O mundo por trás das câmeras

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Começou neste domingo o 25° Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), que acontece simultaneamente à SET Expo, principal feira de equipamentos para rádio e televisão do país. O setor vive um momento delicado, em meio à competição com as chamadas “novas mídias” (hoje já não tão novas…) e à disputa política com as operadoras de telefonia.

Os temas do Congresso não poderiam ser mais atuais: switch-off da TV analógica, distribuição de conteúdos da TV via internet, mudança de hábitos dos telespectadores, segunda tela, desafios para as transmissões em 4K e 8K, a polêmica convivência da TV Digital com as redes de celular 4G… tudo isso em 44 sessões, que acontecem simultaneamente em quatro auditórios, com a participação de aproximadamente 220 especialistas de vários países. A Revista da SET traz em seu site uma cobertura volumosa sobre o evento, e a programação oficial – com dias e horários – pode ser encontrada aqui.

Já a SET Expo procura ser uma espécie de “NAB brasileira”, referência à convenção da National Broadcasters Association, que acontece em Las Vegas sempre no mês de abril. É um festival de novas tecnologias, com a participação dos maiores fabricantes mundiais. Este ano, por exemplo, destacam-se as novas linhas de câmeras 4K da Sony e da Panasonic. As duas empresas, assim como Epson, Hitachi e outras, exibem também sua nova geração de projetores.

Três países (Alemanha, Japão e Inglaterra) têm espaços próprios na SET Expo, reunindo empresas de ponta em tecnologia de televisão; há ainda expositores vindos de Israel, Índia, EUA, França, Suécia e Itália. Os japoneses, particularmente, estão dando show com a emissora estatal NHK, que trouxe equipamentos para uma demo de transmissão ao vivo em 8K.

Enfim, um evento imperdível para quem se liga em novas tecnologias.

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Um app para o seu coração

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Já tratamos do assunto aqui, mas sempre há o que acrescentar. Refiro-me aos avanços das tecnologias relacionadas aos cuidados com a saúde. É um mercado em franca expansão na Europa e na América do Norte, regiões que enfrentam de modo mais intenso a questão do envelhecimento da população (no Brasil, só para variar, o problema existe, mas é praticamente ignorado pelas autoridades e por grande parte da população).

Quase toda semana sai uma novidade nesse campo e, embora algumas ainda estejam em fase de testes, o simples fato de surgirem mostra que há uma evolução. Uma das mais recentes, noticiada pelo site Computer World, é o aplicativo Heart Monitor, criado pela empresa AliveCor e agora aprovado pela FDA (que corresponde nos EUA à brasileira Anvisa). Como mostra a foto, o app se baseia numa capa de celular com eletrodos que, ao ser pressionada com as duas mãos, consegue detectar o processo que os médicos chamam Afib (Fibrilação Atrial).

Esse é o sintoma mais comum de arritmia cardíaca, que pode levar ao infarto. O dispositivo é uma espécie de “eletrocardiograma portátil”, que pode ser acionado a qualquer momento e, assim, acelerar as providências necessárias. Segundo Euan Thomson, diretor da AliveCor, o problema do Afib é que muitas vezes não há sintomas, embora o paciente possa estar sofrendo de alguma doença vascular ou até do coração. Pequenas palpitações ou dores no peito já podem ser um alerta. E o app pode trazer a salvação.

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Dolby Atmos e a polêmica do surround

dolby-atmos-surround-diagram-700O lançamento dos primeiros aparelhos com processamento Dolby Atmos vem causando polêmica entre os especialistas internacionais. Já li desde artigos apontando uma “nova revolução no mundo do áudio” até aqueles que não perceberam diferenças marcantes em relação aos codecs já conhecidos. Embora haja experimentos mais ousados, os processadores que haviam chegado ao mercado até agora eram capazes de produzir, no máximo, 11.2 canais.

Considerando que o Atmos promete inacreditáveis 64 canais, não causa surpresa a diversidade de opiniões. Como sempre acontece quando surge uma nova tecnologia, antes de emitir opiniões convém estudar (e principalmente ouvir) bastante. Ainda não tivemos oportunidade de avaliar o receiver TX-NR838, da Onkyo, que está sendo lançado no Brasil pela distribuidora Disac, o primeiro dessa nova geração. Parece que Denon, Marantz e Integra também vão chegar aqui até o final do ano. Enquanto isso, temos de tomar por base a análise de experts que estiveram presentes, por exemplo, o lançamento oficial do Atmos, promovido pela Dolby em Nova York, em junho (detalhes aqui).

