O maior TV de todos, por enquanto

tcl-110-inch-curved-uhd-tvAcaba ficando meio monótono falar nos tamanhos dos TVs, principalmente quando se está na IFA. Mas o evento se encerra nesta quarta-feira, e do material que colhemos não há como deixar de mencionar o “maior TV da feira”. Não é nenhum Samsung, LG ou Panasonic. E, no entanto, não é surpresa que venha da China, mais precisamente da TCL (dona das marcas RCA e Thomson, entre outras), este brinquedinho de 110 polegadas. Como comentamos recentemente, os chineses estão crescendo, em todos os sentidos.

Pelo tamanho, claro, pode “colocar no chinelo” os modelos japoneses ou coreanos, principalmente quando se observam suas linhas curvas. Aliás, já tinha sido mostrado na CES, em janeiro, mas então LG e Samsung também exibiram TVs de 110″. Agora, seus gigantes tinham “apenas” 105″!!! A TCL não deu detalhes sobre o aparelho, apenas que se trata de um 4K com novo tipo de backlight.

Já sobre os coreanos, as notícias que tivemos são oficiais. O da LG (vejam neste vídeo) acaba de ser lançado na Coreia e deve chegar a alguns países da Europa no final do ano. Para as Américas, ainda não há previsão. A Samsung promete para o começo do ano, mas a empresa é tão imprevisível que pode chegar antes.

Só para não esquecer: confiram nosso hot site com a cobertura completa da IFA.

Um dia na capital do design

bangPassei um dia extremamente agradável, nesta terça, na sede da Bang & Olufsen, localizada numa pequena cidade chamada Struer, no interior da Dinamarca. É um lugar tão isolado que os próprios funcionários chamam de farm (“fazenda). Alguns prédios pequenos, de dois ou três andares, cercados por árvores e campos gramados com ovelhas pastando sossegadamente. É difícil imaginar que ali funciona uma das empresas mais inovadoras do planeta, com designers e engenheiros cuja missão é pensar em tecnologia no mais alto nível.

Em futuros posts, falaremos mais detalhadamente sobre o que fazem esses profissionais. Como já comentamos aqui, a B&O está iniciando uma nova fase no Brasil, com distribuição da Disac, daí o motivo da visita. Todo mundo sabe que seus produtos são caros, feitos para poucos afortunados, e mesmo na Dinamarca não é comum encontrá-los nas residências. Mas o Brasil, com seus contrastes, pode ser para a empresa um mercado bem maior do que a própria Escandinávia.

Visitando as instalações da Bang & Olufsen e conversando com alguns de seus gerentes e diretores (aliás, eles não gostam muito dessas definições, preferem sempre ressaltar que são “uma equipe”), comecei a entender melhor a filosofia que gera tantos produtos brilhantes e atrai para um lugar tão isolado alguns dos melhores profissionais da área. Embora tenha nascido ali mesmo, em Struer (em 1925), e seja uma empresa-símbolo do país, a B&O não tem apenas funcionários dinamarqueses.

E o que faz alguém sair, por exemplo, de Londres para ir morar e trabalhar nesse “fim de mundo”? Fiz a pergunta a alguns deles, e a resposta foi: “paixão” (além de um bom salário, é claro). A questão é que não há o que fazer naquela região, a não ser contemplar a natureza e… trabalhar. Faz frio de seis a oito meses por ano, quando o sol costuma se por ali pelas 4hs da tarde e só reaparece às 9hs da manhã. “O frio não é tão difícil de encarar, o problema é a escuridão”, me disse uma funcionária, vinda da Alemanha.

E, no entanto, as pessoas são felizes ali. Ou, pelo menos, demonstram isso. E, a julgar pelo sucesso da B&O, que no passado faturou mais de 3 bilhões de euros e vive ganhando prêmios de design, estão trabalhando direitinho.

