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SBT, Record e RedeTV agora valem centavos

Dois dos mais bem informados colunistas especializados no mercado de televisão revelaram nos últimos dias que está prestes a sair um acordo entre as operadoras de TV paga e as três emissoras que querem cobrar por seus conteúdos (Rede TV, Record e SBT). Daniel Castro informou na semana passada que a audiência das redes despencou quando o sinal deixou de ser liberado aos assinantes da NET/Claro, Sky e demais operadoras. Por isso, as emissoras sentiram-se “acuadas” e baixaram os valores em negociação. No domingo 25, Ricardo Feltrin – especialista nos bastidores da TV – contou sobre um documento em que as redes pedem que seus sinais sejam mantidos na praça de Goiás, onde seriam cortados a partir do último dia 22. 

O desfecho dessa novela vai se mostrando como previsto nos primeiros capítulos. Para quem não acompanhou, desde 29/03 – quando aconteceu o desligamento das transmissões analógicas no estado de São Paulo – as operadoras foram obrigadas a cortar os sinais daquelas três redes. Estas queriam cobrar algo em torno de R$ 15 para cada assinante; a NET/Claro, só para citar um exemplo, teria que lhes pagar mais de R$ 150 milhões. Com a recusa das operadoras (a Sky nem quis negociar…), começou um jogo de ameaças que prejudicou os telespectadores fãs dos três canais.

Menos de três meses depois, numa trama que envolveu até o governo Temer, parece que a disputa não valeu a pena: as emissoras já aceitam menos de R$ 1 (isso mesmo: centavos)!!! O acordo está próximo. Talvez assim essa novela acabe de vez.

LG aumenta aposta nos TVs OLED

Na semana passada, estivemos participando do InnoFest, evento internacional que a LG organiza em vários países, a convite da empresa. Dessa vez, foi em Punta Cana, um dos destinos mais badalados do Caribe, reunindo jornalistas e revendedores de toda a América Latina. Além de estreitar seu relacionamento com formadores de opinião (eram cerca de 400 convidados), o encontro serviu para a LG exibir produtos inovadores em TV, áudio, IoT e linha branca. Incluiu um dia inteiro de demonstrações e palestras, fechando com um animado show de música caribenha.

Ficou claro que, apesar das incertezas econômicas, o grupo coreano continua apostando muito na América Latina e no Brasil. Nosso país ainda é seu terceiro maior mercado mundial, atrás apenas dos EUA e da própria Coreia, e a frequência dos lançamentos comprova. Só neste evento, foram apresentados nada menos do que 20 modelos de TVs, sendo metade deles com a tecnologia de painéis orgânicos (OLED). Vimos também refrigeradores, lavadoras e aparelhos de ar condicionado de última geração, além do robô SmartThinQ, que na verdade é um pequeno/grande hub capaz de executar diversas tarefas dentro do conceito Internet das Coisas.

“Mais do que nunca, nosso objetivo agora é levar o consumidor para dentro do ponto de venda”, resumiu o vice-presidente comercial da LG, Roberto Barbosa, sintetizando as mensagens dos principais executivos coreanos do grupo. Cesar Byun, presidente para A.Latina com base em São Paulo, acrescentou que a empresa quer ter produtos para todas as faixas de público, o que inclui desde um TV 4K de 86″ até um monitor de 22″. 

No caso dos TVs, sem dúvida OLED é o grande diferencial da marca, incorporando avanços como os processamentos de vídeo HDR10, Dolby Vision, HLG e o upscaling de conteúdos para HDR. “Esses TVs têm 25% mais brilho nos pixels, que são processados individualmente”, explicou o gerente de produto, Igor Krauniski. Além disso, são os primeiros com áudio Dolby Atmos, incluindo a opção de uma soundbar integrada ao painel de TV, como na foto acima.

Esses TVs OLED devem competir agora com os QLED da Samsung, que comentamos aqui semanas atrás. A intenção declarada da LG é que o consumidor veja ambos em demonstração nas lojas e confirme a superioridade do OLED. Mas estes continuarão sendo mais caros que os LED-LCDs. O outro trunfo da empresa está nos TVs Nano Cell, também exibidos no evento, cujo maior diferencial está no tamanho menor das partículas que compõem o painel – seriam menores que os Quantum Dots da concorrente e, portanto, mais eficientes na reprodução de cores e nuances da imagem.

Bem, tudo isso será conferido na prática quando fizermos os devidos testes com todos esses TVs. Por enquanto, as amostras foram excelentes.

Kaleidescape: a estrela renasce

Um dos cases mais interessantes da indústria eletrônica nos últimos anos é o da Kaleidescape, empresa do Vale do Silício que revolucionou o hábito de ver filmes no final da década passada. Como numa saga cinematográfica, seus criadores foram ao céu quando a inventaram, caíram no inferno ao enfrentarem na Justiça os estúdios de Hollywood e, contrariando todos os prognósticos, renasceram com a mesma força de antes.

Na semana passada, o CEO e co-fundador do grupo, Cheena Srinivasan, anunciou uma nova geração de servidores de mídia, compatíveis com conteúdos em 4K. O “milagre” se deu, diz ele, graças à fidelidade de milhares de usuários que anos atrás adotaram a plataforma Kaleidescape e não deixaram que a empresa fechasse suas portas. “Fomos abençoados”, disse ele ao site CE Pro, que reconstituiu a saga, digna mesmo de um case.

Comentamos um pouco sobre a história da empresa há cerca de quatro anos. Foram eles que aperfeiçoaram o conceito de media center: em vez de centenas de filmes gravados em disco, por que não ter tudo armazenado num aparelho só e acessar todos eles pelo controle remoto? A Kaleidescape desenvolveu os gravadores e players para isso, além de um sistema operacional, com menus, capas dos títulos e uma navegação que antecipou em alguns anos a revolução do Netflix. O próprio usuário podia copiar seus discos no sistema.

Foi aí que a ideia travou. Os estúdios, representados pela DVD Copy Control Association, foram à Justiça para impedir as cópias. Depois de muitas negociações, chegou-se a um acordo: as cópias não seriam mais permitidas, mas a Kaleidescape foi autorizada a implantar serviços de streaming inclusive para filmes recentes, algo que nem o Netflix conseguiu. Foi uma vitória para os três sócios fundadores, que no entanto deram o passo seguinte muito maior que suas pernas: anunciaram streaming com a qualidade de Blu-ray sem ter finalizado o software para tanto. Muitos clientes se decepcionaram, as vendas de players caíram e o dinheiro acabou.

