TV paga: “gatonet” virou brincadeira

piracyNesta terça-feira, enquanto em Brasilia a Anatel anunciava os números de junho na TV por assinatura (quase 19 milhões de domicílios atendidos, com penetração de 29%), em São Paulo a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) fazia seu almoço anual de apresentação de sua feira e congresso, que acontecem na próxima semana. Os números do setor de fato de são interessantes. Além do crescimento contínuo na venda de assinaturas (taxa anual de 11%), os canais pagos subiram 20% em audiência entre janeiro e maio; somando todos, é mais do que a Rede Record, segunda entre as emissoras abertas. O impacto do Netflix aparentemente não vem sendo significativo, e até as receitas de publicidade crescem em ritmo mais forte do que a média do mercado de mídia.

Talvez o principal problema da TV paga brasileira, como acontece em outros países, seja hoje a pirataria de sinal. “Os tempos românticos do gatonet ficaram para trás”, resume Oscar Simões, presidente da ABTA. Eram tempos em que a TV a cabo predominava e a criatividade brasileira, especialmente em comunidades pobres, introduzia o “puxadinho” nas instalações. Hoje, com o domínio das redes digitais e da TV por satélite (que representa 61,85% do mercado, segundo a Anatel), pirataria de sinal de TV passou a ser coisa de crime organizado.

No Congresso da ABTA, será apresentado um estudo inédito mostrando o impacto dessa atividade para o país. Mas sabe-se que existem máfias internacionais comandando o negócio, assim como fazem com o tráfico de drogas, de armas e até de bebês. Segundo Simões, são esquemas altamente sofisticados e que envolvem tecnologias complexas, difíceis de combater. Perto deles, nosso velho gatonet pode ser considerado quase brincadeira de criança.

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Automação, jogo de gente grande

Reportagem da revista Forbes, duas semanas atrás, apontava um fenômeno que nós aqui, modestamente, já havíamos comentado tempos atrás: o avanço das grandes empresas de tecnologia no setor de automação residencial. Como se tivessem combinado, Google, Apple e Samsung aumentaram este ano os investimentos no setor – e não é pouco dinheiro.

No início do ano, a Google pagou nada menos do que US$ 3,2 bilhões pela Nest, que tornou populares nos EUA os chamados “termostatos inteligentes”. Mais recentemente, a Apple apresentou seu HomeKit, um pacote de softwares para desenvolvedores que queiram utilizar os produtos da empresa em sistemas de automação. E agora a Samsung anuncia a compra, por US$ 200 milhões, da SmartThings, pequena empresa de Washington que vende kits básicos de automação por até 100 dólares.

As três gigantes enxergam potencial nas soluções de baixo custo para controlar a casa, algumas delas já disponíveis no Brasil. O caso da SmartThings é particularmente interessante. Em apenas dois anos, a empresa atraiu vários fundos de investimento, basicamente fazendo campanha pela internet.

O que há de comum nos três casos é a ideia de que todo mundo deseja ter em casa algum tipo de automação – variando apenas a disposição para investir. Produtos como os citados acima chamam a atenção pelo custo acessível e, como já comentamos aqui, podem ser uma porta de entrada para usuários sem contas bancárias tão gordas. Há, porém, quem se recuse até a classificar essas soluções como “automação”, partindo do princípio de que um sistema verdadeiro exige projeto, instalação adequada, proteção elétrica etc.

Vamos ver como as gigantes da tecnologia resolverão essas questões.

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Em cena, os “novos” telespectadores

familiaPesquisando para uma edição especial sobre TV por Assinatura que estamos produzindo, encontrei uma série de ótimos artigos e estudos sobre as mudanças no comportamento dos usuários mundo afora. Como no Brasil os dados não são confiáveis, temos que analisar com as informações de que dispomos, mais uma boa dose de feeling, para tentar trazer esses estudos para nossa realidade.

Infelizmente, são poucos os especialistas brasileiros que se dispõem a compartilhar seus conhecimentos nessa área. A maioria dos que o fazem cai na armadilha de misturar os segmentos de televisão e de internet, o que a meu ver é um erro: por mais que estejam se aproximando, são dois mundos bem diferentes. A começar da atitude do usuário diante dos aparelhos: o ato de ver TV é mais gregário, coletivo, frequentemente compartilhado com amigos e familiares; navegar na internet é, quase sempre, uma ação individual, íntima, embora certamente mais interativa.