A princípio, a diferença mais importante em relação aos outros codecs é que o Atmos não se baseia no número de canais e, sim, na quantidade de alto-falantes existentes na sala, seja um cinema para 500 pessoas ou o living de uma casa comum. Para cada falante (128, no total), o produtor do filme pode direcionar um som diferente – na forma de metadados -, e todos esses sons são preservados na mixagem final. O filme codificado em Atmos virá com algoritmos que localizam esses falantes na sala, quando reproduzido em aparelhos compatíveis. Caso não haja 128 falantes, o sistema recalcula a distribuição dos sons necessária àquele ambiente (este vídeo ilustra bem a ideia).

O conceito é ter sons se propagando pela sala o tempo todo durante o filme. Claro, isso já pode ser feito hoje, com simuladores surround, alguns deles de ótima qualidade. Mas, nesses casos, os sons originais não foram ordenados para isso; trata-se de uma manipulação artificial. Com Atmos, e é claro que ainda estamos falando em teoria, os filmes terão uma nova configuração acústica. O resultado será tão eficiente quanto mais alto-falantes você tiver em sua casa.

Quem viver – ou quem tiver paciência – ouvirá.

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TVs 4K e Full-HD, comparados lado a lado

2014 shootout 3 expertsJá virou tradição: todo ano, sempre no mês de agosto, a Value Electronics, conhecida loja de Nova York, promove o HDTV Shootout, uma espécie de competição aberta entre as principais marcas de TV. Além dos clientes, são convidados jornalistas, técnicos, consultores, enfim, uma “seleção” de formadores de opinião. São instalados os top de linha de cada fabricante numa grande sala com baixa luminosidade, onde as pessoas vão passando ao longo de um fim de semana inteiro. Ao final, os visitantes votam, por escrito, em seus preferidos.

Este ano, deixou de ser um evento restrito a HDTVs, passando a incluir modelos Ultra-HD. Robert Zohn, dono da Value, decidiu montar uma espécie de “júri oficial”, composto por alguns dos maiores especialistas americanos. Eles votaram à parte, mas foram encarregados de fazer os ajustes finais nos aparelhos, antes que o público entrasse em cena.

Outra novidade, lembrada pelo site Electronic House, que cobriu o evento, foi que, pela primeira vez, todos sabiam que os TVs de plasma não existem mais; um deles (da Samsung) até foi incluído na disputa, mas agora não foi mais unanimidade como nos anos anteriores.

Mesmo assim, acreditem, quase deu empate: o plasma Samsung mod. PN64F8500, de 64″, lançado em 2013, perdeu por pouco do OLED LG 55EC9300, de 55″, que acaba de chegar ao mercado. Na votação do “júri”, ganhou o OLED Samsung KN55S9, também de 55″. Os dois OLEDs são de tela curva, o que sugere que esse design tem mesmo forte apelo junto aos experts.

Mas o fato mais marcante do evento foi que esses três vencedores são Full-HD, deixando para trás, portanto, os cinco modelos 4K incluídos na comparação (é bom lembrar que todas as imagens utilizadas eram 1080p, ou seja, os TVs UHD tiveram que funcionar no modo upconversion).

Bem, reproduzo abaixo o quadro final com as pontuações de cada aparelho. Se alguém quer saber por que não havia outros modelos na disputa, a explicação é simples: o espaço na loja é limitado; foi o próprio Zohn quem fez a pré-seleção, baseado em sua longa experiência como vendedor (e avaliador) de TVs.

Aliás, na soma geral de pontos, havia mesmo dado empate. Mas Zohn tomou a liberdade de “desempatar” a favor do OLED LG. Seu argumento: foi o que se saiu melhor nos itens mais importantes da avaliação (nível de preto e contraste). TV shootout

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Leilão: como queríamos demonstrar

Pouco mais de três meses atrás, comentamos aqui sobre as pressões das operadoras de celular sobre o governo em relação as novas redes 4G. Chegou-se a defender que as frequências (da polêmica faixa de 700MHz) fossem cedidas gratuitamente às teles, ideia que naturalmente não foi bem recebida no Palácio do Planalto.

Nesta quarta-feira, enfim, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, revelou a solução mágica: as operadoras terão, sim, que pagar pelas licenças, mas o dinheiro sairá, pela enésima vez, dos cofres do BNDES. O banco foi “convocado” a financiar a compra das outorgas a serem disputadas em leilão, agora marcado para setembro. Valor do presente: R$ 8 bilhões. Mais ainda: o mesmo BNDES irá bancar os R$ 4 bilhões previstos para a implantação das redes 4G, o que inclui o custo para eliminar as também polêmicas interferências sobre o sinal de TV digital.