Em agosto do ano passado, a Kaleidescape chegou anunciar que estava fechando. Mas – aí o milagre – Srinivasan e seus parceiros conseguiram financiamento de um fundo, mantiveram parte dos engenheiros que trabalhavam no projeto e, enfim, renasceram quase das cinzas. Numa incrível demonstração de transparência, relataram toda a história e agradeceram aos clientes, endinheirados capazes de pagar até US$ 3.200 por um media server e verem em seus TVs telas parecidas com a da foto acima. São cerca de 11 mil filmes e 2 mil episódios de séries, ao alcance de um clique.

De olho nos podres poderes

O desfecho do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral joga o pano que faltava sobre a credibilidade do Poder Judiciário brasileiro. Pode-se agora afirmar que nossos três poderes estão podres, variando apenas o grau de podridão. Caberá à população vigiá-los cada vez mais de perto.

A razão invocada pelo presidente do TSE, Gilmar Mendes, de que era preciso acima de tudo preservar a “estabilidade” do país, não se sustenta, pelo fato óbvio dos crimes cometidos, e com excesso de provas. Estaria o presidente da República isento de cumprir a lei como todos os cidadãos? O sempre lúcido Fernando Gabeira questionou brilhantemente o argumento em recente artigo. Vejam este trecho: 

“Estranha estabilidade a que nos oferecem os defensores da presença de Temer. Nos tribunais as provas não valem. Durante as investigações também pouco importam: em vez de se defenderem, os acusados passam a atacar os investigadores. A máquina do Estado volta-se contra as instituições que realmente estão trabalhando com seriedade, desvelando o esquema continental de corrupção”.

Se há instabilidade, e há mesmo, o maior responsável hoje é o presidente, com suas amizades suspeitas. A lista de amigos e colaboradores investigados, alguns já presos, é de tirar o fôlego. Neste sábado, o próprio Temer, anunciando que irá processar o ex-amigo dono da JBS, confirmou o conteúdo da famosa conversa noturna gravada – gravação esta que seus advogados até agora desmereciam alegando ter sido manipulada! De fato, estranha estabilidade…

Curioso que um ano atrás tornou-se consenso que Dilma era ingovernável e, portanto, insustentável. Ela e seu sucessor somam-se a um rol de mandatários que insistem em intimidades com bandidos, incluídos os cinco últimos presidentes (salvo, talvez, Itamar Franco) e muitos dos atuais governadores e prefeitos. O problema deles é que sociedade já não admite mais essas práticas.

Mas a praga se alastra perigosamente para o Poder Judiciário, como vimos na célebre sessão do TSE. Foi patético, para dizer o mínimo, o desfile de excelências rechaçando as provas fartamente coletadas e descritas pelo relator Herman Benjamin. O baixo nível desses magistrados, alguns sem conseguir construir uma só frase sensata em seus longos discursos, justifica o repúdio que se seguiu.

Nesse aspecto, tristemente, o Judiciário acaba se equiparando aos outros dois poderes. Só que os políticos serão julgados nas próximas eleições. Já certos juízes, e como terão chegado a seus postos (que, aliás, são vitalícios), talvez mereçam uma outra Lava Jato.

A “morte” oficial do MP3

Aos 22 anos de idade, foi declarado oficialmente “morto” o formato de gravação mais popular do século até agora. O MP3, invenção do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, não terá mais suporte técnico nem atualizações, o que significa que a partir de agora haverá cada vez menos aparelhos compatíveis. O anúncio foi feito pelo próprio Instituto, em seu site, com uma retrospectiva do que aconteceu desde 1987, quando começaram os estudos.

É uma das histórias mais interessantes da tecnologia. E o site presta um merecido tributo à equipe que idealizou o formato. Lembra que, nos primeiros anos, os cientistas por trás da ideia chegaram a ser ridicularizados em eventos públicos. Vale lembrar que então o CD, lançado comercialmente em 1983, era considerado o meio mais confiável de armazenar e distribuir música – a internet ainda era um sonho de poucos. O pessoal do Fraunhofer desenvolveu o algoritmo OCF (Optimum Coding Frequency), uma forma de salvar os sinais de áudio em arquivos dez vezes menores, que podiam ser transmitidos até por linha telefônica.

Em 1998, surgiu o primeiro player MP3, modelo Rio 100, da fabricante americana Diamond Multimedia, fundada por um chinês. Em sua reconstituição, o Fraunhofer não dá o crédito, mas foi a Apple – com o iPod e a loja iTunes, lançados em 2001 – que detonou de vez a revolução na indústria musical a partir do MP3.

Bem, o fim do suporte ao MP3 não quer dizer que todos aqueles nossos arquivos armazenados há tantos anos deixarão de tocar. Mas é bom convertê-los para formatos mais novos, antes que alguém chame você de “velho”. 

 

 

Educação, igualdade e oportunidade

Talvez não seja coincidência: duas entrevistas publicadas nos últimos dias, em veículos diferentes, tratam da educação no Brasil. Foram concedidas por dois especialistas que, se o país valorizasse seus melhores cérebros, estariam em posições de comando: os economistas, professores e escritores Eduardo GianettiRicardo Paes de Barros. Infelizmente, suas palavras quase caem no vazio porque, definitivamente, educação não é prioridade para a maioria dos brasileiros. Mesmo assim, cliquem nos nomes e leiam com atenção.

Falando para a Folha de São Paulo, Barros – que foi um dos responsáveis pela implantação do Bolsa Família, ainda no governo Lula – defende que a escola estimule mais a curiosidade e o pensamento crítico dos alunos, especialmente as crianças, em lugar de apenas ensinar (mal) o básico de português e matemática. Ideia polêmica, sem dúvida, mas que remete a avanços já praticados em países como Coreia do Sul e Finlândia, segundo o entrevistado. “Se você estimular a criatividade, o pensamento crítico, a curiosidade, pode dar um salto, porque o cara com essas características quase aprende sozinho”, afirma.

E mais: “Não só temos pouca escolaridade, mas a escolaridade que temos é completamente dependente do ambiente familiar, o que é um absurdo… Se a escola ensina para o aluno que o mundo é diverso e flexível e que ele precisa ter autoconfiança e persistir, ela elimina o impacto do ambiente familiar”, acrescenta. “O ensino de habilidades socioemocionais na base  curricular é uma aposta de que isso poderá nos fazer ganhar uma década”.

