas. A solução foi fazer contratos em separado, pagando mais que os usuários, digamos, mortais.

Não se sabe o valor da conta, mas o fato é que os problemas foram resolvidos e, aparentemente, os assinantes não estão reclamando mais. Na prática, a Netflix paga um extra à Comcast e à Verizon, que garantem prioridade no fluxo de seu enorme acervo de conteúdos para streaming; esta semana, mais uma operadora veio se juntar ao clube, a AT&T.

Imagina-se que algo do gênero deva acontecer no Brasil. O único problema é o recém-aprovado Marco Civil da Internet, sempre ele! O texto garante a chamada “neutralidade da rede”, impedindo provedores de dar tratamento diferenciado a seus clientes. Como a lei existe, mas ainda não foi regulamentada (quando será?), o mais provável é que se chegue a um acordo.

As operadoras de banda larga agradecem, pois podem assim aumentar, e muito, seu caixa.

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Critérios para comprar um TV

Meu velho pai costumava se queixar dos médicos quando diziam que ele estava bem de saúde. “Como eles podem saber que não tenho nada?”, chegou a dizer algumas vezes, praticamente exigindo que lhe dessem algum remédio. Sempre me lembro desses episódios quando um leitor nos pergunta: “Qual é o melhor TV”? Se respondemos com um reles “depende”, e isso já aconteceu várias vezes, uma reação comum é pensar que não entendemos nada e estamos fugindo para cima do muro!!!

Já fiz pessoalmente o teste com amigos especialistas em carros, por exemplo, perguntando sem rodeios: “Qual é o melhor”. Quase sempre, a lista de condicionantes e variáveis a ser consideradas é tão grande que propicia duas, três ou quatro respostas distintas. Na semana passada, a empresa americana de pesquisas NPD DisplaySearch divulgou um estudo mundial sobre os critérios que as pessoas adotam na hora de escolher um TV. Adivinhem: a exigência mais comum é o velho “ter a melhor imagem”. Ganha um TV OLED 4K quem conseguir decifrar o que vem a ser esse conceito.

Os outros critérios apontados pelos entrevistados foram, pela ordem, “qualidade de áudio”, “preço acessível” e “menor consumo de energia”. Isso nos países desenvolvidos; nos emergentes, os consumidores deram mais importância a “garantia e assistência técnica” do que à questão do consumo. Seguem-se conceitos como “fidelidade à marca”, “facilidade de uso” e adoção de “novas tecnologias” (o estudo completo pode ser visto aqui).

Os pesquisadores concluíram, a meu ver acertadamente, que o fato de a qualidade de imagem ser o fator mais importante tende a favorecer o aumento nas vendas de TVs 4K, à medida que mais pessoas vão conhecendo a novidade. Não por acaso, a NPD divulgou outro estudo apontando que os fabricantes irão entregar este ano, em todo o planeta, cerca de 1 milhão de TVs desse tipo, número que saltará para 30 milhões em 2017.

Resta saber se os consumidores realmente conseguem, ao entrar numa loja, identificar qual dos TVs oferecidos exibe a melhor imagem.

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iPhone 6, à prova de arranhões

arranharComo sempre, boa parte do mundo da tecnologia está em suspense, aguardando o lançamento do iPhone 6. A previsão mais recente é setembro e, ao contrário dos modelos anteriores, este vem cercado de muitas interrogações. Sim, a Apple é famosa por esconder brilhantemente seus segredos, deixando escapar apenas o que lhe interessa. Mas, desta vez, muitos especialistas apostam que a empresa fundada por Steve Jobs não tem como competir com os novos Galaxy da Samsung. Será?

Em meio às especulações de costume, o blogueiro americano Marques Brownlee decidiu ir mais fundo no item que muitos consideram o grande avanço do iPhone 6: o tipo de tela. Será produzida com sapphire glass, novo tipo de vidro que utiliza em sua composição a safira, um dos materiais mais resistentes e rígidos da natureza. Brownlee, que assina com as iniciais MKBHD, garante ter conseguido dois exemplares do aparelho, quer dizer, do gabinete, o suficiente para testar a nova tela.

Num vídeo extremamente bem feito, ele demonstra que trata-se de material bem superior ao Gorilla Glass, usado nos iPhones anteriores. Com uma faca afiadíssima, o blogueiro tenta mas não consegue sequer arranhar a superfície do, digamos, smartphone. “Tem a espessura de uma folha de papel, totalmente transparente, e pode até ser dobrado, mas ainda assim não há como quebrar”, diz nosso expert (confiram aqui o vídeo).

O site The Register, que replicou o vídeo, apurou que a aposta da Apple é pra valer. A empresa teria adquirido vidro de safira em quantidade suficiente para três anos!!!

Curioso é que, dias depois de divulgar aquele vídeo, o mesmo MKBHD produziu este outro em que se retrata parcialmente: a tela de vidro safira pode, sim, ser danificada, embora isso exija certa paciência. Claro, ninguém vai comprar um aparelho desses para arranhá-lo, mas o interessante do vídeo é mostrar que a safira é, de fato, um material com altíssimo teor de dureza. Enquanto o aço de uma faca, por exemplo, tem índice 5.5, o Gorilla Glass é especificado em 6.8; já o Sapphire Glass está na casa de 9.0.

Pois bem, nosso amigo conseguiu provar que é possível arranhar a superfície com uma lixa de esmeril. O problema é que a tela não é feita de safira 100% pura, mas de uma liga com outros materiais. Pois é, já não vai dar para ficar brincando de arranhar seu telefone novo.