Assim, numa tacada só, cairá no colo da “viúva” – como gosta de dizer o jornalista Elio Gaspari – uma brincadeira de R$ 12 bilhões, que sabe-se lá como serão pagos. Nunca é demais lembrar o caso da Oi/Telemar, que em 2008 foi premiada com cerca de R$ 12 bilhões pelo governo Lula. Não só não pagou como ainda deve hoje cerca de R$ 50 milhões.

A prioridade do governo sempre foi, e continua sendo, arrecadar o máximo possível. O valor de R$ 8 bilhões foi tirado da cartola pelo Ministério da Fazenda para conseguir fechar o chamado superávit primário, a conta de chegar que é preciso fazer a cada ano para o governo não ficar, pelo menos não oficialmente, no prejuízo. Não fosse o socorro do BNDES, haveria o risco de o leilão não atingir nem metade desse valor: três das principais candidatas (Vivo, Tim e a própria Oi) estão às voltas com problemas societários e/ou de fusão; dificilmente teriam condições de disputar.

Agora, com o dinheiro saindo (quase) de graça, tudo se resolve. CQD – diziam antigamente os professores de Química. Como queríamos demonstrar.

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TV paga: tudo ao mesmo tempo agora

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A maioria das pessoas mal consegue dar conta de suas atividades habituais e, no entanto, os serviços de vídeo sob demanda (VoD) são os que mais crescem no mundo das comunicações. Todos querem assistir a seus conteúdos preferidos na hora e local mais convenientes, e a cada dia faz menos diferença que tipo de aparelho se usa para isso (TV, celular, computador…)

Na feira e congresso da ABTA, realizados no início do mês, foram divulgadas várias estatísticas a respeito. Ficamos sabendo, por exemplo, que se o serviço Now, da NET, fosse uma emissora à parte, estaria entre as de maior audiência no país. É o que já acontece com o Netflix, mas a empresa americana – que diz ter mais de 40 milhões de assinantes mundo afora – não revela quantos deles são brasileiros.

A NET informou que o Now gera mais de 20 milhões de visualizações mensais. “Já somos a maior loja de vídeo digital do país”, garantiu Fernando Magalhães, diretor de programação da operadora, acrescentando que, para alguns estúdios de Hollywood, 80% das vendas de filmes online acontecem dentro do Now.

Não há como comprovar, mas é um número bem factível. Marcio Carvalho, diretor de marketing da NET, com quem conversei no evento, lembrou que a maior parte (70% a 80%) dos conteúdos assistidos no Now são gratuitos – filmes não recentes ou programas já exibidos pelos canais lineares, recuperados na modalidade que os especialistas chamam de catchup; durante a Copa do Mundo, por exemplo, foi grande a quantidade de assinantes que quiseram ver reprises de algumas partidas. “Temos 20 mil títulos e, desses, 5 mil são gratuitos”, diz Carvalho. “Mas são justamente os mais assistidos”.

Certamente as visualizações aumentarão, agora que a NET está colocando os conteúdos também em dispositivos portáteis. É o chamado Now com pernas: os 20 mil títulos poderão ser acessados também em tablets, smartphones e notebooks, bastando para isso entrar numa rede Wi-Fi. “Ainda não será possível comprar filmes dessa forma”, diz Carvalho. “Mas o assinante pode reservar o filme no tablet para assistir mais tarde, fazendo o pagamento pelo controle remoto do decoder”.

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“Estádio do futuro” já existe!

levis-stadiumÉ comum falarmos em “telefone inteligente”, “casa inteligente” e até “carro inteligente”, mas até agora eu nunca tinha ouvido a expressão “smart stadium”. Pois é assim que a revista Time se refere ao Levi’s Stadium, localizado em Santa Clara, bem no Vale do Silício, e que será inaugurado no próximo dia 15 de setembro.

A reportagem é extensa, mas me chamou a atenção o conceito do projeto em si. Os responsáveis pensaram: já que estamos no Vale, temos que construir algo tecnologicamente acima de qualquer suspeita. E foi o que fizeram. Para atender aos mais de 70 mil torcedores que cabem ali, foram instaladas redes Wi-Fi e 4G de alta capacidade. São 640 mil metros de cabos, sendo 280 mil apenas para conectar as antenas aos roteadores Wi-Fi. A cada 100 assentos, há um roteador, com dezenas de repetidores espalhados pelo estádio. Também não economizaram na capacidade da rede: 40 Gigabits por segundo (a média nesse tipo de projeto por lá é de 1Gbps).