Já o prof. Gianetti, que é também filósofo e tem uma dezena de livros a respeito, acaba de lançar “Trópicos Utópicos”, obra em que avança nas possibilidades que enxerga para o país sair da armadilha de ser o eterno “país do futuro”. Em entrevista ao site da Livraria Cultura, Gianetti reflete sobre os alarmantes déficits educacionais brasileiros, tanto no ensino fundamental quanto no médio e no superior. “As pessoas acham que têm ensino fundamental completo, ensino médio completo, superior completo e, na verdade, essas credenciais não têm realidade, são diplomas vazios”, comenta.

Como tantos outros pensadores, o economista, que também dá aulas há 30 anos, considera a educação o maior desafio do Brasil na rota para se tornar um país “civilizado”. Mas adverte que as questões emergenciais – como a atual crise de representação política – acabam se sobrepondo. “Os alunos brasileiros são treinados desde o início a reproduzir nas provas o que aprenderam em aula”, analisa. “Mas não são estimulados a pensar por conta própria, a buscar o conhecimento, a ter um pensamento lógico, a fazer perguntas. Se você perguntar em prova o que foi dado em aula e o que está no manual, ele é um excelente aluno. Mas, se você sair um pouquinho do que foi dado em aula, ele fica completamente perdido”.

Bem, recomendo entusiasticamente a leitura das duas entrevistas, além de várias outras que ambos vêm concedendo nos últimos anos, como cabeças privilegiadas que são. Para quem tiver preguiça de ler, uma boa alternativa é assistir às entrevistas de Ricardo PB e Eduardo Gianetti no Roda Viva, da TV Cultura.

TV de 100 polegadas, visto de perto

Esta semana, a Sony apresentou em São Paulo sua nova linha de TVs, com destaque para o gigante da foto. São 102kg, com tela de 100 polegadas, que mede mais de 2m de largura. Um brinquedinho de R$ 349 mil reais, que a empresa define como “o melhor TV já produzido”. 

Além do tremendo impacto visual de um TV desse porte e das especificações técnicas de primeira linha (vejam aqui), chama a atenção o nível de contraste do modelo XBR-Z9D, raro em aparelhos com painel LCD. A explicação, segundo Walter Sinohara, gerente de produto da Sony, está na maior quantidade de leds do novo backlight. Há praticamente um elemento luminoso para cada 10 mil pixels, com blocos de diodos comandados por um processador extremamente rápido atuando como uma espécie de dimmer. Nos backlights comuns, os leds se acendem ou apagam totalmente; aqui, a intensidade luminosa varia em cada bloco de leds conforme a cena. Vale lembrar que são mais de 8 milhões de pixels, na resolução UHD (3.840 x 2.160 pixels).

Neste artigo, uma explicação mais detalhada sobre essa questão dos backlights.

Estamos aguardando a confirmação para fazer o teste do TV Sony Z9D (há uma versão de 75″, já encontrada em algumas – poucas – lojas). Mas a primeira impressão foi excelente.

Neste vídeo, mostramos o aparelho bem de perto e por vários ângulos.

Governo pressiona a favor das emissoras

Mais um furo do colega Samuel Possebon, editor do site Tela Viva, e este com alto potencial explosivo: setores do governo Temer estariam pressionando por uma solução favorável às redes Record, SBT e RedeTV na disputa com as operadoras de TV paga. Os detalhes podem ser conferidos aqui. Antecipo um resumo da escabrosa trama:

1.Atacado pela Globo (como comentamos no início da semana), Temer precisa de apoio das outras emissoras. Estas se oferecem para ajudar, em troca de ajuda nas negociações sobre a venda de seus sinais à TV paga.

2.Ministros de Temer, inclusive Gilberto Kassab, das Comunicações, pressionam a Anatel a se posicionar no caso; o presidente da Agência, Juarez Quadros, que não é político (embora já tenha sido ministro e seja referência internacional em telecom), não quer tomar partido, preferindo seguir sua área técnica, que está estudando a questão e rejeita interferências políticas.

3.Nas negociações, as operadoras assumiram posição intransigente contra o pagamento pelo sinal. A Simba, empresa criada para negociar em nome das emissoras, já baixou dez vezes sua pedida inicial, de R$ 15 para R$ 1,50; esse seria o custo por assinante, que nas contas de Possebon totalizaria cerca de R$ 320 milhões por ano. As pesquisas feitas pelas operadoras indicam que pouquíssimos assinantes sentem falta dos três canais em suas grades.

4.Entra em cena a Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça, onde é grande a influência do notório deputado Celso Russomano, que vem a ser apresentador da Record e, claro, defende a cobrança.

Vale citar também o site RD1, especializado em televisão, que cita dois episódios nada edificantes:

*O vice-presidente da Record, Douglas Tavolaro, foi apanhado em grampo negociando com o senador Aécio Neves um patrocínio da Caixa Econômica Federal em troca de apoio a Temer (isso, claro, antes de Aécio aparecer nas gravações da JBS);

*Temer recentemente deu entrevistas exclusivas ao SBT e à RedeTV, que apoiam abertamente suas reformas trabalhista e da previdência.

Esse nível de discussão pode causar enjôos, como de resto a maior parte das discussões políticas atuais. Mas o caso pode até ter influência na campanha eleitoral de 2018, dado o peso da Record junto à bancada evangélica no Congresso.  É bom ficar de olhos bem abertos.

Amazon já vale dois Walmarts

A respeito do comentário publicado aqui anteontem, sobre a disputa Apple x Google x Amazon, duas outras notícias recentes merecem registro.

A Amazon acaba de lançar seu primeiro televisor (foto), cujo nome comercial é Fire TV. Claro, não é a Amazon quem produz. Vem da fabricante chinesa TongFang, a mesma que comercializa em vários países a marca Element, com TVs de baixíssimo custo. Quem comprar “ganha” de presente todos os recursos da plataforma Amazon, sem necessidade de adaptador ou acessório para internet. Como Android e iOS, a loja Fire oferece uma infinidade de apps e jogos. E, reforçando o que dissemos anteriormente, o TV também vem com Alexa, a plataforma da Amazon para comandos de automação por voz. O site americano CNET dá mais detalhes.

A segunda notícia sobre a Amazon é ainda mais impressionante: na semana passada, as ações da empresa ultrapassaram a histórica marca de 1.000 dólares (e você não leu errado). Isso eleva seu valor de mercado para US$ 478 bilhões, segundo o site Mashable, mais que o dobro da Walmart, maior varejista do planeta.

O texto de Jason Abbruzzese no Mashable é perfeito ao sintetizar: na verdade, o mundo é da Amazon, e nós apenas estamos vivendo (e comprando) nele!