Congestionamento-monstro (de ciclistas)

Após a IFA, da qual ainda falaremos muito aqui, estou agora em Copenhagen. Nesta terça-feira, faremos uma visita à sede da Bang & Olufsen, badalada marca de dinamarquesa eletrônicos, que fica numa pequena cidade do interior. A viagem até lá demora cerca de uma hora, quase o mesmo tempo do trajeto Berlim-Copenhagen – se o tempo ajudar. Umas nuvens estranhas apareceram hoje e a previsão é de chuva. Oremos, pois.
ciclistas
Nesta segunda, deu tempo de caminhar um pouco pela bela capital deste país que está entre os “top” em qualidade de vida. Uma pesquisa recente colocou a Dinamarca em terceiro lugar nesse ranking, superada apenas por suas vizinhas Finlândia e Noruega. Copenhagen é uma cidade medieval, recheada de castelos, fortes e igrejas com 600, 700 anos de idade. Como é fim de verão, a moçada está bronzeada e continua andando de bermuda e camiseta, apesar dos 15 graus (um “calorão”, para eles).
No rápido passeio, duas coisas me chamaram a atenção. Primeiro, a enorme quantidade de pessoas idosas nas ruas, a pé ou mesmo de bicicleta. Segundo, esse meio de transporte tão polêmico no Brasil, mas que aqui parece ser sagrado como as vacas na Índia. Não só há quilômetros de ciclovias, como a maioria delas vive congestionada.
A foto acima foi tirada no meio da tarde num cruzamento no centro da cidade. Não eram ciclistas passeando, mas voltando do trabalho, da escola, do mercado, enfim, vivendo a vida. Respeitam e são respeitados. Param no sinal vermelho, dão passagem quando necessário, e também correm, quando a situação permite.
Como faz bem tomar um banho de civilização!

Nem precisa ouvir, basta olhar.

Untitled-1É difícil produzir caixas acústicas sem cair no velho desenho (velho, porque data dos anos 1940): um retângulo preto, feito de madeira, com os alto-falantes na frente. A maioria das alternativas já lançadas mostrou problemas de desempenho, enquanto outras atingiram preços inacessíveis (neste artigo, aparecem algumas).

Não é o caso, aqui, de entrar no mérito da qualidade sonora; esta precisa ser apreciada e analisada ao vivo, de preferência numa boa sala. Mas, de vez em quando, o mercado nos surpreende com soluções que surgem essencialmente da criatividade humana. Vejam o exemplo da foto, um dos modelos da linha Relit, que a Yamaha mostrou aqui na IFA. “Mostrou” é exatamente a palavra: as caixas ficaram num canto do estande, sem produzir som algum, mas chamaram mais atenção do que a maioria dos demais produtos ali expostos.

Pelo que me explicaram os promotores da Yamaha, trata-se de uma ideia foram do comum, dessas tão malucas que de repente até podem dar certo.  Os falantes são virados para cima, não para frente, e em torno de cada um há um filamento de leds que espalha luz numa tonalidade avermelhada em 360 graus. Como as paredes do gabinete são semitransparentes, feitas de aço com furos microscópicos, cria-se um efeito de halo, reforçado por um revestimento de alumínio (imitando espelho) nos cones.

Para completar, a Yamaha criou um aplicativo pelo qual é possível controlar a intensidade das luzes em cada caixa – de quebra, pode-se usar o smartphone para também enviar música, já que a caixa funciona sem fio. Deve até tocar bem, mas talvez isso fique em segundo plano.

OLED: será que agora vai?

lg-4k-curved-display-ifaComo já se esperava, a LG está fazendo grande promoção em torno da tecnologia OLED. São vários modelos em demonstração aqui na IFA, com tamanhos de 55″, 65″ e 77″. Estes dois últimos exibem imagens 4K e, segundo a empresa, estão sendo lançados esta semana na Coreia. Não há ainda previsão oficial para outros países, mas um comunicado diz que será “logo”.

Na CES, em janeiro, o presidente da LG, Hyun-hwoi Ha, já havia dito não ter dúvidas de que nos próximos anos o OLED irá tomar conta do mercado. “Ninguém vai estar tão preparado para isso quanto a LG”, garantiu ele agora, reafirmando as vantagens que a maioria dos especialistas já identificou: maior nível de contraste e detalhamento, cores mais firmes, ângulo de visão lateral sem distorção e uma impressionante estabilidade luminosa.

Quando alguém perguntou se não há risco de ocorrer com o OLED o mesmo que já aconteceu com os TVs LCDs (e se repete agora com os 4K) – uma guerra de preços entre os principais fabricantes, pressionados pelos chineses – mr. Ha desconversou. No fundo, após tantos investimentos seria desastroso para a empresa ter que cortar preços para sustentar, sozinha, um mercado que ainda nem nasceu pra valer.

