Copa terá experiência em 8K

4k 8k uhdtv uhdPara quem gosta de futebol ou de tecnologia, a Copa do Mundo está sendo um espetáculo inesquecível. Acompanho ambos há décadas e não me lembro de um evento tão fascinante. Em campo, nunca se viu tantos gols, alguns belíssimos, em tão poucos jogos. Fora dele, um show de imagens coloridas como só a Copa é capaz de proporcionar, devidamente captadas por profissionais atentos e suas câmeras de última geração. Só se pode desejar que continue assim até o final (sim, a conversa sobre a roubalheira que envolve o futebol pode esperar para depois do último jogo).

Como anunciamos aqui, haverá transmissões especiais em 4K promovidas pela Sony em parceria com Globo, usando link terrestre UHF, e Globosat, esta através das operadoras Net, VivoTV e OiTV. Serão eventos fechados, só para convidados, nos dias 28/06, 04 e 13/07; talvez as operadoras de TV paga liberem decoders 4K para alguns de seus assinantes, mas isso ainda não está confirmado.

A Globo (TV aberta) anunciou que irá utilizar em seus eventos o primeiro decoder em tempo real para 4K com frequência de 60P (60 quadros por segundo), que é a última palavra em matéria de transmissão. As experiências anteriores haviam sido feitas com decoder 30P. O aparelho, produzido pela NEC, faz a compressão do sinal de vídeo 4K sem perdas, dispensando o uso de software adicional, o que gera imagem mais estável. É o primeiro passo para que tenhamos, daqui a alguns anos, transmissões regulares em UHD.

Outra novidade, divulgada pela colega Cristina De Luca no IDG Now, é a realização de testes também em 8K durante esta Copa. Serão feitos pela emissora japonesa NHK utilizando a infraestrutura de internet da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa). Aproveitando que nove partidas serão transmitidas experimentalmente para o Japão, o sinal será gerado também para locais do Rio de Janeiro, onde poderá ser acompanhado por especialistas e convidados. Aliás, o primeiro jogo desse projeto já foi transmitido: Costa do Marfim 2 x 1 Japão, sábado passado.

 

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McIntosh vive novo momento no Brasil

138918-mcintosh_mc2102_power_amplifier_tubesPara grande parte dos audiófilos, a simples menção do nome McIntosh já causa êxtase. Sim, há quem confunda com os famosos computadores da Apple (graficamente, a diferença está no “a” do prefixo Mac), mas um bom conhecedor de áudio e de música jamais cairá nesse erro. Infelizmente, por uma série de motivos que não cabem neste espaço, os badalados aparelhos de áudio da McIntosh nunca tiveram uma distribuição regular e constante no Brasil. Agora, a Audiogene – que já distribui várias marcas de alto padrão: Focal, Bryston, Kaleidescape e Savant, por exemplo – se propõe a enfrentar o desafio.

Fundada nos EUA em 1949, a McIntosh passou por diversas mãos nos últimos anos, até ser incorporada pelo grupo italiano Fine Sounds, o mesmo que detém marcas de prestígio no segmento de áudio, como Sonus Faber, Audio Research e Wadia. Graças ao seu inegável charme e a um desempenho acima de qualquer suspeita, os produtos da McIntosh não perderam seu apelo, apesar de tantas idas e vindas. Basta dizer que sua linha de amplificadores é a única que mantém o famoso display azul com indicador analógico de potência, mesmo na era digital.

Com a Audiogene, a promessa é de que será possível encontrar os produtos McIntosh – e principalmente ouvir demonstrações bem feitas – é muito mais pontos do país. As revendas estão sendo selecionadas com critério, e muitas provavelmente serão as mesmas que já trabalham, por exemplo, com as refinadas caixas acústicas francesas da Focal.

O lado ruim é que poucos usuários terão condições de pagar seu preço. Mas a Audiogene aposta que talvez não sejam tão poucos assim.

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A Copa também é dos hackers

Conforme havia prometido em fevereiro, o grupo Anonymous está atacando no dia da abertura da Copa do Mundo. No momento em que escrevo (14h40), dezenas de sites ligados ao evento estão fora do ar, ou exibindo mensagens contra a Fifa e a realização da Copa. Angelica Mari, jornalista especializada em mídias digitais que trabalha para o site americano ZDNet, acaba de publicar que até o site oficial da Copa 2014 foi atacado e está bloqueado há mais de 24 horas. O Anonymous divulga em seu site que até agora são 60 endereços afetados pelo que tecnicamente se chama DDoS (Distributed Denial of Service, ou “negação distribuída de serviço”). Colocaram tambem um vídeo no YouTube justificando as ações.