Claro, os dois mundos estão em transição, e talvez por isso não haja respostas claras para a maioria das dúvidas que o fenômeno nos traz. Nesse sentido, uma das melhores contribuições que encontrei foi um artigo de Samuel Possebon, competente editor do site Tela Viva, ao cobrir o Cable Congress 2014, que aconteceu na Holanda em março passado. Samuel relata uma palestra de Guy Bisson, diretor da consultoria IHS, especializada em estudos de mídia, que aponta alguns mitos recorrentes nas análises sobre as mudanças que estão acontecendo nos segmentos de TV e telecom em geral.

Tomo aqui a liberdade de reproduzir (os trechos entre aspas são os tais “mitos” que o consultor procura desfazer):

1) “Ninguém mais assiste à TV” – Segundo os dados de audiência coletados nos últimos anos na França, Alemanha, Espanha e Itália, a audiência da TV linear ainda está crescendo, com uma leve tendência de queda nos EUA e estabilização no Reino Unido.

2) “VoD está tomando o lugar da TV linear” – O número das pessoas que assistem TV linear ainda ganha disparado. 82% da audiência nos EUA é linear. Outros 9% assistem primordialmente o conteúdo gravado em DVR. E apenas 9% priorizam conteúdos online e sob demanda. Na Europa, os números são, respectivamente, 84% para TV linear, 11% para DVR e 5% para on-demand. Em 2017, a expectativa é que a audiência linear ainda corresponda a 76% da audiência, segundo a IHS.

3) “Os serviços OTT estão acabando com o mercado de TV paga” – Em termos econômicos, OTT é uma indústria de US$ 5 bilhões nos EUA, contra US$ 94 bilhões dos serviços de TV tradicionais. Essa proporção não muda nos próximos cinco anos.

4) “O set-top box está morrendo” – Os dados mostram que pelo menos até 2015 deve continuar a crescer o mercado de set-tops, sobretudo HDs e DVRs, com uma estabilização entre 2015 e 2017.

5) “Os  TVs conectados vão agregar todos os serviços” – Ainda não surgiu uma ferramenta de integração de todos os conteúdos em uma única interface, de modo que o “dono” do espectador ainda é o dispositivo que se conecta ao TV.

6) “O conteúdo é o rei” – Do ponto de vista econômico, segundo a consultoria IHS, as despesas com acesso foram de 250 bilhões de euros em 2008, mantiveram o patamar em 2012 e devem manter esse padrão até 2016. Já as despesas com dispositivos foram de quase 100 bilhões de euros em 2008, passaram de 100 bilhões em 2012 e devem manter o patamar em 2016. As despesas com conteúdo foram de cerca de 60 bilhões de euros em 2008, chegaram a 65 bilhões em 2012 e devem chegar a 75 bilhões de euros em 2016. Ou seja, a maior parte das despesas das pessoas continua sendo em acesso e em dispositivos, não em conteúdos.

7) “Os produtores de conteúdo irão direto para o consumidor, sem intermediários” – O problema para isso acontecer é compensar as perdas de receita das formas tradicionais de distribuição. Segundo a IHS, apenas no Reino Unido, para compensar a perda de receitas geradas pelos meios tradicionais aos preços praticados hoje nos modelos OTT, os produtores de conteúdo teriam que adicionar mais 5,6 milhões de clientes à base, sem perder nenhum.

8) “Apesar do crescimento do mercado OTT, os operadores tradicionais ainda vão ser os donos dos clientes” – É preciso considerar que os mesmos consumidores das operadoras de telecomunicações e TV paga tradicionais também são “consumidores” da Apple, Netflix e Google, por meio de produtos como o Android, iPhone etc., e as taxas de aquisição de novos clientes desses provedores é muito maior.

Deu pra perceber? O que alguns chamam de “novo telespectador” ainda deve demorar um pouco para ser reconhecido nas pesquisas.