Como já explicamos aqui, a vantagem da LG sobre os concorrentes é ter optado por um processo de fabricação diferente. Seus OLEDs são mais brilhantes que os deles e, aparentemente, têm custo industrial mais baixo. São os chamados “OLEDs brancos”, cujos pixels não contêm apenas as três cores primárias (vermelho, verde e azul), mas também um subpixel branco. Há quem diga que a imagem obtida dessa forma é inferior à do “verdadeiro” OLED, mas só será possível provar isso quando ambos estiverem no mercado. Por enquanto, só a LG está; Samsung e Panasonic (aqui, um vídeo) também estão mostrando OLED na IFA, mas muito discretamente.

A propósito, não pude deixar de notar que a Samsung, embora esteja mantendo a tecnologia OLED “em suspenso”, fez questão de reservar um espaço em seu enorme estande para mostrar como essa tecnologia é superior. Lado a lado, um TV 4K e dois Full-HD podem ser comparados (vejam neste vídeo). Dá a impressão de que até o Full-HD do OLED é melhor que o 4K do LED!

Guerra de gigantes em Berlim

P1050738Como se esperava, LG e Samsung estão travando mais uma batalha de marketing aqui na IFA. A primeira aparentemente saiu na frente, ao anunciar na quarta-feira, antes de se abrirem as portas do evento, que já está vendendo na Coreia seu TV 4K de 105 polegadas e formato retangular (21:9). É, de fato, um marco na evolução da televisão: o produto, segundo a empresa, chega ainda este ano aos principais mercados – não sei se o Brasil será incluído nessa.

Mas, na véspera da abertura oficial da IFA, a Samsung mostrou suas cartas: está ocupando não um estande, mas um prédio inteiro aqui em Berlim, anexo ao centro de exposições, e que nem existia no ano passado. O CityCube, como é chamado, foi construído em poucos meses e transformado numa espécie de “casa da Samsung”, num acordo que deve ter envolvido muito dinheiro. É quase como se estivessem acontecendo duas feiras paralelas: uma da Samsung e outra destinada aos outros cerca de 1.200 expositores que aqui estão.

Neste sábado, formaram-se filas e mais filas para ver os novos tablets e smartphones da linha Galaxy, que por tradição são sempre lançados na IFA. Curiosamente, havia menos gente interessada nos TVs, inclusive os de tela curva, talvez devido à divulgação avassaladora dos aparelhos portáteis na mídia. Aqui, é costumeiro abrir as portas no fim de semana para o público, o que torna os corredores intransitáveis em alguns momentos (no ano passado, foram quase 220 mil visitantes).

Vimos de perto os dois gigantes – a Samsung, claro, também tem o seu de 105″ – e não há como não ficar impressionado (vejam este vídeo). Vimos também, nos dois estandes, uma profusão de telas de vários tamanhos, num espetáculo que às vezes chega a confundir o visitante. Guerra de gigantes é assim.

O futuro dos projetores a laser

projetor laserQue o laser é a solução mais eficaz para se obter imagens brilhantes, já se sabe há anos. Nenhuma outra fonte de luz o supera em termos de intensidade e durabilidade. Os leds também são ótimos, infinitamente melhores que as lâmpadas tradicionais, incandescentes ou de tungstênio. Mas não atingem a luminosidade de um feixe de laser. Não é por outro motivo que alguns fabricantes têm lançado projetores com bloco óptico híbrido – laser+LED. Parece ser o futuro nesse campo.

Aqui na IFA, quase tropecei numa sala nada atrativa (pelo visto, ninguém queria entrar lá…) onde estava em demonstração o primeiro projetor de uso residencial que utiliza laser (só laser) como fonte de luz para projeções a curta distância. Praticamente colado na tela (vejam na foto), e numa sala com paredes totalmente brancas, afetadas pela intensa luminosidade do ambiente, o bichinho conseguia imagens até que razoáveis. A façanha é da empresa chinesa Hisense, sobre a qual já falamos aqui. Trata-se de um protótipo, exibido mais com a intenção de mostrar domínio sobre essa tecnologia.