Bem-vindos todos à primeira Copa totalmente digital!

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Copa será interativa e hiperconectada

copa sincronizadasAcontece a cada quatro anos, mas desta vez a Copa do Mundo será mais do que especial. Para os brasileiros, não há como negar: estamos todos tomando um “choque de realidade”, ao constatar que o esporte mais popular está servindo para mostrar as diversas faces do país. Como já comentamos aqui, o famoso ‘legado da Copa’ já está definido, não importando se nossa seleção terá ou não um bom desempenho.

Mas, falando especificamente de tecnologia, é inegável também que a Copa 2014 já está deixando suas marcas – mesmo antes da bola rolar. Como de hábito, o evento está servindo de palco para uma impressionante demonstração de avanços técnicos, incluindo alguns inéditos, dentro e fora dos campos. Dentro, teremos pela primeira vez o recurso que a Fifa chama GLT (Goal-line Technology), que servirá para confirmar quando a bola passar a linha fatal do gol. Nada menos do que 14 câmeras de altíssima velocidade estarão montadas em cada estádio da Copa, sete delas sobre cada meta: quando a bola entrar, o juiz será avisado por um sinal eletrônico em seu relógio de pulso.

Esta será também a Copa do 4K, como já adiantamos aqui, embora essa inovação esteja restrita a alguns privilegiados. E será, com certeza, a primeira Copa totalmente transmitida em Full-HD, para mais de 180 países, com um total de 224 câmeras espalhadas em vários pontos de cada estádio. Duas delas trabalharão sincronizadas (como na foto acima), permitindo que as emissoras autorizadas pela Fifa mostrem o campo todo, numa única tomada (num TV 21:9, essa visão é impactante).

Quem quiser nem precisará utilizar um televisor para assistir aos jogos. Esta será também a primeira Copa totalmente digital, com os sinais da Fifa circulando pela internet em suas mais variadas formas. A HBS, empresa suíça que gerencia a cobertura, prevê colocar no ar cerca de 2.500 horas de conteúdo relacionado ao evento, incluindo os jogos e os replays dos lances mais importantes. Você poderá captar as imagens em seu smartphone, por exemplo, e replicá-las pelo Facebook, Twitter etc., desta vez sem os incômodos criados pela Fifa na Copa de 2010, quando a questão dos direitos de internet ainda gerava dúvidas.

Claro, a Fifa depende de seus patrocinadores, e estes precisam de visibilidade. Que tal 2,5 milhões de streams de vídeo por segundo? Essa é a estimativa da entidade.

Para completar, há o material que o próprio público irá produzir dentro dos estádios, sobre o qual não há controle possível. Haverá, sim, dificuldades: as redes Wi-Fi nos estádios funcionarão de modo precário, com prioridade para os órgãos de mídia e os patrocinadores da Copa. As redes 3G e 4G… bem, estas, se já não são grande coisa em dias normais, o que esperar nos próximos 30 dias?

Aqueles que desejarem compartilhar esses momentos únicos terão que contar com boa dose de sorte – tanto ou mais quanto os atletas correndo atrás da bola. E quem quiser saber mais detalhes sobre a tecnologia que envolve a Copa 2014 pode ler este artigo.

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Tim chega à TV aberta

O mundo digital abre tantas possibilidades que certas decisões das empresas são até difíceis de explicar ao usuário comum. É o caso do anúncio da operadora Tim, que acaba de lançar um receptor (do tipo set-top box) destinado a captar vídeos do Netflix e do YouTube e transmiti-los a qualquer televisor. Para quem ainda não tem um TV smart, nem liga seu computador ao TV (nem seu tablet ou smartphone), a proposta é de receber os dois serviços num “pacote” chamado Live TIM Blue Box. De quebra, o aparelho permite ainda acessar os canais de TV digital aberta.

O foco da Tim é a população das classes C e D, que ainda não têm TV por assinatura e – a princípio – se contentam com a TV aberta; Netflix e YouTube, para esse público, seriam os principais atrativos. Por isso, a promessa é de vender o receptor Blue Box a preço não muito alto (ainda não divulgado) e estimular ao máximo o uso da banda larga; os pacotes da Tim Live variam de 35 a 50MB. Inicialmente, o produto será testado com cerca de 1.000 assinantes da operadora no Rio e São Paulo, mas a meta é atingir 2 milhões até o final do ano.

Curioso é que, dias atrás, a mesma Tim anunciou um inédito serviço de banda larga “supermega”, com velocidade de 1GB e mensalidade de R$ 1.499. Claro, este não é para classe C, muito menos D. Vamos ver qual das duas iniciativas faz mais sucesso.