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Mais um gigante de tela curva

Samsung-UN105S9W105”Curved-UHD-TVNesta terça-feira, a Samsung apresentou nos EUA este novo TV de tela grande, digo, gigante: são 105 polegadas e, como se pode reparar, em formato curvo 21:9. Por enquanto, informou a empresa, só existe esse exemplar. Quem quiser adquirir um, terá que assinar o cheque de 120 mil dólares e aguardar, pois a produção será feita sob encomenda. Detalhe: o valor já inclui frete e equipe de instalação, que irá até a casa do comprador e fará os devidos ajustes.

Como já comentamos aqui, os TVs de tela curva ainda estão longe de obter unanimidade. Os fabricantes – por enquanto, apenas Samsung e LG, além de um ou outro chinês – argumentam com as imagens de cinema: as celebradas telas Imax, por exemplo, são curvas e oferecem um envolvimento inigualável. Isso, porém, pressupõe a existência de uma sala grande e escura, como um… isso mesmo, um cinema. Em casa. A Samsung certamente sabe que poucas pessoas têm essa possibilidade, daí por que está tratando o novo TV (mod. UN105S9W) como joia rara.

Além desse visual impressionante, o aparelho reproduz imagens Ultra-HD; na verdade, pelo formato retangular, a resolução é de 5.120 x 2.160, o que dá mais de 11 milhões de pixels, necessários para preencher a tela (nos TVs 4K “normais”, são 8 milhões). Outro diferencial é o que a Samsung chama de Quad Screen: a tela pode ser dividida em quatro janelas de aproximadamente 50″, cada uma exibindo conteúdos diferentes.

Para esse TV, a empresa coreana diz ter desenvolvido também um novo tipo de backlight chamado UHD Dimming and Precision Black, uma variação do já conhecido Local Dimming, com processador mais avançado para gerenciar o acionamento dos leds.

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AT&T entra no Brasil via Sky

Num prazo recorde para esse tipo de negócio, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou na semana passada a compra da operadora Sky pela americana AT&T. Como divulgamos aqui, a AT&T fez uma oferta bilionária pela DirecTV, que além dos EUA atua em quase toda a América Latina e, no Brasil, é dona da Sky. O negócio lá foi fechado em maio e aprovado pelo Cade dois meses depois – deve ser recorde na história do órgão, que costuma levar anos para tomar suas decisões.

De certa forma, essa solução atende aos interesses do governo brasileiro, que tenta, com razão, ampliar o nível de concorrência no mercado de telecom. A Sky é líder no segmento de DTH (TV por assinatura via satélite) e já começou a atuar no serviço de banda larga em algumas praças, usando suas frequências da faixa de 2,5GHz.

A julgar pelas declarações de seu CEO, Randal Stephenson, reproduzidas pelo site Teletime, a AT&T, cujo forte é a comunicação móvel, passa a ser uma das sérias candidatas ao leilão da faixa de 700MHz, previsto para agosto. “As taxas de penetração da TV paga no Brasil ainda são muito baixas”, disse Stephenson. “E há muito potencial no mercado de celular pré-pago e em banda larga sem fio usando a tecnologia 4G.”

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Copa gravada em 360 graus

2403877_large-lndAlém de todas as inovações tecnológicas que já reportamos (aqui, aqui e aqui) por ocasião da Copa do Mundo, mais uma acaba de ser revelada. O Instituto Frauhofer, da Alemanha, famoso por suas contribuições à tecnologia (como se não tivesse sido fundado pelo gênio Heinrich Hertz, um dos “pais” da eletrônica moderna), aproveitou a partida final da Copa para mais uma experiência inovadora. O jogo Alemanha x Argentina foi captado com uma câmera Ultra-HD OmniCam, capaz de registrar as imagens em 360 graus.

Segundo o site Display Central, a câmera ficou posicionada no meio da torcida, junto à linha do meio de campo, para captar imagens panorâmicas do Maracanã em 4K. A experiência é mais uma dentro do projeto da Fifa de criar um grande “museu do futebol”, a ser inaugurado em Zurique (Suíça) em 2016. As principais inovações técnicas ocorridas no mundo do futebol, especialmente a partir da década de 1970, serão destaque no museu.

omnicamA ideia é que a câmera – composta de várias lentes e espelhos – simule a posição de um torcedor do estádio, capaz de visualizar tudo em 360 graus. Segundo informa o site, a OmniCam (foto ao lado) pesa apenas 15kg (menos que alguns modelos profissionais usados atualmente) e tem tamanho normal, mas produz imagens com resolução dez vezes mais alta que uma HD. “O futebol é uma das aplicações mais atraentes para esse tipo de tecnologia”, disse o dr. Ralf Schäfer, diretor do Instituto Fraunhofer.