Registramos o produto em vídeo (vejam aqui), em que ficou claro que, a ser realmente utilizado na fabricação de projetores, o laser ainda tem um longo caminho a percorrer. Lembram-se dos TVs a laser Mitsubishi, que tiveram vida tão curta? Pois é, apesar da praticidade (obtêm-se imagens de até 100 polegadas num mínimo de espaço), o produto da Hisense confirmou o que já imaginávamos: as imagens ficam lavadas e o ângulo de visão lateral é terrível!!!

Tomara que na próxima IFA eles tragam um protótipo melhor.

Gente fina é outra coisa…

Só para registrar, um episódio que tem quase nada a ver com a IFA, mas que ilustra muita coisa. Hoje à tarde, voltando da feira no metrô, encontrei um cidadão chamado Reinhard Zinkann, presidente da Miele, um dos maiores fabricantes de eletrodomésticos da Alemanha. Até o ano passado, ele era o todo-poderoso presidente da GFU (Associação Alemã da Indústria Eletrônica de Entretenimento e Telecomunicação), promotora da IFA. Um dos homens mais influentes do país. E que, no entanto, anda de metrô!

Não sei se isso acontece sempre, mas é sintomático. Aquilo que no Brasil seria chamado de “elite branca” (uma das definições mais racistas e preconceituosas que já ouvi…) na Alemanha dispensa os carrões com motorista e anda de metrô. Vale lembrar que, em Berlim, o metrô nos deixa a 200m de caminhada da porta do evento, ou seja, nada que um mortal comum não possa fazer. Gostaria de saber quantos empresários poderosos como Zinkann têm esse hábito, no Brasil.

O episódio me fez lembrar a genial frase do ex-prefeito de Bogotá, Gustavo Pedro, que ajudou a reconstruir e revitalizar a capital da Colômbia após os longos anos da ditadura do narcotráfico: “País desenvolvido não é aquele onde os pobres têm carro, mas aquele onde os ricos usam transporte público.” 

Marcas que vão e que vêm

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A maioria dos executivos e empresários, ou pelo menos aqueles que conhecem seu negócio, sabe o valor de uma marca. Sabe como é difícil construí-la, e mais difícil ainda mantê-la quando se torna conhecida. No mundo da tecnologia, certas marcas não saem da cabeça dos usuários mesmo quando abandonadas pelas empresas a que pertencem.
Entre os fãs do áudio (não necessariamente audiófilos), uma dessas marcas é a Technics. Quem nunca teve um Technics em casa levante a mão! É um símbolo da fase áurea do Japão nesse departamento, a exemplo de Akai, Sansui, Nakamichi e tantas outras. Aqui na IFA, a Panasonic decidiu trazer de volta os produtos Technics, após seis anos de audiência, com a promessa de explorar o segmento de áudio digital. Mantém a pose – isto é, um design sóbrio e refinado – e se renova por dentro. Não deixa de lado totalmente o domínio analógico, mas adota a modernidade dos network players, capazes de baixar músicas da internet, armazená-las, processá-las e enviar para o amplificador.
Percorrer a área reservada à Technics no estande da Panasonic foi quase como uma viagem no tempo. Bem disse o pianista japonês Michiko Ogawa, engenheiro da Technics nos bons tempos e que foi chamado para dirigir o projeto de relançamento da marca: “Temos agora a chance de proporcionar aos jovens a mesma emoção que sentíamos antigamente com a música bem executada e bem reproduzida. Uma emoção que aparentemente nós mesmos perdemos”.
Assim seja!

4K: chineses podem estragar a festa

hisenseO mercado mundial de TVs Ultra-HD (4K) está aumentando de tamanho dez vezes este ano. Quem afirma é a consultoria especializada Futuresource, que calculou: foram cerca de 1,5 milhão de aparelhos em 2013, e deveremos terminar 2014 com um total próximo de 12 milhões. Ainda é quase nada no universo dos fabricantes, que no ano passado venderam mais de 225 milhões de TVs.

Mas, como se sabe, as coisas mudam. E, em tecnologia, mudam mais rápido. Aqui na IFA, nove de cada dez TVs que encontramos são 4K, seja nos estandes maiores ou nos de empresas semidesconhecidas. Alguém pode argumentar que, numa feira de tecnologia, todo mundo quer mostrar a melhor imagem e, portanto, é natural deixar de lado os tradicionais Full-HD. Mas a questão é mais complexa. Ainda segundo a mesma consultoria, daqueles 12 milhões de TVs 4K vendidos este ano, quase 9 milhões serão fabricados e consumidos dentro de um mesmo país: isso mesmo, a China.