Vivo transmite jogos da Seleção no celular

Ainda a propósito do tema anterior: a Vivo anunciou que a partir de agora irá transmitir a seus assinantes de celular os jogos amistosos da Seleção Brasileira de Futebol, da qual é patrocinadora. Para isso, está criando um serviço chamado Vivo Futebol. Com mais de 74 milhões de clientes, a operadora dispõe de uma respeitável “audiência cativa”. O primeiro jogo será sexta-feira, Brasil x Argentina, só que às 7h da manhã, direto da Austrália. 

O detalhe é que será a primeira vez, em décadas, que um jogo da Seleção não será exibido na Globo. Até agora, a emissora detinha um virtual monopólio junto à CBF, consolidado nos áureos tempos do hoje denunciado Ricardo Teixeira. O caldo entornou com as negociações sobre direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, que alguns clubes acabaram fechando – apoiados pela CBF – com o Esporte Interativo. Estrategicamente, a Globo decidiu se afastar dos dirigentes da entidade, quase todos enredados em falcatruas. 

A emissora continua dona dos direitos para transmitir os jogos oficiais da Seleção e, claro, as duas próximas edições da Copa do Mundo: 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar.

Política da Globo mira na próxima década

Como vem acontecendo há décadas, de tempos em tempos as Organizações Globo são acusadas por sua posição política. A diferença é que agora as condenações não se dão a propósito de alinhamento com o governo de plantão, como quase sempre ocorria, mas justamente pelo motivo oposto; de repente, parece que o grupo de mídia mais poderoso do país virou oposição!

É o que se revela nas entrelinhas dos discursos anti-Globo, desconfiados de que haveria algo por trás da cobertura jornalística. Se antes eram as esquerdas que demonizavam a emissora do Jardim Botânico, hoje o papel é desempenhado por tucanos e peemedebistas. Tudo porque foi o jornal O Globo que detonou a mais recente crise política, ao divulgar o conteúdo da já célebre gravação entre o presidente Temer e seu ex-amigo Joesley Batista.

Há um cheiro de inveja no ar: qual jornal ou revista não gostaria de ter sido o autor do “furo”? Mas esse é mero detalhe, que só interessa aos jornalistas. Vale mais tentar entender por que houve (se é que houve) uma mudança de postura na empresa dos Marinho. Sem deixar de registrar que, no episódio, as demais emissoras cumpriram seu eterno papel de figurantes, com quase nada a acrescentar, dando mais motivos para seus telespectadores trocarem de canal.

Aqui mesmo neste blog já apontamos, algumas vezes, como a liderança da Globo, realçada toda vez que um fato mobiliza a opinião pública dessa maneira, pode ser danosa para o país. Mas, sejam quais forem as métricas – entretenimento, refinamento da produção, qualificação de repórteres e apresentadores, tecnologia – a distância em relação aos outros grupos de mídia chega a ser constrangedora. E, se alguém neste momento fala em “monopólio”, é porque desconhece o funcionamento da mídia (especialmente a televisão) em países como Japão, México e Itália. Tema para outro artigo.

Com seu poderio, a Globo consegue cumprir uma lição de casa que talvez nem esteja nos sonhos dos concorrentes. Paga altos salários, não aluga seus horários, incentiva o aperfeiçoamento técnico de seus profissionais, contrata pesquisas e investe em experimentos de linguagem e de formato como poucas redes no mundo. Mesmo com a queda de receitas nos últimos anos, fenômeno multinacional e inevitável, mantém acesa a chama da criatividade, na condição de maior produtora de conteúdos da América Latina.

Há tempos o desafio da Globo deixou de ser a luta contra a concorrência, para se tornar algo bem mais complexo: manter-se forte na mente de uma nova geração de telespectadores que busca outros tipos de tela. É provável que 90% (se não mais) da população brasileira atual tenha crescido diante do plim-plim. Mas é igualmente plausível que metade desse contingente hoje não queira mais assistir TV no modo tradicional, a ponto de tornar o controle remoto um acessório quase descartável.

Pois bem, os irmãos Marinho perceberam isso há mais de dez anos, quando decidiram renovar todos os postos diretivos do grupo. Assumiu o comando uma geração de “profissionais de TV” que combina talentos técnicos com jornalistas e comunicadores egressos do marketing. Parte deles recebeu a missão de estudar as novas formas de mídia e as mudanças de comportamento do telespectador/leitor/consumidor. Nesse meio tempo, o grupo retirou-se do mercado de operação de TV por assinatura (até por força da nova legislação, para a qual, aliás, contribuiu decisivamente). E concentrou-se naquilo que sabe fazer melhor: produzir conteúdo.

O detalhe – que talvez tenha escapado aos críticos – é que as formas de distribuir conteúdo evaporaram ao sabor da internet e das tecnologias correlatas. Não basta produzir com qualidade; é preciso esse rigor também ao fazer chegar as produções ao distinto (e fragmentado) público. Se tanta gente critica a Globo há tantos anos, e ainda assim continua dando-lhe recordes de audiência na grade linear, significa que novelas, séries e jornalismo podem ser atraentes também nas segundas e terceiras telas, que fatalmente dominarão as próximas décadas.

Atentos, os executivos da Globo notaram que as disputas políticas podem interferir nesse cenário. Não deve ser agradável ver repórteres sendo agredidos por manifestantes, carros de reportagem incendiados e até cabines de transmissão de futebol hostilizadas. No entanto, cabe à mesma Globo desbravar os caminhos das novas mídias, colocando suas produções em cartaz na internet, ou via celular, às vezes até antes da estreia na rede aberta, ainda que seja apenas para “testar” o público. O que fazer se os outros grupos de comunicação se mostram incompetentes para isso?

Após a repercussão de sua cobertura nos escândalos do Mensalão e do Petrolão, com juízes se elevando à condição de “estrelas do vídeo”, a Globo registrou – em números – que a população estava cada vez mais interessada na cobertura política. As denúncias de corrupção, se encavalando umas às outras, não fizeram cair a audiência como acontecia no passado. E, como no mundo inteiro, políticos corruptos (e seus bajuladores, sempre por perto) se defenderam condenando a mídia. Continuam a fazê-lo, como é o caso do atual presidente. 