Aguarda-se agora que a Fifa divulgue esse material, junto com as imagens em 4K e 8K que foram registradas durante a Copa. A promessa é de que tudo será colocado na internet em breve.

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TVs smart e 4K estão crescendo

Mais de 70% dos consumidores nos países emergentes – Brasil, China, Índia etc. – estão preferindo comprar TVs smart do que os modelos convencionais. Nos países mais avançados, esse percentual fica na faixa dos 40%. Os dados são da empresa de pesquisas NPD DisplaySearch, que também aposta no crescimento rápido dos TVs 4K – mais rápido do que ocorreu, por exemplo, na implantação dos HDTVs. Hoje, a estimativa é de pouco mais de 1 milhão de aparelhos 4K vendidos mundialmente, sendo a maior parte deles no mercado chinês (mais detalhes aqui). Mas em 2017 serão mais de 30 milhões por ano. Os pesquisadores apostam no aumento da oferta de conteúdos 4K pela internet, via serviços de streaming, como Netflix, YouTube e Amazon. Com mais pessoas tendo acesso a filmes, séries e vídeos em 4K, e os preços dos TVs caindo, o resultado não é difícil de adivinhar.

Vamos ver se a prática confirma a teoria.

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Como NÃO atender o cliente

Deve entrar para a história – ou pelo menos virar um belo case de marketing – o novo episódio envolvendo a Comcast, maior operadora de banda larga e TV paga dos EUA. Nesta quarta-feira, bombou na internet o caso do atendente que, inconformado com um cliente que pedia o cancelamento da assinatura, exatrapolou todos os limites do bom senso e da civilidade que se espera desse tipo de profissional.

Ryan Block, jornalista da área de tecnologia, queria cancelar os serviços e ligou para o SAC da Comcast. Ao perceber que o atendente estava alterado, decidiu gravar a conversa – que ao todo durou mais de 8 minutos – e depois colocou-a no site Soundcloud. Em poucos minutos, o caso se multiplicou via blogs e redes sociais, levando a operadora a emitir um comunicado oficial com pedido de desculpas. O atendente (não identificado até o momento) foi afastado.

Ouvindo a gravação, percebe-se que ele estava mesmo visivelmente nervoso.

- Por que você quer cancelar o serviço da melhor operadora do país?” perguntava insistentemente.

- Quero mudar para outra operadora, retrucou Block, a princípio com voz tranquila.

- Mas por quê? Estou aqui para te ajudar. Me diga: por quê?, insistia o atendente, aumentando o tom da voz.

- Se você quer mesmo me ajudar, então cancele o serviço, por favor.

- Mas eu preciso saber, esse é o meu trabalho. Se você não me diz a razão, como nossa empresa pode saber o que lhe desagrada e, assim, melhorar os serviços?

- Parece que você está brincando comigo. Só quero cancelar esse serviço, nada mais…

Já transtornado, o atendente passou a gritar:

- Estou falando sério. Você tem que me dizer o motivo…

Mas perdeu o rumo quando ouviu do cliente:

- O simples modo como você está me atendendo já é um bom motivo para eu cancelar esse serviço!

Bem, a íntegra da conversa pode ser conferida neste link. O comunicado da Comcast diz que o procedimento do atendente é “inaceitável e não condiz com os treinamentos que a empresa oferece a seus funcionários”. Block, que chamou a atitude de “beligerante”, pediu mais tarde, via Twitter, que a empresa faça uma avaliação cuidadosa de suas práticas, em vez de demitir a pessoa que o atendeu.

Como se vê, a eterna luta dos consumidores com as empresas que lhes vendem produtos ou serviços não é exclusividade brasileira, ao contrário do que muitos pensam. Quantos casos iguais a esse devem ser registrados diariamente? Bem, agora se pode, pelo menos, gravá-los e compartilhar via redes sociais. O efeito é devastador, como o pessoal da Comcast deve estar percebendo.