É a primeira vez que isso acontece. Mesmo no auge do domínio japonês, nunca um povo teve tanta supremacia tecnológica quanto têm hoje os chineses. Lá, eles podem se dar ao luxo de vender um TV 4K de 55 polegadas por menos de 1.000 dólares! É o que estão fazendo marcas como Haier, HiSense, Konka e Changhong, entre outras, para preocupação de japoneses, europeus, americanos e até coreanos. E, embora haja críticas quanto a sua durabilidade, são produtos de bela aparência, como pudemos ver hoje no estande da HiSense na IFA (foto).

Segunda maior fabricante de displays do mundo (produz 50 milhões por ano), a empresa está se candidatando a conquistar outros mercados, como nos disse o CEO Shawn Zhong: “Sei que ainda somos pouco conhecidos, mas temos 75 mil funcionários e 16 centros de pesquisa espalhados pelo mundo. Não queremos apenas vender mais barato. Queremos estar entre os melhores”.

É bom não duvidar.

7 a 1 por todos os lados

Pequeno registro de um brasileiro cobrindo a IFA: adivinhem quais são as imagens mais usadas nas demonstrações das centenas de TVs que estão nesta Feira – claro, Alemanha 7 x 1 Brasil, que mais poderia ser? Em TVs gigantes 4K, com toda aquela nitidez, parece que a crueldade se multiplica como os pixels…

Ainda bem que os alemães, ao contrário dos brasileiros (latinos em geral), não são de ficar humilhando suas vítimas; pelo menos, não no futebol. Ter que rever as imagens em cada estande já é suficiente para nos lembrar como eles são melhores do que nós, e evidentemente isso não se aplica apenas ao esporte. Confesso que não aguento mais ver aquela sequência de quatro gols em seis minutos… E a feira ainda nem começou!!!

O mistério das telas curvas

P1050481Não sei se me adaptaria a um TV de tela curva no dia a dia. Já ouvi pessoas dizendo que “jamais” terão um desses… Pois aqui na IFA, pelo que pudemos ver no primeiro dia, o fascínio que essas telas exercem sobre as pessoas é algo especial. No estande da Sony, em meio a pelo menos 50 TVs sendo mostrados, foi justamente o de tela curva (mod. S90) que atraiu mais jornalistas.

Trata-se de TVs 4K de 65 e 75 polegadas (foto), e não são OLEDs: a Sony parece mesmo ter desistido dessa tecnologia, preferindo se concentrar no aperfeiçoamento dos painéis de LED convencionais, bem mais baratos. Como as imagens 4K estão se tornando – acreditem – batidas, pelo menos em grandes eventos como a IFA, para se diferenciar é preciso investir em design. E uma tela com curvas elegantes se presta bem a esse papel.

Masaru Tamagawa, presidente da Sony na Europa, comentou que esse tipo de TV continuará sendo “de nicho” por algum tempo ainda. “Nem todo mundo se adapta”, admitiu ele, que se diz um fã inveterado de filmes japoneses. Tendo que falar de futuro, como exige o cargo, Tamagawa exaltou as qualidades das telas curvas para “aumentar a sensação de envolvimento típica dos cinemas”. Para concluir: “Vamos ver como o mercado recebe esses modelos. Os revendedores gostaram e, se for o caso, estamos preparados para oferecer outros tamanhos”.

Já usou seu “vestível” hoje?

Wearable_Tech

 

 

Nem sei se a palavra está nos dicionários. Mas, se não está, logo alguém fará a gentileza de incluí-la, tamanha é a badalação da indústria eletrônica – e da mídia especializada – com os wearables, nova categoria de produto que atrai muita curiosidade. Aqui na IFA, veremos uma infinidade deles, agora adotados pelas grandes marcas. A divulgação do evento fala em uma “guerra de vestíveis” (wearables war) entre Sony, Samsung, LG e outras.

Bem, vocês sabem. São aqueles aparelhos pequenos (tem de ser, caso contrário não dá para vesti-los) que se usam colados ao corpo: relógios, óculos, pulseiras, brincos, anéis, calçados, tecidos, canetas, carteiras… a lista não para de crescer. Vêm com algum tipo de microchip ou sensor que os transforma em smart. Devem fazer sucesso em academias, danceterias ou até na praia, antes que chegue o arrastão. Mas, para quê servem mesmo? Ah! Sim, para atividades importantíssimas da existência humana, como saber as horas, a temperatura ambiente, as cotações da bolsa, o resultado do futebol, o que disse a mocinha da novela e, item fundamental, saber se alguém lhe enviou uma mensagem.