No entanto, falar em mídia no Brasil é falar da Globo. É valioso notar que o mesmo jornal O Globo foi o único, até esta data, a pedir em editorial a renúncia de Temer. Por seus meios, a sociedade mostrou que está com a mídia (ou com a Globo). Pode-se aqui acrescentar um saudável vice-versa: mais do que em qualquer época da história brasileira, a mídia está indo aonde o povo está. Questão de sobrevivência. É preciso desnudar os poderosos, tarefa que vem a ser a razão de ser do Jornalismo, seja ele analógico ou digital, impresso ou eletrônico, em regimes democráticos. É um longo e conturbado aprendizado para todos os lados que queiram, de fato, aprender. A emissora que outrora se acomodava às conveniências do poder percebeu que seu papel tinha de mudar. 

O país é outro. E, para o bem ou para o mal, isso só se vê na Globo.

Apple contra-ataca Amazon e Google

 

 

 

 

 

Nesta segunda-feira, como esperado, a Apple anunciou o lançamento do HomePod (foto), sua versão para o produto eletrônico mais badalado da atualidade: a caixa acústica que responde a comandos de voz. Bem, não é simplesmente uma caixa acústica, pois serve para muito mais do que apenas ouvir música. Assim como o Echo, da Amazon, e o Google Home, esses aparelhos se propõem a revolucionar as atividades domésticas, do básico “atender telefone” ao controle simultâneo de diversos dispositivos espalhados pela casa.

O HomePod tem 15cm de altura e seis microfones embutidos. Atende às ordens do usuário, como “acender as luzes” ou “aumentar a temperatura da sala”, através do já conhecido aplicativo Siri. Alguns recursos podem ser acionados simplesmente encostando o dedo no aparelho. Um woofer voltado para cima se encarrega dos sons graves, como ao reproduzir música vinda do celular, por exemplo. E sete tweeters são montados para espalhar os sons em diversas direções, criando sensação de envolvimento.

Segundo a Apple, vai custar $349 quando for lançado, no final do ano. Fará parte da plataforma que a empresa desenvolveu para manter conectados todos os produtos de sua linha (iPhone, iPad etc), incluindo os acessórios HomeKit, que podem compor um sistema de automação de médio porte. 

O HomePod era o lançamento que faltava para acabar de vez com as dúvidas sobre que tipo de eletrônico irá dominar os ambientes domésticos num futuro cada vez mais próximo. Seu único problema está no fato de ser um Apple: se você não é adepto da marca, provavelmente vai preferir os concorrentes, até porque as plataformas Amazon Alexa e Google Assistant foram desenvolvidas para “conversar” com aparelhos de qualquer marca – menos Apple.

Será difícil resistir. 

O MP3 está morrendo. E agora?

Arqueólogos e curiosos em geral costumam se perguntar como os velhos habitantes do Egito conseguiam cortar com precisão milimétrica grandes blocos de rocha para construir templos e pirâmides. Desconsiderando as hipóteses de que eram auxiliados por ETs, resta a constatação de que os habitantes da região, há milhares de anos, tinham técnicas bastante específicas e funcionais. Seja qual tecnologia usassem, ela se perdeu. Na história humana, a evolução costuma se dar com perdas só notáveis quando tarde demais. Mas talvez nesse exato momento estejamos vivendo um desses instantes de morte tecnológica – e poder observá-la ao vivo pode ser tão fascinante quanto triste.
A perda em questão é de uma tecnologia que começou a ser gestada lá no fim dos anos 1970 – a do MP3. O formato de arquivo digital que mudou tudo no cenário musical teve sua morte anunciada neste mês de maio de 2017 – 22 anos após seu nascimento oficial, no nem tão longínquo ano de 1995. O anúncio do possível fim desse jovem incendiário que balançou as estruturas da indústria da música foi feito pelo Fraunhofer IIS, o instituto de pesquisas alemão que é pai e mãe do MP3. Aliás, bem mais pai: a equipe de pesquisadores que o criou não tinha mulheres.
Em um comunicado nada emocional, o Fraunhofer disse que a última patente referente ao MP3 se esgotou em abril – e que não dará mais suporte ao formato, agora livre de copyrights. Na prática, quer dizer que mudanças que impactem o funcionamento do MP3 não implicarão em adaptações “oficiais” no conjunto de software feitas por seus pais. Só isso.
Pode não parecer muito, mas imagine que surja um novo sistema operacional totalmente diferente de tudo que existe. Pronto. O MP3 não terá mais uma casa aonde ir para se adaptar. Isso é ruim. Por outro lado, com patentes livres, qualquer um poderá mudar o padrão para adaptá-lo a um novo ambiente. Mas isso significa bagunça potencial. Quem usa computador com variantes do Linux sabe o que significa. Se cada um faz o que quer, por vezes as coisas não funcionam muito bem.
Uma coisa é certa: o mundo não foi o mesmo após o nascimento do MP3 e não será o mesmo após seu fim. Quem não viveu seu início, em 1995, não pode imaginar o que esse punhado de linhas de código significou. A possibilidade de gravar horas de música em arquivos digitais pequenos e portáveis, usando apenas um PC e um software como o histórico Nero Burning ROM, e depois transitar livremente esses arquivos pela então nascente internet, foi algo tão impactante quanto a invenção do disco de áudio por Thomas Edson. Se antes a música só podia ser usufruída crua, ao vivo, Edson permitiu que ela fosse fixada em um dispositivo móvel, o disco. Mas isso ainda exigia equipamentos e movimentação física do vinil – ou de fitas, CDs e outros invólucros físicos.
O MP3, que demorou quase 20 anos para ser desenvolvido pelos alemães do Fraunhofer, mudou essa lógica. A mobilidade se tornou virtual: de um só ponto no espaço-tempo era possível duplicar infinitamente uma música. Antes, a duplicação só se dava no um a um: eu copio um vinil em uma fita casette e ponto. Depois do MP3, os conteúdos musicais se democratizaram. Músicos deixaram de depender exclusivamente, para a distribuição, da indústria fonográfica, e consumidores sem dinheiro para adquirir um CD ou vinil puderam, de alguma maneira, ter acesso a seus conteúdos. Sim, isso significou pirataria a princípio – ma hoje é o que permite a você comprar uma faixa musical por poucos reais e tê-la na hora em seu celular ou computador.
Essa ideia já estava na cabeça dos pesquisadores que trabalharam no projeto do MP3. “Nossa visão, lá pela metade dos anos 90, era de que qualquer pessoa um dia poderia levar suas músicas em um dispositivo portátil”, relembra Harald Popp, um dos inventores do formato. “Mas naquela época muitos especialistas diziam que jamais existiria um aparelho portátil capaz de acomodar a complexidade do MP3.”
No fundo, estes descrentes não só duvidaram do MP3 como também não conseguiram pressentir toda uma indústria criada a partir dele para gerar novas maneiras de usufruir música. Empresas pioneiras como a Nero, fundada em 1988 e ainda hoje atuando no mercado de multimídia, ou mesmo fabricantes que usam o formato em seus equipamentos de áudio até hoje, como a Sony, não teriam avançado tanto quanto avançaram sem o MP3.
Mas, e agora? O que ocorrerá se o MP3 desaparecer assim como sumiram as técnicas de cortar rochas dos antigos egípcios? Bem, o fato é que embora revolucionário, o MP3 vem a cada dia perdendo espaço para arquivos mais interessantes – em tamanho ou em qualidade do áudio. Formatos como AAC e FLAC, já suportados por softwares de transcodificação e de execução, oferecem ambas as qualidades. Seus arquivos são menores e o som, melhor. O AAC, aliás, é filho dileto do MP3: foi criado pela turma da MPEG, entidade mundial que congrega fabricantes para criar padrões globais. Não por acaso, a MPEG foi, a partir do fim dos anos 80, uma das envolvidas na criação do MP3 – tanto que a sigla resume o nome completo do formato, MPEG Audio Layer-3. Ou seja, o MP3 pode até morrer – mas permanece em seu descendente. Ainda bem.
*FONTE: http://allameda.com/ws2011/index.asp