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As vantagens do HDMI 2.0

Concluindo os testes que fizemos durante a Copa do Mundo, nos jogos transmitidos pela SporTV em 4K, avaliamos que o maior avanço está na possibilidade de usar o conector HDMI 2.0. Os TVs que oferecem essa entrada se destacam dos demais, porque é o único padrão, por enquanto, capaz de captar a imagem Ultra-HD na frequência de 60 quadros por segundo (60P). Com a versão anterior do HDMI, é possível reproduzir vídeos Full-HD em 60P, mas é difícil saber como o sinal foi gravado. Em 4K, esse detalhe passa a ser mais relevante (todas as câmeras 4K registram as imagens nessa frequência).

Apenas para lembrar, segundo a definição do consórcio HDMI, o conector 2.0 tem as seguintes capacidades:

*Transmitir múltiplos sinais 4K pelo mesmo display;

*Trafegar sinal de vídeo em formato superwide (21:9);

*Sincronizar a transmissão simultânea dos sinais de áudio e vídeo;

*Transmitir até 32 canais de áudio simultâneos;

*Trafegar áudio de altíssima resolução quando necessário (a taxa de amostragem chega a impressionantes 1.5MHz.

Com exceção das imagens da Copa, que foram transmissões especiais, conteúdos em 4K só estão disponíveis através da internet (via Netflix e YouTube, principalmente). Nesse caso, o usuário precisa de uma boa conexão de banda larga, e o conteúdo original (como House of Cards, produção própria da Netflix) precisa ter sido gravado em 4K. Fizemos a comparação usando rede de 15MB e o resultado foi excelente. Certamente, quando (e se) tivermos discos pré-gravados em 4K, será melhor ainda.

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Anatel: novas regras, já em vigor

Se alguém não tinha reparado, já estão em vigor as novas regras da Anatel para o atendimento prestado pelas operadoras de telefonia, banda larga e TV por assinatura. Passaram a valer justamente no fatídico 8 de julho (dia dos 7×1), mas isso nada tem a ver com o fato de que algumas operadoras ainda não estão cumprindo o que foi determinado.

Eu mesmo acabo de passar por uma experiência tenebrosa com a Vivo, e é incontável a quantidade de queixas acumuladas nas redes sociais sobre o mau atendimento prestado especialmente pelas teles. Segundo a Anatel, foram mais de 3 milhões de reclamações em 2013; a imprensa em geral vem publicando diversas reportagens a respeito, entrevistando usuários de várias partes do país. Parece ser um problema crônico.

Mas a Anatel também diz que estes primeiros 30 dias servirão para monitorar quais empresas estão, de fato, dispostas a cumprir as regras. Uma das normas determina, por exemplo, que o cliente deve ter toda a facilidade para cancelar um serviço, automaticamente, pelo telefone ou pela internet, sem ter que falar com um atendente. Será? Em caso negativo, o remédio é gritar. E agora ainda mais alto!

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Mapa da mina para TVs smart

Conforme prometido, a LG confirmou na semana passada a liberação do SDK (Software Development Kit) para seus TVs smart. Com isso, desenvolvedores de aplicativos podem usar os chamados códigos-fonte da plataforma WebOS, que agora equipa os TVs da marca. Já está no ar um site específico para essa finalidade, a partir do qual os profissionais podem criar novos serviços.

Como já comentamos aqui, o sistema operacional WebOS – criado nos anos 1990 pela Palm, para uso em tablets – foi adquirido e atualizado pela LG visando principalmente o mercado de TVs. Essa é uma tendência, a meu ver irreversível, da indústria eletrônica. Embora haja uma entidade internacional, a Smart TV Alliance, tentando padronizar os aparelhos, é natural que cada fabricante procure desenvolver sua plataforma. É sintomático, por exemplo que Samsung e Sony, dois dos maiores fabricantes, não façam parte dessa Aliança.