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A casa do entretenimento online

netflix-1Na sexta-feira, depois de visitar o laboratório da LG em Santa Clara, nos deslocamos até Los Gatos, ali mesmo no Vale do Silício, para conhecer as instalações da Netflix, a empresa de tecnologia mais badalada dos últimos anos. Na semana retrasada, havíamos publicado neste blog um artigo sobre como funciona a “máquina de entretenimento” da empresa, certamente uma das que chegam mais próximo da perfeição no atendimento ao cliente. Agora, pudemos entrar lá, graças a um acordo da Netflix com a LG que, segundo executivos das duas empresas, com quem conversamos, está permitindo dar grandes passos na evolução do conceito de TV smart.

“Estamos juntando os dois mundos: o da televisão e o da internet”, nos disse Greg Peters, cujo cargo, por si só, já é simbólico: CSPO (Chief Streaming and Partnerships Officer), ou seja, executivo responsável pelas áreas de streaming – afinal, o principal serviço da Netflix – e parcerias. “Uma interface como a que temos hoje não seria possível anos atrás, porque a evolução depende não apenas do software que criamos aqui, mas do desenvolvimento dos próprios aparelhos e das redes de nossos parceiros”.

netflix novaTodo o serviço é baseado no poderoso datacenter da Amazon, que curiosamente é também concorrente da Netflix em alguns países. Exemplo concreto de inovação citado por Peters: para sua nova linha de TVs, a LG criou uma espécie de pointer, um recurso do controle remoto que lembra os apontadores usados em apresentações; com o cursor, o usuário “anda” pela tela sobre os ícones dos aplicativos e pode inclusive trocá-los de lugar. A Netflix associou essa ideia ao comportamento do público nas redes sociais. Surgiu daí o recurso de apontar o cursor para o ícone do Facebook na tela do TV e, com isso, descobrir o que seus amigos da rede estão assistindo (foto acima).

Pode parecer um pequeno detalhe (e realmente é), mas a partir de inovações como essa a Netflix não para de atrair novos clientes pelo mundo afora. O Brasil é hoje um de seus maiores mercados. Quando perguntei a Peters se sabia quantos assinantes a empresa tem no país, ele respondeu sorrindo: “Sim, sabemos, mas não podemos contar”.

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Mas é possível especular. Segundo a revista Time, a Netflix – cujo serviço de streaming teve início em 2009 – terminou o ano de 2013 com cerca de 44 milhões de usuários, sendo que 11 milhões deles adotaram o serviço ao longo do ano (crescimento de 30% sobre 2012). Já a agência Reuters informa que o número de assinantes fora dos EUA (40 países) cresceu 72% no ano, superando a casa dos 12 milhões e gerando 25% do faturamento da Netflix. Dá pra imaginar que os brasileiros sejam responsáveis por cerca de 1 milhão dessas assinaturas, considerando que países de peso, como França e Alemanha, ainda não têm acesso ao serviço.

Seja como for, diz Peters, “estamos apenas começando”. Sem dúvida, é um ótimo começo.

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Dívidas das teles já somam R$ 4 bilhões

Os dados são da Anatel e foram divulgados no site Convergência Digital: de cada 10 reais aplicados em multas às operadoras de telecom, nove não são pagos!!! Se você se assustou com esses números, tem mais. As multas vêm sendo aplicadas desde o ano 2000, e desde então somaram R$ 4,3 bilhões, dos quais apenas R$ 550 milhões foram pagos. Com juros e correções normais, o passivo ultrapassa fácil a casa dos R$ 4 bi.

É mais um caso explícito de mau uso do dinheiro público, enfeitado com a já histórica incapacidade do Estado brasileiro de fiscalizar e cobrar grandes empresas – ao contrário do que acontece com as pequenas e com milhões de pessoas físicas. O problema é antigo, mas vem se agravando desde 2010, quando o volume das cobranças passou a aumentar quase exponencialmente.

As multas são divulgadas a toda hora na imprensa. Dão a impressão de que a Anatel realmente fiscaliza o setor… Mas as empresas utilizam toda a burocracia estatal e os artifícios jurídicos disponíveis – que não são poucos – para fugir do pagamento. Grande parte dos processos está no Judiciário, que muitas vezes suspende a cobrança. O que funciona como estímulo ao não pagamento, até porque, pelas leis brasileiras, certas dívidas acabam “caducando” com o passar dos anos.

Chega-se assim a um processo semikafkiano: por que alguém vai cumprir a lei se as punições por não cumpri-la são relevadas, quando não extintas? Não é à tôa, portanto, que as teles continuam campeoníssimas em reclamações dos usuários, tanto nos Procons quanto na própria Anatel. São queixas que entram por uma linha e saem por outra.