Claro, com os wearables vem mais um festival de aplicativos. Alguns até são, sério, úteis para cuidar da saúde. Medem se você está com febre, como está a pressão arterial e até o nível de glicose no sangue. Podem se comunicar com seu médico em caso de emergência.

Epa! Eu disse “saúde”? Ato falho: isso é coisa de velho. São os jovens que puxam esse novo mercado. E, como sabemos, jovem não liga para tal. Minha sensação é de que, para a moçada que usa essas coisas, a pior emergência é descobrir que saiu de casa e esqueceu de colocar seu, como se diz mesmo?, vestível.

Apple rouba a cena, de novo

iphone-6-ios-simulation-2Chegando em Berlim, cidade sempre adorável, esbarro numa profusão de notícias não sobre o evento em si, mas sobre… sim, o lançamento do iPhone 6, que a Apple marcou para o próximo dia 9. Para mim, essa é a prova mais clara de que a IFA realmente se tornou um evento tão importante quanto a CES (nos bastidores, há uma bela rixa entre as duas feiras). Como costumava fazer sempre em janeiro nos tempos de Steve Jobs, muitas vezes roubando as atenções da mídia que ia a Las Vegas para cobrir a CES, a Apple agora marca seu principal evento do ano na mesma semana da IFA (que abre de 5 a 10 de setembro).

O problema é que, se a viagem de Las Vegas a São Francisco pode ser feita até de carro (de avião, dá cerca de uma hora), dificilmente alguém irá sair aqui de Berlim para ir até a Califórnia. Bem, esse é apenas mais um detalhe. O que importa é que ambos – IFA e o lançamento do iPhone 6 – estão “na boca do povo”, via internet. Sobre o novo aparelho da Apple, nem tenho muito o que comentar; prefiro deixar o link de um vídeo narrado em russo, que mostra a novidade em todos os detalhes. Chegaram a abrir o modelo 6 para comparar por dentro com o 5 (assistam aqui).

Se me perguntarem por que a narração é em russo (tem legendas em inglês), a única resposta que posso imaginar é que, hoje em dia, nossos hackers russos são melhores que os deles!

Agora, sim, rumo à IFA!

Áudio, vídeo e papel higiênico

ifa_final-446x266A caminho de Berlim, para cobrir mais uma IFA esta semana, recebo dezenas de materiais referentes a lançamentos de várias marcas. Entre emails, newsletters e uma infinidade de press-releases, me chamou a atenção um artigo do site Residential Systems criticando o consumo desenfreado de artigos descartáveis, inclusive eletrônicos.

A autora Heather L. Sidorowicz parece ter saudades das antigas formas de compra, defendendo que os consumidores dêem preferência a pequenas lojas de bairro, em lugar de aderir em massa – como a maioria está fazendo – ao comércio online. Heather teme que este acabe por “matar” os pequenos negócios, o que na prática já está acontecendo, por exemplo, com livrarias, lojas de discos, agências de viagem e tantos outros segmentos. Chega a dizer que hoje as pessoas compram TVs “como escolhem papel higiênico”…

Fiquei pensando na incoerência de alguém que escreve para uma publicação especializada em tecnologia (ainda mais um site!!!) se colocar contra a evolução inexorável do e-commerce. O artigo – que pode ser lido aqui, no original – tem lá seus encantos. Talvez não seja este o momento ideal para discutir o assunto: nos próximos dias, teremos tantas novidades para comentar que soa ingênuo escrever, por exemplo, “não compre agora, procure na loja do seu bairro, precisamos defender a comunidade onde vivemos”.

Vamos deixar essa discussão para depois, certo? A partir de amanhã, e durante o mês inteiro, vamos falar de inovações, lançamentos, protótipos, gadgets e por aí vai. Além deste blog, os leitores podem se atualizar sobre a IFA 2014 acessando o hot site que estará ancorando no hometheater.com.br. Vejam, leiam, comentem, compartilhem. Sem culpa, OK?