TV paga x emissoras: acordo mais difícil

Se nenhuma novidade ocorrer até lá, no próximo dia 10 de junho a Vivo deixa de transmitir a seus assinantes os sinais das redes Record, SBT e RedeTV! Única das grandes operadoras que havia concordado em pagar por isso, a empresa espanhola voltou atrás após o fracasso das negociações com a Simba, empresa criada pelas emissoras. Net/Claro, Oi e Sky já haviam decidido não pagar.

As conversas entre as partes estão sendo conduzidas com o máximo sigilo para que nenhum detalhe seja vazado. A pendência não é nova, mas tornou-se crítica em março, quando foram desligados os transmissores analógicos na Grande São Paulo, a maior praça do país, que responde por quase metade dos domicílios atendidos pela TV paga. De início, a Simba anunciou que estava perto de fechar com a Vivo, e esta de fato manteve no ar os sinais das três redes. Mas seus assinantes já foram avisados de que isso acaba em 10/06.

A queda de braço envolveu ruidosas campanhas de “esclarecimento”, com ataques de parte a parte. Não há números oficiais sobre audiência, o que torna impossível saber o impacto dos três canais entre os assinantes. Segundo o site Teletime, há forte pressão das afiliadas das redes para não tirar do ar seus sinais, o que favorece as operadoras. Ficando fora da Net/Claro, por exemplo, as emisoras perdem mais de 30% dos domicílios; somadas, as quatro maiores operadoras cobrem mais de 80% do mercado brasileiro (aqui, mais alguns detalhes).

Se para as redes já está difícil encontrar anunciantes estando na TV paga, é muito mais complicado ficando fora. 

Show de tecnologias em São Paulo

Começa nesta terça-feira, em São Paulo, a TecnoMultimídia InfoComm Brasil TMI 2017, principal evento de tecnologias audiovisuais do país. Há um número menor de expositores do que no ano passado, e isso, claro, se deve à crise econômica, mas em compensação está programada uma série de atividades simultâneas à Feira. 

Falando primeiro sobre a exposição: os visitantes terão a chance de assistir a demonstrações dos novíssimos projetores 4K, de pelo menos duas marcas (BenQ e Casio). Ao contrário dos TVs 4K, que já são razoavelmente conhecidos, os sistemas de projeção com resolução UHD ainda não são muito usados em projetos corporativos, a não ser em salas de cinema e grandes eventos. As duas empresas, além da Epson (que adota um sistema chamado “4K-Enhanced”), tentam expandir esse segmento com aparelhos de menor porte e custo mais baixo.

Outra atração da TecnoMultimídia serão as demos de video mapping, tecnologia que une o processamento de vídeo aos softwares de controle de luz. A chamada “projeção mapeada” já é adotada, por exemplo, em shows musicais e painéis publicitários. Empresas como Christie, Barco e a própria Epson estão liderando esses avanços.

Haverá ainda uma extensa programação técnica, com cursos e seminários sobre diversos ramos do mercado audiovisual, que hoje é indissociável dos recursos de automação. A InfoComm, que já realiza esse tipo de trabalho há décadas pelo mundo afora, anuncia sessões voltadas não apenas aos profissionais do setor, mas também algumas específicas para usuários finais. Este grupo inclui executivos de empresas que trabalham com tecnologia, administradores de edifícios, organizadores de eventos e gerentes ou diretores de escolas, hospitais, hotéis, varejo etc. Também o PROAVBR, grupo setorial da Abinee dedicado ao segmento de áudio/vídeo, terá um encontro desse tipo durante a Feira. 

A TecnoMultimídia 2017 marca ainda a realização, pela primeira vez no Brasil, do Digital Signage Summit, evento internacional importante para quem trabalha com sistemas de sinalização digital. Este é um dos segmentos tecnológicos que mais crescem no mundo, entrando em espaços como estações, aeroportos, shopping-centers, museus e tantos outros.

Estaremos lá, de terça a quinta-feiras, acompanhando tudo de perto e apresentando o que houver de mais interessante. Acompanhem no site businesstech.net.br e em nossas páginas do Facebook, Twitter e Linked In

Spotlight e o massacre da mídia brasileira

Há pelo menos quatro anos vivemos no Brasil sob intenso massacre noticioso. Somando-se ao turbilhão das notícias internacionais, que a cada minuto pipocam em nossas telas, a crise brasileira não dá sossego. Olhando com viés otimista, é um ótimo sinal de que a democracia institucional, oficialmente instaurada com a Constituição de 1988, está firme e forte. Nunca tantos brasileiros se informaram tanto sobre política e economia, temas que ganharam até as mesas de boteco, frequentemente deixando o futebol em segundo plano. Pode-se mesmo apostar que, hoje, é possível saber tudo (vá lá, quase tudo…) o que está acontecendo de relevante no país, bastando alguns cliques.

Será mesmo? OK, a fragmentação das mídias significa que, a princípio, ninguém mais é “dono” da informação. Acusa-se a grande imprensa (Globo, Folha, Estadão, Editora Abril) de manipular as notícias que chegavam ao distinto público, em sinistra cooperação com os governos e “as elites”. Mas tal afirmação atualmente não resiste a qualquer análise séria: por mais que tentasse, a mídia não possui mais o poder de influência que detinha, por exemplo, no período pós-ditadura. Hoje, todo mundo produz notícia o tempo todo. Nesse aspecto, é ilustrativo observar a queda nas receitas de quase todos os grupos de comunicação. 