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Passeando pelo Vale do Silício

Depois de um rápido tour pelos parques e ladeiras de São Francisco, com certeza uma das mais belas cidades do mundo, nesta sexta-feira fomos conhecer o Laboratório da LG no Vale do Silício. Essa região, ao sul da cidade, concentra num raio de aproximadamente 100 quilômetros as empresas mais inovadoras do planeta, incluindo todas as aquelas que você lê e ouve a respeito diariamente: Google, Apple, Facebook, Yahoo, YouTube, Netflix etc.

211baixaO LG Lab (ao lado) fica na cidade de Santa Clara, que pelo visual mais lembra um campus universitário do que um centro empresarial. Ali, num sobradão de dois andares (tipo de construção comum na região), funcionava até o ano passado a divisão Palm da HP. A Palm, para quem não se lembra, foi a empresa que inventou, no início dos anos 90, o conceito handheld, na época chamados Pocket PCs (“computadores de bolso”): aparelhos portáteis que somavam funções de telefone, calculadora e, mais tarde, acesso à internet. Foram os avôs dos tablets e smartphones. Problemas de gestão e dificuldades para se adaptar ao mundo online acabaram com os sonhos do fundador, Jeff Hawkins, que há cerca de dez anos vendeu o negócio para a HP. Esta, no entanto, também entrou em crise (por outros motivos) no final da década passada, até que em 2012 repassou a divisão Palm à LG.

webOSInteligentemente, os coreanos decidiram aproveitar o principal legado da Palm, o sistema operacional WebOS, originário do Linux, e adaptá-lo ao mundo dos TVs smart. Os primeiros TVs com esse sistema acabam de ser lançados (inclusive no Brasil) e, segundo a gerente de marketing da LG, Fernanda Summa, até o final do ano 80% dos TVs da empresa virão com WebOS integrado (foto acima). “No mundo inteiro, já foram vendidos 1 milhão de aparelhos com essa plataforma, em apenas dois meses”, conta ela. “Nossa previsão é chegar a 10 milhões este ano.”

Basicamente, WebOS significa uma nova maneira do usuário controlar seu TV (e no futuro também outros aparelhos). Os ícones estão agrupados de forma mais intuitiva, integrados aos comandos por voz e gestos, e o usuário pode reposicioná-los a seu gosto. Além disso, com processadores quad-core, a navegação entre eles é tão rápida e fácil quanto a própria troca de canais, como nos disse Samuel Chang, diretor do LG Lab: “A ideia é simplificar ao máximo a operação do TV, que hoje é um aparelho multitarefas”, explica ele. “Todos os passos para ajuste, seleção de fontes, acesso à internet e à rede doméstica, navegação entre os aplicativos e mesmo a interação do TV com outros aparelhos, tudo isso foi redesenhado.”

Mais detalhes estão neste vídeo.

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Raul Duarte em nova fase


IMG_3509Estivemos semana passada no novo show-room da Raul Duarte, a loja mais tradicional do país em áudio e vídeo. Fundada na década de 1950, a empresa continua até hoje sendo referência no assunto, comandada pelas três filhas do fundador (Eliana, Patricia e Fernanda Duarte). O novo espaço, muito mais amplo, marca também uma nova fase da loja, que passou recentemente a trabalhar com mais opções de marcas de alto padrão. Integrados da francesa Devialet, caixas acústicas da também francesa Focal, powers, players e processadores da americana McIntosh, além dos sistemas de automação das americanas Savant e Kaleidescape, agora fazem parte do portfólio da loja, que vende os equipamentos e executa projetos e instalação. “A filosofia de trabalho continua a mesma”, explica Patricia Duarte. “Somos conhecidas pela qualidade dos produtos que escolhemos e também pela dedicação a cada cliente, tanto que alguns deles estão conosco há décadas. A diferença é que agora temos um espaço mais amplo para recebê-los e mostrar essas novas marcas.”

O novo show-room, no bairro do Itaim, em São Paulo, atende pelo tel. (11) 3845-1995 e também fornece informações via email.

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Netflix: quem vai pagar a conta?

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Há uma frase famosa da ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher: “O problema do socialismo é que o dinheiro dos outros um dia acaba”. Lembrei disso hoje ao ler as repercussões sobre a batalha pública entre a Netflix, maior fornecedora de conteúdo online do planeta, e a Verizon, maior operadora de telecom dos EUA (e segunda maior do mundo). As duas empresas decidiram lavar a roupa suja publicamente, escancarando uma divergência que até pouco tempo atrás estava restrita a conversas de bastidores.