Norma técnica, pra que te quero?

Começou com um press-release que recebemos da empresa alemã Hörmann, fabricante de portas acústicas de aço. O texto chamava a atenção para a existência de uma norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que entrou em vigor no ano passado, exigindo valores mínimos de retenção de ruídos em edifícios residenciais. As tradicionais portas de madeira, como se sabe, não se prestam a isso. As de aço, quando bem feitas, sim. Em São Paulo, por exemplo, onde a cada ano são erguidos mais de 1.000 empreendimentos desse tipo, se a norma fosse seguida à risca a Hörmann aumentaria bastante seu faturamento.

Fui consultar os universitários, meus amigos engenheiros Vinicius Barbosa Lima e José Roberto Muratori, além de um especialista em acústica, José Carlos Giner. Sim, a norma existe (ABNT 15575/2013) e determina que todas as novas construções sigam os níveis estipulados para desempenho acústico. O problema é que, como em tantos outros casos, não há fiscalização; e os próprios consumidores, ao adquirir seus novos apartamentos, não se dão ao trabalho de verificar o cumprimento da Norma.

Segundo Muratori, há até uma entidade, chamada Certiel, que luta há anos para certificar as instalações elétricas dos edifícios. Mas faz esse trabalho por sua conta, sem qualquer apoio de órgãos governamentais. “O Brasil é um dos poucos países do mundo onde o CREA (ou quem quer que seja) não vistoria se o projeto elétrico/hidráulico aprovado foi implementado de acordo”, diz ele, lembrando que o próprio CREA recolhe uma taxa de cada empreendimento com essa finalidade.

Ou seja, uma terra de ninguém. Geralmente, as pessoas só vão se preocupar com essas coisas quando ocorre algum acidente. Como lembra Giner: “Se a construtora/incorporadora não seguir a norma, será penalizada judicialmente”. Será? Ou seria?

Marina Silva e a política tecnológica

Programas de governo são, quase sempre, um campo de areia movediça. É preciso cuidado redobrado para não escorregar em promessas fora da realidade, ou mesmo demagógicas. Em geral, trazem um imenso diagnóstico dos problemas existentes e, junto, uma quantidade de soluções que nenhum governo, nenhum mesmo, é capaz de colocar em prática. Voa-se alto nesses planos, e como!

O da candidata Marina Silva, hoje a favorita para ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2015, foi divulgado nesta quinta-feira. Tem ao todo 240 páginas, das quais 14 são dedicadas à política para ciência e tecnologia. Essa é uma área onde, a meu ver, o país está patinando há cerca de 15 anos, justamente o período em que o planeta vem experimentando o mais rápido processo histórico de revolução tecnológica e das comunicações.

Comparado aos programas de Dilma e Aécio, porém, é fácil perceber que há pessoas com Marina que enxergam luzes dentro desse túnel. A primeira luz é admitir que tudo começa na educação de base. Como já cansaram de dizer e escrever grandes educadores (de Paulo Freire a Cristóvão Buarque, de Milton Santos a Gustavo Ioschpe), nenhuma política de desenvolvimento dá resultado se não houver investimento maciço, contínuo e monitorado na formação de crianças e adolescentes.

A segunda luz acesa no programa de Marina é a ideia de utilizar as tecnologias digitais para dar maior transparência ao governo e à administração pública, ampliando as formas de fiscalização por parte da sociedade. Num país onde o cidadão é desrespeitado impunemente a todo momento, um governo que queira realmente servir a população (e não servir-se dela) tem que ser aberto e franco, inclusive na hora de dizer não. As diversas tecnologias de comunicação hoje disponíveis tornam esse processo muito mais fácil de implantar, eliminando (ou pelo menos minimizando) as ações dos intermediários que se alimentam da corrupção em suas diversas modalidades.

A candidata acena também com novas práticas num setor em que o atual governo foi pródigo: o aparelhamento dos órgãos públicos para fins políticos. O melhor exemplo está nas agências reguladoras, que a partir do governo Lula foram descaradamente transformadas em enormes cabides de emprego para o PT e seus partidos aliados. O programa de Marina define as agências como “órgãos de fiscalização que agem em nome da sociedade… visando à preservação dos direitos dos consumidores e à garantia de um ambiente propício aos investimentos… para melhorar a qualidade na prestação de bens e serviços”. Nada mais claro.