Uma crise como a desta semana é oportunidade para observar como se dá na prática essa transição – da informação regulada por uma mídia influente ao crescente poder das redes sociais. Aturdidos, jornais e revistas (e seus respectivos sites e blogs) limitam-se a reverberar os sons que vêm dos centros de poder, notadamente governo, partidos políticos e órgãos de investigação. Não existe mais apuração; trabalha-se com notas oficiais, discursos, relatórios, sentenças, depoimentos oficiais, tudo registrado em texto, áudio e vídeo. E tudo monotonamente igual, em todos os veículos.

“A polícia revelou”, “o ministro comentou”, “o presidente se reuniu”… O que antes era uma obsessão de todo jornalista, o “furo”, parece ter sido esmagado pelo denuncismo e pela preguiça de pensar. Mais vale uma nota oficial na mão do que uma investigação detalhada, que exige esforço e empenho. O último ‘grande furo’ – este do caso JBS – não passou da transcrição de uma gravação (suspeita) liberada pelo STF! E, quando se busca o furo a qualquer custo, como no caso do jornalista Ricardo Noblat, o risco é cair de barriga nas colunas de humor.

Tem sido assim com frequência maior do que seria de esperar. Repórteres e colunistas (aí incluídos os comentaristas de TV), e portanto os veículos que representam, acabam atuando mais como porta-vozes de alguém que quer vazar alguma informação. Costuma ficar claro quem é o alvo do vazamento, às vezes de forma contundente, mas nem sempre ficam claras as motivações de quem vazou. Cabe ao leitor a tarefa de descobrir por sua conta.

Por que, afinal, o empresário influente decidiu delatar? Que vantagens exatamente irá auferir da delação? Por que a Justiça divulga certas gravações autorizadas e mantém outras em sigilo? Por que alguns processos demoram tanto, enquanto outros correm céleres? Como um(a) presidente(a) da República aceita conversar com alguém que é alvo de diversos processos? Aliás, como um presidente ou governador nomeia para cargos relevantes pessoas igualmente suspeitas e/ou sob inquérito? Como a Justiça Eleitoral aprova as contas dos partidos? O que há por trás dos discursos oficiais? 

Raramente as respostas aparecem na cobertura. É uma espécie de avesso de Spotlight, o grande filme sobre a equipe do jornal Boston Globe que desvendou um tenebroso escândalo de pedofilia na cidade. Ali, colocavam-se em dúvida todas as informações oficiais. Prelados, empresários, membros do governo, policiais, todos são averiguados. No Brasil, infelizmente, procedimentos de checagem, se é que existem, ainda são frágeis e pouco transparentes. O que impera é a chamada “imprensa oficialista”, como cunhou certa vez o jornalista Caco Barcellos.

Enfim, todos saem perdendo, especialmente a sociedade, que precisa da mídia ágil, solerte e a salvo dos poderosos, estejam eles onde estiverem. 

Futebol europeu, em 4K e realidade virtual

As duas partidas finais do futebol europeu este ano serão as primeiras experiências  de transmissão ao vivo em 4K pela internet, com áudio Dolby Atmos e também com a opção VR (realidade virtual). O anúncio foi feito esta semana pela rede britânica BT, após acordo com a UEFA. A emissora detém os direitos tanto da Champions League quanto da Europa League, e promete caprichar em ambos os eventos.

A primeira decisão acontece na próxima quarta-feira (24/05), em Estocolmo, entre o inglês Manchester United e o holandês Ajax, decidindo a Europa League. No sábado 3 de junho, em Cardiff (País de Gales), Real Madrid e Juventus lutam pelo título de clubes mais importante do futebol mundial, a UEFA Champions League. Os dois jogos poderão ser assistidos de graça no YouTube, no site btsport.com, no app da emissora e – para quem reside na Europa – nos canais BT Sport. No Brasil, quem transmite em rede aberta – mas não em 4K – é a Globo, e na TV fechada o privilégio é da ESPN (no caso da Europa League) e do EI+ (para a Champions). Haverá ainda uma transmissão especial da Globo para salas de cinema.

Quem tiver um TV 4K poderá apreciar as imagens em UHD no YouTube, mas os só os europeus terão o privilégio de também ouvir o som do estádio codificado em Dolby Atmos, com os ruídos das torcidas passeando por suas salas (claro, aqueles que possuem receiver e caixas acústicas compatíveis). Será ainda a primeira vez que um evento ao vivo poderá ser visto pelo público em 360°. Isso já aconteceu na Olimpíada do Rio, mas somente em transmissões fechadas. A BT diz ter desenvolvido um aplicativo em que o telespectador, munido de um óculos VR, pode selecionar narração e gráficos especiais sobre a imagem, além de ângulos variados de câmera no estádio.

Terremoto também na Anatel

 

No mesmo dia em que o governo Temer foi sacudido pelas denúncias da JBS, também caiu uma bomba na Anatel. O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou relatório acusando conselheiros da Agência por “dano ao erário” e ação dolosa” no polêmico episódio TAC da Telefônica. Para quem não acompanha, TAC (Termo de Ajuste de Conduta) é uma espécie de acordo com uma empresa para transformar multas em investimentos. É uma jaboticaba antiga no setor: quando a dívida chega a um nível considerado alto demais, apela-se para o tal ajuste, de modo que a empresa – tipicamente uma operadora – se compromete a investir os valores devidos para melhorar seus serviços.

No caso específico, as multas aplicadas à Telefônica eram de aproximadamente R$ 4,87 bilhões. Como se deixou que elas chegassem a tanto, é algo que que talvez somente uma investigação criminal, no padrão Lava Jato, apurasse. Fato é que o Conselho Diretor da Anatel concordou em reverter esse valor em “investimentos”, por exemplo, numa suposta rede de fibra óptica que cobriria 100 cidades brasileiras. A pergunta que não quis calar na época (outubro de 2016) é se a empresa já tinha esses investimentos engatilhados, pois acabara de adquirir o controle da GVT, operadora de TV, e pretendia expandir sua cobertura. Se isso já fazia parte de seus planos, por que não pagar a multa aplicada, como seria socialmente justo?