Há ainda uma rede de 1.700 beacons, que são uma espécie de hubs alimentados pela tecnologia BLE (Bluetooth Low Energy), que servem para orientar os torcedores sobre a posição de seus lugares e também para enviar mensagens de alerta sobre segurança, sorteios e promoções que se costumam fazer durante os jogos.

Mais interessante de tudo, acho, é que futebol americano não é exatamente um programa movimentado. Para quem acompanha, o Levi’s Stadium é a sede do San Francisco 49ers. Os projetistas raciocinaram o seguinte: ação, de fato, num jogo normal, dura no máximo 15 minutos, tantas são as interrupções. Daí, a necessidade de criar atrativos para a torcida nos intervalos. Para isso, foram instalados nada menos do que 2 mil TVs Sony (70 deles são 4K), além de dois telões de leds convencionais.

Para completar, foi criado um aplicativo para o estádio, de modo que os torcedores conseguem facilmente se localizar tanto dentro quanto fora, marcar seus lugares no estacionamento, assistir a replays dos lances em seus celulares ou tablets, conferir estatísticas, pedir comida e até, vejam só, identificar qual dos banheiros tem fila menor. Neste link, é possível ver imagens do estádio em tempo real.

Mais incrível ainda: foi tudo construído com dinheiro do clube e de seus patrocinadores. Não entrou um cent de governo federal, nem estadual ou municipal. Lá, dinheiro público é levado a sério.

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Multiroom à brasileira

1Não é de hoje que vários fabricantes brasileiros vêm se destacando no mercado de tecnologia. Geralmente, são aquelas que fogem do “corpo a corpo” com as multinacionais e descobrem nichos não explorados. Um exemplo recente é o da GR Savage, que ganhou fama produzindo aparelhos de proteção elétrica para sistemas de áudio e vídeo e, mais recentemente, decidiu apostar no segmento de sonorização ambiente. Seu amplificador IHM-1230 (foto), lançado no final do ano passado, é o que se pode chamar “matriz multiroom”. Pode alimentar 12 canais de 30 watts cada, o que significa até seis ambientes estéreo, com sinais provenientes de até seis fontes de áudio chaveadas. Integrado a uma rede Wi-Fi, o aparelho permite vários tipos de configuração, além de poder ser acionado pelo celular ou tablet.

Até agora, não tínhamos visto uma solução desse tipo entre as marcas importadas distribuídas oficialmente no Brasil. O IHM-1230 foi testado por nossa equipe nas últimas semanas e saiu-se muito bem, dentro do que se propõe um amplificador/controlador multiroom. Vale a pena conhecer.

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Quem pensa que está seguro?

Falamos na semana passada sobre a Internet das Coisas (IoT), e eis que um estudo divulgado pela HP nos revela um lado mais sombrio dessa questão. Imaginem o que aconteceria se, com vários aparelhos se comunicando o tempo todo, um deles – um só – fosse atacado por um desses vírus que correm por aí. Foi essa a pergunta que se fizeram alguns especialistas da divisão de software da empresa americana. No relatório chamado Fortify Security Software Unit, eles dão algumas respostas.

Primeira constatação: nada menos do que 70% dos aparelhos seriam vulneráveis. Num primeiro levantamento, os técnicos analisaram dez aparelhos à venda no mercado, escolhidos ao acaso, e descobriram 25 “buracos”, ou seja, falhas de projeto ou de construção que permitem ataques. Exemplo: um simples termostato, dos que se conectam à rede Wi-Fi, pode parecer inocente. Mas é um aparelho não encriptado e, na maioria dos casos, utiliza software aberto, sem proteção.

O mesmo vale para TVs, câmeras de segurança, alarmes, painéis de parede e qualquer dispositivo que possa ser controlado remotamente ou que tenha acesso à internet. Esse é o maior dilema dos defensores da IoT: como interligar tanta coisa (fala-se em 26 bilhões de aparelhos conectados até 2020!!!) e, ao mesmo tempo, garantir que tudo esteja devidamente seguro?

Vai dar pra confiar?