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A tela vai rolar…

rollableA foto ao lado mostra um display OLED de 18 polegadas, do tipo rollable (ainda não tem nome comercial). Trata-se de um protótipo exibido semana passada pela LG em Seul. Em parceria com universidades locais e com o Ministério de Comércio, Indústria e Energia, a empresa está desenvolvendo a tecnologia que permite produzir displays tão finos que podem ser enrolados – além de serem transparentes. Segundo o jornal Korea Times, a imagem é de ótima resolução (1.200 x 810 pixels), e a LG trabalha com o projeto de produzir modelos de até 60 polegadas em 2017 (neste site, mais imagens desses displays..

Se o leitor está se perguntando para quê serviria um display desses, as respostas dos coreanos são várias. Além de smartphones e tablets “enroláveis”, a tecnologia poderá ser aplicada, por exemplo, na produção de equipamentos médicos, brinquedos, embalagens e painéis de automóveis. Duvida? Aguarde mais três anos.

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Mais um juiz contra o Facebook

Não é só no futebol que os brasileiros têm muito a aprender. Aliás, em certas áreas, parece que estamos voltando atrás no tempo. Em Teófilo Otoni (MG), um juiz determinou que o Facebook saia do ar!!! Isso mesmo: alegando que a empresa não lhe forneceu dados solicitados numa investigação sobre prostituição infantil, ele determinou que o acesso à rede social seja suspenso em todo o país (mais detalhes aqui).

Não é a primeira vez que isso acontece, infelizmente. E também não é só no Brasil. Seguindo o antiquíssimo raciocínio de culpar o carteiro pelo conteúdo da carta, juízes ignoram a evolução do mundo e se propõem a prejudicar cerca de 30 milhões de usuários do FB, “em nome da lei”. Nesse último caso, o juiz passou por cima, inclusive, da lei mais recente colocada em vigor, o Marco Civil da Internet, que veta a responsabilização criminal de um site ou provedor por delitos cometidos por seus usuários.

De cara, esse juiz já sai perdendo, no mínimo, de 7×1.

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Celular vs TV: governo apoia emissoras

Aparentemente, o governo federal decidiu ficar do lado das emissoras na disputa com as operadoras de telefonia celular. Nesta quinta-feira, a Anatel divulgou as regras que, a princípio, devem nortear a implantação das redes de celular 4G construídas na faixa de 700MHz, que também é disputada pela TV digital. Como já havia feito semanas atrás (vejam aqui), a Agência admitiu que as interferências entre os dois tipos de sinal são inevitáveis, como alegam as emissoras, e determinou o que deve ser feito quando (e se) isso acontecer. Anotem:

*A operadora deverá instalar um filtro na saída de sua torre de transmissão mais próxima ao local onde ocorrer a interferência;

*Caso isso não resolva, a operadora terá de trocar a torre de posição;

*Uma terceira alternativa é reduzir a potência de transmissão da torre.

Há outras duas opções consideradas no regulamento, mas estas caberão ao consumidor: colocar ele próprio um filtro em seu TV ou receptor digital, ou mudar de endereço. Em qualquer situação, vale a premissa de que o serviço fornecido há mais tempo tem prioridade, ou seja, se você já recebia em casa sinal de TV aberta antes de ser instalada a rede de celular, a operadora terá que solucionar o problema.

Para quem quiser saber mais detalhes, o site Tela Viva traz boas análises sobre a questão – que não é urgente, do ponto de vista do usuário, mas que precisa ser resolvida o quanto antes, pois pode se transformar num problemão mais à frente.

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Áudio analógico é melhor que digital?

Sei que a maioria dos leitores irá responder que sim: áudio analógico – supostamente sem compressão – é mais fiel ao sinal original e, portanto, tem melhor qualidade. Também pensava assim, até ler um pequeno artigo publicado no site americano Residential Systems, sobre um evento ocorrido há dias em Nova York: High Resolution Audio Listening Experience. Ali, profissionais da área e jornalistas especializados se reuniram para ouvir demonstrações do que foi denominado HRA (High-Resolution Audio), que já comentamos aquiaqui.