Bem, pela lei essas decisões precisam ser submetidas ao TCU, que agora deu seu parecer, como mostra o colega Samuel Possebon, do Teletime. O Tribunal acha que o contribuinte foi lesado em R$ 137,7 milhões, apontando o dedo para três conselheiros (Rodrigo Zerbone, Igor de Freitas e Anibal Diniz, sendo que o primeiro já deixou a Agência). Infelizmente, o TAC virou procedimento de rotina, permitindo que muitas multas deixem de ser pagas e, portanto, tornem-se inócuas. Ao contrário de um contribuinte comum, a empresa nesse caso consegue continuar atuando como se nada estivesse devendo.

Vamos torcer para que o TCU leve à frente sua decisão de apurar as irregularidades no Conselho da Anatel, especialmente as regras travestidas em “ajustamento de conduta”, conforme este resumo de outra colega do Teletime, Lúcia Berbert. Recomendo também esta análise de Possebon sobre as consequências da denúncia para o mercado de telecom em geral. 

Quem deu golpe em quem?

Num país assolado pela falta de memória, o que para algumas pessoas é conveniente, há sempre a chance de voltar a cometer erros passados. Ou crimes. A piada é do humorista americano Emo Philips: “Queria pedir a Deus uma bicicleta. Mas, como sei que Deus não trabalha dessa forma, roubei uma bicicleta e depois fui pedir perdão a ele”. 

De certa maneira, é uma boa definição para essa mania bem brasileira, de fingir que nada tem a ver com o que está acontecendo, por exemplo, na política. Agora mesmo, muitos esquecem que, um ano atrás, o país era presidido por Dilma Roussef. Bem, “presidido”, como se sabe, é mera expressão de linguagem; era um trem desgovernado transportando milhões de passageiros e, no caminho, jogando alguns deles pela janela.

O (des)governo Temer tentou, aos solavancos, mexer com alguns mantras tipicamente brasileiros, como aposentadorias criminosamente infladas, máfias sindicais e subsídios que não param em pé. Conseguiu fazer cair a inflação, ainda que por força da recessão e do desemprego (que, aliás, começaram em 2013). Neste exato momento, ninguém sabe o que será daqui para frente. O processo de lavagem tem que continuar.

De todo modo, recuperar a memória é exercício necessário, e contínuo, sob pena de se achar que o país não precisa de reforma nenhuma e que tudo estava “sob controle”, como dizia Dilma na campanha de 2014. Fuçando em escritos e links do começo do século – sim, este mesmo, o 21 – encontro detalhes que me levam a uma, digamos, cronologia do impeachment, o processo que alguns chamam de golpe. Pelos dados disponíveis, a história, para ser bem contada, deve começar não em 2015, mas dez anos antes. Acompanhem, por favor:

2005 – O deputado Roberto Jefferson, do PTB, denuncia em entrevista o esquema que seria chamado “mensalão”, chefiado pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.

2006 – Em busca da reeleição, o presidente Lula organiza um novo esquema de apoio político. O eixo de financiamento da campanha passa para a Petrobrás, presidida pelo petista Sergio Gabrielli e com Dilma Roussef na presidência do Conselho. No final do ano, Lula se reelege derrotando no segundo turno o candidato tucano, Geraldo Alckmin.

2007 – Lula começa a planejar sua sucessão, atraindo o PMDB, maior partido da oposição. No auge da popularidade, muda a política econômica para aumentar os investimentos sociais. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES são forçados a investir nas empresas “campeãs”, que puxariam o crescimento: Gerdau, Positivo, OAS, Oi/Telemar, Itaipava, Odebrecht e JBS/Friboi, entre outras. Estas duas últimas se tornaram as maiores financiadoras de campanhas políticas da história brasileira.

2008 – Lula dá um golpe de mestre ao reivindicar (e obter) os direitos de sediar a Copa do Mundo da Fifa, em 2014, e a Olimpíada, em 2016. Na euforia, o país começa a ser preparado para o “grande salto”, com ares de China, enquanto o mundo se debate com a maior crise econômica do pós-guerra.

2009 – Lula escolhe para sucedê-lo uma neófita em política, Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil e ex-comandante da Petrobrás. Odiada nos bastidores, inclusive dentro do PT, ela tinha o grande mérito de ser a primeira mulher presidente(a). Atrai o PMDB para uma partilha de poder imbatível nas urnas. E ganha um aliado chamado Michel Temer.

2010 – Dilma vence o tucano José Serra herdando a popularidade de Lula, com estatais e bancos públicos despejando dinheiro na economia e atraindo investidores estrangeiros. Foi a campanha mais cara da história, capitaneada pelo marqueteiro João Santana, discípulo de Duda Mendonça.

2013 – Pipocam as primeiras denúncias sobre um esquema de corrupção da Petrobrás, cuja diretoria havia sido nomeada por Lula (ou Dilma) a partir de indicações do PT, PMDB e outros partidos da base governista. Em junho, milhões de pessoas vão às ruas para protestar contra a corrupção.

2014 – Dilma atropela o PT e impõe sua candidatura à reeleição, contra a vontade de Lula, mantendo a aliança com o PMDB de Temer e fortemente apoiada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. De novo, uma campanha bilionária, ancorada nos financiamentos das empresas “campeãs”. A candidata insistia que não havia crise, com ameaças de que tudo se perderia caso fosse derrotada. Mas foi uma vitória apertada: 54% dos votos válidos, contra 47% do tucano Aécio Neves. Logo após a reeleição, Dilma dá uma virada da política econômica, decisão que muitos consideraram “estelionato eleitoral”.

2015 – A crise se acentua, com queda nos investimentos, inflação em alta e desemprego. Surgem no Congresso vários pedidos de impeachment da presidente. Nos bastidores, Lula tenta costurar um acordo com Temer, Renan e o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. No final do ano, este aceita levar adiante o processo de impedimento, que aumenta a tensão política no país. Enquanto isso, aceleram-se as investigações sobre a Petrobrás, com a Operação Lava Jato trazendo revelações bombásticas, especialmente no campo do PT.

2016 – Dilma não consegue mais governar, sem apoio no Congresso, até que em maio é afastada pela Câmara, decisão confirmada em setembro pelo Senado. Assume seu vice, Michel Temer, em meio a enormes desconfianças e acusações de “golpe”. A Lava Jato agora atinge também integrantes do PMDB e boa parte dos empresários que financiaram as últimas campanhas eleitorais. Revela-se em detalhes a promiscuidade de grupos econômicos com os podres poderes Executivo e Legislativo.

Diante da presente interrogação para 2017, espero que tenha sido útil rememorar como chegamos até aqui. No mínimo, para evitar novas ilusões. Quem deu o tal golpe, se é que existiu? E quem dará os próximos?