O problema é que a lista de usuários do Netflix não para de crescer. Isso está provocando um estresse na rede da empresa, que oferece um serviço sem igual: filmes e vídeos em quantidade ilimitada, em tempo real, a todos os seus mais de 30 milhões de assinantes mundo afora. Grande parte desse conteúdo vem em resolução Full-HD, o que por si só já representa um enorme desafio logístico. Como atualizar a infraestrutura de distribuição – que tecnicamente se conhece como CDN (Content Delivery Network) – na mesma velocidade em que cresce o número de acessos?

Para complicar, em março a Netflix anunciou que passaria a oferecer também conteúdos em 4K, o que, como se sabe, requer quatro vezes mais banda. Não deu outra: a qualidade do sinal caiu para muitos assinantes, chegando a travar a transmissão em muitos casos. O problema chegou rapidinho às redes sociais, que replicaram uma infinidade de reclamações, mesmo após o próprio presidente da Netflix, Reed Hastings, vir a público para anunciar um acordo operacional com a Verizon visando agilizar a distribuição dos sinais.

Pode ter sido uma boa intenção, mas o fato é que muitos assinantes continuam insatisfeitos. Esta semana, Hastings culpou publicamente a Verizon pelas falhas; e esta respondeu, também de público, que o problema está na própria CDN da Netflix, mal estruturada para atender à crescente demanda. Quem tem razão? Não há como saber. Aliás, os usuários – que pagam por suas conexões de banda larga e também pelos conteúdos da Netflix – nem querem saber…

O caso, que até este momento parece sem solução, serve para ilustrar bem as relações nada amistosas entre fornecedores de conteúdo e provedores de conexões. Ambos querem ganhar, e ninguém abre mão de sua parte nos lucros desse negócio bilionário. Só que, pelo visto, “o dinheiro dos outros acabou”.

Hastings, segundo o site Variety, especializado na indústria do entretenimento, está pressionando o governo americano a reduzir os poderes das operadoras, considerando os serviços da Netflix como “de utilidade pública”. Mas a FCC (equivalente deles à Anatel) não parece sensibilizada com esse argumento.

Em tempo: no Brasil, ainda não vi reclamações de usuários do Netflix. Mas é questão de tempo. Se o serviço continuar crescendo, os travamentos serão inevitáveis.

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Japão corre atrás dos TVs OLED

Ultimamente, quem critica os governantes e os políticos brasileiros tem sido acusado de “antipatriota”, entre outras bobagens (neste artigo, analiso o tema com mais profundidade). Mas, na área em que atuamos (tecnologia), é difícil passar um dia sem notícia ruim, desanimadora, especialmente em época de eleição. Digo isso a propósito de uma notícia que vem do Japão: lá, o governo constituiu uma estatal chamada JDI (Japan Display Inc.), formada pelo que sobrou das divisões de displays da Sony, Hitachi e Toshiba. As três, como se sabe, sofreram muito com a crise desde 2008 e foram obrigadas a se desfazer de fábricas e equipamentos. Terceirizaram toda a produção de paineis e, com exceção de algumas linhas premium, se tornaram apenas “vendedoras” de produtos acabados.

Diferença fundamental em relação ao que normalmente acontece no Brasil: nenhuma das empresas em crise recebeu financiamento público. Assim como outras afetadas pela recessão e pela concorrência chinesa e coreana, tiveram que se virar no mercado e estão pagando por isso com severas quedas nas receitas e fuga de acionistas. O que o governo japonês decidiu é que não poderia simplesmente deixar apodrecer os ativos de três gigantes como aquelas.

A partir de um fundo de investimentos, de nome INCJ (Innovation Network Corporation of Japan), formado com o objetivo de resgatar o Japão que já foi líder mundial em inovação tecnológica, criou-se uma nova política de governo. Com dinheiro desse fundo, a JDI acaba de se associar à Sony e à Panasonic para desenvolver em conjunto a tecnologia OLED, que os japoneses consideram o futuro dos displays. Chineses e coreanos, pelo menos por enquanto, não estão conseguindo produzir displays para TVs OLED de boa qualidade; a exceção é a LG, que já possui a maior fábrica do gênero e colocou no mercado internacional alguns TVs com essa tecnologia. É bom lembrar que há enormes diferenças entre OLEDs para telas grandes e pequenas; estas são bem menos complexas de fabricar.

De quebra, a iniciativa do governo japonês está revertendo na recuperação de milhares de trabalhadores que haviam perdido seus empregos no auge da crise. Ninguém está recebendo dinheiro sem trabalhar, e o caminho será árduo para esse país já tão sofrido. Mas, com todos os problemas, as autoridades por lá sabem que, como já disse alguém, “a melhor política social é um bom emprego”.