Evidentemente, promessas como “transformar a conexão à internet em serviço essencial (como eletricidade e água)” não dependem de uma canetada da presidente da República. Assim como a constatação de que “o acesso aos telefones celulares ajuda no processo de alfabetização… pelo uso intensivo da leitura e escrita de mensagens… textos informativos e livros inteiros nas telas portáteis”, embora seja uma boa frase de efeito, esbarra na penúria estrutural do país.

No entanto, é possível ser otimista. Os diagnósticos estão corretos e parece haver boas intenções para combatê-los. O problema é que, como já vimos tantas vezes, o monstro da política costuma devorar os bem intencionados.

Para quem ainda não viu, a íntegra do programa de governo de Marina Silva está aqui: http://marinasilva.org.br/programa/

Em tempo: não comentei aqui os programas de Dilma e Aécio para o setor de tecnologia porque não encontrei neles nada que já não tenhamos visto nos últimos anos, com os resultados conhecidos.

A primeira série brasileira em 4K

bruno1Estreia no dia 19 de setembro na Globo a série de suspense Dupla Identidade, com 14 episódios, escrita por Gloria Peres e estrelada por Bruno Gagliasso (foto), Luana Piovani e Débora Falabella. Será a primeira produzida no Brasil totalmente em Ultra-HD. Claro, os telespectadores não poderão ver as imagens em ultra-alta resolução porque ainda não é possível transmiti-las em rede aberta. Mas será, com certeza, um marco na evolução da televisão brasileira.

Só poderia mesmo partir da Globo essa iniciativa, que exige altos investimentos e uma equipe técnica muito bem preparada. Como já comentamos aqui algumas vezes, a emissora carioca vem há anos fazendo experiências com UHD. Segundo Raymundo Barros, diretor de Engenharia da emissora, já são 50 câmeras desse tipo sendo usadas diariamente na produção de novelas e séries, e outras tantas devem chegar em breve para esportes e jornalismo. “Para a produção, essa tecnologia é ótima, especialmente nas cenas com efeitos visuais”, diz ele. “O problema está na pós-produção, onde se trabalha com uma quantidade de dados quatro vezes maior. Para isso, estamos continuamente aprendendo e investindo em novos equipamentos”.

Distribuir sinal 4K em TV aberta é algo ainda fora do horizonte, admite Raymundo, que acha mais viável aproveitar essa tecnologia nos canais pagos. “A próxima geração de set-top box será 4K, e pode ser que surja um canal especializado nesse tipo de conteúdo”, ele prevê. “Mas ainda teremos que discutir muito até que ponto vale a pena distribuir esse sinal em rede aberta. Além de resolver o problema da transmissão, o investimento em produção será muito alto”.

Esqueceram do Fórum SBTVD

Em mais um episódio típico da falta de política tecnológica no país, o Fórum SBTVD, criado em 2006 para coordenar as atividades relacionadas ao Sistema Brasileiro de Televisão Digital, foi simplesmente deixado de lado no processo de distribuição das frequências de 700MHz. Como se sabe, o leilão dessas frequências – visando à implantação das novas redes de celular 4G – acontecerá no dia 30 de setembro (se não houver outro adiamento). Mas o Fórum sequer é citado no edital de convocação.

O “esquecimento” é um dos principais temas de bastidores na SET Expo, principal evento do setor de televisão no país, que acontece esta semana em São Paulo. Segundo a competente repórter Ana Paula Lobo, do site Convergência Digital, nem se cogita incluir um representante do Fórum no grupo técnico que, após o leilão, irá comandar o processo de switch-off, a transição da TV analógica para o padrão digital. Uma fonte do governo, ouvida pela repórter, alega que o Fórum não se manifestou durante as discussões sobre interferências entre os sinais de TV digital e de celular 4G.

Inconformado, o presidente do Fórum, Roberto Franco, busca apoio da Anatel e do Ministério das Comunicações para reverter a situação. Parece uma questão menor, mas não é. O Fórum só existe para cuidar da TV digital, que ainda está longe de atingir todas as regiões do país (detalhes aqui) e vive um momento delicado. Não faz o menor sentido ignorar sua experiência de oito anos cuidando do assunto.

Talvez o que seus membros precisem fazer é aquilo de que os tecnocratas mais gostam: lobby. Tecnologia? Se vê depois.