O que mais me chamou a atenção foram as explicações de Frank Filipetti. Sabem quem é? Veterano engenheiro de áudio e produtor musical que tem no currículo três prêmios Grammy e trabalhos com artistas como Frank Zappa, James Taylor, Barbra Streisand, Elton John, Luciano Pavarotti e George Michael, entre outros (aqui, sua discografia completa). Pois Filipetti não quis deixar dúvidas: “Quem diz que o som analógico é melhor é porque não esteve no estúdio de gravação”, sentenciou, para espanto dos seus colegas presentes.

Sabe-se que Filipetti foi um dos primeiros produtores a adotar as tecnologias digitais de gravação de áudio; já produziu vários DVDs de shows com áudio 5.1 canais, além de ter gravado musicais da Broadway, também premiados. Mas o cidadão usou até palavrões para se referir à música analógica, garantindo que “nunca antes o consumidor teve a chance de ouvir música melhor do que hoje”!!!

Bem, acho que, pelo menos por enquanto, não dá para discutir com mr. Filipetti. É bom lembrar que o evento foi organizado pela associação das gravadoras americanas e pelo DEG (Digital Entertainment Group), entidades que vêm defendendo ardorosamente a adoção do HRA pelos consumidores. Como ainda não ouvi nenhuma gravação desse tipo, prefiro me calar, por ora. Ou Filipetti está sendo muito bem pago para dizer o que disse ou, quem sabe, seus ouvidos já não estejam em grande forma.

Ou talvez ele tenha mesmo razão!

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A disputa entre Sky e Globosat

Deu na Folha de São Paulo: a operadora Sky e a programadora Globosat não estão se entendendo para renovação de seu atual contrato. Diz a colunista Keila Jimenez que a Sky pede uma redução no valor mensal, estimado em R$ 60 milhões, para poder ajustar os preços de seus pacotes ao públicos das classes C e D. Oficialmente, claro, as empresas não se manifestam, mas esse tipo de negociação – que no caso já dura três meses – costuma ser um cabo de guerra. A Globosat é a marca mais valorizada do segmento, e se aceitar um valor mais baixo certamente terá que renegociar também com as outras operadoras. Mas não pode ignorar os 5,2 milhões de assinantes da Sky (quase 30% do mercado), que em números absolutos é a operadora que mais vem crescendo.

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Enfim, um padrão para os TVs 4K

4K Toshiba L8400-580-90A CEA (Consumer Electronics Association) anunciou na semana passada uma lista de normas voluntárias para os fabricantes de TVs Ultra-HD. “Voluntárias”, no caso, significa que são apenas sugestões, não exigências. Mas, de qualquer modo, a entidade – que representa mais de 3 mil empresas, de vários países – promete fazer valer seu poder de, digamos, convencimento. Um comitê de vídeo formado pela CEA chegou à conclusão de que a padronização é imprescindível para que a tecnologia UHD seja o sucesso que a indústria espera.

Basicamente, o documento Ultra High-Definition Display Characteristics V2 (o vol. 1 havia sido apresentado em 2012) lista uma série de recursos e funções que todo televisor 4K fabricado a partir de setembro deverá ter. Inclui itens ligados à fabricação, mas também a ajustes e procedimentos de instalação, que naturalmente cabem a quem adquire o produto. Exemplo: os TVs a partir de agora devem ser compatíveis com o padrão 60P, que identifica a chamada “taxa de quadros” (em inglês, frames per second, ou simplesmente fps). Filmes e vídeos são produzidos e/ou masterizados em 60, 30 ou 24fps; os de 60P são os que exibem melhor imagem; para reproduzir esses sinais, o TV precisa ser equipado com um decodificador HEVC, que está bem explicado neste artigo.

Outras características importantes incluídas no documento da CEA:

*Todo TV 4K deve ter pelo menos uma entrada HDMI com código atualizado de proteção anticópia (HDCP);

*As entradas de vídeo devem ser compatíveis com a colorimetria 2.160p, que garante a máxima fidelidade nas cores (também atualizável);

*O TV precisa ter capacidade de reproduzir também sinal da internet com a resolução original de 3.840 x 2.160 pixels;

*E também ser capaz de receber e reproduzir áudio multicanal;

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Tecnologia na Copa foi (quase) um golaço

Para o pessoal do sofá, a Copa 2014 foi (está sendo) uma agradável surpresa. Além de ótimos jogos, belos gols e muita emoção, a intensa cobertura da televisão não está deixando passar nada. Nem mesmo as gafes (como esta do canal Band Sports) e os momentos cômicos (como a semiqueda do técnico argentino); sem falar, claro, dos choros e da violência, como a que vitimou nosso Neymar. Tudo exibido nos mínimos detalhes, com imagens cristalinas, mais ainda para quem teve o privilégio de ver os jogos transmitidos em Ultra-HD.