Tomara que dê certo!

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Futebol em 4K ao vivo, na sua casa

Já tem um TV 4K? Possui assinatura da Net? Fique ligado, então: você pode ser uma das pessoas escolhidas para assistir, no próximo dia 28, um sábado, à primeira transmissão de televisão em Ultra-HD no Brasil. Será no jogo Colombia x Itália, às 17hs, no Maracanã, pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo.

Como assim? Já se sabe quais seleções vão passar da primeira fase da Copa? É mero palpite de torcedor. O jogo será, isso sim, entre o campeão do Grupo C (Colombia, Grecia, Japão ou Costa do Marfim) e o vice do grupo D (Itália, Inglaterra, Uruguai ou Costa Rica). Mas todas as demais informações acima estão confirmadas. Vivo TV e Oi, outras duas operadoras que prometem fazer transmissões da Copa em 4K, não responderam nossas indagações sobre os detalhes.

Como comentamos aqui na semana passada, a programadora Globosat – que através dos canais SporTV fará como sempre uma megacobertura do evento – tem os direitos para exibir os sinais da Copa em 4K, negociados pela Fifa. E os ofereceu às principais operadoras com quem trabalha. O problema é de logística: para receber o sinal, o assinante precisa ter um decoder diferente do atual, equipado com o software HEVC (High Eficiency Video Coding) de compressão digital. Esse codec é o único, por enquanto, que permite carregar todos os detalhes da imagem 4K (3.840 x 2.160 = 8.294.400 pixels) pelas redes atuais.

Segundo a Net, as transmissões em 4K (serão mais dois jogos, além daquele das oitavas) serão feitas via rede de fibra óptica e captadas em alguns pontos selecionados de algumas cidades, onde estarão reunidos convidados da operadora. Para quem quiser recebê-los em casa, naturalmente haverá restrições: a quantidade de decoders ainda é insuficiente para todo mundo. A Net não informou se haverá custo para esses assinantes.

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Guarulhos chega ao Primeiro Mundo

Nesta terça-feira, tive minha primeira experiência com o novo terminal do Aeroporto de Guarulhos (SP), uma das poucas obras da Copa que ficaram prontas. O aspecto é de Primeiro Mundo: belo prédio, tudo limpo, com cara de novo e – o principal – muitos funcionários para orientar os passageiros. Pelo que soube, são ainda poucos vôos direcionados para esse novo anexo. Vamos ver quando estiver operando a todo vapor, especialmente depois da Copa. Aí, sim, será o grande teste.

Estou a caminho do Vale do Silício (EUA), a convite da LG. Vou relatar aqui nos próximos dias o que encontrarmos por lá.

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Música digital ganha novo status

23186_1_Basta uma rápida busca na internet para descobrir a grande quantidade de players de música digital chegando ao mercado internacional nos últimos meses. O interessado encontra de tudo: de reles caixinhas chinesas a produtos de acabamento requintado, com performance high-end (ou muito perto disso). Encerra-se assim, tomara, a desgastada polêmica sobre “o que é melhor: digital ou analógico?”

Fabricantes como Yamaha, Marantz, Onkyo, Sony, Denon, Arcam, Naim, Pioneer e Cambridge, só para citar algumas, já estão explorando o que – à falta de um rótulo mais apropriado – se convencionou chamar de Hi-Res Audio (“áudio de alta resolução”). Dos formatos digitais de gravação tradicionais, como MP3 e WAV, evoluiu-se para FLAC, ALAC e uma versão atualizada do DSD, criado na época do Super Audio CD. Todos têm em comum o fato de os arquivos musicais serem registrados em frequência de amostragem de 96 ou 192kHz, a 24-bit. Os novos players conectam-se diretamente à internet, fazem o download, decodificam, processam e enviam o sinal, preservado, ao receiver ou amplificador.

Mesmo os adeptos da música erudita ou do jazz mais sofisticado estão se rendendo, como prova este site. E, aos poucos, aqueles players vão começar a chegar ao mercado brasileiro, com certeza. Como aperitivo, recomendo este guia recente da revista inglesa What HiFi.

É o futuro, que já está presente.

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Leilão dos 700MHz será mesmo em agosto

O governo decidiu endurecer o jogo com emissoras e operadoras e confirmou que o leilão das frequências de 700MHz, a serem usadas para as futuras redes de celular 4G, acontecerá mesmo no dia 30 de agosto, como previsto. Nesta terça (03/06), encerra-se a consulta pública de 30 dias, que supostamente servirá de base à redação do edital do leilão. Digo supostamente porque tudo indica que esse edital já está redigido e aprovado, só não divulgado ainda. As empresas queriam mais um mês de prazo, mas a Anatel vetou.