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Empreendedor Expert

Flávio Vieira Lima, da empresa Comando Automação Residencial, de  Goiânia, foi um dos mais ativos participantes do nosso Programa de Certificação Home Expert até hoje. Lançado em 2011, o HE – como chamamos – já formou cerca de 100 profissionais, vindos de diversas partes do país, que hoje estão atuando no mercado de áudio, vídeo e automação. Foi com alegria, mas não muita surpresa, que vimos há algumas semanas o jovem empreendedor dando entrevista ao portal Goiás de Norte a Sul, cujos conteúdos também são exibidos pela Band no estado. Assistam aqui ao vídeo. E parabéns ao Flávio pelo sucesso!

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YouTube vira TV, de verdade

youtube-tvAnos atrás, virou chavão dizer que o YouTube era o “futuro da televisão”. De fato, milhões de pessoas, especialmente os jovens, passaram a dividir seu tempo dedicado à TV tradicional com o site de vídeos. Em meu livro Os Visionários, lançado em 2011, conto a história da criação do YouTube, já na época comentando análises que chegavam a afirmar: as emissoras terão que se adaptar à linguagem da internet.

Bem, não é bem isso que está acontecendo, embora seja cada dia maior a quantidade de vídeos circulando pela web. A notícia desta semana é que o YouTube, depois de anos com muita audiência e pouco faturamento, decidiu ficar mais parecido com a TV. Para decepção dos futurólogos, o site está mudando seu visual para se adaptar à linguagem dos TVs smart e dos consoles de videogame. Seu aplicativo para Xbox já está no ar, e a versão para PlayStation estará em breve, assim como updates para as várias marcas de TVs que oferecem o serviço (vejam aqui uma amostra).

Em seu blog oficial, a empresa diz que pretende facilitar a escolha de canais, programas e vídeos avulsos, aproveitando seu consagrado mecanismo de busca (assistam a este vídeo). E não esconde que a ideia é, sim, atrair publicidade – aliás, como qualquer emissora de televisão.

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Comparando os TVs 4K

consumerSaiu esta semana nos EUA uma edição especial da revista Consumer Reports sobre TVs 4K. Jim Wilcox, editor de tecnologia, compara diversas marcas e aponta suas preferidas, com uma ressalva: para a maioria das pessoas, é quase imperceptível a diferença entre esses aparelhos e seus correspondentes 2K (Full-HD).

Estranho? Também achei. Mas, como em quase tudo na vida, não se deve aceitar uma “sentença” como essa sem considerar algumas variáveis. Primeiro, a posição histórica da Consumer Reports, uma publicação que existe há quase 80 anos – foi fundada em 1936 pela primeira associação de defesa do consumidor do mundo – e é respeitada por sua independência. Suas equipes analisam todo tipo de produto e publicam avaliações que milhões de pessoas tomam como “verdade absoluta”. A revista, que não aceita publicidade (apenas em seu site), possui atualmente cerca de 7,3 milhões de assinantes (auditados) e reserva US$ 1,2 milhão por ano para seus testes (os produtos são comprados no mercado e os fabricantes só ficam sabendo depois da publicação. Alguns deles já foram à Justiça alegando erros nas avaliações de seus produtos, mas a revista nunca perdeu uma ação dessas.

Um dos motivos de tamanha credibilidade está no fato de que a Consumer Reports SEMPRE defende o ponto de vista do consumidor, especialmente em questões relacionadas a custos. Não é estranho, portanto, que considere não haver “muita diferença” entre um TV UHD e um Full-HD, embora tenha divulgado em seu site o gráfico abaixo, que confirma a enorme diferença (notem o tamanho dos pixels que formam a imagem). Levando em conta que, no mercado americano, um TV 4K básico custa por volta de US$ 2 mil, a CR recomenda um Full-HD de US$ 1.300. É um critério: uma economia de 700 dólares pode ser bem-vinda.

PrintWilcox concorda com um comentário já feito aqui, de que a principal diferença entre os TVs 4K que foram comparados está na função upconversion: como existe pouca oferta de conteúdo em 4K, quem compra um TV desse tipo hoje vai assistir a conteúdos Full-HD convertidos via software, o que é bem diferente das imagens originalmente gravadas em UHD. Assim, o TV que tenha o melhor circuito de upconversion é o mais recomendado.

No mais, a opção por um UHD, sem dúvida mais avançado, e outro que simplesmente é incapaz de reproduzir esse tipo de imagem depende, claro, dos hábitos e condições financeiras do usuário. “Para a maioria das pessoas, Full-HD já está ótimo”, diz Wilcox. “Mas, se o meu TV quebrasse hoje, eu compraria um 4K”.