A meu ver, esta Copa estabelece um novo padrão de qualidade, tanto dentro quanto fora do campo. Diz o jornalista holandês Simon Kupers, que escreve para o Financial Times, da Inglaterra, que o bom nível das partidas tem a ver com o fato de que, nos últimos anos, o futebol se transformou na maior atração da televisão mundial. A transmissão ao vivo dos principais campeonatos europeus – onde estão os melhores times – cresceu em audiência, elevando o padrão de referência das torcidas. E os jogadores estão respondendo em campo. Entre ver na TV um jogo do campeonato brasileiro e um, digamos, da Premier League inglesa, muitos fãs do esporte optam pela segunda alternativa; naturalmente, isso não vale para os torcedores fanáticos, mas essa é outra discussão.

Kupers, aliás, escreveu na semana passada uma bela crônica sobre a Copa, após passar por várias cidades brasileiras, e empolgou-se a ponto de afirmar que “o Brasil já ganhou a Copa” – referência, é claro, não ao futebol da seleção, mas ao clima que se criou no país para receber os estrangeiros. Seu texto, cuja tradução pode ser lida aqui, é uma boa reflexão sobre a função social do futebol, especialmente no Brasil. Vale a pena ler.

Voltando à tecnologia, a Copa no Brasil só não merece nota 10 porque, nos estádios e nos centros de imprensa, pelos relatos disponíveis, a coisa foi feia. Conexões sofríveis (mais do que o habitual), quedas de sinal e até brigas foram constantes. Nenhuma surpresa. Se quase nada foi feito para melhorar a infraestrutura de telecomunicações, até pelos desentendimentos entre órgãos e empresas responsáveis, ninguém poderia esperar algo diferente.

Não importa quem seja o campeão, pode-se concluir que a Copa vai deixar saudades. As prometidas obras de mobilidade foram abandonadas a meio caminho e as redes de comunicação não suportaram a demanda, ou seja, pouca coisa vai sobrar para os brasileiros a partir de segunda-feira. Mas foi uma festa, mesmo assim. As imagens alegres e coloridas registradas em alta definição, que certamente ainda iremos rever dezenas de vezes, é que acabam sendo, enfim, o grande legado da Copa.

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Tablets OLED estão a caminho

Galaxy-Tab-S10-5 OLEDEm sua insana busca de superar a Apple, a Samsung está prestes a conseguir um feito: entregar ao mercado um tablet superior ao iPad. Pelo menos, é o que dizem vários sites internacionais especializados, ao anunciar os novos Galaxy Tab S, de 8,4″ e 10,5″. Ambos começaram a chegar às lojas dos EUA e dos principais países europeus no início de junho. E marcam a introdução no segmento dos displays AMOLED, já usados em alguns smartphones, só que agora numa versão mais avançada (nome comercial: Super AMOLED).

Ambos são derivados dos OLEDs, displays construídos a partir de diodos feitos de material orgânico que emitem a própria luz. AMOLEDs são displays OLED do tipo matriz ativa, em que uma camada de filme condutor de energia é aplicada para aumentar a velocidade de ativação dos pixels. Nesse aspecto, são cerca de mil vezes mais rápidos que os LCDs. Mas, até agora, só eram fabricados em tamanhos pequenos, abastecendo o enorme mercado de smartphones.

A aposta da Samsung é usar os Super AMOLEDs nessa nova linha de tablets. O site mais respeitado do mundo na matéria, DisplayMate, após realizar mais um de seus famosos e detalhadíssimos shootouts (comparativos entre displays), os classifica como os melhores já produzidos até hoje (vejam aqui). Tempos atrás, o mesmo site comparou cinco tablets com display LCD e concluiu que nenhum deles superava o iPad (neste link). Vamos ver agora qual será a resposta da Apple.

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