Basicamente, o leilão será dividido em cinco lotes (detalhes aqui), sendo que três deles cobrem todo o território nacional; portanto, devem ser os de maior disputa. No entanto, a Anatel não deu ouvidos aos alertas sobre interferências dos sinais de 4G sobre as transmissões de TV digital. As frequências a serem leiloadas estão na faixa de 698 a 806MHz, hoje ocupada pelos canais analógicos de TV UHF. Com a digitalização, parte das frequências ficará com as emissoras e parte será vendida às operadoras. O governo tem pressa porque está de olho exatamente nesse dinheiro: a ideia é pedir R$ 8 bilhões, o que ajudaria a fechar o caixa do Tesouro, combalido pela atual política fiscal e pela queda da atividade econômica.

Como diria Garrincha, porém, faltou combinar com os russos. Já se sabe que as operadoras farão de tudo para não desembolsar essa fortuna (há até no setor quem defenda que as frequências lhes sejam entregues de graça…). E vai aumentar a pressão das emissoras para que se resolva de vez a questão das interferências. No evento SET Expo, marcado para 24 a 27 de agosto em São Paulo (vejam a coincidência de datas…), haverá uma avalanche de discursos e debates sobre o problema, que a Anatel e o Ministério das Comunicações fingem não levar a sério.

Enfim, vem aí mais um cabo-de-guerra desnecessário, que poderia ser evitado se o país tivesse uma política industrial e de telecomunicações.

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Copa em 4K na TV paga

A Vivo foi a primeira operadora a anunciar oficialmente que fará transmissões em 4K durante a Copa do Mundo. A Net também já decidiu, mas ainda não confirmou como será. No caso da Vivo, serão escolhidos assinantes que possuem televisor 4K, para testes a partir da semana que vem. A operadora já fez acordo com a Globosat, que é quem detém os direitos junto à Fifa. Vale lembrar que, na Copa de 2010, a Net fez transmissões de alguns jogos em 3D, que era a sensação da época.

Hoje, com quase todos os fabricantes apostando no 4K (e a Fifa também), as dificuldades são de outra ordem. Para receber sinal Ultra-HD em sua casa, o assinante precisa de um decodificador diferente dos atuais, com um chip específico e ainda muito caro. A Fifa, através da empresa suíça HBS, comanda tudo que se refere a transmissões de seus eventos. É essa empresa que produz os conteúdos – no caso dos jogos, em parceria com a Sony, patrocinadora oficial da Fifa. O sinal gerado a partir do estádio vai para um satélite, de onde as emissoras autorizadas podem captá-lo, ou seja, todas recebem o mesmo sinal.

Nesta Copa de 2014, pela primeira vez haverá dois sinais: um Full-HD, captado e transmitido pela maioria das emissoras em todo o mundo, e outro Ultra-HD, que exige uma infraestrutura independente e, claro, bem mais sofisticada. No Brasil, somente a Globo (TV aberta) e a Globosat possuem essa capacidade. A Globosat, claro, tem interesse em vender esse conteúdo para todas as operadoras que distribuem sua programação.

É aí que começam as dificuldades. Além de negociar esse preço, a operadora precisar investir na compra dos receptores para distribuir a seus clientes. Muitos, com certeza, aceitariam pagar por eles, mas a menos de duas semanas do início do evento não há tempo hábil para procurar todos eles e fazer a instalação.

Vamos ver como a Net, maior operadora do país, irá resolver a questão. Estamos aguardando informações da empresa.

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Como gastar menos energia

pic-smart-gridFoi aprovado esta semana o protocolo da CEA (Consumer Electronics Association) para consumo de energia em aparelhos eletroeletrônicos. Estudado há pelo menos dois anos, o documento define normas para que o usuário saiba, em tempo real, quanto está gastando de eletricidade em sua casa. A ideia é que cada aparelho possua um código interno que permita ao consumidor identificar o consumo através de um aplicativo: usando seu tablet, smartphone ou notebook, ele conseguirá essa informação na hora. Se tiver uma rede Wi-Fi em casa, poderá acessar os dados de consumo através de qualquer dispositivo, até de seu televisor.