Para quem ainda não viu, sugiro dar uma olhada nos três testes que fizemos até agora com TVs 4K, das marcas Samsung, Sony e LG. Acabamos de testar também o novo top de linha da LG, de 79″, com conversor HEVC,  que sai em setembro (a avaliação será publicada em breve no hometheater.com.br) E, neste artigo, um resumo das diferenças entre UHD e Full-HD.

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Tim e GVT já estão quase juntas

Uma reunião em Paris, na manhã desta quinta-feira, deve ter selado a união entre as operadoras brasileiras Tim (telefonia) e GVT (banda larga e televisão). Lá estavam Vincent Balloré, chairman e principal acionista do grupo Vivendi, dono da GVT, e Marco Patuano, CEO da Telecom Italia. O encontro foi noticiado por vários sites europeus, mas até este momento não se sabe o seu desfecho.

De concreto, mesmo, há uma nota oficial enviada pela Tim à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) confirmando as negociações. A nota é uma exigência legal, já que a operadora possui ações em bolsa. O documento, é claro, não entra em detalhes, mas estes circulam fartamente pela mídia internacional que cobre o setor de telecom. O site Tela Viva, por exemplo, fez um belo apanhado.

A fusão entre Tim e GVT vem sendo preparada há meses pelos bancos Bradesco, Citibank e o italiano Mediobanca. Mas as conversas foram apressadas depois que a Telefonica surpreendeu a todos com aquilo que, no mercado financeiro, se chama de “oferta hostil”: uma proposta não solicitada de R$ 20,1 bilhões para assumir imediatamente o controle da GVT. Acontece que há uma briga interna na Telecom Italia, onde a mesma Telefonica detém 8,3% das ações. E, para complicar as coisas, Balloré, o chefão da Vivendi, é também acionista do Mediobanca, que naturalmente tem interesse num acordo com os italianos.

Há um outro detalhe que dificulta a iniciativa dos espanhois. Passando a controlar a GVT, a Telefonica corre o risco de ver o negócio bloqueado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), já que a Vivo também atua nos segmentos de TV paga e banda larga fixa. Para a Tim, que hoje só opera com telefonia, esse risco inexiste.

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TVs miram nas multiplataformas

Depois dos eventos de TV por assinatura (ABTA) e automação (Expo Predial Tec), agosto nos reserva mais um grande encontro de tecnologia em São Paulo. Será nos dias 24 a 27 a primeira edição da SET Expo, que acontece simultaneamente ao 25° Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão). Serão mais de 300 expositores, entre emissoras, produtoras, provedores de conteúdo online e fabricantes de equipamentos e acessórios.

De olho nas mudanças de comportamento do telespectador, a SET – que até o ano passado apoiava a feira Broadcast & Cable – quer aproveitar a mudança para marcar uma nova etapa na evolução desse mercado. O evento agora será num local melhor e de acesso mais fácil (o Expo Center Norte), com foco na convergência de mídias e de telas. “Queremos ir além das tradicionais fronteiras da radiodifusão”, diz o diretor de marketing da entidade, Claudio Younis, referindo-se à distribuição de conteúdos em multiplataformas. “Expositores e congressistas vão debater as novas oportunidades que se abrem, por exemplo, com o uso dos dispositivos móveis para acessar conteúdos de televisão.”

Um estudo recente da IABM (International Association of Broadcasting Manufacturers), que reúne fabricantes de equipamentos para rádio e TV, mostrou a maior parte dos investimentos do setor, hoje, está focada no gerenciamento e na distribuição dos conteúdos em formato digital, inclusive pela internet. As grandes emissoras do mundo, e também no Brasil, já estão trabalhando nessa direção.

Outro tema que irá mobilizar os debates e as demonstrações na SET Expo é o Ultra-HD. Está programada uma demo do sistema de transmissão 8K, em parceria com a NHK do Japão (mais detalhes aqui), e várias das palestras tratarão do tema em seus inúmeros aspectos (captação, produção, distribuição, armazenamento, recepção etc). E estarão presentes empresas de países como Alemanha, Japão, Israel, Grã-Bretanha, Índia, Itália e EUA.

 

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Casa conectada: o futuro está aí!

Participando nesta quarta-feira de um debate no Congresso HABITAR, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), pude aprender um pouco mais sobre conceitos como “casa conectada”, “comunicação sem fio” e “automação como serviço”. Claro, não são ideias novas, mas ainda estamos longe de entendê-las em toda a sua complexidade.

