Americanos definem seu novo sistema de TV Digital

Por Joseph Palenchar

A transição para o novo sistema de televisão digital a ser adotado nos EUA será voluntária para emissoras e fabricantes, e não irá prejudicar os consumidores que hoje recebem sinal de TV digital aberta. Essa é a base de uma petição apresentada pela indústria junto à FCC (Federal Communications Commission), agência reguladora do setor. O chamado Next-Gen TV (ou ATSC 3.0) é o primeiro padrão de TV digital baseado na internet, com a proposta de entregar de modo mais eficiente sinais de UHD e uma série de serviços de vídeo e dados.

As duas principais entidades que representam o setor – CTA (Consumer Technology Association), da parte dos fabricantes, e NAB (National Association of Broadcasters), do lado das emissoras – informaram que o projeto engloba mais canais de vídeo e interatividade, transmissão e armazenamento de dados (data casting), serviços públicos de emergência e processamento de áudio baseado em objetos (como Dolby Atmos e DTS-X).

Além disso, o padrão Next-Gen permitirá melhorar a qualidade de recepção dos sinais de TV aberta em casas e edifícios usando antenas internas. Também poderá ser utilizado em veículos trafegando em alta velocidade. O sistema também é projetado para aumentar a área de cobertura do sinal, através de torres direcionadas a cada região geográfica.

Outra característica do ATSC 3.0, segundo as duas entidades, é a capacidade de retransmitir sinal de televisão via IP, inclusive por redes Wi-Fi: tablets e mesmo TVs Smart que não possuam receptor de TV embutido também poderão captar esse sinal.

A inovação está sendo encarada pelas emissoras americanas como uma forma de competir melhor com as operadoras de TV paga e provedores de OTT. Na proposta enviada à FCC, a transmissão em ATSC 3.0 não seria obrigatória, mas opcional para as emissoras; os receptores também poderiam vir embutidos em alguns modelos de TV, não necessariamente todos.

Durante a feira da NAB, realizada esta semana em Las Vegas, pelo menos três dos maiores fabricantes confirmaram sua adesão ao Next-Gen: Samsung, LG e Sony. Para assegurar que os atuais TVs digitais continuem recebendo o sinal atual, as associações propuseram um modelo de compartilhamento entre as emissoras: todas as que atuam numa determinada região, por exemplo, seriam autorizadas a retransmitir o sinal das concorrentes, no formato simulcast.

 

A adesão ao novo padrão de TV digital

não será obrigatória; as emissoras poderão até compartilhar suas programações.

Além disso, uma emissora que converta seu sinal para ATSC 3.0 poderia cedê-lo, temporariamente, a outra que ainda não tenha feito a conversão. Em troca, a emissora convertida teria o direito de incluir o sinal da competidora em sua rede 3.0. Não seria necessário alterar a numeração dos canais.

Dentro da nova regulação, que ainda precisa ser homologada pela FCC, uma emissora ATSC 3.0 poderá transmitir dois programas simultâneos em UHD, desde que um deles não apresente muitos movimentos de imagem. Canais secundários poderão ser oferecidos em near-UHD ou em simulcast.

Com essas configurações, não haveria o chamado switch-off, como na transição atual, nem o governo precisaria realocar espectro de frequências, muito menos fornecer financiamento às emissoras. De acordo com David Wharton, diretor da NAB, na transição da TV analógica para DTVo governo entregou mais de 6MHz para que as emissoras pudessem combinar transmissões analógicas com simulcast digital. Quando houve o switch-off, elas devolveram o espectro adicional ao governo.

Segundo Jeff Joseph, portavoz da CTA, a implantação do padrão ATSC 3.0 é apenas uma mudança de especificação, sem nenhuma influência sobre a questão do espectro.

A petição é de que a FCC aprove a tecnologia básica de transmissão no novo padrão como uma opção a emissoras regionais e fabricantes de receptores. O documento foi assinado por dois outros grupos da indústria: APTS (America’s Public Television Stations) e AWARN

(Advanced Warning and Response Network Alliance).

Todas as entidades informaram que a transmissão dos sinais abertos pelas operadoras de TV paga irá depender de negociações individuais.

*Texto original da Twice, que pode ser lido no original aqui.

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