O protocolo CEA-2047 nasce como desdobramento de uma série de iniciativas que a indústria e o governo americanos vêm tomando para reduzir o consumo de energia em geral. No caso de eletrônicos e eletrodomésticos, já estão em vigor, por exemplo, normas sobre o consumo de televisores e o funcionamento de medidores inteligentes (smart meters); aliás, lá existe um órgão chamado SGIP (Smart Grid Interoperability Panel), composto por membros do governo e das empresas, que estuda a questão da comunicação entre os aparelhos e colaborou com a CEA na redação do novo protocolo. Há ainda a Green Button Initiative, espécie de consórcio em que várias empresas se comprometem a fornecer informações atualizadas sobre quanto seus produtos consomem.

Sem dúvida, foi dado um grande passo: o mundo precisa mesmo consumir menos energia. Que outros países sigam o exemplo. Agora, o protocolo 2047 será submetido a quem decide de verdade: o ANSI (American National Standards Institute). Se aprovado, passa a ter força de lei.

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Banda larga milionária

Que tal pagar R$ 1.499 de mensalidade por um plano de banda larga, com velocidade de 1 Gigabits por segundo para download e 500Mbps para upload? É o que está propondo a operadora Tim, segundo o site Tela Viva, ao entrar nesse segmento de banda larga fixa utilizando sua rede de fibra óptica. Inicialmente, a oferta vale apenas para três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Duque de Caixas (RJ). Além do valor mensal, a operadora cobra R$ 3 mil pela instalação do modem, que é específico para fibra (padrão FTTH).

Alguém se candidata? Em tempo: a Tim foi a operadora que teve o pior desempenho em banda larga móvel no primeiro trimestre do ano, segundo a Anatel.

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Quem, quando, onde, como e por quê?

Acaba de ser divulgado o mais abrangente estudo mundial que vi até hoje sobre a mudança de comportamento dos usuários de produtos eletrônicos e consumidores de mídia. O Índice de Entretenimento do Consumidor é um trabalho inédito da empresa americana Arris, especializada em soluções multimídia, e envolveu entrevistas com 10.500 pessoas em 19 países, realizadas este ano; no Brasil, foram 500 entrevistados. Considerando a quantidade de chutes que se vê por aí entre supostos especialistas em mídia, é valioso poder analisar dados concretos, extraídos de entrevistas – vale repetir que nunca fui muito fã de pesquisas de mercado, mas essa é outra história.

O estudo é gigantesco e quase impossível de resumir. Vamos tentar explorar seus aspectos mais interessantes em futuros comentários aqui. A proposta era  analisar como as novas tecnologias de comunicação e as crescentes ofertas de mídia (entretenimento e informação) estão levando as pessoas a mudarem seu comportamento. E, a partir daí, identificar novas tendências de consumo e futuras oportunidades para as empresas do setor. Como se vê, não é pouca coisa, ainda mais quando se tenta cobrir países tão distintos quanto Brasil, China, Índia, EUA, México e os mais importantes da Europa.

O relatório inclui dados genéricos como estes:

*80% dos entrevistados se confessam “consumidores compulsivos” de entretenimento via mídia eletrônica (TV ou internet);

*60% gravam os programas para assistir depois, evitando assim os anúncios;

*No entanto, 68% dos conteúdos gravados acabam não sendo assistidos.

*E 65% disseram desejar um serviço que lhes permita assistir a qualquer conteúdo em qualquer aparelho, onde quer que estejam.

Bem, esses são os resultados gerais. Separei do relatório também alguns dados que revelam os hábitos dos brasileiros. Antes, porém, é bom lembrar que foram selecionados para a pesquisa somente usuários com acesso a banda larga e TV paga. A divisão por sexo foi igual (metade homens, metade mulheres) e deu-se ênfase à faixa etária entre 25 e 55 anos. Sobre o Brasil:

*44% têm o hábito de fazer streaming diariamente; 31% o fazem pelo menos três vezes por semana;

*39% costumam assistir a vários episódios de uma série em sequência, no mesmo dia (hábito que os americanos batizaram binge-viewing); 17% fazem isso todo santo dia!

*Os brasileiros não estão entre aqueles que mais gostam de “pular” os intervalos comerciais: somente 35% dos entrevistados o fazem; o percentual é bem mais alto em países como Suécia (66%), Rússia (64%) e Chile (58%);

*O excesso de conteúdo é um problema para 54% dos brasileiros, que se dizem frustrados por não conseguirem assistir aos programas que gravam; mas as queixas são maiores na China (71%) e na Coreia do Sul (70%), por exemplo;

*41% aceitariam pagar a mais se suas operadoras oferecessem armazenamento de conteúdo em nuvem;

Bem, temos aí, que eu saiba, o primeiro retrato do consumidor brasileiro multimídia. OK, a amostra é minúscula (apenas 500 pessoas), mas já é um começo. Que venham outras pesquisas.

 

 

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