O evento deveria contar com a presença de Julie Jacobson, editora do site americano CE Pro, uma espécie de “bíblia virtual” dos profissionais de sistemas eletrônicos residenciais. Devido a um acidente, porém, ela não pôde vir; enviou sua apresentação online sobre as tendências do mercado de automação, junto com alguns comentários. Graças a estes, e mais duas rápidas análises de representantes da Z-Wave Alliance, acredito que os participantes tenham saído com uma ideia mais clara sobre esse universo tão fascinante quanto dinâmico.

A partir do mercado americano, Julie destaca cinco tendências principais, que no entanto valem para o mundo em geral:

IoT (Internet das Coisas) – Como comentamos ontem, o conceito engloba a comunicação fácil e rápida entre todos os tipos de aparelho eletrônico.

Segurança – Um item cada vez mais valorizado pelos usuários e cujos avanços tecnológicos têm sido notáveis.

Economia de energia – Embora no Brasil poucos se preocupem com isso, nos países mais avançados a consciência do consumidor está obrigando as empresas a investirem mais e mais em produtos de menor consumo e que utilizem materiais não agressivos ao meio ambiente.

Nuvem – Aumenta rapidamente a oferta de serviços remotos, o que inclui também alguns itens de automação; mas isso não quer dizer que não haja problemas e até riscos na sua implantação prática.

HAaS (Home Automation as a Service) – Ao pé da letra, quer dizer “automação residencial como serviço”. Significa a possibilidade que se abre para o integrador cobrar pelo projeto e instalação dos sistemas, além de fidelizar o cliente com um trabalho eficiente de pós-venda (que também passa a ser remunerado).

Bem, são apenas cinco itens (e há alguns outros), que merecem seus desdobramentos. Faremos isso aos poucos, nas próximas semanas. Importante para os usuários, assim como para os profissionais da área, é buscarem mais informação a respeito. Já não estamos falando de futuro, mas de um presente batendo em nossa porta.

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Automação e a Internet das Coisas

Nesta segunda-feira, foi aberta em São Paulo a 5a. edição da Expo PredialTec, que até quarta irá mostrar o que há de mais recente em automação residencial e predial. Este ano, quatro marcas de prestígio em áudio também estão presentes: a inglesa KEF, que faz sua reestreia no Brasil; a dinamarquesa Avance, distribuída pela gaúcha Facsom; a canadense PSB, através da catarinense Chiave; e a americana PolkAudio, uma das atrações no estande da Disac. Chamo a atenção dos interessados, porque aos poucos o evento dedicado à automação parece se transformar num bom palco também para produtos de áudio. Vamos ver qual será a reação dos visitantes, que basicamente são integradores de sistemas eletrônicos.

No mesmo local da feira, mas apenas pela manhã, acontece a 12a. edição do Congresso HABITAR, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), que entre outros temas interessantes tem programada para esta quarta-feira uma sessão sobre Internet das Coisas. Pode parecer futurista, mas o fato é que aos poucos os aparelhos estão se integrando e aprendendo a “conversar” entre si. Troquei ideias sobre o tema com Mark Walters, chairman da Z-Wave Alliance, que será um dos palestrantes, e ele revelou que a maioria das empresas integrantes do consórcio – entre elas gigantes como AT&T, G&E, Honeywell, LG, Bosch, NEC, Somfy, D-Link, Hunter Douglas e Verizon – já estão plenamente envolvidas com essa tecnologia.

Internet das Coisas (ou IoT, da sigla em inglês) foi o nome que se deu ao conceito de interoperabilidade, ou seja, a capacidade dos equipamentos se comunicarem entre si através de sensores padronizados. Walters acha que, no máximo daqui a três anos, isso já será realidade não apenas em nossas casas e escritórios, mas também em hotéis, hospitais e até nos carros. “Será um mercado de bilhões, pode apostar”, garante.

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O mundo quer 4K. Será?

sony curvo 4KA edição 2014 da IFA, que acontece em Berlim de 5 a 10 de setembro próximo, tem tudo para ficar na história como a “feira do 4K”. É impressionante a quantidade de informações que nos chegam, de todas as fontes, sobre as apostas da indústria nessa tecnologia. E, quando falo em “indústria”, não me refiro apenas aos fabricantes; pode-se incluir emissoras de TV (aberta e fechada), produtoras de cinema e vídeo, provedores de internet e um looooooooooongo etc.