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O futuro do áudio surround

Todo profissional de áudio sabe que, para treinar os ouvidos e perceber com clareza as nuances da música, é fundamental acostumar-se a ver concertos ao vivo. O mesmo pode ser dito dos filmes: quem quer, de fato, explorar o áudio de um bom filme (e aí não importa qual seja o gênero), deve assisti-lo numa boa sala de cinema.

Um evento marcado para setembro nos EUA – na cidade de Culver City, próximo a Los Angeles, ali bem ao lado dos estúdios de Hollywood – promete explorar a fundo a questão do áudio na produção de filmes e vídeos. Junto com as tecnologias de vídeo de altíssima resolução (4K e 8K), esse é um dos temas mais atuais na indústria – não apenas a de cinema, mas também as de televisão, internet e home video.

atmos e auroO encontro Sound for Film, com a presença dos maiores especialistas na matéria e de grande parte dos técnicos que trabalham para os estúdios, incluiu na sua programação palestras, demos e debates sobre os dois padrões que, acredita-se, irão dominar as produções nos próximos anos. O primeiro é o Atmos, da Dolby, já instalado numa série de cinemas americanos e que até o ano que vem deverá desembarcar no Brasil. Como já comentamos aqui, conteúdos com esse processamento elevam os efeitos de áudio a um novo patamar, espalhando-os pelo ambiente de uma forma nunca vista até hoje.

Seu maior concorrente é o Auro-3D, criado na Bélgica pelos irmãos Wilfried e Guy Van Baelen por volta de 2005 e que está presente em grandes cadeias de cinema europeias. Sua proposta é semelhante à do Atmos: reprocessar o áudio dos filmes de modo que o espectador seja, de fato, envolvido por detalhes sonoros que não perceberia numa reprodução convencional (neste vídeo, Wilfried dá uma longa explicação a respeito).

Sim, se o leitor está se perguntando quando essas maravilhas chegarão aos ambientes domésticos, a aposta é que em meados de 2015 será possível adquirir receivers e processadores compatíveis. Talvez antes.

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TV paga: “gatonet” virou brincadeira

piracyNesta terça-feira, enquanto em Brasilia a Anatel anunciava os números de junho na TV por assinatura (quase 19 milhões de domicílios atendidos, com penetração de 29%), em São Paulo a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) fazia seu almoço anual de apresentação de sua feira e congresso, que acontecem na próxima semana. Os números do setor de fato de são interessantes. Além do crescimento contínuo na venda de assinaturas (taxa anual de 11%), os canais pagos subiram 20% em audiência entre janeiro e maio; somando todos, é mais do que a Rede Record, segunda entre as emissoras abertas. O impacto do Netflix aparentemente não vem sendo significativo, e até as receitas de publicidade crescem em ritmo mais forte do que a média do mercado de mídia.

Talvez o principal problema da TV paga brasileira, como acontece em outros países, seja hoje a pirataria de sinal. “Os tempos românticos do gatonet ficaram para trás”, resume Oscar Simões, presidente da ABTA. Eram tempos em que a TV a cabo predominava e a criatividade brasileira, especialmente em comunidades pobres, introduzia o “puxadinho” nas instalações. Hoje, com o domínio das redes digitais e da TV por satélite (que representa 61,85% do mercado, segundo a Anatel), pirataria de sinal de TV passou a ser coisa de crime organizado.

No Congresso da ABTA, será apresentado um estudo inédito mostrando o impacto dessa atividade para o país. Mas sabe-se que existem máfias internacionais comandando o negócio, assim como fazem com o tráfico de drogas, de armas e até de bebês. Segundo Simões, são esquemas altamente sofisticados e que envolvem tecnologias complexas, difíceis de combater. Perto deles, nosso velho gatonet pode ser considerado quase brincadeira de criança.

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Automação, jogo de gente grande

Reportagem da revista Forbes, duas semanas atrás, apontava um fenômeno que nós aqui, modestamente, já havíamos comentado tempos atrás: o avanço das grandes empresas de tecnologia no setor de automação residencial. Como se tivessem combinado, Google, Apple e Samsung aumentaram este ano os investimentos no setor – e não é pouco dinheiro.

No início do ano, a Google pagou nada menos do que US$ 3,2 bilhões pela Nest, que tornou populares nos EUA os chamados “termostatos inteligentes”. Mais recentemente, a Apple apresentou seu HomeKit, um pacote de softwares para desenvolvedores que queiram utilizar os produtos da empresa em sistemas de automação. E agora a Samsung anuncia a compra, por US$ 200 milhões, da SmartThings, pequena empresa de Washington que vende kits básicos de automação por até 100 dólares.

As três gigantes enxergam potencial nas soluções de baixo custo para controlar a casa, algumas delas já disponíveis no Brasil. O caso da SmartThings é particularmente interessante. Em apenas dois anos, a empresa atraiu vários fundos de investimento, basicamente fazendo campanha pela internet.

O que há de comum nos três casos é a ideia de que todo mundo deseja ter em casa algum tipo de automação – variando apenas a disposição para investir. Produtos como os citados acima chamam a atenção pelo custo acessível e, como já comentamos aqui, podem ser uma porta de entrada para usuários sem contas bancárias tão gordas. Há, porém, quem se recuse até a classificar essas soluções como “automação”, partindo do princípio de que um sistema verdadeiro exige projeto, instalação adequada, proteção elétrica etc.

Vamos ver como as gigantes da tecnologia resolverão essas questões.

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