Começando pela notícia mais recente: a Sony anunciou nesta sexta-feira, em Tóquio, que entre as atrações da IFA estarão seus dois primeiros TVs de tela curva (foto), de 65 e 75 polegadas, com resolução Ultra-HD. Pelas informações disponíveis, trata-se dos modelos top de linha atuais, só que agora com o apelo das curvas.

Nas últimas semanas, Samsung e LG apresentaram seus TVs 4K de 105 polegadas, de tela curva (detalhes aqui), enquanto Panasonic, Toshiba e Sharp prometem uma variedade de tamanhos e estilos. Há ainda a Philips, que costuma reservar seus melhores lançamentos para a IFA. Além dos TVs, esses fabricantes preparam também players digitais compatíveis com sinal UHD via internet.

Ainda não se conhece um player de mídia física, tipo Blu-ray, com essa capacidade. Quem sabe não aparece um deles na IFA?

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Tecnologia será útil nas eleições

Daqui a menos de dois meses, os brasileiros terão que escolher quem irá governá-los pelos próximos quatro anos. Grande parte dos candidatos já percebeu que a internet – e particularmente as redes sociais – é um “campo de batalha” que precisa ser bem utilizado. OK, para alguns, “utilizar bem” essa mídia significa espalhar boatos e mentiras, ou ofender a reputação de seus adversários.

Hoje mesmo, surgiu a informação de que alguém, a partir do Palácio do Planalto, deturpou dados sobre dois jornalistas na Wikipedia; notícias como essa têm sido comuns nos últimos meses, numa prática abominável que, pelo visto, se espalha por todos os grupos políticos. Sabe-se que os grandes partidos, e também alguns candidatos, por conta própria, montaram verdadeiras “guerrilhas digitais”, coordenadas por seus marqueteiros. É um jogo sujo, mas ao qual infelizmente teremos de nos acostumar.

E nos prevenir, também. Uma boa iniciativa nesse sentido acaba de ser anunciada pela Transparência Brasil, que há anos busca denunciar o lado podre da política brasileira. No próximo dia 23, essa ONG irá promover o que chama de hackathon, maratona de desenvolvedores cujo desafio será criar aplicativos que facilitem o monitoramento das eleições e dos parlamentares em todo o país. Para começar, já está no ar o projeto Quem Quer Virar Excelência nas Eleições de 2014, que reúne informações úteis sobre os candidatos.

Vale a pena acessar, conferir os dados e divulgar. E, claro, torcer para que a criatividade de nossos hackers ajude a tornar nossa política mais limpa (ou menos suja).

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Operadora é acusada de “gatonet”

Ainda sobre o assunto do post anterior: a maioria dos estudos atuais sobre pirataria no mundo aponta na direção do DTH (Direct-to-Home), nome técnico do sistema de TV via satélite. No Brasil, as principais operadoras dessa modalidade são Sky, Claro TV e OiTV (a Vivo tem atuação pequena). A explicação é de que é mais fácil captar o sinal que viaja pelo ar (e não via cabo), digitalizá-lo e retransmitir aos interessados.

Evidentemente, é caso de polícia. Mas as investigações são discretas, sem muito alarde. Só que o problema pode ganhar contornos mais amplos, com uma denúncia feita ontem na ABTA 2014, por Rodrigo Schuch, diretor da Algar, operadora com sede em Minas Gerais. Sem meias palavras, ela acusou diretamente a concorrente Sky de praticar a chamada “pirataria branca”: o instalador coloca um ponto de recepção na casa do assinante e dali redistribui o sinal para os vizinhos; o custo da mensalidade é então rateado entre as famílias.

Que se saiba, é a primeira vez que uma operadora é acusada nominalmente pelo crime de pirataria. Na verdade, essas denúncias já vêm sendo feitas informalmente no mercado há pelo menos dois anos. Em 2013, a Sky chegou a ser punida pela Anatel por “inflar” seus números de assinantes – o caso, que comentamos aqui, chegou a ser investigado pela DirecTV, dos EUA, proprietária da empresa.

Segundo Schuch, há em Minas casos em que um receptor da Sky é ligado à rede de banda larga da própria Algar (oficialmente a Sky não presta esse tipo de serviço na região). “Eles ligam na nossa rede para fazer as atualizações, e ainda reclamam quando a banda cai”, contou o executivo, inconformado.

A Sky, quando procurada, nunca se manifestou a respeito. E, na prática, não há muito que se possa fazer – a não ser que a polícia localize os domicílios e obtenha autorização judicial para invadi-los e destruir os “gatos”.

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